Desporto

domingo, 28 de dezembro de 2014

NASA | Holiday Lights On the Sun


Vive-se (por Jorge Adelar Finatto em "O Fazedor de Auroras")

Vive-se. Do jeito que dá. Às vezes, até mesmo sem nenhum jeito se vive. 
 
Porque a única coisa realmente urgente e importante é manter-se respirando. O resto é o que vem depois. E o que vem é neblinoso, imponderável, se administra. Ou não.
 
Convivemos com a dor, com a falta de amor, de encanto, de beleza, de dinheiro, com a eterna falta de sentido das coisas. Enquanto isso, vive-se.
 
Vive-se em Porto Alegre, em Paris, em Sierre, em Lisboa, em Cacique Doble. Vive-se no silêncio de Rarogne e de Passo dos Ausentes. Vive-se à beira do Arroio Tega e nas cercanias do Castelo de Muzot. 

 Vive-se em toda parte. Principalmente, no fim do mundo.

Vive-se em secreto e em surdina, com raros, distantes amigos. Mas vive-se.

Vive-se apesar da corrupção que assola o Brasil e destrói tudo o que se tenta construir e até o que não se construiu como a floresta Amazônica e a Mata Atlântica.
 
O mais que se faz é viver. De janeiro a janeiro. Com sol e com chuva. Com alhos e bugalhos. Vive-se.

Calma, a realidade não merece o teu suicídio.

Vive-se na sexta, no sábado e, eventualmente, no domingo. Segunda é um enigma que nem a filosofia, nem a poesia e muito menos a astronomia conseguiram resolver. Mas o fato é que se vive.
 
Vive-se apesar do lixo na rua, do odor nauseante de combustível queimado na cidade, do esgoto escorrendo impune para o rio.

Vive-se em que pese o velho, triste, insuportável e persistente racismo.

 Vive-se olhando os veleiros que fogem para o mar.
 
Vive-se diante do olhar atônito das crianças abandonadas.

Vive-se a nostalgia das casas sem eletricidade.
 
Vive-se sem embargo dos livros não lidos. Vive-se não obstante todos os livros lidos.

Vive-se com as folhas secas do outono nos bolsos do antigo casaco.

Vive-se sem nada a perder e mesmo depois de perder tudo.
 
Vive-se sabendo que nunca mais se encontrará aquela mulher para pedir-lhe um olhar, um abraço.
 
Vive-se de mal a pior, sem eira nem beira.

Vive-se apesar dos mortos nos olhando dos velhos retratos e dos lugares vazios na mesa.

Vive-se a vida invisível dos anônimos, dos solitários, dos desmemoriados.

Vive-se de passagem, sem ensaio, uma única vez, com o coração doendo no peito. Mas vive-se.

sábado, 27 de dezembro de 2014

Actividade solar e clima na terra (por Rui Namorado Rosa, da Universidade de Évora em Página da Educação)

As manchas solares são manifestações visível da actividade magnética no Sol. A sua observação e registo remontam ao princípio do século XVII, logo após a invenção do telescópio. Assim se descobriu que o Sol exibe uma actividade magnética variável, onde é perceptível pelo menos um ciclo com onze anos de periodicidade. Essa actividade magnética, visível à superfície e que se projecta pelo espaço circundante e atinge os planetas terrestres, e para além destes até pelo menos Júpiter, é alimentada por fenómenos de convecção de massa e de energia magnética no interior dessa estrela.

Os raios cósmicos de muito alta energia, que emanam dos centros das galáxias, atingem a Terra e produzem transmutações nos elementos naturais - assim se forma, por exemplo, o Carbono-14 na atmosfera (bem conhecido por ser muito utilizados na datação de materiais arqueológicos). Ora como o campo magnético solar deflecte os raios cósmicos, ele modula a intensidade do correspondente fluxo que atinge a Terra, pelo que o ritmo de produção do Carbono-14 e o seu teor na atmosfera (e nos seres vivos) variam com a actividade magnética solar. Estudos recentes sobre o teor de Carbono-14 em materiais orgânicos (incluindo fosseis), para além de comprovarem uma pronunciada tendência de crescimento do número médio de manchas solares ao longo do século XX, revelam que o presente nível de actividade solar é o mais elevado desde há 8.000 anos.


Sendo o Sol a fonte de energia, sobretudo na forma de luz solar, que acciona o sistema climático terrestre, não há dúvida que a variabilidade da actividade magnética solar, que também se manifesta na intensidade da luz emitida pelo Sol, se repercutirá na variabilidade climática terrestre. Assim, estima-se que a variação da actividade solar poderá explicar até um terço da presente elevação global de temperatura à superfície da Terra.


Porém, a actividade solar influencia o clima terrestre também por outras vias. A variabilidade do fluxo de raios cósmicos que atinge a Terra, que é modulada pela actividade solar, parece também afectar o clima, designadamente através da variação do grau de ionização da atmosfera e de consequente formação de nuvens. Estas, por sua vez, influenciam fortemente a quantidade de luz solar que é absorvida na atmosfera e na superfície terrestre. A importância deste mecanismo na variabilidade climática é ainda incerta.

Mas o Sol emite também raios X e radiação ultravioleta extrema que também poderão influenciar o clima. A intensidade dos raios X acompanha o ciclo de actividade solar, mas com uma amplitude de variação muito maior que a da luz solar. Esses raios X são os principais responsáveis pela produção e aquecimento de uma camada atmosférica fortemente ionizada, a cerca de 100 km de altitude, a ionosfera. Essa camada da alta atmosfera afecta a propagação das ondas rádio; é responsável pela reflexão e o longo alcance de propagação de algumas gamas de frequência (ou de comprimento de onda), pelo que as perturbações na ionosfera interferem nas telecomunicações.


A radiação ultravioleta extrema emitida pelo Sol é absorvida a nível mais baixo da atmosfera, na estratosfera, produzindo ozono. A variação da sua intensidade acompanha o ciclo de actividade solar mas com maior amplitude que a luz solar. Como é sabido, esta camada de ozono, que resulta da absorção dessa radiação ultravioleta extrema, é, por sua vez, absorvente de outras gamas de radiação ultravioleta, actuando como uma blindagem para os seres vivos à superfície da Terra.


O Sol emite também radiação corpuscular, o vento solar, que é captada no campo magnético da Terra, sobre uma extensão de muitos milhares de km em altitude. Desta interacção resulta uma extensa magnetosfera terrestre, com suas cinturas de plasma. A magnetosfera assim formada funciona também como uma blindagem que protege a superfície da Terra do vento solar. Por via deste vento solar, a actividade solar repercute-se em actividade geomagnética observada à superfície do planeta.


Porém, o vento solar está sujeito a variações de grande amplitude, as tempestades magnéticas, que atingem a Terra e aqui geram tempestades geomagnéticas e auroras boreais. Estas tempestades exibem uma periodicidade que é a mesma da rotação do Sol, 27 dias. Em períodos menos previsíveis de muito intensa actividade solar, o vento solar atinge velocidade muito superior, e erupções da superfície do Sol projectam jactos de massa coronal que podem ocasionalmente atingir directamente a magnetosfera terrestre, o que acontece algumas dezenas de vezes por ano, provocando intensas tempestades geomagnéticas. Estes episódios distorcem acentuadamente a magnetosfera, afectam as órbitas de satélites e induzem forças electromotrizes nas redes de transporte de electricidade (podendo interromper o seu funcionamento).


Todos estes fenómenos de interacção entre o Sol e a Terra, com reconhecida periódica ou incerta variabilidade e, alguns deles, com elevada amplitude, contribuirão certamente para a variabilidade do clima no nosso planeta. Ainda há muito para aprender acerca das tão faladas alterações climáticas.


(sublinhados do Quase Curiosidades)

O Futuro do futebol nacional é a Controlinveste!

       Finalmente a Luz!, afinal, a salvação dos clubes nacionais vem...uau!...da Controlinveste!, agora sim, já os jogos da modesta Taça da Liga interessam à TVI!, quem diria, quando ainda há bem pouco tempo nem os jogos do "Campeonato" lhe interessavam!, que mágico poder é este que detém a Controlinveste, acionista de todas as SAD e da Sport TV, esta, agora presidida por Proença de Carvalho, que desbloqueia todas as portas?, que mágico poder é este que leva os dirigentes a abandonar o projeto de autonomia dos seus clubes defendido por Mário Figueiredo em favor da dependência relativamente ao Grupo que mais tem lucrado com o futebol?
      Perante a determinada e lúcida luta de Mário Figueiredo pela autonomia financeira dos clubes contra a obsceno monopólio que se instituiu no futebol nacional nas últimas décadas, perante o prolongado silêncio da Autoridade da Concorrência relativamente à queixa da Liga contra a Olivedesportos, perante as implícitas ameaças do Governo à Liga na sequência da alteração da Lei de Bases das Federações Desportivas, que até parece ter sido feita à medida, perante a "cega" reclamação de pagamentos em atraso por parte da FPF à LPFP apesar de conhecedora da total falta de meios para o efeito, os habituais patrocinadores das competições futebolísticas nacionais, revelando um medo cúmplice, não renovaram os seus apoios, induzindo o "afundanço" económico  daquela instituição e dos clubes, até à claudicação do próprio Benfica, o principal clube prejudicado pelo "sistema", cujos dirigentes, ingenuamente arvorados da responsabilidade de salvar o futebol, pensam ter alcançado um compromisso de cavalheiros com os dirigentes do Porto. Puro engano!, o "sistema" está de volta e muito bem arquitetado. Vamos vê-lo a funcionar em pleno já nesta 2ª volta!, o conselheiro matrimonial da paróquia anda já por aí a mandar recados!, regressará o velho padrão dos erros humanos dos árbitros e auxiliares enquanto os "queixosos" serão de novo apodados de "queixinhas".
      Este "fenómeno", não constituindo surpresa para ninguém, revela, afinal, o estado caótico e paradoxal a que chegámos enquanto Povo, permitindo ou compactuando com práticas que, manifestamente, violam os mais elementares princípios da doutrina democrática, por acaso...mas só por acaso, constitucionalmente consagrados. Revela a total falência dos clubes nacionais, que, incapazes de sobreviver sem a tutela dos "donos disto tudo"que se apropriaram das receitas antes provenientes dos adeptos que iam aos estádios, não hesitam em alienar a sua própria soberania, induzindo entre a população o nauseabundo e velho cheiro da suspeição. Não é apenas o futebol que está em causa!, são também as instituições que têm a obrigação de zelar pelos essenciais valores da sociedade. São os próprios valores democráticos!, é a própria Democracia!
      Afinal, como já sabíamos, Mário Figueiredo tinha razão na queixa apresentada pela Liga, mas teve que sair para que, finalmente, a AdC, se pronunciasse, impondo uma reformulação nos contratos da Olivedesportos, que, fundamentalmente, permitirá manter tudo como estava. Até porque, parece que é isto que os clubes querem. Sem Olivedesportos, sem Controlinveste e sem Sport TV , não haverá futebol em Portugal! Mas havia!
      Quanto a Luís Duque, acabou de dar um segundo tiro no pé!, o primeiro foi o de ter aceite o cargo apesar do ambiente de crispação com o seu próprio clube e do seu histórico de práticas hostis para com o Benfica. Ao aceitar os "bons ofícios" da Controlinveste na procura de patrocinadores para o "naming "da Taça da Liga, Duque revelou afinal a sua total incapacidade nas áreas financeira e de marketing, alienando grande parte da sua própria autonomia em favor do patrocinador primário. E isto é mau para o futebol! Muito mau!, o "milagre" de Duque consiste, afinal, em devolver o futebol a Joaquim Oliveira!
      Está assim explicada a razão pela qual Fernando Gomes, afirmou na entrevista que concedeu ao jornal oficioso do seu clube "crer" que só uma plataforma de entendimento entre Porto Benfica e Sporting - por esta ordem -, detentores de massas de adeptos consideráveis, poderá potenciar o futebol. É que, para Gomes, essencial...,mesmo, mesmo, essencial para o futebol é a Controlinveste, essa infatigável construtora de sonhos! os três grandes clubes , com o Porto à frente, claro, só poderão dar uma uma ajudinha, desde que estejam de acordo na distribuição dos despojos! Ora, com regras simples, claras e universais, não serão necessários outros acordos. Fernando Gomes, implicitamente, revela a sua incapacidade de as definir, implementar e fazer respeitar, A TODOS POR IGUAL!
     Percebo que os dirigentes do Benfica tenham cedido perante o crescente "buraco" nas contas da Liga - constou que seriam da ordem dos 9 ME -, que inviabilizaria a continuidade das competições profissionais e, em última instância, o equilíbrio financeiro do próprio clube. Mas não deveria ter permitido que as negociações decorressem numa conjuntura indutora de respostas favoráveis a umas das partes, impondo condições que garantissem o equilíbrio entre os intervenientes.
      É claro para mim desde há muito, que o painel de fundo do futebol nacional assenta na aspiração regionalista de alguns setores do Porto e talvez do Norte e do país, historicamente subjugados e revoltados pela prepotência destruidora do centralismo da Capital, que vêm no futebol um primeiro campo de emancipação, elegendo o Benfica como símbolo desse centralismo e alvo prioritário da sua acção. Julgo porém que esta é uma estratégia que tende a produzir efeitos contrários aos desejados na medida em que confunde o regionalismo com práticas indignas a que temos assistido no âmbito do futebol, com origem, precisamente, no seu seio, hostilizando todo o universo benfiquista, cerca de 50 % a 60 % da população. Não serão as práticas de manipulação de resultados das competições nem a pancadaria instigada que atrairão adeptos à causa. Pelo contrário, a "separação das águas"  política e desportiva, associada a práticas de racionalidade, cordialidade e lealdade no desporto, atrairá aderentes de todas as frentes, para a derradeira emancipação do país da asfixia lisboeta.
      E estamos nisto! neste atavismo que lentamente vai corroendo os alicerces do futuro.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

FELIZ NATAL!

 
 

Jesus Cristo Redentor

domingo, 21 de dezembro de 2014

A tática do nhéco-nhéco! (Benfica-Gil Vicente 1-0)

      Neste jogo a equipa do Benfica adotou a tática do nhéco-nhéco...e ganhou (obrigado Capela). Andamento em modo devagar-devagarinho, passes de metro a 1o/h, alas nem vê-las, meia-distância ausente, jogo aéreo omisso e oportunidades, poucas. Ah, mas houve concentração tática. César esteve muito bem e desta vez fez o que deveria ter feito com o Braga. Júlio César esteve lá quando foi necessário nos escassos mas perigosos remates que os jogadores do Gil fizeram à sua baliza. Talisca também esteve bem na cobertura e recuperação de bola no meio-campo apesar da sua característica falta de criatividade. Máxi foi igual a si próprio criando as condições para o golo solitário e vitorioso.
      O Gil Vicente fez um bom jogo, sobretudo nos 15 minutos iniciais e nos 15/20 minutos finais, não marcando por inépcia dos seus avançados.
      Talvez os jogadores do Benfica tenham acusado o desgaste físico dos jogos anteriores, com Porto e Braga, talvez tenham acusado a falta de Enzo, Luisão e Sálvio (ai o meu rico Sálvio). Ola John tem que dar gás às botas e mostrar mais intensidade e Jonas tem que trabalhar mais e melhor. A equipa necessita urgentemente do regresso dos lesionados, Luisão, Sílvio, Fejsa, Eliseu, Amorim, Suleimani, André Almeida, etc. (Já agora é melhor consultar o bruxo de Fafe).
   Quanto à equipa de arbitragem, só tenho é que agradecer.
      Há que analisar o jogo e corrigir; estes jogadores podem fazer muito melhor e devem fazê-lo se querem ganhar o campeonato. Olhar para a frente e esquecer o passado recente.

sábado, 20 de dezembro de 2014

Jaime Neves, o último Guerreiro do império (3)

      "Transformamo-nos no homem do uniforme que usamos"  disse Napoleão;terminado o curso de Comandos, já à frente da 2 Companhia em Angola, Neves trocou os calções de caqui e a farda branca com bota alta pelo camuflado e transformou-se no "homem do camuflado", já com o nome de guerra de "Tigre". É de camuflado que receberá, mais tarde, as estrelas de Major General. 
      Durante quase um ano as operações sucedem-se em Angola, na rotina da contra-guerrilha, com emboscadas, contraemboscadas, ataques a acampamentos e nomadizações. Floresta, tensão, trilho, adrenalina pura, mosquitos,  calor tórrido, sede, suor, cansaço, minas, explosões e tiros contra um inimigo que descarrega o ferro e foge furtando-se ao combate frontal. Numa das operações a 2ª CCMDS comandada ataca a Base dos Pacaças - guerrilheiros da FNLA (flanelas) - em Dolisie no Congo-Brazzaville próximo da fronteira de Cabinda, deixando um tapete esburacado de mortos e regressando sob forte morteirada. Noutra ocasião, Neves, numa avionete Dornier, monta um Posto de Comando Aéreo, a partir do qual consegue reunir e conduzir ao aquartelamento seis grupos de neófitos Comandos perdidos em missão na floresta. Os soldados sentem que têm um Comandante com quem podem contar.
      Em maio de 1966 a 2ª CCMDS, na continuação da sua comissão recebe ordem de avançar para o Lumbo em Moçambique com duas missões; a de apoiar o Batalhão Sete de Espadas que estava a ser dizimado em Mueda e a de deter um eventual ataque inglês ao porto da Beira  no âmbito da chamada guerra do petróleo, ataque este que não chegou a verificar-se devido à acção diplomática.
      Por esta ocasião os dois principais focos de guerrilha estão em Cabo Delgado, no planalto maconde, e em Vila Cabral, no lago Niassa, este de menor intensidade. Os Macondes, vivendo da pesca e da caça, com faces tatuadas à navalha e dentes bem afiados, são  indomáveis e aguerridos, difíceis de encontrar.
    Aqui conhece Jorge Jardim que participa em algumas operações e comanda várias missões, acompanhando as suas forças, que lhe valeriam a Cruz de Guerra de 1ª Classe por feitos em combate. Açor, Catatua, Olho Vivo, Picanço, Licas, Hibraico, Polinómio, Maionese, Martelada, Trolha, Desbrause, Finalmente, Chaimite, Aveiras (homenagem ao soldado alentejano abatido na fronteira), Alentejano, Mabecos, Raivosos e Furriel Aguiar, são a designação das missões em que a 2ª CCMDS cobre toda a zona subvertida da Zona de Intervenção Norte. Na operação Finalmente percorrem 300 quilometros a pé em pleno mato até a Mucojo que dá para o Índico. Uma operação do tipo das que os militares de gabinete apenas ouvem falar e os civis nem isso. Na missão Polinómio, Neves dirige as suas tropas em PCA a partir de uma avioneta na qual é atingido de raspão no sovaco em consequência da flagelação com armas automáticas a que a nave foi submetida.
        Entre combates, o desbragamento na cidade, com os inevitáveis copos, mulheres de vida "fácil" e pancadaria gratuita. Maxim's onde atuam Orlandini, Shegundo Galarza e o figueirense Mário Simões, é um dos "cabarets" frequentados, tal como o Moulin Rouge e o Primavera. Há os cafés como o Scala e o Sheik, o hotel Polana, a Cervejaria Laurentina e o Ponto Final, onde por vezes se cruzam com os "boers". Sucedem-se os episõdios cómico-caricatos como aquele em que o Sargento Ribeiro furioso com o azar do seu jogo acusa Neves de confundir foder com rachar lenha; ou daquela matrona que pediu uma audiência ao comandante para impedir os seus soldados "di deixá péli di piça nas minha mininas". Disse São Paulo que apesar das muitas porcarias que possa praticar, um puro será sempre um puro. Foi o caso de Neves, como o reconheceram os seus camaradas e Delfina, a que viria a ser sua mulher.
      Finda a 2ª comissão, regressa à metrópole para uma breve passagem na Escola Prática de Infantaria de Mafra donde segue para Lamego onde passa dois anos como instrutor no Centro de Instrução de Operações Especiais, tendo por colegas outros militares de referência. Na esfera civil sucedem-se as habituais peripécias da irreverente vida noturna. 
      Regressa à sua dura a amada Moçambique em 1970, pela terceira vez, onde chega na ressaca da Operação Nó Górdia onde se destacara o Carlos Matos Gomes. Jaime Neves sempre lamentará não ter participado em operações espetaculares como foram a Viriato em Angola, a Nó Górdio em Moçambique e a Mar Verde na Guiné. Desta vez segue para junto do Batalhão de Comandos em Montepuez, como comandante da 28ª Companhia de Comandos já formados em Moçambique. É ferido em operação, na sequência da deflagração de uma mina sob a "berliet" que ele próprio conduzia e da qual resultaram feridos todos os outros ocupantes da viatura. Já no hospital, deparando-se com a separação entre praças e oficiais, quebrando as normas vigentes, exigiu que ficassem juntos, suscitando o reconhecimento daqueles e o respeito dos restantes.
      Sucedem-se os episódios de combate com grande frequência a alta intensidade nos quais se destaca a capacidade de comando de Jaime Neves. Na eterna memória fica-lhe o impacto dum estilhaço de bazuca no peito do alferes Guimarães, arrancando-o parcialmente, tirando-lhe a vida sob o seu olhar, na sequência de uma chuva de aço que se abatera sobre a 28ª Companhia, numa operação entre Miteda e Nangololo, onde foi emboscada. Noutra operação no planalto Maconde entre Mueda e Mocimboa do Rovuma na Zona dos Paus onde são flagelados com abundante morteirada quando vão em auxílio dos Paraquedistas para recuperar os corpos dos camaradas provisóriamente sepultados na sequência de combates  que ali travavam com os guerrilheiros da Frelimo. Os contactos de fogo com os civis que por vezes ocorrem suscitam discussões entre os soldados; Jaime Neves evita-os mas aceita-os quando inevitáveis superando a natural comiseração sem lugar na guerra. Fala-se de Wiriamu onde terão sido massacrados centenas de civis. Respeita os PIDES pelo importante serviço de informações que prestam ao Exército mas impédios de agredirem os guerrilheiros quando presente.
      A 28ª CCMDS  combate limite da fadiga com Neves sempre na frente, reforçando a confiança dos seus soldados, gerindo com sabedoria os casos de indisciplina, desfalques ou outros desvios suscitando a gratidão e lealdade dos faltosos. Impõe-se perante as hierarquias nos casos da sua competência conhecendo os limites e quando necessário subverte as regras instituídas. Os soldados são a sua família e o Exército a sua casa. Tem a legitimidade das muitas horas de fadiga e dores de combate, seus e dos seus homens. O seu nome corre por Moçambique, em Angola e na Guiné entre militares e civis.
      No final da sua 2ª Comissão, a poderosa 28ª CCMDS, abateu 90 inimigos, feriu 13, capturou 114. Capturou armas diversas; espingardas, metralhadoras, lança-granadas-foguete, canhangulos, granadas diversas, minas, documentos importantes e outros. Destruiu 3500 palhotas, 26 bases e quartéis inimigos, vários celeiros, machambas e outros meios de vida do inimigo. Em contrapartida, a 28ª tem 1 morto em combate, 1 morto em acidente, 3 feridos graves em combate, 3 feridos em acidente e dois elementos evacuados por doença.
      Fora do quartel, Neves, sem a pose marcial que alguns lhe atribuíam, concorda com Fernando Pessoa quando disse que "Boa é a vida mas melhor é o vinho" e desmente Norman Mailer quando referiu num dos seus livros que "tough guys don't dance". como sempre continua a dar livre curso aos seus dotes de cantor humorístico e exímio dançarino, seja no "twist" no Rock de terramoto, ou nos slows, tangos, boleros e pasodobles. Na boémia convive com portugueses do tipo dos que fala Agostinho da Silva; o Bolinhas - como irmão - que sem estudos nem fortuna se mete pelos mares e pelos sertões, o fobeiro do Uige, o chicoronho da Huila, o padeiro Manuel do Brasil, etc.. Foram estes portugueses pobres, ambiciosos e aventureiros que mais contribuíram para essa "misteriosa grandeza de um pequeno e pobre país". As cenas de pancadaria "desportiva" nos bares continuam a suceder e Jaime Neves que não é dado a "filosofias" começa a sentir o peso da solidão de homem solteiro, a necessidade de constituir a sua família, mulher e filhos a quem amar e pelos quais seja amado. 
       Sempre por mérito em combate, Jaime Neves é promovido a Major, primeiro ,em 1971, graduado e em 1973 definitivamente. Por força da nova patente deixa o comando da 28ª CCMDS e pede escusa do comando do Batalhão de Montepuez a que tem direito por inerência, num gesto que o General Kaulza de Arriaga considera nobre por permitir ao seu camara Oliveira terminar a sua comissão no comando daquela unidade.

Sintetizado de "Jaime Neves, Homem de Guerra e Boémio" da autoria de Rui Azevedo Teixeira, editado pela Bertrand

FELIZ NATAL

CHET BAKER - Almost Blue

O terrorismo ambientalista à solta

Livro Psicose Ambientalista: O guia politicamente incorreto do ambientalismo:: PSICOSE AMBIENTALISTA Os bastidores do ecoterrorismo para implantar uma "religião" ecológica, igualitária e anticristã. A e...