domingo, 7 de setembro de 2014
sábado, 6 de setembro de 2014
Mário Figueiredo quer travar eleições

Noticia a imprensa ter Mário Figueiredo apresentado uma providência cautelar relativamente à decisão do CJ da FPF de repetição do ato eleitoral da LPFP que, por sua vez, validou as candidaturas de Fernando Seara e Rui Alves, não se tendo contudo pronunciado quanto ao recurso apresentado pelo Nacional relativamente às mesmas eleições. Por outro lado, o Presidente da Assembleia Geral da Liga, Carlos Deus Pereira, que disse considerar política a decisão de anulação das eleições, recusa-se a convocar novas eleições sem uma decisão do CJ da FPF quanto ao recurso do Nacional. Perante tudo isto pronunciou-se o Secretário de Estado do Desporto e Juventude no sentido de garantir o cumprimento da lei, reconhecendo porém o direito de recurso de Mário Figueiredo.
Finalmente apareceu alguém disposto a lutar pela regeneração e competitividade do futebol nacional, munido da coragem, competência jurídica e visão empresarial necessárias. O seu projecto é o melhor; alteração dos quadros competitivos de molde a aumentar o grau de incerteza dos resultados e centralização dos direitos desportivos com vista à maximização das correspondentes contrapartidas pelo estímulo concorrencial, desmantelando, simultaneamente, a teia que subjuga grande parte dos clubes - os seus opositores - aos interesses do concessionário e seus aliados explícitos e implícitos.
A luta de Mário Figueiredo, tem a virtude de pôr a descoberto a hipocrisia de todos os que têm enchido a boca e os jornais com a necessidade de defesa da verdade desportiva, da transparência e de denúncia e combate ao "sistema". Hoje, perante a luta de Figueiredo, permanecem em silêncio ou imputam-lhe as responsabilidades do estado a que chegou a Liga, quando salta à vista o processo de asfixia financeira em curso de que esta entidade tem sido vítima, a que não será estranha o injustificado silêncio da ERC relativamente à queixa que Mário Figueiredo apresentou contra abuso de posição dominante no caso da concessão dos direitos desportivos dos clubes. Recentemente, aliás, este dirigente, fez uma exposição a Emídio Guerreiro acerca da anormalidade dos pagamento contratados por parte do concessionário, o qual, por alegada falta de recursos paga em letras aos clubes, processo oneroso e indutor de instabilidade visto que, como sabemos, é sempre o aceitante o responsável pela liquidação das mesmas.
Quanto às declarações do Secretário de Estado, entendo-as mais como uma ameaça à liga e ao seu Presidente que de vontade de colaborar na procura das melhores soluções para o futebol, em virtude da recente lei que ele próprio fez aprovar no sentido de proporcionar à FPF a alocação das competências que ainda restam à Liga. E é convicção dos cidadãos adeptos, onde me incluo, que a FPF é actualmente dominada pelo "sistema" que Figueiredo combate. Não tenho dúvidas que é o medo e não a convicção, que sustenta os opositores de Figueiredo. Endereço pois os parabéns aos clubes que o apoiam, Sporting, Belenenses, Paços de Ferreira, Leixões, Farense, Santa Clara e Atlético e até ao Boavista apesar do seu voto em branco. Lamento a indefinição do Benfica, apesar de a compreender.
Efectivamente, talvez o Governo tenha que agir, já que a maioria dos clubes não parece interessada em acabar com o pestilento ambiente em que vegeta, acabando tudo isto, afinal, em desprestígio e até humilhação para os adeptos do futebol nacional, nomeadamente da Selecção Nacional, que, por sinal, acaba de ser batida em casa pela fortíssima selecção da Albânia, dando desde já o mote da tendência do apuramento ora iniciado. Falta a humilhação suprema para mudar o futebol...tal como o País.
Finalmente apareceu alguém disposto a lutar pela regeneração e competitividade do futebol nacional, munido da coragem, competência jurídica e visão empresarial necessárias. O seu projecto é o melhor; alteração dos quadros competitivos de molde a aumentar o grau de incerteza dos resultados e centralização dos direitos desportivos com vista à maximização das correspondentes contrapartidas pelo estímulo concorrencial, desmantelando, simultaneamente, a teia que subjuga grande parte dos clubes - os seus opositores - aos interesses do concessionário e seus aliados explícitos e implícitos.
A luta de Mário Figueiredo, tem a virtude de pôr a descoberto a hipocrisia de todos os que têm enchido a boca e os jornais com a necessidade de defesa da verdade desportiva, da transparência e de denúncia e combate ao "sistema". Hoje, perante a luta de Figueiredo, permanecem em silêncio ou imputam-lhe as responsabilidades do estado a que chegou a Liga, quando salta à vista o processo de asfixia financeira em curso de que esta entidade tem sido vítima, a que não será estranha o injustificado silêncio da ERC relativamente à queixa que Mário Figueiredo apresentou contra abuso de posição dominante no caso da concessão dos direitos desportivos dos clubes. Recentemente, aliás, este dirigente, fez uma exposição a Emídio Guerreiro acerca da anormalidade dos pagamento contratados por parte do concessionário, o qual, por alegada falta de recursos paga em letras aos clubes, processo oneroso e indutor de instabilidade visto que, como sabemos, é sempre o aceitante o responsável pela liquidação das mesmas.
Quanto às declarações do Secretário de Estado, entendo-as mais como uma ameaça à liga e ao seu Presidente que de vontade de colaborar na procura das melhores soluções para o futebol, em virtude da recente lei que ele próprio fez aprovar no sentido de proporcionar à FPF a alocação das competências que ainda restam à Liga. E é convicção dos cidadãos adeptos, onde me incluo, que a FPF é actualmente dominada pelo "sistema" que Figueiredo combate. Não tenho dúvidas que é o medo e não a convicção, que sustenta os opositores de Figueiredo. Endereço pois os parabéns aos clubes que o apoiam, Sporting, Belenenses, Paços de Ferreira, Leixões, Farense, Santa Clara e Atlético e até ao Boavista apesar do seu voto em branco. Lamento a indefinição do Benfica, apesar de a compreender.
Efectivamente, talvez o Governo tenha que agir, já que a maioria dos clubes não parece interessada em acabar com o pestilento ambiente em que vegeta, acabando tudo isto, afinal, em desprestígio e até humilhação para os adeptos do futebol nacional, nomeadamente da Selecção Nacional, que, por sinal, acaba de ser batida em casa pela fortíssima selecção da Albânia, dando desde já o mote da tendência do apuramento ora iniciado. Falta a humilhação suprema para mudar o futebol...tal como o País.
terça-feira, 2 de setembro de 2014
De bárbaros a burocratas (Lawrence M. Miller) (2)
Continuação: citações avulsas:
"A centralização a nível nacional, ou no seio de uma empresa, glorifica sempre a importância do documento. E isto ofusca o sentido da realidade. À medida que os homens e as organizações se começam a preocupar com o documento tornam-se menos compreensivos, menos sensíveis à realidade dos assuntos com os quais deveriam operar. Tomar decisões a partir de documentos tem um efeito desumanizador. Muita da desumanização do homem para com o homem é devida a isto. Quase todos os grandes estudiosos da Humanidade repararam neste facto. (pág. 135) (declaração atribuída pelo autor a David E. Lilienthal)
Nota: Mas é isto mesmo que está a acontecer com a multiplicação dos processos de certificação em curso, que mais não são que meios de colocar os recursos de todos nas mãos de muito poucos.
"A descentralização permite a cada um gerir o seu próprio negócio. Isto é um dos mecanismos principais para a preservação das qualidades do Profeta e do Bárbaro, as qualidades de visão e de acção determinada." (pág. 136)
" O medo provocado pelos sistemas de controlo destrói a iniciativa própria e os indivíduos devem agora, cada vez mais, ser comandados e instruídos em vez de se confiar neles." (pág. 137)
Nota: Por cá abundam os sistemas e os capatazes.
"O excesso de administração dá origem a comportamentos mecânicos, não reflectidos, e à ineficiência. (pág. 137)
"Quanto mais um indivíduo se torna perito numa especialização, mais indispensável se torna e menos se podem contestar as suas decisões. A responsabilidade não é agora pelo todo mas pelas pequenas partes, e as partes estão cada vez menos ligadas e mais isotéricas....Eles retiraram-se do grande contexto social para aumentarem o seu conhecimento, mas não foram capazes de regressar à grande unidade social." (pág. 138)
"É a incapacidade em reconhecer os empregados como parceiros, amigos e aliados de confiança que dá origem à classe revoltada dentro da empresa." (pág. 139)
"Um dos princípios fundamentais da sua filosofia de gestão ( da Honda) é avançar sempre com a juventude. Porquê juventude? Porque é característica dos jovens tentar coisas que são diferentes, ou até mesmo, contrárias à velha ordem. Se avançar sempre com juventude, está constantemente a explorar novos caminhos e a encontrar frequentemente caminhos melhores." (pág. 143)
"O acto final que assinala a roptura das civilizações é a deflagração da discórdia interna, uma guerra civil entre fracções e reinos feudais." (pág. 144)
Nota: É o que me parece verificar-se em Portugal desde 74; há demasiada discórdia e pouco debate.
"A desintegração vertical da sociedade é observada no desenvolvimento do aumento das classes." (pág. 145)
"O Presidente Mao enviou todos os trabalhadores do governo para trabalharem no campo durante um ano." (pág. 145)
"O objectivo de Mao e de Perot era eliminar a alienação de classes que leva à revolução." (pág. 146)
"E é o sistema na sua globalidade, com a sua falta de controlo e de balanços, com a falta de prémios ou castigos por servir ou destruir o bem social, que permite a fuga do criminoso Aristocrata que roubou os accionistas, empregados, clientes e o público em geral. Todas as revoluções sociais, a americana, a francesa e a russa resultaram do fracasso de tais sistemas." (pág. 151)
"Será que Deus esqueceu o que fiz por ele?" (frase atribuída pelo autor a Luis XIV na pág. 151)
"A desintegração vertical da sociedade é observada no desenvolvimento do aumento das classes." (pág. 145)
"O Presidente Mao enviou todos os trabalhadores do governo para trabalharem no campo durante um ano." (pág. 145)
"O objectivo de Mao e de Perot era eliminar a alienação de classes que leva à revolução." (pág. 146)
"E é o sistema na sua globalidade, com a sua falta de controlo e de balanços, com a falta de prémios ou castigos por servir ou destruir o bem social, que permite a fuga do criminoso Aristocrata que roubou os accionistas, empregados, clientes e o público em geral. Todas as revoluções sociais, a americana, a francesa e a russa resultaram do fracasso de tais sistemas." (pág. 151)
"Será que Deus esqueceu o que fiz por ele?" (frase atribuída pelo autor a Luis XIV na pág. 151)
"A nossa classe social perigosa não se encontra no fundo mas no topo. A riqueza sem lei é mais perigosa que a pobreza sem lei." (frase atribuída pelo autor a Henry Ward Beecher, 1873)
"Durante os anos de declínio de cada civilização, o espírito da religião é pervertido. A grandeza dos ídolos, dos templos e dos estúdios de televisão torna-se mais importante do que a essência espiritual que eles são supostos servir." (pág. 155)
"O que se passa hoje nas empresas em todo o país é absurdo. É como um "Estado Previdência " empresarial. Sustentamos equipas de gestão que não produzem nada. Não, é ainda pior. Não só pagamos a esses parasitas para não produzirem como pagamos para lixarem o trabalho." (atribuído pelo autor a Carl Icahn, presidente da TWA, pág. 159)
"O coração dos negócios é produzir e vender, não a gestão financeira ou o planeamento estratégico." (pág. 162)
"O sistema de direção das empresas públicas está à beira de desmoronar, porque se tornou um sistema fechado, e todos os sistemas fechados padecem de isolamento por falta de retroação crítica." (pág. 169)
"O que parece claro em todos os estudos sobre a fusão e aquisição de negócios não integrados, é que estas operações raramente acrescentam valor." (pág. 171)
"A centelha da verdade advém do confronto de opiniões diversas." (atribuído ao profeta persa Baha U'LLah, pág. 173)
"As empresas experientes melhor geridas são sinérgicas. São um equilíbrio e mistura entre as características do Profeta, do Bárbaro, do Construtor, do Explorador e do Administrador. Mas, mais importante, o Sinergista é aquele que cria a unidade social." (pág. 173)
"A empresa não precisa de gente como o senhor, que só utiliza a cabeça. Antes de conceber este modelo, porque não escutou a opinião das pessoas experientes da oficina? Se pensa que a formação universitária é suficiente, está completamente enganado. Não será de grande utilidade na Honda a não ser que passe mais tempo no local de acção nos próximos anos." (exemplo da filosofia da Honda, pág. 176)
"São exigentes com os resultados mas brandos com as pessoas" (pág. 176)
"A Honda está no negócio da construção de excelentes carros, e muitas outras empresas estão, antes de mais, no negócio de fazer dinheiro, só depois na construção de carros." (pág. 179)
"A flexibilidade e o desenvolvimento de competências alargadas são princípios centrais." (pág. 179)
"Existe pouca satisfação em atingir a média, quer a nível do desporto quer a nível do negócio. É a luta pelo melhor que cria o entusiasmo e o sacrifício, nada mais." (pág. 184)
"Terá de ser reconhecido que alguma desordem é sinal de crescimento e vitalidade." (pág. 185)
"Parece irónico que a satisfação e a segurança sejam inimigos da perfeição". (pág. 186)
"A rapidez de decidir e atuar prontamente leva à expansão e ao progresso. A acção determinada deve ser equilibrada por um planeamento deliberado." (pág. 187)
"A grande empresa, com grandes investimentos, tem a responsabilidade de pesar cuidadosamente as opções e as implicações das decisões importantes. Por outro lado, deve estar disposta a alterar ou mesmo a abandonar os planos de um dia para o outro." (pág. 188)
"As decisões de maior qualidade são atingidas pelo consenso. O consenso torna-se mais valioso quando representa a sabedoria coletiva dos participantes com ideias e experiências diversas." (pág. 189)
"O conhecimento e as competências especializadas devem ser procuradas vigorosamente. Uma vez obtidos, as competências devem ser integradas." (pág. 193)
"E à medida que a empresa se torna mais especializada, ninguém se dispõe a tomar a responsabilidade quando algo corre mal." (pág. 194)
"pode quase calcular-se uma correlação direta negativa entre o número de níveis de uma empresa e a motivação dos empregados." (pág. 195)
"As metáforas e a experiência cultural partilhada - desde as T-shirts de Michael Jackson nas aldeias do Tibete ao álbum Graceland de Paul Simon, que incorpora ritmos das tribos africanas - demonstram que a pulsação do mundo tende gradualmente para o mesmo batimento." (pág. 200)
domingo, 31 de agosto de 2014
De bárbaros a burocratas (Lawrence M. Miller) (1)
Um pequeno tratado de iniciação à estratégia empresarial no qual o autor, com vasta experiência de consultadoria em grandes empresas americanas, caracteriza a sua visão do ciclo de vida empresarial e de como é possível aos gestores evitarem a decadência das suas empresas fazendo uso da Lei da Sinergia. Pelo meio, reflexões várias, algumas delas oportunas e extrapoláveis para a sociedade em geral.
E é assim que Lawrence divide o ciclo de vida empresarial em sete estádios; o do profeta, o do bárbaro, o do construtor e explorador, o do administrador, o do burocrata, o do aristocrata e o da prescrição para a sinergia, respectivamente; o da inspiração, o da conquista, o da especialização e expansão, o dos sistemas - estrutura e segurança -, o do controlo, o da alienação e revolução e o da competição e cooperação.
Citações avulso:
"O bem-estar é inimigo da civilização" (expressão que o autor atribui a Toynbee). (pág.88)
"Quando começam a contar com as respostas que obtiveram êxito no passado, o declínio começa." (pág. 99)
"A estrutura estabelece que o capital é um recurso raro a ser racionado entre as oportunidades de investimento competitivas. Na realidade, a situação atual na América do Norte é precisamente o oposto: as oportunidades são raras e o capital abunda." (pág. 104)
Nota: esta talvez seja a principal razão das crises portuguesa e europeia; nas empresas, nas juntas de freguesia, nas câmaras e nos governos , todos sabem gastar e muito poucos investir. Não há falta de dinheiro da europa, há sim falta de criatividade empresarial, falta de projetos reprodutivos.
"Quanto mais rígidos forem os sistemas e a estrutura, mais a criatividade é abafada." (pág. 107)
Nota: precisamente o que se passa em Portugal e na Europa, onde a produção regulamentar é compulsiva e asfixiante. Percebê-lo-ão tarde demais, infelizmente para as populações, que não para as elites.
"Isto é a grande ilusão do Administrador: crê que o processo é mais importante que o produto." (pág. 108)
"As civilizações começam a decair quando a integração social é interrompida e quando os dirigentes se desinteressam pelos seus seguidores. O mesmo se passa com as empresas." (pág. 112)
"De um modo geral, quanto maior for o controlo administrativo, menor será a tendência para o desenvolvimento e a expansão." (pág. 119)
Nota: quem explica isto aos dirigentes europeus e nacionais?
"Enquanto os patrões fingirem que nos estão a pagar um salário decente nós fingiremos que estamos a trabalhar." (pág. 121) (expressão atribuída aos trabalhadores soviéticos por volta da década de 70)
"O sistema imperial romano...no seu melhor momento, tinha uma administração burocrática que manteve a paz no mundo durante uns tempos mas que não conseguiu segurá-la...a chave de todo o seu fracasso reside na ausência de qualquer atividade mental livre, e de qualquer organização para o aumento, desenvolvimento e aplicação do conhecimento." (pág. 123)
"A democracia é virtualmente impossível quando se confia em mecanismos de controlo para aumentar a eficácia económica." (pág. 126)
"Infelizmente, quanto mais forte for a burocracia menor será a probabilidade de uma transição pacífica. É a distribuição desigual do poder, a ausência de controlos e equilíbrios, que constitui o antecedente da revolução. Quando a alienação é completa, os lideres ascendem ao estado de aristocracia e os colaboradores só têm por alternativas a revolta ou a deserção."(pág. 127)
Nota: a burocracia fede, quando chega a revolução?
"O crescente domínio dos gestores financeiros e dos advogados, que vêm logo a seguir, coincide directamente com o declínio da competitividade americana." (pág. 128)
Continua
Benfica-Sporting (1-1)
sábado, 30 de agosto de 2014
O ovo no cú da galinha
Em matéria de futebol, hoje, quase só acredito no de rua apesar da flexibilidade das regras, da ausência de árbitros e da formação espontânea das equipas. Julgo mesmo que é esta a origem do fascínio deste desporto, pela pureza e criatividade que encerra. Talvez tal se deva, também, à relativa importância do resultado constituindo a recreação e o convívio a principal motivação dos protagonistas. Isto para dizer que, desde há uns anos a esta parte, consequência de ocorrências várias em matéria de corrupção dentro e fora do país e de observações pessoais seja dos jogos seja de notícias dispersas na comunicação social, tenho muita dificuldade em acreditar no futebol profissional seja ou não nacional, com exceção, admito, do inglês.
É pois com desconfiança que vejo o investimento maciço do Porto em novos jogadores. É certo que investir para ganhar tem toda a racionalidade, porém, investir tanto sem ter com quê - salvo o erro, o resultado de exploração da época anterior foi superior a 30 ME negativos -, dá que pensar, sobretudo, perante a crise bancária e do Universo Oliveira. O certo é que parece não faltarem financiadores a este clube cujo presidente, perante o aparente caos diretivo, se viu forçado a assumir as rédeas do futebol imagino que com grande sacrifício pessoal. Diz-se por aí que são Jorge Gomes e o fundo Ayoken, os grandes mentores deste projeto. Não sei, mas temo que tal signifique confiança no fortalecimento do "sistema" que tem controlado o futebol nas últimas décadas em Portugal no qual o Porto tem sustentado as suas vitórias.
Consta que Lopetequi integra a "corte" de Angel Vilar, presidente da Real Federação Espanhola e ex-vice-presidente da UEFA e da FIFA; um velho tubarão do futebol europeu bem capaz de conhecer a preceito toda a correspondente máquina de bastidores. Máquina cuja existência somos forçados a suspeitar face ao que repetidamente assistimos nas quatro linhas e ao sistemático fechar de olhos da UEFA aos casos de corrupção que têm ocorrido em Portugal.
Na frente institucional, após todas as trapalhadas que se verificaram nas recentes eleições da Liga, os opositores de Mário Figueiredo lá conseguiram a repetição das mesmas e a aceitação da lista de Rui Alves, dirigente conotado com o "sistema", investigado e acusado em vários casos relacionados com corrupção no futebol e evasão fiscal. O isolamento de Mário Figueiredo constitui a demonstração de que o futebol português está moribundo; a maioria dos clubes ficou refém do "sistema" aceitando participar na farsa desportiva a troco de segurança de financiamento, apesar do projeto de Figueiredo ser o da efetiva libertação dos clubes. Não posso deixar de referir a reserva que me suscita a posição do Benfica, incapaz de assumir o apoio a Mário Figueiredo, cujas razões objetivas, deveriam ter sido sublinhadas. Compreendo a estratégia de não comprometimento de soluções por as assumir, mas não concordo, e tenho que enaltecer neste caso a posição do Sporting que não titubeou no apoio ao ainda Presidente da LPFP.
Curioso, mas não surpreendente, é constatar a ausência de resposta da ERC à queixa apresentada por aquela entidade contra o monopólio da Olivedesportos no acesso à concessão dos direitos desportivos - eu próprio fiz essa denúncia via net cerca de um ano antes, em cuja resposta os serviços da ERC me informaram não encontrarem irregularidades tendo encaminhado o assunto, para o Ministério público do qual nada chegou. O resultado, obviamente, traduz-se na asfixia financeira da Liga suscitando o agravamento da contestação dos clubes e, quiçá, a intervenção da Federação, com a cobertura legal proporcionada pelo atual governo mercê de recentíssima legislação proposta pelo atual Secretário de Estado do Desporto, adepto de um dos clubes mais ativos na contestação a Mário Figueiredo, o Vitória de Guimarães, de cuja cidade é natural.
Juntando a tudo isto a instabilidade que, mais uma vez, se verifica no Benfica a nível da constituição do plantel, pairando a incerteza até ao último instante da janela de transferências, temos, os benfiquistas, fortes razões para estar preocupados, descontando desde já o caso dos apoios mais ou menos explícitos ao Sporting, alegadamente, salvo in extremis da insolvência, pelo falido BES. Verdade ou não, a dificuldade de aquisição de jogadores de qualidade tem sido tal que há quem suspeite que o mesmo Jorge Gomes, estará nos bastidores a fazer o gosto aos rivais, desmantelando a equipa e impedindo aquisições de valor, mancomunado com Pinto da Costa, este, desesperado perante a iminência de sair do futebol por baixo e desacreditado.
Enfim, espero é que no Benfica, conseguindo ou não os reforços de que necessita, ninguém perca a cabeça e se concentrem, todos, em colocar no terreno o potencial, que, apesar de tudo permanece, embora, admito, com menor exuberância.
quinta-feira, 28 de agosto de 2014
segunda-feira, 25 de agosto de 2014
Sementes de violência
A combinação da exigência de ensino mínimo, fixado atualmente e por enquanto no 12º ano, e o custo dos materiais escolares - cada família portuguesa vai despender €509,00 este ano com o regresso às aulas (Edgar Nascimento no CM) - propicia a exclusão social, marginalidade e violência, constituindo mais um paradoxo dos tempos modernos.domingo, 24 de agosto de 2014
Boavista-Benfica (0-1)
Vitória difícil mas merecida do Benfica, perante uma equipa que jogou o que se esperava; compacta e combativa, fechando os caminhos da sua baliza , em especial nas faixas laterais, zonas onde o Benfica é especialmente forte, como se verificou no jogo anterior. A supremacia foi dos vermelhos, à exceção de período entre a saída de Amorim e a entrada de Ola John, que permitiu a deslocação de Gaitan para o meio e o reequilíbrio da contenda. Talisca tem qualidades, sem dúvida, a melhor das quais residindo na qualidade do passe longo e do remate de meia-distância - Julgo que necessita de melhorar a leitura de jogo e de aumentar a massa muscular; se o conseguir poderá vir a ser um excelente centrocampista. Foi assim notório o défice de criatividade no meio-campo, sobretudo após a saída de Amorim, atenuado após a deslocação de Gaitan para o eixo, daqui resultando o fraco desempenho de Lima uma vez que não disponha de bola jogável apesar do esforço despendido. Foi pois num oportuno remate de meia-distância - acção historicamente pouco explorada por Jorge Jesus - de Eliseu, por sinal com uma exibição soberba, que o Benfica alcançou a vitória. Depois foi arregaçar as mangas e lutar com galhardia perante uma equipa que nunca baixou os braços, chegando mesmo a provocar alguns calafrios nos adeptos encarnados. Muito bem, além de Eliseu - que nada fica a dever a Siqueira -, Artur, Luisão, Jardel, Máxi, Gaitan e André Almeida.
Não sei se o sintético teve algo a ver com a lesão, mais uma, de Amorim, mas julgo que, este, tem que modificar a forma como se faz aos lances. É porém possível que o sintético, tenha tido influência no golo ao manter a velocidade da bola quando esta deslizou no relvado à frente do guarda-redes.
Marco Ferreira esteve muito mal, ao perdoar uma grande penalidade ao Boavista - penalizando Jara com um injusto amarelo -, ao deixar por assinalar várias faltas em zonas críticas da mesma equipa e fazendo, injustificadamente, o contrário, relativamente aos encarnados, "amarelando" vários dos seus atletas, constituindo-se em fator de desestabilização dos vermelhos. Felizmente que os juízes de linha estiveram atentos aos fora-de-jogo, assinalando-os, incluindo um, neste caso mal, ao Benfica.
Felicidades para o Petit e sua equipa.
sábado, 23 de agosto de 2014
O Banho Publico
Esta ideia de banho público proposto no Ice Buckett Challenge destinada a ajudar na luta contra a esclerose lateral amiotrófica, doença grave, degenerativa e incapacitante, revela, antes de mais, a capacidade e disponibilidade de mobilização solidária da população em geral por causas nobres, mas, simultaneamente, os perigos da tendência para o seguidismo coletivo, neste caso associados a um despropositado desperdício de água, numa mensagem paradoxal relativamente às prioridades ambientais. As populações atuais carecem, mais que nunca, de causas comuns, porém, os exíguos resultados financeiros obtidos até ao momento - salvo o erro 9 MUSD e 11m€ -, anunciam o fracasso da iniciativa, constituindo simultaneamente um vexame para os Estados, incapazes, apesar da extorsão fiscal a que sujeitam os cidadãos, de dar resposta satisfatória a este problema.
Cristina Ferreira recusou o banho público mas não o donativo - em, Nova Gente - e por isso está, quanto a mim, de parabéns.
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