Desporto

sábado, 6 de dezembro de 2014

Remotas razões do declínio de Portugal

      A expulsão dos Judeus decretada por D. Manuel I com o propósito da unificação religiosa do reino, traduziu-se na transferência maciça de capital, conhecimento e iniciativa para o exterior, em especial para os países baixos; os que mais lucraram com a nossa epopeia marítima. Os Judeus, entre os quais os portugueses, destacaram-se não só nas artes e na ciência mas também no artesanato  que difundiram por vários continentes graças às redes familiares e ao domínio dos transportes marítimos.  Obrigados à conversão ou expulsão, privados à força de seus filhos menores entregues sem piedade a famílias de cristãos-velhos para deles receberem "boa" educação, desalojados - os "convertidos" - de suas casas e realojados de forma a serem "fiscalizados" e denunciados quotidianamente por aqueles, os descendentes dos Judeus portugueses merecem um pedido de desculpas do Estado em nome de todos os portugueses honrados e viabilização da atribuição da cidadania portuguesa aos que a pretenderem. Também nós, portugueses, fomos vexados com este gesto do Rei de Portugal. 

      Quem sabe se não vem daqui a provinciana invejazinha, a denuncia malévola, o intriguismo, o elitismo pacóvio tão característicos da sociedade portuguesa e  que mantêm o país nas malhas do anacronismo. Recordo, a propósito, o caso dos "Mouros" mortos ou expulsos pelos "cristãos" de Lisboa na sequência da peste bubónica, que no século XIV  semeou a destruição, morte e fome, por toda a europa, culpando-os do "castigo divino", afinal, invejosos da prosperidade económica das suas laboriosas e engenhosas comunidades.

      Ao invés de ignorar a nossa História como é apanágio da ordem instituída, é necessário conhecê-la, aprender com ela e expurgar velhos atavismos que bloqueiam uma velha nação em busca de novo rumo.

 
(Créditos a João Miranda em Blasfémias)
 
Patrick Drahi, judeu sefardita (de acordo com a Lei Orgânica n.o 1/2013 o governo pode conceder nacionalidade portuguesa a judeus sefarditas descendentes de judeus expulsos de Portugal). É o maior accionista da Altice.

Gente que honra Portugal


Armando Pereira, português do Minho, emigrou para França com a 4ª classe. É dono de 30% da Altice, empresa que quer comprar a PT Portugal à Oi por 7400 milhões de euros.

(Créditos a João Miranda em Blasfémias)

A Destreza das Dúvidas: Excelente artigo de André Azevedo Alves

A Destreza das Dúvidas: Excelente artigo de André Azevedo Alves: Estando quase de certeza  a violar alguma lei com que o André Azevedo Alves não concordará, diga-se, transcrevo quase na íntegra o seu artig...

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

GIUSEPPE DI STEFANO "Nessun dorma" Turandot

Banco bom, banco mau, Estado péssimo, Europa madrasta

      O caso BES continua a fazer correr muita tinta e muitas lágrimas, pairando a incerteza quer quanto ao impacto na economia nacional, quer quanto ao desfecho no apuramento de responsabilidades, quer quanto à legalidade da solução adotada.
 
      Mais que as estafadas declarações de princípios com que somos brindados quase diariamente pelas elites, são os factos que revelam o que verdadeiramente interessa. O caso BES é exemplar. 
 
      Declarou o Governador do Banco de Portugal não possuir, apesar dos cerca de seiscentos funcionários qualificados- salvo o erro -, capacidade para fiscalizar com eficácia a atividade dos  seus supervisionados! Agora considera, tal como o BCE, competir aos acionistas, investidores  e alguns depositantes, a assunção dos prejuízos dos "seus" bancos. Justificam-no, enternecedoramente, com a necessidade de proteção dos contribuintes, martirizados com tenebrosos casos precedentes. Ouvi até um distinto comentador referir que os acionistas são os primeiros responsáveis, como se fossem todos iguais. Ou seja; o BP, com centenas de técnicos qualificados não consegue perceber as contas dos bancos sob sua alçada apesar dos doze testes de stresse efetuados não se coibindo, ainda assim, de afiançar publicamente a solidez do banco em causa! Parece cómico mas não dá vontade de rir.
 
      Não, não dá! sobretudo porque, afinal, o BP e o BCE, consideram o investidor e aforrador responsáveis...só pelos passivos! 
 
      Não sei que nome dar a isto, mas, se não é ilegal, não vivemos num Estado de Direito. antes, num regime totalitário, dirigido por "chicoespertos" que desprezam os simples cidadãos mesmo quando afirmam tudo fazer por eles.
 
      Muitos dos infelizes acionistas e aforradores são gente simples que, confiantes, aplicaram as suas poupanças na perspetiva de um futuro menos sombrio. Por outro lado, arcando o sistema bancário com os custos de eventuais défices do fundo de resolução, sempre arranjará forma de os fazer passar para os clientes...simples contribuintes. Com uma ajudinha do BP não será difícil, pois não?
 
      Não sei qual o montante do "buraco" no BES, mas todos sabemos que "a família" andava em litígio há cerca de um ano. Tal parece não ter preocupado os supervisores. Sei que não interessa ao atual Governo financiar directamente o banco falido para não dar trunfos à oposição em vésperas das legislativas. E sei que milhares de contribuintes ficarão sem  os seus empregos devido à queda das empresas do grupo BES indo engrossar as filas da Segurança Social com o contribuinte a pagar a correspondente fatura.  É fatal como o Destino!, não falha! E sei que não era esta a solução preconizada por Vitor Bento, miseravelmente instrumentalizado neste processo.
 
      Assim se destrói o mais precioso bem de qualquer regime; a confiança. Os que viveram por dentro ou a distância este drama jamais irão confiar nas instituições do Estado, eufemisticamente designado de Direito Democrático. E não é assim que se constrói o progresso para todos.

      Novo regime, antigo regime...mudaram as elites!
     

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Académica-Benfica (0-2)

   Passámos no "exame" que é o que mais interessa, embora com "suficiente". Valeram os golos, especialmente o primeiro pela excepcional qualidade do lance que lhe deu origem. Um daqueles lances que leva os adeptos ao estádio e que caracteriza a cultura desportiva do Benfica, neste caso, protagonizada por Enzo Perez e Nicolas Gaitan. Muita luta, com algumas entradas maldosas por parte dos academistas, que "deram o litro", apesar de não terem criado grande perigo. Do lado dos encarnados continua a fazer-se sentir alguma falta de consistência no meio-campo e, sobretudo, necessidade de maior contundência no eixo do ataque. Esperemos melhorias várias a breve trecho. 
 
      Infelizmente, a Académica de Coimbra, com a sua colagem ao lóbi portista, perdeu o capital de simpatia de que era credora pela lealdade e alta qualidade de futebol que praticava.
 
      Parece que o golo de Luisão foi irregular - ainda tenho dúvidas. Sendo verdade, é caso para exigir rigor na classificação dos árbitros...mas em todos os jogos. A propósito, voltou o velho padrão aos jogos do Porto, desta feita com o Rio Ave, em que os generosos 5-0 de Benquerença, só por má fé relativizam os graves incidentes técnico-disciplinares do árbitro da partida.
 
      Desconhecendo em concreto o motivo da carga policial indiscriminada  com que, mais uma vez, a PSP "brindou" os adeptos do Benfica, pareceu-me esta tão desproporcionada,  que chego a pensar se não terá sido encomendada, tendo em conta a cultura de hostilidade que é promovida nalgumas latitudes relativamente aos benfiquistas. 
     

O pavor da esquerda

4R - Quarta República: Optimismo dos Consumiores e Conta Externas Positiv...: Numa época em que a tendência largamente dominante dos sabores mediáticos parece ser no sentido de recuperar teses que há mui...

sábado, 29 de novembro de 2014

O que é o futebol, hoje?

      Algo entre a genuína paixão do adepto e a sofreguidão insaciável  de dirigentes, empresários e jogadores nos quais é difícil descortinar o fascínio que a arte deste desporto comporta. O valor de um atleta já não reside na beleza intrínseca dos lances que proporciona mas no valor monetário que encerra. "É preciso trazer dinheiro novo para o futebol", dizem os altos dirigentes, não percebendo que tal resulta da incapacidade deste se bastar a si próprio. Todo o dinheiro é benvindo, não importa donde desde que sejam salvaguardadas as aparências. E ele vem de toda a parte, da China, da Rússia, dos EUA, do México, do sector energético, do jogo....Os oligarcas compram clubes e transacionam atletas, compram afetos na busca do reconhecimento social que não conseguem pelo simples exercício da sua atividade de origem. Chegamos ao absurdo de assistir a jogos entre equipas cujos clubes têm o mesmo proprietário ou o mesmo financiador, como aconteceu ontem na 1ª Liga inglesa,  ficando o espectador sem perceber o que efetivamente se passa no terreno de jogo quando o avançado remata ao lado, o guarda-redes não chega á bola, o médio falha um passe, ou o árbitro assinala uma grande-penalidade, um fora-de-jogo ou invalida um tento.  Inicia-se - na verdade iniciou-se - a decadência, com jogadores, empresários e dirigentes a engordar as respectivas contas bancárias, e os clubes a definhar, iludindo-se os seus dirigentes na teia do endividamento, da multiplicação de jogos e no fervor dos "exigentes" mas ingénuos adeptos que pouco a pouco acabarão por se afastar, desiludidos e descrentes mas indiferentes às consequências do seu abandono.
 
      Por tudo isto não me causaram espanto as críticas do Presidente da Federação Alemã à FIFA, decorrentes do escândalo da atribuição dos próximos mundiais ao Qatar e à Rússia, nas quais chegou a recomendar à UEFA  o seu afastamento daquela organização. Na verdade, a FIFA age à rédea solta, parecendo não prestar contas a quem quer que seja, como se fosse um autêntico Estado; com leis, tribunais e receitas próprias, indiferente às denúncias que, cada vez com mais frequência, brotam um pouco por toda a parte. Tal circunstância transmite a ideia de impunidade constituindo um incentivo à prática da corrupção em toda a estrutura do futebol. Não é, pois, só a FIFA que merece crítica, também a UEFA e as federações nacionais suscitam as mais sérias desconfianças, nomeadamente pelo patente empenho no fomento do elitismo clubista. Nem a UE escapa; empenhada na defesa da livre circulação de pessoas e bens, parece não reparar ou não se interessar pelo drama dos clubes intermédios, que, para fazerem face à violenta sucessão de jogos e competições e à inevitável rotação de atletas, têm que sobredimensionar os seus quadros, comprometendo o hipócrita "fair-play" financeiro e a competitividade desportiva em benefício dos "tubarões" que com seus previsíveis ronaldos e messis, acabarão por saturar o adepto do futebol, menos interessado em artistas de circo, do que em mágicos da bola, de facto.
     
       A realidade atual do futebol português, apesar da convergência inesperada entre Benfica e Porto, suscita as maiores reservas, já que, a pré-falência da Liga se deveu ao afastamento cúmplice ou cobarde dos seus patrocinadores perante um projeto que visava a irradicação da doença que o devora e que tem raízes profundas num regime político anacrónico, claramente em fim de prazo.
 
      Quanto a mim, confesso que tenho dificuldade em acreditar no que vejo tal como parece ser desde que comecei a observar o lado oculto do futebol, seja a partir do célebre "Golpe de Estádio" de Marinho Neves, do "Máfia do Futebol" de Declan Hill, do caso da fruta ou a partir dos relatos dos casos dos manipuladores de de Singapura. Nada me parece ocasional e espontâneo. Pode ser defeito; admito. 
 
      Por exemplo, o Guimarães ganhou ontem ao Moreirense, segundo crónica do CM, graças a uma grande penalidade mal assinalada e a uma invalidação polémica de...Cosme Machado de um golo que seria o do empate, já no final da partida! Com esta vitória ascendeu o Guimarães, provisoriamente ao 1º lugar, pressionando o Benfica que regressa desgastado e desmoralizado pela derrota com o Zénit. Ora, os erros acontecem, é verdade, mas alguns dão que pensar; o FCP, tem sempre uma "lebre", para desgastar o seu principal rival, o Benfica. Desta vez é o Guimarães, que, rivalizando com o Braga, de candidato à descida na era anti-porto, passou à de candidato ao título na fase pró-porto subsequente. Por coincidência, o Secretário de Estado do Desporto e Juventude é Vimaranense e distinguiu-se pelo silêncio relativamente à demora da resposta da ERC à queixa da Liga contra a Olivedesportos e por fazer aprovar a Lei de Bases da Federações Desportivas que funcionou como "espada de Dâmocles" relativamente à Liga e aos clubes não afetos ao "sistema".  Também por coincidência, o Presidente do Guimarães foi um dos candidatos à sucessão de Mário Figueiredo alinhado com o grupo dos contestatários ao lado de Pinto da Costa.
 
      Por outro lado, quando observamos, na comunicação social, notícias de envolvimento de instituições governamentais, regionais ou municipais no financiamento, direto e implícito, dos "seus" clubes de futebol, percebemos que, nas quatro linhas, ocorrem fenómenos bem distintos do simples jogo da bola que, de fascinante, se torna entediante.

CORRUPÇÃO NO FUTEBOL PORTUGUÊS