segunda-feira, 16 de novembro de 2020
Assim Como Vai: Ela entrou como um pássaro no museu de memórias
domingo, 8 de novembro de 2020
Lex Barker
Lex Barker nasceu em 1919 na povoação de Rye, em Westchester County - a cerca de 50 Km de Nova Iorque - à época com cerca de 5 mil habitantes -, onde seus pais, construtores bem sucedidos, tinham uma segunda habitação.
Lex Barker
Contrariando a vontade dos progenitores, Lex desde muito jovem quis ser ator. Depois de uma pequena experiência na escola e no teatro de Mount Kisco - povoação próxima de Rye -, foi na cidade natal que, aos 17 anos, teve a primeira experiência séria, no Teatro de Verão, ao lado de Vincent Price e da estrela, de origem russa, Eugenie Leontovich. Apesar de desanimado com a experiência decidiu dedicar-se à profissão de ator após novo papel na peça Anna Christie no teatro da cidade vizinha de Westport County. Não muito longe dali, no rio Hudson, o seu destino estava escrito.
Depois de desempenhar pequenos papéis
em filmes de grande qualidade, como “The Farmer’s Daughter” e “Crossfire”,
ambos realizados em 1947, Lex Barker
foi bafejado pela sorte - comum a muitos grandes atores -, ao ser escolhido pelo
produtor Sol Lesser, entre uma
multidão de candidatos, para sucessor do lendário Johnn Weissemmuller na representação do personagem criado por Edgar Rice Borroughs, o célebre Tarzan. O
seu porte atlético - cerca de 1,90 de altura -, gerou unanimidade na escolha, autor
incluído. Na verdade havia algo mais que aproximava Lex Barker do personagem de Borroughs.
De origem hispano-britânica, descendente de Roger
Williams - fundador da cidade de Providence e cofundador da colónia de Rhode Island, e de William Henry Crichlow, histórico governador-geral de Barbados ainda
no tempo dos piratas, Lex Barker tinha
o charme apropriado às nobres origens do rei da selva.
Em 1939 Lex Barker entra na peça “The Five Kings”, realizada por Orson Wells na Broadway. É recrutado como soldado raso de infantaria para a 2ª GM.
Regressou em 1945 no posto de Major - o mais jovem das Forças Armadas
Americanas - altamente condecorado e com uma placa de platina na zona da
têmpora em consequência dum grave ferimento de guerra. No mesmo ano retomou a
sua carreira participando no filme Doll
Face.
Em 1949 iniciou a sua saga na
pele de Tarzan com o filme “Tarzan Magic’s Fountain”, que se revelou um sucesso
junto do público, da crítica e, consequentemente económico. Seguiram-se “Tarzan
and The Slave Girl”, em 1950 e “Tarzan’s Peril”, em 1951, o primeiro realizado
na selva africana. Porém, Lex Barker,
cansado de ser visto como “o homem da selva”, aspirava a papéis onde pudesse
exprimir todas as suas qualidades de ator.
Em 1952 entra num pequeno filme “Battles
of Chief Pontiac”, um western de
fraca audiência. “Tarzan and the She-Devil”, realizado em 1953, foi o seu
último filme desta série e um grande sucesso de bilheteira. No mesmo ano prossegue
no género western com “Thunder Over
the Plains” e “The Yellow Mountain”, em 1954, um policial, “The Man From Bitter
Ridge”, em 1955, e um drama naval “Away All Boats”, em 1956, com os quais granjeou
aclamação geral. Seguiram-se, em 1957, “The Girl in Black Stockings” e “The DeearsLeyer”,
com os quais terminou o ciclo Hollywood.
Falando fluentemente francês,
italiano e espanhol, Lex Barker
partiu para uma carreira na Europa chegando a Itália, onde estavam na moda os
filmes de aventuras, género em que se se sentia à vontade. Em 1959 a sua
carreira sofreu um novo impulso com o convite de Frederico Fellini para integrar o elenco de “La Dolce Vita”, onde contracenou
com Marcello Mastroianni, Anita Ekberg e outras estrelas da época.
Nova viragem ocorreu na sua
carreira quando, pela mão do produtor Artur
Brauner, fez uma incursão no cinema alemão, desempenhando o papel de Joe Como - agente do F.B.I. destacado
para combater o infame Dr. Mabuse -, nos
filmes de suspense “Return of Dr Mabuse”, em 1961, e “Invisible Dr Mabuse”, em
1962. Com “Frauenarzt Dr. Sibelius “ e “Old
Shatterhand “, realizados ainda em 1962, Lex Barker atingiu o estrelato também na Europa.
A sua popularidade, em declínio na
América, rapidamente ultrapassou, na Europa, a das superestrelas John Wayne e Clint Eastwood, ao integrar as superproduções do jovem Horst Wendlandt alusivas ao tema do
Oeste Selvagem, superando todos os recordes de bilheteira e abrindo caminho às
grandes produções de Sergio Leone.
Cerca de 12 filmes, baseados nas
novelas de Karl May, protagonizou
nesta fase, tendo como pano de fundo, o Oeste, o México e o Oriente, onde desempenhou
as personagens de, respetivamente, “The Olde Shatterhand”, “Dr. Sternau” e “Kara
Bem Nemsi”. Os filmes “The Treasure Of Silver Lake”, em 1962, e “Apache Gold”,
em 1963, serviram de referência para o cinema do género. Os locais das
filmagens, Croácia e Espanha, constituíram uma vantagem por propiciarem uma
atmosfera condizente com o teor da história.
O público ficou deliciado com o
aparecimento de personagens índios em pé de igualdade com os pioneiros americanos
em “Winnetou I”, em que o francês Pierre
Brice, fez o papel da chefe Apache Winnetou,
irmão de sangue de Lex Barker. A
grande popularidade do tema do filme, “The Old Shatterhand” impulsionou o
talentoso ator americano, em 1965, a gravar baladas românticas, género western,
algumas delas compostas por Martin Boettcher.
A sua carreira prosseguiu por
todo o mundo em grandes produções europeias com os filmes de Karl May. Desta fase os mais icónicos
são “Code 7,
Victim 5”, de 1964, onde faz o papel de um agente privado
encarregado da investigação de uma série de homicídios na África do Sul, “Die Slowly,
you'll enjoy it more”, em 1966, no papel de espião tipo James Bond em versão cómica; e “Blood Demon”,
em 1967, um filme de terror baseado no romance de Edgar Allan Poe “The Pit and the Pendulum”, rodado em autêntico
ambiente medieval, com o “Drácula” Christopher
Lee na pele de antagonista.
O simpático americano pôde ainda
ser admirado como durão do Oeste em “A Place
Called Glory, em 1965”, no qual decorre um interessante duelo de
pistoleiros, e em “ La balada de
Johnny Ringo”, em 1966, onde, por uma vez faz o papel de vilão. Em
1967, protagoniza, ao lado de Shirley McLaine,
Anita Ekberg, Michael Caine e outros, “Woman Times Seven”, a única produção
americana noa anos 60 com Lex Barker.
Com o advento dos filmes western e eróticos italianos então em
voga, escassearam as propostas para Lex
Barker. Tendo conseguido, na Europa, tudo o que havia para conquistar, o
ator americano regressou a sua casa na Costa Brava, determinado a prosseguir a
sua carreira em Hollywood e viver na
sua América. As dificuldades porém superaram as suas espectativas. A sua
atividade limitou-se à participação nalgumas séries televisivas como ator
convidado em “It Takes a
Thief” e “The King of Thieves”. Os espetadores alemães puderam ainda
vê-lo num sketch ao lado de Ron Ely, o novo Tarzan televisivo alemão.
Nos anos 70 a carreira de Lex Barker prometia novo fôlego. “"When you're
with me", produzido na Alemanha em 1970, fora o seu ultimo filme. Novas
produções na televisão e no cinema estavam “na calha”, com Lex Barker como protagonista. Porém, o destino tinha outros planos
para o grande ator americano; Lex Barker,
o ídolo das gerações dos anos 60 e 70, o grande Tarzan, morreu de ataque
cardíaco em 11 de Maio de 1973 na avenida Lexington na sua Nova Iorque.
Lex Barker foi casado com, Constanze
Thurlow, Arlene Dahl,
Lana Turner, Irene Labhardt, e Maria del
Carmen 'Tita' Cervera. Teve dois filhos e uma filha e ficou imortalizado em
73 filmes.
Obrigado Lex Barker.
(Créditos a Marlies Bugmann)
Peniche 08 de Novembro de 2020
António
Barreto
domingo, 1 de novembro de 2020
Cinco míseros escudos
Eh pá, se fores a terra não leves dinheiro! Quando eles topam assaltam a malta. Assim fiz; fui a terra sem um tostão no bolso! Uma das coisas mais estúpidas que fiz na minha vida marítima!
Foi pelos idos de 73, teria aí uns 22 anos. O Uíge fazia a carreira Lisboa-Bissau-Lisboa. Transportava militares, nos dois sentidos. Uma missão algo deprimente. Especialmente deprimente quando alguns tripulantes aproveitavam para fazer um dinheirinho extra. A bordo vendiam-se relógios, rádios, sandes, sei lá mais o quê, aos jovens e ansiosos militares que viajavam nos porões atulhados. Daquela vez, não sei o motivo, o navio fez escala em Cabo Verde, salvo-o-erro no Mindelo.
Admirador da música cabo-verdiana, do Bana, do Eugénio Tavares, do
Fernando Queijas, do tom dolente e ritmo ondulado das mornas e da alegria
vibrante das coladeras, tinha que a ouvir na fonte, nas tabernas, onde era
tocada em modo livre - tipo “jam session" -, habitualmente em convívio de
gerações que incluía instrumentos típicos como, rabeca, violino, viola,
cavaquinho, clarinete, reco-reco e maracas, entre garrafas de vinho tinto e
cachaça e alguma "bucha" para enganar a fome.
Anoitecia quando o navio atracou. Anda tinha umas horas livres, três ou
quatro antes do próximo quarto. E lá fui, à sorte, na direção da cidade,
perguntando às poucas pessoas que ia encontrando, por uma tasca onde fosse
possível ouvir música.
Ao passar numa rua escura, ouvi os sons ténues do que parecia ser uma
rabeca. Fui atrás deles. Encontrei a taberna. Entrei. Uma ténue luz amarelada
difundia-se na pequena sala logo após a entrada, de portas escancaradas. Em
frente o balcão com algumas garrafas e copos de vinho e cachaça. Taberneiro no
seu posto, trapo ao ombro e olhar inquisidor. Uns quantos clientes, quatro ou
cinco, estavam por ali, pacatamente, conversando e bebendo. De uma das salas do
lado vinha um som meio fanhoso da tal rabeca e algo semelhante a maracas e
reco-reco. Disseram-me que estava lá um certo fulano a tocar com miúdos “se
calhar é uma espécie de escola, pensei”. Um dos presentes, um pouco mais velho
que eu veio em minha direção. Conversámos. Não se podia entrar na sala donde
vinha a música. Era o reservado! Pediu duas violas, mandou vir uma garrafa de
vinho tinto, chamou dois colegas e fomos para uma salinha anexa, aberta.
Eram bons de viola; sobrava-lhes tempo para aprender e tocar. Tal como a
mim, afinal. Tocaram umas modas, várias; mornas e coladeras. A solo e em duo.
Maravilhado com tudo aquilo, quando chegava a minha vez acompanhava-me nuns
fadinhos, daqueles que todos os portugueses conhecem. Disseram que era bom.
Quis acompanhá-los nas coladeras. Que não, que não dava. Que não sabia. Era
verdade; não é fácil fazer os baixos bamboleantes da morna e os arpejos ritmados
da coladera. Pelo meio, íamos bebendo uns tintos, entusiasmados com a tertúlia.
“Este é que era bom para tocar connosco”. Ouvi entre a pequena multidão que se
foi juntando. “Pois era, pensei, para mim era, mas…amanhã já cá não estou!
Vamos a todo o lado e não estamos em parte nenhuma.”
Chegada a hora - Foi até à última -, despedi-me e saí. Já na rua,
percebi que era seguido. Voltei-me. Era o músico de quem tinha acabado de me
despedir. Olhei para ele sob a luz mortiça que se escapava da porta da taberna.
Era jovem, sim. Meio andrajoso, vestia algo parecido com zuarte, calças
rasgadas nalguns sítios e…descalço! Descalço, meu Deus!
Comovi-me. Tínhamos ficado amigos. Como era possível andar roto e
descalço? Pediu-me cinco escudos para uma garrafa de vinho. Disse-lhe a
verdade; não tinha! Insistiu dizendo que impedira um colega de me assaltar, de
navalha. Voltei a dizer-lhe que não tinha e convidei-o a acompanhar-me a bordo.
Dar-lhe-ia então, com todo o gosto, algum dinheiro. Não quis. Eu não tinha
tempo de ir e voltar, estava a pé.
Olhei-o mais uma vez, antes de retomar o caminho de regresso, triste e
comovido, sentindo-me profundamente estúpido por ter acatado o conselho do meu
camarada…até hoje. Ocorreu-me mais tarde que talvez tivesse aceitado a camisa,
se lha tivesse oferecido. Soube muito tempo depois que, por essa altura,
abatia-se sobre Cabo Verde a maior seca das décadas precedentes.
Desapareceu na penumbra. Nem sequer recordo o seu nome. E se o soube,
esqueci-me dele!
24 de Outubro de 2020
António Barreto
Benfica 2020 - Resultados eleitorais
A novidade destas eleições não residiu na vitória da lista de Filipe Vieira mas no resultado significativo da Lista de Noronha Lopes e na estrondosa derrota de Gomes da Silva.
Filipe Vieira tinha os trunfos na
mão e jogou-os no momento certo. Com o regresso de Jesus, a contratação de bons
jogadores, um início de época auspicioso e promessas de um futuro europeu
risonho, depressa os benfiquistas esqueceram o fracasso da época anterior e optaram
pela continuidade, receosos da turbulência desportiva que uma mudança de rumo
acarretaria na época em curso. Porém o comportamento de Filipe Vieira ficou indelevelmente
marcado pela negativa ao ter-se recusado a debater com os dos outros candidatos
e ao vedar o acesso destes à BTV onde poderiam explanar as suas ideias. Os
interesses do Benfica estão acima dos de qualquer candidato ou Direção, e o seu
destino deve ser decidido pelos sócios. Manter a BTV fora da campanha eleitoral
com o pretexto de evitar o “ruido”, constituiu uma habilidade maldosa que contraria
a cultura aberta e democrática do clube. Saiu beneficiada a lista de Filipe
Vieira uma vez que a estação, implicitamente e desonestamente, foi fazendo
campanha em seu favor.
Noronha Lopes, aparecendo a
poucos meses do ato eleitoral com um projeto mobilizador, dinâmico, virado para
o sucesso desportivo da equipa masculina de futebol sénior, congregou um vasto grupo
de apoiantes entre os quais, ídolos do futebol, figuras da cultura, académicos,
gestores, empresários, etc. Gente com acesso ao espaço público, com boas ideias
e com disponibilidade para as discutir e aprofundar. A votação expressiva na lista
de Noronha Lopes, deixa filipe Vieira com margem de erro residual no mandato em
curso e coloca sob pressão o seu eventual sucessor, Rui Costa.
Gomes da Silva, não obstante a
sua determinação, obteve uma estrondosa derrota, que o afasta de quaisquer
ambições futuras. Julgo porém que terá sido vítima do voto útil. Muitos dos
seus apoiantes terão intuído vantagem da lista B e mudaram a sua decisão de
voto. Por outro lado foi também prejudicado pela vertente negativa da sua
campanha e pela tardia apresentação pública da sua equipa. Sem dúvida alguma é
dele o mérito do aparecimento duma oposição robusta a Filipe Vieira. Oposição
imprescindível ao progresso do clube, ainda que à custa de alguma turbulência.
De sublinhar a entrada em liça de
Bernardo Silva cujas declarações certamente contribuíram na ponderação de mutos
sócios que vêm nele o símbolo do adepto genuíno. Já Jorge Jesus deveria ter
ignorado a rasteira do jornalista e ter-se abstido de comentar o assunto.
Resta esperar que não ocorra a
dispersão dos opositores, que estes se revelem funcionais no acompanhamento do dia-a-dia
do clube, na sua defesa perante inimigos externos e, sobretudo, na apresentação
e discussão de propostas estratégicas para o futuro.
Peniche, 01 de Novembro de 2010
António Barreto
quarta-feira, 21 de outubro de 2020
Benfica - Eleições 2020
Defendi, convictamente, o projeto de Luís Filipe Vieira para o Benfica. Subestimei as dúvidas que foram surgindo; a forma algo enviesada como acedeu à presidência, o passado de amizade com Pinto da Costa, os recorrentes apelos à gratidão dos benfiquistas para com um dos piores inimigos do seu clube, Joaquim Oliveira, os permanentes enxovalhos à gestão e à pessoa de Vale e Azevedo, promovendo a desunião dos sócios, a contratação para os quadros do “clube-sad” de ex-colaboradores dos rivais, alguns dos quais com um passado hostil clube, o deplorável caso do motorista condenado por envolvimento em negócios de estupefacientes, etc. Tudo isto me parecia secundário perante um projeto que prometia fartas vitórias a médio-prazo, concluído o equilíbrio económico e financeiro e a criadas as infraestruturas inerentes. As circunstâncias do fracasso do penta porém desmoronaram a minha fé!
Nessa época de profundo
desencanto, apesar da reiterada afirmação pública de empenho no penta-campeonato,
a Direção do Benfica pouco fez para o concretizar. Com efeito, com uma receita
de cerca de 240 milhões de euros em vendas de jogadores cruciais na manobra da
equipa, negligenciou o reforço da mesma. Curiosamente, nessa mesma época foi
negociada a venda dos direitos desportivos do Benfica à NOS e decidido o
pagamento de 100 milhões de euros ao NB. Joaquim Oliveira reconstituiu o seu
falido grupo empresarial e Filipe Vieira conseguiu a generosa reestruturação da
sua dívida. Tanta coincidência foi demais, para mim.
A confirmação veio
na época transata em que, apesar do desafogo financeiro, não foram colmatadas
as fragilidades da equipa, apesar de evidentes a um leigo. Disso beneficiou o
rival Porto, acabando por ganhar, apesar do seu mau futebol e do estado de pré-falência
em que se encontrava.
Por outro lado, dezassete
anos é um lapso de tempo suficiente para avaliar a qualidade do desempenho da
Direção em exercício. A seu crédito contabilizo o magnífico projeto de formação
do futebol, o ecletismo, o sucesso do atletismo, em especial do masculino, a
construção do, outrora utópico e sempre adiado museu, a constituição da
Fundação Benfica e da Benfica TV, e o carinho com que tratou muitas das glórias
do clube. Em seu descrédito considero, a insuficiência de títulos conquistados
no futebol sénior e nas modalidades, à exceção do voleibol, o descalabro do
desempenho europeu da equipa de futebol sénior, a demolição do antigo, único e
icónico estádio, trocando-o por outro modular, sem alma, sem história, a
acumulação duma gigantesca e asfixiante dívida, a incapacidade reiterada de
defesa do clube nos areópagos desportivos, judiciais e públicos, a degradação
reputacional do clube resultante de sucessivos escândalos, o afastamento
progressivo dos sócios e adeptos do dia-a-dia do “clube-sad” em troca duma
insuportável “corte” compulsivamente e exclusivamente encomiástica, a
incapacidade de eliminar uma certa promiscuidade entre assuntos pessoais e os
do “clube-sad” e a implementação de uma cultura de relativização dos insucessos,
em que se transformam pequenos clubes em grandes adversários e grandes clubes
em adversários inacessíveis. Em suma, uma Direção com um modelo de gestão
autocrático e manipulador, que degradou a cultura do Benfica conformando-o com
as derrotas, e arrastando-o para situações indignas.
Por todas estas
razões é minha convicção de que o Benfica precisa de um novo fôlego, um novo
ímpeto que resgate a sua histórica e quase transcendental ambição de ganhar. Ganhar
interna e externamente, ante qualquer adversário e em qualquer circunstância.
As infraestruturas e o património imobiliário têm importância instrumental,
enquanto ao serviço do objetivo primordial; ganhar!
Nestas eleições não
faltam candidatos, destacando-se, além de Luís Filipe Vieira, João Noronha
Lopes e Rui Gomes da Silva. A vantagem parece estar do lado de Filipe Vieira, que,
numa atitude contrária à tradição do clube, recusa o debate com os adversários
vedando-lhes o acesso às plataformas mediáticas internas de que é exclusivo
beneficiário.
Apesar de um início de
época prometedor e da reconhecida qualidade do grupo de trabalho atual criar a justa
expetativa de uma época vitoriosa, a história recente diz-nos que, a ocorrer, provavelmente,
será sol de pouca dura; rapidamente a equipa será, mais uma vez, desmembrada no
final da época. Por outro lado, Filipe Vieira foca de novo o seu projeto, nas
obras - campos de treino, colégios, universidades, hotéis, centros de alto
rendimento, expansão do estádio, etc - remetendo, mais uma vez, a concretização
das ambicionadas vitórias para o médio-prazo. Ora este é o tempo do Benfica ganhar
e, como diz o bom povo “quem muito mato corre pouca lenha apanha”. Por tudo
isto, e pelo que refiro acima, desta vez não terá o meu voto.
João Noronha é um
gestor experimentado e teve a capacidade de reunir à sua volta gente de grande
qualidade; glórias do clube, figuras da cultura, académicos, profissionais
liberais e alto empresariado. Apresenta um projeto de continuidade mas focado
na vertente desportiva, nas vitórias, em detrimento das obras. Porém, a
inclusão de Manuel Vilarinho no seu elenco, deixa-me de pé atrás. Manuel
Vilarinho é o obreiro do Benfica moderno, o Benfica do “vamos ganhar amanhã”, Respeito-o
enquanto benfiquista mas não admiro a sua obra no Benfica; ganhou as eleições
graças à falsa promessa de contratação do Jardel, despediu aquele que veio a
ser o melhor treinador do mundo - que “deu”, ao rival, vários títulos, entre os
quais, um da Liga Europa e outro da Liga dos Campeões -, despachou todos os
jogadores da equipa que tinham mercado - entre eles Van Hooijdonk, João Tomás e
Marchena -, entregou a construção do plantel a José Veiga - que trouxe os
“seus” jogadores, em final de carreira, e se viu a braços com a Justiça,
deixando uns salpicos de lama no clube -, rasgou o contrato de direitos
desportivos com a SIC devolvendo-os à Olivedesportos - um dos pilares de
sustentação do rival - por tuta e meia, e contribuiu “orgulhosamente” para a
prisão de Vale e Azevedo, transformado numa espécie de apátrida ignóbil, mesmo
depois de cumprir, integralmente, pesada pena de prisão, algo que reputo de
deplorável.
Rui Gomes da Silva
apresenta um projeto ambicioso, que consiste no resgate da genuína cultura do
Benfica, assumindo, frontalmente, o objetivo da conquista das Ligas dos
Campeões em futebol sénior masculino e feminino, de futsal, de hóquei em patins
e de voleibol, e na recuperação da supremacia do futebol nacional. Tem
estruturado um projeto para todo o universo do Benfica para o qual apresentará
equipa à altura. A seu favor conta o facto de conhecer a realidade do “clube-sad”
por dentro, de ter assumido a rotura antes de qualquer outro, e de, com o seu
exemplo, ter contribuído para o aparecimento de candidatos idóneos.
Na entrevista que
deu ao Observador em 24 de Setembro de 2020, Rui Gomes da Silva deu a conhecer
algumas ideias chave que norteiam o seu projeto e revelou alguns detalhes da
parceria que estabeleceu com a “start-up” “PAGAAQUI”, visando o robustecimento
do financiamento das modalidades amadoras e das casas do Benfica libertando as
receitas do futebol para o projeto europeu:
“Foi mais difícil ao Benfica conquistar a Liga dos Campeões
Europeus em 1961 e 1962 ou chegar às finais de 1988 e 1990, do que é hoje, o
Benfica, ser campeão europeu.” (…) “O Benfica não é uma entidade financeira,
não vive para fazer negócios ou ser cotado na Bolsa, é um projeto desportivo
que vive de vitórias e títulos.” (…) “O objetivo desta parceria é financiar as
modalidades amadoras e as Casas do Benfica, que muito necessitam de apoio, para
que as receitas do futebol sejam todas canalizadas para o projeto europeu, que
aponta para o título máximo; a Liga dos Campeões. Não pode ser o futebol a
sustentar estas atividades”, explicou Rui Gomes da Silva, que tinha a seu lado
o CEO (diretor executivo) da “PAGAQUI”, João Barros.” (…) “Segundo este, a
aplicação irá disponibilizar aos sócios, simpatizantes e membros das Casas do
Benfica produtos financeiros em melhores condições do que aqueles que são colocados
pela banca tradicional e que servirão, ao mesmo tempo, para financiar o clube
nas modalidades amadoras, sendo que muitas delas, atualmente, não suportam os
seus encargos.”
Há porém um tema que
considero primordial e que ainda não vi refletido nos planos de nenhum dos
candidatos. Trata-se da associação do Benfica ao salazarismo que, 46 anos
depois do 25 de abril, certos setores da sociedade continuam a manter e que tem
sido explorado com mestria e proveito pelo rival moderno do Benfica. Grassa uma
hostilidade crescente, percetível na comunicação social, nas instituições
governativas, judiciais e desportivas contra o clube de Eusébio, Águas, Coluna,
Germano e Cª. São abundantes os casos, recentes ou remotos, que o comprovam. Um
dos mais emblemáticos residiu na designação de “Liga Salazar”, por adeptos do
Porto - sabe-se lá a mando de quem -, ao último campeonato ganho pelo Benfica,
sem que tenha havido, por parte da tutela, qualquer sancionamento. O conceito
implícito é óbvio e parece que funciona (funcionou!); a ascensão desportiva do
Benfica é relacionada como um sinal de deriva autoritária do regime, uma
espécie de retorno ao salazarismo, algo que parece aterrorizar os “democratas”,
enquanto a supremacia desportiva do Porto é vista como um testemunho inequívoco
da consolidação da democracia, o anúncio dos famigerados e utópicos “amanhãs
que cantam”. Entretanto, os benefícios desportivos que têm contemplado o rival
nas últimas décadas, constituem uma espécie de legítimo ressarcimento por
décadas de “sujeição ao regime fascista”. É esta narrativa que tem de ser
erradicada duma vez por todas da sociedade portuguesa. Os lídimos representantes
dos cidadãos benfiquistas devem que inquirir os promotores deste discurso, em
especial aos que detêm responsabilidades públicas, acerca do que pretendem do
Benfica e dos benfiquistas. Que lugar lhes reservam num regime que se pretende
democrático e tolerante.
Considerando esgotado o consulado de Filipe Vieira pelas razões apontadas, terá o meu voto o projeto de Rui Gomes da Silva. Em todo o caso parece-me claro que só com a fusão das candidaturas das oposições será possível derrubar a Direção de Luís Filipe Vieira e construir um futuro mais promissor para o clube.
Pelo BenficaPeniche, 21 de Outubro de 2020
António Barreto
quarta-feira, 14 de outubro de 2020
O Lado Negro das Energias Verdes
O Lado Negro das Energias Verdes
sábado, 10 de outubro de 2020
Uma Proposta de Anteprojeto para o Benfica (3)
A. Os meios comunicacionais
o A
BTV: reformular o seu editorial diversificando temas e intervenientes, com
primazia à emissão de eventos desportivos do clube, à promoção da cultura
desportiva, à participação das velhas e atuais glórias, à intervenção dos
adeptos - desportistas, ex-desportistas, escritores, músicos, académicos,
técnicos ou anónimos -, com abertura a realidades desportivas, ou sociais relacionadas,
exemplares.
o O
Jornal: informação detalhada dos eventos desportivos do clube, com crónicas de
opinião de jornalistas idóneos. Difusão regular, moderada e sistemática, das
várias áreas do conhecimento relacionadas com o desporto; normas, metodologias
de treino, técnica, motricidade, alimentação, etc. Publicação de histórias do
desporto benfiquista e outras de relevância geral. Convocação do contributo de
benfiquistas notáveis, ou de figuras de relevo que, não sendo benfiquistas,
respeitem o clube.
o Redes
sociais: difusão das notícias do clube, com abertura à participação livre dos
adeptos, num ambiente de cordialidade e tolerância.
o As
Casas do Benfica: mais do que uma espécie de centros de dia, cabe-lhes a missão
de aproximação dos adeptos e sócios ao clube - simplificando as operações
correntes, incentivando o seu envolvimento nos eventos desportivos e na
discussão dos assuntos relacionados -, promovendo o desporto local e fazendo a
prospeção local de futuros atletas.
o Externos:
manter atualizado o quadro das plataformas relevantes, os correspondentes
canais de acesso, os respetivos perfis editorais e uma estratégia de ação com
vista à promoção dos interesses do clube.
B.
Gestão Económica:
o Convocar
assessoria especializada com vista a criar as condições de maximização das
receitas correntes atuais e identificação potenciais novas fontes de receita.
o Convocar
assessoria conhecedora dos mercados desportivos internos e externos e das
estratégias de criação de valor desportivo dos atletas e dos correspondentes
canais confiáveis de acesso.
o Definir
uma estratégia de valorização dos atletas da formação do futebol, com e sem
viabilidade de acesso à equipa sénior, com criação de valor para o clube.
o Recuperar
para a esfera do clube a gestão dos direitos desportivos da equipa de futebol sénior,
com o objetivo de maximizar as receitas, de servir de catalisador da nação
benfiquista e de desmoralizar os rivais.
o Implementar
uma estratégia de bilheteira acessível à base social dos adeptos do clube com
vista à atração de novos adeptos e sócios, ao aumento da assistência média dos
jogos e à maximização das receitas de bilheteira e dos contratos de patrocínio.
o Implementar
um catálogo de equipamentos de baixo custo, acessível à base social de adeptos
do clube, promovendo a sua difusão por todo o universo benfiquista, numa ótica
de agregação dos adeptos e otimização das receitas correspondentes.
o Moderar
as ações de marketing, em especial junto dos sócios, prevenindo comportamentos
de rejeição e afastamento do clube por parte daqueles em consequência do
desconforto provocado pelas frequentes ações de persuasão comercial.
C.
Gestão Financeira
o Manter
a estratégia de financiamento pela via obrigacionista universal.
o Identificar
fontes de financiamento tradicionais viáveis, preferencialmente externas.
o Identificar
parcerias estratégicas com aporte de financiamento e know how sem prejuízo do controlo do clube.
o Definir
uma estratégia de redução gradual do passivo financeiro exigível, de curto e
médio prazo, sem prejuízo da capacidade competitiva da equipa de futebol
sénior, alocando ao serviço da dívida, por exemplo, 50% da mais-valia líquida
de todas as transações desportivas.
D.
Previsão do futuro do futebol na Europa
o Europeu:
expansão das atuais Ligas, dos Campeões e Europa e criação de um terceira liga,
com integração dos clubes europeus mais competitivos.
o Nacional:
definhamento progressivo das ligas nacionais e falência de grande parte dos
clubes, remetidos à dependência do financiamento via UEFA e públicos.
o Benfica:
integração no lote dos clubes da primeira liga europeia rivalizando na disputa
dos respetivos títulos graças à redução do atual abismo orçamental.
E.
Fim (provisório)
Peniche,
06 de Setembro de 2020
António Barreto
sexta-feira, 9 de outubro de 2020
Uma Proposta de Anteprojecto para o Benfica (2)
Cont.
A. A Formação
o Em
todas as modalidades profissionais deverá focar-se primordialmente no
fornecimento de atletas de alto nível às respetivas equipas séniores.
o A
base de recrutamento deverá ser tão vasta e diversificada quanto possível,
condicionada aos limites naturais do clube - infraestruturas e orçamento - e ao
talento nato e disponibilidade mental do atleta.
o A
diversificação deve ter em conta a importação de novas ideias - táticas,
técnicas ou metodológicas -, enriquecedoras da cultura do clube.
B. As alianças
o Manter
atualizado um quadro de alianças com entidades congéneres, nacionais,
europeias, sul-americanas, africanas e outras, com o intuito de criar sinergias
desportivas e económicas com benefício de ambas as partes.
o Avaliar
a viabilidade de restaurar parcerias históricas do clube, como são os casos do
Barreirense, do Salgueiros - alfobres de velhas glórias do clube - e outros.
C. A responsabilidade social
o O
ecletismo: tão vasto e diversificado quanto as infraestruturas e o orçamento
permitam, aberto a todos sem exceção de qualquer ordem, com prioridade aos
jovens e inclusão dos séniores.
o O
apoio social direto: aprofundar e diversificar, tanto quanto possível, a ação
da Fundação Benfica, com prioridade à integração comunitária dos jovens em
situação de risco e a famílias ou pessoas singulares vítimas de tragédias
afirmando a preocupação e empenho genuíno do clube.
D. As infraestruturas desportivas
o
O Estádio da Luz: avaliar a viabilidade de
expansão da lotação em mais 15 mil lugares sentados.
o O
complexo do Seixal: integração dos trabalhos e jogos oficiais do futebol
feminino e expansão do número de campos de treinos e instalações de apoio à
formação com vista à otimização da base de praticantes.
o O
Centro de Alto Rendimento: atualizar o estudo de viabilidade deste projeto,
previsto para Oeiras, condicionado aos objetivos desportivos e sociais do clube
e à qualidade dos resultados a obter.
E. As infraestruturas não desportivas
o Museu:
mantê-lo atualizado, em bom estado de conservação e animado, promovendo,
primordialmente, a difusão dos feitos desportivos do clube, dos seus atletas e
ações de natureza social e cultural diversificadas, enquadráveis na cultura do
clube; de solidariedade, de tolerância e de conhecimento.
F. O Património
o Material:
mantê-lo em bom estado de conservação, identificando intervenções conducentes à
redução de custos de exploração, em particular energéticos e de manutenção, e à
minimização de impactos ambientais.
o Imaterial:
promover a imagem e cultura do clube e seus maiores, interna e externamente, e
defendê-la dos seus detratores com determinação e elevação.
G. O relacionamento interno
o Estatutos:
revisão e discussão dos mesmos reduzindo a dez anos o tempo de associado para
habilitação de candidatura à presidência.
o Sócios:
proporcionar o convívio com velhas glórias e atletas no ativo, otimizar o
quadro de benefícios agregados e manter abertos os canais comunicacionais
possíveis, num quadro de incentivo ao debate de ideias, com participação
regular de quadros dirigentes.
o Adeptos:
difusão regular e universal da atividade e objetivos do clube, incentivando
explícita ou implicitamente a adesão ao estatuto de associado.
o Investidores:
manter uma estratégia de persuasão do pequeno e médio investidor à adesão das
emissões de dívida, proporcionando segurança e retorno acima do mercado,
visando a dispersão do investimento e a independência do mercado bancário.
o Acionistas:
prevenir o acesso de acionistas hostis ao clube cultivando relacionamentos
idóneos e solidários portadores de valor estratégico e operacional.
H. O relacionamento externo
o Institucional
desportivo (clubes): cultivar a cordialidade, num quadro de respeito mútuo, com
deferência especial às entidades com vínculo histórico e social ao clube e sua
cultura.
o Institucional
tutelar (órgãos de tutela desportiva): manter atualizado o conhecimento dos
quadros competitivos e normativos, identificar e denunciar desconformidades e
anomalias, debater e propor alterações que se justifiquem adequados na defesa
dos interesses do clube e, tanto quanto possível, gerais. Defender
intransigentemente o clube, em todas as frentes, dos sistemáticos ataques
desferidos pelas várias Federações, Ligas e seus órgãos, sob a forma de
sucessivas e pesadas multas, castigos de atletas, interdições dos recintos
desportivos, aplicação arbitrária dos regulamentos - nomeadamente disciplinares
- e segregação dos seus sócios e adeptos.
o Institucional
Estatal: manter atualizado um plano de articulação dos projetos desportivos do
clube com os do desporto nacional e dá-lo a conhecer publicamente. Identificar
e denunciar os casos de descriminação do clube, em especial dos que se
revelarem preconceituosos, persistentes ou estruturais, desconstruindo a ideia,
promovida insistentemente, pelo rival do norte de que o Benfica é um símbolo do Salazarismo e do centralismo, prejudicial à democracia à descentralização.
o
Espaço público: intervenção regular nas
plataformas e canais de comunicação nacional na difusão geral dos projetos do
clube e na promoção da sua imagem, no exercício do contraditório face a ações
hostis, na clarificação de atos que dela careçam e na denúncia de atos lesivos
do clube, seus atletas, funcionários, sócios ou adeptos.
Peniche, 20 de Agosto de 2020
António Barreto
segunda-feira, 5 de outubro de 2020
Uma proposta de anteprojeto para o Benfica (1)
A.
A missão
Ganhar.
Em todas as provas, em todas as modalidades, em todas as faixas etárias, mas sobretudo
no futebol sénior, o “main driver” do
clube. Tudo o mais virá por acréscimo.
A
mentalidade ganhadora associada à excelência de execução da arte, à correção comportamental
para com adversários, instituições, adeptos e público em geral, constituem a
cultura do Benfica com a qual granjeou maciça adesão popular - a sua base
social de referência - e admiração geral dos adversários, incluindo os que o
atacam e agridem.
Urge
acabar com o discurso de relativização da derrota e do conformismo em nome de
gloriosas e sucessivas vitórias futuras, de obras fantásticas, da credibilidade
das contas e da solidariedade para com os rivais.
B.
O futebol profissional masculino sénior
o
A equipa técnica:
o Além
dos requisitos de competência, de conhecimento do futebol nacional e europeu,
de capacidade de liderança e de identificação com a cultura do clube, deve ser
independente do circuito desportivo nacional, impermeável aos jogos de poder
internos e com evidente reconhecimento internacional ou potencial para tal.
o
O plantel:
o Deve
refletir a filosofia do clube; futebol de ataque, determinado, virtuoso,
objetivo e solidário, em atualização permanente, quer ao nível de jogadores
quer ao nível tático.
o
A prospeção:
o Setor
chave, diferenciador, que requer atenção permanente pela simples razão de que o
primeiro a chegar ao mercado adquire vantagem competitiva sobre os rivais (lembremo-nos
do caso Eusébio). Se o clube não tem capacidade financeira para acompanhar os
grandes rivais europeus na disputa pelos grandes talentos, tem de chegar antes
deles.
o A
estrutura técnica deverá dotar-se de capacidade para monitorizar permanentemente
o estado da arte nas escolas de maior destaque; Europa - começando por Portugal
-, América Latina e África, sem esquecer os mercados emergentes asiáticos.
o O
objetivo deverá centrar-se na identificação de jogadores com potencial e nos
estilos enriquecedores dos modelos táticos da equipa.
o A
execução passa pela criação de uma rede de parcerias confiável, supervisionada
por colaborador de reconhecida competência, recorrendo, preferencialmente, a
gente com vínculo afetivo e cultural ao clube, ex-atletas, ex-funcionários e ex-dirigentes,
sem afastar outras possibilidades.
o
O recrutamento:
o A
equipa técnica, supervisionada superiormente, deverá manter permanentemente
atualizadas as necessidades da equipa, imediatas e a dois anos.
o Igualmente,
em articulação com os departamentos da prospeção, da formação e de recursos
humanos, deve manter permanentemente identificados os atletas alvo, definindo
objetivos prioritários e calendarizando as correspondentes contratações.
o Igualmente,
deve manter-se permanentemente atualizado o conhecimento dos valores de mercado
em cada área geográfica para cada tipo de jogador, identificando oportunidades
que justifiquem a contratação para investimento desportivo ou económico.
C.
O futebol profissional feminino sénior
o Consolidar
a superioridade interna e assumir os títulos europeus.
o Dotar
a secção de condições internas adequadas ao treino e à competição.
D.
As modalidades
o
De pavilhão, séniores masculinos:
o Futsal:
consolidar a superioridade interna e assumir a luta por títulos europeus e
mundiais.
o Voleibol:
manter a superioridade interna e assumir a luta por títulos europeus.
o Hóquei
em patins: recuperar e consolidar a superioridade interna e assumir a luta por
títulos europeus e mundiais.
o Basquetebol:
recuperar e consolidar a superioridade interna e a capacidade competitiva
europeia.
o Andebol:
dar o salto competitivo decisivo para aceder aos títulos nacionais; algo
estrutural tem falhado nesta modalidade que requer o contributo dos melhores
técnicos.
o Natação:
assumir a luta pelos títulos internos e a participação em provas internacionais
de relevo.
o De
pavilhão, séniores femininos:
o Futsal:
Consolidar a superioridade interna e assumir os títulos europeus e mundiais.
o Hóquei
em patins: manter a supremacia interna e assumir os títulos europeus e
mundiais.
o Natação:
assumir a luta pelos títulos internos e participação em provas internacionais
de relevo.
o Ténis
de mesa: manter uma equipa capaz de discutir e ganhar os títulos internos e
disputar provas internacionais de relevo.
o Bilhar:
manter uma equipa de excelência capaz de discutir e ganhar títulos internos e
europeus.
o
De ar Livre
o Atletismo
masculino: reforçar o domínio interno e assumir os títulos europeus.
o Atletismo
feminino: assumir o salto qualitativo necessário às vitórias internas e à
disputa das provas europeias de relevo.
o Triatlo
masculino: consolidar o domínio interno e europeu.
o Triatlo
Feminino: consolidar o domínio interno e europeu.
o Triatlo
misto: consolidar o domínio interno e europeu.
o Ciclismo masculino: manter um plano de ação para reintrodução da modalidade logo que seja restabelecida a credibilidade das condições de competição internas.
Peniche, 20 de Agosto de 2020
António Barreto
(Continua)






