Desporto

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Traição no futebol


In A Mafia do Futebol de Declan Hill

"Franceze foi muito franco: 'A minha opinião pessoal, a de alguém que esteve envolvido no crime organizado e no jogo ilegal é de que é muito fácil de fazer...é muito fácil fazer com que um atleta profissional fique "do nosso lado". Perdíamos imenso tempo a tentar que estes tipos fizessem isso...fazíamos deles o nosso alvo...Porra, na maior parte das vezes eram eles que vinham ter connosco!"
 
"Os Atletas gostam de apostar. Assumem riscos de forma confiante e agressiva. Tudo o que os torna bons Atletas, torna-os bons apostadores...Quando tinham um problema connosco, resolviamo-lo usando-os para fazerem coisas para nós.Púnhamo-los a marcar menos pontos, sabe como é, ou então a jogar um bocadinho abaixo das suas capacidades. Ou então, apenas a darem-nos informações, a contarem-nos o que sabiam."
 
"Podíamos abordá-los ou pô-los na cama com uma mulher. Ela fica grávida ou finge que fica. Isso ia influenciar, imediatamente, o jogo deles. Ou então punhamo-los numa festa até às tantas na noite antes de um jogo."
 
"...havia mensageiros. Eram bons jogadores, bons amigos da equipa. Algumas vezes eram tipos que encontrávamos numa discoteca. O dono ou alguém assim, e andavam em festas connosco durante meses. E então, talvez, diziam alguma coisa. Estes tipos eram essenciais. Tinham que ser tipos com acesso aos jogadores. Tinham que ser tipos em quem os jogadores confiassem. Era a mesma coisa que nos arranjos de criquete. Eram precisas pessoas que pudessem estar em contacto com a equipa. Eram vitais. Tinham que ser pessoas que pudessem ir ver os treinos ou os jogos."
 
"David C. Whelan, um antigo polícia de Nova Jersey e agora professor de Direito Criminal, escreveu sobre o envolvimento do crime organizado na manipulação de resultados no basquetebol universitário. Ele afirma que, no início da sua relação, os arranjadores pagam o "bónus de vitória" aos jogadores de forma mais ou menos regular. Os jogadores vêm os "bónus de vitória" de forma relativamente benigna: ao mesmo tempo, ganham e mantêm a lealdade para com a sua equipa, e mantêm o prémio financeiro que advém do arranjo dos jogos. Contudo, estes pagamentos eram muitas vezes o que Whelan chama de "portais do crime", através dos quais os jogadores entravam na rede de arranjo de jogos quase sem se darem conta.
 
"O que eu faço é ter omeu mensageiro junto ao banco de suplentes, vestido com uma camisola vermelha, se a mensagem for de que devem perder. Quando as equipas entram no campo, ficam junto à linha de meio campo a saudar os espectadores. Quando a minha equipa vê o mensageiro de camisa vermelha, ficam a saber que devem abrir o jogo. Se quizesse que eles jogassem duro, mandava o mensageiro vestir uma camisola azul. Quando os jogadores vêm o mensageiro, devem pôr as mãos sobre o peito, como se estivessem a saudar o público. É o seu sinal para nós dizendo que viram e perceberam a mensagem. Depois não podem dizer que não tinham visto o sinal."
 
"Em geral, os arranjadores de jogos fazem estes pagamentos em duas fases. A primeira trata-se de um adiantamento, ou "dinheiro para café ou para compras", pago antes do jogo. Este é o pagamento que fecha o negócio e garante que o jogador irá colaborar com o arranjo. O pagamento principal, contudo, está reservado para depois do jogo, quando o jogador cumpriu já e com sucesso a sua missão. O local desse pagamento é quase um sítio neutral e distante do mundo do futebol: uma discoteca ou um restaurante."
 
"No dia XX, nesse jogo em Singapura, perdemos. Jogámos abaixo do nosso nível. Fui para o hotel. Nessa noite...o Chieu tinha arranjado quatro prostitutas de luxo para quatro jogadores."
 
Zaratustra:
 
Vem tudo isto a propósito da crónica de Tânia Laranjo publicada no CM em 05.04.2013 na secção de desporto sob o título: "Pepe "traiu" Marítimo. Nela se refere que, na época 2003/2004, meses antes de ser transferido para os azuis e brancos, Pepe terá informado os dirigentes deste clube da estratégia que o seu clube iria adotar no jogo contra os dragões. Refere que, na escuta revelada no CMTV, Pinto da Costa terá dito a Pinto de Sousa - à época Presidente doConselho de Arbitragem da FPF -, que Pepe tinha dito que o Marítimo iria oferecer um elevado prémio de jogo. Apesar de saber que Pepe não jogaria esse jogo, Pinto da Costa, precisava ainda da ajuda do dirigente para dar uma "palavrinha" ao árbitro, comenta Tânia Laranjo.
 
 E é disto que certa gente diz que se orgulha!
 
Os corruptos do século!

terça-feira, 9 de abril de 2013

Os Artistas do Século!





 
 
 


 
 
 
ASSIM VAI O DESPORTO PORTUGUÊS! 
 
Os Artistas do Século!
 
 
A Exemplar Estrutura
 

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Andrés Segóvia e Villa Lobos

  

Prelúdio Nº 1 em Mi m
Do nosso primo Villa Lobos
 
In Wikipédia (editado por Zaratustra):
 
Andrés Segóvia (Linares, Espanha, 21 de fevereiro de 1893Madri, 3 de junho de 1987) foi um guitarrista espanhol. Considerado o pai do guitarra clássica pela maioria dos estudiosos de música, Segóvia dizia que tinha "resgatado o violão das mãos dos ciganos flamencos". Construiu um repertório clássico para este  instrumento o qual passou a figurar nos concertos das grandes salas. Muitos compositores fizeram obras especificamente para ele, como Turina, Villa-Lobos, Castelnuovo-Tedesco e Pedrell. Pablo Casals, considerado o melhor violoncelista de sempre juntamente com a Matosinhense Guilhermina Suchia com quem casou,  foi um grande admirador e apoiador de Segovia.
 
A introdução de Segovia à guitarra foi aos quatro anos de idade; quando era pequeno, o seu tio entoava-lhe canções enquanto ele tocava numa guitarra imaginária. Isso incitou Segóvia a tentar elevar a guitarra para o estatuto do piano e do violino. Em particular, ele queria que a guitarra fosse tocada e estudada em todos os países e universidades do mundo e passar o seu amor por ela para as gerações futuras.
 
A primeira apresentação de Segovia foi em Espanha, quando tinha 16 anos. Poucos anos depois, fez o seu primeiro concerto profissional em Madrid, tocando transcrições de Francisco Tárrega e algumas obras de Bach, que ele próprio transcreveu e arranjou. A sua primeira digressão foi pela América do Sul, em 1916. Em 1924 apresentou-se em Paris e em Londres. Seguiu depois por várias outras cidades na Europa e na Rússia.
 
Embora não fosse aprovado pela família, Segóvia prosseguiu os estudos de guitarra. A sua técnica diferenciou-se das técnicas de Tárrega e dos seus sucessores, como Emílio Pujol. Como Miguel Llobet (que pode ter sido seu professor por um curto período), Segóvia atacava as cordas com uma combinação da unha com a ponta dos dedos, produzindo um som mais preciso do que os seus contemporâneos. Com esta técnica, foi possível criar uma paleta de timbres maior, em comparação com o uso do dedo ou das unhas.
 
Muitos músicos proeminentes acreditaram que a guitarra de Segóvia não seria aceite pela comunidade da música erudita. Aesar disso, a excelente técnica de Segovia e o seu toque único atordoaram plateias. Consequentemente, a guitarra deixou de ser vista estritamente como um instrumento popular passando a ser aceite para interpretação da música erudita.
 
Como progredia na sua carreira e tocava para audiências cada vez maiores, Segóvia constatou que as guitarras existentes não eram adequadas para tocar em grandes salas porque não conseguiam produzir volume de som suficiente. Isso estimulou-o a procurar inovações tecnológicas que poderiam melhorar a amplificação sonora natural da guitarra. Trabalhando a par com o luthier Hermann Hauser, Segóvia, ajudou a conceber a que hoje é conhecida como guitarra clássica, usando melhores madeiras, cordas de nylon e alterando o seu formato..A nova guitarra podia produzir notas com maior volume sonoro do que os modelos anteriores usados em Espanha e noutras partes do mundo, embora fosse ainda baseado no modelo básico desenvolvido por Antonio Torres quase 50 anos antes de Segóvia nascer. Depois de uma viagem de Segovia pelos Estados Unidos em 1928, Heitor Villa-Lobos compôs e dedicou-lhe os "12 Estudos". Segóvia também transcreveu muitas peças eruditas e reescreveu obras transcritas por outros (como Tárrega). Muitos guitarristas nas Américas, entretanto, já tinham tocado as mesmas obras antes de Segovia chegar.
 
Em 1935, fez a estreia da "Chaconne" de J. S. Bach, uma peça difícil para qualquer instrumento (original para violino solo). Mudou-se para Montevideo, fazendo muitos concertos na América do Sul nas décadas de 30 e 40. Depois da II Guerra, Segóvia começou a gravar mais frequentemente e a fazer digressões regulares pela Europa e EUA; uma agenda que ele manteria pelos 30 anos seguintes da sua vida.
 
Segovia ganhou o prémio Grammy pelo Melhor Trabalho Erudito - Instrumental em 1958, pela sua gravação Segóvia Golden Jubilee. Como reconhecimento da sua enorme contribuição cultural, em 1981 foi-lhe atribuido o título nobiliáquico de Marquês de Salobreña. Andrés Segóvia continuou a apresentar-se, já idoso, e viveu uma semi-reforma durante os anos 70 e 80, na Costa del Sol. Dois filmes foram feitos sobre a sua vida e obra - um quando tinha 75 anos e outro 9 anos depois. Estão disponíveis no DVD Andres Segóvia - in Portrait.
 
Segóvia teve muitos alunos durante a sua carreira, incluindo alguns guitarristas hoje famosos como Steve Hackett, John Williams, Rouland Solarese, Eliot Fisk, Oscar Ghiglia, Charlie Byrd, Christopher Parkening, Michael Lorimer, Michael Chapdelaine, Virginia Luque e Alirio Diaz. Muitos outros guitarristas, como Lily Afshar, foram também influenciados pelas históricas master-classes. Estes alunos, entre muitos outros, carregam a tradição de Segovia de expandir a presença, o repertório e o reconhecimento da guitarra.
 
Morreu em Madrid, vítima de ataque cardíaco, aos 94 anos, tendo completado o desejo de transformar a guitarra (outrora um instrumento de dança cigana) num instrumento de concerto.
 
 
Zaratustra:
 
A sonoridade que emana da guitarra de Andrés Segóvia é única, inigualável. Só se o percebe depois de muitas e repetidas audições, descobrindo detalhes surpreendentemente fascinantes em cada nota.


Olhanense-Benfica (0-2)

Mais um obstáculo ultrapassado, com menor dificuldade do que a que era anunciada, especialmente quando se soube da nomeação do àrbitro Hugo Miguel - um dos obreiros do campeão transato - e do alegado jantar do Presidente do Olhanense, na cidade do Porto, no restaurante de um familiar de Reinaldo Teles na véspera do jogo. Ná; ali havia marosca!

Manuel Cajuda é um homem sério e um dos Treinadores que mais sabe de futebol. Ainda por cima é Benfiquista! Temia-o. Acresce que, tradicionalmente temos dificuldades em Olhão, sobretudo depois do estreitamento de relações dos Dirigentes deste clube com os do Porto, que têm procurado transformar aquela cidade num centro de difusão do anti-Benfiquismo, como têm pretendido fazer em Braga.

O Olhanense queria o pontinho da ordem - devia alterar-se o atual sistema de pontuação que atribui 1 ponto às equipas antes mesmo de nada terem feito no plano competitivo -, como tal, montou o autocarro de primeiro andar frente à sua área, fechando os caminhos da baliza graças há sua superioridade numérica dentro e nas imediações da área. Pensei; como é que raio pode o nosso futebol ser competitivo se grande parte das equipas se limita a tentar impedir o adversário de jogar? E como sobreviverá o futebol nestes preparos?
O certo é que, apesar disso, o Benfica criou claras oportunidades de golo inconcretizadas ainda na primeira parte, nomeadamente por Lima e Sálvio. Quanto ao Olhanense, nem sequer fazia pressão alta! Sem bola, todos os atletas recuavam para bem dentro do seu meio-campo. Queriam o pontinho, o pontinho que talvez lhes garantisse o pagamento do resto dos salários e a esperança da manutenção.
A ansiedade ia-se instalando em casa, sobretudo pela desconfiança relativamente ao árbitro, que já tinha perdoado aos de Olhão uma falta para grande penalidade cometida mesmo nas suas barbas e fazia vista grossa ao jogo marginal dos seus atletas.
Foi Sálvio que abriu a muralha com um excelente remate cruzado, saltitante e colocado, efectuado entre três defesas, surpreendendo Bracalli, enquanto eu pedia para endossar o esférico ao extremo direito prevendo, erradamente, a eminência da perda da bola. Um cruzamento tipo carambola de Lima colocou o esférico ao alcance de Matic, que, de pé esquerdo, executou um fantástico remate rasteiro, em arco convexo, fazendo o esférico entrar rente ao 1º poste, para desespero de Bracalli, que bem queria fazer um mimo ao seu clube, o Porto.
Tudo acabou em bem, com mais uma ou duas oportunidades para aumentar a contagem. A equipa está serena, concentrada, consciente das suas capacidades. André Almeida, desempenhou a posição de Melgarejo, sem comprometer.
A eauipa de arbitragem cometeu alguns erros que não tiveram, mas poderiam ter tido influência no resultado!
 

 

Muito bem! Força Benfica!

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Benfica-Newcastle (3-1)

Um bom jogo, uma boa vitória. O Newcastle pratica bom futebol, ao bom estilo britânico; veloz, vertical, pragmático e agressivo. Boa entrada, excelente guarda-redes e um belíssimo golo; movimentação, cruzamento e finalização primorosos.
 
O Benfica apresentou-se com algumas alterações; André Almeida, André Gomes, Ola John e Rodrigo num claro processo de gestão do jogo e do campeonato. Quando, já a perder por 1-0, vi a bola, milagrosamente, bater na base do poste esquerdo de Artur, soube que o empate não tardaria e a vitória não  falharia. É dos livros!
 
Bem se esforçou o guardião contrário com defesas espetaculares, safando dois ou três remates de alto risco, mas foi impotente para travar a recarga de Rodrigo para o merecido golo. Muita luta no meio-campo, com ligeira supremacia do Benfica, bola rondando a baliza do Newcastle, mas...sem passar o risco fatal.
 
Com a entrada de Enzo e Lima, aumentou a dinâmica ofensiva da equipa, escaqueirando por completo a defesa contraria, com vários atletas acusando fadiga extrema. Irresistível, Lima virou o resultado esgueirando-se ao guarda-redes e marcando de ângulo muito fechado. Cardozo fechou com classe  o marcador, através de grande-penalidade indiscutível. Criaram-se mais uma ou duas boas ocasiões de golo - uma delas num cruzamento fantástico de Rodrigo, após excelente lance individual, para Cardozo falhar o tento mesmo à boca da baliza -, infelizmente inconcretizadas. Foi ótimo não ter sofrido o 2º golo, apesar de o Newcastle  o ter tentado com grande afinco e perigo. Para tal contribuiu a opção tática de Jesus ao trocar Cardozo por Maxi, que foi dar uma ajudinha ao Melgarejo sempre muito pressionado.
 
O árbitro não esteve bem! Não se entendem várias decisões que tomou, tendo ficado algumas suspeitas no ar; apenas incompetência, ou algo mais? Nunca se sabe!
 
Muito bem Benfica!

terça-feira, 2 de abril de 2013

FAIR PLAY OU BAD PLAY?


In ABola de 1 de Abril de 2013 por José Manuel Delgado, com vénia ao Indefectível 
Falta de vergonha é o que está a dar

"Perdoem-me a crueza das palavras mas o controlo dos salários levado a cabo pela Liga de Clubes é uma verdadeira palhaçada...

O futebol profissional em Portugal não passa de uma brincadeira de mau gosto. Por culpa dos clubes e do laxismo do Governo. Culpa dos clubes porque não estão preocupados com a viabilidade da competição; laxismo do Governo porque faz vista grossa a uma área que devia tutelar.
 
Alegadamente, os clubes não devem nada aos jogadores, a certificação entregue e aceite pela liga assim o diz. Enganem-me que eu deixo, é a mensagem que chega aos emblemas do futebol profissional, numa conivência com várias tonalidades, cada uma com justificação própria, mas todas a colocarem pregos no caixão da viabilidade da competição.
 
O esquema usado por muitos clubes é simples mas eficaz, tanto mais que ninguém está interessado em confirmar a veracidade das declarações entregues. Periodicamente, os futebolistas, amiúde sob coação dos clubes, assinam documentos dizendo que têm os salários em dia. Tenham ou não, os jogadores - que são o elo mais fraco - sem alternativa laboral a meio da época, preferem acreditar no Pai Natal dos clubes, contribuindo para faz de conta que também conhece o beneplácito do seu Sindicato. Ou seja, é uma teia de cumplicidades - liga, Clubes e jogadores - que perpetua a mentira e leva a situações aberrantes como a que é vivida atualmente no Olhanense. E parece que ninguém se importa realmente com o caso...
 
Na próxima jornada, o Olhanense recebe o Benfica, numa partida importantíssima para o título e para a manutenção. Não se sabe se os algarvios vão usar os jogadores profissionais ou se recorrerão aos juniores porque, entretanto, os profissionais entregaram um pré-aviso de greve por falta de pagamento dos salários, algo que entra em contradição com as declarações depositadas na liga. Uma mentira, uma vergonha, um despautério. O rei vai nu. A I liga, com 16 equipas, é uma mentira e estar a falar em passar para 18 concorrentes (se o Boavista vier a ser reintegrado...) é o cúmulo do disparate. Meus senhores, acordem! Portugal, já com muita boa vontade, não tem capacidade para sustentar uma Liga profissional com mais de 12 clubes. E se esses 12 clubes disputarem duas fases, uma entre todos e outra para os seis melhores e seis piores (o que perfará 32 jogos) talvez se encontrem meios para sustentar uma competição a sério, verdadeira e, ao contrário do que hoje acontece, honesta. Porque a mentira chegou ao auge. Na Liga portuguesa há clubes que não pagam aos jogadores e estão bem classificados e outros que têm tudo em dia e arriscam-se a descer de divisão. Pior não pode ser e anda tudo a assobiar para o lado como se não fosse nada.
 
A pergunta de um milhão de dólares é a seguinte: Há alguém interessado em colocar tudo isto no são ou é mesmo para continuarmos no reino da pouca vergonha?
 
 
Comentário Zaratustra:
 
Creio que o termo "bandalheira" é muito mais apropriado para designar o atual estado do futebol nacional do que o de "brincadeira de mau gosto" usado por JMD. Arrisco-me a ganhar "o milhão de dólares", afirmando a minha convicção de que, os crónicos poderes dominantes têm interesse em manter o atual estado do futebol. Como sabemos, o "Pai Natal" de que fala Delgado , tem rosto. Quem controla a transmissão dos direitos desportivos, adquire-os aos clubes insolventes por tuta e meia para depois os revender com ganhos substanciais acumulando capital que, por sua vez lhe permite consolidar e perpetuar este domínio. 
 
Até o Benfica foi capturado neste esquema, do qual está prestes a libertar-se, não sem antes ter pago elevado preço económico e desportivo, perante o ódio de alguns e a covardia de muitos. Porque este "Pai Natal" está vinculado a um dos concorrentes e usa o seu poder financeiro para controlar o desempenho desportivo dos adversários deste, de forma a beneficiá-lo. Os clubes insolventes ficam demasiado vulneráveis aos eventuais pedidos de fretes desportivos dos seus financiadores. Não é assim? Ah; mas não há provas! Pois; se calhar não. Se calhar não interessa procurá-las. Se calhar porque a  cumplicidade e o descaramento vão muito longe nas hierarquias dos múltiplos poderes. Pois é! Porém, há algo que nenhuma manigância consegue superar; a capacidade de observação, análise, dedução  ou simples intuição dos adeptos. Pressente-se o mentiroso antes de compreender a mentira. Não é assim JMD?
 
Claro que o modelo que JMD é o mais adequado para propulsionar o futebol desde que comulativamente com o expurgamento das sanguessugas que vêm esmifrando os clubes; mercadores de direitos de transmissão, empresários, financiadores, agentes de segurança, etc. Governos, UEFA e FIFA, são os grandes responsáveis por esta "cégada". Mas a que propósito se condecora um empresário por mérito desportivo ou afim? Afinal, o empresário vive dos clubes; absorve parte substancial da mais-valia da transações, inflaciona os salários, induz instabilidade desportiva permanente, necessária - pois claro - à promoção de novas transações! E assim por diante! Quantos atletas se terão sentido vexados perante a indiferença dos poderes públicos aos seus feitos no terreno de jogo ao terem conhecimento dos galardões que aqueles  se apressaram a atribuir aos mercadores de atletas? O lado sórdido do futebol tem vindo a sobrelevar de forma clara a sua vertente sã que a todos fascina. Até quando?
 
António Barreto

O CÚ DOS POBRES!

 

 
Um sarcástico poema de um "velho Lobo do Mar", amigo, conterrâneo e colega, de seu nome, Joaquim Romão:

 

Bananolândia (2)
(As campanhas eleitorais)

Todo o santo dia
Só ouço apregoar
Democracia, democracia !!!
Mas vejo a vida a piorar

Tomam de assalto os jornais
A rádio e a televisão
Dão canetas, aventais
Estendem-nos todos a mão

Nós temos a solução
Dizem a todo o momento.
Após o voto na mão:
“palavras” leva-as o vento      porque:

Quando chegam ao “poleiro”
Todos !!! de igual modo
Coletam o nosso dinheiro
E dão cabo-dele-todo

No parlamento então
Para não chorar, é de rir !!!
Sempre “os mesmos” na “oração”
E os outros a dormir

Os discursos e restolhos
Que fazem na “assembleia”
São p’ra nos jogar nos olhos
Muitas carradas de areia

Às P.M.E:s comprometidas
Todos juram dar a mão
Mas é p’ra tirar as medidas
Para comprar o caixão

O Coelho diz: estamos bem !!!
Em quê (?) quero eu saber
Desgraçado, quem não tem
Jamais na vida vai ter

O Seguro diz: estamos mal !!!
Mas não dá qualquer receita
Para curar Portugal
De tanta coisa mal feita

O bloco com o Semedo
A Catarina e o Fazenda
Embrulham-se num enredo
E vão rasgando a “tenda”

O jerónimo, sempre igual
Com a cassete gravada
Para salvar Portugal:
Fala, fala, mas não faz nada

O Paulo, já não vai às “feiras”
Para beijar velhas e meninos
Mas já arranjou maneiras
De “afundar” os submarinos

Com tanta “gente mandante”
E tantos desempregados
Estaremos num instante
Mais perdidos que achados

Eu só temo que no futuro,
Se assim continuar, até juro !!!
Vem um que nos manda: andar nu !!!
E o meu maior pavor
É que se a merda tiver valor
Os pobres nasçam sem cú

- - - - - - -

Por agora digo:

Político, serei teu amigo
E votarei afinal
Se, em vez de olhares p’ro umbigo
Olhares para Portugal

Versão atualizada  da “BANANOLÂNDIA”
Editada em 2009

2013/03/24
Q.R.  

CELESTE RODRIGUES; a Lenda das Algas


 Lenda das Algas é um dos mais belos fados do nosso cancioneiro e ninguém mas mesmo ninguém o canta melhor que esta nossa deusa, de seu nome Celeste Rodrigues. Um timbre de uma suavidade invulgar, uma sonoridade cheia de atizes, silêncios, suspensões e inflexões, que nos transportam ao cerne emocional do tema. Cuidado com os mosquitos!
CELESTE RODRIGUES
Lenda das Algas 
In Museu do Fado
Celeste Rodrigues é uma fadista tradicional das mais conceituadas do universo musical português, considerada uma referência pelas mais jovens gerações de intérpretes.
Maria Celeste Rebordão Rodrigues nasceu no Fundão a 14 de Março de 1923. Quando tinha 5 anos os seus pais vieram para Lisboa e estabeleceram-se no bairro de Alcântara. Celeste Rodrigues frequentou a Escola Primária da Tapada e recorda a sua infância como igual à de tantas outras crianças, com a excepção de se reconhecer como uma "maria rapaz", traquina, embora tímida e envergonhada. Quando não quis estudar mais, empregou-se numa fábrica de bolos. E, mais tarde, junto com a irmã Amália, trabalha num ponto de venda de artigos regionais na Rocha Conde de Óbidos (cf.“Álbum da Canção”, 1 de Maio de 1967).

A sua carreira é impulsionada pelo empresário José Miguel, à data proprietário de várias casas típicas, que depois de a ter ouvido cantar, entre amigos, na Adega Mesquita, insiste na sua profissionalização como fadista.
Celeste Rodrigues estreia-se em 1945 no Casablanca (actual Teatro ABC) e, dois meses depois, ingressa numa Companhia teatral e parte para o Brasil, acompanhando a irmã Amália Rodrigues na representação da opereta "Rosa Cantadeira" e da revista "Bossa Nova". Esta digressão acaba por durar cerca de 1 ano. Ao longo da sua carreira Celeste Rodrigues receberá diversos convites para integrar peças de teatro, mas recusa sempre.
No regresso a Lisboa dá continuidade à sua carreira de fadista, apresentando-se no elenco de diversos espaços de fado como o Café Latino, o Marialvas ou a Urca (na Feira Popular). Mais tarde, transita do Luso para a Adega Mesquita, onde se mantém por 4 anos. Posteriormente integra os elencos da Tipóia e da Adega Machado.
No início da década de 1950 a fadista regressa ao Brasil, desta feita para actuar na rádio, na televisão e no restaurante Fado, de Tony de Matos, sempre com assinalável êxito.
Aos 30 anos casa-se com o actor Varela Silva, com quem tem duas filhas. É contratada para cantar na casa Márcia Condessa e, em Janeiro de 1957, torna-se proprietária do restaurante típico A Viela, um espaço privilegiado para a convivência de poetas, intelectuais, cantores e de longas tertúlias, mas ao qual renuncia 4 anos mais tarde, confessando não sentir“queda para o negócio” (cf. Álbum da Canção, 1 de Maio de 1967).
Na década de 1950 Celeste Rodrigues era já uma figura ímpar no universo do Fado, levando-o além fronteiras, para países como o Brasil, Espanha, Congo Belga, África Inglesa, Angola e Moçambique. E, em território nacional, era também uma fadista consagrada, conforme revela à revista “Álbum da Canção”, foi das primeiras “a actuar no período experimental da RTP, no teatro da Feira Popular (…)” e “a primeira a enfrentar as câmaras, quando os estúdios do Lumiar passaram da fase de experiências para as emissões regulares.” (cf.“Álbum da Canção”, 1 de Maio de 1967), actuações em espaços bem demonstrativos da sua grande popularidade.
Continuando a pautar o seu percurso profissional pelas apresentações nas casas de fado de Lisboa, Celeste Rodrigues integra o elenco da Parreirinha de Alfama no início da década de 1960, e aí permanece por mais de 10 anos, altura em que João Ferreira-Rosa a convida para o elenco da Taverna do Embuçado, onde faz actuações ao longo de 25 anos. Posteriormente actuará nas casas Bacalhau de Molho e Casa de Linhares. A fadista concretiza uma carreira de sucesso, com actuações nas casas típicas, em programas de rádio e televisão, nacionais e internacionais. No auge da sua carreira artística, Celeste Rodrigues foi também convidada a gravar para a BBC em Londres, a convite de Richard Engleby. E, no decurso de todos estes anos de actividade intensa, teve oportunidade de passar por algumas das maiores cidades do mundo.
Apesar das sucessivas comparações com Amália Rodrigues, sua irmã, Celeste Rodrigues possui uma autenticidade única, uma forma singular de interpretação, patente nos temas do seu repertório, como os populares “A lenda das algas” (Laierte Neves – Jaime Mendes),“Saudade vai-te embora” (Júlio de Sousa), “O meu xaile” (Varela Silva), ou o tema de Manuel Casimiro “Olha a mala”, que se tornou o seu maior êxito de vendas, entre os quase 60 discos que gravou.

Corre o ano de 2005 quando Ricardo Pais, director do Teatro Nacional São João, a desafia a participar no espectáculo "Cabelo Branco é Saudade" ao lado de outras três grandes vozes do Fado: Argentina Santos, Alcindo de Carvalho e Ricardo Ribeiro. Com este espectáculo a fadista teve a oportunidade de percorrer vários palcos nacionais e internacionais.

Mais recentemente, um dos momentos altos da sua carreira é a edição do álbum “Fado Celeste”, editado em 2007 na Holanda, e que reúne fados tradicionais e inéditos com letras de autores contemporâneos, como Helder Moutinho e Tiago Torres da Silva.

Nesse mesmo ano, em Outubro, decorreu no auditório do Museu do Fado uma homenagem à fadista, iniciativa da Associação Portuguesa dos Amigos do Fado, num reconhecimento da “voz bonita, capacidade interpretativa e a regularidade de uma carreira.” (declarações de Julieta Estrela de Castro, presidente da APAF à agência Lusa).
Actualmente Celeste Rodrigues vive entre Lisboa e Washington, onde residem as suas filhas e os seus netos, mas mantém uma actividade fadista regular, participando em diversos espectáculos e actuando pontualmente em casas de fado de Lisboa. Como a própria revelou, em 1970: “a idade influi grandemente na maneira como se canta. Sentimos o que cantamos, com maior sensibilidade e emoção.” (cf. “Rádio & Televisão”, 11 de Novembro de 1970, in “Cabelo Branco é Saudade”, programa do espectáculo, 2005). E é certamente essa sensibilidade e emoção que todos continuamos a registar nas suas interpretações.
António Barreto

segunda-feira, 1 de abril de 2013

O CRUZADINHO!


In imprensa diária de 29 de Março de 2013
AUTARCA DO PSD ELOGIA FUTEBOL MAS PINTO DA COSTA NÃO LHE DÁ BOLA
 
Luís Filipe Menezes marcou presença e faladura na Gala da Associação de Futebol do Porto, na segunda--feira. Menezes recebeu um dos prémios e elogiou as relações sempre frutuosas entre autarquias e futebol. Em clima pré-eleitoral, falou ainda das saudades que tem de munícipes como Vieira de Carvalho ou Fernando Gomes. Houve ainda quem recordasse que Lourenço Pinto está na comissão de honra que agora pretende levar Menezes à Câmara do Porto. Mal-agradecido, Pinto da Costa não fez qualquer referência ao amigo laranja.
 
Comentário Zaratustra:
 
De certezinha que esta "cumbersa" foi antes da reunião de Sófia onde as superestruturas do futebol europeu arquitetaram uma estratégia comum de combate ao fenómeno da corrupção que o está a destruir. Contráriamente à opinião de Filipe Menezes, considero tenebroso e lesivo do interesse público o contributo que Vieira de Carvalho (paz à sua alma) e Fernando Gomes , direta ou indiretamente, deram ao futebol, tal como o próprio Filipe Menezes fez em Gaia. 
 
O que me parece, é que Filipe Menezes há muito se ofereceu para capacho de Pinto da Costa a troco de um lugarzinho ao Sol e outro no rodapé da estória local.  O que pergunto a mim próprio e não entendo é como lhe aconteceu ser Conselheiro de Estado! Pobre de um país que tem Conselheiros de Estado que colocam o interesse regional ou partidário acima do interesse nacional!
 
António Barreto