segunda-feira, 6 de janeiro de 2014
domingo, 5 de janeiro de 2014
Eusébio da Silva Ferreira, meu Deus; publicado em Janeiro 5, 2014 por Manuel S. Fonseca
Se Eusébio morreu hoje, como dizem as infatigáveis notícias, morreu hoje o que restava dos meus anos 60 e o que restava de Portugal ter sido um império.
E embora morrendo hoje, como dizem as indesmentíveis notícias, as cores do mito – esse belo negro da sua pele, esse vermelho vivo da sua camisola – não deixarão nunca morrer Eusébio. E nem é preciso dizer aqui a palavra Benfica, porque a palavra Eusébio e a palavra Benfica beijam-se, fundem-se, são uma combinação amorosa de que a gramática tem ciúmes.
Eusébio era feito da mesma terra vermelha dos heróis. A força de pernas de um Hércules, veloz como Ulisses, o joelho onde Aquiles tinha o calcanhar. Há romance, mistério e aventura em toda a sua vida. Vejam como, da cidade colonial de Lourenço Marques, o trazem para Lisboa.
Numa noite de trópicos, um jipe leva-o à porta do avião. Clandestino quase. E em Lisboa escondem-no da bruxa má. Tudo porque Eusébio, personificação da bondade, fez o que um filho deve fazer, a vontade à sua mãe. O clube onde jogava queria mandá-lo à experiência para outro clube. Mas a mãe, como todas as mães, decidiu pela vontade do filho: recusar vir à experiência porque, como todos os verdadeiros humildes, Eusébio sabia o que valia.
E o que valia Eusébio? Outros dirão muito melhor do que eu. Eu conto-vos só as minhas perplexidades. Eu nunca conseguia saber se era o seu pé esquerdo, se o seu pé direito que chutava. Porque, em boa verdade, não era ele que chutava. A velocidade rematava por ele. E já estou a mentir ou a enganar-me, porque, em boa verdade, foi com Eusébio que a velocidade aprendeu a jogar à bola. Num tempo em que os carros tinham quatro velocidades, Eusébio já tinha a sexta.
Deixem deliciar-me vergonhosamente no vício das minhas recordações. Estou a vê-lo, em Amsterdão, alinhado com Águas, Coluna, Simões, antes da final com o Real Madrid começar. Está perfilado, a carapinha cortada quase rente, a cabeça redonda de menino, preciosamente desenhada e bonita, a pele negra brilhante, nobre, africana. E era, menino de Moçambique, o melhor jogador português. E eu tenho muito orgulho em que o melhor jogador português seja um africano, raio de um ex-império que nem um deputado negro consegue ter.
Nesse jogo, marcou dois golos, os dois, juram-me, e eu não teria tantas certezas, com o pé direito. Puskas, Gento e o semi-deus que era Di Stefano caíram aos seus pés. Eusébio, herói compassivo, foi ao chão buscar a camisola de Di Stefano. Pediu-lha, a esse semi-deus abatido. Di Stefano deu-lha, consolado por aquele pedido de menino, e Eusébio guardou-a, porque Eusébio é o guardião de todos os símbolos.
Eusébio foi o primeiro futebolista a justificar os 110 metros de comprimento de um campo de futebol. Se não fossem já essas as medidas, o campo teria de ser esticado. Eusébio comia com alegria metros de relva. Eusébio era um bicho dos grandes espaços, uma pantera que queria savana. Foi com ele que o futebol descobriu que a África existia.
Corria em linha recta ou em elipse, fazendo meias-luas, rápidas mudanças de direcção, reinventando a velocidade, baixando-a, subindo-a. Percebia-se assim, finalmente, por que razão um campo de futebol deve ter 75 metros de largura, uma área de 8250 metros quadrados. Corria e nas pernas dele corria a palavra Benfica. Mas também a palavra Portugal.
Foi em 1966, não dou novidade nenhuma a ninguém. Mas vejam outra vez as cores do mito a pintar Eusébio. Houve um sorteio dos números das camisolas. Saiu-lhe o 11, ao pequenino e maravilhoso Simões o 13. Simões queria jogar com o seu habitual 11 e, com a verdade, deu a volta a Eusébio: “Já viste o que é, se jogares com o 13 e fores, como vais ser, o melhor marcador e o melhor jogador do mundo?” E foi, com esse número que devia ser fatídico, com esse número da feiticeira Circe, o melhor marcador, o melhor jogador, o Melhor. As cores do mito, os números do mito, escolhem-no, querem-no como filho dilecto.
Vi o segundo golo dele ao Brasil num filme exibido no cinema Império, em Luanda. Uma obra de arte gigantesca em que potência e explosão se enlaçam. Um golo que ajoelhou o Brasil, esse império romano do futebol. De novo e sempre as cores do mito: com esse golo, aos pés alados de Eusébio, caía Pelé, uma lança espetada no flanco.
No jogo com a Coreia do Norte, Eusébio carregou, como Hércules, o mundo aos ombros. Ainda nem a meio da primeira parte íamos e a Coreia, abalando a ordem do céu e terra, de mares e ares, ganhava por três a zero. Eusébio reconstituiu minuciosamente a ordem do mundo, todo o universo. Agarrou nos destroços e com perseverança juntou as partes. Correu, driblou, foi atingido violentamente, mas triunfou. Quatro golos foram os trabalhos de Eusébio nessa tarde de glória que acabaria, dias depois, nas lágrimas de Wembley, momento mais bonito, mais lírico ou elegíaco do que qualquer vitória. Lágrimas de Eusébio que a camisola de Portugal recolhe e esconde. Nenhum outro gesto, outras lágrimas, poderão ser testemunho de mais amor.
Morreu hoje Eusébio da Silva Ferreira, meu Deus.
O LEGADO DE EUSÉBIO PERMANECERÁ
Eusébio da Silva Ferreira, o "Pantera Negra" (1942 - 2014)
Para ele, a minha mais solene oração;
Eusébio da Silva Ferreira, GCIH, GCM (Lourenço Marques, 25 de Janeiro de 1942) é um ex-futebolista português, de origem moçambicana. É considerado um dos melhores futebolistas de todos os tempos. Marcou 733 golos em jogos oficiais e 1137 golos na carreira. Nascido na então Lourenço Marques, hoje Maputo, capital da colônia portuguesa de Moçambique, ficou conhecido como Pantera Negra. Eusébio, como também é conhecido, é descendente de pai natural de Malange, província angolana situada no norte do país. Desde cedo, Eusébio mostrou uma ligação muito forte ao chamado "desporto-rei", tendo mesmo entrado numa pequena equipa de bairro criada para as crianças se divertirem e passarem o tempo com uma ocupação útil. A equipa chamava-se "Os Brasileiros", em honra dos heróis das crianças, que actuavam na selecção "canarinha". A admiração pelos craques era tal que as crianças adoptaram como alcunhas, os nomes pelos quais eram conhecidos os internacionais da selecção sul-americana. No que toca a Eusébio, adoptou o nome de "Didi". Para muitos, Didi foi o grande craque da seleção brasileira "pré-Pelé", e jogava no meio-campo, essencialmente com uma função de criador de jogo. Mais tarde, Eusébio procurou inscrever-se no clube "O Desportivo", mas não foi aceite. A vontade de jogar futebol falou mais alto do que o clubismo, por isso, dirigiu-se ao Sporting de Lourenço Marques. Tendo sido aceite nesta filial moçambicana do clube leonino de Lisboa, Eusébio jogou de leão ao peito até à sua ida para Portugal. O negócio da transferência do menino de 18 anos ficou mais tarde marcado pela polémica, devido à luta que houve entre os dois rivais de Lisboa para conseguir o passe do rapaz. No entanto, o Sport Lisboa e Benfica ofereceu mais por um contrato, e Eusébio rumou à Luz. Corria o ano de 1960. Logo na primeira época de camisola vermelha vestida, o "Pantera Negra" ajudou o Benfica a conquistar a sua segunda Taça dos Campeões Europeus consecutiva. Foi pouco antes do Natal de 1960 que chegou a Lisboa depois de ter assinado um contrato de 350 contos com o Benfica. Estreou-se no Estádio da Luz a 23 de Maio de 1961, num jogo amigável contra o Atlético em que marcou 3 dos quatro golos do Benfica. As peripécias que se sucederam desde a sua chegada atrasaram a assinatura do contrato, o que iria impedir de estar presente em Berna, na noite do primeiro triunfo europeu do Benfica. A sua fama internacional vem do jogo da segunda final europeia do Benfica em 1962, contra o Real Madrid. Não só marcou dois golos como fez uma exibição de luxo com as características que o iriam tornar famoso: a velocidade estonteante e o remate fortíssimo. o France Footbal considera-o já ,nesse ano, o segundo melhor jogador do mundo. Os convites para jogar no estrangeiro obviamente surgiram. A Juventus oferece-lhe 16000 contos, em 1964, numa altura em que ganhava 300 contos no Benfica. A tentação era tão grande que o governo de então o envia para a tropa, não permitindo que se venda um tesouro nacional deste tamanho. O Benfica acabaria por lhe aumentar o salário para 4000 contos. No mundial de 1966 em Inglaterra, torna-se definitivamente uma estrela mundial, um digno rival de Pelé. O epíteto de "Pantera Negra" vai correr o mundo. A facilidade em marcar golos torna-o no melhor marcador do mundial com 9 golos, ajudando a levar Portugal ao terceiro lugar. Após o mundial, os italianos fazem uma nova oferta a Eusébio: 90000 contos... Quando parecia que desta vez nem o governo poderia impedi-lo de aceitar, surge a notícia que os clubes italianos deixam de poder contratar jogadores estrangeiros. A carreira de Eusébio foi recheada de lesóes, tendo sido operado 6 vezes ao joelho esquerdo e 1 ao direito. Nunca deixou de jogar, mesmo em condições dolorosas, até porque sabia que o Benfica dependia muito dele e que os espectadores não aceitariam bem a sua ausência. Realizaram-lhe uma festa de despedida, em Setembro de 1973, mas continuou ainda a jogar até 1979. Em 1975, aventurou-se nos EUA , mas ao fim de 5 meses estava de volta a Portugal. Jogou ainda pelo Beira-Mar e pelo União de Tomar. Foi 1 vez campeão europeu e 3 vezes finalista europeu, ganhou 11 campeonatos nacionais e 5 taças de portugal, recebeu 7 vezes a bola de prata, como melhor marcador do campeonato nacional e duas vezes a bota de ouro como melhor marcador europeu. Em toda a carreira marcou 733 golos em 745 jogos, de referir, que ao contrário de outros jogadores de fama internacional, Eusébio não contabilizou os golos realizados nas categorias de base, também de salientar, que, os golos marcados antes de Eusébio se transferir para o Sport Lisboa e Benfica, não estão contabilizados, o que significa que oficialmente para efeitos estatisticos a carreira de Eusébio, apenas começa após a sua transferência para o Sport Lisboa e Benfica, facto esse, que vem prejudicar a contagem oficial dos golos marcados pelo jogador. Estreou-se então na seleção portuguesa a 8 de outubro de 1961. Em 1966, vestindo a camisola das quinas, foi um dos principais protagonistas do Campeonato do Mundo jogado em Inglaterra. Com uma prestação fenomenal, Eusébio foi uma das principais armas portuguesas para uma das melhores campanhas internacionais de sempre. Logo no primeiro Mundial, Portugal chegou aos quartos-de-final, deixando pelo caminho equipas como a da Coreia do Norte (a grande surpresa do torneio, logo depois de Portugal), Hungria (do grande Puskas) e Brasil (um dos principais favoritos, sendo que de entre uma equipa genial se destacava o número 10, Pelé). Portugal acabou por sair derrotado contra a equipa da casa, num jogo que ficou conhecido pelo "Jogo das Lágrimas", e que ficou marcado por contestações à organização do torneio. A marca de Eusébio no Mundial de 66 chegou ainda à lista dos melhores marcadores de golos, tendo ficado no topo da lista como o maior goleador da prova. Eusébio obteve a sua última internacionalização a 13 de Outubro de 1973. Em outubro de 1963 foi seleccionado para representar a equipa da FIFA no festival das "Bodas de Ouro" da "Football Association", no Estádio de Wembley. Já em final de carreira, Eusébio teve passagens rápidas e menos brilhantes por equipas menores, nomeadamente o Beira-Mar e duas equipas norte-americanas. Em 2004, foi eleito o melhor futebolista de Portugal dos 50 anos da UEFA, nas Premiações do Jubileu da entidade e eleito o terceiro melhor jogador do século atrás de Pelé e de Maradona. Terminou a carreira em 1979, e actualmente faz parte da comitiva técnica da Seleção Nacional Portuguesa
A entrevista de Filipe Vieira; 2ª parte
As razões que apresentou da manutenção de Jorge Jesus ao leme da equipa técnica para esta época, revelam a fria racionalidade patente na subida do ranking europeu da equipa - de 23º para 5º -, desde o início da "era" JJ. Mas também coragem. A coragem de enfrentar a ira dos adeptos rejeitando bodes expiatórios, a coragem da solidariedade nas horas difíceis e a coragem de "amarrar" o sucesso da sua longa presidência à do Treinador derrotado. É de homem! Fácil teria sido despedir o Treinador e culpá-lo de todas as desgraças de final de época. Considero porém ter cometido um erro gravíssimo ao permitir a permanente dúvida relativamente à manutenção de JJ para esta época. Pode ter sido essa a razão do desastroso final de época pela dúvida e desconfiança que acabou por se instalar entre os atletas e entre os adeptos. O Benfica não deve estar, nunca, dependente de uma decisão deste tipo por parte de um Treinador, seja ele quem for, quando se disputam provas da maior relevância. Este sim foi um erro grave. Seis meses antes de expiar o contrato propunha a renovação num prazo máximo de trinta dias. Era uma decisão difícil; as consequências desportivas poderiam não ser melhores do que as que se verificaram, mas a autoridade do Presidente e a consciência do primado do clube sairiam reforçadas e galvanizariam todos. No final da época era demasiado tarde.
Quanto a Cardozo, ficou claro que teria saído se o Fenerbace tivesse apresentado garantias adequadas. Porém, como foi possível desenvolver um esforço de negociação tão prolongado sem ter percebido a fragilidade financeira do comprador?, parece displicência!, porque não pediram informações bancárias antes de iniciarem as conversações?, é o tipo de coisas que não pode ocorrer, devido, sobretudo, aos elevados custos implícitos para a organização.
No que diz respeito ao afastamento de António Carraça, justificou-o com intromissões desestabilizadoras deste no balneário. Será verdade, mas não a verdade substancial. De facto, ao criar a figura de Diretor Técnico, afastou-se da equipa Técnica e introduziu um elemento desestabilizador, distorcendo a qualidade da comunicação e degradando a competitividade do grupo. A haver Diretor Técnico no Benfica, deverá ser uma figura de grande prestígio entre os adeptos, cuja presença por si só transmita a determinação do clube. Afinal voltou a fazer-se precisamente o contrário!, Filipe Vieira, ou não percebeu ou tem medo que lhe façam sombra. É este tipo de atitudes que o fragilizam junto dos adeptos.
Os elevados compromissos financeiros estão a destruir a competitividade da equipa; com Witsel, o final da época passada teria sido bem diferente. Sem Matic corremos o risco de repetir a dose!
Tem razão quanto aos sérvios; a escola sérvia é, efetivamente, excecional. Sou seu adepto desde há muitos anos. Desta fornada vão sair grandes craques; há que ter paciência.
No tema do Arouca perdeu a oportunidade de denunciar o atual quadro competitivo do futebol profissional que tende a nivelar por baixo a qualidade das equipas devido às disparidades orçamentais. O projeto de Mário Figueiredo que foi rejeitado pelos clubes, era muito bom para o desenvolvimento do futebol nacional.
Já no plano institucional revela grande prudência ao manter todas as vias em aberto. Tal poderá revelar tanto sagacidade como indecisão. Da política de relacionamento com o Sporting e o Porto não surgiram novidades, destacando-se o caso, já conhecido, da existência de contactos regulares com a estruturas administrativas deste. Relativamente à Olivedesportos mantém o critério económico como origem da decisão tomada relativamente aos direitos desportivos. Já quanto à Liga e à Federação, parece jogar nos dois tabuleiros; por um lado elogia Mário Figueiredo pelo empenho no cumprimento do seu programa, em particular pelo enfrentamento dos poderes instalados, por outro, elogia Fernando Gomes pela profissionalização da arbitragem e pela criação da casa das seleções. Esta, não me tinha ocorrido!, sempre me pareceu que deveria assumir, embora mitigadamente, a defesa do projeto de Mário Figueiredo ressalvando os interesses dos direitos desportivos do Benfica, e opor-se frontalmente ao consulado de Fernando Gomes até agora totalmente subjugado aos interesses portistas. Esta atitude associada à confiança que aparenta, parece revelar que pode haver algo mais no reino do futebol nacional, com vista à sua regeneração, do que se conhece. Quem sabe se não estará aí a motivação das renovação com JJ?, afinal todos sabemos que, com um pouquinho, só um pouquinho menos de erros grosseiros das equipas de arbitragem, a equipa do Benfica teria sido campeã nos últimos anos.
Há algo porém que gostaria de ver alterado na retórica de Filipe Vieira; o apelo à determinação em vez de à resignação. E que olhasse de frente sempre que o questionam. E, de ver mais benfiquistas no Benfica.
Boa vitória a desta noite.
sábado, 4 de janeiro de 2014
A entrevista de Filipe Vieira; 1ª parte
Com o campeonato parado e as vendas a cair, os jornais desportivos enchem as suas páginas com temas relacionados com o Benfica. Foram os casos de "O Record" e "A Bola" na semana que agora finda, destacando-se, neste, uma grande entrevista de Filipe Vieira, que aqui apreciamos.
De tudo o que foi dito nada de novo se revelou. Filipe Vieira aparece confiante no desenvolvimento do seu projeto de longo prazo, promovendo incrementos contínuos de competitividade desportiva em todas as modalidades - com destaque para o futebol sénior -, sustentado no controlo financeiro, no crescimento económico, no fomento de modernas infraestruturas, no desenvolvimento da formação, na cordialidade institucional e na expansão social. Poderemos apontar muitos erros, alguns deles graves, à Direção de Filipe Vieira; a falta de projeto e de coragem não estão entre eles.
No domínio das infraestruturas anuncia a já conhecida intenção de construção de um centro social para antigos atletas e de ampliação do parque desportivo no Seixal, com mais três campos de treino. O primeiro caso aprofunda a solidariedade e coesão benfiquista, o segundo alarga a base de recrutamento e formação potenciando a competitividade global.
Após o sucesso da "impossível" TV, a difusão e agregação social do benfiquismo e dos benfiquistas, continua no topo das suas prioridades, agora com o anúncio da intenção de avançar para uma rádio própria, desbravando caminho, mais uma vez, aos seus congéneres. Destaco a substancial diferença estratégica face aos dirigentes portistas, os quais têm preferido parasitar - salvo seja - meios de comunicação já em marcha - Jornal de Notícias, Porto Canal o Jogo e outros -, na perspetiva de captar novos mercados e na minimização de custos tirando proveito do equívoco regionalista que pretende resumir o Norte à cidade do Porto e esta ao Futebol Clube do Porto.
Neste projeto, a sustentabilidade financeira futura e a competitividade desportiva está dependente da consistência da qualidade dos novos atletas da formação, que proporcionarão uma inversão na estratégia de recrutamento reduzindo o recurso a mercados externos, abrindo a possibilidade de redução do endividamento, que, a verificar-se, induzirá novo fator de competitividade desportiva. Não há dúvida de que os atletas da casa sentem o clube de forma muito especial e tal reflete-se nas provas, caracterizando-se por uma vontade indomável de vencer, cimentada por muitos anos da águia ao peito. Aqui reside, efetivamente, o verdadeiro, 12º jogador. Sem dúvida. Mas os perigos são muitos!, desde logo, o parasitismo empresarial - salvo seja -, e, não menos importante, a sagacidade do Técnico principal e dos Dirigentes. Efetivamente, é necessário, mas demasiado arriscado blindar o jovem atleta antes de este despertar a cobiça dos clubes depredadores. Quem de direito, deve implementar medidas para proteção dos clubes formadores, proporcionando as condições para a respetiva melhoria de competitividade. Não faltam os maus exemplos; vejam-se os mais recentes de Bruma que poderá ser replicado por William e até por Sancidino. Recordemos Edgar, Hugo Leal, Maniche e Moutinho. Então?, censuram-se os clubes pela falta de formação e, quando estes a fazem, gastando fortunas - o SCP gasta cerca de 9 ME/ano! -, e conseguem formar um atleta com potencial, quando o clube, depois de pelo menos uma década de formação - 90 ME! -, tem a possibilidade de ressarcir-se do investimento efetuado, fica sem ele?, que moralidade têm estes atletas, para abandonarem o clube ou exigirem mundos e fundos, após terem-se servido de toda uma estrutura e conhecimento acumulado em décadas?, e que moralidade têm os que, de braços cruzados, exigem formação aos clubes? Algo tem, aqui, que mudar! Até lá é fundamental garantir a competência de toda a estrutura da formação e o conhecimento perfeito da legislação aplicável. Tudo isto abona em nome da necessidade de manutenção de todas as opções de recrutamento em aberto, como afirmou Filipe Vieira. Porém, o êxito desta estratégia está, sempre, dependente de uma equipa competitiva, que, por sua vez, exige a manutenção de um núcleo de atletas emblemáticos durante três a seis anos. Veja-se, mais uma vez, o exemplo do SCP!; forma bons atletas mas não consegue tirar proveito deles por falta de competitividade da equipa sénior!, os próprios atletas, servem-se da sua formação e, logo que estão prontos, "raspam-se" para outras paragens.
Para que tudo funcione, a equipa do Benfica deve ter, sempre, três a quatro jogadores de grande gabarito e todos os outros bons, cada um com a sua particularidade, precisamente para que os jovens tenham orgulho em jogar com eles, a ser acarinhados pelos adeptos e tenham orgulho no seu clube. Não se tem orgulho num clube que não ganha!
Isto traz para o centro da estratégia a política de recrutamento que, quanto a mim, revela grandes e graves lacunas. Não sei ao certo quantos jogadores profissionais tem o clube, noticiou-se há dias 104!, por mim não deveria ultrapassar 34. A redução de encargos correspondente - estimo que à volta de 6 a 7 ME ano em salários e 5 a 10 ME ano em direitos -, permitiria segurar os melhores atletas durante mais tempo e maximizar todas as receitas adjacentes, gerando um ciclo virtuoso, com impacto competitivo. Não tenho dúvidas quanto a isto.
No entanto, Filipe Vieira, refere que a estratégia atual gera recursos adicionais ao clube pela comercialização de direitos dos atletas emprestados, proporcionando adicionalmente a rodagem necessária à maturidade dos mesmos com vista à integração na equipa principal. Apesar da aparente racionalidade desta estratégia parece-me óbvio que a necessidade de alargamento da base de recrutamento, radica no reconhecimento da dificuldade de identificação eficaz dos talentos recrutáveis de que a equipa necessita. E esta é uma das maiores fragilidades da Direção Desportiva do Benfica! É inquestionável!, desde há muitos anos, tem sido um drama para preencher qualquer posição na equipa! Tenha paciência, caro Filipe Vieira, enquanto não for resolvida esta lacuna não ganharemos e todo o projeto ruirá, neste caso, por falta de telhado. É imperioso comprar menos e melhor.
Não referiu Filipe Vieira, a importância na diplomacia desportiva da estratégia do empréstimo de atletas a outros clubes, subtraindo-os à órbita do Porto, clube que dela tem tirado proveitos tão importantes como despudorados. Porém, não faz parte da ética benfiquista controlar pelo financiamento direto ou implícito o desempenho dos adversários em seu proveito, pelo que, esta, não me parece uma opção prioritária para o clube.
Para que tudo funcione, a equipa do Benfica deve ter, sempre, três a quatro jogadores de grande gabarito e todos os outros bons, cada um com a sua particularidade, precisamente para que os jovens tenham orgulho em jogar com eles, a ser acarinhados pelos adeptos e tenham orgulho no seu clube. Não se tem orgulho num clube que não ganha!
Isto traz para o centro da estratégia a política de recrutamento que, quanto a mim, revela grandes e graves lacunas. Não sei ao certo quantos jogadores profissionais tem o clube, noticiou-se há dias 104!, por mim não deveria ultrapassar 34. A redução de encargos correspondente - estimo que à volta de 6 a 7 ME ano em salários e 5 a 10 ME ano em direitos -, permitiria segurar os melhores atletas durante mais tempo e maximizar todas as receitas adjacentes, gerando um ciclo virtuoso, com impacto competitivo. Não tenho dúvidas quanto a isto.
No entanto, Filipe Vieira, refere que a estratégia atual gera recursos adicionais ao clube pela comercialização de direitos dos atletas emprestados, proporcionando adicionalmente a rodagem necessária à maturidade dos mesmos com vista à integração na equipa principal. Apesar da aparente racionalidade desta estratégia parece-me óbvio que a necessidade de alargamento da base de recrutamento, radica no reconhecimento da dificuldade de identificação eficaz dos talentos recrutáveis de que a equipa necessita. E esta é uma das maiores fragilidades da Direção Desportiva do Benfica! É inquestionável!, desde há muitos anos, tem sido um drama para preencher qualquer posição na equipa! Tenha paciência, caro Filipe Vieira, enquanto não for resolvida esta lacuna não ganharemos e todo o projeto ruirá, neste caso, por falta de telhado. É imperioso comprar menos e melhor.
Não referiu Filipe Vieira, a importância na diplomacia desportiva da estratégia do empréstimo de atletas a outros clubes, subtraindo-os à órbita do Porto, clube que dela tem tirado proveitos tão importantes como despudorados. Porém, não faz parte da ética benfiquista controlar pelo financiamento direto ou implícito o desempenho dos adversários em seu proveito, pelo que, esta, não me parece uma opção prioritária para o clube.
sexta-feira, 3 de janeiro de 2014
quinta-feira, 2 de janeiro de 2014
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