sábado, 20 de abril de 2013
Benfica-Sporting (2-0), Juniores
O candidato vitalício.
Ufana-se a imprensa em dar conta do recente anúncio de Pinto da Costa da sua candidatura à Presidência do FCP. Afinal, a autência notícia seria a da sua não candidatura! Todos sabemos que Pinto da Costa será candidato até que a mãe natureza o permita. Por medo ou superstição entre os sócios portistas nâo se têm perfilado alternativas. Fora deste círculo, a hipocrisia tolhe os que deveriam defender a tão almejada regeneração do desporto nacional, não faltando falsos elogios supimpas ao compulsivo candidato.
Nos malefícios infligidos ao desporto, em especial ao futebol, nas últimas décadas, Pinto da Costa tem sido o eminente protagonista, como tem sido revelado à saciedade ao longo dos anos pela generalidade da comunicação social. E como tal será recordado.
Frustrado pela consciência das espúrias conquistas, Pinto da Costa revela o seu desgosto pela falta de elogios públicos entre portas, desvalorizando o patético título de "dirigente desportivo do século" que lhe foi atribuído pela tenebrosa Associação de Futebol do Porto, agora liderada pelo não menos tenebroso Lourenço Pinto.
Frustrado pela consciência das espúrias conquistas, Pinto da Costa revela o seu desgosto pela falta de elogios públicos entre portas, desvalorizando o patético título de "dirigente desportivo do século" que lhe foi atribuído pela tenebrosa Associação de Futebol do Porto, agora liderada pelo não menos tenebroso Lourenço Pinto.
Anseia Pinto da Costa uma espécie de perdão implícito através de um qualquer agraciamento, ainda que hipócrita, certamente nunca inferior à comenda já atribuida a Vitor Baía mesmo a tempo de se apresentar em Tribunal abonando o réu, contribuindo para a sua absolvição. Tal como nós, Pinto da Costa também sabe que as vitórias só têm valor quando reconhecidas pelos outros, principalmente adversários, e que, tal só é possível quando leais.
Não se ganha o respeito de quem se enxovalha! Que é o que tem feito Pinto da Costa à grande maioria dos portugueses em toda a vida que tem dedicado ao desporto, julgando conquistar a simpatia dos Portuenses e dos Nortenhos em geral, ao manter os poderes institucionais de joelhos, manietados perante as corriqueiras acusações de alegados ataques do "centralismo lisboeta" ao povo do norte, do qual se arvora representante.
Nâo há medalhas, taças ou encómios que valham as felicitações genuinas, sentidas e livres do adversário. Pinto da Costa sabe-o e sente-o cada vez com mais intensidade à medida que sente eminente a sua inevitável retirada. Já quase o odiei! Hoje, dele, já quase só tenho pena!
António Barreto
Não se ganha o respeito de quem se enxovalha! Que é o que tem feito Pinto da Costa à grande maioria dos portugueses em toda a vida que tem dedicado ao desporto, julgando conquistar a simpatia dos Portuenses e dos Nortenhos em geral, ao manter os poderes institucionais de joelhos, manietados perante as corriqueiras acusações de alegados ataques do "centralismo lisboeta" ao povo do norte, do qual se arvora representante.
Nâo há medalhas, taças ou encómios que valham as felicitações genuinas, sentidas e livres do adversário. Pinto da Costa sabe-o e sente-o cada vez com mais intensidade à medida que sente eminente a sua inevitável retirada. Já quase o odiei! Hoje, dele, já quase só tenho pena!
António Barreto
quinta-feira, 18 de abril de 2013
Espanha está a negociar centralização de direitos TV
Real Madrid e Barcelona aceitaram reduzir a sua parte de 42 para 34%. Director-executivo da Liga espanhola optimista para mudança em breve.
Cerca de 162 milhões de euros para o Real Madrid; 13,9 milhões entregues ao Granada. Estas foram as verbas que os dois clubes receberam na época passada como resultado do seu acordo sobre direitos televisivos. Em Inglaterra, onde o modelo é centralizado, o Manchester City, que assegurou o título de campeão, encaixou 70 milhões, enquanto o despromovido Wolverhampton conseguiu metade. Mas esta desproporção está em vias de ser alterada, pois os espanhóis estão a negociar para que o modelo da Liga seja centralizado.
"Há questões que temos de melhorar. Somos das poucas Ligas europeias, em parceria com o que sucede com os nossos vizinhos portugueses, onde a negociação dos direitos televisivos dos clubes ainda não é centralizada. No entanto, uma vez que Barcelona e Real Madrid admitiram reduzir de 42 para 34% a sua parte, estou optimista para que, num prazo de três anos, a negociação dos direitos televisivos passe a ser centralizada": o discurso é de Francisco Roca, director-executivo da Liga espanhola.
Zaratustra:
O atual modelo de financiamento dos clubes, em Portugal e na Europa, está a condenar o futebol desacreditando-o, devido ao fosso cada vez maior que se verifica entre clubes. Esta realidade reduz a qualidade do espetáculo, induz fenómenos de corrupção e conduz ao inevitável afastamento do público, saturado dos velhos heróis, alguns deles de papelão.
No caso de Portugal é dramático! O regime de monopólio de exploração dos direitos desportivos conduziu ao absurdo da fantástica receita 9 ME por época do Benfica, comparando com 162 ME do Real Madrid e 13,9 ME do...Granada! O orçamento do Benfica atual é de 110 ME e o do Real Madrid é superior a 500 ME! Enquanto isso, o detentor dos direitos vem engordando à custa da popularidade do meu clube que, fustigado pelos "calheiros da vida", se viu forçado a vender receitas futuras ao preço da uva mijona!
O projeto de centralização de comercialização dos direitos desportivos defendido por Mário Figueiredo é o caminho certo desde que resulte na redução do fosso financeiro entre clubes e haja vontade e capacidade de exterminar a corrupção direta ou induzida que vem destruindo este desporto.
Também a UEFA e a FIFA têm que mudar os atuais modelos de financiamento e até alterar os quadros competitivos. O negócio sustentado associado ao futebol está indelévelmente ligado ao que de genuíno se passa no relvado e não nas trafulhices dos bastidores. O adepto de hoje percepciona com relativa facilidade as manobras ocultas.
É imperativo que as receitas das grandes competições europeias quer de clubes, quer de seleções, valorize a competitividade dos clubes aproximando-os financeiramente, sem comprometer outra vertente nobilíssima deste desporto que deveria ser mais fomentada e divulgada e que consiste recuperação social de muitos milhares de jovens, em várias partes do Mundo, antes perdidos nas sombrias esquinas da pobreza.
Inevitávelmente, também os quadros competitivos das provas nacionais e europeias deverão garantir maior equilíbrio entre as equipas, não se compadecendo com alargamentos suicidas como se pretende fazer em Portugal. Tal resultará, inevitávelmente, em menor competitividade externa e ao alargamento do fosso entre as equipas nacionais e as outras. O designado critério de fair-play não tem convencido! Parece que há sempre caminhos esconsos que permitem escapatória aos faltosos! E ninguém se parece ralar, nem mesmo quando se vêm assitências de 500 adeptos em estádios com capacidade para 30 000! Assim não vamos lá!
quarta-feira, 17 de abril de 2013
O abre-latas (por João César das Neves, in DN de 15 de Abril de 2013)

Uma das muitas anedotas usadas para criticar os economistas diz que um deles se encontrou numa ilha deserta com um engenheiro e um químico, tendo apenas uma lata fechada com comida. O engenheiro sugere um sistema de pesos e roldanas para abrir a lata, enquanto o químico pensa nos reagentes que possam dissolver a tampa. O economista resolve o problema concebendo um modelo que começa assim: "suponhamos que temos um abre-latas!"
A maioria
das afirmações que ouvimos acerca da situação económica portuguesa também
assume a existência de um abre-latas que realmente ninguém tem. Quando se diz
que basta de austeridade e que devemos mudar de política, supõe-se que a lata
já está aberta, o que é evidentemente falso. Podem criticar-se os métodos que o
Governo tem usado para o conseguir; o que não é possível é interromper o jejum
e começar o almoço antes de abrir o malfadado recipiente.
Portugal tem
uma enorme dívida, que acumulou ao longo dos últimos vinte anos. Mas esse não é
o seu pior problema. A questão decisiva é que, ainda hoje, e apesar de todos os
sacrifícios, o Estado continua a gastar mais do que recebe e a dívida continua
a crescer. Os próprios protestos mostram isso, pois repetem à exaustão que não
se podem aumentar mais os impostos e afirmam categoricamente que mais cortes
nas despesas liquidarão saúde, educação, polícia, segurança social e inúmeras
funções indispensáveis. No entanto, os impostos, apesar de esmagadores,
continuam abaixo das despesas tão espremidas.
Isso
constitui o famigerado défice orçamental, que teimosamente se mantém elevado.
Este facto é tão evidente e incontornável quanto a lata que encerra a comida.
Quem ignorar essa realidade pode estar cheio de razão na sua raiva e
desapontamento, mas nada adianta para a solução do problema.
Aquilo que
realmente fecha a lata não vem dos credores, mas dos muitos interesses
instalados que bloqueiam o País. Bancos, sectores, serviços e profissões não
querem perder rendas e benesses insustentáveis. Beliscá-los gera os urros que
ouvimos a cada passo, pois eles controlam partidos e jornais.
De facto o
nosso país tem de conseguir, não eliminar o défice, mas mostrar que ele está
suficientemente controlado para que os credores internacionais voltem a ter
confiança na nossa capacidade de honrar as responsabilidades. Entretanto a
troika empresta muitos milhões, quase metade do nosso produto nacional, para
irmos comendo enquanto abrimos a lata. Mas, como não há almoços grátis, isso
vem com condições, a sempre criticada austeridade, que é apenas uma receita
para levantar a tampa. Quando isso acontecer, que a troika continua a prever
para 2014, o País regressa à normalidade e poderemos finalmente almoçar. Dada a
dureza do jejum, são compreensíveis recriminações, queixas e desalentos. Mas
não faz sentido abandonar o esforço de resolver o problema ou falar em
políticas alternativas que não o enfrentam com clareza.
Os abre-latas
sugeridos parecem atraentes, mas nenhum é realmente eficaz. Falar em promoção
do crescimento económico num país estagnado há 13 anos, todos cheios de
políticas de promoção de crescimento, só pode ser amarga ironia. O País há-de
voltar ao progresso, não com políticas de promoção, mas com o recuo do Estado e
a normalização dos canais económicos. Também o abandono do euro, a renegociação
da dívida ou "um governo patriótico e de esquerda" não resolvem o
problema de fundo: o Estado continua a gastar mais do que recebe, mesmo depois
de cortar fundo nas despesas e subir escandalosamente os impostos.
Então qual a
solução? Portugal mergulhou na crise passando 20 anos a fazer o contrário do
que os economistas recomendam; não é provável que agora siga o que dizem. Mas
se quiserem saber, a cura da crise é dieta no Estado e reestruturação da
economia. A solução está em libertar as empresas e produção. Pode parecer
estranho a quem só conhece anedotas, mas a boa teoria económica afirma que não
há abre-latas fácil e a via para o progresso está na técnica, engenharia,
química, etc.
Por decisão
pessoal, o autor do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico
terça-feira, 16 de abril de 2013
Benfica-Paços de Ferreira (1-1); Taça de Portugal
E pronto; estamos na final da Taça de Portugal! Este jogo teve um travo pouco adocicado dado ter-nos escapado a vitória, num lance de desconcentração do Máxi no qual o Paços também teve mérito. De facto, neste período, os canarinhos faziam intensa pressão alta, razão pela qual o Cícero se posicionou na nossa linha defensiva; com uma "assistência" daquelas, em posição frontal, Cícero não perdoou, batendo o Artur com um remate inteligente. Na verdade, ainda na primeira parte o Paços tivera uma boa ocasião, também com Máxi no lance, onde Artur esteve brilhante ao travar o remate do isolado atacante.
O jogo correu morno, com o Benfica a criar várias ocasiões soberanas ainda bem cedo, duas por Cardozo - numa delas a bola foi ao poste -, outra num excelente remate de pé esquerdo de Sálvio - bem rente ao ângulo - e outra noutro bonito remate, agora de Gaitan.
O lance do nosso golo valeu o jogo; jogada de envolvimento a alta rotação, cruzamento da esquerda bem para o coração da área e remate fulgurante, de primeira, de pé esquerdo, de Cardozo - 105 Km/h -, bem junto ao poste! Cássio nada podia fazer! Para além disso, para mim, é sempre um prazer ver o Gaitan trabalhar a bola; faz todas as manobras com grande elegância, precisão e criatividade. Recordo ainda uma interessante tentativa de chapéu de Cardozo e uma dupla finta de belo efeito de Rodrigo. Aimar ainda perfumou o jogo por breves minutos, para gáudio dos adeptos.
Pareceu claro que o Benfica fazia alguma gestão de esforço dada a intensa sequência de compromissos neste período - o recente jogo europeu e o próximo dérby -, mas nem por isso deixou de procurar a vitória, a qual, poderia ainda ter alcançado em um ou dois lances em que Lima, bem posicionado, não foi feliz no remate.
O Paços fez um bom jogo; olhos nos olhos, grande coesão defensiva, rápidas saídas com a alas bem ativas, com períodos de intensa pressão alta dificultando a saída organizada do Benfica, e sempre com muita garra. Mereceram o tento e o empate assenta-lhes bem.
Como dizem os jogadores do Benfica; há que descansar e mudar o chip para o próximo.
sexta-feira, 12 de abril de 2013
Os malefícios da concentração económica

O CM de 11.04.2013, publica uma crónica sob o título "Família do Pingo Doce tem salário de Milhões" na qual refere que a família Soares dos Santos terá ganho em 2012, só em salários, 2,6 milhões de euros e que, pelos 56,1 % do capital da sociedade receberá a título de dividendos em oito de Maio próximo, 104 milhões de euros, constituindo um aumento de 7,3% face ao ano anterior.
Não nego os benefícios económicos das grandes superfícies, nomeadamente pelo aumento de concorrência que proporciona e consequente impacto na estabilidade dos preços, pela diversificação da oferta, facultando acesso a bens de outra forma inacessíveis à generalidade da população, pela melhoria da qualidade de acondicionamento e conservação dos produtos, especialmente os refrigerados e congelados, pela maior amplitude dos horários de funcionamento, facilitadores do quotidiano das pessoas, até pelo efeito de entretenimento que proporciona a muitas famílias, as quais chegam a organizar "expedições" regulares aos hiper!
No entanto, nem tudo são rosas. O método de venda estimula o consumo supérfluo tendendo a absorver as poupanças proporcionadas pelos mais baixos preços, induz aumento de gastos com deslocações atenuados pelos competitivos preços dos combustíveis que proporciona e...destrui postos de trabalho! Sim, não cria emprego líquido, destrui emprego pelo efeito da concentração da riqueza. O que antes era distribuído por muitos é hoje afecto a muito menos, o que antes provinha da produção local, em grande parte, vem agora de longínquas paragens. Não menos importante, arrefece as relações pessoais, materializa-as, retira-lhes o afeto; afeto, simpatia e até amizade, que é possível ver num mercado tradicional, onde as pessoas se encontram e conversam querendo saber umas das outras, trocando notícias e transacionando...produtos locais.
A instalação dos hiper nas periferias desloca para lá as populações esvaziando os centros urbanos, impondo investimentos de toda a sorte; transportes, infraestruturas, saneamento...agravando os encargos com combustíveis e correspondentes emissões poluentes;«De cada vez que estudantes e trabalhadores saem de casa, são libertados cerca de 6,1 milhões de kg de CO2. Os movimentos pendulares valem 24 por cento das emissões dos transportes», noticiava a imprensa há três dias.
Não creio que os produtos de origem longínqua reflitam os correspondentes efetivos custos globais, nomeadamente, no impacto ambiental direto e indireto, bem como em equipamentos, infraestruturas e serviços vários alocados. Considero que os governos deveriam negociar com os hiper, quotas de comercialização de produtos locais que permitiriam reduzir importações e criar emprego. De igual modo, deveriam negociar quotas de exportação de produtos nacionais através das suas redes próprias de comercialização externa. Tal estratégia, visaria garantir um saldo positivo, quer económico, quer laboral. Então sim, até olharia com simpatia para as remunerações faraónicas a que, parece, auferem.
Até lá, proponho umas contas feitas à pressa; 100 ME por 56,1 % correspondem a 178 ME de dividendos distribuídos. Considerando que outro tanto poderá ter sido alocado a reservas de capital, chegaremos a um lucro líquido depois dos impostos de 356 ME. Ora, se tal corresponder a 10% do valor da faturação total, chegaremos à bonita soma de 3560 ME! É lá! Continuando; para uma faturação anual de 100 mE resultariam 35600 micro empresas, com um resultado líquido anual próximo dos 20 mE, suficiente para, cada uma delas, financiar uma família normal de 3 pessoas a que juntaremos mais 2 trabalhadores por firma. Teríamos assim que, só os dividendos em causa, poderiam proporcionar sustento direto a 178000 pessoas! É obra!
Mas não é tudo! Acontece que, no final da cadeia de valor, estas organizações identificam todas as fileiras económicas conexas rentáveis, constituindo grupos económicos fechados, "secando" a concorrência, graças às economias de escala e relacionamento comercial privilegiado. O resultado é que, enquanto as 35600 empresas recorriam aos serviços locais; do pedreiro, do canalizador, do eletricista, do pintor, do carpinteiro, do frigorista, do informático, etc, agora, esse serviço é assegurado pelas firmas do próprio grupo que assim alavancam o valor da casa mãe. Adotando como razoável uma proporção de 10% teríamos mais 3560 micro empresas, provavelmente, mais 7120 pessoas, perfazendo um total de 185120 pessoas! É obra! Se agora, por um simples acaso, o grupo do "ti Belmiro" conseguisse a mesma performance, chegaríamos ao bonito resultado de 370240 pessoas! Ora se bem me lembro, ainda temos o Jumbo, o Carrefour, o Lidl, o Intermarché, o Leclerc, o Minipreço, etc. Se todos eles valerem o mesmo que os dois anteriores, então...teríamos o problema do desemprego resolvido; 740480 pessoas! E por aqui fora, onde haja concentração económica!
Se não me escapou nada, resta-me aguardar o telefonema do Sr. Primeiro Ministro!
Newcastle-Benfica (1-1); venham as meias-finais.
Não foi um jogo brilhante; na segunda parte foi até deprimente, estúpidamente deprimente, exceto nos cinco minutos finas, onde a nossa equipa "matou" o jogo; algo que poderia e deveria ter feito ainda na primeira parte em várias ocasiões flagrantes. Foi um golo catártico; fiquei com dúvidas acerca da intencionalidade do excelente cruzamento de Rodrigo, mas não do inteligente remate de Sálvio a colocar a bola fora do alcance do guarda-redes, após entrada fulgurante sobre o estático defesa confiante na receção do esférico.
O Benfica adotou uma tática de controlo, bloquendo a esperada intensa dinâmica ofensiva contrária, partindo para transições ofensivas que lhe permitissem marcar cedo, o tento da tranquilidade. Ganhou-se a luta do meio-campo, muito bem apoiado durante toda a primeira parte, na qual, os nossos atletas venciam quase sempre os duelos individuais. Faltou pé direito a Gaitan para meter a bola ao 2º poste, bem fora do alcance do defesa que fechava o primeiro, naquela perdida incrível. Neste período. não me recordo de o Newcastle chegar com perigo à baliza de Artur, exceto no lance do golo em posição de fora-de-jogo; algumas oportunidades de remate de meia-distância foram concluidos de forma algo disparatada.
No 2º tempo, a equipa do Benfica cedeu o meio-campo ao adversário, recuou no terreno, tornou-se surpreendentemente lenta e complicada, proporcionando o desenvolvimento de sucessivos lances ofensivos adversários, nos quais, geralmente, sobrava o empenho mas faltava o talento. Foi num lance de insistência meio atabalhoado, com muita passividade da defensiva vermelha, que o Newcastle fez o golo auto-estimulante, já depois de novo susto ao colocar a bola nas redes de Artur, mais uma vez, num lance de fora-de-jogo assinalado (a diferença que fazem os bons dos maus árbitros). Sentindo a eliminatória perigar, os atletas do benfas meteram a terceira e fizeram, brilhantemente, o desempate para desespero dos beefs.
Há muito que é para mim clara a necessidade de um armador de jogo; um Aimar em boa condição, com capacidade para receber e segurar a bola, driblar, criar espaços e desenhar os lances ofensivos. Não compreendo a sucessiva falta de marcação do extremo direito adversário, sempre soltíssimo da silva, para receber, controlar, ler, transportar e cruzar! Foram talvez perto de uma dezena de lances sempre perigosos, precisamente na zona por onde nascera o lance do golo na Luz! Tudo sem que a equipa fizesse a correção da compensação necessária! How come! Luisão! Artur!Jesus! Ola John! Não é possível!
É importante manter a capacidade de aprender com os erros próprios e dos dos adversários.
Preparemo-nos para o seguinte, que este já está.
PS: Gostei da homenagem a Boby Robson; um Homem que sempre respeitei apesar de duplamente rival. Também gostei do ambiente de cordialidade entre as equipas e Técnicos.
PS: Gostei da homenagem a Boby Robson; um Homem que sempre respeitei apesar de duplamente rival. Também gostei do ambiente de cordialidade entre as equipas e Técnicos.
quinta-feira, 11 de abril de 2013
Filosofia e metodologia da corrupção no Futebol

In Máfia do Futebol de Declan Hill
"A moralidade é algo delicado de julgar. É fácil sentarmo-nos e pensarmos:"oh, eu nunca me envolveria no arranjo de um jogo!" Mas o que aconteceria se muitos outros clubes desse campeonato arranjassem jogos? Há duas perguntas que um potencial arranjador tem que colocar a si próprio: serei alguém com sentido moral e será a competição em que estou moralmente sã? Neste caso, um dos adversários do Baltika tinha princípios que o impediam de arranjar o jogo, mesmo estando condenado à despromoção. No entanto, a verdadeira questão de Dmitri Chepel é se haveria outra equipa, um rival do Baltika na luta contra a despromoção disposta a fazê-lo.
O problema para Dmitri Chepel nesta fase é simplesmente não saber o que outras equipas rivais possam fazer. É este fator de incerteza que determina o fenómeno dos pagamentos de incentivo no campeonato Russo, em que uma equipas pagam aos oponentes dos seus adversários diretos para que joguem honestamente e não aceitem qualquer suborno para o arranjo do jogo.O CSKA de Moscovo é um dos maiores clubes do campeonato Russo, e o seu Presidente Yevgeny Giner, falou abertamente acerca de pagamentos de incentivo feitos a equipas para que estas não participassem em arranjos que beneficiassem os rivais do CSKA. Giner foi também, inacreditávelmente, o Presidente da Primeira Liga Russa em 2006. Por isso, se esta situação é normal no campeonato, a decisão de Chepel em não pensar nas questões morais do arranjo é compreensível."
"Os jogadores do Baltika e do Kalinegrado são considerados tão ridiculamente inaptos que não conseguiriam ganhar um jogo que não fosse arranjado. No entanto, equipas fortes também arranjam jogos com equipas mais fracas. Em Maio de 1993 Jean-Pierre Bernès e Bernard Tapie decidiram arranjar um jogo. Bernès era o Secretário Geral do Olympique de Marselha e Tapie o Presidente do clube, e um ex-Ministro do Governo Francês. O Marselha ia jogar com o Valenciennes FC. Em teoria, tratava-se de um jogo fácil para o Marselha: eram uma das equipas mais fortes da Europa e o Valenciennes era o antepenúltimo no campeonato francês da primeira divisão. Mas Tapie e Bernès, convenceram um dos seus jogadores, Jean-Jacques Eydelie a abordar alguns jogadores do Valenciennes para que entregassem o jogo.
Depois do contacto feito por Eydelie, Bernès falou com um dos jogadores do Valenciennes e disse-lhe: " vão perder seja como for. Porque não fazê-lo com 30 mil francos no bolso?" É uma grande frase e é a chave que explica porque muitos jogadores e árbitros aceitam subornos para arranjarem jogos. Resume também a questão que muitos colocaram a si próprios acerca deste caso: porque iria o Marselha sequer dar-se ao trabalho de arranjar o jogo? O que terá passado pela cabeça de Tapie e Bernès para arriscarem as suas carreiras no arranjo de um jogo à partida tão fácil?
A resposta é complicada.Em parte, tal como escreveu mais tarde Eydelie, isso deveu-se o surgimento de uma cultura de corrupção dentro da equipa do Marselha. Essa cultura tinha-se tornado tão enraizada que os dirigentes, com excesso de confiança e ousadia,assumiram que "a batota tinha-se tornado uma segunda natureza." Por outra parte, o objetivo era preservar os seus jogadores de lesões: tinham um outro jogo, e mais importante, na semana seguinte."
"...A questão final que um dirigente corrupto deve fazer-se é se a Liga ou outra força exterior (a Polícia) irão impor-lhe sanções caso seja apanhado. Na verdade, trata-se de duas questões numa: será que vou ser apanhado? E: caso seja apanhado, serei punido?
Bernard Tapie errou por completo nesta questão. Foi descoberto e enviado para a cadeia. Mas no caso do Baltika, Chepel e os seus ajudantes não pareciam pôr a possibilidade de quaisquer sanções pelas suas atividades corruptas. As suas tentativas de arranjar o jogo são genuinamente impressionantes pela sua meticulosidade. Contactaram, alegadamente, quase todas as pessoas que poderiam ajudá-los no arranjo: jogadores rivais, treinadores, administradores e árbitros.Contudo, pelo que podemos observar através das transcrições e da posterior cobertura jornalistica, ninguem delatou as suas ações às autoridades e nenhuma sanção vinda das autoridades futebolísticas foi alguma vez aplicada a Chapel ou ao Baltika."
"...Em muitos campeonatos Europeus, os donos dos clubes fazem favores uns aos outros, tais como ordenar às suas próprias equipas que percam um jogo, e recebem o pagamento através de um pagamento mais tarde, que pode ser um arranjo ou uma transferência de um determinado jogador. Em Itália e em Portugal, esta prática é de tal forma vulgar que têm mesmo um nome para ela: il sistema, ou "o sistema."
Zaratustra:
Tudo isto nos é demasiado familiar em Portugal! Uma velha história quase a papel químico, não é verdade? Alguém deveria ter ido para acadeia!
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