“A Fundação Liga Portugal foi hoje aprovada
em Assembleia Geral Extraordinária (AG), pela maioria de clubes presentes.
Esta fundação de solidariedade social tem como objetivo contribuir ativamente
para a melhoria das condições de vida dos mais carenciados e para a inclusão
social, através da prática do futebol. A Liga e os clubes das competições
profissionais irão, assim, promover um conjunto de iniciativas que visam
aumentar a qualidade de vida dos seus públicos-alvo.
Resultado da votação do ponto 2. Apreciação, discussão e deliberação sobre
a proposta de constituição da Fundação da Liga Portuguesa de Futebol
Profissional:
Votos Contra: Gil Vicente (2 votos), Beira-Mar (2 votos), Oliveirense (1
voto) e Covilhã (1 voto) - total 6 votos
Abstenções : Paços Ferreira (2 votos), Feirense (1 voto) e Belenenses (1
voto) - total de 4 votos
Votos favoráveis: Marítimo (2
votos), Benfica (2 votos), Braga (2 votos), Sporting (2 votos); V. Guimarães (2
votos), Rio Ave (2 votos), Olhanense (2 votos), Estoril (2 votos) e Moreirense
(2 Votos); Penafiel (1 voto), Leixões (1 voto), Aves (1 voto), União (1 voto),
Trofense (1 voto), Freamunde(1 voto), Naval (1 voto), Sta Clara (1 voto) e
Tondela (1 voto) - total de 27 votos.
A deliberação de constituição da Fundação foi, assim, tomada com 27 votos a
favor e 6 votos contra, que se traduz numa aprovação por 82% dos votos
emitidos.
Na AG desta manhã, foi igualmente
aprovado, por maioria, o fundo inicial próprio da Fundação Liga Portugal no
valor de cem mil euros, bem como a proposta de concessão de poderes ao
presidente da Liga ou a qualquer um dos membros da Comissão Executiva para
realizar todos os atos necessários à criação e reconhecimento da fundação.”
Uma iniciativa que aplaudo sem reservas pela demonstração de que
as boas causas podem unir os mais irascíveis adversários do futebol. Num tempo
de muitas angústias, de pouca esperança, de muitas incertezas, trata-se de uma
pequena luz de esperança emergindo dum universo de avultados cifrões e muita
crispação, que espero frutifique mobilizando clubes e atletas na difusão da
solidariedade tanto quanto possível.
Uma notícia publicada no CM em
16.12.2012 assinada por J.A.R. (COMLUSA), atribui ao ex-empregado de Joaquim
Oliveira, ex-Administrador da SAD do Porto, ex-Presidente da Liga e atual
Presidente da Federação Portuguesa de Futebol, Sr Fernando Gomes (FG),
declarações onde afirma a sua convicção do apuramento da Seleção para o próximo
mundial, ainda que com dificuldade, e defende o termo da realização da final da
Taça de Portugal no Estádio Nacional “devido à falta de condições de segurança
e comodidade.”
Sendo relativa a importância da comodidade nos
estádios, a sua segurança é matéria da maior relevância justificando-se que
ambos suscitem a atenção do Presidente da FPF com vista à identificação de
todos os constrangimentos inerentes e sua resolução. A insistência na contestação
que se tem verificado por parte do lóbi portista à realização da final da Taça
de Portugal no Estádio Nacional e as ligações de FG ao mesmo, levam-me a
concluir que o argumento não passa, afinal, de um mero pretexto.
No plano meramente desportivo o
lóbi “liderado” pelo Sr Pinto considera uma desvantagem para os seus a disputa da
final da Taça num estádio localizado mais perto dos mais prováveis adversários,
nomeadamente, pela presumível maior afluência de adeptos destes.
Mas, estou certo, que o maior
obstáculo é de outra natureza:
“O objeto
de culto que domina este trabalho, um Estádio integrado num complexo desportivo,
pertence ao domínio dos ícones que, desde o séc. XX, têm congregado as maiores
e as mais heterogéneas multidões; o desporto, com predominância para o futebol,
é, para além da religião, aquele que constitui um dos objetos da cultura popular contemporânea mais estudados pelas ciências
sociais. (...) O futebol surge como suporte de investimentos simbólicos que se
inserem numa construção, mais global, das identidades coletivas. Os clubes e
respetivas equipas, constroem imagens estereotipadas das comunidades, simbolizando,
desse modo, as formas específicas da existência social. Além de elementos de
identificação emblemática, os clubes são também veículos de negociação com o
exterior (a sua existência depende do confronto com outras equipas), colocando,
por via da representatividade, a comunidade em confronto com outras
comunidades. Por esse motivo, revelam-se
elementos fundamentais para a construção/ reconstrução das identidades coletivas.”
Na
dissertação de André Cruz “O Estádio Nacional e os novos paradigmas de culto”
donde retirei os estratos acima, levanta-se a ponta do véu; o futebol foi capturado
pelo já referido lóbi - que passarei a designar de “cruzados” em contraponto à
ostensiva e pejorativa denominação de “mouros” com que os “azuis” classificam
todos os portugueses a sul do mondego -, usando-o na desconstrução de elementos
estruturantes da Identidade Nacional presentes no desporto, tentando a todo o
custo construir, em simultâneo, uma identidade regional centrada, abusivamente,
nos plastificados êxitos desportivos do seu clube, semeando ódio e
ressentimento entre os portugueses, pela via do desporto.
Foi
esta, quanto a mim, a verdadeira razão da “guerra” que o sr Costa desencadeou
contra o ex-Selecionador Nacional, o competente e digno Filipe Scolari, que,
contra sua vontade, uniu todos os portugueses em torno da Seleção Nacional e do
símbolo máximo da Nação Portuguesa: a Bandeira Nacional! Ao Sr Costa, aos seus
correligionários e a muitos regionalistas, tal como aos traidores, não convêm
os elementos agregadores dos Portugueses. Tal é o caso do Estádio Nacional!
A
Taça de Portugal comummente designada por “Festa do Futebol”, efetivamente,
aproxima e solidariza os portugueses através dos respetivos clubes, abolindo
quase completamente as fronteiras entre escalões, levando os “grandes ” aos
locais mais remotos, com seus “mágicos” da bola, e dando aos “pequenos” a
possibilidade de os baterem, até ao desfecho final, onde, perante os mais altos
dignitários da Nação, poderão com brio e honra, disputar o troféu. Esta
competição é pois um tributo à Nação e o Estádio Nacional é símbolo do
sentimento Patriótico. São estes os verdadeiros motivos do Sr Fernando Gomes enquanto
“cruzado”.
Enquanto
Administrador da SAD do Porto, Presidente da LPFP e Presidente da FPF, que fez
FG pela salvaguarda da segurança e comodidade no futebol?
·Que
fez FG para evitar as agressões de que os adversários do seu clube são vítimas,
nas imediações do estádio, no interior do mesmo ou no terreno de jogo, quando
lá se deslocam?
·Que
fez FG para garantir a punição dos bandidos que semeiam o terror entre todos os
que, correligionários ou não, desagradam ao putativo “gerente de caixa”?
·Que
fez FG para garantir a punição dos que se deslocam aos estádios adversários
para os incendiar e agredir os respetivos adeptos?
·Que
fez FG para dissuadir os mentores do chauvinismo no futebol que não hesitam em
ameaçar explicitamente os dirigentes que teimam em defender a universalidade
dos regulamentos desportivos?
·Que
fez FG para impedir que os árbitros que mais erram em favor do seu clube sejam
os que mais facilmente sobem na carreira?
·Que
fez FG para providenciar a melhoria das condições de segurança e comodidade no
Estádio Nacional?
·Que
interesses defende FG enquanto Presidente da FPF?
Cidadão e benfiquista, acuso-o de consentir a compulsiva e discricionária punição
dos Dirigentes e Atletas do meu clube pelos órgãos das instituições a que
preside ou presidiu, quase todos conotados com o seu clube; de consentir no
financiamento da LPFP com a aplicação de sucessivas multas ao Benfica por
razões claramente discriminatórias face aos restantes adversários; de defraudar
as espetativas dos Dirigentes adversários do seu clube ao convencê-los do seu empenho
na luta pela regeneração do futebol; de omissão do seu dever de denunciar e
combater o chauvinismo no futebol.
Da
Wikipédia:
“Inaugurado a 10 de Junho de 1944,
o Estádio Nacional foi uma criação do Estado Novo,
que procurava com este novo recinto não só a promoção da prática do desporto,
mas também a criação de um espaço para manifestações públicas inspiradas nos
princípios políticos vigentes.
Para que o projeto do ministro das Obras Públicas, Duarte Pacheco, fosse uma realidade, foram
consultados diversos arquitetos, entre os quais, Francisco Caldeira Cabral,
Konrad Wiesner, Jorge Segurado e Miguel Jacobetty Rosa.
A este último é apontada a “paternidade” do projeto do Estádio de Honra.
Influenciado por obras como o Estádio Olímpico de
Berlim, a edificação do Estádio Nacional levou cinco anos a ser
concluída - desde a planificação (1939) até à sua construção -,
sendo, mais tarde, inserido no Complexo Desportivo do Jamor, uma ilha verde no
seio da Área
Metropolitana de Lisboa.
Em 1967, o Estádio Nacional foi
escolhido como anfitrião para a prestigiada final da Taça dos Campeões
Europeus. O jogo foi disputado entre o Celtic Football Club
e Inter Milão. Os escoceses venceram por 2-1 e
levaram para casa a primeira Taça conquistada por um clube não latino.
Este complexo serve de Estádio oficial para a Seleção
Portuguesa de Futebol mas, devido à sua degradação, os jogos
oficiais da seleção não são realizados nele.
O Estádio Nacional recebe todos os anos a final da Taça de Portugal,
que se diz ser o ex-libris do
futebol português.
No Estádio Nacional, a simplicidade do
detalhe arquitetónico contrasta com uma conceção global inspirada numa
monumentalidade que exalta o nacionalismo próprio do período histórico em que
foi concebido.
Embora estejam afastadas do espírito dirigista
que animou as celebrações donazismo, parece de todo o interesse referir o
movimento que, no Euro 2004,originou a proliferação de símbolos patrióticos,
com a utilização exaustiva debandeiras nacionais.”
Claro
que o Estádio Nacional, mais tarde ou mais cedo será demolido, pela simples
razão de se tratar de uma obra simbólica do Estado Novo, intolerável aos falsos
profetas da Liberdade e da Democracia, que, hipocritamente, invocarão razões de
segurança e comodidade para apaziguar as dormentes consciências, depois de,
pacientemente, o deixarem apodrecer.
Como
diz a canção; a mim não me enganas tu, a mim não me enganas tu, a panela ao
lume e o arroz está cru…
O jogo seguia morno quando o
rápido estremo esquerdo do Olhanense se isolou, aproveitando uma falha
defensiva já crónica na equipa do Benfica desta época, ganhando o ressalto a
Paulo Lopes que chegara ligeiramente atrasado ao lance, sobrando a bola para
Brandão que, com a baliza deserta não teve dificuldade em inaugurar o marcador.
Tudo mudou a partir daí; os
vermelhos arregaçaram as mangas, o andamento pachorrento passou a intenso,
sucedendo-se os lances ofensivos com grande dinâmica e amplitude, sob a
condução de Gaitan. Sempre com grande empenho e muita agressividade,
os jogadores do Olhanense acantonavam-se frente à sua área defendendo com
dificuldade mas saindo rápidos para a contraofensiva tentando tirar partido da
velocidade e força dos seus extremos, metendo dois jogadores na área e subindo
a linha média para a recuperação dos ressaltos.
Os golos da reviravolta surgiram
como uma inevitabilidade, premiando o empenho e talento da renovada equipa do
Benfica que mostrou múltiplas soluções ofensivas face a uma defesa compacta e
batalhadora, apesar do atabalhoamento na finalização de muitos dos sucessivos lances
ofensivos que ia criando. Sem grandes alaridos, numa demonstração de
personalidade própria de quem está consciente das suas capacidades, matou-se
assim o “borrego” a que a comunicação social, pateticamente, tanta
importância deu,
Gostei da “rotação” de atletas,
consolidando-se cada vez mais a ideia da qualidade e integração efetiva de todo
o plantel, parecendo-me cada vez menos estranha a ideia de Jorge Jesus poder
vir a ser o nosso Fergusson. Miguel Rosa merece uma oportunidade e nós
merecemos vê-lo a jogar na equipa principal ainda que seja de forma controlada.
Gostei da equipa do Olhanense,
que me pareceu bem orientada, com boa condição atlética, com muito empenho, com
boa qualidade de passe, boa dinâmica e profundidade de jogo.
A equipa de arbitragem comandada
por Paulo Batista realizou um mau trabalho distribuindo amarelos, quase todos
injustificados, aos nossos atletas e poupando os adversários à sanção
disciplinar, incentivando o seu jogo faltoso, tendo ainda deixado por assinalar,
logo no início da partida, uma grande penalidade contra o Olhanense. Uma
equipa que está a mais no futebol. Olho da rua que já tarda.
Ah! Já me esquecia, aqui ao lado está um pratinho de bolachinas muito boas para cativar e manter a amizade dos tarecos.
"Quando aqui
cheguei a decisão já estava tomada pelo árbitro", observou, e negou
interesse em contratar Izmailov e Labyad (Sporting), mas não fez o mesmo em
relação ao central Reyes - está na rota do Benfica (ver pág. 32) -,
considerando-o "interessante". Abordou, ainda, as críticas às
arbitragens: "Fala-se sempre, enquanto existir o Gomes da Silva [vice do
Benfica]. Estar sempre a falar dos árbitros é ridículo e estúpido."
A preocupação de Pinto da Costa em
informar apressadamente os jornalistas de que nada tivera a ver com a decisão do
adiamento do jogo, revela a perfeita consciência que tem da convicção geral do
ascendente que detem sobre toda a estrutura do futebol, estrutura essa que não ousa contrariar
os seus explícitos ou implícitos desígnios. Revela ainda ser do interesse do
clube que dirige o adiamento do jogo com o Vitória de Setúbal, clube historicamente
amigo.
Acredito que tenha havido razões regulamentares
para o adiamento mas não confio no juízo de Pedro Proença que se tem revelado
condicionado em momentos capitais de alguns jogos que decidiram campeonatos em
favor do clube do engenheiro-chefe. E sei, sabemos todos, que o relvado encharcado
favorece a equipa técnica e táticamente menos dotada. A “exemplar estrutura”
não corre riscos, mesmo com adversários amigos. Por isso é “exemplar”. A
compulsiva e proverbial aquiescência das estruturas e agentes do futebol aos
seus insanos interesses constitui uma agressão a todos os outros
pseudoconcorrentes, impotentes ante tão revoltante discriminação desportiva.
Numa ilustração contundente, Joaquim
Oliveira protege Pinto da Costa dos pingos da chuva - não vá o Sr Pinto
constipar-se - e ao fazê-lo, ilustra o seu papel ao serviço da “exemplar
estrutura”; segurar o chapéu de Pinto da Costa, poupando-o dos pingos da chuva! Entenda-se; proteger o
clube da fruta de percalços financeiros, de adversários desalinhados, de comentadores
incómodos; garantir ao clube dos rebuçadinhos a docilidade dos adversários, a
anuência dos órgãos institucionais, a cumplicidade envergonhada ou descarada de agentes
políticos e judiciais garantes da impunidade geradora de indignação e revolta
dos Portugueses de Lei.
A negação
do interesse nos atletas do Sporting não convence os que não reconhecem a tal
personagem nobreza de caráter suficiente para respeitar um adversário em grave
crise desportiva e financeira, convictos de que, qual abutre, não hesitará em
tirar partido da desgraça alheia para a qual, afinal, deu precioso contributo,
ainda que indireto. O interesse por Reys
faz parte da obsessão visceral que tem pelo Benfica, mais fazendo supor ser este
clube o verdadeiro amor da sua vida.
Indignado com a “inoportunidade” das
críticas ao desempenho das equipas de arbitragem a quem o clube
dos chocolatinhos tantos títulos deve, atribuidas a Rui Gomes da Silva, mas não ao
ponto, suponho, de o mandar castigar com 11 meses de suspensão nem de o mandar espancar à porta de um qualquer restaurante do "seu" território guardado a seu contento por uma diligente PSP, o Sr Pinto
parece ter-se esquecido de que, muito antes do Sr Rui Gomes da Silva, já ele
era “catedrático” na matéria.
Em vez de dizer baboseiras, o Sr Costa
prestaria um excelente serviço ao futebol e aos Portugueses de Lei, se lhes
conseguisse explicar a razão pela qual só progridem na carreira os árbitros que
erram em benefício do seu clube. Parece que o Sr Costa só “consente” críticas a árbitros efetuadas por
si próprio ou pelos seus correligionários, revelando-se incapaz de entender a sua
crescente e inexorável insignificância à qual em breve se juntará o compulsivo
remorso, visto que ninguém pode ser feliz semeando ódio.
Faria bem o Sr Pinto, se esclarecesse as
dúvidas que pairam no espírito de muitos portugueses acerca das razões que o
levaram, há cerca de vinte a trinta anos, a recuar na sua decisão de abandonar o
futebol, que tão benéfica teria sido para quase todos.
É que, há quem recorde as notícias veiculadas na imprensa da época atribuindo
tal facto a um alegado pedido de última hora do Sr Guterres, por
escrito, propondo o estabelecimento de uma estratégia comum com vista à
regionalização, para a qual seria importante o seu contributo dada a sua
suposta capacidade de controle “politico-desportivo” dos adeptos do clube a
que preside e dos portuenses em geral. Eventos posteriores de natureza política parecem corroborar tal
tese e seria bom que esse assunto fosse esclarecido de uma vez por todas para
ficarmos a saber quem é quem, nesta debochada democracia.
Sr Costa, apesar de não faltar quem lhe
segure o chapéu, mais cedo que tarde a chuva cair-lhe-á em cima, libertando
finalmente o futebol do seu nefasto contributo.
Simpatizo com o atual Marítimo,
sobretudo pelo estilo do seu treinador, o Pedro Martins; competente,
respeitador e defensor do seu clube e respetivos atletas. Pôs o Marítimo a
praticar bom futebol mesmo após a contrariedade que representou a atribulada
saída do Kléber empenhando-se no seu
trabalho em vez de andar por aí a lamentar-se das contingências da vida de
Treinador. Os seus comentários ao jogo de hoje na flash-interview confirmaram a sua sobriedade, algo raro nos
treinadores portugueses, reconhecendo a superioridade do Benfica recusando a
desculpa fácil da grande-penalidade para justificar o peso da derrota.
O jogo iniciou-se numa toada
moderada, com o Benfica a assumir o comando da partida procurando chegar cedo
ao golo da tranquilidade. Apesar da posse de bola e dos sucessivos lances
ofensivos, tal como referiu Jesus, a dinâmica era algo pastosa tornando os
lances previsíveis confirmando o padrão característico desta época de frequentes
falhas de concretização por má qualidade do último passe.
Num lance algo fortuito mas
sempre ocorrível, como são todos os de bola parada sobre a área, o Marítimo faz
o 1-0 contra a corrente do jogo. Sem se perturbar, a equipa do Benfica
continuou a desenvolver o seu jogo com grande destaque para o jovem Matic, que mais parecendo ter quatro
pernas, aparecia em todo o lado, recuperando bolas e propulsionando a equipa
ofensivamente, onde o inevitável John fazia a cabeça em água aos pobres defesas
adversários, sacando naquele seu estilo blues,
sucessivos cruzamentos geralmente mal direcionados contrariamente ao que
lhe é habitual.
Foi assim que o golo do empate
surgiu com naturalidade e com qualidade desde a construção pelo neófito Gomes à
assistência in-extremis por Sálvio e
ao encosto fatal do inevitável Cardozo. Bem poderíamos ter chegado ao intervalo
a vencer pelo menos pela diferença mínima mas, quer o acerto da defesa
maritimista, quer a sorte do jogo da mesma, quer a falta de intensidade e
precisão nos lances por parte dos avançados benfiquistas, tal não sucedeu.
A equipa do Marítimo não trouxe o
autocarro; pressionou alto, colocando dois ou três jogadores na área do Benfica
e povoou bem o meio campo, tentando recuperar cedo a bola e impedir a
construção ofensiva adversária, trocando a bola com racionalidade e abrindo bem
a frente de ataque onde os extremos não raro faziam estragos, sacando alguns
cruzamentos bem venenosos. Porém, a superioridade técnico-tática da equipa do
Benfica foi-se impondo com naturalidade, encostando o adversário à sua área por longos períodos.
A sufocante dinâmica ofensiva
benfiquista acabaria por gerar o lance da grande-penalidade, concretizada pelo
Cardozo no seu novo estilo soupless, ficando
os maritimistas reduzidos a dez unidades, mais preocupados a partir de então em
evitar a goleada do que a tentar empatar a contenda, apesar dos esforços do
rápido Sami e do David Simão. Seguiu-se
o terceiro pelo matador da partida e o quarto, num lance de grande categoria concluído
a preceito pelo talentoso Rodrigo. Esperara o poker, que esteve ao alcance do Tacuara,
e torci pelo golo do Lima, que não se poupando a esforços, marcando ou não,
sempre faz mossa em qualquer defesa.
A equipa de arbitragem cometeu alguns
erros irrelevantes, face ao desfecho do jogo, mas que poderiam e deveriam ter
sido evitados; dois foras de jogo mal assinalados ao John e ao Matic (salvo
erro) em lances de grande perigo, fora de jogo não assinalado no lance de golo
do Marítimo, grande penalidade mal assinalada já que precedida de falta de Matic - puxou o braço ao defesa - e grande
penalidade não assinalada sobre Maxi
pelo Ricardo.
Faço votos para que a renovação
das equipas de arbitragem continue a processar-se, acabando o mais rapidamente possível
com as arbitragens assassinas, dos proenças, xistras, vascos, olegários,
elmanos, dias e quejandos, que atraiçoam o trabalho de Dirigentes, Técnicos e
Atletas, bem como as legítimas espetativas dos adeptos do futebol, ao decidirem
a sorte das contendas e das provas.
Fora com toda essa gente que há
décadas envenena o futebol graças à complacência de um país eminentemente
corrupto.
“Temos um campeonato muito difícil e a conjuntura
económica vai fazer com que o futebol português não vá ter tanta qualidade como
nos últimos anos", disse ontem Jorge Jesus. O técnico do Benfica frisou
que "muitos jogadores portugueses com qualidade" acabam por sair para
outros países, como a Roménia ou Chipre, por receberem mais, e vincou que esta
tendência se vai sentir cada vez mais no futuro.
"Às vezes oiço críticos perguntarem porque é
que o Rui Pedro está na Roménia e outro no Chipre ou Bulgária. Estão lá a jogar
porque esses países pagam três vezes mais do que em Portugal e o nosso jogador
médio vai sair para esses países", disse.
Depois, observou que as equipas de menor nomeada
vão sentir "cada vez mais dificuldades", mas manifestou-se convicto
de que os clubes vão encontrar soluções. "O povo português é muito
inteligente e vai procurar alternativas em outro lado, descobrindo jogadores em
outros mercados onde ainda ninguém lá chegou", vincou.”
Serenamente, aflorou-se-me ao espírito como se fosse uma
inevitabilidade o pensamento de que Jorge Jesus iria ser campeão europeu pelo
Benfica. Apesar da compatibilidade dos
notáveis pergaminhos do clube com este cenário, as conjunturas que desde há muito afetam o
futebol português e europeu fazem depender a conquista de títulos de outros
méritos que não os desportivos. De facto a corrupção desportiva é hoje uma
indústria altamente rentável para quem a pratica - ver “Máfia no Futebol” de Declan Hill, editora Saída de Emergência”
-, limitando-se as autoridades nacionais a um silêncio cúmplice ou
proporcionando aos tribunais os instrumentos necessários à absolvição dos
agentes da corrupção mais relevantes, na vã esperança de “lavar” a consciência,
tentando fazer crer aos cidadãos que o primado da Justiça lhes assiste
tratando-os como mentecaptos. Por outro lado, quer a UEFA quer a FIFA, entidades
altamente desacreditadas por sucessivos casos que têm
vindo a público, sabendo-se impotentes perante esta exemplarmente disseminada estrutura corruptiva,
vão lançando sucessivos planos de prevenção e combate do fenómeno, quanto a
mim, apenas para parecer que se preocupam. Se assim não fosse há muito que teriam
promovido a inclusão das tecnologias no jogo. Mas não; tais criaturas “corruptossáurias” entendem muito
doutamente que os erros de arbitragem, mesmo que grosseiros, ainda que
decisivos, ainda que denunciantes, fazem parte do jogo, pois proporcionam acesas
e apaixonantes discussões entre os adeptos, sobrelevando aqueles detalhes
ridículos eminentemente futebolísticos que costumavam deliciar os espectadores.
Entre a classe política
nacional vai-se instalando a “grave preocupação” da carência de futebolistas
portugueses nas formações nacionais, atribuindo-lhes a responsabilidade de tal
facto, enquanto anunciam “medidas” tendentes a corrigir esta “disfunção
desportiva”. Ignoram estas luminárias que tal se deve à livre circulação de
pessoas e bens no espaço europeu tornando inevitável a migração de atletas,
devido às tremendas diferenças salariais entre os vários países e fragilizando continuamente,
inexoravelmente, os clubes nacionais, grandes e pequenos, todos eles focados na
sustentabilidade financeira só possível pela rotação frequente de atletas, o
que impossibilita o desenvolvimento sustentado de qualquer projeto desportivo,
mesmo nos grandes clubes.
Graças aos atuais
dirigentes e à sua tremenda popularidade e prestígio, o Benfica conseguiu
reerguer-se e luta pela recuperação da sua inegável e desejável dimensão
europeia e mundial, contra uma estrutura que, inequivocamente, favorece o
projeto portista, beneficiando este de uma evidente convergência de interesses,
nomeadamente políticos e económicos, regionais e nacionais.
Voltando a Jorge Jesus,
é evidente que a espécie de “premonição” que me acometeu, emergiu na sequência do
evidente progresso do projeto desportivo que Jorge Jesus encabeça,
caracterizado pela coerência técnica implementada nos vários escalões e pelos
jovens valores que vão despontando oriundos da formação, que proporcionam
soluções desportivas de qualidade, estabilizando todo o projeto, também pela consequente
valorização económica global.
Jorge Jesus sabe disso,
interiorizou isso, adquirindo a serenidade necessária para desenvolver e
aperfeiçoar as suas ideias num projeto vertical. O Benfica cresceu com Jorge
Jesus e este...está a crescer com o Benfica. Tal realidade manifesta-se autonomamente,
instalando-se entre atletas, dirigentes, adeptos e…adversários, fazendo
renascer a temível mística Benfiquista, para desgosto do gerente de caixa e
seus correligionários.
Boa sorte para o
Benfica no jogo iminente com o Marítimo, equipa muito bem orientada e sempre
difícil de bater.
“…Este movimento, se
bem que tecnicamente bem executado, custou-me a morte do 1º grumete Manuel dos
Santos Barraca.
Imediatamente, da linha inimiga se destacaram alguns vultos que,
rastejando habilidosamente, tentaram ultrapassar os poucos metros que nos
separavam a fim de se apoderarem do corpo e respetiva arma, o que seria um bom
troféu de propaganda. Quase simultaneamente lançaram-se para a frente o
sargento Manuel da Costa André e o marinheiro Domingos António Botelho em
direção ao camarada caído, indiferentes ao chuveiro de balas que granizava
abundantemente, apenas preocupados em socorrer o irmão de armas. E, qual sólido
roble, com uma G3 debaixo de cada braço, o grumete Abrantes Pinto, de pé e
completamente a descoberto cobria o avanço do André e do Botelho com o fogo das
suas armas! Tudo se passava a escassos metros de mim, que, apesar das minhas
funções de comandante me obrigarem a abarcar toda a zona de ação, não pude
deixar de observar com um misto de espanto e orgulho o gesto daqueles homens.
Quando alcançaram o Barraca e iniciaram a sua evacuação, o Botelho foi atingido
mortalmente e caiu redondo no chão. Então, a minha gente, espontaneamente, sem
necessidade da mínima ordem, carregou energicamente e estabeleceu o perímetro
de forma a incluir o local onde estavam os dois camaradas mortos e o sargento
André que não recuava um centímetro. Não fiz mais do que os acompanhar,
extremamente grato pela sua coragem.”
(página 155)
Com o apoio tácito do Senegal e a
aquiescência de Oliveira Salazar às teses defendidas pela UNGP, em 11 de Agosto
de 1962 é enviada à Guiné uma missão chefiada pelo secretário de Estado do
Ultramar, Silva Cunha, para se encontrar uma plataforma de entendimento. Porém,
à última da hora, quando a delegação se encontrava já em Bissau, chegou ordem
de Lisboa para se suspenderem todas e quaisquer conversações. A UNGP viria a
ser dissolvida em 1963, ao deparar-se com o recuo de Salazar quanto à sua
decisão inicial de apoio ao movimento e a recusa de entabular negociações. A
decisão do Presidente do Conselho em suspender a iniciativa prendeu-se com a
criação da Organização de Unidade Africana (OUA), que passou a reconhecer os
movimentos ditos independentistas como os legítimos representantes dos povos
das “colónias” portuguesas e votou o governo de Portugal ao ostracismo.
(pág. 162)
(Amílcar Cabral, Palavras de
ordem Geral, cap. V) :
“Agir prontamente e com a maior severidade contra a tentativa de
deserção e contra os desertores …O desertor ou os que tentam desertar devem ser
desarmados, presos, julgados e punidos…A partir de agora, o desertor individual
ou o responsável ou responsáveis principais duma deserção coletiva devem ser
presos e condenados à morte. Se conseguirem fugir devem ser liquidados lá onde
se encontrem!”
(Alpoim Calvão):
E agora senhores desertores? Consciência tranquila? Nem o tecnicamente não
desertor Manuel Alegre escapava à pena de morte se lhe tivesse sido aplicada
esta justiça do PAIGC às suas actuações Argelinas!
Sei que muitos antigos combatentes do PAIGC não têm consideração
nenhuma por estes senhores. Antes admiram homens como o António Lobato que, em
sete anos e meio de cativeiro, soube resistir a todas as pressões, inclusive do
próprio Amílcar Cabral, para assinar um papelinho em que declarasse ser contra
a guerra dita colonial. Assinatura essa que lhe valeria a liberdade imediata e
transporte para qualquer país europeu. Senhores compatriotas deste Portugal de
quase nove séculos! Quem escolhem: o poeta Alegre ou o major Lobato? Honro-me
de chamar amigo a este Português de Lei…
Transcrevo ainda Cabral: “Levar a ação armada, com urgência aos meios
urbanos…bombardear mesmo as praças das vilas e cidades…”
Na escola de quadros situada na Guiné-Conacri, em palestras aos
dirigentes, Amílcar Cabral afirmava: “Dar um tiro a um tuga no caminho ou
emboscada é um ato político de primeira grandeza.” Para um amigo do Povo
Português não deixa de ser uma afirmação interessante.
(Pág. 169):
As praças começaram a refilar,
dando sinais de um evidente descontentamento, qua acabou por degenerar em
contestação aberta e num movimento semelhante à greve, atentatório dos mais
elementares princípios da disciplina militar, com a recusa em sair das
instalações dos famigerados bunkers para
comparecer às formaturas, aos serviços, etc.
Reconhecia Alpoim Calvão que a
proteção superior dos abrigos tornava a vida dos homens infernal. Mas
movimentos contestatários não os tolerava e resolveu o assunto com o argumento
que utilizava sempre com grande sucesso quando todos os outros se revelavam
ineficazes. Entrando no alojamento das praças mais recalcitrantes, berrou com
voz forte de comando, de quem não admite sequer a mais pequena hesitação:
- Saem todos imediatamente e formam lá fora. Quem não quiser vai jogar
à bofetada comigo. Depois estão à vontade.
Todos obedeceram e o incidente
ficou sanado.
(Pág. 183):
Horas depois, o ruido surdo de um
motor alerta os fuzileiros para uma embarcação, logo identificada como sendo do
PAIGC.
De armas aperradas, quando os
fuzileiros sentem que a embarcação está à distância de lhes não poder escapar,
largam com os botes do seu ancoradouro e arrancam a toda a velocidade ao mesmo
tempo que o comandante Calvão grita em francês ordem para parar as máquinas. A
recusa em obedecer veio através do crepitar das armas ligeiras pelo que, sem
hesitar, os fuzileiros lançaram-se ao assalto. Calvão, no afã da abordagem,
acaba por ver-se forçado a largar a sua G3, mas isso não o detém e sequer o faz
hesitar. Já a bordo, envolve-se em violenta luta corpo-a-corpocom o timoneiro do navio que prontamente
elimina e é com a arma arrancada ao inimigo, uma Simonov russa, que continua a combater. Sem demora, o reduzido
grupo de fuzileiros aniquila todos os focos de resistência e toma o controle da
embarcação. Foi um dos momentos mais marcantes da carreira militar de Alpoim
Calvão, que ainda hoje, passados que são tantos anos, guarda a arma que
capturou nesse combate.
(Pág. 184):
…É pois naquele ponto perdido no
meio do mar que foi deixado o comandante Calvão, sem ter necessidade de
qualquer armamento já que se encontrava muito longe de terra. Sucede porém que
aquela era uma posição recentemente cartografada, pelo que apenas se encontrava
assinalada nas cartas náuticas. Nas da Força Aérea nada constava e para as
aeronaves aquele ponto nada mais era do que mar imenso. Assim, os helicópteros andavam
a sobrevoar toda a costa da Foz do Cacine, não podendo supor que o seu objetivo
se encontrava naquele baixio tão distante. Entretanto, como o resgate demorava,
a maré que inicialmente se encontrava na baixa-mar começa a subir e a restinga
a ficar submersa, pelo que o comandante se ia aproximando cada vez mais do farolim.
A certa altura, e já com os pés molhados, nada mais lhe resta senão começar a
subir pela estrutura, mas quando olha para cima, percebe que não está sozinho: uma
enorme jiboia encontrara no farolim um refúgio seguro e, enroscada no seu topo,
observava atentamente o recém-chegado. A um e a outro resta apenas a partilha
do espaço, cada vez mais exíguo devido à subida das águas. Uma espera que teria
sido interminável não fosse a iniciativa do piloto de um dos helicópteros, que
alargara o raio de busca…
(Pág. 189) …Assim, o grande objetivo
preconizado por “A Solução do Problema da
Guiné” (autoria do General Spínola) resumia-se a duas linhas de força:
-
Acelerar a promoção económico-social da Província em equilíbrio com a promoção
sociocultural das populações autótones tendo em vista eliminar as causas da
subversão;
-
Ganhar o tempo necessárioe assegurar o
espaço vital para se atingirem em tempo útil os objetivos primários da política
nacional.
A conclusão deste documento não
deixa margem para qualquer dúvida, ao afirmar perentoriamente:
“O tempo corre a nosso favor na medida em
que formos concretizando os objetivossocioeconómicos,
que anulam as razões básicas da subversão. Portanto, caminhamos para a vitória
final e esta encontra-se perfeitamente ao nosso alcance.”
…A doutrina com que, entretanto, Amílcar
Cabral incentivava os quadros do PAIGC assentava em apregoar os malefícios do
colonialismoe as virtudes da luta de
libertação, bem expressas nas “Palavras de Ordem Gerais”, um opúsculo que o
Secretariado-Geral do PAIGC editara e difundira em Novembro de 1965.
O pensamento de Cabral aí
exposto, com a apregoada conceção humanista do seu autor a ser desmentida a
cada parágrafo, fazia a apologia da violência e do ódio, incitando à destruição
de tudo aquilo que os portugueses haviam construído, mesmo que fossem os frutos
de uma ação benéfica para o povo guineense:
“…A definição do Povo depende do momento que se vive na terra.
População é toda a gente, mas o povo já tem que ser considerado em
relação à própria história. Mas é preciso definir bem o que é o povo, em cada
momento da vida de uma população. Hoje na Guiné e em Cabo Verde, povo da Guiné
ou Povo de Cabo Verde, para nós, é aquela gente que quer correr com os
colonialistas portugueses da nossa terra. Isso é que é o povo, o resto não é da
nossa terra nem que tenha nascido nela. Não é o povo da nossa terra, é a população
da nossa terra mas não é povo.
…Portanto, a maior parte do nosso povo é nosso Partido. E quem mais
representa o nosso povo é a direção do nosso Partido. Que ninguém pense que lá
porque nasceu no Pico da Antónia ou no fundo do Oio, ele é mais povo do que a
direção do nosso Partido, mentira.
…Portanto, aqueles que têm amor pelo nosso povo, têm amor pela direção
do nosso Partido. Quem ainda não entendeu isto, não entendeu nada ainda.”
(Pág. 192)
“…Certo dia reparou que no livro
do DFE 8 se encontrava lançado um registo assinado pelo imediato da unidade, o
segundo-tenenteSanches de Oliveira, em
que ele referia ter dado ordens a um grumete para abrir um buraco no chão e que
este se negara, afirmando que não era para ser cavadormas sim fuzileiro que tinha vindo para a
Guiné.
“…Chamei o imediato e perguntei-lhe:
- Olha lá e tu o
que é que fizeste?
- Oh comandante -
respondeu o “Sueco” - ele não quis ir…
- Não podemos dar
uma ordem e permitir que eles não a cumpram. Eles têm de cumprir a ordem seja
lá de que maneira for.
- Mas comandante,
eu já não sabia bem como fazer…
Eu vou-te mostrar como é que se faz. Chama lá
o grumete. E veio o grumete. Então eu disse ao imediato:
-
Agora procede como fizeste da outra vez.
E assim foi. O imediato mandou buscar a enxada.
- Agora o que é
que disseste ao Grumete?
Sem esperar resposta, entreguei-lhe a enxada e disse ao grumete:
- Faz o que o
imediato te mandou e abre o buraco.
Ele não quis dar o braço a torcer e alegou:
-…ai…eu…não sei
quê…!
-Olha lá, tu tens
que cumprir as ordens, abre o buraco!
Renitente continuou a dizer que não abria. Eu então tirei-lhe a enxada
das mãos e parti-lhe o cabo nas costas e disse:
- Agora, com o
resto da enxada, abre o buraco!
E ele, imediatamente começou a abrir o buraco. Virei-me então para o imediato
e disse-lhe:
- É assim que tens
de fazer. Dás uma ordem (legítima), tens de a fazer cumprir.