Desporto

sábado, 6 de janeiro de 2018

Hara Kiri


    Paradoxalmente, com o explícito objetivo de conquistar o quinto campeonato consecutivo, o Benfica parece ter cometido "suicídio" desportivo graças a desastrosas e sucessivas medidas de gestão, abrindo o caminho do título aos adversários. A saída de quatro jogadores invulgares,  fragilizou os respetivos setores abalando a confiança dos restantes, inseguros da valia da nova formação. As alternativas às saídas não corresponderam em nível idêntico, tendo diminuído as capacidades defensiva e ofensiva, desequilibrando a balança da competitividade em favor dos adversários. Com efeito, Ederson é único, se não o é já, em breve será o melhor guarda-redes do mundo. Um caso raro, com grande impacto na equipa., direto, pelas defesas "impossíveis" e assistências, e implícito, pela confiança que gerava nos colegas . Nelson Semedo é um defesa direito de topo, rápido e criativo, jogador de área a área, defende bem e ataca melhor, destemido nos duelos, acede à linha de fundo facilmente, assistindo, ou flete para dentro assistindo ou finalizando. Lindeloff ,sem alardear grande excelência técnica, garantia com Luisão, percebe-se agora, o quase perfeito sincronismo do eixo defensivo, imbatível no jogo aéreo. Mitroglou é um tipo de jogador raro, conjugando como poucos a robustez atlética com a apurada técnica, pelo chão e pelo ar, a que acrescenta excelente leitura de jogo ofensivo. Um jogador letal que muito contribuiu para a conquista do título da época anterior.
 
   A equipa ressentiu-se e só agora, após o dérby maior, começa a recompor-se. Dos substitutos, só Ruben Dias parece ter capacidade de fazer esquecer o antecessor; apesar de alguma imaturidade é portador da "mística" adquirida nos longos anos de formação, revelando robustez física, mental e capacidade de liderança. Será o futuro Capitão. O bravo André Almeida, generoso, abnegado, lutador, precioso, carece da criatividade do seu antecedente, decaindo o poder ofensivo da ala direita, sobrecarregando Sálvio, retirando-lhe impetuosidade e criatividade. Varela é um bom guarda-redes, mas aquém da valia do antecessor e das necessidades da equipa, revelando falta de oportunidade nas saídas e de qualidade na execução das manchas. Quanto à saída de Mitroglou, foi compensada com o robustecimento do meio-campo, privilegiando um 4-3-3, de que resultou maior equilíbrio na luta do meio-campo, mas menor capacidade de finalização, com a movimentação de Jonas coartada e este mais vulnerável à marcação.

   Julgo que Raul Jimenez poderá fazer de Mitroglou. Tem todas as condições para tal. Seferovic também. Ambos carecem de trabalho específico e o tempo escasseia. Tal opção, remete a equipa para o 4-4-2/4-2-4, induzindo vulnerabilidade no meio-campo face ao 4-3-3. Conseguir o dois em um é o segredo. Tal poderá ser conseguido selecionando corretamente o perfil dos segundo e terceiro médios. Pizzi e Krovinovik parece terem características adequadas; são inteligentes, tecnicamente evoluídos e lutadores. É uma questão de dinâmica e esta resulta do treino, das ideias do treinador e da sua capacidade de as fazer aplicar. Dinâmica e sincronismo têm constituído um dos maiores handicaps da equipa, que só episodicamente ostenta. Concentração tática e resistência mental coletiva, são atributos episódicos no jogo.

   Por tudo isto, para defender o título, julgo ser necessário, ao Benfica, ir ao mercado por um guarda-redes e um defesa direito. Pelo menos. Noto que ainda há défice de cruzamentos da ala esquerda; há talento, mas, ainda, algo incompleto. Cervi é tremendo lutador e forte nos duelos com bola, mas vulnerável ao choque. Zivkovik tem qualidades semelhantes, completando com maior robustez física e melhor meia distância. Nenhum deles parece ter, ainda, "agarrado" o lugar.

   Quando há interesse real de grandes clubes por um jogador, casos de Ederson, Nelson e Lindelof, a saída é inevitável. Mas, neste caso, falhou o planeamento por ter relativizado a importância do impacto destas saídas. Por displicência, creio. Também por contingências financeiras, estou certo. Mitroglou, porém, podia e devia ter ficado. Não queria sair e ainda não tem substituto à altura. Nem terá, tão cedo. Há duas formas de ganhar dinheiro; já, sacrificando o futuro, ou mais tarde ganhando mais. A opção depende da "almofada" disponível. Neste caso, parece ter havido falta dela. Mas...também se tem verificado falta de critério na aquisição de jogadores sem préstimo consolidando a tese da displicência. E, onde há displicência há decadência.

   Displicente foi também o planeamento da pré-época, vexatória para o clube em termos competitivos e sem eficácia na constituição do quadro de jogadores.

   Os sinais estão todos aí; as vitórias não acontecem por acaso, antes, como resultado da união, argúcia e tenacidade.

   Entregar o "ouro ao bandido", nunca! 

(Diego Rivera - Retrato de Julieta, 1945)

António Barreto JR

Still Fighting

      A equipa do Sporting chegou ao derby de quarta-feira passada, confiante; o primeiro lugar Ex aequo e três pontos à frente do rival, garante-lhe, na pior hipótese, a paridade, com maior ou menor dificuldade a equipa vai ganhando os jogos internos, a campanha europeia tem sido moralizadora, o modelo de jogo parece consolidado e validado. Fora das quatro linhas, uma atividade frenética da "estrutura" ameaça abalar o grande rival, o dinheiro parece jorrar a rodos...o sonho parece possível.
 
   Pelo contrário, a equipa do Benfica apresenta-se ansiosa, instável, consequência de uma campanha  irregular, desastrosa na europa e frágil nas provas internas das quais só o campeonato resta. Algo já previsível nos testes da pré-época após a severa decapitação do plantel. Os três pontos do topo da tabela, contudo, alimentam uma discreta esperança na vitória.
 
   Estas circunstâncias refletiram-se na postura das equipas; a do Sporting, tranquila, concentrada, disciplinada, coesa, expectante. A do Benfica, nervosa, sôfrega, algo dispersa e moderadamente intensa. O golo madrugador dos verde-brancos resulta da conjugação daquelas dinâmicas; avançados do Sporting concentrados no posicionamento e no passe e defesas do Benfica desatentos no alívio e na marcação.  Com efeito, o corte de Ruben Dias enviou a bola direitinha para os pés do adversário, revelando insuficiente leitura do lance. Este, manteve a serenidade ante a hesitação dos dois defesas encarnados, efetuando o passe "redondo" para o colega que, rematando, beneficiou de uma "carambola" que conduziu o esférico, em balão, para a frente da baliza, onde apareceu Gelson a finalizar de cabeça, em velocidade e sem oposição, surpreendendo os defesas, ocupados exclusivamente em seguir o esférico, e o guarda-redes, que nada podia fazer. Portanto, neste lance; concentração tática, serenidade e sorte do lado dos verde-brancos e imaturidade e deficiência tática do lado dos encarnados.  
 
   O avanço no marcador reforçou a confiança da equipa do Sporting, que construíu nova oportunidade ainda por Gelson, e constituiu um incentivo para os jogadores do Benfica aumentarem a intensidade e profundidade de jogo. Sucediam-se os lances ofensivos dos encarnados, algo inconsequentes; atabalhoada definição das movimentações e passes associada ao superpovoamento defensivo, resultavam em remates frouxos, precipitados e mal direcionados. Ainda na primeira parte, ficou na retina o tremendo petardo na trave a remate de Krovinovik, com Patrício inapelavelmente batido. Melhor sorte neste lance poderia ter catapultado os encarnados para exibição de gala.
 
   Não desfaleceram estes, mantendo-se o padrão de jogo, com os verde-brancos a apostar no contra-ataque. As entradas de Raul Jimenez, Rafa e João Carvalho, trouxeram mais velocidade e versatilidade ao ataque benfiquista onde Jonas, até então, batalhava desamparado. Finalmente os sportinguistas defendiam como podiam, esvaindo-se a tal serenidade que até então ostentaram. Finalmente o Juiz da partida vislumbra o lance que permitiria pôr justiça no marcador, para desespero dos verde-brancos.
 
   Jogo marcado por decisões polémicas e capitais da equipa de arbitragem e do vídeo-árbitro, todas em prejuízo da equipa do Benfica, ficando demonstrado que nenhuma tecnologia servirá ante a promiscuidade e fragilidade das instituições.
 
   O futuro dirá quem saiu melhor deste jogo; o Sporting manteve a distância do mais temido rival, mas perdeu posição para o rival nortenho e foi alvo de golpe psicológico negativo; O Benfica perdeu posição para o líder mas não deixou fugir o "eterno" e ostensivo rival, mantendo-se na luta pelo título. A boa exibição dos encarnados pode ter um efeito motivador nos jogadores e, com alguns acertos, no plantel e na tática, catapultá-los para uma segunda volta mais frutuosa, quem sabe, vitoriosa.
 
   Na conferência de imprensa, Rui Vitória manteve o seu discurso "redondo", sonolento, embora, desta vez, com alguma assertividade relativamente à apreciação da componente arbitral. Já Jorge Jesus exibiu a prosápia dos fanfarrões afirmando-se seguro da superioridade da sua equipa e denunciando-se pela desvalorização e omissão de fatos relevantes.
 
   Neste jogo ficou demonstrada a vulnerabilidade das instituições desportivas, e não só, que parece ter uma agenda para o campeonato, como já se verificou noutras modalidades, como a do hóquei em patins na época anterior. 
 

sábado, 19 de agosto de 2017

Trabalhar para ganhar

     Depois de uma pré-época titubeante, o Benfica fez uma boa entrada no campeonato com duas vitórias contra adversários muito incómodos, o Braga e o Chaves, após vitória concludente na Supertaça contra o Guimarães. Dos receios dos adeptos relativamente ao preenchimento das saídas de Ederson, Lindeloff e Nelson Semedo, parece claro que, a substituição deste, é a mais deficitária. Com efeito, Varela está a dar conta do recado - tem um pontapé muito perto do de Ederson e ainda não comprometeu na baliza (saída incompleta no golo do Guimarães) -, a qualidade técnica de Jardel não suscita dúvidas, mas a sua condição física sim (deixou-se bater no lance do golo do Braga), quanto ao lado direito, André Almeida perde na qualidade ofensiva, deixando o setor fragilizado e sobrecarregando Sálvio (estava capaz de apostar em Aurélio Buta). De resto, e apesar do cada vez mais apurada condição tática de Pizzi, há fases dos jogos em que há uma clara insuficiência do meio-campo, normalmente colmatada com sucesso com a entrada de Filipe Augusto. Na frente, Seferovic é uma bênção; capacidade atlética e técnica, controlo emocional, coragem, e uma inteligência tática ao nível de Jonas. Fantástico. Sálvio tem de controlar a ansiedade, pois está a falhar demasiado na finalização e Cervi tem que aprender com Gaitan a fugir ao choque.
 
   O que me deixa estupefacto, mais uma vez, é a profusão de lesões que está a verificar-se no plantel! O que é que se passa? O defeso não foi suficiente para normalizar a situação clínica dos jogadores? Estes tentam matar-se mutuamente nos treinos?
 
   Na componente arbitral parece-me muito preocupante a nomeação de Rui Costa para o jogo de hoje com o Belenenses. Cheira a provocação. Mais uma. Depois do que fez no jogo da equipa B deveria ser afastado por uns tempos dos jogos com o Benfica. Manda o bom senso.
 
   Sendo um defensor do vídeo-árbitro, estou a ficar preocupado; pela amostra, parece ser mais um instrumento de apoio aos rivais do Benfica. Assim não vale. Reduz a pressão sobre os árbitros, mas não atenua as injustiças. Pelo menos até agora. Nenhuma das entidades desportivas associadas ao futebol merece confiança. Com tão pouco tempo de uso, já há um padrão! À atenção dos Dirigentes do clube encarnado.
 
   Quanto aos castigos aplicados aos presidentes do Sporting e do Arouca, parece-me tardia e excessiva a assimetria das suspensões. Mais deplorável considero algumas considerações de comentadores desportivos como Vitor Serpa e Otávio Ribeiro. Censuram o atraso da sentença e a negação do direito constitucional à liberdade de expressão, como que censurando as condenações. E é esta gente que, repetidamente, alude à falta de cordialidade e dignidade dos dirigentes desportivos como  a principal contingência do futebol luso e não hesita em permitir que os seus jornais sirvam de caixa de ressonância de rumores provocatórios. A verdade é que, por qualquer razão que me escuso de qualificar, a comunicação social desportiva, é, geralmente, demasiado branda, por vezes até colaborante, com as diatribes dos rivais do Benfica. Até parece mais uma versão do politicamente correto em matéria desportiva. Volta e meia tenho a sensação de que o Benfica é um clube tolerado.
 
Força Benfica.

domingo, 30 de julho de 2017

Preparação descuidada

 
 
   O Benfica tem uma imagem a defender em todo o lado onde vai disputar jogos, sejam eles oficiais, sejam de preparação. Ser goleado, mais uma vez, pelo Arsenal, num país onde o Benfica ainda é respeitado pelos feitos do passado, é irresponsável. Um vexame para os adeptos. A equipa do Benfica não estava preparada para participar neste torneio. Está mal! Ou preparam-se ou não participam. Não me venham dizer que não tem importância, que acontece, que estamos na fase de preparação, que vamos encontrar soluções. O Benfica tem de deixar de ser uma equipa simpática, que até pratica um futebol engraçado, para ser uma equipa temida pelos adversários de topo europeu. Tal como foi no passado.
 
   A equipa aguentou-se enquanto teve pernas - na primeira parte -, depois, foi o descalabro. Uma vergonha. Jogadores amontoados ou dispersos, perante um adversário que joga, permanentemente, em todo o campo, mantendo todo o tempo, e mesmo após as substituições, elevada intensidade. Parece-me claro que temos um problema no eixo da defesa, colmatado, parcialmente - enquanto funcionar a dupla Luisão-Jardel -, e no meio-campo onde Pizzi é "curto" e Filipe Augusto tarda em aparecer. A Baliza está bem entregue a Júlio César mas é necessária uma alternativa ao mesmo nível. Na direita Buta está a corresponder, mas não chega.
 
   Alienar três jogadores do mesmo setor de uma assentada é imprudente. A capacidade revelada no passado de substituir grandes jogadores por outros de igual ou melhor valia, não constitui garantia de sucesso futuro. Pelo contrário, aumenta a probabilidade de erro. Por outro lado, o Benfica continua refém da dívida, que compromete a evolução desportiva; as vendas que têm sido feitas só terão valido a pena se contribuírem para a melhoria da competitividade futura. Este é o momento de amortizar o passivo definindo uma regra de ouro; metade das mais-valias das vendas de jogadores deve ser utilizada na amortização do passivo. Governem-se com o resto. O negócio do Benfica são as vitórias nas grandes competições e não a construção de hotéis, escolas ou a ridícula venda de colchões.
   
   O Presidente já definiu o objetivo de voltar a ganhar. Chega de conversas sobre o hipotético penta.
 
   Quanto à BTV, hoje, mais parece um templo à Direção, tal a proeminência laudatória de todos os intervenientes. Não há lugar à dissidência nem à discussão. Sugiro aos participantes a tonsura clerical pera identificação universal.
 
   Noutro âmbito, tenha-se em conta que o FCP reconstruiu a sua influência na Liga e na FPF, ficando agora claro a razão da saída de Fernando Gomes da estrutura para a Liga, primeiro e FPF depois. A anulação da sentença condenatória de Pinto da Costa e do Porto, apesar de todas as evidências, era o primeiro grande objetivo. Limpo o cadastro, seguir-se-á a preparação da saída em grande, com vitória e homenagem. Pelo meio, o enxovalho sórdido do grande rival, com pífios castigos tardios aos autores do mesmo, que, sem qualquer constrangimento, nem fundamento, difamaram o Benfica. Depois do meio-fracasso dos vouchers, o meio-fracasso do correio eletrónico. O primeiro negado em todas as instâncias jurisdicionais desportivas, o segundo negado pela matéria de facto. Os factos desmentem os autores da difamação. Apesar disso, ficou o enxovalho, arrastando atrás de si, boa parte da comunicação social desportiva com sua corte de comentadores.  Em contraste, os Tribunais, com o contributo do Ministério Público, preparam-se para absolver, mais uma vez, Pinto da Costa e o Porto do caso da segurança ilegal, ficando a Justiça muito mal vista junto da opinião pública por ser óbvio o condicionamento das testemunhas de acusação que alteraram os seus depoimentos em tribunal, ficando a convicção de que terão sido subornados ou ameaçados. Isto não honra a justiça.
 
   Só para registo futuro; o Benfica não ganha quando o partido Socialista Governa.
 
Portanto; arregacem-se as mangas, fale-se pouco e trabalhe-se muito. 
 

terça-feira, 25 de julho de 2017

Polícias, salários e futebol

  
 
 
   Li há tempos que há quinze sindicatos na PSP. A comunicação social, todos os dias publica reivindicações dos mesmos sindicatos. Defendo que as questões corporativas destas instituições deveriam ser tratadas, preferencialmente, entre portas pelos mecanismos institucionais. Está em causa a confiança dos cidadãos nas instituições públicas, no Estado, em última análise, no regime. Todas as áreas da vida pública e privada são afetadas. Tem faltado prudência e sentido de Estado.
 
   Ora, maioritariamente, tais reivindicações, têm a ver com matéria retributiva; salários, subsídios, carreiras...e...os incompreensíveis gratificados. Estes, consistem numa retribuição particular pela prestação de serviços de segurança em eventos de natureza exclusivamente privada. Antes de mais considero que nenhuma força de segurança pública deveria fornecer serviços de segurança privada. A promiscuidade é má conselheira e indesejável. Para isso há entidades privadas licenciadas para o efeito. O que me parece é que, esta figura dos gratificados, não é mais do que um expediente para aliviar os cofres públicos da pressão salarial da classe. Uma habilidade à portuguesa.
 
   Consta que os agentes da PSP, ou os da Polícia de Intervenção, decidiram boicotar os jogos de futebol exigindo retribuição a título de serviço gratificado por considerarem tratar-se de eventos de natureza privada. Como é possível permitir-se tal insanidade? Os clubes de futebol são, quase todos, detentores do estatuto de utilidade pública. Tal não constitui tratamento de favor. Na verdade, são os clubes que facultam a prática do desporto, à generalidade da população, substituindo-se ao Estado, que se demite desta sua obrigação, limitando-se a distribuir uns pífios subsídios a algumas federações. Mas são os clubes que têm formado os campeões que difundem e consolidam o prestígio do país em algumas modalidades, desde logo, precisamente, a do futebol, seja ao nível de seleções - entre as melhores do mundo -, mas também do hóquei em patins e do futsal - campeões europeus em clubes -, recentemente no triatlo misto - campeões europeus -, mas também no atletismo - triplo salto (1º lugar olímpico), maratona, 100 metros, 11500 m, 0000 m, lançamento do peso - no judo - títulos europeus e um 3º lugar olímpico -, canoagem - com títulos europeus em várias disciplinas -, etc . etc.
 
   Acresce que os clubes de futebol profissional já contratualizam segurança privada para os jogos nos seus estádios e além do mais pagam avultadíssimos impostos pelo exercício da sua atividade, em todas as operações que lhe são inerentes. São eles que fornecem os atletas às seleções nacionais das quais os senhores agentes, certamente se orgulham.
 
   Se a moda pega, tal como consta que acontece em alguns países do terceiro mundo, ainda exigirão taxas de gratificados aos transeuntes por serviço de segurança privada. Já falta pouco.
 
Peniche, 25/07/2017  

domingo, 4 de junho de 2017

LIga dos Campeões; uma "palhaçada" condenada ao fracasso.

      Por sugestão amiga aceitei assistir ao jogo da final da Liga dos Campeões entre o Real Madrid e a Juventus, esperando ver um jogo bem disputado. Irritei-me. O Real Madrid ganhou justamente pelo desempenho em campo, nomeadamente no capítulo tático revelando grande disciplina e sincronização, sendo que o melhor lance, de longe, foi o golo dos italianos num magnífico jogo aéreo concluído com uma "bicicleta" soberba. Não gostei. Não gostei que, com uma vantagem de 3 a 1 os jogadores madrilenos tenham pressionados o árbitro a ponto de, este, expulsar, injustamente, o extremo da Juventus que, finalmente, agitava o flanco direito com algum perigo, numa tentativa de reação dos juventinos. Uma vergonha! A partir daí a Juventus ficou de "pernas partidas" impossibilitada de reagir! Não esqueçamos que Higuain não é de brincadeiras e pode resolver um jogo num momento.
 
   O caso é que já tinha visto os jogos da eliminatória do Real Madrid com o Bayern em que este foi miseravelmente eliminado graças à atuação do trio de arbitragem. Nos dois jogos! Ancelotti, tímidamente, ainda se manifestou, sem mais desenvolvimentos! Evidentemente que o Bayern irá ganhar uma próxima Liga dos Campeões. Um nojo!
 
  Ora, está visto, também por outros casos idênticos, que os clubes espanhóis gozam das preferências de UEFA, vá-se lá saber porquê! Se é assim, pelo amor de Deus; ofereçam todos os anos uma Taça dos Campeões Europeus a título honorário ao Real Madrid e deixem os restantes clubes disputar os troféus livremente! É que, são estas as causas de proliferação dos pintos no panorama futebolístico nacional; quem tem, afinal, autoridade moral para os censurar?
 
A juntar a tudo isto temos uma comunicação social subserviente, dependente e "acarneirada" (salvo seja).
 
Ora bolas!

A independência do Benfica

 
   Foi com agrado que li a notícia da saída do Novo Banco do capital social da SAD encarnada, algo que defendo há anos. Não conheço a origem da transferência do capital, mas saúdo-o pelo desconforto de ver o Benfica exposto a uma entidade com participação em todas as SAD nacionais. Espero que o "homem da Valouro" não se limite a fazer figura de corpo presente e contribua construtivamente para o sucesso do Benfica, rumo à conquista definitiva da Europa. Falta aos Dirigentes encarnados procederem à transferência da carteira de dívida para entidades desvinculadas dos adversários diretos, retirando-lhes as mais-valias com que os financiam. Não faltarão financiadores ao clube campeão europeu das receitas de transação de jogadores. Entretanto sugiro aos dirigentes do meu clube a alocação de 50 % das mais-valias das transações de jogadores para abatimento do passivo, proporcionando uma redução gradual de encargos que permitirá os ganhos competitivos necessários ao progresso nas competições europeias.
   De igual modo, parece-me imprescindível afastar Joaquim Oliveira das assembleias gerais da SAD, se necessário através de um aumento de capital; não é boa prática manter entre as hostes, um agente dos adversários proporcionando-lhe o conhecimento das opções estratégicas da SAD..
 

domingo, 14 de maio de 2017

Parabéns ao Benfica! Honra aos adversários!

   Este histórico tetracampeonato do Benfica foi a consagração da humildade, da união, da resistência e da competência individual e coletiva.  Rui Vitória, um dos grandes vencedores da época, com a nobreza de caráter que o distingue, não esqueceu todos os que, mesmo sem visibilidade pública, contribuíram para o sucesso. Este jogo com o Vitória de Guimarães foi o da consagração! Com uma exibição quase deslumbrante, inovadora - patente no 2º golo - jogadores e Técnicos quiseram presentear os seus adeptos e calar os críticos do "pé-coxinho"! Foi uma época atípica, em que a equipa encarnada foi sucessivamente fustigada com lesões na sua estrutura desportiva nuclear, em que o universo benfiquista, na figura dos seus líderes, foi sistematicamente provocado, enxovalhado, difamado, pelos que, conscientes da sua incapacidade de ganhar lealmente, fustigados pela inviabilidade financeira dos seus projetos, não hesitaram em adotar práticas incendiárias do ambiente desportivo, fomentando a conflitualidade sistemática, da qual, lamentavelmente, já resultaram mortos.  Foi a vitória de todos os atletas, titulares e não titulares, que, indiferentes à turbulência externa, mantiveram inquebrantável disciplina e concentração nos objetivos de cada momento e final. Mas, foi, sobretudo, a vitória do Presidente do Benfica que, mais uma vez, demonstrou visão estratégica eficaz e coragem para a levar a cabo, apesar de todas as resistências. E é isto que distingue os líderes! Parabéns Presidente Luís Filipe Vieira! Parabéns Benfica!
 
  

terça-feira, 28 de março de 2017

domingo, 12 de março de 2017

Benfica; Que sonho europeu?

   No que me diz respeito, ficou claro, logo no início da época, que a ambição europeia do Benfica consistia na passagem da fase de grupos. Feitos maiores só resultando da conjugação excecional de fatores como o sorteio, inspiração própria, desinspiração dos adversar ios e .....sorte com as arbitragens. Nada mais; a equipa não compensou a saída de Renato Sanches, causa primeira do sucesso relativo da época anterior. André Horta é um excelente jogador, mas diferente; infelizmente acabou afastado devido a lesão contraída, mais uma vez, na Seleção Nacional! É tanto azar que se deve investigar; tanto mais que desde há muito, se nota um evidente ostracismo no seio da FPF relativamente ao clube da Luz. Pizzi é fantástico, mas diferente; não tem a estrutura física e o carisma irradiante de Renato.
 
   Relativamente ao jogo com o Dortmond; os dois jogos revelaram enorme diferença tática entre as duas equipas, já visíveis nos jogos com o Nápoles e o Besiktas, e isto tem sobretudo a ver com a natureza das Ligas alemã e portuguesa. Cada clube desenvolveu o tipo de jogo adequado à sua realidade local.  Cá, os encarnados estão habituados a ter a bola e trocá-la "pachorrentamente" antes de desferir as ofensivas - em fogachos - aos adversários, habitualmente acantonados em frente da sua área. Ora o Borússia, não tendo, quanto a mim, jogadores tecnicamente superiores aos do Benfica, apresenta um posicionamento bem estruturado, uma dinâmica de elevada intensidade, que lhes permite recuperar rapidamente a posse da bola e lançar as ofensivas com pragmatismo e inteligência. Note-se uma particularidade já vista com o Besiktas e com o Moreirense; a dificuldade da defesa encarnada - quase insuperável no jogo aéreo - intercetar os cruzamentos a meia altura - dos 2º e 3º golos.
 
   Para além do referido antes, parece-me pouco inteligente, insistir na progressão em jogo apoiado pelo meio campo quando o adversário revela uma perícia invulgar a fechar linhas de passe, isolando quase sempre todos os jogadores encarnados. Já os lançamentos longos - que os alemães usaram -, para as costas da defesa contrária desde a nossa defesa suscitando a entrada dos avançados, quando, com raridade, aconteciam, desposicionavam os amarelos, invertendo a ordem do jogo, obrigando-os a correr atrás da bola e a abrir espaços no eixo central, então sim, criando condições para a entrada dos médios. 
 
   Este Benfica não luta pela posse da bola, prefere recuar - chegou a ter cinco defesas em linha e três trincos -, marcando à zona e esperar que o adversário a perca. Isto resulta com equipas mais fracas, não com as do calibre do Dortmond; entregar-lhes a bola é suicídio certo.
 
   Não estando em causa o desfecho da eliminatória, mais uma vez, a UEFA, revela as suas preferências através do desempenho dos árbitros; quanto a mim; grande penalidade por assinalar, expulsão perdoada e golo em fora de jogo, com prejuízo do Benfica nos três casos. O sonho, afinal, não era impossível! Os jogadores do Borússia de Dortmond sabiam-no...e temiam-no, demonstraram-no a partir dos oitenta minutos, quando desataram a fazer o anti-jogo, miserável, qual Moreirense. É verdade! Diga-se de passagem, que abomino, por fastidioso, o futebol tipo tiki-taka, que, à semelhança do Barcelona, apresentam.
 
   Olhando para o projeto desportivo do Benfica noutra perspectiva, ninguém tem dúvidas de que a instabilidade  desportiva provocada pela necessidade de financiamento corrente é a primeira razão da frustração de maiores ambições europeias. Em particular, as despesas de capital, resultantes do excessivo endividamento, consequência da opção pela construção do novo estádio. Por outro lado, o assinalável crescimento económico dos últimos anos, graças sobretudo ao extraordinário impulso das receitas da formação, só fará sentido se proporcionar aumento de competitividade da equipa sénior. E esta só será possível num quadro de redução do passivo de cerca de 50%, no curto-prazo.
 
   Cabe aqui referir o empenho da FIFA e da UEFA em acabar com os fundos de investimento por suspeita de origem duvidosa dos mesmos. A verdade é que esta era uma forma de os clubes intermédios, como o Benfica, se fortalecerem, adquirindo e mantendo mais tempo nos seu planteis jogadores de maior qualidade, constituindo uma ameaça para os ditos "tubarões". Esta realidade foi uma evidência, nesta eliminatória; com o fundo de investimento, Renato poderia ter ficado mais um ou dois anos no clube, fortalecendo-o. 
 
   A correria de Filipe Vieira por essa Europa na promoção da venda de jogadores nucleares, se necessária ao financiamento corrente, foi desastrosa no plano competitivo, pela incerteza que lançou nos jogadores em causa - ninguém pode ficar indiferente à mudança fulcral da sua vida -, e todo o plantel. Julgo mesmo que terá sido o que aconteceu com Lindeloff, infeliz nos lances do 2º e 3º golo deste jogo, mas não só. Uma improdência com elevados custos
 
   Por outro lado, é vital recentrar o clube, jogadores, adeptos e funcionários, na cultura das vitória plena e não na possível, eliminando o persistente discurso de conformismo e anuência que se tem estabelecido nos últimos tempos. Chega de invocar orçamentos, isto e aquilo; o primeiro passo para ganhar, é mental. Fala-se muito no Eusébio mas presta-se pouca atenção ao que ele diz.
 
   É notório, tanto a nível interno como externo, o défice de diplomacia institucional do Benfica; Em todas as instituições desportivas o Benfica deve fazer-se ouvir através de gente respeitada no meio. Só assim conseguirá chamar a atenção para a necessidade de correção dos erros estruturais e circunstanciais das competições e atrair aliados para a sua causa. Foi mais ou menos isto que o FCP fez nas últimas décadas, que ainda hoje lhe rende dividendos desportivos nas competições externas.
 
   Enfim; o excesso de unanimismo que se verifica no clube é prejudicial. A crítica é salutar e necessária ao progresso económico e desportivo de qualquer instituição na medida em que desbloqueia e suscita o contributo e a criatividade de todos para o objetivo comum.

Em resumo: o sonho europeu do Benfica exige maior ambição coletiva, estratégia tática diferente da equipa, menor endividamento, maior envolvimento institucional e mais participação interna.
 
Força, Benfica!