Desporto

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Acaso ou encomenda?

Sob o malicioso título "Sexo trama Artur e polícia Gay", o decadente e persecutório - relativamente ao Benfica - CM de hoje, descreve uma trama de cariz sexual com chantagem, em que, Artur Morais, o guarda-redes do Benfica, parece ter caído, e que terá afetado decisivamente o seu desempenho desportivo a partir daí. De facto, entre vários outros motivos, os erros grosseiros de Artur a partir do jogo na Luz com o clube da fruta, foram decisivos para as aspirações do meu clube. Bastaria que os não tivesse cometido para o Benfica ter sido campeão. Essa é que é essa! São vários, todos decisivos e demasiado primários para um guarda-redes da sua categoria! Entregar a bola ao ponta-de-lança contrário - Porto e Guimarães - que espera por ela mesmo à entrada da área e sem oposição? Deixar passar o esférico mesmo junto ao poste - Estoril -, rematado de ângulo difícil? Ficar pregado ao chão num lance aéreo, lento, numa final europeia, enquanto o adversário, tranquilamente, espera por ela para o remate sem oposição? Dou de barato a meia-fífia do golo do empate na frutaria azul.

Ficámos a saber então que, ao contrário do que o articulista parece sugerir numa provocação insultuosa, Artur Morais gosta de mulheres e tal terá sido o motivo que o fez cair nas garras de criminosos, um dos quais já preso, que o terão chantageado a ponto de perturbar a sua concentração desportiva. Podemos então dizer que, esta época, o Porto foi campeão por uma queca do Artur! Ou seja, em vez de "campeonato do capela", o campeonato transato poderá ser designado pelo "campeonato da queca do Artur". Bolas, como nos saíu cara essa queca! 

Pois, acontece que, nestas matérias, não acredito em coincidências. Este é um dos métodos típicos de arranjo de jogos referido por Declan Hill no seu livro "A Máfia do Futebol" e por Marinho Neves no seu romance "Golpe de Estádio" como dos mais usados pelas "exemplares estruturas" para capturar árbitros, atletas, dirigentes adversários e até políticos. Perante uma mulher bonita, em ambiente próprio, qualquer hetero cai sem apelo nem agravo, não é assim grinaldo telhas? Pois é, e a lusa "exemplar estrutura" não costuma deixar nada ao acaso, não é assim srs estorilistas?, não é assim, srs ferreirenses?  Claro que é! 

Será que a PJ e o MP irão aprofundar a investigação tentando saber se há mandantes envolvidos? Veremos; porém, não me espantaria se tudo ficasse por aqui. Afinal, o roubo dos computadores na sede da FPF não parece preocupar ninguém - teriam informação comprometedora para algum dirigente? -, tal como da misteriosa morte de um alegado dirigente da Porto Comercial parece ter submergido na névoa do esquecimento! Tudo é transparente naquele "reino!" 

A ser verdade, deveria o Artur ter comunicado o sucedido ao seu Treinador e à Polícia - tê-lo-á feito? -, declarando falta de condições para participar nos jogos, o que, ainda assim, não deixaria de constituir um 'handicap' para a sua equipa, porém, menos gravoso; uma coisa é não conseguir defender um remate adversário, outra bem diferente é oferecer-lhe a bola para marcar. É na adversidade que se revela o caráter das pessoas e Artur não foi capaz de defender a sua equipa, os seus colegas, os seus adeptos. Não esteve bem. Não serviu bem o Benfica, como é obrigação de qualquer Atleta do clube. 

Talvez valha a pena acompanhar o desenvolvimento deste caso.

domingo, 23 de junho de 2013

Revolução no futebol?

A necessidade de alteração dos quadros competitivos e modelo de financiamento do futebol quer ao nível da UEFA quer de Portugal é, desde há muito, uma evidência. A nível europeu e nacional, tem-se cavado e um fosso cada vez maior entre a meia-dúzia de grandes clubes e os restantes, que acabará, estou convicto, no declínio desta agora designada indústria. O público gosta de incerteza, gosta de surpresa, gosta de espetáculo autêntico, mágico, gosta de talento genuíno, puro, expontâneo...e não é isso que hoje observa!  De facto, o futebol, é cada vez mais um jogo de bastidores onde mandam os interesses financeiros ou políticos, onde se fabricam e sustentam génios de papel, onde vencedores e vencidos são préviamente definidos pelas superestruturas, infiltradas por gente sem escrúpulos disposta a tudo para fazer vencer os clubes da sua preferência. Ao espectador basta observar o que se pasa nos jogos, seja quanto ao comportamento dos atletas, seja quanto às nomeações, comportamento e classificação dos árbitros. Gere-se o futebol apenas para maximizar as receitas, explorando o incauto adepto, manipulado por uma comunicação social hipócrita, incompetente e corrompida pelos mesmos poderes (salvo exceções). Pelo meio, para salvar as aparências, anunciam-se uns quantos programas de combate à corrupção destinados ao fracasso  que todos sabemos inevitável. Afinal, como se combate uma indústria com um volume de negócios estimado em mais de 50 000 milhões de dólares anuais? Não se combate, "juntamo-nos" a ela!
 
Por cá, apesar de todos os apitos, de todas as pífias condenações da petinguinha, a procissão da corrupção segue no seu cortejo, com os mesmos anjinhos de sempre, os quais, legitimados, implícitamente, pela justiça da treta, já nem se dão ao trabalho de disfarçar. Eles aí vão, dominando, subjugando a maioria dos clubes concorrentes pela dependência financeira e desportiva destes; seja pelas transações de atletas, seja pelas dos direitos desportivos, ambos controlados por interposta entidade, pelo clube vencedor crónico; seja pelos humanóides erros de arbitragem punindo ou  premiando, conforme os interesses do opressor. E nisto estamos, como se vivessemos um ciclo de progresso sócio-desportivo decorrente de uma miserável e sórdida corrupção.
 
E é neste contexto que surge Mário Figueiredo, saído, nem mais nem menos, do covil jurídico do clube usurpador, apoiado pelos designados "pequenos clubes", com projetos inovadores, ameaçando demolir as traves mestras em que assentam as espúrias vitórias do campeão da treta. Não falta quem nele veja o enfabulado "lobo com pele de cordeiro", e, apesar de não pôr completamente de parte esta possibilidade, considero que as suas propostas devem ser analisadas à luz do interesse do Benfica e do futebol nacional. De facto, não são necessárias declarações de amor para se fazerem bons negócios; basta que sejam bons para as partes envolvidas.

O projeto mais sugestivo - entre outros propostos pelo perito holandês na matéria, Pieter Nieuwenhuif -, parece conciliar o que parecia inconciliável; o ansiado alargamento dos "pequenos" com menos folgas competitivas, com a redução de carga desportiva interna desejada pelos outros. Alargamento para 18 clubes divididos em dois grupos - um de 10, outro de 8 - ascendendo os 4 primeiros do grupo de 10 ao grupo dos 8 por troca com os últimos deste, na 2ª fase da prova. Julgo que o futebol tenderia a ser mais aberto, ao contrário das tradicionais práticas hiperdefensivos e caceteiras que o têm caracterizado.

A autonomia financeira dos clubes é fundamental para o desenvolvimento sustentado do futebol, razão pela qual sempre defendi a redução. Está por demonstrar que o modelo proposto melhore o financiamento de cada clube, condição indispensável à sua viabilidade. O aumento gobal de receitas parece evidente, tal como o correspondente aumento de custos! Há que fazer um estudo económico integrando as receitas dos direitos desportivos - cerca de 50% das quais são atualmente desviadas para a olivedesportos e derivados, que por sua vez, controla os clubes concorrentes do FCP -, bem como estudar o modelo de repartição. E aqui é que está o busílis!

Já estou a ver no grupo dos oito, o Porto e suas colónias, com o Benfica à mistura! Direitos desportivos e arbitragem  são os dois pilares que sustentam o atual sistema sem a demolição dos quais nenhum modelo resultará. É certo que a centralização da comercialização dos direitos desportivos num contexto de concorrência efetiva, associado à melhoria da competitividade e aumento da incerteza, fará disparar as receitas, gerando um círculo virtuoso, desde que os custos operacionais sejam controlados. Mas...como se garantiria a independência da arbitragem, indispensável ao sucesso do modelo? Francamente, não vejo como, enquanto estiver no seio da FPF ou da Liga! A arbitragem, deveria ser totalmente integrada no Instituto Nacional do Desporto - recrutamento formação, nomeação e classificação - o qual seria então escrutinado por todos os cidadãos através do voto e não apenas, como hoje acontece, pelos dirigentes do Porto, que indiretamente, decidem quem ganha o quê, quem é, ou não, promovido, quem sobe e quem desce de categoria, quem é ou não internacional. Tudo sob o silêncio cúmplice dos agentes políticos e governantes.

O Benfica não deverá, nunca, confiar em ninguém e nunca, por nunca ser, deverá assumir compromissos de médio ou longo prazo! A reversibilidade deverá ser, sempre, condição sine qua non! Em uma mão o pão e na outra, sempre bem à vista, o chicote!, (passe a metáfora). Não tenho a menor dúvida de que o monopólio do mercado dos direitos desportivos acabará, mas também não tenho dúvidas de que, nesse dia, aparecerão novos concorrentes controlados pelos Belmiros, Amorins, Dos Santos e quejandos, pois são estes os verdadeiros inimigos do Benfica e não o "parvo alegre do Pinto" (salvo seja).

Para jogar neste tabuleiro, o Benfica precisa de parceiros no setor, capazes de assumir e garantir concorrência credível. É hora de os benfiquistas com peso institucional e financeiro fazerem o mesmo que têm feito os portistas, juntando-se ao clube, apoiando-o, cada um com as suas possibilidades. Considero preferível ao Benfica, abdicar à cabeça, de parte da sua receita apoiando os pequenos e garantindo a independência destes, contribuindo para o progresso do futebol, do que abandoná-los à voracidade, prepotência e controlo do clube da fruta.

Mas não é tudo. A grande desvantagem do Benfica relativamente ao Porto é de natureza política e é também neste tabuleiro que teremos que jogar; ignorá-lo é suicídio! De facto, como  já referi em vários trabalhos e em vários locais, o Porto beneficia de um conluio entre algumas elites económicas e políticas da cidade com capacidade para pressionar e até controlar os partidos políticos e os governos, num processo de afirmação regional, apresentando o FCP como bandeira.  É esta a razão do silêncio de todos; o medo!,medo da perda de eleitores - a região norte é a de maior densidade demográfica - e medo da sublevação popular que mantêm controlada consentindo a perpetuação das vitórias do seu clube. Daqui podemos concluir desde já, da necessidade de promoção do equilibrio demográfico do país e, por consequência, do  desenvolvimento económico das terras do sul. Saia pois uma Casa da Música para Grandola, uma Fundação de Serralves para Elvas, um aeroporto José Afonso para Évora, etc., etc. (passe a metáfora).

Portanto, o Benfica tem que assumir políticamente, a sua dimensão social, já que o atual quadro partidário tem consentido, miserávelmente, a discriminação desportiva e até social do Benfica e dos benfiquistas, por um pretenso novo Portugal!, um Portugal de corrupção, de prepotência, de intolerância e...inevitávelmente, de violência...ou de "carneirada". Tal poderá ser feito de várias maneiras; o Benfica tem um projeto desportivo de largo impacto social e competitivo e por isso, tem o direito e o dever de apresentar propostas de desenvolvimento desportivo próprio, de questionar as dos vários agentes políticos, de escrutinar a implementação das mesmas pelos governos e de tudo isso dar conta aos eleitores benfiquistas. Não tem que ser o Presidente do clube a fazer isto, mas convém que seja; meus senhores, o Benfica entende que o projeto desportivo tal e tal apresentado pelo partido tal é o melhor para o nosso clube e para Portugal. Cada um, depois, fará o que entender. Estou certo de que, quando tal acontecer, tudo mudará! Não se brinca com seis milhões de pessoas com uma causa comum! Claro que há outras vias, alternativas ou complementares, mas ficará para outra ocasião.

VIVA O MEU QUERIDO CLUBE; VIVA O BENFICA!

sábado, 22 de junho de 2013

Vitor Pereira, "O basófias""

Vitor Pereira,  trouxe à arbitragem a promessa da mudança mas...em três anos de mandato, só o estilo mudou ! De facto, Vitor Pereira rompeu com o estilo tradicionalmente "pacóvio" e truculento dos dirigentes da arbitragem, apresentando um ar de modernidade e  capacidade de inovação, progresso e justiça, que apaziguou, ou silenciou, os detratores do setor, vítimas ou algozes. Afinal é só fumaça! Tudo ficou como dantes, "quartel General em Abrantes"!

 Às declarações de princípio seguiram-se os projetos e sua implementação...e... tudo ficou como estava! Cometem-se os erros de sempre, pelos protagonistas de sempre, e...ganham os mesmos de sempre...mas agora com estilo!
 
O fato é que, o jornal castrado "A Bola" de 19 de Junho, anuncia , hipócritamente, na 1ª página: "Escândalo na Arbitragem" e logo na 2ª e 3ª: "Ponham a mão nisto!" O caso é que, segundo aquele diário, cerca de 15 árbitros impugnaram as classificações finais por discordarem do inovador método utilizado na época finda, em que "quem apitou mais jogos saíu prejudicado, mesmo que com nota mais elevada nos jogos arbitrados. E, pelo meio, está também a aplicação "subjetiva" do já famigerado grau de dificuldade dos jogos." Realmente "é fruta a mais pró vitó!"
 
Ora então, depois da aplicação de uma "fórmula" - imagino que ainda sem cálculo integral e diferencial -, ainda assim complexa de boa, a classificação final será, finalmente, definida após a atribuição dos graus de dificuldade de cada jogo, óbviamente pelo especialista nestas matérias escolhido pelo Ex-Vice-Presidente do Porto, agora em funções na FPF! E qual o resultado, qual é ele? Quem prejudica o clube azul ou beneficia o Benfica tem garantida a classificação no fim da tabela, acabando despromovido à categoria inferior; por outro lado, quem faz o contrário, arrisca-se a ascender a melhor árbitro do planeta  com direito a finais das grandes competições europeias e mundiais de clubes ou seleções!
 
Por outras palavras; finda a época desportiva, grande parte dos árbitros - cerca de 15 - não sabe o que andou a fazer, nem como deverá proceder na época seguinte. Eis o absurdo; não está em causa, como deveria, o bom juízo do cumprimento das regras do jogo, mas tão sòmente, o critério de avaliação do "avaliador" do grau de dificuldade das arbitragens de cada jogo! Ou seja; as classificações dos árbitros e, indiretamente, dos clubes, está pendente dos critérios deste senhor! Um senhor escolhido pelo ex-dirigente de um concorrente: O FCP! Ou seja: o clube que ganha sempre! Uma vergonha!

Depois de tanta inovação e modernidade, o resultado do método "científico" vai ser corrigido "a olho" tipo: "ora deixa cá ver alfredo, ora deixa cá ver alfredo", isto é um suponhamos...este leva coeficiente 0,5865, aquele...ora deixa cá ver...dez passos, três palmos e um cabo de martelo...0, 6862! Valha-nos Deus! Que pouca vergonha!
 
Senhor Vitor Pereira; demita-se!, perdeu os créditos que detinha para chefiar o setor.
 
Senhor Fernando Gomes; Demita-se!, vá dirigir o seu clube, que é lá o seu lugar.
 
Senhor Presidente do Benfica; abra os olhos e retire o apoio a esta gente! Defenda os interesses do meu clube! Poderá comprar os craques que quizer mas não ganharemos enquanto não enfrentarmos com eficácia a guerra de bastidores. O resto é paleio de "chico-espertos".
O Futebol Português e Europeu é uma anedota!

A FPF é uma anedota, a UEFA é uma anedota!


In sapo de 19 de Junho de 2013:

Vítor Pereira, presidente do Conselho de Arbitragem, assume que fórmula classificativa penaliza árbitros com mais jogos.
 
O presidente do Conselho de Arbitragem (CA) da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) reconheceu hoje, à SportTV, que o método de avaliação em vigor para a classificação dos árbitros prejudica aqueles que apitam maior número de jogos.

«É verdade que os árbitros que apitam maior número de jogos são prejudicados, mas fomos todos surpreendidos com isso, desde o Conselho de Arbitragem, à APAF (Associação Portuguesa de Árbitros de Futebol) e aos árbitros”, disse Vítor Pereira, fazendo um “mea-culpa», para o qual tem as suas justificações.


quinta-feira, 20 de junho de 2013

Má Despesa Pública: Alguém se preocupa com a transparência do Orçament...

Má Despesa Pública: Alguém se preocupa com a transparência do Orçament...: Em Janeiro os resultados do Índice de Transparência Orçamental (OBI) foram amplamente divulgados no Má Despesa . Portugal apresenta um pé...

O Porto da Graciosa: Update (No.4): Incident Involving the Containershi...

O Porto da Graciosa: Update (No.4): Incident Involving the Containershi...: © Copyright fotos: MRCC Mombai  Press realese of  Mitsui O.S.K. Lines, Ltd. TOKYO-Mitsui O.S.K. Lines, Ltd. (MOL; President: Koichi M...

terça-feira, 18 de junho de 2013

domingo, 16 de junho de 2013

O FIM DA ILUSÃO de Medina Carreira

Advogado e ex-Ministro, Medina Carreira, cedo percebeu que Portugal caminhava na direção do abismo. Patriota, alicerçando-se em estatísticas irrefutáveis, empenhou-se com afinco na divulgação da realidade económica, com o propósito de alertar consciências e abrir o caminho à exigência de políticas que evitassem o descalabro que haveria de suceder em 2010 com o pedido de assistência financeira externa e o país exangue. Ignorado e enxovalhado pelas principais forças políticas e pela população em geral - que chegaram a apodar de senis, os seus alertas -, Medina Carreira, ciente da sua razão, nunca esmoreceu e continua a sua cruzada por cidadãos, governantes e governados, mais responsáveis, em nome de um Portugal próspero e independente. Um exemplo, para todos os Patriotas.
 
Na verdade, o desfecho económico a que chegámos em 2010 era previsível há cerca de duas décadas a qualquer cidadão que não se tivesse deixado embalar nos cantos de seria partidários e reparasse na persistência das duas grandes tendências "assassinas"; aumento contínuo da pressão fiscal e asfixia crescente da atividade empresarial; uma função decrescente que, mais uma vez, haveria de nos conduzir às portas da insolvência e do opróbrio internacional, desta vez sem a desculpa "fassista", graças à ganância partidária que não hesita em sacrificar a Pátria aos interesses das suas clientelas. Afinal, os autoproclamados campeões da liberdade e fundadores desta democracia, revelam-se agora como lobos em pele de cordeiro, teimando no anúncio de projetos insustentáveis, indiferentes à sorte de Portugal, como se dele fossem donos.
 
"O fim da Ilusão" - edição da "Objetiva" - é uma síntese do pensamento de Medina Carreira e uma compilação de várias crónicas, que resumem o essencial da evolução económica de Portugal dos últimos anos. Destaco:
 
"Numa palavra, o parasitismo clientelar, instalado nos principais partidos, está e vai continuar a devorar o nosso país."
 
"O Estado social não pode sobreviver sem a base financeira mínima que só uma economia dinâmica pode oferecer."
 
"A inevitável assistência financeira internacional chegou demasiado tarde, a situação piorou mais do que o necessário, as dívidas cresceram e, com elas, também as taxas de juros."
 
"Haverá sempre mais austeridade e ninguém saberá dizer-nos quando terminará."
 
"Numa Democracia, num espaço de desejável esclarecimento e de liberdade, para que serviram os partidos, os parlamentares, os comentadores, o acesso previlegiado aos meios de comunicação social, os comícios, os jantares, as conferências de imprensa, as inaugurações, as intrigas, as provocações, as insinuações, os permanentes golpes baixos, os programas televisivos de todos os dias?
   Aparentemente e como se vê, para nada."
 
" O exorbitante número daqueles que têm direito a prestações públicas constitui, finalmente, um grande ambaraço para o nosso Estado social."
 
"Entre 1990 e 2012 a média anual e real do aumento do PIB português foi de 1,8 % enquanto o das 'despesas sociais' foi de 3,9%.
   E no período de 2000 a 2010, o PIB registou +0,6 % anuais as 'despesas sociais' +2,2 %, respetivamente."
 
"Projetando para 2020, com base na economia de 2000-2010, teríamos uma situação inviável: as 'despesas sociais', só por si, corresponderiam a 100 % daquelas receitas - nz; contribuições e impostos - (35% a 36% DO PIB)."
 
" É igualmente inusitada a expansão do universo de servidores e de beneficiários do Estado, como atestam estes números: de cerca de 450 mil funcionários e de 1 780 000 pensionistas em 1980 (2 230 000 no total), passámos a contar, mais recentemente, com cerca de 700 mil funcionários e uns 3 500 000 pensionistas (4 200 000 no total)."
 
"Na totalidade, podemos falar de uns seis milhões de indivíduos que, ainda e durante muitos anos, caberá ao Estado sustentar financeiramente."
 
"É óbvio, para quem saiba analisar o problema, que, 'neste momento, a economia portuguesa não só não consegue sustentar este Estado, como está a ser aniquilada por ele."
 
"A reforma do Estado social português é, portanto, muito urgente."
 
"Efetivamente, das circunstâncias favoráveis existentes quando foi arquitetado o atual modelo de Estado social, já nenhuma vigora hoje."
 
"...e, por fim, o esmagador peso dos impostos, o maior da Europa, se se tiver em conta o rendimento médio de cada português."
 
"Ficou criado mais um sorvedouro de despesas, agora sob a forma de juros, porque os credores não prescindem do seu reembolso."
 
"O problema é demasiado sério para, como habitualmente, os responsáveis (?) encolherem, nesciamente, os ombros, em nome de um otimismo fundado na ignorância e no oportunismo político."
 
"Há assim, sinais claros da nossa presente incapacidade para enfrentar com êxito, e com as políticas atuais, o processo de integração. Isto resulta da perda de competitividade, em boa parte gerada pela reduzida taxa de crescimento da produtividade e pelos elevados aumentos dos custos unitários do trabalho."
 
"O pequeno e o médio empresário refletem, em geral, a própria impreparação que resulta da escola ou, em muitos casos, da falta dela."
 
"Os empresários portugueses de maior dimensão só recentemente vão retomando uma experiência que nasceu muito atrasada e que foi interrompida pelas nacionalizações. De qualquer modo, sem a continuidade nem o hábito de uma concorrência como aquela a que, há muito tempo, estão sujeitos os empresários da 'outra´Europa."
 
"Figuro entre os que rejeitam a ideia de que o mercado resolve tudo."
 
"...as forças partidárias só agem corretivamente quando não há atos eleitorais à vista, ou quando os desiquilíbrios externos se tornam insustentáveis."
 
"Foi o desregramento do gasto público, em geral, conjugado com o gasto privado - estimulado pela queda dos juros - que desiquilibraram a tal ponto a balança externa, proporcionaram a subida da inflação e nos levaram à difícil situação atual das finanças públicas."
 
"Creio estar esgotado o modelo 'aparelhístico' de 'ocupação' do Estado que temos na nossa frente."
 
"A limitação dos mandatos, por outro lado, é indispensável para desencorajar a profissionalização dos políticos, conducente a um calculismo sistemático destinado a assegurar apenas a 'ocupação' do Estado."
 
"E porque não estabelece o exclusivo financiamento público dos partidos?"
 
"É nossa firme convicção que, sem as várias e sérias reformas do sistema político e da Administração Pública, Portugal não conseguirá, no tempo desejável, atingir os níveis de desenvolvimento a que legitimamente aspira."
 
"Aquela - nz; a Justiça -, não funciona de todo em relação à criminalidade económica."
 
"A Educação, com a reserva de alguns casos de excelente qualidade, é uma lástima."
 
"Há trabalho para que não existem executantes e diplomados que servem para tudo menos para o que se diz estarem "oficialmente" habilitados."
 
"O Estado Português está convertido num "pântano", onde ninguém quer exercer a autoridade legítima e onde muitos aspiram apenas a permanecer tanto tempo quanto lhes seja permitido."
 
"Deve ser hoje, o maior devedor do país - nz; o Estado. Não me recordo de uma desordem como esta e talvez seja mesmo necessário recuar à I República para encontrar algo semelhante."
 
"Se a economia crescer mais, a questão da despesa pública fica facilitada; para que esse crescimento ocorra, é preciso que a despesa seja contida."
 
Eis pois, um contributo valioso para compreender a economia portuguesa atual e os caminhos de volta à independência, por todos os que recusam meter a cabeça na areia e se limitan a exigir aos sabastiões ou salazares, a satisfação dos seus anseios, recusando, teimosamente, envolver-se no processo de desenvolvimento sustentado de Portugal e enfrentando a realidade.
 

ETERNA SAUDADE! ( Dilermando Reis)