Desporto

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Os malefícios da concentração económica



O CM de 11.04.2013, publica uma crónica sob o título "Família do Pingo Doce tem salário de Milhões" na qual refere que a família Soares dos Santos terá ganho em 2012, só em salários, 2,6 milhões de euros e que, pelos 56,1 % do capital da sociedade receberá a título de dividendos em oito de Maio próximo, 104 milhões de euros, constituindo um aumento de 7,3% face ao ano anterior.

Não nego os benefícios económicos das grandes superfícies, nomeadamente pelo aumento de concorrência que proporciona e consequente impacto na estabilidade dos preços, pela diversificação da oferta, facultando acesso a bens de outra forma inacessíveis à generalidade da população, pela melhoria da qualidade  de acondicionamento e conservação dos produtos, especialmente os refrigerados e congelados, pela maior amplitude dos horários de funcionamento, facilitadores do quotidiano das pessoas, até pelo efeito de entretenimento que proporciona a muitas famílias, as quais chegam a organizar "expedições" regulares aos hiper!
No entanto, nem tudo são rosas. O método de venda estimula o consumo supérfluo tendendo a absorver as poupanças proporcionadas pelos mais baixos preços, induz aumento de gastos com deslocações atenuados pelos competitivos preços dos combustíveis que proporciona e...destrui postos de trabalho! Sim, não cria emprego líquido, destrui emprego pelo efeito da concentração da riqueza. O que antes era distribuído por muitos é hoje afecto a muito menos, o que antes provinha da produção local, em grande parte, vem agora de longínquas paragens.  Não menos importante, arrefece as relações pessoais, materializa-as, retira-lhes o afeto; afeto, simpatia e até amizade, que é possível ver num mercado tradicional, onde as pessoas se encontram e conversam querendo saber umas das outras, trocando notícias e transacionando...produtos locais.

A instalação dos hiper nas periferias desloca para lá as populações esvaziando os centros urbanos, impondo investimentos de toda a sorte; transportes, infraestruturas, saneamento...agravando os encargos com combustíveis e correspondentes emissões poluentes;«De cada vez que estudantes e trabalhadores saem de casa, são libertados cerca de 6,1 milhões de kg de CO2. Os movimentos pendulares valem 24 por cento das emissões dos transportes», noticiava a imprensa há três dias.

Não creio que os produtos de origem longínqua reflitam os correspondentes efetivos custos globais, nomeadamente, no impacto ambiental direto e indireto, bem como em equipamentos, infraestruturas e serviços vários alocados. Considero que os governos deveriam negociar com os hiper, quotas de comercialização de produtos locais que permitiriam reduzir importações e criar emprego. De igual modo, deveriam negociar quotas de exportação de produtos nacionais através das suas redes próprias de comercialização externa. Tal estratégia, visaria garantir um saldo positivo, quer económico, quer laboral. Então sim, até olharia com simpatia para as remunerações faraónicas a que, parece, auferem.

Até lá, proponho umas contas feitas à pressa; 100 ME por 56,1 % correspondem a 178 ME de dividendos distribuídos. Considerando que outro tanto poderá ter sido alocado a reservas de capital, chegaremos a um lucro líquido depois dos impostos de 356 ME.  Ora, se tal corresponder a 10% do valor da faturação total, chegaremos à bonita soma de 3560 ME! É lá! Continuando; para uma faturação anual de 100 mE resultariam 35600 micro empresas, com um resultado líquido anual próximo dos 20 mE, suficiente para, cada uma delas, financiar  uma família normal de 3 pessoas a que juntaremos mais 2 trabalhadores por firma. Teríamos assim que, só os dividendos em causa, poderiam proporcionar sustento direto a 178000 pessoas! É obra! 


Mas não é tudo! Acontece que, no final da cadeia de valor, estas organizações identificam todas as fileiras económicas conexas rentáveis, constituindo grupos económicos fechados, "secando" a concorrência, graças às economias de escala e relacionamento comercial privilegiado. O resultado é que, enquanto as 35600 empresas recorriam aos serviços locais; do pedreiro, do canalizador, do eletricista, do pintor, do carpinteiro, do frigorista, do informático, etc, agora, esse serviço é assegurado pelas firmas do próprio grupo que assim alavancam o valor da casa mãe. Adotando como razoável uma proporção de 10% teríamos mais 3560 micro empresas, provavelmente, mais 7120 pessoas, perfazendo um total de 185120 pessoas! É obra! Se agora, por um simples acaso, o grupo do "ti Belmiro" conseguisse a mesma performance, chegaríamos ao bonito resultado de 370240 pessoas! Ora se bem me lembro, ainda temos o Jumbo, o Carrefour, o Lidl, o Intermarché, o Leclerc, o Minipreço,  etc. Se todos eles valerem o mesmo que os dois anteriores, então...teríamos o problema do desemprego resolvido; 740480 pessoas! E por aqui fora, onde haja concentração económica!



Se não me escapou nada, resta-me aguardar o telefonema do Sr. Primeiro Ministro!


Recepção em St James Park; o que a fruta não compra.

 
 

É O BENFICA!

 
 



Newcastle-Benfica (1-1); venham as meias-finais.

Não foi um jogo brilhante; na segunda parte foi até deprimente, estúpidamente deprimente, exceto nos cinco minutos finas, onde a nossa equipa "matou" o jogo; algo que poderia e deveria ter feito ainda na primeira parte em várias ocasiões flagrantes. Foi um golo catártico; fiquei com dúvidas acerca da intencionalidade do excelente cruzamento de Rodrigo, mas não do inteligente remate de Sálvio a colocar a bola fora do alcance do guarda-redes, após entrada fulgurante sobre o estático defesa confiante na receção do esférico.
 
O Benfica adotou uma tática de controlo, bloquendo a esperada intensa dinâmica ofensiva contrária, partindo para transições ofensivas que lhe permitissem marcar cedo, o tento da tranquilidade.  Ganhou-se a luta do meio-campo, muito bem apoiado durante toda a primeira parte, na qual, os nossos atletas venciam quase sempre os duelos individuais. Faltou pé direito a Gaitan para meter a bola ao 2º poste, bem fora do alcance do defesa que fechava o primeiro, naquela perdida incrível. Neste período. não me recordo de o Newcastle chegar com perigo à baliza de Artur, exceto no lance do golo em posição de fora-de-jogo; algumas oportunidades de remate de meia-distância foram concluidos de forma algo disparatada.
 
No 2º tempo, a equipa do Benfica cedeu o meio-campo ao adversário, recuou no terreno, tornou-se surpreendentemente lenta e complicada, proporcionando o desenvolvimento de sucessivos lances ofensivos adversários, nos quais, geralmente, sobrava o empenho mas faltava o talento. Foi num lance de insistência meio atabalhoado, com muita passividade da defensiva vermelha, que o Newcastle fez o golo auto-estimulante, já depois de novo susto ao colocar a bola nas redes de Artur, mais uma vez, num lance de fora-de-jogo assinalado (a diferença que fazem os bons dos maus árbitros). Sentindo a eliminatória perigar, os atletas do benfas meteram a terceira e fizeram, brilhantemente, o desempate para desespero dos beefs.
 
Há muito que é para mim clara a necessidade de um armador de jogo; um Aimar em boa condição, com capacidade para receber e segurar a bola, driblar, criar espaços e desenhar os lances ofensivos. Não compreendo a sucessiva  falta de marcação do extremo direito adversário, sempre soltíssimo da silva, para receber, controlar, ler, transportar e cruzar! Foram talvez perto de uma dezena de lances sempre perigosos, precisamente na zona por onde nascera o lance do golo na Luz! Tudo sem que a equipa fizesse a correção da compensação necessária! How come! Luisão! Artur!Jesus! Ola John! Não é possível!
 
É importante manter a capacidade de aprender com os erros próprios e dos dos adversários.
 
Preparemo-nos para o seguinte, que este já está.

PS: Gostei da homenagem a Boby Robson; um Homem que sempre respeitei apesar de duplamente rival. Também gostei do ambiente de cordialidade entre as equipas e Técnicos.
 
 

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Filosofia e metodologia da corrupção no Futebol


In Máfia do Futebol de Declan Hill

   "A moralidade é algo delicado de julgar. É fácil sentarmo-nos e pensarmos:"oh, eu nunca me envolveria no arranjo de um jogo!" Mas o que aconteceria se muitos outros clubes desse campeonato arranjassem jogos? Há duas perguntas que um potencial arranjador tem que colocar a si próprio: serei alguém com sentido moral e será a competição em que estou moralmente sã? Neste caso, um dos adversários do Baltika tinha princípios que o impediam de arranjar o jogo, mesmo estando condenado à despromoção. No entanto, a verdadeira questão de Dmitri Chepel é se haveria outra equipa, um rival do Baltika na luta contra a despromoção disposta a fazê-lo.
 
O problema para Dmitri Chepel nesta fase é simplesmente não saber o que outras equipas rivais possam fazer. É este fator de incerteza que determina o fenómeno dos pagamentos de incentivo no campeonato Russo, em que uma equipas pagam aos oponentes dos seus adversários diretos para que joguem honestamente e não aceitem qualquer suborno para o arranjo do jogo.O CSKA de Moscovo é um dos maiores clubes do campeonato Russo, e o seu Presidente Yevgeny Giner, falou abertamente acerca de pagamentos de incentivo feitos a equipas para que estas não participassem em arranjos que beneficiassem os rivais do CSKA. Giner foi também, inacreditávelmente, o Presidente da Primeira Liga Russa em 2006. Por isso, se esta situação é normal no campeonato, a decisão de Chepel em não pensar nas questões morais do arranjo é compreensível."
 
   "Os jogadores do Baltika e do Kalinegrado são considerados tão ridiculamente inaptos que não conseguiriam ganhar um jogo que não fosse arranjado. No entanto, equipas fortes também arranjam jogos com equipas mais fracas. Em Maio de 1993 Jean-Pierre Bernès e Bernard Tapie decidiram arranjar um jogo. Bernès era o Secretário Geral do Olympique de Marselha e Tapie o Presidente do clube, e um ex-Ministro do Governo Francês. O Marselha ia jogar com o Valenciennes FC. Em teoria, tratava-se de um jogo fácil para o Marselha: eram uma das equipas mais fortes da Europa e o Valenciennes era o antepenúltimo no campeonato francês da primeira divisão. Mas Tapie e Bernès, convenceram um dos seus jogadores, Jean-Jacques Eydelie a abordar alguns jogadores do Valenciennes para que entregassem o jogo.
 
   Depois do contacto feito por Eydelie, Bernès falou com um dos jogadores do Valenciennes e disse-lhe: " vão perder seja como for. Porque não fazê-lo com 30 mil francos no bolso?" É uma grande frase e é a chave que explica porque muitos jogadores e árbitros aceitam subornos para arranjarem jogos. Resume também a questão que muitos colocaram a si próprios acerca deste caso: porque iria o Marselha sequer dar-se ao trabalho de arranjar o jogo? O que terá passado pela cabeça de Tapie e Bernès para arriscarem as suas carreiras no arranjo de um jogo à partida tão fácil?
 
   A resposta é complicada.Em parte, tal como escreveu mais tarde Eydelie, isso deveu-se o surgimento de uma cultura de corrupção dentro da equipa do Marselha. Essa cultura tinha-se tornado tão enraizada que os dirigentes, com excesso de confiança e ousadia,assumiram que "a batota tinha-se tornado uma segunda natureza." Por outra parte, o objetivo era preservar os seus jogadores de lesões: tinham um outro jogo, e mais importante, na semana seguinte."
 
   "...A questão final que um dirigente corrupto deve fazer-se é se a Liga ou outra força exterior (a Polícia) irão impor-lhe sanções caso seja apanhado. Na verdade, trata-se de duas questões numa: será que vou ser apanhado? E: caso seja apanhado, serei punido?
 
   Bernard Tapie errou por completo nesta questão. Foi descoberto e enviado para a cadeia. Mas no caso do Baltika, Chepel e os seus ajudantes não pareciam pôr a possibilidade de quaisquer sanções pelas suas atividades corruptas. As suas tentativas de arranjar o jogo são genuinamente impressionantes pela sua meticulosidade. Contactaram, alegadamente, quase todas as pessoas que poderiam ajudá-los no arranjo: jogadores rivais, treinadores, administradores e árbitros.Contudo, pelo que podemos observar através das transcrições e da posterior cobertura jornalistica, ninguem delatou as suas ações às autoridades e nenhuma sanção vinda das autoridades futebolísticas foi alguma vez aplicada a Chapel ou ao Baltika."
 
   "...Em muitos campeonatos Europeus, os donos dos clubes fazem favores uns aos outros, tais como ordenar às suas próprias equipas que percam um jogo, e recebem o pagamento através de um pagamento mais tarde, que pode ser um arranjo ou uma transferência de um determinado jogador. Em Itália e em Portugal, esta prática é de tal forma vulgar que têm mesmo um nome para ela: il sistema, ou "o sistema."
 
Zaratustra:
 
Tudo isto nos é demasiado familiar em Portugal! Uma velha história quase a papel químico, não é verdade? Alguém deveria ter ido para acadeia!

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Traição no futebol


In A Mafia do Futebol de Declan Hill

"Franceze foi muito franco: 'A minha opinião pessoal, a de alguém que esteve envolvido no crime organizado e no jogo ilegal é de que é muito fácil de fazer...é muito fácil fazer com que um atleta profissional fique "do nosso lado". Perdíamos imenso tempo a tentar que estes tipos fizessem isso...fazíamos deles o nosso alvo...Porra, na maior parte das vezes eram eles que vinham ter connosco!"
 
"Os Atletas gostam de apostar. Assumem riscos de forma confiante e agressiva. Tudo o que os torna bons Atletas, torna-os bons apostadores...Quando tinham um problema connosco, resolviamo-lo usando-os para fazerem coisas para nós.Púnhamo-los a marcar menos pontos, sabe como é, ou então a jogar um bocadinho abaixo das suas capacidades. Ou então, apenas a darem-nos informações, a contarem-nos o que sabiam."
 
"Podíamos abordá-los ou pô-los na cama com uma mulher. Ela fica grávida ou finge que fica. Isso ia influenciar, imediatamente, o jogo deles. Ou então punhamo-los numa festa até às tantas na noite antes de um jogo."
 
"...havia mensageiros. Eram bons jogadores, bons amigos da equipa. Algumas vezes eram tipos que encontrávamos numa discoteca. O dono ou alguém assim, e andavam em festas connosco durante meses. E então, talvez, diziam alguma coisa. Estes tipos eram essenciais. Tinham que ser tipos com acesso aos jogadores. Tinham que ser tipos em quem os jogadores confiassem. Era a mesma coisa que nos arranjos de criquete. Eram precisas pessoas que pudessem estar em contacto com a equipa. Eram vitais. Tinham que ser pessoas que pudessem ir ver os treinos ou os jogos."
 
"David C. Whelan, um antigo polícia de Nova Jersey e agora professor de Direito Criminal, escreveu sobre o envolvimento do crime organizado na manipulação de resultados no basquetebol universitário. Ele afirma que, no início da sua relação, os arranjadores pagam o "bónus de vitória" aos jogadores de forma mais ou menos regular. Os jogadores vêm os "bónus de vitória" de forma relativamente benigna: ao mesmo tempo, ganham e mantêm a lealdade para com a sua equipa, e mantêm o prémio financeiro que advém do arranjo dos jogos. Contudo, estes pagamentos eram muitas vezes o que Whelan chama de "portais do crime", através dos quais os jogadores entravam na rede de arranjo de jogos quase sem se darem conta.
 
"O que eu faço é ter omeu mensageiro junto ao banco de suplentes, vestido com uma camisola vermelha, se a mensagem for de que devem perder. Quando as equipas entram no campo, ficam junto à linha de meio campo a saudar os espectadores. Quando a minha equipa vê o mensageiro de camisa vermelha, ficam a saber que devem abrir o jogo. Se quizesse que eles jogassem duro, mandava o mensageiro vestir uma camisola azul. Quando os jogadores vêm o mensageiro, devem pôr as mãos sobre o peito, como se estivessem a saudar o público. É o seu sinal para nós dizendo que viram e perceberam a mensagem. Depois não podem dizer que não tinham visto o sinal."
 
"Em geral, os arranjadores de jogos fazem estes pagamentos em duas fases. A primeira trata-se de um adiantamento, ou "dinheiro para café ou para compras", pago antes do jogo. Este é o pagamento que fecha o negócio e garante que o jogador irá colaborar com o arranjo. O pagamento principal, contudo, está reservado para depois do jogo, quando o jogador cumpriu já e com sucesso a sua missão. O local desse pagamento é quase um sítio neutral e distante do mundo do futebol: uma discoteca ou um restaurante."
 
"No dia XX, nesse jogo em Singapura, perdemos. Jogámos abaixo do nosso nível. Fui para o hotel. Nessa noite...o Chieu tinha arranjado quatro prostitutas de luxo para quatro jogadores."
 
Zaratustra:
 
Vem tudo isto a propósito da crónica de Tânia Laranjo publicada no CM em 05.04.2013 na secção de desporto sob o título: "Pepe "traiu" Marítimo. Nela se refere que, na época 2003/2004, meses antes de ser transferido para os azuis e brancos, Pepe terá informado os dirigentes deste clube da estratégia que o seu clube iria adotar no jogo contra os dragões. Refere que, na escuta revelada no CMTV, Pinto da Costa terá dito a Pinto de Sousa - à época Presidente doConselho de Arbitragem da FPF -, que Pepe tinha dito que o Marítimo iria oferecer um elevado prémio de jogo. Apesar de saber que Pepe não jogaria esse jogo, Pinto da Costa, precisava ainda da ajuda do dirigente para dar uma "palavrinha" ao árbitro, comenta Tânia Laranjo.
 
 E é disto que certa gente diz que se orgulha!
 
Os corruptos do século!

terça-feira, 9 de abril de 2013

Os Artistas do Século!





 
 
 


 
 
 
ASSIM VAI O DESPORTO PORTUGUÊS! 
 
Os Artistas do Século!
 
 
A Exemplar Estrutura
 

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Andrés Segóvia e Villa Lobos

  

Prelúdio Nº 1 em Mi m
Do nosso primo Villa Lobos
 
In Wikipédia (editado por Zaratustra):
 
Andrés Segóvia (Linares, Espanha, 21 de fevereiro de 1893 — Madri, 3 de junho de 1987) foi um guitarrista espanhol. Considerado o pai do guitarra clássica pela maioria dos estudiosos de música, Segóvia dizia que tinha "resgatado o violão das mãos dos ciganos flamencos". Construiu um repertório clássico para este  instrumento o qual passou a figurar nos concertos das grandes salas. Muitos compositores fizeram obras especificamente para ele, como Turina, Villa-Lobos, Castelnuovo-Tedesco e Pedrell. Pablo Casals, considerado o melhor violoncelista de sempre juntamente com a Matosinhense Guilhermina Suchia com quem casou,  foi um grande admirador e apoiador de Segovia.
 
A introdução de Segovia à guitarra foi aos quatro anos de idade; quando era pequeno, o seu tio entoava-lhe canções enquanto ele tocava numa guitarra imaginária. Isso incitou Segóvia a tentar elevar a guitarra para o estatuto do piano e do violino. Em particular, ele queria que a guitarra fosse tocada e estudada em todos os países e universidades do mundo e passar o seu amor por ela para as gerações futuras.
 
A primeira apresentação de Segovia foi em Espanha, quando tinha 16 anos. Poucos anos depois, fez o seu primeiro concerto profissional em Madrid, tocando transcrições de Francisco Tárrega e algumas obras de Bach, que ele próprio transcreveu e arranjou. A sua primeira digressão foi pela América do Sul, em 1916. Em 1924 apresentou-se em Paris e em Londres. Seguiu depois por várias outras cidades na Europa e na Rússia.
 
Embora não fosse aprovado pela família, Segóvia prosseguiu os estudos de guitarra. A sua técnica diferenciou-se das técnicas de Tárrega e dos seus sucessores, como Emílio Pujol. Como Miguel Llobet (que pode ter sido seu professor por um curto período), Segóvia atacava as cordas com uma combinação da unha com a ponta dos dedos, produzindo um som mais preciso do que os seus contemporâneos. Com esta técnica, foi possível criar uma paleta de timbres maior, em comparação com o uso do dedo ou das unhas.
 
Muitos músicos proeminentes acreditaram que a guitarra de Segóvia não seria aceite pela comunidade da música erudita. Aesar disso, a excelente técnica de Segovia e o seu toque único atordoaram plateias. Consequentemente, a guitarra deixou de ser vista estritamente como um instrumento popular passando a ser aceite para interpretação da música erudita.
 
Como progredia na sua carreira e tocava para audiências cada vez maiores, Segóvia constatou que as guitarras existentes não eram adequadas para tocar em grandes salas porque não conseguiam produzir volume de som suficiente. Isso estimulou-o a procurar inovações tecnológicas que poderiam melhorar a amplificação sonora natural da guitarra. Trabalhando a par com o luthier Hermann Hauser, Segóvia, ajudou a conceber a que hoje é conhecida como guitarra clássica, usando melhores madeiras, cordas de nylon e alterando o seu formato..A nova guitarra podia produzir notas com maior volume sonoro do que os modelos anteriores usados em Espanha e noutras partes do mundo, embora fosse ainda baseado no modelo básico desenvolvido por Antonio Torres quase 50 anos antes de Segóvia nascer. Depois de uma viagem de Segovia pelos Estados Unidos em 1928, Heitor Villa-Lobos compôs e dedicou-lhe os "12 Estudos". Segóvia também transcreveu muitas peças eruditas e reescreveu obras transcritas por outros (como Tárrega). Muitos guitarristas nas Américas, entretanto, já tinham tocado as mesmas obras antes de Segovia chegar.
 
Em 1935, fez a estreia da "Chaconne" de J. S. Bach, uma peça difícil para qualquer instrumento (original para violino solo). Mudou-se para Montevideo, fazendo muitos concertos na América do Sul nas décadas de 30 e 40. Depois da II Guerra, Segóvia começou a gravar mais frequentemente e a fazer digressões regulares pela Europa e EUA; uma agenda que ele manteria pelos 30 anos seguintes da sua vida.
 
Segovia ganhou o prémio Grammy pelo Melhor Trabalho Erudito - Instrumental em 1958, pela sua gravação Segóvia Golden Jubilee. Como reconhecimento da sua enorme contribuição cultural, em 1981 foi-lhe atribuido o título nobiliáquico de Marquês de Salobreña. Andrés Segóvia continuou a apresentar-se, já idoso, e viveu uma semi-reforma durante os anos 70 e 80, na Costa del Sol. Dois filmes foram feitos sobre a sua vida e obra - um quando tinha 75 anos e outro 9 anos depois. Estão disponíveis no DVD Andres Segóvia - in Portrait.
 
Segóvia teve muitos alunos durante a sua carreira, incluindo alguns guitarristas hoje famosos como Steve Hackett, John Williams, Rouland Solarese, Eliot Fisk, Oscar Ghiglia, Charlie Byrd, Christopher Parkening, Michael Lorimer, Michael Chapdelaine, Virginia Luque e Alirio Diaz. Muitos outros guitarristas, como Lily Afshar, foram também influenciados pelas históricas master-classes. Estes alunos, entre muitos outros, carregam a tradição de Segovia de expandir a presença, o repertório e o reconhecimento da guitarra.
 
Morreu em Madrid, vítima de ataque cardíaco, aos 94 anos, tendo completado o desejo de transformar a guitarra (outrora um instrumento de dança cigana) num instrumento de concerto.
 
 
Zaratustra:
 
A sonoridade que emana da guitarra de Andrés Segóvia é única, inigualável. Só se o percebe depois de muitas e repetidas audições, descobrindo detalhes surpreendentemente fascinantes em cada nota.


Olhanense-Benfica (0-2)

Mais um obstáculo ultrapassado, com menor dificuldade do que a que era anunciada, especialmente quando se soube da nomeação do àrbitro Hugo Miguel - um dos obreiros do campeão transato - e do alegado jantar do Presidente do Olhanense, na cidade do Porto, no restaurante de um familiar de Reinaldo Teles na véspera do jogo. Ná; ali havia marosca!

Manuel Cajuda é um homem sério e um dos Treinadores que mais sabe de futebol. Ainda por cima é Benfiquista! Temia-o. Acresce que, tradicionalmente temos dificuldades em Olhão, sobretudo depois do estreitamento de relações dos Dirigentes deste clube com os do Porto, que têm procurado transformar aquela cidade num centro de difusão do anti-Benfiquismo, como têm pretendido fazer em Braga.

O Olhanense queria o pontinho da ordem - devia alterar-se o atual sistema de pontuação que atribui 1 ponto às equipas antes mesmo de nada terem feito no plano competitivo -, como tal, montou o autocarro de primeiro andar frente à sua área, fechando os caminhos da baliza graças há sua superioridade numérica dentro e nas imediações da área. Pensei; como é que raio pode o nosso futebol ser competitivo se grande parte das equipas se limita a tentar impedir o adversário de jogar? E como sobreviverá o futebol nestes preparos?
O certo é que, apesar disso, o Benfica criou claras oportunidades de golo inconcretizadas ainda na primeira parte, nomeadamente por Lima e Sálvio. Quanto ao Olhanense, nem sequer fazia pressão alta! Sem bola, todos os atletas recuavam para bem dentro do seu meio-campo. Queriam o pontinho, o pontinho que talvez lhes garantisse o pagamento do resto dos salários e a esperança da manutenção.
A ansiedade ia-se instalando em casa, sobretudo pela desconfiança relativamente ao árbitro, que já tinha perdoado aos de Olhão uma falta para grande penalidade cometida mesmo nas suas barbas e fazia vista grossa ao jogo marginal dos seus atletas.
Foi Sálvio que abriu a muralha com um excelente remate cruzado, saltitante e colocado, efectuado entre três defesas, surpreendendo Bracalli, enquanto eu pedia para endossar o esférico ao extremo direito prevendo, erradamente, a eminência da perda da bola. Um cruzamento tipo carambola de Lima colocou o esférico ao alcance de Matic, que, de pé esquerdo, executou um fantástico remate rasteiro, em arco convexo, fazendo o esférico entrar rente ao 1º poste, para desespero de Bracalli, que bem queria fazer um mimo ao seu clube, o Porto.
Tudo acabou em bem, com mais uma ou duas oportunidades para aumentar a contagem. A equipa está serena, concentrada, consciente das suas capacidades. André Almeida, desempenhou a posição de Melgarejo, sem comprometer.
A eauipa de arbitragem cometeu alguns erros que não tiveram, mas poderiam ter tido influência no resultado!
 

 

Muito bem! Força Benfica!

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Benfica-Newcastle (3-1)

Um bom jogo, uma boa vitória. O Newcastle pratica bom futebol, ao bom estilo britânico; veloz, vertical, pragmático e agressivo. Boa entrada, excelente guarda-redes e um belíssimo golo; movimentação, cruzamento e finalização primorosos.
 
O Benfica apresentou-se com algumas alterações; André Almeida, André Gomes, Ola John e Rodrigo num claro processo de gestão do jogo e do campeonato. Quando, já a perder por 1-0, vi a bola, milagrosamente, bater na base do poste esquerdo de Artur, soube que o empate não tardaria e a vitória não  falharia. É dos livros!
 
Bem se esforçou o guardião contrário com defesas espetaculares, safando dois ou três remates de alto risco, mas foi impotente para travar a recarga de Rodrigo para o merecido golo. Muita luta no meio-campo, com ligeira supremacia do Benfica, bola rondando a baliza do Newcastle, mas...sem passar o risco fatal.
 
Com a entrada de Enzo e Lima, aumentou a dinâmica ofensiva da equipa, escaqueirando por completo a defesa contraria, com vários atletas acusando fadiga extrema. Irresistível, Lima virou o resultado esgueirando-se ao guarda-redes e marcando de ângulo muito fechado. Cardozo fechou com classe  o marcador, através de grande-penalidade indiscutível. Criaram-se mais uma ou duas boas ocasiões de golo - uma delas num cruzamento fantástico de Rodrigo, após excelente lance individual, para Cardozo falhar o tento mesmo à boca da baliza -, infelizmente inconcretizadas. Foi ótimo não ter sofrido o 2º golo, apesar de o Newcastle  o ter tentado com grande afinco e perigo. Para tal contribuiu a opção tática de Jesus ao trocar Cardozo por Maxi, que foi dar uma ajudinha ao Melgarejo sempre muito pressionado.
 
O árbitro não esteve bem! Não se entendem várias decisões que tomou, tendo ficado algumas suspeitas no ar; apenas incompetência, ou algo mais? Nunca se sabe!
 
Muito bem Benfica!

terça-feira, 2 de abril de 2013

FAIR PLAY OU BAD PLAY?


In ABola de 1 de Abril de 2013 por José Manuel Delgado, com vénia ao Indefectível 
Falta de vergonha é o que está a dar

"Perdoem-me a crueza das palavras mas o controlo dos salários levado a cabo pela Liga de Clubes é uma verdadeira palhaçada...

O futebol profissional em Portugal não passa de uma brincadeira de mau gosto. Por culpa dos clubes e do laxismo do Governo. Culpa dos clubes porque não estão preocupados com a viabilidade da competição; laxismo do Governo porque faz vista grossa a uma área que devia tutelar.
 
Alegadamente, os clubes não devem nada aos jogadores, a certificação entregue e aceite pela liga assim o diz. Enganem-me que eu deixo, é a mensagem que chega aos emblemas do futebol profissional, numa conivência com várias tonalidades, cada uma com justificação própria, mas todas a colocarem pregos no caixão da viabilidade da competição.
 
O esquema usado por muitos clubes é simples mas eficaz, tanto mais que ninguém está interessado em confirmar a veracidade das declarações entregues. Periodicamente, os futebolistas, amiúde sob coação dos clubes, assinam documentos dizendo que têm os salários em dia. Tenham ou não, os jogadores - que são o elo mais fraco - sem alternativa laboral a meio da época, preferem acreditar no Pai Natal dos clubes, contribuindo para faz de conta que também conhece o beneplácito do seu Sindicato. Ou seja, é uma teia de cumplicidades - liga, Clubes e jogadores - que perpetua a mentira e leva a situações aberrantes como a que é vivida atualmente no Olhanense. E parece que ninguém se importa realmente com o caso...
 
Na próxima jornada, o Olhanense recebe o Benfica, numa partida importantíssima para o título e para a manutenção. Não se sabe se os algarvios vão usar os jogadores profissionais ou se recorrerão aos juniores porque, entretanto, os profissionais entregaram um pré-aviso de greve por falta de pagamento dos salários, algo que entra em contradição com as declarações depositadas na liga. Uma mentira, uma vergonha, um despautério. O rei vai nu. A I liga, com 16 equipas, é uma mentira e estar a falar em passar para 18 concorrentes (se o Boavista vier a ser reintegrado...) é o cúmulo do disparate. Meus senhores, acordem! Portugal, já com muita boa vontade, não tem capacidade para sustentar uma Liga profissional com mais de 12 clubes. E se esses 12 clubes disputarem duas fases, uma entre todos e outra para os seis melhores e seis piores (o que perfará 32 jogos) talvez se encontrem meios para sustentar uma competição a sério, verdadeira e, ao contrário do que hoje acontece, honesta. Porque a mentira chegou ao auge. Na Liga portuguesa há clubes que não pagam aos jogadores e estão bem classificados e outros que têm tudo em dia e arriscam-se a descer de divisão. Pior não pode ser e anda tudo a assobiar para o lado como se não fosse nada.
 
A pergunta de um milhão de dólares é a seguinte: Há alguém interessado em colocar tudo isto no são ou é mesmo para continuarmos no reino da pouca vergonha?
 
 
Comentário Zaratustra:
 
Creio que o termo "bandalheira" é muito mais apropriado para designar o atual estado do futebol nacional do que o de "brincadeira de mau gosto" usado por JMD. Arrisco-me a ganhar "o milhão de dólares", afirmando a minha convicção de que, os crónicos poderes dominantes têm interesse em manter o atual estado do futebol. Como sabemos, o "Pai Natal" de que fala Delgado , tem rosto. Quem controla a transmissão dos direitos desportivos, adquire-os aos clubes insolventes por tuta e meia para depois os revender com ganhos substanciais acumulando capital que, por sua vez lhe permite consolidar e perpetuar este domínio. 
 
Até o Benfica foi capturado neste esquema, do qual está prestes a libertar-se, não sem antes ter pago elevado preço económico e desportivo, perante o ódio de alguns e a covardia de muitos. Porque este "Pai Natal" está vinculado a um dos concorrentes e usa o seu poder financeiro para controlar o desempenho desportivo dos adversários deste, de forma a beneficiá-lo. Os clubes insolventes ficam demasiado vulneráveis aos eventuais pedidos de fretes desportivos dos seus financiadores. Não é assim? Ah; mas não há provas! Pois; se calhar não. Se calhar não interessa procurá-las. Se calhar porque a  cumplicidade e o descaramento vão muito longe nas hierarquias dos múltiplos poderes. Pois é! Porém, há algo que nenhuma manigância consegue superar; a capacidade de observação, análise, dedução  ou simples intuição dos adeptos. Pressente-se o mentiroso antes de compreender a mentira. Não é assim JMD?
 
Claro que o modelo que JMD é o mais adequado para propulsionar o futebol desde que comulativamente com o expurgamento das sanguessugas que vêm esmifrando os clubes; mercadores de direitos de transmissão, empresários, financiadores, agentes de segurança, etc. Governos, UEFA e FIFA, são os grandes responsáveis por esta "cégada". Mas a que propósito se condecora um empresário por mérito desportivo ou afim? Afinal, o empresário vive dos clubes; absorve parte substancial da mais-valia da transações, inflaciona os salários, induz instabilidade desportiva permanente, necessária - pois claro - à promoção de novas transações! E assim por diante! Quantos atletas se terão sentido vexados perante a indiferença dos poderes públicos aos seus feitos no terreno de jogo ao terem conhecimento dos galardões que aqueles  se apressaram a atribuir aos mercadores de atletas? O lado sórdido do futebol tem vindo a sobrelevar de forma clara a sua vertente sã que a todos fascina. Até quando?
 
António Barreto