Desporto

domingo, 19 de janeiro de 2014

Benfica-Marítimo; 2-0

Eusébio branco?, não sei, mas lá que há algumas semelhanças é verdade, como bem ilustra a foto.

Oblak é o GR que o Benfica procura há vários anos!, com ele, a história do final da época passada teria sido outra.
 
Como se esperava, Hugo Miguel fez asneira da grossa; não assinalou fora de jogo no lance que precedeu o 2º golo, não assinalou uma GP clara contra o Marítimo, mostrou indevidamente o amarelo a Markovic e ofereceu vários lances ofensivos ao Marítimo assinalando erradamente várias saídas de bola. Lembremo-nos que é graças a ele que o Benfica tem menos dois pontos do que devia - estaria agora a 5 pontos do Sporting.
 
O Benfica foi uma equipa laboriosa solidária, racional e arguta; na primeira-parte e no final da segunda, empurrou o adversário para o seu meio-campo baixo onde este se acantonava com muitos jogadores muito próximos entre si, e, depois de alguns ameaços, acabou por fazer o primeiro tento numa potente recarga de pé esquerdo de Rodrigo, que não pede licença para rematar nem se perde em inúteis rodriguinhos frente à baliza.
 
O Marítimo é uma boa equipa e o Pedro Martins é um bom Treinador, mas, lá está; bloco baixo, chegando a apresentar seis defesas em linha e dois trincos!, esta postura é invariável nos jogos com o Benfica e enquanto for dominante não atrairá mais público nem mais investidores ao futebol nacional. Apesar disso não se coibiram, os maritimistas, de atacar coletivamente sempre que recuperavam a posse da bola; ficaram-me na retina dois belos lances, um na primeira parte com um remate colocadíssimo de Eldon ao primeiro poste a que Oblak correspondeu com soberba defesa, outro já na segunda parte num remate frontal - não fixei o autor -, mais uma vez desviado sobre a barra, em grande estilo, por Oblak.  
 
Lima trabalha muito para a equipa mas continua desinspirado no momento da concretização, tendo desperdiçado uma bela oportunidade, rematando à figura do GR, quando se encontrava isolado. O que faltará?, um golo?, condição física?, conhecimento é que não é.
 
Fejsa esteve bem tal como Enzo e Gaitan, não se tendo feito sentir a falta de Matic. De recordar o tremendo remate de cabeça do Enzo a cruzamento de Maxi - salvo o erro -, desviado pela trave. Entrou bem o Ruben, a dar mais solidez e criatividade ao meio-campo, num período de grande assédio do Marítimo, que assim, teve que se preocupar mais com a sua baliza. Gomes e Cavaleiro ainda fizeram uns minutinhos para aquecer e animar.
 
A defesa esteve bem, à exceção do lance em que Maxi perdeu a posição para Eldon e quase deu golo. Não há dúvida que Siqueira manda na esquerda e Maxi está a recuperar a forma, tal como Luisão - com cortes soberbos - e Garay. Oblak  inspira confiança e isso otimiza o desempenho de toda a equipa. Um grande reforço, sem dúvida!
 
Lima, Rodrigo e Markovic  formam um trio ofensivo muito dinâmico e criativo ainda em busca do melhor sincronismo, deixando boas perspectivas para o futuro tendo ainda em conta a inclusão de Cavaleiro.
 
Não há dúvida que a equipa do Benfica está mais madura e confiante, adotando os modelos de jogo mais adequado a cada período, gerindo o esforço, embora seja necessária maior segurança na fase passiva bloqueando o adversário mais longe da sua área.
 
Muito bem; sobriedade e eficácia.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Benfica-Leixões 2-0

Vitória simpática contra o histórico e popular Leixões,  que no passado remoto foi berço de excelentes jogadores, entre os quais se destacou o talentoso extremo Praia, que viria a alinhar ao serviço do Benfica.
 
Jogo rasgadinho, sob grande aguaceiro, mostrando um Leixões aguerrido e bem arrumado em bloco baixo, soltando-se ofensivamente com amplitude sempre que recuperava a posse do esférico. O Benfica, como convinha, rodou jogadores menos utilizados que deram, bem, conta do recado batendo-se com empenho, aqui e ali com pinceladas de bom futebol. Tal foi o caso dos lances de golo, ambos de bom recorte técnico, com destaque para o segundo, numa excelente jogada coletiva culminada com o poderoso remate de Cavaleiro após primorosa simulação sobre um adversário. Também o primeiro golo resultou de lance coletivo na sequência de um livre indireto onde Djuricic, mais uma vez, mostrou sagacidade ao rematar forte e colocado a tempo de evitar a entrada dos dois defesas que tinha pela frente.
 
Artur mostrou alguma ansiedade inicial numa fífia que poderia ter sido fatal, Vitória ia molhando a sopa num remate acrobático de costas para a baliza a que o guardião contrário respondeu com excelentes reflexos, John deambulou pelos flancos debitando boas assistências entre elas a do primeiro tento e Cavaleiro mostrou os argumentos que já se lhe conhecem, força, técnica, coletivo e decisão. De resto, em geral, todos estiveram bem, exceto nalguns descuidos defensivos.
 
A equipa de arbitragem não parece ter feito avaria e, disse Jesus, haver algo errado com o relvado.

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

E depois de Eusébio?

Julgo que foi António Costa que disse ter sido o fim de um ciclo. Referia-se ao ciclo colonial de Portugal, um ciclo que marcou cinco séculos da nossa história e que se refletiu no futebol nacional a partir do final da 2ª guerra mundial, onde, sobretudo no Sporting e no Benfica brilharam vários atletas provenientes das províncias ultramarinas de Angola e Moçambique; Peyroteu, Hilário, Coluna, Santana, Costa Pereira, José Águas, Eusébio, Nelson, Néné, Jordão, etc. Na verdade,  alguns destes extraordinários atletas, felizmente, continuam entre nós, o que nos leva a indagar da razão pela qual alguns vêm no desaparecimento do Pantera Negra o fim de um ciclo. Logo nos ocorre dever-se tal sorte ao prestígio e popularidade impares alcançado pelo Rei em virtude das suas extraordinárias façanhas desportivas. Porém, há algo de mais profundo, relacionado com o pavor que algumas forças políticas  têm perante o fracasso do regime que ajudaram a promover e que as sustenta. Fracasso que leve as pessoas a indagar da fiabilidade da doutrina sociopolítica dominante e a procurar conhecer melhor o regime anterior, em especial a primavera marcelista. Pavor de que as pessoas descubram, por fim, que, afinal, as coisas não são bem como lhes tem sido dito. E é por isso que tais forças têm desenvolvido especial atenção ao desmembramento dos elementos conservadores, como sejam os relacionados com a tradição, a igreja, o mundo rural e a família. E o Benfica e Eusébio; os últimos grandes símbolos do Portugal imperial, multirracial e multicultural. Esses, sentir-se-ão, finalmente, aliviados, apesar das lágrimas de crocodilo. Ao referir o fim de um ciclo, saltou-lhes o pé para o chinelo, visto que, tal apreciação não tem a menor relevância face à perda.
 
Um vazio emergiu após o desaparecimento de Eusébio e, ao olhar em volta, surge-nos a obra de Filipe Vieira. Enquanto o Benfica tem sido, artificialmente, ano após ano, relegado para 2º plano, Filipe Vieira tem mantido o ânimo dos Benfiquistas, enaltecendo a sua história e os seus atletas, enquanto tem construído o Benfica do futuro. Eusébio já cá não está, mas está o seu legado e uma obra notável que nos permite lutar de acordo com o estatuto granjeado pelo nosso clube durante décadas. E isso é obra do atual Presidente do Benfica. Estou-lhe grato por tal mas sobretudo pela forma honrosa como conduziu as cerimónias  fúnebres.
 
É o fim de um ciclo para o Benfica, sim; é tempo de correr a cortina translúcida do passado e olhar para a frente. Olhar com inteligência e persistência para o que nos rodeia e perceber quais são as alavancas da excelência, mobilizando-as; os melhores Técnicos, os melhores Atletas, a melhor Motivação, os melhores Adeptos, os melhores Aliados, etc. É tempo de abolir uma certa falsa cultura de excelência que reina entre os adeptos e que mais não é do que patetice disfarçada, e fomentar a união por um Benfica maior e melhor onde a crítica inteligente é indispensável. É este o desafio após Eusébio; voltar a subir a montanha da glória.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Reconhecimento:

Ao Real Madrid, Ao Manchester United, ao Sporting Clube de Portugal e ao Marítimo, pela forma como souberam homenagear Eusébio. Com este gesto, conquistaram a minha simpatia, sem desprimor para os restantes, em especial o Real Madrid; foi bonito de ver Butraguenho e Amâncio entre nós partilhando a nossa mágoa. Amâncio; o temível génio da bola entre Puskas, Di Stefano, Santa Maria & Cª tantas vezes adversário de Eusébio.
 
 
 

 
 

 
 

 

domingo, 12 de janeiro de 2014

O derradeiro jogo de Eusébio

O Pantera Negra, intencionalmente ou não, uniu e motivou atletas, dirigentes e adeptos do seu clube, impondo, simultaneamente, respeito aos adversários, em especial, ao do jogo desta tarde. Os atletas puxaram pelo público e o público puxou pelos adeptos, a vitória aconteceu e foi bonita. Não menos bonito foi ver os valores que unem todos os antagonista desportivos, para além da vitória, desde logo, o do respeito, que esteve patente até nas bancadas. Pela derradeira vez, isto foi-nos mostrado por EUSÉBIO DA SILVA FERREIRA. Obrigado Eusébio.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

A minha "verdade" sobre Eusébio.

Sem dúvida, um homem simples que, sendo iletrado era culto. E era culto porque, conhecendo a essência do seu ofício, com ele se fascinava e contagiava todos os outros, elevando o desporto que praticava à qualidade de Arte. E Arte, é cultura da boa! Tal, foi e é reconhecido pelos melhores entre os seus pares; de ontem e de hoje. Colegas de equipa ou adversários. Tal fascínio derrubou os muros da rivalidade e do nacionalismo trazendo novos adeptos ao desporto e provocando um sentimento de alegria e união coletiva. Tal, foi o que se constatou nas cerimónias fúnebres entre os seus concidadãos e por todas as remotas paragens do planeta que, alguma vez, tiveram o privilégio de assistir, ainda que indiretamente, às suas exibições.
 
Arte, sim; bailado com causa, com bola, é no que se transforma o futebol quando praticado por alguns atletas. Atletas como Eusébio. Arte, sim, pelo respeito que sempre demonstrou pelos colegas, adversários ou não. Ser culto não é, pois, necessariamente, conhecer muitas coisas, mas conhecer a essência do que é, efetivamente, importante a um grande número de pessoas. É o que foi Eusébio. E é por isso que foi um Homem de cultura.
 
Não sei porque morreu Eusébio; dizem que foi paragem cardiorrespiratória, referem ter ele dito estar cansado de viver devido às dores. Sabemos que tinha fortes limitações de natureza cardiovascular. Testemunhámos, nos últimos meses, o seu mal disfarçado decaimento físico. Tudo isso será verdade, mas, quanto a mim, Eusébio morreu de desgosto. Desgosto pelo enxovalho de que nos últimos tempos estava ser alvo por parte de uma comunicação social enfeudada aos interesses dos principais rivais do seu clube do coração, que, despeitadamente e desrespeitosamente, ousaram pôr em causa o oficioso título de "rei" que lhe fora carinhosamente atribuído  pelos comentadores da época, virtualmente ratificado pela generalidade da população e que lhe era caro.
 
Um desfecho com forte contribuição da Federação Portuguesa de Futebol, desde há várias décadas subjugada aos interesses do atual maior rival do clube de Eusébio, pelo frequente agendamento de jogos de preparação da seleção nacional com seleções de 3ª ou 4ª categoria, a fim de proporcionar a superação do seu máximo de golos pelos avançados subsequentes, como se verificou.
 
Eusébio morreu, porque não quis assistir à intensificação do enxovalho público em curso, após a entronização de Ronaldo, com  a iminente atribuição da 2ª bota de ouro. Na sequência do falecimento de Eusébio, alguns terão a consciência pesada, como estou convicto será o caso de Madail, Pauleta e Ronaldo. 
 
Esta é a minha verdade!

domingo, 5 de janeiro de 2014

Eusébio da Silva Ferreira, meu Deus; publicado em Janeiro 5, 2014 por Manuel S. Fonseca

 
 

 eusebio_chora

Se Eusé­bio mor­reu hoje, como dizem as infa­ti­gá­veis notí­cias, mor­reu hoje o que res­tava dos meus anos 60 e o que res­tava de Por­tu­gal ter sido um império.
E embora mor­rendo hoje, como dizem as indes­men­tí­veis notí­cias, as cores do mito – esse belo negro da sua pele, esse ver­me­lho vivo da sua cami­sola – não dei­xa­rão nunca mor­rer Eusé­bio. E nem é pre­ciso dizer aqui a pala­vra Ben­fica, por­que a pala­vra Eusé­bio e a pala­vra Ben­fica beijam-se, fundem-se, são uma com­bi­na­ção amo­rosa de que a gra­má­tica tem ciúmes.
 
Eusé­bio era feito da mesma terra ver­me­lha dos heróis. A força de per­nas de um Hér­cu­les, veloz como Ulis­ses, o joe­lho onde Aqui­les tinha o cal­ca­nhar. Há romance, mis­té­rio e aven­tura em toda a sua vida. Vejam como, da cidade colo­nial de Lou­renço Mar­ques, o tra­zem para Lisboa.
Numa noite de tró­pi­cos, um jipe leva-o à porta do avião. Clan­des­tino quase. E em Lis­boa escondem-no da bruxa má. Tudo por­que Eusé­bio, per­so­ni­fi­ca­ção da bon­dade, fez o que um filho deve fazer, a von­tade à sua mãe. O clube onde jogava que­ria mandá-lo à expe­ri­ên­cia para outro clube. Mas a mãe, como todas as mães, deci­diu pela von­tade do filho: recu­sar vir à expe­ri­ên­cia por­que, como todos os ver­da­dei­ros humil­des, Eusé­bio sabia o que valia.
 
E o que valia Eusé­bio? Outros dirão muito melhor do que eu. Eu conto-vos só as minhas per­ple­xi­da­des. Eu nunca con­se­guia saber se era o seu pé esquerdo, se o seu pé direito que chu­tava. Por­que, em boa ver­dade, não era ele que chu­tava. A velo­ci­dade rema­tava por ele. E já estou a men­tir ou a enganar-me, por­que, em boa ver­dade, foi com Eusé­bio que a velo­ci­dade apren­deu a jogar à bola. Num tempo em que os car­ros tinham qua­tro velo­ci­da­des, Eusé­bio já tinha a sexta.
 
Dei­xem deliciar-me ver­go­nho­sa­mente no vício das minhas recor­da­ções. Estou a vê-lo, em Ams­ter­dão, ali­nhado com Águas, Coluna, Simões, antes da final com o Real Madrid come­çar. Está per­fi­lado, a cara­pi­nha cor­tada quase rente, a cabeça redonda de menino, pre­ci­o­sa­mente dese­nhada e bonita, a pele negra bri­lhante, nobre, afri­cana. E era, menino de Moçam­bi­que, o melhor joga­dor por­tu­guês. E eu tenho muito orgu­lho em que o melhor joga­dor por­tu­guês seja um afri­cano, raio de um ex-império que nem um depu­tado negro con­se­gue ter.
 
Nesse jogo, mar­cou dois golos, os dois, juram-me, e eu não teria tan­tas cer­te­zas, com o pé direito. Pus­kas, Gento e o semi-deus que era Di Ste­fano caí­ram aos seus pés. Eusé­bio, herói com­pas­sivo, foi ao chão bus­car a cami­sola de Di Ste­fano. Pediu-lha, a esse semi-deus aba­tido. Di Ste­fano deu-lha, con­so­lado por aquele pedido de menino, e Eusé­bio guardou-a, por­que Eusé­bio é o guar­dião de todos os símbolos.
 
Eusé­bio foi o pri­meiro fute­bo­lista a jus­ti­fi­car os 110 metros de com­pri­mento de um campo de fute­bol. Se não fos­sem já essas as medi­das, o campo teria de ser esti­cado. Eusé­bio comia com ale­gria metros de relva. Eusé­bio era um bicho dos gran­des espa­ços, uma pan­tera que que­ria savana. Foi com ele que o fute­bol des­co­briu que a África existia.
 
Cor­ria em linha recta ou em elipse, fazendo meias-luas, rápi­das mudan­ças de direc­ção, rein­ven­tando a velo­ci­dade, baixando-a, subindo-a. Percebia-se assim, final­mente, por que razão um campo de fute­bol deve ter 75 metros de lar­gura, uma área de 8250 metros qua­dra­dos. Cor­ria e nas per­nas dele cor­ria a pala­vra Ben­fica. Mas tam­bém a pala­vra Portugal.
 
Foi em 1966, não dou novi­dade nenhuma a nin­guém. Mas vejam outra vez as cores do mito a pin­tar Eusé­bio. Houve um sor­teio dos núme­ros das cami­so­las. Saiu-lhe o 11, ao peque­nino e mara­vi­lhoso Simões o 13. Simões que­ria jogar com o seu habi­tual 11 e, com a ver­dade, deu a volta a Eusé­bio: “Já viste o que é, se joga­res com o 13 e fores, como vais ser, o melhor mar­ca­dor e o melhor joga­dor do mundo?” E foi, com esse número que devia ser fatí­dico, com esse número da fei­ti­ceira Circe, o melhor mar­ca­dor, o melhor joga­dor, o Melhor. As cores do mito, os núme­ros do mito, escolhem-no, querem-no como filho dilecto.
 
Vi o segundo golo dele ao Bra­sil num filme exi­bido no cinema Impé­rio, em Luanda. Uma obra de arte gigan­tesca em que potên­cia e explo­são se enla­çam. Um golo que ajo­e­lhou o Bra­sil, esse impé­rio romano do fute­bol. De novo e sem­pre as cores do mito: com esse golo, aos pés ala­dos de Eusé­bio, caía Pelé, uma lança espe­tada no flanco.
 
No jogo com a Coreia do Norte, Eusé­bio car­re­gou, como Hér­cu­les, o mundo aos ombros. Ainda nem a meio da pri­meira parte íamos e a Coreia, aba­lando a ordem do céu e terra, de mares e ares, ganhava por três a zero. Eusé­bio recons­ti­tuiu minu­ci­o­sa­mente a ordem do mundo, todo o uni­verso. Agar­rou nos des­tro­ços e com per­se­ve­rança jun­tou as par­tes. Cor­reu, dri­blou, foi atin­gido vio­len­ta­mente, mas triun­fou. Qua­tro golos foram os tra­ba­lhos de Eusé­bio nessa tarde de gló­ria que aca­ba­ria, dias depois, nas lágri­mas de Wem­bley, momento mais bonito, mais lírico ou ele­gíaco do que qual­quer vitó­ria. Lágri­mas de Eusé­bio que a cami­sola de Por­tu­gal reco­lhe e esconde. Nenhum outro gesto, outras lágri­mas, pode­rão ser tes­te­mu­nho de mais amor.
 
Mor­reu hoje Eusé­bio da Silva Fer­reira, meu Deus.
 
 
eusebio slb