Desporto

domingo, 19 de junho de 2016

Paradoxos da equipa da FPF

    
Edgar Degas Ironing Woman, The Laundresses, 1884

   A equipa de futebol da Seleção Nacional deu o que tinha para vencer a Áustria; empenho, velocidade, agressividade, verticalidade e amplitude. Faltou talento para finalizar. Faltou ambição do Treinador. Fernando Santos parece refém do jogo de interesses que usa a seleção nacional. O meio-campo, apesar da cultura tática dos respetivos titulares, não demonstrou capacidade de criar imprevisibilidade nem poder de choque. O trabalho nas alas foi entregue quase em exclusivo ao Quaresma, que se esgotou por falta de alternância. Ronaldo foi, mais uma vez, uma "prima-dona" que até se deu ao luxo de "previsivelmente" falhar uma grande penalidade; sei que acontece a todos, mas...a probabilidade de Ronaldo falhar era elevada. Marcador indiscutível dos livres frontais, CR7 insiste numa coreografia ridícula que nada acrescenta à eficácia do remate. A sua mobilidade é reduzida, "adornada" com sucessivos e inúteis protestos, constituindo um desincentivo implícito aos colegas.

   Confesso que ainda não compreendi as qualidade de Eder para a função de ponta de lança. Também me pareceu claro no jogo anterior que João Moutinho está longe da sua boa forma e que João Mário ainda não consegue acrescentar valor à equipa em jogos de alto nível. Pelo contrário, Rafa mostrou que poderia ter feito a diferença. Por outro lado, as coloridas botas de Rui Patrício, que nem esteve mal neste jogo, denunciam pernicioso exibicionismo, comum a vários outros jogadores. Comentadores e políticos, numa repetição patética de colagem populista, encarregaram-se de alimentar o já robusto ego dos jogadores, origem da sobranceria com que "arrancaram" amargo empate aos simpáticos e esforçados islandeses.

   Por várias vezes me julguei determinado ao rompimento afetivo com a Seleção Nacional de futebol sénior. A verdade porém é que, na hora da verdade, acabo a torcer e "sofrer" por ela, apesar da descriminação ostensiva para com os jogadores do Benfica, da falta de humildade e talento e da integração de jogadores que não são dignos de pisar os relvados dos campos de futebol; casos de Pepe e Bruno Alves. 

   A hostilidade que a FPF tem exibido para com o Benfica, bem patente na época finda com o hilariante caso Slimani, constatou-se mais uma vez  com as opções do selecionador neste jogo. A equipa necessitava de músculo, pulmão e criatividade no meio campo. Necessitava de um médio ofensivo que fizesse a ligação do meio campo com os avançados; recuperando, assistindo, capaz de criar superioridade numérica na área e de finalizar. Esse jogador era Renato Sanches. Ao deixá-lo no Banco, Santos, deu azo a que pensassem que se deixou influenciar pelo lóbi anti-Benfica, nomeadamente pelas declarações idiotas da véspera do ressentido e egotista Jorge Jesus. Mas também necessitava de mais um flanqueador capaz de alternar com Quaresma, com força e velocidade para ir à linha do flanco contrário, cruzar com qualidade ou fletir para o interior e rematar com potência, beneficiando dos espaços que a maior amplitude ofensiva proporcionaria. Esse homem era Eliseu. Até poderia manter o Rafael em campo, visto que é um excelente defesa esquerdo, mas não tem a força, o poder de choque o remate e a qualidade de colocação da bola de Eliseu. Renato e Eliseu foram campeões nacionais e bateram-se galhardamente contra grandes equipas europeias, tal como Pizzi e André Almeida. Não entraram porque "são" do Benfica. É o que pensam os benfiquistas. Têm direito de o fazer.

   Jardel mostrou disponibilidade para representar a seleção das quinas. O silêncio foi a resposta! A seleção necessita ou não de um central que suba no terreno nas bolas paradas e seja capaz de fazer golo? Quais dos atuais centrais, já em declínio, o faz melhor que Jardel? Recordo o caso de Lima; sem pontas de lança, ventilou-se, em tempos, a possibilidade de recrutamento deste fantástico finalizador. Não! disse logo Paulo Bento, fazendo saber que era contra as naturalizações. Mais tarde recrutou o "português" Liedson para a seleção nacional! Nem "piou"! Lembro ainda o caso Isaías; jogador extraordinário, incansável, poço de energia, empolgante, rematador implacável, goleador....Quando se colocou a possibilidade de integração na seleção portuguesa, logo apareceram os nacionalistas de pacotilha, antibenfiquistas militantes em oposição esclarecida! Mas, mais tarde, houve espaço para Deco, "encalhado" no FCP e para PEPE, que, certamente por serem "portugueses de fina linhagem", não suscitaram repulsa alguma aos "propagandistas" da seita federativa.

   Hoje não tenho dúvidas; o sucesso da equipa nacional de 66 deixou um profundo e ainda vivo ressentimento nos rivais do Benfica que é a sede desta hostilidade, mais ou menos latente, não explícita, naturalmente negada, mas que os benfiquistas sentem, percebem e que se consolidou especialmente no mandato de Madail. A presença de Humberto Coelho na Vice-Presidência da FPF tem o propósito de "afagar o pêlo" aos adeptos encarnados e "mascarar" a hostilidade. Não admira que muitos adeptos benfiquistas "torçam" o nariz a esta seleção.

   Apesar de tudo, há condições para ganhar à Hungria desde que Santos faça Ronaldo jogar para a equipa ou o sentencie a aquecer o banco de suplentes. Um homem com medo, é meio homem.    

domingo, 5 de junho de 2016

Sou do Benfica!

     
 
Women at her toilet, Edgar Degas
 
   A equipa de andebol do Benfica não ganhou o campeonato nacional por uma unha negra!  Apesar disso, merecem uma palavra de incentivo por terem superado as espetativas gerais. Com o fraco arranque da época quase ninguém supunha possível a excelente campanha que fizeram; venceram a Taça de Portugal derrotando um dos candidatos ao título, o Sporting Clube de Portugal, afastaram  o reiterado campeão, Futebol Clube do Porto da disputa do título nacional, foram às finais da Taça Chalenge, deixando pelo caminho valorosos adversários e levaram a discussão do título nacional à negra, apesar dos sucessivos infortúnios. Um feito digno de aplauso. Eu, que nem apreciava a modalidade, fiquei a gostar dela um bocadinho mais. Está pois validada a mudança de rumo encetada pelos respetivos Dirigentes no início da época finda. Mariano Ortega mostrou que sabe muito da poda e que é um líder à altura dos desafios tendo demonstrado serenidade e competência mesmo nos momentos críticos. A equipa de andebol do Benfica está, finalmente, em condições de discutir os títulos da modalidade. Mais uns ajustes e ganharemos. Força e um abraço a todos. Foram uns valentes. Cuidado com os homens do apito.

  Já o referi antes e não me canso de o dizer; a postura que o Benfica tem mantido no andebol, enche-me de orgulho!, um orgulho secreto, silencioso, mas reconfortante; esta nobreza de não ganhar e não desistir, trabalhando sempre com determinação para a vitória, sem desrespeitar os adversários nem vexar os jogadores é enobrecedora. Mostra, afinal, que este clube tem valores que, tal como referiu à dias o nosso querido Simões, valem mais que títulos desportivos; valores humanos e civilizacionais. São estes valores que perpetuam as instituições.
 
Viva o Benfica!

The star

   
 
The Star, Edgar Degas

 
   Continua o "fogo de artifício" mediático em torno do Sporting Clube de Portugal, apesar da exiguidade de títulos que este clube conquistou na época transata. Dirigentes, Diretores,  Treinador e outros agentes deste clube,  "apadrinhados" por  diligentes comentadores, pateticamente, insistem no discurso das vitórias morais, em declarações de guerra aos "inimigos", no anúncio de vitórias futuras em tudo e mais alguma coisa, recorrendo ao insulto soez, destilando ódio e menosprezo pelos adversários. A ânsia de vitória e a frustração da derrota impede-os de perceber que a sobranceria constitui o caminho mais fácil para o insucesso; um estilo que julgávamos em fim de ciclo  face ao eminente abandono de Pinto da Costa.
 
   É constrangedor e preocupante assistir à passividade e ao alinhamento de figuras públicas tidas por idóneas e ponderadas, às baboseiras belicistas, insultuosas, desestabilizadoras e manipuladoras de tal gente. Responder com indiferença, porém, será fatal. Senão vejamos; o segundo lugar no campeonato foi conseguido graças a sucessivos erros grosseiros de arbitragem de que beneficiaram, ao consentimento da prática reiterada de jogo violento que lhe permitiram, a proteção institucional a nível disciplinar que lhe foi proporcionada e ao escandaloso "jogo amigo" que os adversários das últimas jornadas lhe dispensaram. O caso Slimani, que deveria ter suscitado punição imediata e exemplar deste pseudo-jogador,  terminou, como era previsível, com um pífio e inútil jogo de castigo, depois da época finda, constituindo um insulto implícito dos órgãos federativos responsáveis, a Samaris, ao Benfica e seus adeptos e uma demonstração de incompetência e, ou, nepotismo. O acórdão de condenação de Pereira Cristóvão no caso Cardinal iliba o SCP apesar daquele ser titular de cargo dirigente à data da prática do crime. Entretanto as instituições tutelares do futebol  não se pronunciam sobre este caso provavelmente esperando que caia no esquecimento. Na audiência preliminar do diferendo entre o Benfica e Jorge Jesus, segundo a imprensa de hoje, a juíza deu uma "coça" aos juristas do clube encarnado pela fragilidade das provas apresentadas.  Os investigadores da PJ que investigaram o incêndio do estádio da Luz, arquivaram o processo por impossibilidade de identificação dos respetivos autores. Um dos principais financiadores daquela clube, à data, suspeito de práticas económicas ilícitas pelo Ministério Público, viu as suas contas desbloqueadas graças à decisão de um ex-candidato à presidência do Benfica. Finalmente, dois bancos capitalizados com garantia estatal, um deles com prejuízos superiores a 800 ME em 2015, outro travando desde há anos uma intensa batalha de reestruturação em busca do frágil equilíbrio de exploração, resolvem "doar", salvo o erro, 127 ME ao clube verde-branco, tendo sido anunciado há semanas pela imprensa mais 80 ME para 201, afinal. 
 
   Enquanto Benfica e Porto têm encargos financeiros anuais da ordem dos 20 ME cada, o SCP, tem, apenas...2,2 ME!!! Benfica e Porto, por interpostas entidades, estão pagar os custos de financiamento do Sporting!!! Onde é que aquela gente suporta a sua alegada "superioridade" moral? Porque carga de água os acionistas dos bancos em causa permitem decisões ruinosas das suas administrações? O que é que se passa aqui, afinal? Donde vem toda esta influência? Quem quer impor o Sporting campeão ao país? Quem quer banana trepa!, façam-se à vida e trabalhem honestamente para serem melhores que os adversários. Assim é que é! E todos aplaudiremos.
 
   Tudo isto leva-nos a perceber que há forças poderosas por detrás da atual Direção do Sporting, que ainda não "saíram da toca". Suspeitamos, apesar da bizarria, que Bruno de Carvalho deve ter relações privilegiadas ao mais alto nível político e institucional, dados os seus ascendentes familiares colaterais. Sabemos que o SCP beneficia de acessoria jurídica dum histórico e poderoso gabinete de advogados e dum ex-bastonário Ordem.  Sabemos que tem o apoio de um ex-Presidente da República de Portugal que foi decisivo para a construção do seu estádio. Sabemos que os proprietários do Correio da Manhã e do Record têm histórico vínculo afetivo ao SCP. Sabemos que o Presidente da Liga dos Bombeiros, ex-presidente de câmara, é também Presidente da Assembleia Geral da SAD verde-branca. Sabemos que, na segunda divisão, houveram, na época finda, jogos fraudulentos, o que leva muito boa gente, incluindo eu,  a supor, face a estranhas ocorrências, que tal tenha acontecido igualmente na primeira divisão. 
 
   Enfim, apesar das, surpreendentemente, boas notícias relacionadas com o projeto do novo mandato de Fernando Gomes - combate à corrupção, introdução das novas tecnologias e controlo das transferências de jogadores -   o futebol nacional caminhará para o irreversível descrédito se não forem afastados os "chicos-espertos", os corruptos, o  financiamento ilícito e os caceteiros.
 
   Os dados estão lançados, mas nem todos são visíveis. Convém estar atento.

À viva, Benfica!

segunda-feira, 30 de maio de 2016

Da responsabilidade dos clubes

 
Coffeepot, Earthenware and Fruit, May 1888, Vincent Van Gogh
 
   Na sequência da recente condenação do ex-vice-presidente do SCP, no processo que, entre outros ilícitos, envolveu tentativa de corrupção do árbitro interveniente num jogo daquele clube, perante a ilibação deste pelo Tribunal, que o considera vítima, apetece perguntar:
 
   Porque é que os clubes são considerados responsáveis pelo comportamento incorreto dos adeptos e não o são pelo comportamento criminoso dos seus dirigentes?

quinta-feira, 26 de maio de 2016

Taça de papelão

  
José Malhoa (o tocador de bombo poderia ser o Rui Santos, ou ficaria melhor o da gaita de foles?)
 
   Rui Santos considera-se um comentador supra-institucional; alguém capaz de descontar os impactos aleatórios do jogo, os equilíbrios ou desequilíbrios das equipas, as vicissitudes dos dirigentes dos clubes e respetivas instituições tutelares, enfim...uma espécie de teórico do futebol "quântico". Na verdade é um comentador de futebol que sofre de incontinência verbal, que raciocina em círculos sucessivos e padece de parcialidade. Sem prejuízo de, aqui e ali, dizer umas coisas acertadas, como por exemplo, quando defende a tecnologia no futebol. O que é certo é que tem audiência, talvez pela extraordinária capacidade de, à vez, agradar a todos. Há muito que deixei de lhe dar atenção, tal como aos programas de debate sobre futebol que passam nos canais generalistas, estes, com o propósito de provocar e explorar a vulnerabilidade emocional dos adeptos.
 
   Constou-me porém, que, essa "eminência parda"  da bola lusa, na sequência da sua profunda reflexão em busca da "verdade absoluta", decidiu expor publicamente a sua filiação clubística atribuindo ao "supersumo" da bola universal uma taça inédita com o propósito de atenuar a pesada frustração e embaraço deste.
 
   Apesar do tom jocoso acima, o tema deve ser levado a sério por encerrar mensagens que podem ter consequências para a próxima época. Em primeiro lugar o "guru" do comentário pretendeu validar a teoria compulsivamente repetida pelo "aureolado", seus patrões e aliados, de que ele e o clube que representa são os vencedores morais da competição, e que tal só não se verificou por ocorrências espúrias que favoreceram o adversário. Deste modo pretende-se criar a ideia de que há uma espécie de crédito desportivo acumulado que deve ser ressarcido o mais rapidamente possível.  Ficam pois, antecipadamente justificados todos os erros institucionais e de arbitragem futuros favoráveis, por mais grosseiros que sejam. Ora isto é profundamente desonesto, deselegante e contrário ao estatuto que Rui Santos pretende assumir, desacreditando-o. Deveria perceber isto. Mas também mostra que, ao aceitar o pseudo-troféu, Jorge Jesus não sabe lidar com o insucesso e tem de si próprio uma ideia desajustada dos seus efetivos méritos e dos dos seus adversários (colegas).
 
Haja bom senso.  

quarta-feira, 25 de maio de 2016

A farsa do IPCC e da ONU


José Malhoa

"The real-world evidence shows that global warming mitigation policies are based on predictions now exposed as having been flagrantly and baselessly exaggerated.
 
All global-warming mitigation policies should be forthwith abandoned and their heavy cost returned at once to taxpayers by way of cuts in energy taxes and charges.
 
Industries such as coal mining and generation should be fully compensated for the needless loss and damage that ill-considered government policies inflicted on them.
 
Subsidies for global warming research should be ended and IPCC dissolved."

https://wattsupwiththat.com/2016/05/25/introducing-the-global-warming-speedometer/

Tradução:

A evidência das medições efetuadas mostra que as políticas de combate ao efeito de estufa são baseadas em previsões flagrantemente exageradas e sem fundamento.


Todas as políticas de mitigação do aquecimento global devem ser imediatamente abandonadas e seu pesado custo deve ser devolvido imediatamente aos contribuintes por meio de redução dos impostos e outros encargos sobre a energia.

Indústrias, tais como as da mineração de carvão e energéticas, devem ser totalmente compensadas pelas desnecessárias perdas e danos que as irrefletidas políticas governamentais  lhes infligiu.

Subsídios para a pesquisa do aquecimento global devem ser cancelados e IPCC dissolvido.

domingo, 22 de maio de 2016

Palavras por inventar

 
Vénus ao espelho, Velásquez, 1647
 
   Terminou a temporada para o futebol sénior do Benfica com a conquista de mais um troféu em consequência da pesada derrota infligida ao Marítimo, que se bateu com galhardia. O maior talento individual dos encarnados fez a diferença, apesar de alguma fadiga visível em alguns jogadores.

   Para o Benfica foi uma época inesperadamente positiva em virtude do atribulado início e do intenso jogo de bastidores e guerrilha mediática que lhe foram movidos pelo principal rival desta temporada. Mas, esta, mostrou com exuberância a grande transformação que Filipe Vieira operou em todo o universo encarnado; o Benfica já não depende da bola na trave, de um ou outro resultado menos positivo, deste ou daquele treinador. Tem um projeto consolidado em permanente evolução que lhe grangeia não só equilíbrio financeiro mas, sobretudo, resultados desportivos, reconhecimento e respeito dos que interessam. Foi tudo isto, mais o amor ao clube, que fez com que os sessenta e cinco mil adeptos desatassem em cânticos de apoio aos seus jogadores num momento de grande adversidade. Foi nesse instante que se estabeleceu o vínculo coletivo que despoletou a reação que haveria de conduzir a equipa à vitória mais saborosa. Era possível fazer melhor, sim; a presença na final da Liga dos campeões não era uma miragem e a eliminação da Taça de Portugal teve peripécias decisivas, relacionadas com o desempenho da equipa de arbitragem. Por mim, dadas as circunstâncias, mais não é exigível.

   Independentemente do que suceder no defeso o Benfica iniciará a próxima época num patamar competitivo e emocional superior ao da que agora findou. Contrariamente, os principais rivais terão motivos para duvidar da "superioridade" moral e arrogância que têm ostentado. No entanto há que levar o seu discurso a sério e desenvolver estratégias de comunicação que neutralizem os seus efeitos sob pena de se instalar na comunidade desportiva a ideia de "justa reivindicação". Tal sustentará os favores institucionais, dentro e fora do terreno de jogo, de que necessitam para ganhar. Cuidado Benfica, o próximo campeonato já começou; basta ver as manchetes dos desportivos de hoje.

     A temporada ficou também marcada pelo fim dos fundos de investimento no futebol  e, paradoxalmente, pelos estranhos critérios de financiamento de alguns clubes, em que os financiadores dispensam a remuneração do seu capital e o reembolso do mesmo e em que se aprofundou a ideia da presença de capitais de proveniência informal com o propósito de legitimação dos mesmos. Marcantes, também, foram  os intensos e sistemáticos ataques dos dirigentes leoninos  aos árbitros, às instituições desportivas e ao Benfica, com a intenção de obtenção  de benefícios desportivos ilegítimos para o seu clube. O relativo sucesso desta estratégia indicia eventual cumplicidade institucional com o propósito de dar mais visibilidade à competição. É certo que, sem os erros grosseiros de arbitragem que se verificaram ao longo da época,  e sem a, não estranha, eventual adesão de certos clubes ao projeto, especialmente nas jornadas finais, o segundo classificado teria abandonado a corrida muito antes da última jornada. Porém, os resultados poderão ter efeitos contrários, na medida em que descredibilizam a competição perante os adeptos e os investidores idóneos, subestimados por quase todos.

   As notícias das detenções de agentes desportivos, jogadores e dirigentes da segunda Liga, no âmbito da operação "Jogo Duplo" levada a cabo pela PJ, na sequência das participações da FPF à PGR após alerta de entidade europeia, mostram o que muitos de nós já haviam percebido e alguns preferem sistematicamente ignorar; que há corrupção no futebol nacional! Na verdade certo tipo de incidências, umas, erros grosseiros, outras nem tanto, mas com um padrão coerente identificável, associadas a movimentações de natureza institucional, indiciavam espúrias manobras de bastidores entre "aliados". O processo do "Apito Dourado", que culminou com a condenação de alguma "arraia miúda" e a vergonhosa absolvição dos "tubarões"  que durante décadas subjugaram o desporto nacional aos seus interesses, deixou um sinal de impunidade e "legitimou", implicitamente, a marginalidade desportiva.

   A questão que se coloca atualmente é a de saber se a corrupção se tem restringido à segunda Liga ou está, também, instalada na primeira. Compreende-se que os corruptores atuem em competições com menor visibilidade devido ao menor escrutínio inerente, mas têm acontecido coisas tão estranhas na primeira Liga...!


   Há dúvidas quanto à atuação do Presidente deste organismo; Pedro Proença deu ou não seguimento aos alertas que recebeu de entidade externa idónea? Se não deu, porque não o fez? E é necessário uma entidade externa, no âmbito da UEFA, dar o alerta? O que é que leva um clube, n clubes, a jogarem com as suas equipas desfalcadas contra a equipa A e na máxima força contra a equipa B? E porque não se tira isso a limpo?, têm medo de descredibilizar a "indústria"? Não haverá indícios suficientes? A omissão constitui um incentivo implícito à prática da corrupção que, estou em crer, existe na primeira Liga, sob muitas formas, algumas delas bem difusas.

   Apesar das vicissitudes de natureza cultural e institucionais, a eficácia do combate a este fenómeno passa pela promoção da autonomia financeira dos clubes, o que implica a redução da dependência de parte deles do financiamento dos designados grandes, mas também, pela maximização dos direitos desportivos através do estímulo da concorrência e  da inviabilização dos monopólios, bem como da fiscalização eficaz das regras do fair-play. Neste domínio não cabe aos jogadores o ónus da delação; para um jogador médio com salários em atraso, denunciar o caso ou recusar a declaração de ausência de dívidas, implica a renúncia dos seus créditos e, provavelmente, o fim da carreira por ausência de interessados.     

 
  A qualidade do  futebol que a equipa do Marítimo apresentou nesta final remete para casos como os do Tondela, do Paços de Ferreira, do Rio Ave, do Moreirense, do Arouca, do Belenenses, do Estoril e outros e mostra como o campeonato poderia ser bem mais disputado e entusiasmante. O diferencial competitivo entre a maioria dos concorrentes e os designados grandes promove o antijogo, a tentativa desesperada de a equipa mais fraca segurar o pontinho inicial com prejuízo do espectador e, consequentemente, da "indústria". Não sei se não seria benéfico atribuir um ponto apenas aos empates com golos, penalizando com zero pontos os empates sem golos.

   Enfim, veremos o que nos trará a nova época com o deplorável Proença ao leme da Liga, antevendo-se novidades sombrias no âmbito da arbitragem, provavelmente, imbuídas do novo "desígnio" nacional de promoção de novos campeões. Ou talvez não...como dizia alguém em pleno PREC; o povo é sereno...e...talvez seja apenas fumaça...  

domingo, 15 de maio de 2016

BENFICA É ALEGRIA!

  
 
BENFICA TRICAMPEÃO 
 
   Não é ódio, nem ressentimento, não é vexame, nem covardia, não é manipulação, nem agressão!
 
   É alegria, é alma, é paixão, é lealdade, é arte, é coragem, é família, É ALEGRIA!
 
 
OBRIGADO QUERIDO BENFICA!
 
 
 
BICAMPEÃO NACIONAL E BICAMPEÃO EUROPEU DE HÓQUEI EM PATINS!
 
CAMPEÃO NACIONAL DE FUTSAL FEMININO!
 
CAMPEÃO NACIONAL DE RÂGUEBI FEMININO
 
OBRIGADO QUERIDO BENFICA!
 
 
 
FORÇA ANDEBOL!
 
FORÇA BASQUETE!
 
FORÇA FUTSAL!
 
FORÇA VÓLEIBOL!
 
FORÇA, FAMÍLIA BENFIQUISTA!
 
QUEM MAIS HUMILHOU, MAIS SE ENVEGONHOU!
 
VIVA O BENFICA!


quarta-feira, 11 de maio de 2016

Renato Sanches

  
 
   Sonho com o dia em que o Benfica consiga manter os seus melhores jogadores por períodos longos. Só assim poderá bater-se, com pretensões, com os colossos europeus e aspirar à vitória na liga maior. Por isso é sempre dececionante assistir à saída de jogadores como Renato Sanches. O fascínio do Benfica reside na sua competitividade desportiva; uma mistura eficaz de alegria, coragem, arte e lealdade, só possível com jogadores de craveira técnica e humana especiais. Conciliar este propósito com o crescimento económico sustentado, num setor tão atribulado e volátil como o do futebol,  num país de exíguo mercado e em crise permanente, é tarefa ao alcance de muito poucos. Resignemo-nos, pois...por agora.
 
  Os valores da transação referidos na comunicação social, são fantásticos para o mercado nacional, tendo em conta que se trata de um atleta, há bem poucos meses, quase desconhecido no panorama futebolístico lusitano. Mérito total de Filipe Vieira, da estrutura do Seixal, de Rui Vitória, e, claro, do jogador. Obviamente que tal sucesso não é obra do acaso, mas fruto de uma estratégia delineada há muito, implementada paulatinamente, que custou uma guerra "feroz" com o anterior treinador e que abanou o clube de alto a baixo.
 
   Quanto a mim Renato necessita ainda de amadurecer, melhorando a leitura de jogo e o posicionamento, gerindo com maior eficácia as fases de rotura ofensiva e controlando a impetuosidade. Far-lhe-ia bem permanecer mais dois ou três anos no clube. No entanto, receio que, se cá permanecesse, tendo em conta o ódio que os rivais do Benfica destilam quase diariamente  contra si, correria o risco de lhe suceder o mesmo que ao Mantorras, e, mais recentemente, ao Luisão; ao próximo confronto com os de Alvalade, seria prendado com uma "pantufada" que o arredaria dos relvados por largos meses ou ficaria mesmo com a carreira arruinada. A memória de Eusébio está ainda demasiado fresca, e no CD da FPF tem havido excessiva condescendência para com as agressões perpetradas pelos jogadores do Sporting nos relvados, que parecem dispostos a tudo para ganhar.
 
   O meio-campo do Benfica constitui, quanto a mim, o setor onde há maior potencial de valorização competitiva. Investir a verba da transferência na melhoria da equipa e na redução do passivo, tipo meio por meio, era o que eu recomendaria à Direção do clube.
 
   Fica agora demonstrada que a primordial razão de divergência da Direção do Benfica com Jorge Jesus residiu na relutância que este reiteradamente demonstrou em apostar nos jovens da formação do clube. O caso de Bernardo Silva ainda está "atravessado" no "goto" dos adeptos encarnados que, há anos, ansiavam por disfrutar do perfume do seu futebol e convicto benfiquismo. Uma venda precoce que resultou na subvalorização do jogador com prejuízos para este e para o clube. Dez milhões? Quinze milhões? Vinte milhões? Não sabemos. Mas sabemos o que Jorge Jesus lhe disse; que tinha n jogadores à frente (julgo que sete).
 
PS: Tem sido escandalosa a atuação do CD da FPF, num  padrão de proteção incondicional aos desmandos de dirigentes, técnicos e jogadores do Sporting - casos Slimani, Teo Rodriguez (salvo o erro), futsal (final da supertaça ganha pelo Benfica), jogo com o Tondela em Alvalade - e de perseguição ao Benfica nas modalidades; futsal (perda de três pontos) , equipa B (fustigada com péssimas arbitragens) e agora os "pobres" dos Juniores, sobre os quais pende a ameaça de perda de três pontos. É demais e não dá para atribuir às contingências da época. Há algo errado na atual FPF e é necessário saber o quê e porquê. Findo o campeonato nacional de futebol sénior, há que dar um "murro na mesa" e chamar os bois, salvo seja, pelos nomes.  Ou têm medo dos dirigentes de Alvalade ou são seus cúmplices. É o que me parece.