Desporto

domingo, 8 de maio de 2016

O pântano

      
Auto-retrato, Pierre Auguste Renoir
 


   Denunciada a manobra "da mala", logo se desencadeou uma panóplia de ações de origens diversas, cujo propósito está por avaliar; se autêntica, se para "tapar olhos". Até parece que andavam todos distraídos; ele são os inquéritos da Liga, ele são as investigações a russos e angolanos com atividade no futebol nacional, ele são as múltiplas análises antidoping, ele são as "juras" de oposição aos aliciamentos. Tudo acompanhado pela censura mais ou menos explícita aos denunciantes, pela ausência à pouca vergonha que se tem verificado nos jogos dos dois candidatos ao título, não faltando quem considere benéficos os incentivos para ganhar, apesar de, efetivamente, se tratarem de incentivos para a prática do antijogo e, ou, prémios por "facilidades" em jogos passados ou futuros.
 
   Com efeito, a escandalosa displicência dos adversários do Sporting nesta ponta final do campeonato, mostra uma alargada aliança entre clubes para reforçar a candidatura daquele ao título em detrimento do Benfica. Tal espelha a falta de ética e de confiança por parte dos aliciadores como também a debilidade económica da maioria dos clubes que se prestam a tais práticas. Tudo isto remete para tempos de má memória que se julgavam definitivamente afastados em que as "manigâncias" que sustentavam as vitórias do clube dominante, o Porto eram atribuídas à irrepreensível competência da "Exemplar estrutura", que, como hoje se vê, na realidade, assentava no poder dissuasor de um grupo de torcionários, finalmente a contas com a justiça, e que, antigos dirigentes do clube verde-branco, parece, tentaram reproduzir em Lisboa.
 
   Por sua vez, a comunicação social, com raras exceções, fecha os olhos aos indícios de corrupção e prefere enaltecer a futebol arrasador dos de Alvalade, colaborando na estratégia de desestabilização contínua e cada vez mais intensa do clube da Luz. A verdade é que, curiosamente, denunciado o jogo da " mala", logo surgiram notícias do interesse do Sporting no guarda-redes do Marítimo com a oferta de 350 mil euros por época...precisamente o mesmo valor que fora atribuído, também pela comunicação social à oferta dos verde-brancos aos jogadores do Guimarães. Curioso!
 
   Pateticamente, Pedro Proença, dirigente destituído de idoneidade por muitos adeptos, entre os quais me incluo, atual Presidente da LPFP, prefere enaltecer a ímpar competitividade do campeonato nacional face aos seus congéneres europeus, não percebendo que, pelo contrário, uma competitividade fictícia, como é o caso, só o descredibiliza.
 
    Estas debilidades do futebol nacional parecem  insanáveis porque na sua génese radica uma quase generalizada falta de ética crónica, a qual, paradoxalmente, muitos fazem passar por normal, consoante os seus interesses concretos. Apesar de reconhecer que, por mais que se regulamente, fiscalize e penalize, nunca se conseguirá suprimir esta tentação, considero que é possível atenuar esta realidade agindo com inteligência, firmeza e neutralidade. Neutralidade; eis algo que perece impossível atingir nas instituições que tutelam o futebol.
 
   A penalização dos incentivos externos à competitividade deveria ser agravada no plano pecuniário, mas também no desportivo, de forma a constituir efetiva dissuasão da tentativa de aliciamento. Porém, também me parece que a cedência de jogadores entre clubes do mesmo escalão não deveria ser permitida. Como é possível que não se considere esta uma prática antidesportiva apesar de  estabelecer um fator de desigualdade entre os clubes de origem e todos os outros? Parece infantil! Se, por um lado, a ausência destes jogadores desfalca as equipas de destino quando defrontam as de origem, se jogassem, daria azo à suspeição quanto às suas intenções no jogo. Por isso o melhor mesmo é proibir as cedências entre equipas na mesma prova.
 
  Mas, como sabemos, tal não seria suficiente para garantir a ética desportiva; os adeptos mais atentos, estão fartos de perceber todas estas manobras; fecha-se o contrato com um jogador da equipa alvo para a época seguinte...promete-se a "venda" de outro jogador ao clube alvo para a próxima época...alicia-se, discretamente, um jogador chave da equipa alvo para alguns jogos, (é para isso que servem os grupos  torcionários; na verdade, quando um jogador falha um remate ou um corte, só ele é que sabe se foi acaso ou não), ou faz-se perceber ao respetivo treinador, pelo mesmo método, e discretamente, da conveniência em alterar o modelo tático ou as opções técnicas da equipa. Enfim, nesta matéria não há limites para a imaginação. Apesar de incontrolável, deve trabalhar-se ao nível da dissuasão; elaborando regulamentos e penalizações tais que afastem as tentações dos mais ousados, nos âmbitos desportivo, cível e criminal. Ora tal exige, vontade e convergência política e aí é que as dificuldades se agravam, uma vez que, tal não se tem verificado. Antes pelo contrário, parece que a ordem política consiste em "fechar" os olhos aos mais "destravados", seja pela afinidade com o clube em causa, seja por medo de conflitos sociais. Enfim, uma autêntica deceção que resulta, sobretudo, da fraca conta em que os dirigentes têm os adeptos do futebol, os quais, diga-se em abono da verdade e salvo exceções, também não se dão ao respeito.
 
Força Benfica!

quarta-feira, 4 de maio de 2016

A mala

  
O Grande Banho, Pierre Auguste Renoir

 
    Vai por aí um grande alarido entre os falsos puritanos contra a denúncia implícita e explícita de alguns benfiquistas, João Gabriel, Pedro Guerra e Rui Gomes da Silva, relativamente aos incentivos monetários que parece estarem a ser oferecidos aos adversários dos encarnados por gente afeta ao Sporting. E não falta quem, não só, não veja mal nessa artimanha, como é o caso de Otávio Ribeiro, como considera esse complemento remuneratório extraordinário importante para os profissionais do ludopédio, tendo em conta as relativamente curtas carreiras, não reconhecendo correspondente desvirtuamento das competições onde militam.  
 
   A oferta de prémios monetários a jogadores de clubes em função do seu desempenho contra equipas rivais, ao que consta, foi uma prática corrente no futebol português durante várias décadas, segundo confirmaram, anos atrás, Gaspar Ramos e o  falecido Pôncio Monteiro (que Deus tenha). Uma discreta operação de bastidores, pelos vistos, de todos conhecida e sem penalização legal ou regulamentar. Hoje porém tal prática é interdita e penalizadora para quem a pratica, infelizmente, ao que parece, com multa ligeira. Pena que não dê lugar a perda de pontos.
 
   Evidentemente que não me causa qualquer estranheza que pessoas inteligentes e informadas defendam as cores dos seus clubes ou dos clubes dos seus patrões. Mas incomoda-me que tentem fazer-nos passar por parvos. Senão vejamos:
 
   Residindo a raiz da corrupção, antes demais, no coração dos homens, no caso específico  do futebol, ela é facilitada pela vulnerabilidade financeira de alguns clubes, de todos conhecida mas por todos consentida. Adiante. Um clube profissional tem obrigação de proporcionar aos seus trabalhadores e às suas famílias, dignas condições de trabalho. Se não tem, desce à categoria de amador e a questão já não se coloca. Mas compete às entidades organizadoras a verificação da condição financeira dos clubes que competem nas suas provas, a saber; LPFP FPF, UEFA e FIFA. Identificámos; défice cultural - falta de respeito pelos outros -, défice financeiro e défice institucional.
 
   Já ao jogador profissional, tendo aceitado as condições que aufere no clube que representa, compete dar sempre o seu melhor na defesa da sua entidade patronal. Rescinde em caso de quebra de contrato. Mais nada. Siga:
 
   Ora se uma entidade externa a uma equipa se intromete e premeia monetariamente os atletas da mesma pela maximização útil da sua competitividade contra os rivais daquela e estes aceitam, tal significa que todos os envolvidos reconhecem haver défice de empenho nas condições nominais. Isto não abona em favor dos profissionais em causa, nem das tais instituições, nem do "benemérito", desde logo por colocar em causa a idoneidade de todos como ainda por, potencialmente, beneficiar todos os outros adversários, que os defrontarão em condições mais favoráveis, desvirtuando, desde logo, a credibilidade da competição. Até porque muito poucos deles não disporão de meios para fazer o mesmo. Continuemos:
 
   Dando-se o caso de a entidade "benemérita" ser concorrente das equipas direta ou indiretamente envolvidas, nunca ninguém, além do círculo restrito dos diretamente envolvidos saberá o efetivo propósito de tal "dito cujo" prémio; se para incentivar maior empenho contra o adversário, se para pagar a displicência controlada no jogo entre ambos. Isto é definitivo, mas não é tudo; vejamos:
 
   O maior empenho pretendido com o "incentivo" pode não se traduzir num maior esforço para a prática de um jogo de maior qualidade, com benefício dos adeptos - que são quem, no final, acabará por pagar -, mas para colocar no terreno de jogo todas as sórdidas práticas do antijogo que por cá se vêm, como fez a equipa do Vitória de Guimarães, no recente jogo da Luz.
 
   Em conclusão e quanto a mim, este tipo de incentivos deverá ser considerado corrupção e penalizar severamente todos os intervenientes, não só no plano pecuniário como no desportivo, com severa perda de pontos, por exemplo, correspondente aos que estavam em causa nos jogos identificados.
 
   A bem do futebol, abaixo a corrupção. 

Vídeo-Árbitro

    
   Le Pont Neuf Paris, Pierre Auguste Renoir
   Apesar de anos de obstinada recusa da FIFA à abordagem do tema,  generalizou-se a discussão  acerca da  utilidade e viabilidade da utilização do vídeo-árbitro nos jogos de futebol, anunciando-se para breve as primeiras experiências oficiais na europa, talvez em Portugal. Que vai reduzir o tempo útil de jogo, dizem uns. Que as dúvidas irão sempre prevalecer, dizem outros. Que não é possível usar meios idênticos em todos os jogos, dizem uns e outros. Que é demasiado dispendioso, dizem todos. Que a discussão das dúvidas e erros fazem parte do jogo, dizem os do "stablishment". Que reduz a margem de erros das equipas de arbitragem, argumentam os mais convictos.
   Bem sei que os instalados no "status quo" não estão interessados na transparência nem na verdade desportiva. E "sei" que muitas provas são conduzidas de forma a produzir resultados pré-estabelecidos de acordo com as lógicas de poder vigentes. A teia de interesses associada ao futebol vai da finança à política e às economia formal e informal. Por tudo isso a resistência será forte e prolongada, mas tem de ser vencida, sob pena de inexorável declínio deste desporto e frustração dos seus adeptos, com repercussões sociais imprevisíveis.

   Considero que o uso do vídeo-árbitro pode ser de grande utilidade e de simples aplicação, sem prejuízo do tempo útil de jogo. Eis como vejo o processo: o árbitro tradicional continua a ser soberano no jogo e decide quais os lances relativamente aos quais necessita de informação complementar. O árbitro auxiliar de serviço ao vídeo intervirá por solicitação do árbitro principal indicando-lhe a sua interpretação do lance em causa ou alertá-lo-á para incidentes ocorridos fora do seu campo de visão. Este toma a decisão definitiva e manda seguir o jogo. A diferença relativamente à situação atual é que deixa de haver a desculpa da falta de visibilidade ou da excessiva rapidez do lance, reduzindo drasticamente a margem de manobra dos "artistas" do apito, uma vez que tudo ficará registado. Obviamente que a eficácia deste processo restringe-se a certo tipo de lances; das linhas de baliza e da grande-área, do fora-de-jogo, do jogo violento com e sem bola, da marcação dos penaltis, enfim, os que o árbitro principal decidir, condicionado a tempos de decisão limitados. O processo desenrolar-se-ia passo a passo em vários países europeus que trocariam informações e conclusões entre si, com supervisão da UEFA e da FIFA.
   Se é verdade que há sorte e azar no jogo, também é certo que só as vitórias merecidas, produzem no adepto o fascínio que o atrai, sustenta e desenvolve a indústria do futebol e o pacifica com a vida.
   Já ontem era tarde.  

domingo, 1 de maio de 2016

Menos uma final

 
The Harem Aka Parisian Women Dresses As Algerians, Pierre Auguste Renoir
 
 
   Foi a ferros, mas foi justa. Sérgio Conceição levou para a Luz o tipo de futebol muito em uso por cá, em especial em um dos clubes que representou, o Porto. Explorou a previsível ansiedade da equipa encarnada abusando da agressividade e do antijogo ostensivo, provocatório, enervante, em detrimento do bom futebol que a sua equipa pratica...quando quer! Isso mesmo! Sérgio Conceição, com a falta de cultura desportiva que o caracteriza, preferiu apostar na interrupção frequente do jogo, recorrendo a esquemas circenses, do que explanar as qualidades desportivas que a sua equipa demonstrou possuir logo que se viu em desvantagem. Uma vergonha!
 
   A equipa do Benfica revelou ansiedade e falta de frescura física e mental de alguns jogadores, que se refletiram em fraco dinamismo, má qualidade de passe e falta de criatividade. Excetuou-se o lance do golo, graças à magnífica atuação da dupla Gaitan-Jardel, que já no jogo com o Rio Ave deu bons frutos, mais duas ou três situações, especialmente após as entradas de Sálvio, Jimenez - que pena aquela bola na trave, mas a "letra" era desnecessária (a equipa primeiro) -, e Samaris. Pizzi está fora de forma, tal como Renato - falharam inúmeros passes -, e Gaitan não pode fazer tudo. Sem eles, os pontas de lança não funcionam, como se viu. André Almeida foi providencial mas devia ter despachado a bola pela linha final, logo no primeiro corte. Jardel precipitou-se no lance precedente; tinha vantagem no controlo da bola, dava mais um passo e enviava-a pela linha lateral. Fantásticos, Ederson, Jardel, Fejsa e Gaitan. Carcela, Guedes Samaris, Jimenez e, talvez Luisão, podem ser importantes nesta ponta final. Os bons jogadores esgotados não funcionam. Enfim, vieram os três pontos, que era o mais importante.
 
   Bruno Paixão, felizmente, penalizou o jogo violento, mas não puniu as simulações grosseiras, permitindo prolongadas interrupções do jogo sem justificação, como era do interesse do Vitória de Guimarães.
 
   P.S. Consolida-se a ideia que vem correndo de que há algo espúrio nos bastidores que pode estar a desvirtuar e descredibilizar quer o campeonato quer as instituições desportivas e públicas. Se, tal como disse o Fanha, o incentivos às equipas dos concorrentes diretos são irregulares e puníveis, é tempo de averiguação por quem de direito. Constou-me quem sabe ver um jogo de futebol, que o Porto ofereceu o jogo ao Sporting!, não me surpreende, mas esperava que aquele clube procurasse salvar alguma da dignidade que lhe restava. Em outra frente, a comunicação social  continua a terçar armas pelos de alvalade; ele é o anúncio do julgamento dos dirigentes do Porto, ele é a dívida do Benfica e as empresas de Filipe Vieira ao Novo Banco, eles são os feitos do treinador do mundo, da Via Láctea e da Andrómeda e arredores...etc.
 
   Força Benfica!

terça-feira, 26 de abril de 2016

segunda-feira, 25 de abril de 2016

Mais um passo em frente

 
 
 
   Ora vejam lá como as coisas acontecem; o André Almeida, salvo o erro, "amandou" uma biqueirada na bola p'ró molho e "óspois" o Vilas Boas, acomunado com os de Carnide, fez um passe de bailado só para a deixar passar. Esta, que vinha "desmandada", p'ra "desfarçar" ainda bateu no chão, mas, lá está, depois de bater na trave, vejam só, foi direitinha à cabeça do Speedy, que, por sinal, andava por ali à procura das mijonas, e só parou no fundo da baliza. Isto não se faz. Deve investigar-se a neutralidade das bolas de futebol porque esta estava feita com o Benfica que, com estas "facelidades", ainda ganha o campeonato. Bolas digitais no futebol, já!
 
   Monólogo de personagem fictício de banda desenhada, de seu nome Ignácio, de cognome; "o  professor pardal da bola", preparando a próxima conferência internacional.
 
   Fora isso, pelo relato radiofónico, parece que à estratosférica equipa do Rio Ave só faltou montar arame farpado no seu meio-campo. Naturalmente sabiam que jogando taco a taco arriscavam-se a levar meia-dúzia.
 
   Artur Soares Dias fez o que se espera de um grande árbitro português; com saloias subtilezas condicionou o futebol dos encarnados. Eu, sabia que ia ser assim.
 
   Cartão amarelo para os comentadores da BTV, especialmente para o Calado, que exageraram nos elogios à equipa do Rio Ave. Se os jogadores do Benfica os tivessem ouvido tinham fugido, tal seria o medo! Respeitar o adversário, sim, exagerar nos elogios é patético e contraproducente. Valha-nos Deus!

PS: Muito bem os Juniores ao bater o Rio Ave por 2-1 no Seixal. Menos bem os B que não souberam segurar a vitória contra o Vitória, também no Seixal, apesar dos três magníficos golos obtidos. Fantásticos os Infantis e Juvenis, que levam todos na proa. Bem a equipa de andebol ao bater os noruegueses por uns robustos 14 pontos, salvo o erro. Menos bem o voleibol ao deixar fugir o título nos últimos instantes, apesar de terem feito uma boa campanha. Bem o futsal pela forma como chegaram ao pódio, onde poderiam estar mas num dos outros dois lugares. E bem o hóquei, na sua marcha triunfal. Atenção à Direção para impedir a saída de talentos para as hostes de quem os não sabe formar.
 
Força, Benfica!

sábado, 23 de abril de 2016

Rotura e continuidade

 
 
(Benfica - Porto, 22/20, 2016)
 
      Na sequência do fraco desempenho na fase regular da equipa de andebol do Benfica, não esperava desta, feito notável algum ainda esta época.  Duvidei da capacidade do treinador e da estratégia de rotura adotada pela Direção da modalidade. Enganei-me. Esqueci-me do tempo necessário à construção das dinâmicas coletivas e ao apuramento das técnicas individuais. Dizem os historiadores, pelo menos alguns, que, nas economias estagnadas, as roturas suscitam maior progresso que os sucessivos micro-incrementos. Ora, foi aquela estratégia que Domingos Almeida Lima, com a elegância que o caracteriza, anunciou para esta época; renovação do plantel e da equipa técnica, com a aquisição de três ou quatro atletas de créditos firmados. Afinal, está a resultar. Com renovação da equipa restaurou-se a ambição dos atletas, eliminando-se o conformismo que se instalara, apesar da boa qualidade dos atletas anteriores. É isso que faz a diferença. O mesmo já se verificara no hóquei, por exemplo.
 
    Vencer a Taça de Portugal e aceder à final do play-off, eliminando a excelente equipa campeã é um feito notável fruto da competência, do querer e da união. Uma satisfação para os adeptos. Fiquei a gostar mais um bocadinho desta modalidade. ABC e SCP são também duas grandes equipas, com tradições neste desporto e não será fácil vencer qualquer delas, mas a equipa do Benfica ganhou os seus galões de candidato.
 
   Para mim, o Benfica é sinónimo de valores e este caso testemunha uma certa nobreza que me é cara; o respeito pelos adversários quando nos são superiores. O insucesso persistente constitui um incentivo à desistência...ou à luta. O Benfica foi à luta, não se deixando vencer pelo despeito, que consiste em retirar ao adversário a satisfação da vitória, desistindo da competição. Instalando a dúvida dos fracos; Se jogássemos talvez não ganhasses! E isto constitui, para mim, uma satisfação singela e motivo de orgulho. Lição para a vida, para quem a souber tirar; respeitar, lutar e ganhar.
 
Viva a equipa de andebol do Benfica!
 
Força para a final.

quinta-feira, 21 de abril de 2016

terça-feira, 19 de abril de 2016

Não ganhar para o susto!


(Gabrielle with na open blouse, Pierre Auguste Renoir)  
   Foi o que me aconteceu ontem ao ver o avançado setubalense a correr isolado para a baliza. Como foi possível? Foi! Pizzi foi pau para toda a obra em todo o jogo; foi extremo esquerdo, foi extremo direito, foi avançado centro, foi defesa esquerdo, foi médio...sei lá....foi quase tudo! Naquele momento estava "estoirado", não tinha forças para receber a bola, aguentar a carga do adversário pelas costas, virar-se, fintar e progredir. Estava virado para a baliza e endossou o esférico ao Ederson esquecendo-se que na zona dos centrais estava o ponta de lança sadino, tal como fizera Aboubakar, à espera duma "abébiazinha" que quase sempre acontece. Aos encarnados valeu Ederson com a serenidade que o caracteriza; leu bem o lance e fez um desarme fabuloso. Acho que nem tocou no avançado. Ó Ederson!, dá-me a tua camisola!
   O Vitória esteve bem; aprendeu com o Bayern. Enquanto os jogadores encarnados disfrutavam, embevecidos, do aplauso dos seus adeptos pela campanha europeia, lançaram um ataque fulminante pela ala direita anichando a bola na rede em menos de um fósforo!, muita disponibilidade física, boa arrumação no terreno, boa qualidade de passe e verticalidade. Pareceu-me uma boa equipa.
   No lance do golo que poderia ter sido fatídico, Eliseu, que está a fazer uma época fantástica, não está isento de responsabilidades; repetiu um movimento que lhe é característico; declina para o interior e sobe no nterreno deixando o extremo adversário sem marcação. Quando este recebe a bola só o consegue apanhar â entrada da área; então, ou faz falta ou não consegue evitar o cruzamento. O segundo golo do Bayern na Luz foi parecido com este. Eliseu esteve fantástico no cruzamento para o golo da igualdade tal como Gaitan e Jonas. O segundo golo sai meio feito dos pés daquele para uma finalização tremenda do valoroso Jardel.
   Na etapa complementar quase todos os jogadores encarnados acusaram forte défice físico. Renato Sanches deixou de disputar os lances e quando recebia a bola fazia passes de três, quatro metros. A dinâmica, coordenação e força começaram a falhar. Mitro trabalhou imenso mas a bola chegava-lhe sempre meia enrolada ou tinha que andar à procura dela, resultado da falta de extremos (ai Sálvio). Perdemos o meio-campo. Julgo que se Rui Vitória tivesse optado pela substituição do Renato e mantivesse o Feysa  recuperaria o meio campo.
   Enfim, se há sorte no futebol, neste jogo esteve do lado dos encarnados, que, apesar de tudo, a mereceram.
   Há que recuperar os níveis físicos e atacar com determinação os jogos que faltam.
   Força, Benfica!
PS; não quero armar-me aos cucos mas uma linha não tem que ser, necessariamente, reta!, há as elíticas, as hiperbólicas, as parabólicas, as quebradas...as irregulares...ui!  

sábado, 16 de abril de 2016

Pés na terra!

(Depois do Banho, Pierre Auguste Renoir)
 
    O desempenho da equipa do Benfica na Liga dos Campeões suscitou justificado entusiasmo entre os benfiquistas, pela dignidade, competência e postura cívica demonstradas. Mas também porque a forma como se bateu, em especial contra o Bayern, definiu a o nível competitivo atual da equipa, dissipando os vestígios de desconfiança que ainda subsistiam relativamente ao projeto de Filipe Vieira e à qualidade técnica de Rui Vitória, deixando os detratores internos sem argumentos.
 
   No entanto, não há razão para excessos; a equipa da luz nem passou a eliminatória nem ganhou qualquer dos jogos. Há que encontrar as causas e corrigi-las. Nos momentos críticos dos dois jogos houve falhas defensivas fatais; em Munique o extremo do Bayern centrou sem oposição e Vidal, no eixo da área, cabeceou sem opositor. Lindelof, que foi compensar o André Almeida, devia ter pressionado o adversário, obrigando-o a soltar a bola incondicionalmente, em vez de ficar expectante no limite da área. Em Lisboa, no lance do primeiro golo dos alemães, defesas centrais e trinco mobilizaram-se para o lance que se desenvolvia com perigo pela esquerda deixando a cabeça da área completamente desguarnecida. Esse espaço deveria ter sido preenchido por um centrocampista ou mesmo avançado. Não foi. O resultado foi o empate. No lance do segundo golo bávaro a defesa manteve-se parada deixando os avançados atacar a bola sem oposição; pareceu-me que estavam a marcar à zona e, quanto a mim, não deviam; não há tempo de reação nem eficácia  de um defesa parado perante o avançado que vem lançado. Também no capítulo ofensivo faltou capacidade de controlo da ansiedade, especialmente por parte de Jonas e Mitroglou , em Munique, mas também de Jimenez e Luca Jovic em Lisboa, nos excelentes  momentos de concretização que se proporcionaram; Jimenez, aliás, concretizou de forma exuberante a primeira oportunidade que teve, demonstrando ser talhado para os grandes jogos e momentos decisivos.

   Por contraste, na equipa do Bayern, todos os jogadores no terreno, e talvez até no banco, com bola ou sem ela, estão sempre em jogo, fazendo marcações, fechando linhas de passe e fazendo as compensações. Por várias vezes assistimos ao recuo de médios ou avançados para a cabeça da área; zona crítica para onde fatalmente, em grande parte dos casos, a bola ressalta  depois de rechaçada pelas defesas. Aí esteve a principal diferença; na concentração coletiva permanente. E claro em Arturo Vidal; o homem dos sete instrumentos, o faz tudo!, defende à frente, defende atrás, distribui jogo, ataca pelos dois flancos e pelo meio e...faz golos decisivos. Sem ele, a equipa encarnada poderia ter prosseguido na prova. Um exemplo para Renato Sanches ver e meditar.

   Apesar da superioridade, embora marginal, dos alemães, o Benfica tem razões de queixa das equipas de arbitragem, que cometeram erros grosseiros...e não deviam. Qualquer das faltas em causa foi suficientemente definida. A Direção dos encarnados, sem espalhafato, deve pedir satisfações ao comité de arbitragem da UEFA, ao que julgo saber, infestado de portistas. 

Força, Benfica!