Desporto

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Benfica-Sporting (2-0)

O jogo de hoje foi um dos raros exemplos, em Portugal, nas últimas décadas, do caminho a trilhar para a sustentabilidade do futebol. Um ambiente de sã rivalidade substituiu a tradicional provocação incendiária implantada nos últimos tempos por gente sem talento, permitindo aos vários agentes concentrarem-se nas respetivas tarefas, com destaque para os jogadores. Sóbrias e pragmáticas foram as declarações de vários intervenientes, antes e após o jogo. É assim que deve ser; ganham os adeptos, ganham os clubes, ganha o futebol. Parabéns a todos, em particular aos Presidentes dos dois clubes.
 
O Benfica foi superior ao longo dos noventa minutos colocando grande intensidade na disputa dos lances; sufocante na primeira parte tentando marcar cedo, e solidário e letal na segunda; tapando os caminhos da sua baliza e procurando a do adversário sem delongas, uma vez na posse do esférico. Honra à equipa do Sporting que, jogando compacto e com agressividade, apesar de não ter tido boas oportunidades de golo, apesar de, por vezes, apresentar uma linha defensiva de cinco jogadores, e o meio campo sempre muito povoado, quis ganhar. E é isso que o público gosta de ver; duas equipas a tentar ganhar o jogo...à inglesa. 
 
Apesar da evidente determinação dos jogadores do Benfica e da excelência de alguns lances que produziram, faltou sincronismo nalguns deles e, noutros, serenidade na concretização. Gaitan poderia ter marcado no lance em que tentou fazer um chapéu de trivela, ainda na primeira parte, e Rodrigo, que tanto quis marcar, poderia tê-lo feito por duas vezes, já na segunda. É verdade que, em ambos os casos, Patrício, quanto a mim o melhor do Sporting a par de Heldon, tem o seu mérito. 
 
Não há dúvida que Oblak transmite grande segurança à equipa e aos adeptos pela eficácia com que intervém nos lances. Luisão destacou-se na defesa, tal como Máxi,  apesar de, já na segunda parte, se ter deixado ultrapassar pelo Heldon, o que poderia ter sido fatal. Aquele, com um cruzamento excecional, proporcionou a Gaitan o explêndido primeiro golo. Porém, também Siqueira e Garay estiveram à altura. Muito bem estiveram Fejsa e Gaitan, sobretudo este, pela sua faceta mais criativa e emotiva, bem patentes no magnífico segundo golo em que deixou Patrício pregado ao solo naquele soberbo remate. Na frente, todos trabalharam muito, destacando-se em Rodrigo a determinação de marcar, parecendo, por vezes, Markovic meio perdido e com défice de potência no remate. Já na ponta final, Amorim, fez o seu trabalho habitual de controle do meio-campo e Cardozo ainda aqueceu a camisola, que não as botas. A vitória nunca esteve em perigo, mas poderíamos ter feito mais um golito.
 
Cheguei a recear a equipa de arbitragem, mas...tudo correu bem, apesar de alguns erros sem consequências.
 
Estamos no bom caminho.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Penafiel-Benfica (0-1)

Fiquei deveras surpreendido com o bom estado do relvado; parabéns ao Penafiel. Foi um jogo tranquilo, felizmente sem lesões e sem casos, que revelou as tão famosas características dos jogos da Taça, as, quais, durante muito tempo, julguei conversa fiada. Não é. Efetivamente, apesar das diferenças competitivas entre equipas em confronto, o jogo é sempre mais aberto do que seria se se tratasse da Liga. Isto porque, na Taça, só quem ganha passa, e na Liga, no início do jogo, ainda sem fazer coisa nenhuma, cada equipa já tem um ponto!, portanto, a mais fraca defende com tudo  destruindo o espetáculo. Isto deveria mudar. Descobrir como, é um excelente desafio.
 
O Penafiel bateu-se bem, muito compacto e agressivo, sobrepovoando o meio-campo e pressionando alto com vários jogadores, levando, apesar disso, esporadicamente, a bola até à área, sobretudo nos lances de bola parada. O Benfica, alinhando com vários jogadores menos habituais - Artur, Jardel, Sílvio, André Gomes, Djuricic, Ivan Cavaleiro, Sulimani e Cardozo -, esteve muito pêrro, sobretudo na primeira parte; em inferioridade numérica no meio-campo, com falta de criatividade, com o flanco direito pouco ativo, sem meia distância nem jogo aéreo e Cardozo ainda muito preso, apesar do bom sentido posicional. Cedo percebi, não sei bem porquê (uma fezada resultante da elevada concentração e soluções técnicas que apresenta no decurso do jogo), que Suleimani iria ser a chave da eliminatória. E foi. A forma como recebeu, trabalhou e rematou para o golo, distingue a sua elevada qualidade técnica.
 
Jardel deve jogar com maior racionalidade pois faz muitas faltas em zonas perigosas, Sílvio abanou fazendo temer uma recidiva felizmente, não confirmada, já que voltou ao jogo. Max parece em forma, André Gomes anda à procura dela, da forma, Amorim fez minutos, tal como Djuricic de quem esperava mais e melhor. Ivan esteve bem e deve jogar mais, tal como Suleimani, Rodrigo, Lima e Markovic, trouxeram maior dinâmica ofensiva. Artur respondeu bem nas poucas situações em que foi convocado. Talvez tenha havido alguma contenção, devido ao próximo e importante dérbi com o SCP.
 
Capela e a sua equipa, pareceram-me bem, apesar de alguns casos duvidosos, tais como a marcação frequente de faltas ofensivas e defensivas ao Benfica.

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Gil-Vicente-Benfica (1-1)

E lá vão mais dois pontos!, de sua exclusiva responsabilidade, o Benfica, soma um total de seis pontos perdidos para a concorrência em jogos com equipas "menores"; Belenenses, Arouca e Gil-Vicente. O padrão é comum; a consciência de inferioridade competitiva leva os adversários à prática do anti-jogo, que acaba por os beneficiar, graças à complacência dos árbitros. Nada, porém, justifica alguma displicência dos vermelhos, cujas causas devem ser identificadas e debeladas. Neste particular identifico a excessiva rotação de jogadores nucleares como uma delas, pelo desgaste motivacional que provoca nos restantes, bem como nos adeptos.

O péssimo estado do terreno agravou os fatores de risco, já que, como sabemos, atenua grandemente a dinâmica de jogo da equipa mais evoluída. Perde o espetáculo, ganha a mediocridade, perde o futebol. Este é o tipo de terreno que exige massa muscular e compacticidade. Faltou mais consistência no meio-campo - Ruben Amorim - e mais músculo na frente - Ivan Cavaleiro. Este não é jogo para Markovic. Deveria ter-se recorrido com mais frequência ao jogo aéreo. Na grande-penalidade que daria a vitória, Cardozo denunciou o remate, o que era previsível dado o prolongado tempo em que esteve fora de competição. Apesar disso, o seu efeito e o do Cavaleiro aumentaram claramente o poder ofensivo da equipa. Muito bem o Lima na GP. Muito mal Siqueira provocando a sua expulsão; sem controlo emocional, no Benfica, perdem-se pontos, no Porto, ganham-se os ditos.
 
Paixão esteve mal; muito mal ao não sancionar disciplinarmente sucessivas faltas e agressões dos gilistas. Deveria ter sido expulso o jogador que pontapeou Gaitan nas costas, no lance da primeira GP. Deveria ter sido assinalada GP e expulso o jogador que impediu Rodrigo de rematar, na pequena área, agarrando-o. Lá está; apesar dos erros próprios, o Benfica teria ganho. É o que me parece. Quando é que isto muda de vez?

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

A República, de Platão



Aos 380 anos AC, conta Platão:
 
SÓCRATES — Fui ontem ao Pireu com Glauco, filho de Aríston, para orar à deusa, e também para me certificar de como seria a festividade, que eles promoviam pela primeira vez. A procissão dos atenienses foi bastante agradável, embora não me parecesse superior à realizada pelos trácios. Após termos orado e admirado a cerimônia, estávamos regressando à cidade quando, no caminho, fomos vistos a distância por Polemarco, filho de Céfalo. Ele mandou seu jovem escravo correr até nós, para nos pedir que o esperássemos. O servo puxou-me pela capa, por trás, dizendo:— Polemarco pede que o esperem.
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Foi assim que Sócrates e seus amigos-discípulos, Trasímaco, Adimanto, Glauco e outros, ainda entusiasmados pelas festas da cidade, dedicaram boa parte do dia ao desporto que mais lhes agradava praticar refletindo em grupo e disciplinadamente acerca dos mais variados temas, alguns dois quais bem atuais.
 
Desta feita, a certa altura, discutindo-se a Justiça, face à convicção geral da superioridade da injustiça constatada pelos discípulos, resolveram estes desafiar o mentor a demonstrar o contrário. Sem grande relutância, aceitou Sócrates o pesado fardo e, após algumas considerações preliminares, obtido o acordo dos interlocutores, adotou como método o de constituir uma cidade a fim de, passo a passo, materializar o seu conceito de Justiça determinando a sua concreta superioridade sobre a injustiça, fazendo de seguida a extrapolação para o indivíduo concluindo, finalmente, das vantagens do Homem justo sobre o injusto.
 
Assim nasceu esta fascinante obra - Arte, segundo Tolstoi -, que nos permite acompanhar o processo de arquitetura constitucional de uma cidade pretensamente justa, descobrindo, surpreendentemente, como, há quase dois mil e quatrocentos anos se trataram esclarecidamente, temas ainda hoje melindrosos - como o da igualdade de género -, da educação, da defesa, da família e do governo.
 
E não é que a primeira preocupação de Sócrates é com a educação dos jovens, retirando-os aos 10 anos da influência perniciosa dos pais e enviando-os para campo  onde durante os 10 anos seguintes se dedicariam à ginástica - um corpo harmonioso é sinónimo de alma virtuosa - , à música - excluindo algumas harmonias certamente da família do nosso fado -, à geometria, cálculo e astronomia - não é que o bacano considerava o cálculo necessário ao conhecimento de todas as ciências e artes?, não é que considerava ainda que o ensino não devia ser imposto sob pena de total ineficácia?, e não é que centrava o processo educativo na descoberta da vocação de cada um?  Pois é, era!, mas não só - como diz o Mantorras - o caso é que o bom do Sócrates considerava que só a Filosofia proporciona a sabedoria necessária a uma governação competente e por isso atribuia aos que se tivessem revelado mais aptos, 10 anos adicionais a filosofar! Porém, completado este ciclo e para temperar eventuais tendências aleatórias ou elitistas, os nossos filósofos tinham que exercer a função de guerreiros ativos durante 15 anos, pelo que, os sobreviventes, estariam finalmente aptos para a governação e as honrarias populares aos 50 anos.
 
Mais considerava Sócrates, que era imperativo prevenir a ambição de riqueza dos guerreiros a fim de garantir a sua dedicação plena à causa da defesa da República contra ameaças externas. Para tal, seriam destituídos de património, assumindo os cidadãos os plenos encargos da sua manutenção e das respetivas famílias. Note-se que, no lote dos guerreiros, Sócrates, incluía as mulheres em pé de igualdade com os homens, limitando-se, gentilmente, a poupá-las aos trabalhos mais pesados devido à sua menor robustez muscular, pois considerava que a condição da maternidade, sob nenhum pretexto, deveria ser motivo de descriminação. Por esta razão, as mulheres, deveriam receber educação semelhante, nomeadamente na ginástica, onde a nudez não constituiria motivo de embaraço dado que a virtude substituiria as vestes!, pelos vistos, naquela época, na Grécia, os ginastas exercitavam-se nus para se livrarem do condicionamento do vestuário (ainda não tinham sido criadas a Adidas nem a Nike!). Aqui chegados temos de considerar que, há dois mil trezentos e oitenta anos, neste particular, se registava um enorme avanço civilizacional..
 
Curioso mesmo era a conceção do processo de acasalamento, casamento, da comunidade dos filhos e das mulheres. Se bem percebi, na idade ativa, todos tinham direito de acasalar e casar, mediante um processo de escolha espontânea...condicionada por um processo de sorteio aparentemente universal pelo qual, manhosamente, os menos aptos iam ficando para trás, sem perceberem a tramoia, garantindo-se assim, à República renovação geracional de qualidade superior!, esta é forte e serviu de inspiração ao racismo moderno! Para suprimir os egoísmos com origem nos laços familiares tradicionais e, por outro lado, difundir o afeto e a solidariedade próprias das mesmas famílias, estabeleceu que os casamentos seriam coletivos e que os filhos emergentes em certo período, seriam comuns a todas as mulheres e todos os homens que tivessem casado no período relacionado, previamente definido. Assim, constituir-se-ia uma comunidade onde todos respeitariam todos, por força dos laços afetivos comuns. (Interessante!). Antes da idade ativa - 20 anos - seria criminalizado o relacionamento sexual. Depois desta - 50 anos - seria permitido o acasalamento, mas fora do grupo familiar de origem! (interessante!).
 
Já que estamos com a mão na massa, refira-se que, o nosso Sócrates, dividia a população em castas, designando-as, ouro, prata, bronze e feno, considerando que, estas não deveriam misturar-se visto que daí resultaria decadência genética!, (está visto que Hitler devia ter ascendentes gregos desta época!). Mas atenção; o nosso filósofo, que permanentemente buscava a sabedoria, considerava necessário dispensar cuidados médicos apenas aos cidadãos mais promissores!, todos os que apresentassem moléstias incapacitantes, deveriam ser abandonados nos campos para evitar a degradação social da República!, (hoje cortam-se-lhes as pensões embora haja para ai campos abandonados com fartura!).
 
Relativamente ao modo de governo considerava quatro modelos, a saber; Monarquia, Timocracia, Oligarquia, Democracia e Tirania, sendo o primeiro o mais virtuoso e o último o mais iníquo. Muito interessante, aliás, interessantíssimo, é acompanhar o seu raciocínio na explanação dos mecanismos de degradação social que conduzem, digamos assim, ao decaimento da Monarquia até à Tirania. E é interessantíssimo porque parece um relato fiel do que se passa hoje em dia, por exemplo, em Portugal e na Europa. Se Sócrates estiver certo, as democracias ocidentais encontram-se num processo de degradação que, fatalmente, acabarão em regimes tirânicos, ou seja, em linguagem "náutica", estamos a enrolar o cabo.
 
Engraçado é verificar o fraco conceito que tinha de Homero - seu amigo de infância -, apesar das sua profusa obra poética. Isto porque considerava os poetas, pintores e outros artistas como imitadores, já que detinham um conhecimento de terceiro grau, demasiado afastado, portando do conhecimento autêntico e, como tal, aleatório e perigoso. Apesar disto, o nosso Sócrates, estava disposto a aceitar os poetas e a sua poesia desde que não desvirtuassem os princípios virtuosos estabelecidos constitucionalmente. (ora cá está; a censura pode ser boa!). A demonstrar que Homero não era grande coisa, invocava Sócrates a inexistência de discípulos próprios e a relativa indiferença das cidades, razão da sua itinerância declamatória como recurso de obtenção do fraco sustento (desconhecia Sócrates a tradicional  incompreensão dos génios na sua época!).
 
Muito mais curioso é constatar a sua convicção relativamente à imortalidade da alma e a forma como a fundamenta. Tal como, aliás, o seu conhecimento do Hades, transmitido por Der, quando por lá parece ter andado durante a semana em que permaneceu em morte aparente em pleno campo de batalha, da qual ressuscitou, já em plena pira, com grande lucidez de memória. Foi assim, que, ficou a conhecer o processo da reencarnação, onde cada alma, homem ou animal, escolheria o que queria ser na vida futura, por ordem de chegada e de acordo com a origem; do céu ou do inferno - ou equivalente.
 
Uma obra fascinante, sem dúvida, digna de revisitação - como foi o caso -, com partes chatíssimas, onde podemos constatar a relatividade de certas verdades, a importância da justiça, bem como alguns fundamentos e vicissitudes das sociedades modernas. Particularmente interessante, a metodologia de análise por dedução e analogias sucessivas previamente acordadas pelo o interlocutor, cuja validação das conclusões condicionava a progressão do processo. 

sábado, 25 de janeiro de 2014

Benfica-Gil Vicente (1-0)

Num jogo em que o Benfica apresentou uma equipa pouco rodada, o Gil Vicente, que já mostrou, esta época, bom futebol, remeteu-se a uma defesa maciça demonstrando, mais uma vez, o estado deplorável em que se encontra o futebol nacional, caracterizado pelo pobre espetáculo desportivo resultante da enorme diferença desportiva entre grande parte dos concorrentes. Também aqui, as reformas necessárias são inviabilizadas, precisamente, pelo clubes menos competitivos. É o designado nivelamento por baixo que, de modo geral e salvo exceções, tem afetado a sociedade portuguesa nas últimas décadas, razão primeira do estado de exiguidade a que chegámos.
 
Muita dinâmica dos vermelhos, naturalmente desejosos de mostrar serviço ao Técnico, sempre na busca do golo. Pressão sobre a bola, amplitude e profundidade. Algum atabalhoamento nos cruzamentos, meia-distância interessante e jogo aéreo incipiente. Em especial, interessava-me ver o Steven, o Djuricic, o Mori, o Bernardo e o Hélder. O lance que precedeu o golo foi bonito de ver; o Mori merecia o golo naquela entrada de cabeça ao cruzamento de Cavaleiro à qual sucedeu a recarga portentosa de Suleimani, que não brinca em serviço. Na grande penalidade, aquele, denunciou o remate, que o excelente GR contrário não teve dificuldade em defender. Muito bem estiveram Amorim e Cavaleiro induzindo roturas no adversário, cada um ao seu estilo. Bernardo e Hélder protagonizaram bons apontamentos no reduzido tempo que estiveram em campo. Ainda tenho dúvidas no lance do canto direto de Gomes; terá a bola ultrapassado a linha de baliza?, este, mais uma vez, mostrou a sua aptidão para os remates de meia-distância dos quais a equipa tem andado carenciada.
 
Como referi acima, a equipa do Gil Vicente defendeu com tudo, muito recuado, abusando do anti-jogo e de alguma complacência do árbitro da partida.
 
Enfim, ganhando, os jogadores deram boas indicações ao Treinador, alargando o leque de alternativas para a equipa principal. Uma boa utilidade dos jogos da Liga. 

Promoção do jogador nacional; hipocrisia e cinismo

Longe vão os tempos em que os jogadores de futebol portugueses afirmavam, com alguma razão, sentir-se mercadoria na mão dos clubes. Hoje, invertidos os papeis, parecem não se importar com a  condição de mercadoria nem com a sorte dos clubes que os acolheram, desde que daí retirem benefício. Por isso, em geral e salvo exceções, não têm autoridade moral para formular juízos de natureza ética relativamente aos clubes que lhe pagam os salários. Nem os seus representantes; empresários ou sindicalistas. 
 
Antes de mais, compete aos Estados criar condições para a promoção desportiva da população, seja através do desporto escolar seja através do apoio  às Associações Desportivas, algo que Portugal, desde sempre, negligencia, revelando-se incapaz de perceber a importância do desporto na educação da população, apesar de, há já dois mil e tal anos a sociedade helénica ter por adquirido. São os clubes, com todas as suas fraquezas que tratam da formação e promoção dos atletas em todas as modalidades. Sem clubes, o desporto em Portugal seria pouco mais que nulo.
 
Gerir um clube de futebol, hoje, é tarefa ingrata, devido aos inúmeros fatores aleatórios que a condicionam. Como em qualquer outro caso, um clube de futebol deve ser gerido por critérios de racionalidade, e, se há cada vez menos jogadores nacionais nas equipas principais dos maiores clubes, talvez a causa não resida exclusivamente na alegada irracionalidade dos seus dirigentes. De todo o modo, Joaquim Evangelista poderá sempre fundar o clube do Sindicato e mostrar-nos como se faz, concorrendo nas inerentes provas desportivas. Então sim, ganharia a admiração de todos. Protestar e reivindicar, sendo necessário quando justo, não passa de hipocrisia e cinismo quando injusto; como é o caso. 
 
É a União Europeia, os Estados, a FPF, a UEFA e a FIFA, que têm a maior quota de responsabilidade na situação atual. Não se valorizam jogadores com fracas equipas. O Sporting é um caso paradigmático; não tira proveito da excelente formação que tem devido às equipas pouco competitivas que apresenta. Os jovens atletas, logo que começam a despontar, receosos da estagnação nas suas carreiras, pela mão de ambiciosos e oportunistas empresários, com desculpas hipócritas, apressam-se a procurar outras paragens sem o menor escrúpulo pelo clube que, esperançosamente os financiou e promoveu a sua formação. Os exemplos são muitos e bem conhecidos, não só no Sporting mas também no Benfica.
 
Evangelista - alegadamente, sportinguista - deixou este clube de fora da sua crítica, como se não soubéssemos todos que o  contingente de jovens portugueses que apresenta na equipa principal se deve ao grave estado de penúria financeira em que se encontra. Que a atual brisa de ar fresco que parece pairar sobre o clube e o futebol português talvez se deva ao iminente incumprimento daquele face aos seus credores, os efetivos mandantes do futebol, os quais, quem sabe, terão percebido, finalmente, o esgotamento do modelo da batoteira preponderância portista, à vista da inevitável  falência global do futebol nacional.
 
Cerca de dez milhões de euros por ano é o que custa a formação num grande clube!, na altura de colher os frutos pacientemente cultivados, são os empresários e os atletas que, cinicamente ofendidos, se apressam a recolhê-los, deixando os clubes de mãos quase a abanar. Para bem do jogador Português, do futebol nacional e do senhor Evangelista! Ter-lhe-á ocorrido que, moderando os salários talvez fosse possível maior recrutamento de jogadores nacionais?...provavelmente não, ou, se ocorreu, logo se levantou o argumento do mercado, ou seja; o atleta pode jogar com o mercado, já o clube não!
 
Desconhece Evangelista que, apesar dos contratos, os clubes se tornaram, hoje, reféns dos jogadores, estes aplicando-se como lhes convém e ao seu empresário?, estabelecendo compromissos secretos, por ilegais, com quem quer que seja, incluindo rivais do clube de origem, a troco de maior estipêndio? No entanto, se, efetivamente, se pretende - e deve - valorizar o jogador nacional, torna-se necessário proteger o clube formador. Que faz o sindicalista, para moderar esta situação?, nada!, que eu saiba. Porém, protagonismo não lhe falta.
 
Perceberá Evangelista os danos na formação e na promoção do jogador nacional causados pela subjugação do futebol aos interesses do Porto e dos clubes do norte em geral, em detrimento de todos os outros?, perceberá que o hiato na formação do Benfica se deve, em última análise, a essa circunstância?, perceberá que o definhamento do Sporting tem muito a ver com ela?, percebendo, que contributo tem sido o seu para contrariar o atual estado de coisas?
 
Não devemos, porém, ignorar as consequências da integração no espaço europeu, da qual emerge o conceito de cidadão europeu, cujas inevitáveis consequências se traduzem - por enquanto - na relativização dos nacionalismos e, por extensão, dos clubes nacionais. Como testemunho disto mesmo, assistimos, cada vez com maior frequência e sem espanto, ao recrutamento de jovens formandos nos clubes nacionais por parte dos colossos europeus.
 
Claro que aqueles, devem apostar mais nos jogadores portugueses...mantendo-se solventes e competitivos. No atual contexto, é uma tarefa que extravasa em muito a sua competência.
 
Não é assim Sr Evangelista?
 

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

domingo, 19 de janeiro de 2014

Benfica-Marítimo; 2-0

Eusébio branco?, não sei, mas lá que há algumas semelhanças é verdade, como bem ilustra a foto.

Oblak é o GR que o Benfica procura há vários anos!, com ele, a história do final da época passada teria sido outra.
 
Como se esperava, Hugo Miguel fez asneira da grossa; não assinalou fora de jogo no lance que precedeu o 2º golo, não assinalou uma GP clara contra o Marítimo, mostrou indevidamente o amarelo a Markovic e ofereceu vários lances ofensivos ao Marítimo assinalando erradamente várias saídas de bola. Lembremo-nos que é graças a ele que o Benfica tem menos dois pontos do que devia - estaria agora a 5 pontos do Sporting.
 
O Benfica foi uma equipa laboriosa solidária, racional e arguta; na primeira-parte e no final da segunda, empurrou o adversário para o seu meio-campo baixo onde este se acantonava com muitos jogadores muito próximos entre si, e, depois de alguns ameaços, acabou por fazer o primeiro tento numa potente recarga de pé esquerdo de Rodrigo, que não pede licença para rematar nem se perde em inúteis rodriguinhos frente à baliza.
 
O Marítimo é uma boa equipa e o Pedro Martins é um bom Treinador, mas, lá está; bloco baixo, chegando a apresentar seis defesas em linha e dois trincos!, esta postura é invariável nos jogos com o Benfica e enquanto for dominante não atrairá mais público nem mais investidores ao futebol nacional. Apesar disso não se coibiram, os maritimistas, de atacar coletivamente sempre que recuperavam a posse da bola; ficaram-me na retina dois belos lances, um na primeira parte com um remate colocadíssimo de Eldon ao primeiro poste a que Oblak correspondeu com soberba defesa, outro já na segunda parte num remate frontal - não fixei o autor -, mais uma vez desviado sobre a barra, em grande estilo, por Oblak.  
 
Lima trabalha muito para a equipa mas continua desinspirado no momento da concretização, tendo desperdiçado uma bela oportunidade, rematando à figura do GR, quando se encontrava isolado. O que faltará?, um golo?, condição física?, conhecimento é que não é.
 
Fejsa esteve bem tal como Enzo e Gaitan, não se tendo feito sentir a falta de Matic. De recordar o tremendo remate de cabeça do Enzo a cruzamento de Maxi - salvo o erro -, desviado pela trave. Entrou bem o Ruben, a dar mais solidez e criatividade ao meio-campo, num período de grande assédio do Marítimo, que assim, teve que se preocupar mais com a sua baliza. Gomes e Cavaleiro ainda fizeram uns minutinhos para aquecer e animar.
 
A defesa esteve bem, à exceção do lance em que Maxi perdeu a posição para Eldon e quase deu golo. Não há dúvida que Siqueira manda na esquerda e Maxi está a recuperar a forma, tal como Luisão - com cortes soberbos - e Garay. Oblak  inspira confiança e isso otimiza o desempenho de toda a equipa. Um grande reforço, sem dúvida!
 
Lima, Rodrigo e Markovic  formam um trio ofensivo muito dinâmico e criativo ainda em busca do melhor sincronismo, deixando boas perspectivas para o futuro tendo ainda em conta a inclusão de Cavaleiro.
 
Não há dúvida que a equipa do Benfica está mais madura e confiante, adotando os modelos de jogo mais adequado a cada período, gerindo o esforço, embora seja necessária maior segurança na fase passiva bloqueando o adversário mais longe da sua área.
 
Muito bem; sobriedade e eficácia.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Benfica-Leixões 2-0

Vitória simpática contra o histórico e popular Leixões,  que no passado remoto foi berço de excelentes jogadores, entre os quais se destacou o talentoso extremo Praia, que viria a alinhar ao serviço do Benfica.
 
Jogo rasgadinho, sob grande aguaceiro, mostrando um Leixões aguerrido e bem arrumado em bloco baixo, soltando-se ofensivamente com amplitude sempre que recuperava a posse do esférico. O Benfica, como convinha, rodou jogadores menos utilizados que deram, bem, conta do recado batendo-se com empenho, aqui e ali com pinceladas de bom futebol. Tal foi o caso dos lances de golo, ambos de bom recorte técnico, com destaque para o segundo, numa excelente jogada coletiva culminada com o poderoso remate de Cavaleiro após primorosa simulação sobre um adversário. Também o primeiro golo resultou de lance coletivo na sequência de um livre indireto onde Djuricic, mais uma vez, mostrou sagacidade ao rematar forte e colocado a tempo de evitar a entrada dos dois defesas que tinha pela frente.
 
Artur mostrou alguma ansiedade inicial numa fífia que poderia ter sido fatal, Vitória ia molhando a sopa num remate acrobático de costas para a baliza a que o guardião contrário respondeu com excelentes reflexos, John deambulou pelos flancos debitando boas assistências entre elas a do primeiro tento e Cavaleiro mostrou os argumentos que já se lhe conhecem, força, técnica, coletivo e decisão. De resto, em geral, todos estiveram bem, exceto nalguns descuidos defensivos.
 
A equipa de arbitragem não parece ter feito avaria e, disse Jesus, haver algo errado com o relvado.