Desporto

sábado, 17 de janeiro de 2015

Progresso




     
      Quando os pescadores portugueses eram "atrasados" iam orgulhosos com seus barcos pescar o peixe para as suas famílas e comunidades. 
     
      Hoje que são "cebelezados" vão, resignados, comprar o peixe aos "Continentes"  com o subsídio que, envergonhadamente, receberam da orgulhosa europa.
 
"...Lá no mar a vida dói, custa a levar, porque o mar é falso e além de falso é vário. Mas cá na terra é que foi, e não no mar, erguido o calvário!"

Jaime Neves e o 25 de Novembro

     
   Eanes, o homem que gosta das pessoas e suscita lealdades, é o chefe do Comando Operacional do 25 de Novembro. Neves é o chefe operacional.

      Graças ao DL 577-A/75, do Governo de Pinheiro de Azevedo, Jaime Neves integrou no Regimento de Comandos da Amadora (RCA), onde predominam oficiais do curso de 53/57 da Academia Militar, cerca de 300 veteranos constituindo duas companhias; uma sob comando de Sousa Gonçalves - da 2ªCCMDS - a outra comandada por Sampaio Faria - da 3ª CCMDS. Na reserva ficaram outras duas.
      Concentrando o ódio da esquerda totalitária, em especial do MRPP, o RCA é alvo de ataques da RTP e da EN bem como de frequentes manifestações junto ao quartel, chegando a Somague a tentar impedir a saída de viaturas. Militarmente isolados na grande Lisboa, o RCA conta com o apoio de ex-comandos fortemente organizados e espalhados pelo país, bem como do apoio político de Pires Veloso, do Cónego Melo, do Partido Socialista e da Igreja. No plano operacional, o RCA conta com quatro companhias no Norte; Braga, Vila Real, Lamego e Porto; duas do Centro e o Regimento de Cavalaria de Estremoz - o regimento de Spínola. O maior apoio porém é o que sentem por parte da designada maioria silenciosa.
      A Ordem de Operações, uma guerra civil, segundo o seu autor, Ramalho Eanes, é apresentada por este, acompanhado por Rocha Vieira, ao General Costa Gomes. Na ausência de Eanes, a planeada distribuição de armas é efetuada principalmente ao Partido Socialista através de Edmundo Pedro e Manuel Alegre por Galvão de Figueiredo, sob ordem de Tomé Pinto, tendo Eanes assumido a responsabilidade enquanto chefe do Comando Operacional.
      Os principais objetivos dos militares democratas são; o quartel da força aérea de Monsanto, a Polícia Militar e outros na calçada da ajuda, o COPCON no Forte do Alto Duque em Belém, e os paraquedistas de Tancos. A unidade de Monsanto não ofereceu resistência aos homens de Neves. Foi na Calçada da Ajuda que os cerca de trezentos comandos, agrupados em três companhias, enfrentam mais de dois mil militares; a de Jaime Neves, acabado de ser promovido a tenente-coronel, que sobe a calçada de chaimite, a 113ª do capitão Manuel Apolinário, que entra na calçada pelo lado esquerdo, e a 112ª do capitão António Lourenço, que desce a calçada.
      Pelas oito horas do dia 26 de Novembro, a chaimite de Neves, onde vão Ribeiro da Fonseca, Arnaldo Cruz e Vitor Ribeiro, inicia a progressão na Calçada da Ajuda, rebentando subitamente sobre ela uma trovoada de tiros vindos de todos os lados; do quartel e das casas particulares à esquerda. Há confusão de gritos, tiros e correrias, Neves, com meio corpo de fora da viatura, via rádio, dá ordens aos seus homens para não responderem ao fogo. José Eduardo Oliveira Coimbra vindo do cimo da calçada com a 112ª é atingido em cheio na crossa da aorta, acabando por morrer no Hospital Militar de Infectocontagiosas. Na CCMDS 113ª o furriel Joaquim dos Santos Pires é morto pelo fogo de metralhadora proveniente do Regimento de Cavalaria 7, frente ao quartel da Polícia Militar. Obedecendo à ordem de contenção, os comandos cercam o quartel da PM conseguindo posição de domínio. Do lado contrário é morto o aspirante Ascenso Bagagem. Neves avança de chaimite e derruba o portão de Lanceiros 2, tomando o quartel sem um tiro. Na frente da formatura na parada dos militares derrotados ordenada por Jaime Neves está Mário Tomé, que revelou honra na derrota. Quanto ao comandante da unidade, que revelara grande bravura na Guiné, ter-se-á refugiado debaixo de uma secretária, segundo Tomé. Ás três horas termina a operação, seguindo-se a passagem de passaportes aos militares derrotados, tendo ficado no comando do quartel da Polícia Militar, o bracarense Jaime Abreu Cardoso, figura lendária entre os comandos.
      Ao terceiro dia, a 112ª Companhia de Comandos cerca o Forte do Alto do Duque com o objetivo de prender Otelo e todo o Copcon. Mas foi Eanes que, surgindo com um grupo armado, levou Otelo, recusando-se a prendê-lo, contrariamente à exigência deste. No quartel apenas havia alguns fuzileiros, que incitavam à acção, e alguns oficiais. 
     
A maior preocupação porém era com a sublevada tropa especial de paraquedistas de Tancos, liderados pelo major Mascarenhas Pessoa, dos quais se esperava forte reação. Tal não viria a ocorrer graças a uma inteligente manobra administrativa do Chefe de Estado Maior da Força Aérea, general graduado Morais e Silva que proíbe o fornecimento de alimentação, atribuição de verbas e qualquer tipo de apoio aos militares sublevados, desmoralizando-os, até porque boa parte deles são instruendos. A recusa de apoio aos paraquedistas por parte de Heitor Almendra, a alma mater dos paras, conterrâneo e amigo de Neves, acabado de regressar de Angola com centenas de paraquedistas, que despreza Mascarenhas pessoa, desativaria em definitivo a sublevação dos boinas verdes.

      Ao fim de quatro dias, os principais suportes militares do PREC estão dominados e Jaime Neves, com os pés em chaga, pode então descalçar as botas e caminhar para a posteridade.
      Para Jaime Neves, o 25 de Novembro foi um contragolpe na extrema-esquerda e nos comunistas de Cunhal. Porém, a fragilidade de oposição do PCP alimenta a suposição de que a principal intenção de Cunhal, Pato, Lourenço e companhia, consistia na entrega das províncias ultramarinas à órbita soviética através do “internacionalismo proletário”. Angola, com as manobras de Rosa Coutinho, a independência e o MPLA no poder duas semanas antes do 25 de Novembro parece comprová-lo.
     
Duas das consequências do 25 de Novembro foram o fim da oclocracia e a eleição de Ramalho Eanes para a Presidência da República; o primeiro democraticamente eleito, com o apoio de Jaime Neves, que participa na sua campanha. Este não tem apetência pela atividade política e recusa-a, considerando os políticos, tal como Torga - seu conterrâneo - “papagaios insinceros”. Confia na intransigência da defesa da democracia do seu amigo e camarada Eanes, cujo caráter conhece, por isso o apoia.


      Formalmente, é o “Documento dos Nove”, elaborado por Melo Antunes, considerado por Ramalho Eanes e muitos outros “ o pai da Democracia em Portugal” que põe termo ao PREC. Um documento que evita a aniquilação do PCP constituindo simultaneamente um aviso à extrema-direita. Jaime Neves, contrariamente ao que foi difundido, não quer “dar cabo” do PCP nem da Intersindical, não se coibindo porém de criticar ambos. Apesar de tudo, Neves não está satisfeito; quer deitar a mão aos lideres do PREC e “no mínimo, expulsá-los de Portugal”, nunca, encostá-los ao “paredón”.
     
Efetuadas as comoventes honras militares aos falecidos furriel Pires e tenente Coimbra, os seus funerais são sentidos pelo Povo. No de José Coimbra, tripeiro da rua de Santo Ildefonso, milhares de pessoas inundaram a ponte D. Luis, que parece ter tremido com a carga humana. Jaime Neves fica com a sua kalashnikof.

Sintetizado de "Jaime Neves, Homem de Guerra e Boémio" da autoria de Rui Azevedo Teixeira, editado pela Bertrand 

domingo, 11 de janeiro de 2015

Benfica B-Porto B (3-2)

Um jogo interessante em que a equipa do Benfica sofreu para vencer, embora com justiça. 

Entrando " a matar", os encarnados rapidamente se colocaram em vantagem no marcador e numérica, na sequência de uma grande penalidade concretizada exemplarmente por GG a punir falta sobre si, quando, isolado na área, se preparava para o remate fatal.
 
A ganhar e em superioridade numérica, a equipa encarnada, acreditando ingenuamente numa vitória fácil, desacelerou e numa subida fortuita os azuis  fazem o empate num remate bem colocado, com Varela muito mal batido.
 
Com os azuis bem fechados atrás, e sem a intensidade ofensiva que mostrara no início, o Benfica tinha dificuldade em criar situações de golo.
 
Já no início da 2ª parte, o Porto, confiante, apesar da inferioridade numérica que não se fazia sentir no terreno, vem com tudo para cima do Benfica, virando o jogo num belo golo de Gonçalo Paciência. Aqui chegados a reviravolta parecia muito difícil. Mas aconteceu, com dois golos do jovem central Fábio Cardoso, depois de duas flagrantes perdidas de GG, isolado perante o guardião azul.
 
Estão de parabéns os bês do Benfica pela serenidade e talento que revelaram perante um adversário valoroso que quis ganhar o jogo. Esperemos porém que tenham aprendido a lição ,contra 11, 10, ou 9, nunca deve negligenciar-se o adversário e o jogo só acaba com o apito final.

Terrorismo na Europa

      Se os bárbaros atos que se verificaram recentemente em Paris merecem toda a nossa repulsa e oposição em nome da Liberdade e da comiseração cristã, não é menos verdade que estes mesmos valores devem suscitar o levantamento da população contra o projeto europeu em curso que os marginaliza, sobretudo a dos países ditos periféricos, em benefício das elites, contra os princípios consagrados na Declaração Universal dos Direitos do Homem, que, hipocritamente, ela própria adotou. É por isto que estou com Moita Flores, a quem envio um grande abraço, neste corajoso texto publicado hoje no Correio da manhã e que parcialmente transcrevo a seguir, com vénia e pedido de desculpa ao popular diário.
"Europa Terrorista:
"A quadrilha que vai liderar a manifestação de Paris prostituiu a Europa, mentiu nos sonhos, matou os projetos de Vida. Esta quadrilha quis emigrantes para a mão de obra escrava e desprezou o valor do trabalho. Desprezou o emprego. Desprezou a escola e a educação. Atirou para a fome e para a ruína milhões de desgraçados. Mas pior do que isto, a Europa cínica que hoje habitamos matou a Europa de Monet. Fez da União Europeia uma pantomima, aceitou de joelhos os ditames da Alemanha que fala por nós, contra nós, imperialismo da especulação que matou sonhos. Quem mata sonhos não pode esperar outra coisa a não ser a multiplicação da raiva, da indignação e, finalmente, do ódio. ... É esta a Europa cínica, e canalha, que aceitou o apelo de Hollande e vai fazer de conta que é amiga da liberdade de expressão."

Parabéns aos Atletas e às Atletas do Benfica!

Benfica domina Nacional de estrada

sábado, 10 de janeiro de 2015

Benfica-Vitória de Guimarães (3-0)

Ouve-se o hino do glorioso, aquela coisa fascinante, mesmo depois de milhares de audições. Estádio composto - 50 mil -, cachecóis bem levantados e a extraordinária voz de Luís Piçarra ecoando. A Vitória já fez o cumprimento ao público e não falhou o emblema.
 Está tudo a postos, vai começar...começou, sai o Benfica e Jonas quase marca! Benfica com; Júlio César, Jardel, César, André Almeida e Eliseu, Samaris, Talisca, Gaitan, Ola John Jonas e Lima. Guimarães com; Assis, Nii Plange, Jusué, João Afonso, Bruno Gaspat, André André, Hernâni, Cafú, André. Gui, Tómané e Ricardo Valente.
 Oportunidade flagrante para os vermelhos, por Gaitan, André Almeida e Jonas!
  
 Falta sobre Lima não assinalada e sansão disciplinar poupada ao defesa do Guimarães, que puxou o adversário pelo ombro; Lima ia isolar-se em posição frontal.
Golo!, Jonas de cabeça a cruzamento de Gaitan a cobrar uma falta na direita cometida sobre Lima. À terceira foi de vez. Meio campo dos encarnados a funcionar bem.
E o segundo esteve quase! bola longa de Gaitan foi ao poste esquerdo.
Jogo parado aos 13´para assistência a um vimaranense Tómané. Saíu de maca. Regressou.
Bomba de Talisca as poste esquerdo, de fora da área e de primeira! Uau!
Jogada brilhante dos encarnados com Gaitan em grande e bola a morrer nas mãos de Assis.
Susto para o Benfica; remate frontal de Cafú de meia-distância com JC a defender sem segurar. Passou o susto.
Bola ao ferro direito por Jonas, na sequência de transição fulminante!
Muito bem o Ola John a defender no flanco direito.
Guimarães com tração à retaguarda!, para já.
Uau!, defesa de Júlio César a lembrar Higuita!, Já batido, no chão, tira a bola com o pé esquerdo em balão, na sequência de um canto do Guimarães. Uau!
Ola John tem bons pés mas anda a nafta!
Intervalo. Poderíamos e merecíamos mais, pelo menos 2-0.

A equipa encarnada posicionou-se muito bem e mostrou grande dinâmica e precisão em todo o campo. Quase não houve passes falhados. Júlio César mostrou o que vale, e vale muito!

Recomeçou. Vitória com a iniciativa ofensiva.

Benfica pressiona e Vitória encolhe-se no seu meio-campo.

Ui!, remate perigoso do VG ao lado do poste esquerdo.

Gaitan é o capitão.

Golo!, Golo,!, John, após rosca de pé direito, com bomba de pé esquerdo para o fundo das redes na sequencia de mais uma jogada de elite de Lima pela direita. Uau!

Grande futebol do Benfica. VG bate-se bem, vê-se que sabem jogar...mas  o futebol dos encarnados é muito superior.

Ola John deu gás nas botas!

Gaitan está endiabrado. Levou uma mocada nas canetas.

VG sobe, grande tiro de longe para defesa fácil de JC.

Rui Costa, finalmente, resolve mostrar o CA a André, depois da enésima falta.

Este Benfica será campeão!, falta um golo para arrumar o jogo.

Calado diz que os jogadores do VG estão intimidados com o inferno da luz.

Bomba de Talisca para o quintal, do meio da rua.

Ui!, cruzamento assassino da direita do VG e corte oportuna do defesa vermelho ao 1º poste.

Cristante em aquecimento, deve sair Talisca...ou Jonas.

O BIC patrocina o VG. Não gosto do BIC!

Hoje não se faz sentir a falta de Enzo Pérez. O corpo Técnico do Benfica parece que sabe o que faz!

Sai Jonas, entra Cristante. Toto aquece.

Benfica controla o jogo. Ai, ai, grande defesa de JC a remate fortíssimo ao 1º poste. Mais uma grande defesa à Higuita a secar Jusué.

Benfica adormeceu e as abébias sucedem-se. Mau, mau!, quero mais um golo!

Sai Ola John sob os aplausos do público e entra Sálvio.

Na esquerda, Gaitán dá espetáculo!, parece futsal!

Calado insiste nos elogios ao VG, o que não me agrada; elogios aos adversários devem ser QB!

Entra Sulejmani e sai Talisca.

Cá está ele!, o 3º, por Gaitan!, máquina trituradora, Sálvio, Lima e Gaitan, abriu a defesa vimaranense, remate de craque a passe cirúrgico de Sálvio e rede a balançar. Estes jogadores querem ser campeões!

Ouvem-se olés!, sabe bem.

Mais uma saída de JC à Higuita, tipo libero, ouvem-se olés outra vez, acabou a desconfiança entre os adeptos.

RC perdoa penalti ao VG, sobre Toto. Não é!

Acabou o jogo.

Esta equipa do Benfica convenceu-me; com o regresso dos lesionados e a moral em cima, a equipa reforçou o seu favoritismo na prova. Foram três; poderiam ter sido seis!, tenham lá paciência; os encarnados foram muito superiores ao conquistadores.  

Jorge Jesus dá espectáculo na conferencia de imprensa, com os seus "patapés na garmática"!, quando se ganha, tudo tem graça!

Jaime Neves e o PREC (6)

      
      A primeira etapa do PREC desenvolve-se até ao 28 de Setembro durante a presidência de António de Spínola; a segunda vai até princípios de Agosto de 1975 e caracterizou-se pelas nacionalizações e reforma agrária, comandadas pelo PCP, que controlava organismos do Estado, refreadas pela reação do povo nortenho a partir de março com a vaga anticomunista. Por fim, a terceira e última fase que culminou no 25 de Novembro graças à oposição de alguns oficiais do MFA à insanidade revolucionária comunista.
 
      Neste período, Jaime Neves, ao serviço da Academia Militar, desenvolve várias ações, entre as quais a recolha de quarenta revolveres no Ministério da Economia, a dissuasão de alguns soldados da Guarda Nacional Republicana que, num ato de sublevação na cadeia do Linhó, se recusavam a içar a Bandeira Nacional; de uma outra vez, na mesma cadeia, pela persuasão da fama que o precede e do seu estilo simples e franco, com recurso a uma palestra em cima de uma mesa, põe termo ao motim que os cadastrados de alto coturno recentemente oriundos do Limoeiro tinham provocado. No caso do capitão cubano Peralta feito prisioneiro na Guiné e internado no Hospital Militar, cuja proteção contra rapto, que se receava por parte de ativistas de esquerda, lhe foi ordenada por Costa Gomes, então Presidente da República, Neves exigiu-lhe uma ordem escrita por conhecer e não “perdoar” o seu habitual “contorcionismo”.
      Injustamente Neves considerava Spínola um cobarde pelo facto de, no 11 de Março conhecido por “Matança da Páscoa”, ter fugido pelas traseiras do Palácio de Belém enquanto ele e os chefes da GNR e da PSP aguardavam no mesmo edifício ordens de avançar contra quem se supunha preparar o aniquilamento dos spinolistas; elementos da Aginter liderados por Guérin-Sérac.
      As ações sucedem-se, bizarras e quase ininterruptas, desde a prestação de socorro a polícias cercados em esquadras até ao ordenamento de filas para o cinema.
      Em Outubro Jaime Neves e o major Florindo Morais vão a Moçambique cujo Alto Comissário era então Vitor Alves - com a alcunha de garrafão -, buscar as Companhias de Comandos 20-43ª e 20-45ª que, em Lourenço Marques, se tinham envolvido em confrontos graves com os guerrilheiros da Frelimo, recusando-se porém a trazê-los sob prisão, intenção inicial de Costa Gomes, o que fazem com sucesso graças à estratégia de Neves de os conduzir ao Centro de Instrução de Comandos em Luanda, onde tinham feito o seu treino, para uma breve estadia apaziguadora antes do regresso a Lisboa onde passaram à disponibilidade.
      Os Comandos nasceram na guerra e para a guerra, contrariamente aos Fuzileiros e aos Paraquedistas, que já existiam antes de 1961, e são os que mais feitos têm de combate, mais armas capturadas, mais guerrilheiros abatidos e mais bases destruídas, do que qualquer outra tropa especial, e talvez até do que toda a tropa normal. Entre 1961 e 1974, cerca de oito mil comandos - um centésimo da tropa portuguesa total - fizeram a guerra de África; na qual morreram trezentos e sessenta, desapareceram trinta, e foram feridos, a maioria sem um pé, oitocentos. Nos seus cinquenta anos de vida, os Comandos são, desde 29 de Junho de 2012, a unidade mais condecorada de sempre do Exército Português. Terá sido esta guerra a mais brilhante nos quatrocentos anos de existência daquele corpo militar desde Schomberg? Quem herdará as condecorações do Centro de Tropas Comando após a sua extinção?
      Os comandos são voluntários, vêm de todo o território imperial, desde Minho a Timor, pretos, brancos, mulatos e amarelos, materializam a “sociedade multirracial” de Salazar, oferecem-se por puro idealismo patriótico e imperial, pelo desejo de aventura, por um desgosto de amor, por quererem fazer a guerra a sério, por terem lido Camões, Junger, Hemingway, Laterguy, por terem visto filmes como “O Último Comboio do Katanga”; outros procuram o suicídio heroico ou redentor ou a auto-demonstração de bravura.
      Abreu Cardozo, Almeida Bruno, Marcelino da Mata, Jaime Neves, Folques, Matos Gomes, Ferreira da Silva, Lobato Faria ou Chung, são alguns dos maiores comandos; homens casados com a guerra, que, como muitos outros comandos milicianos, lembram o português do século XV e XVI, temido no hemisfério sul e invejado pelos europeus, que o descreviam como “orgulhoso, duro, fechado, algo sinistro”. São os últimos heróis portugueses, heróis tristes a quem foi negada a mitificação da derrota, porque simplesmente a não houve. A ficção portuguesa parece ter medo destas figuras, quem sabe por castradores motivos políticos, ou simplesmente porque na sua claustrofobia, no seu minúsculo pedestal burguês e intelectual, os ficcionistas nem sequer os conhecem de outiva.
      Depois de combaterem os guerrilheiros em África, razão da sua fundação por Santos e Castro, os Comandos, miscelânea de militares do exército, incluindo as duas companhias regressadas de Moçambique, são recriados por Jaime Neves, constituindo o Regimento de Comandos da Amadora, que virá a ter uma ação decisiva no fim do PREC, esse período alucinatório em que muitos confundem História com histeria. Atuam contra manifestações e greves, uma delas a grande greve da TAP, cuja bandalheira a torna internacionalmente conhecida por Take Another Plane. Mais tarde, já derrotados, alguns grupos  dessa esquerda furiosa e infantilizada de que se destaca o MRPP onde militava gente como Durão Barroso, Ana Gomes ou Maria José Morgado - com quem o gadamaelense Manuel Ferreira da Silva tivera um béguin em Luanda -, tentam vingar-se cobardemente contra a família de Neves.
      Quase quarenta anos depois, o Capitão Chung não consegue perceber quem, próximo do 25 de Abril de 1975, esteve por trás da ação saneadora promovida pelo Capitão Marques Patrocínio, e outros indivíduos de pequeno estatuto, que afastou durante algum tempo do Regimento de Comandos da Amadora,vários oficiais, entre os quais, o seu comandante Jaime Neves e ele próprio. Um dos conjurados confessaria mais tarde,a Neves ter recebido de Cunhal, para si e sua família, a promessa de pagamento fora do país, o que ajudaria aquele a formar a convicção da influência do PCP neste episódio. A chegada a Lisboa da 6ª esquadra americana por essa ocasião proporcionou o boato de que Jaime Neves estaria a preparar um golpe à Pinochet, daí o saneamento. Num volte-face dramático num plenário do Regimento realizado a 4 de Agosto, Otelo Saraiva de Carvalho, que havia anuído ao saneamento, devolve o comando a Jaime Neves, tendo sido presos os conjurados, a maioria dos quais acabou por se arrepender e pedir perdão. 

Sintetizado de "Jaime Neves, Homem de Guerra e Boémio" da autoria de Rui Azevedo Teixeira, editado pela Bertrand 

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

O "Pinsador" disse:

 
 
Em Ditadura o povo sabe que não tem poder.
 
 
 

Em Democracia o povo pensa que tem poder.

domingo, 4 de janeiro de 2015

Jaime Neves e o 25 de Abril (5)


      Excluindo os casos especiais de Timor e Macau, o 25 de Abril de 1974 constitui o último dos três ciclos da Grande Aventura Colonial Portuguesa iniciada em 1415. Jaime Neves fez parte do 16 de Março e do 25 de Abril de 1974, e dos  11 de Março, 28 de Setembro e 25 de Novembro de 1975. Tendo sido um homem de ação e da força na ditadura, bem “masculino”, no sentido que dá Susan Sontag às ditaduras, Neves “feminiza-se”, segundo o conceito da ensaísta, que considera femininas as democracias devido às guerras de palavras características dos seus parlamentos.

      Jaime Neves começa a virar-se contra o regime no início da década de setenta ao aperceber-se da degradação acelerada do exército; Há soldados enviados para Moçambique sem terem dado um único tiro, no norte, os víveres são transportados por helicóptero devido à profusão de minas, há companhias sem qualquer sargento ou oficial do Quadro Permanente! Os filhos das elites, como Freitas do Amaral, ficam-se pela Marinha enquanto os rapazes do povo servem de “enchidos para canhão”. Neves não esquece os prisioneiros da Índia Portuguesa à chegada a Lisboa; oficialmente designados de “traidores” e “cobardes” e apesar do frio,  foram enviados para as suas terras  apenas com uma camisa cinzenta, calças com uma corda a servir de cinto e sapatilhas.

      Neves não tem formação política definida; autoritário - demo-liberal à noite -, o seu vínculo é à ordem estabelecida, o respeito pela hierarquia e pela autoridade. A decadência que testemunha no exército e no Império fazem-no vacilar entre a obrigação de lealdade e a necessidade de mudar o regime, preconizando o reformismo autoritário pela direita e não a revolução de esquerda.
      Toma parte ativa no fracassado levantamento militar do 16 de Março  liderada por Casanova Ferreira, Otelo Saraiva de Carvalho e Manuel Monge, que seria uma espécie de ensaio geral para o 25 de Abril, escapando à prisão graças ao apoio estratégico dos seus camaradas.
      No 25 de Abril, tem ação decisiva na neutralização do Ministério do Exército, este, acometido da tarefa da defesa do regime, invadindo-o com granadas de mão descavilhadas, a que se seguiu a persuasão da coluna do Regimento de Cavalaria da Ajuda, comandada pelo seu colega da Academia Militar Pato Anselmo que progredia com os seus poderosos M47 pela Avenida da Ribeira das Naus para os quais avançou desarmado, desafiando com sucesso os militares a juntarem-se à sua companhia de Comandos, constituindo uma preciosa ajuda para Salgueiro Maia, que, na rua paralela, resolveria com grande coragem situação idêntica.
      Resolvido sem tiros o bloqueio do Terreiro do Paço, enquanto Salgueiro Maia segue para o Quartel do Carmo onde imporá a rendição a Marcello Caetano - que revelará grande dignidade -, Jaime Neves, com a sua companhia de comandos à qual tinham aderido o Regimento de Infantaria 1, o Regimento de lanceiros e o Regimento de Cavalaria 7, segue para a Penha de França onde consegue, mais uma vez sem tiros, apesar de ter tido uma arma apontada ao peito a curta distância, a rendição da Legião Portuguesa, perante Manuel Ferreira da Silva - o herói de Gadamael e um civil “olheiro” do MDP/CDE.
      Em 30 de Abril, Neves protege a chegada de Álvaro Cunhal ao aeroporto da Portela, permitindo, ingenuamente e contra o previsto, que este discursasse do cimo de uma chaimite, imitando Lenine na estação Finlândia de São Petersburgo, fazendo passar a ideia de união entre o PCP e o MFA, que marcaria o designado PREC, e conduzindo-o ao encontro com o General António de Spínola. Simpatizando com Cunhal, que se recusara a seguir o patético Pereira de Moura colocando-se ao seu dispor, Neves, não suspeita de que viria a ser um alvo a abater pelo PCP.
      Do outro lado do espetro político, Jaime Neves protege a partida de Américo Thomáz para a Madeira, a caminho do exílio.

Sintetizado de "Jaime Neves, Homem de Guerra e Boémio" da autoria de Rui Azevedo Teixeira, editado pela Bertrand