terça-feira, 19 de maio de 2015
Rescaldo de um título improvável
Em primeiro lugar, no balanço desta época, há a realçar e capacidade de decisão e grande coragem da Direcção do Benfica; perante a profunda e inesperada alteração do modelo de financiamento - falência do BES e dissolução do fundo de investimento Benfica Stars Fund - não hesitou em alienar as principais pérolas do clube, para desgosto de todos os adeptos, para obter os fluxos financeiros necessários aos compromissos da época. Um ato próprio dos gestores de topo, numa atividade tão volátil como é o futebol.
Mas o grande vencedor da época foi o Treinador!, sobre os seus ombros caiu a espinhosa responsabilidade de reconstrução de uma equipa campeã destroçada, após debandada de vários jogadores nucleares; Oblack, Garay, Siqueira, André Gomes, Rodrigo, Cardozo e depois Enzo Perez! Uma empreitada capaz de fazer soçobrar qualquer um!, mas não Jorge Jesus!, pacientemente, sagazmente, apoiando-se na Direcção, apesar dos parcos recursos, lá foi reconstruindo a equipa em plena competição. Proporcionou a Jardel, Eliseu, Samaris, Pizzi e Talisca uma boa integração, com adaptações e ganhos de competitividade coletiva, graças sobretudo à consolidação do modelo de jogo já assimilado pelos restantes elementos da equipa, apesar de terem subsistido algumas lacunas até final da prova. Ainda houve a clarividência de contratar Júlio César e Jonas que trouxeram enorme estabilidade e eficácia ao coletivo. Jorge Jesus, aguentou o balanço sem queixumes, reconstruiu a equipa em plena prova e a ganhar, tomando decisões difíceis, nem sempre consensuais. Soube unir os jogadores, e este foi o seu grande trunfo!
Sob a batuta de Luisão - desde Coluna nunca fora tão patente a influência dum Capitão na equipa - os jogadores foram heróis; humildes, uniram-se e lutaram abnegadamente, com erros às vezes, com exuberância algumas outras, conscientes das suas limitações foram pragmáticos e fizeram emergir as sinergias que constituíram a mais-valia que viria a justificar o título. O momento chave da época foi o jogo com o Sporting em Alvalade e o golo de Jardel ao cair do último olé. O Benfica era já cadáver, mas não completamente, havia ainda aquela algo lá no fundo, o inconformismo dos vencedores, que fez a equipa ir à procura do empate. Jardel foi o rosto dessa abnegação que foi assimilado por toda a equipa. Então, acreditei pela primeira vez, que o Benfica podia ser campeão. E foi!
Júlio César era uma incógnita; temia-se o efeito do fracasso do Brasil no mundial. Ainda por cima veio lesionado! Ao terceiro jogo percebeu-se que estava ali um guarda-redes de eleição e um líder, daqueles que os adversários respeitam! A equipa estabilizou e soltou-se, e nós esquecemos o promissor Oblack. Talisca teve uma entrada fulgurante, colmatando bem a saída de Cardozo, numa aposta de alto risco, e Jonas trouxe maturidade, dinâmica e técnica ao ataque, fazendo subir os níveis de eficácia na concretização. Até então, Lima, sem desfalecer, fazia as despesas do ataque. Lesões foram demasiadas e de longa duração; Fejsa, Amorim, Sálvio, César, e as habituais exclusões por acumulação de amarelos também não faltaram. As habituais e pacóvias provocações dos que já cantavam de poleiro alavancadas pela comunicação social estiveram na ordem do dia até ao derradeiro momento. A tudo resistiram e venceram; foi a vitória do talento, da humildade e da união. À Benfica!
Veremos agora o que vai acontecer, mas esta equipa necessita de fortalecer a ala esquerda, de reforçar a criatividade e o pulmão do meio-campo e de melhorar a meia-distância, bem como de alternativas para algumas posições.
Espero que este trabalho esteja já a ser feito.
Não se esqueçam do velho aforismo; quem vai ao mar, avia-se em terra.
domingo, 17 de maio de 2015
sábado, 16 de maio de 2015
Os prémios de jogo
Consta que os dirigentes do Porto andam por aí numa fona a oferecer prémios de jogo aos jogadores das equipas que empatem ou ganhem à equipa do Benfica, numa desesperada e derradeira tentativa de recuperar o atraso na classificação. Para quem tinha o campeonato no papo antes mesmo de este se iniciar, não deixa de ser patético!
Então, discute-se a moralidade da coisa; uns dizem que é mau, outros, pelo contrário, entendem que é benéfico para a competitividade. Dizem também que os dirigentes do Benfica já fizeram o mesmo. E é verdade que eu ouvi Gaspar Ramos a confirmá-lo há uns anos, num programa televisivo, perante Pôncio Monteiro, onde se discutia o tema a propósito do assédio dos dirigentes portistas aos adversários do Benfica da época.
Hoje mesmo, Octávio Ribeiro, nas páginas do Correio da Manhã, faz a apologia dos prémios de jogo considerando-os incentivadores do espetáculo, uma vez salvaguardados os excessos, nomeadamente quanto ao uso de estimulantes, por parte dos jogadores assediados.
O assunto, porém, merece um pouco mais de atenção. Vejamos; um prémio de desempenho justifica-se quando o profissional em causa excede os compromissos a que se obrigou quando assumiu o correspondente contrato de trabalho. Por outro lado, a vulgarização dos prémios de desempenho pode induzir o profissional a aligeirar o seu desempenho quando aquele não está assegurado, justificando-se com insificiente contrapartida.
Como se vê, a "normalidade" não é assim tão óbvia. Ora, quando o prémio tem origem numa entidade terceira, simultaneamente, concorrente na prova, o caso muda de figura e de que maneira! Nunca se saberá o que o prémio de jogo, efetivamente paga; se a vitória sobre o rival direto, se eventuais facilidades num jogo anterior ou num jogo futuro. Este é que é o busílis da questão!
O espectador infere haver algum tipo de conluio entre os clubes em causa e desconfia da veracidade não só dos jogos que os envolvam, mas também de todos os outros, assumindo que se trata de uma prática corrente. Os lances em que um jogador comete erros grosseiros e vitais deixam de ser vistos como furtuitos desmobilizando o espectador! Não é isto óbvio?, Para Octávio Ribeiro não, mas o CM já nos habitou ao espetáculo diário da sua "cruzada" antibenfica.
Conclusão; prémios de jogo originários na entidade patronal, preferencialmente definidos no vínculo contratual, sim. Prémios de jogo promovidos por concorrentes, não!
Com prémio ou sem prémio,
FORÇA BENFICA!
C'est tout
quinta-feira, 14 de maio de 2015
Cockteil parolo
Num pedantismo comovente, um senhor do Vitória de Guimarães - de que não fixei o nome -, advertiu publicamente, esta semana, não se percebe bem quem do universo benfiquista, para a não realização de festejos no estádio e no torquel considerando-os desde logo um ato provocatório, por inadequado, numa cidade onde não há filiais de qualquer dos grandes clubes. Logo de seguida, outro arauto vitoriano, certamente da "guarda pretoriana" avisou eventuais celebrantes para o risco que a celebração representará para eles, se tal ocorrer na "sua" cidade de Guimarães. Uma encenação patética a fazer lembrar as velhas cidades do Oeste Americano de há 200 anos, frequentemente subjugadas pela força por um qualquer bando de patifes, devido à ausência de lei, característica da colonização daquela região. O paralelismo existe, apesar de excessivo, concordo.
A democratização do país, a descentralização da administração pública e a perspectiva de regionalização, induziram certas pessoas na convicção errónea de que são donos das suas cidades e nelas podem fazer valer as suas leis informais, explícitas ou implícitas, excluindo, perseguindo e agredindo quaisquer dissidentes. Porto, Braga e agora Guimarães são os casos mais evidentes, mas não únicos, de utilização dos respetivos clubes de futebol para afirmação política regional ou local. Diga-se porém, em abono da verdade, que daí não viria mal ao mundo, não fora o condicionamento espúrio da liberdade de escolha dos respetivos cidadãos. Então, naquelas cidades, todos os que não forem, respectivamente, portistas, bracarenses ou vimaranenses são indesejados, às vezes perseguidos e até agredidos? Num país cuja lei fundamental exclui todas as formas de descriminação e contempla a liberdade de expressão e associação, ameaçam-se todos os que assumirem cores diferentes das dos clubes das respectivas terras? Um absurdo!
Num país que autoriza o casamento gay, o aborto, a mudança de sexo, a liberdade religiosa, não se pode ser benfiquista naquelas cidades? Claro que sim! Custe o que custar, porque..."não há machado que corte, a raiz ao pensamento, porque é livre como o vento, porque é livre.... O Benfica é um clube de homens livres, por isso, senhores, deixem de se pôr em bicos de pés como que a dar "prova de vida" apenas porque o Grande Benfica vos visita. Fazem figuras patéticas!
E, mais uma vez, como que saído das páginas de "O Malhadinhas" lá veio o afamado "Bruxo de Fafe" dar fé das suas mezinhas contra o Benfica encomendadas por sofredor rival, supõe-se, numa derradeira e penosa tentativa de mobilizar forças ocultas para reverter a classificação em seu favor. Pela mão do Correio da Manhã, que, desde sempre, não perde uma oportunidade de tentar induzir instabilidade na equipa encarnada, indiferente ao seu consequente descrédito.
Et voilá!
Concentração, determinação, inteligência, talento e humildade são os ingredientes da vitória...e estão lá todos, na equipa do Benfica.
Para a frente Benfica!
Um por todos e todos por um!
(Aguarela de Alfredo Jorge Gameiro)
(Aguarela de Alfredo Jorge Gameiro)
domingo, 10 de maio de 2015
Só mais um!
Bateu-se muito bem a equipa de Penafiel, apresentando um futebol aguerrido e bem estruturado táticamente, ocupando todas as zonas do terreno, pressionando alto, procurando trocar bem a bola, com amplitude e precisão. À imagem de Carlos Brito, afinal. Uma equipa atrevida que logo nos momentos iniciais provocou algum frisson.
Mas foi nos minutos iniciais que Lima marcou o primeiro do Benfica, num fulminante remate de cabeça a centro de Máxi que se havia esgueirado pela direita. Seguiu-se Jonas, com um golo à Jonas, desta vez a cruzamento de Sálvio. Foram os tais vinte minutos à Benfica! E vieram, o terceiro, novamente por Lima, com uma bela revienga ao guarda-redes, e o quarto, por Pizzi, com um remate manhoso e frontal, a dar sequência ao passe de lima desde a linha de fundo. E o Benfica não marcou mais porque "a maré encheu", ou seja, a equipa "tirou o pé do acelerador", aproveitando para rodar alguns jogadores, Amorim, Talisca e Ola John e prevenindo lesões e mais amarelos.
Pois, mais amarelos!, Máxi e Samaris, por imprudência, ficam de fora no próximo jogo graças às provocações não inocentes de um "artista" penafidelense que rendeu um amarelo a cada um.
Muito bem Júlio César e Jardel a negarem o golo de honra ao irritante Raviola, que deveria ter sido expulso por agressão a Luisão.
Lima e Máxi foram os homens do jogo e Jonas encostou ao Jackson.
Vamos ser campeões já em Guimarães!
quarta-feira, 6 de maio de 2015
Tejo que Levas as Águas

Os trabalhadores dos impostos vão receber 5% do montante das cobranças coercivas de processos de execução fiscal instaurados em 2014 pelos serviços da Autoridade Tributária e Aduaneira (AT), segundo um diploma publicado esta segunda-feira. Contas feitas, é um prémio de 57,4 milhões de euros que vai ser distribuído pelos trabalhadores." (TVI 24)
Deixando de parte a discussão dos prémios como incentivo ao trabalho, este assunto cai muito mal entre a população, que, na generalidade, vive num contexto de angústia profunda; redução de salários, incerteza no emprego, desemprego, aumento de impostos e encargos com a saúde e educação, agravamento das restrições de acesso às profissões e ao empresariado, familiares com necessidades de apoio, incerteza total quanto ao futuro, etc. Muita gente honrada que, mesmo quando, involuntariamente, acaba por falhar algum compromisso financeiro, ainda que minúsculo, com o Estado ou seus prosélitos, é implacavelmente atirada para a ruína, arrastando consigo familiares, se os tiver, para um turbilhão de degradação física e moral, às vezes para a morte, por um Estado cruel, insaciável devorador de recursos alheios, afinal, o primeiro elo da cadeia do incumprimento; da gestão irresponsável dos dinheiros públicos e omissão dos compromissos assumidos com os cidadão seja no correspondente ato eleitoral seja da lei fundamental.
É por tudo isto que, consciente dos seus próprios excessos e da inevitabilidade do aumento do incumprimento dos cidadãos, o Governo, decide comprar a consciência dos trabalhadores fiscais, aliciando-os com substanciais e espúrios benefícios da respetiva retribuição, a executar o património dos cidadãos em falta, destruindo-lhes a vida. Esta dicotomia entre o progresso económico de uns, do lado do poder, à custa da miséria dos outros, é um sinal de retrocesso civilizacional e de necessidade de mudança. Não de partido, mas de princípios! Basta retomar a Declaração Universal dos Direitos do Homem.
Como é possível que se destruam pessoas boas quando estas mais precisam de apoio, enquanto nas administrações central, regional e local se esbanja injustificadamente, salvo exceções, o sagrado dinheiro dos contribuintes!, Quando assistimos a sucessivas hecatombes de falsos templos económicos, os templos do regime, os templos da "alta intensidade de capital" geridos por Midas ao contrário, dos que transformam o dinheiro dos outros em merda enquanto afirmam o oposto, perante anuência geral!
Há que distinguir entre a evasão fiscal e o incumprimento por força maior, sem perder de vista o sagrado direito de cada um à Liberdade! Combata-se e puna-se o primeiro e seja-se condescendente com o segundo!, não instituindo perdões fiscais aos desafortunados da vida, mas períodos de carência de encargos fiscais e apoio activo de reorientação da vida profissional e familiar até ao restabelecimento da normalidade. Então sim; retomar-se-ão os pagamentos em falta em moldes suportáveis. Isto sim, é próprio dum Estado digno. É este o caminho e não o da subjugação de parte da população para prosperidade da outra parte, como atualmente se verifica.
domingo, 3 de maio de 2015
Livros escolares e política ambiental
"O fim do ano escolar aproxima-se. E milhões de manuais escolares irão em breve para o lixo: um desperdício. Poderiam ser reutilizados, como acontece em toda a Europa, por novos alunos. Mas não! Quem lucra com este esbanjamento? Obviamente as editoras, que dominam o negócio, sem que o Ministério mostre vontade de impor uma nova política. E sofrem as famílias que, no início de cada ano letivo, gastam fortunas na aquisição de livros." (Paulo Morais no Correio da Manhã)
Perante este cenário que se repete ano após ano em que são desnecessariamente destruídos milhões de manuais escolares, onde vão os governantes, nomeadamente europeus, encontrar coragem para o fundamentalismo ecológico que impõem aos cidadãos e empresas? Este é apenas mais um exemplo da falta de credibilidade dos projetos ambientais governamentais, sempre prontos a claudicar perante os poderes dominantes e a esmagar todos os outros.
À poupança direta de emissões de dióxido de carbono que resultaria da reutilização dos manuais escolares, acresce a decorrente preservação florestal e correspondente capacidade de absorção de dióxido de carbono, bem como todas as poupanças de emissões indiretas inerentes ao processo de produção de papel.
Nada que nos surpreenda, se tivermos em conta os atuais ciclos de vida da parafernália de aparelhos eletrónicos domésticos, desde telemóveis aos PCs, passando por televisões, frigoríficos e até automóveis. É caso para dizer que não bate a bota com a perdigota! A retórica ambiental colide com as prementes necessidades de crescimento económico que levam os governos a induzir padrões de consumo cada vez maiores, desacreditando-os.
Por outro lado, temas como a otimização das economias locais e o controlo da população planetária têm sido mantidos fora do debate, revelando falta de coragem e, ou, de boa fé, e, ou de clarividência, acabando por, mais tarde ou mais cedo, efetuar-se o ajustamento natural através da eclosão cada vez mais frequente e intensa de conflitos populacionais, na disputa pelos bens essenciais.
Impõe-se cada vez a reanálise do tema e a reorientação das opções estratégicas em curso.
Nada que nos surpreenda, se tivermos em conta os atuais ciclos de vida da parafernália de aparelhos eletrónicos domésticos, desde telemóveis aos PCs, passando por televisões, frigoríficos e até automóveis. É caso para dizer que não bate a bota com a perdigota! A retórica ambiental colide com as prementes necessidades de crescimento económico que levam os governos a induzir padrões de consumo cada vez maiores, desacreditando-os.
Por outro lado, temas como a otimização das economias locais e o controlo da população planetária têm sido mantidos fora do debate, revelando falta de coragem e, ou, de boa fé, e, ou de clarividência, acabando por, mais tarde ou mais cedo, efetuar-se o ajustamento natural através da eclosão cada vez mais frequente e intensa de conflitos populacionais, na disputa pelos bens essenciais.
Impõe-se cada vez a reanálise do tema e a reorientação das opções estratégicas em curso.
Subscrever:
Mensagens (Atom)



.jpg)