Desporto

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Mónaco-Benfica (0-0)

      Com uma arbitragem competente, apesar do estupendo guardião contrário, teríamos ganho o jogo. É o que me parece. Não sei o que poderá fazer-se, mas alguém tem que dar o pontapé de saída para meter nos eixos a UEFA e a FIFA.
      Depois de uma entrada, mais uma vez titubeante, em que o Mónaco preenchia muito bem os espaços e ameaçava as redes dos encarnados, estes, foram-se organizando e subindo no terreno controladamente criando ocasiões de golo que poderia ter acontecido não fora a menor concentração de Lima e Gaitan - está a falhar os tempos de entrada à bola - e o acerto do guarda-redes do Mónaco. Sem dúvida, continuou a notar-se insuficiente dinâmica no meio-campo e muita dificuldade no contacto físico, onde os monegascos geralmente levavam a melhor muito graças também à parcialidade do juiz da partida. Talisca pareceu-me meio perdido - a sua zona estava bem preenchida pelos adversários -, e a Lima não chegava o esférico, por défice de jogo pelas laterais onde a falta de Ola John se fez sentir, dado o seu excelente drible e fantástica qualidade no último passe. Lá atrás, Eliseu em dificuldades de marcação cortou-se, às subidas enquanto do outro lado, Máxi apesar de menos intranquilo também não arriscava. Foi sobretudo Sálvio  que de vez em quando conseguiu romper a sua ala e criar boas situações de golo.
      Eis senão quando, com os encarnados a dominar a contenda materializada em sucessivos remates de difícil defesa adivinhando-se o golo a qualquer momento, num lance de bola dividida, o juiz da partida, perante o teatro do fiteiro Moutinho, expulsou com vermelho directo o imprudente Lisandro. E com isso, o polaco, virou o jogo!
      Jesus fez o que tinha a fazer; fez entrar Tiago para a esquerda e deslocou Gaitan para dinamizar o meio-campo, mas...o sr do apito, arrumou a questão a favor dos do principado.
      Enfim, lá que poderia ter sido pior, isso podia, mas ficou para mim claro que o Benfica tem melhor equipa e ganhará na Luz, desde que não ocorram anormalidades. A equipa está claramente em fase de consolidação e crescimento. Mas é preciso levantar a voz na UEFA e talvez organizar um grupo de pressão que se possa fazer ouvir publicamente.

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

O mundo não era mais quente quando a Groenlândia vicejava

O mundo não era mais quente quando a Groenlândia vicejava

O Bailinho da Liga

      O Benfica não devia participar na farsa em curso da eleição do Presidente da Liga cujo propósito é única e exclusivamente assegurar os interesses da Olivedesportos e do Porto, como se conclui das circunstâncias que condicionam as conversações entre os clubes. Se não vejamos:
 
      1) Mário Figueiredo (MF) liderando os Pequenos Clubes (PC) frustrou a estratégia dos "grandes"  vencendo o seu candidato, salvo o erro Carlos Marta anunciando o seu conhecido projecto de centralização da comercialização dos Direitos Desportivos, de pôr termo ao monopólio da Olivedesportos, de alterar os quadros competitivos e de propor uma redistribuição de recursos mais favorável aos "pequenos". Pretendia assim romper com o circulo vicioso do futebol actual e iniciar um círculo virtuoso do qual todos beneficiariam. Quanto a mim, este é o projecto de que o futebol português necessita.
      2) O primeiro movimento do sistema consistiu em passar os Conselhos de Arbitragem (CA) e de Justiça  (CJ)para a FPF onde já estava o ex-Administrador da SAD do Porto, cujo desempenho contempla, por coincidência claro, frequentemente, os interesses daquela SAD.
      3)  As receitas da Liga começaram a escassear dada a "conhecida" debilidade financeira da Olivedesportos e a manifesta dificuldade de captação de novos patrocinadores, eventualmente preocupados com represálias futuras.
      4) Mário Figueiredo avança com a queixa de abuso de Posição Dominante contra a Olivedesportos para a AdC, com o propósito de desbloquear o financiamento da instituição e fazer avançar o seu projecto. (eu mesmo, a título pessoal, já tinha apresentado queixa idêntica via net, cerca de um ano antes).
      5) Perante a proposta de MF  de alteração dos quadros competitivos, os "PC", sentindo-se prejudicados, afastaram-se dele dizendo-se enganados, uma vez que o projecto não permitia que todos jogassem contra todos, como atualmente acontece.
      6) A asfixia financeira da Liga contamina os clubes que, liderados por Porto, Braga, Guimarães, Estoril, Gil Vicente e Académica, radicalizam a sua contestação tentando forçar eleições antecipadas para afastar MF, que resiste a todas as tentativas, pedindo publicamente celeridade de decisão da AdC.
      7) Realizam-se as eleições e, num golpe de teatro o Presidente da AGL, afasta todos os adversários de MF devido a irregularidades processuais várias e MF é eleito por uma minoria de clubes.
      8) Perante a contestação o CJ anula os resultados das eleições por erros do Presidente da AGL na apreciação da candidatura de MF. (just in time!, uau!)
      9) Entretanto concluem-se os trabalhos de alteração da Lei quadro das Federações Desportivas que prevê a avocação da organização das competições profissionais pela FPF , sob pena de perda do Estatuto de Utilidade Pública Desportiva.
      10) Perante o pesado silêncio da AdC, o Secretário de Estado do Desporto, mais que uma vez referiu publicamente, a sua determinação em fazer cumprir a Lei. (Uma ameaça velada ao Presidente da Liga. Espanta não ter tido a mesma atitude no caso de violação da lei a propósito da queixa de MF à AdC).
      11) Perante a penúria financeira da Liga, dos clubes e dos árbitros Fernando Gomes fazendo alarde da pujança financeira da FPF, exige pagamentos em atraso a Mário Figueiredo e declara-se disposto a avocar a organização das competições profissionais.
      12) "Entalados" entre a descapitalização e a ilegalidade os clubes reúnem-se repetidamente, para negociar soluções consensuais. (Obviamente que esta conjuntura favorece um dos negociadores; o único que em caso de desacordo beneficia com a passagem do futebol para a FPF!, esse mesmo, o FCP!)
      13) Chegados ao alegado consenso com o SCP de fora, donde resultou a escolha de um "velho" e polémico personagem do futebol nacional, Luís Duque, parece garantido, finalmente o tão desejado afastamento de Mário Figueiredo dos destinos da Liga, bem como a ameaça que representa para "o sistema".
      14) Eis senão quando..."milagre"...aleluia...aconteceu o que eu previra há muito...a AdC, cujo Presidente, salvo o erro, é Portista assumido (Carlos Magno), tomou uma decisão impondo à Olivedesportos a alteração dos contratos com os clubes. Não conheço em detalhe o relatório da AdC, mas deveria providenciar a anulação dos contratos e o levantamento de um processo de inquérito ao Ministério Público (MP). A resposta à participação que apresentei com o mesmo teor, referia não ter sido encontrada irregularidade alguma e ter sido enviado o processo para o MP para onde eu já enviara a mesmíssima participação.
      14) O Benfica, que durante anos e anos criticou o Sporting por não o acompanhar no combate ao "sistema", perante a oportunidade de o fazer agora...deixou a posição expectante e juntou-se ao Porto!, posso até alinhar algumas razões possíveis; necessidade de pacificação para viabilização do negócio global, opção pela acção por dentro induzindo à mudança, negação de argumentos aos observadores para acusarem o Benfica de querer assumir o "novo sistema", propiciamento de uma saída digna a Pinto da Costa, que já cumpriu o seu ciclo no futebol....sei lá!
      15) Não podemos dizer que nada mudou no futebol, a profissionalização dos árbitros parece ter alterado significativamente as coisas; o padrão dos "erros humanos" já não é bem o mesmo. Mas na FPF continua o mesmo pântano sendo que a "missão" actual consiste em "limitar os danos" para voltar à carga logo que a máquina esteja pronta. Não me admiraria se nos próximos tempos surgisse um novo aliado financeiro da Sportinveste e fossem criadas as condições de dependência de qualquer outro seu concorrente aos Direitos da Liga. 
      16) Perante este cenário multifacetado e meticulosamente construído por múltiplas entidades em múltiplas frentes - lembremo-nos do caso da anulação da condenação de PdC - pelo mesmo CJ da FPF, agravado recentemente com o espetacular convívio de Proença com o chefe da claque azul, mais um passo no processo em curso de branqueamento das trapalhadas que vieram a público, o Benfica, serenamente, pela voz do seu Presidente, deveria não só afastar-se indicando os motivos mas opor-se decididamente apresentando o seu ponto de vista, juntando-se ou não ao Sporting. Não o fazendo, Filipe Vieira, mais uma vez, vai contribuir para a divisão da família Benfiquista, que não compreende porque, após dez anos de seca forçada, ainda temos uma dívida de gratidão para com o Sr Joaquim Oliveira nem tão-pouco que se acredite nas boas intenções de Pinto da Costa.

domingo, 19 de outubro de 2014

A família; a propósito de

      Helena Rebelo Pinto, Investigadora e Presidente do Instituto de Ciências da família, Licenciada e Doutorada em Psicologia pela Universidade de Lisboa, co-autora do livro "Mediação Familiar, contributo de Investigações realizadas em Portugal" e outros ligadas ao sono, deu uma excelente entrevista ao jornal "i" de 18.10.14, pág.38, conduzida por Marta Cerqueira, a propósito do seminário aberto "Olhares sobre a família" a realizar em 24 e 25 de Outubro na Universidade Católica do Porto, onde teceu oportunas considerações acerca da Família dos nossos dias. 

  Refere haver falta de investigação integrada acerca da Família e sobretudo desconexão das políticas para a Família dos resultados da investigação. Que mudou ao longo de décadas o contexto da vida da Família, mas que a essência desta permanece. Dessas mudanças destaca o prolongamento da vida e o controlo de fecundidade os quais inverteram a pirâmide geracional, bem como o ingresso da mulher no mercado de trabalho com impacto económico e nas relações entre homem e mulher. Que, como as crises sociais, os conflitos familiares acontecem nos períodos de transição, destacando os que resultam do paradoxo entre a precoce  autodeterminação dos filhos e do retardamento da sua integração na sociedade, perante pais já com os seus próprios pais a cargo. Que a, geralmente elevada distância entre a residência e os locais de trabalho conjugada com os trabalhos domésticos deixam pouco tempo para o convívio familiar. Justifica a baixa taxa de natalidade actual com a insegurança no futuro, à ideia de "aprisionamento" associada a elevada prole e à tendência de os pais de hoje sentirem a obrigação de dar um bem-estar máximo aos seus filhos, esquecendo-se de que ele consiste, precisamente, em proporcionar-lhes um irmão. Que as Famílias em Portugal são fortes e poderosas devido à antiguidade do país, constituindo disso um exemplo o caso da rápida integração dos portugueses que regressaram na sequência da descolonização. Afirma que cada pai sabe o que fazer, não se deixando contaminar por vozes ideológicas, adaptando sim modelos às suas raizes culturais profundas. 
   
      Chegamos finalmente ao motivo, para mim, mais interessante, e principal razão desta publicação:

      "A cultura que defende que os pais devem ser companheiros dos filhos é disfuncional. Os pais são pais, os filhos são filhos. Os filhos podem ter muitos companheiros mas pais só têm aqueles. Quando há um grupo organizado existe hierarquia que não está necessariamente organizada com autoritarismo, mas sim com a compreensão do estatuto de cada um. Situações mais disfuncionais acontecem quando os pais, na sua tentativa de se aproximarem dos filhos, se demitem do seu papel, que mais não é do que garantir o desenvolvimento saudável dos seus filhos, processo que passa também pelo cumprimento de regras. Se os pais se demitem dessa função, ninguém a vai assumir. Apesar de a escola ter também essa função, tem dificuldade em fazê-lo porque não existem regras em casa."

      Considera natural a influência do sínodo do Vaticano sobre a Família nas sociedades como a Portuguesa, essencialmente cristã, apesar de algum afastamento em termos de práticas ou da doutrina.
      

Bob Dylan, ele mesmo, no seu melhor em versão electrónica com o famous The Band!







Covilhã-Benfica (2-3)

      Como era de esperar, Jesus apresentou uma formação completamente diferente da habitual, com apenas Artur como habitual titular. Uma decisão arrojada que poderia ter saído mas que acabou por correr bem. De facto, a equipa da Covilhã, com menos um elemento logo aos 2 minutos bateu-se galhardamente ostentando um futebol esclarecido, pondo os encarnados, com seu futebol trapalhão, em sentido. Apesar de ter criado algumas boas oportunidades ainda na 1ª parte, a equipa do Benfica não conseguia ligar o seu jogo, desde logo por ausência de construção no meio-campo, saindo os lances ofensivos algo desgarrados. Destacou-se um belo remate de Guedes - futuro craque - à entrada da área para estupenda defesa do guardião contrário e outro, salvo-o-erro, de Derley à figura a passe enrolado de Tiago. O primeiro golo da Covilhã resultou do seu bom futebol e de talento do seu extremo-direito, que, sem opositor - Benito tinha deslizado para o eixo -, galgou uns bons 30 metros para concluir com um belo chapéu ao indefeso Artur. No final da primeira parte, não era claro que o Benfica ganharia o jogo, como parecia antes do início. E o 2º tempo teve mais do mesmo; uma Covilhã dinâmica e atrevida que, num lance de bola parada muito bem executado e melhor concluído, passava para a frente no marcador. Aqui chegados, a coisa estava preta!, não se percebia como dar a volta ao resultado sem recorrer aos peso-pesados! Mas aconteceu!, num passe aéreo de uns bons 40 metros executado por não-sei-quem, apanhou o inteligente Jonas no eixo do ataque que, com o  talento próprio dos grandes jogadores, encostou de pé direito saindo a bola indefensável direitinha ao fundo das redes. O golo da vitória, ainda da autoria do endiabrado Jonas, resultaria de uma bela combinação entre este, Guedes e Pizzi. 
      A estratégia de Jesus consistia em poupar os titulares face ao breve compromisso com o Mónaco, dar jogo aos jogadores menos utilizados e dar interesse à contenda reduzindo a diferença competitiva entre as equipas. Gostei.
      Jonas é craque e Guedes sê-lo-á, o que para mim não é novidade tendo em conta o que já o vi fazer ainda nos Juniores. Pizzi está no ponto. Tiago tem potencial mas tem que evoluir táticamente. Cristante tem muito futebol mas tem que manter o trabalho de integração. Lizandro precisa de afinar o posicionamento e os tempos de entrada aos lances; na sua zona, deixou o adversário cabecear sem oposição para o 2º da Covilhã. Benito tem boas capacidades atléticas e vontade, mas não chega; tem que evoluir táticamente, não poder deixar o seu corredor à mercê do adversário à sua guarda. Artur, André e Derley cumpriram.
      Parece claro que o plantel tem um grande potencial de evolução como convém à exigente época em curso. Oxalá que as lesões de John e de César - parece que Benito também saíu tocado - não sejam de cuidado.     

sábado, 18 de outubro de 2014

Massacre do Chão Manjaco: Guiné

Luís Graça & Camaradas da Guiné: Guiné 63/74 - P8513: Massacre do Chão Manjaco: Gui...: 1. Mensagem do nosso camarada Albino Silva* (ex-Soldado Maqueiro da CCS/BCAÇ 2845, Teixeira Pinto , 1968/70), com data de 2 de Julho de 2011...

O Massacre dos Majores


      "Pela mesma altura, ocorre porém um revés em todo este processo de pacificação; o massacre dos majores, como ficou conhecido para a História. Havia algum tempo já que, no mais absoluto sigilo, decorriam contactos superiormente autorizados de alguns militares portugueses com elementos do PAIGC, no sentido de se encontrar a paz pela via não armada. No dia 20 de Abril de 1970 tem lugar o encontro final entre os principais elementos do Estado Maior do CAOP (de Teixeira Pinto) e os chefes guerrilheiros da região da Cubiana-Churo. Avançam confiadamente os portugueses para a reunião combinada a norte da região Có-Pelundo. O pequeno grupo era constituído pelo major CEM, Passos Ramos, chefe do Estado Maior do CAOP; pelo major de Atilharia Pereira da Silva, oficial de ligações e acção psicológica; pelo major de infantaria Magalhães Osório; pelo Alferes miliciano Palmeiro Mosca, adjunto para o desenvolvimento socio-económico; e por um intérprete. Como habitualmente, todos iam desarmados. Chega ainda a estar prevista a participação do general Spínola, mas, vivamente desaconselhado pelo seu Estado Maior, resolve à última hora não comparecer, para frustração do inimigo que contava prendê-lo nessa ocasião.
      Segundo relatam mais tarde os guerrilheiros que participaram na emboscada, os portugueses faziam-se transportar em dois jeeps que chegam ao local combinado 10 minutos depois do meio-dia. O primeiro a ser abatido é Passos Ramos, quando sai do carro. Os outros foram selvaticamente mortos, sendo retalhados a golpes de catana. Os corpos foram recuperados no dia seguinte, completamente mutilados.
      Em Setembro, cinco meses depois, Amílcar Cabral irá referir-se ao assassinato dos três majores num discurso triunfalista proferido em Conakry, por ocasião de mais um aniversário do PAIGC, e glorificará aquele "acto heróico": depois de vários contactos, cartas ridículas, ofertas, presentes e promessas de toda a espécie, os colonialistas sofreram mais uma derrota vergonhosa: os nossos heróis combatentes liquidaram os majores e outros oficiais e soldados que pensavam que podiam comprar-nos."
     
Em Honra e Dever pág. 207 e 208, por Rui Hortelão, Luis Sanches de Baeña  e Abel Melo e Sousa, editora Caminhos Romanos.

Do Blogue "Luis Graça & Combatentes da Guiné:

Todo o pessoal tomou posições para resistir a uma possível emboscada. Os motores foram parados. Noite escura. Silêncio. Não restam dúvidas, são mesmo os Jeeps. Nada se move. Tudo é silêncio e escuridão. São quatro horas e dez minutos. É necessário esperar que comece a clarear. O silêncio pode ser uma armadilha.
Os Exmos Comandantes do CAOP e Batalhão são informados do achado e que se vai esperar pelo raiar da manhã. A tensão aumenta. Cinco horas. Começa a clarear.

O comandante da coluna deixa o pessoal todo instalado, entrega o comando ao alferes Miranda e aproxima-se das viaturas com a máxima cautela. A escuridão ainda é grande, os pés são apoiados com a máxima cautela e em lugares onde se procurou minas.
De repente bate-se numa coisa mole. É um corpo estendido. Parece ser o do Exmo Major Passos Ramos (era o do alferes Mosca). Ao lado outro, era o do Exmo Major Pereira da Silva. Não restam dúvidas, dois estão mortos. Dos outros nada se sabe. Informa-se Pelundo via rádio.

A tensão nos homens diminui, aumenta o assombro. Os homens encaram os factos com serenidade. Mais claridade. O Comandante da coluna procurou em volta e descobriu mais quatro vultos. Estão mortos.

É informado Pelundo. Os homens estão assombrados mas calmos. Mantêm-se nos seus lugares. São informados do achado. Começa a ver-se bem e surge a cena macabra e horrível. Os corpos estão mutilados e todos apresentam tiros na nuca, cortes de catana e punhal.

Os homens são informados e mantêm-se serenos e na expectativa. Pensam que o tiroteio vai começar. Ninguém acredita que não seja uma cilada. Monta-se a segurança circular e começam as viaturas a ser retiradas. Uma tem os dois pneus do lado esquerdo furados de balas. Procuram-se armadilhas e nada é encontrado.

A primeira viatura MG-93-55, com os pneus furados, é trazida para a estrada. Novo achado e desta vez mais macabro. O nativo Lamine (o que dele resta) está no lugar antes ocupado pela viatura. Tiro na nuca, muito mutilado.

Retira-se a segunda viatura para a estrada. Os corpos são carregados num Unimog.
A coluna está pronta a regressar. Em todos os rostos, uma decisão firme, lábios mordidos.

A visão anterior era demasiado horrível. São cerca de sete horas. Dois helicópteros sobrevoam a zona. Monta-se segurança, um deles aterra. Dele sai Sua Excelência o General Comandante-chefe, o Excelentíssimo Comandante do CAOP, Ten Cor Romão Loureiro, o Excelentíssimo Major P. Costa e o capitão Almeida Bruno. Examinam o local e partem.

Às 7h10 a coluna põe-se em movimento agora com dois Jeeps a reboque. O dispositivo é o mesmo da aproximação. A coluna chega ao quartel cerca das 9h00.

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Paco Garrido / Tango Acústico - Milonga triste

Esta versão em harmónica por Paco garrido é  para mim uma novidade e está muito bem conseguida.



 

Calamidades climáticas

      "A verdade é que as calamidades climáticas, responsáveis por grande parte da catástrofe, já tinham começado a revelar-se particularmente extremas antes da pandemia. Por volta de 1300, chegou ao fim o chamado Ótimo Climático Medieval, período de extraordinária subida de temperaturas, sobretudo no Atlântico Norte, que se iniciara no século X e permitira coisas como o cultivo de vides em Inglaterra ou a colonização da Gronelândia. Um autêntico aquecimento global, que devia ser referido pelos média quando falam das incidências do clima no mundo dos nossos dias. Também deviam mencionar a título de referência comparativa, a chamada Pequena Idade do Gelo, que principiou no século XIV e durou até meados do século XIX, altura em que se iniciaria o aquecimento que nos afeta atualmente. Assim, também pertence a esse castigado século XIV a duvidosa honra de ser cenário de tão radical alteração climática." (por Miguel Mañueco na revista Superinteressante, pág. 46)
      Aqui está uma constatação que poderá deitar por terra a tese prevalecente de que se deve à acção humana a causa primordial do alegado aquecimento global. A Revolução Industrial ocorreria em meados do século XIX  e a sintetização dos frigorigénios hidroclorofluorocarbonetos só viria a ocorrer no início do século XX. Restam portanto o metano e o dióxido de carbono resultantes de emissões naturais. Um caso a exigir informação cuidada, dados os tremendos constrangimentos económicos que as teorias vigentes estão a provocar na economia dos países tecnologicamente menos desenvolvidos, mais parecendo uma nova forma de colonialismo.
      Variáveis como a trajetória da órbita terrestre e da sua velocidade, da orientação do seu eixo e da sua rotação são influenciadas pelas conjugação dos campos gravíticos e electromagnéticos de estrelas, planetas e matéria escura. O Sol encontra-se comprovadamente no seu ciclo de onze anos de intensa actividade do qual resulta o drástico aumento da intensidade do seu campo electromagnético a ponto de poder provocar distúrbios em todos os sistemas electricos, especialmente graves em caso de enfraquecimento do campo electromagnético terrestre. E a causa é a acção humana? Presume-se, claro!, e em nome dessa presunção descapitalizam-se os países pobres!