Então esta "escumalha" dos "cruzadinhos de rodas" vêm ao nosso pavilhão "roubar-nos" a vitória à custa de quatro penáltis e uma expulsão, agridem os nossos adeptos à paulada os quais são ainda alvo de indiscriminada bordoada pelos agentes da PSP?
São muitas as evidências da ligação dos sucessivos governos ao lobi "branco", levando-me a supor que está institucionalizada uma estratégia de subjugação do país a "suas eminências", que passa pela subalternização desportiva do Benfica e social dos Benfiquistas, com o propósito de eliminar a força agregadora de ambos entre os portugueses.
É este o Portugal Novo que pretendem criar? É esta a matriz chauvinsta e discriminatória que subjaz à "matriz cultural diferenciada" que reivindicam? Julgam que a restante população aceitará pacíficamente a tirania dos bandidos que vão fintando o sistema judicial, cúmplice, impondo aos outros a lei que não respeitam?
Há que exigir sem demora a atuação de quem de direito, quanto ao desempenho da equipa de arbitragem, quanto às agressões do energúmeno "branco" e quanto à atuação da PSP.
Ou há universalidade no cumprimento da Lei ou não há Lei!
A Ausência de Lei legitima o uso da força por quem vê, reiteradamente, violados, os seus direitos.
É conveniente que TODOS; forças de segurança, governantes e bandidos tenham consciência deste facto.
Será que alguém anda a provocar a sublevação violenta dos Benfiquistas? Com o propósito de os meter na cadeia, como fizeram ao Vale e Azevedo e aos No Name boys? Estamos a estorvar?
Depois de “Missão Benfica”, Luís Filipe
Vieira (FV) deu uma grande entrevista no jornaleco ”A Bola”, que agora comento.
Em toda a entrevista, FV mostra a serenidade própria de quem sabe o que está a
fazer; de quem tem um objetivo bem definido - o engrandecimento sustentado do
Benfica - e sabe como alcançá-lo. De quem está consciente da volatilidade do
fenómeno desportivo, das vicissitudes das estruturas gestoras e tutelares do
desporto e do país, da competência da equipa que construiu e lidera e da força interna
e externa do Benfica e dos Benfiquistas.
Ficam, mais uma vez patenteados,
os principais vetores da sua política; aumento sustentado da competitividade
desportiva global do clube, difusão e consolidação do Benfiquismo e centripetação
dos sócios e adeptos pelo Benfica. É claro o seu propósito de desenvolver e dar
coesão à comunidade Benfiquista, consciente de que a efetiva implantação social
do clube na sociedade portuguesa é o grande requisito de acesso sustentado ao
sucesso, pelo impacto da censura social resultante a todas as formas de
corrupção desportiva, que acabará por influenciar os decisores políticos e os
agentes judiciais, obrigando-os a pôr fim à obscenidade em que se transformou o
desporto nacional.
É precisamente por isso que, à
boa maneira soviética ou fascista, os principais adversários do meu clube
procuram minar a comunidade de sócios, acionistas e adeptos, recorrendo à
contrainformação e propaganda negativa, instalando a dúvida entre os mais
céticos, os mais ávidos de resultados, os despeitados, os carentes de
protagonismo e os fracos de espírito.
Ramo mais mediático do projeto regionalista,
assumido por alguns caciques portistas, beneficiando da ação concertada dos
ramos da comunicação social, financeiro, industrial e do político, o poder do
clube “branco” acaba por se traduzir nos desempenhos desastrosos das equipas de
arbitragem que, com sucessivos e compulsivos erros de função, lhe têm
proporcionado despudorado repasto de desacreditados troféus.
Na cabeça de todos nós “mora” o
desejo de regresso do Grande Benfica de outros tempos mas nem todos percebemos
a diferença de circunstâncias económicas, políticas, sociais e desportivas. O
grande edifício exige grandes e sólidas fundações. Fazendo o paralelismo com os
principais adversários - até com o país -, não posso deixar de me congratular
com as características de criatividade, empreendedorismo e determinação do
atual Presidente do meu clube, donde os projetos emergem como cogumelos no
inverno.
Mas, algo me sensibilizou em particular;
o anúncio da expansão do Centro de Estágios do Seixal, afim de acolher
ex-atletas do nosso clube a quem a vida possa não ter sorrido após o descanso
das chuteiras. José Torres, José Aguas, Cavém, são os nomes que, de imediato,
me ocorrem, com melancolia e mágoa, que deveriam ter disfrutado de tal
infraestrutura ensinando aos nossos jovens atletas o fascínio que é o Benfica.
Só por isso, Luís Filipe Vieira merece um abraço tipo quebra-nozes.
Situação Financeira:
A condição de solvência económica
atual, aconchegada pela folga da subavaliação dos atletas, a perspetiva de maximização
dos direitos desportivos, o maior recurso futuro à formação e a otimização da
capacidade de prospeção, conferindo algum otimismo económico ao Grupo, não
devem secundarizar a necessidade de racionalização de toda a estrutura de
encargos - com destaque para a necessidade de contenção salarial. De igual modo
é fundamental conferir solidez estrutural à receita corrente de forma a
suportar a inevitável volatilidade da receita não corrente.
Liga dos campeões (LP):
O atual modelo, da
responsabilidade da UEFA de conluio com o G14, está a descapitalizar os clubes
de média e pequena dimensão, que acabarão reduzidos à irrelevância desportiva
em detrimento dos clubes constituintes do G14, com a agravante da sua total e
reiterada inoperância face à descarada corrupção que vem grassando no pedibol,
como por cá acontece.
É este o mal de que padecem,
nomeadamente, Sporting e Belenenses, os quais, relegados sucessivamente para classificações
sem acesso LC e à correspondentes receitas diretas e indiretas, se vêm
afundando em dívidas, que por sua vez degradam a sua capacidade competitiva deixando-os
reféns, ironicamente, dos que mais têm beneficiado do seu definhamento. Teria
sido este o destino do Benfica, não fora a sua dimensão e o “atravessamento” de
Vilarinho e Vieira no caminho dos bandidos que o querem destruir.
O histórico e honrado Belenenses,
protagonista do imaginário futebolístico Luso, esbulhado muitas vezes da
verdade das quatro linhas, acaba de ver a maioria do seu capital passar para as
mãos de um confesso adepto fundamentalista do clube “branco”. O Sporting está na
“calha” e será a próxima vítima, fechando-se o torniquete desportivo em torno
do Benfica por parte dos “brancos”, que, em toda a época, acabarão por ter
apenas dois jogos difíceis! Neste cenário - já em curso - o Benfica só será
campeão se vencer todos os jogos!
É esta realidade que tem que ser
denunciada, com sustentação, buscando incessantemente aliados. Nem que tenha
que se organizar outra competição, como esteve prestes a verificar-se num
passado não muito distante. Neste momento, a UEFA está capturada pelos grandes
clubes europeus os quais têm presença cativa na LC , graças aos sorteios amigos
e aos decisivos, grosseiros e descarados erros de função arbitral, sempre em
benefício dos mesmos. Não é necessário muito estardalhaço para fazer esta
denúncia; basta dizer no momento certo, no local certo, com as palavras certas,
o que tem de ser dito. Abaixo a UEFA, abaixo o G14!
Witsel e Javi:
Fiquei em pré-pânico ao ter
conhecimento da eminente saída destes atletas. Hoje, sinto que este episódio
mostrou concludentemente a qualidade do trabalho que tem sido feito ao nível da
consolidação do projeto desportivo, catapultando Rui costa, Jorge Jesus,
António Carraça, restantes Técnicos e o Benfica, para novo patamar competitivo,
graças ao “fôlego” que demonstrou perante tamanha adversidade, seja pelas
soluções internas disponíveis, fruto do trabalho silencioso e competente
realizado, seja pela demonstração definitiva da capacidade de gerar receitas
extraordinárias relevantes. Tal só foi possível graças à sustentabilidade
financeira e à estabilidade desportiva do Grupo Benfica. É este o caminho, o
resto é fungagá.
Fair-Play financeiro:
Desconfio de tudo que venha da
UEFA pelas razões já apontadas e muitas outras, por isso, estou com a “pulga na
orelha”. Mas concordo com o princípio; consiste em impor aos clubes o limite de
70 % para os encargos operacionais, face às receitas correntes (salvo erro).
Ora este rácio é de 52 % no Benfica! Venha lá o fair-play financeiro…mas sem alçapões que permitam aos trafulhas “brancos”,
esconder a realidade.
Cardozo: Falta muito para renovar o
contrato?
Eliseu:
Teria sido um bom reforço. Julgo
que o Málaga o “agarrou” porque esperava superar a receita da proposta com o
sucesso da LC e com a valorização do atleta. Julgo que acertaram visto que,
apesar de “teso”, o Málaga tem feito boa campanha, com destaque…para Eliseu.
Tenho que referir mais uma
coincidência “engraçada” no sorteio da LC; não é que o Málaga sai aos azuis e
logo depois sai uma ameaça pública de exclusão por dívidas, daquele clube, na
próxima edição da LC? Grandes golos marcava Platini! Agora, não acerta uma!
Dava um bom tratador de manjericos!
Aimar:
Um atleta que, dentro ou fora do
campo, faz bem a um clube como o Benfica, maximizando o desempenho dos colegas
e “injetando” confiança e autoestima nos adeptos. No jogo, delicia os
espetadores, na estrutura técnica ou diretiva, tranquilizaria os adeptos.
Enzo Pérez:
Não sabia que a sua mãe teve
problemas graves! Compreendo agora o descontrolo no primeiro ano, agravado pela
grave lesão de que foi vítima. Nunca tive dúvidas da sua qualidade técnica
desde os primeiros toques na bola na Luz, mas não suspeitava de que fosse tão
bom como tem demonstrado! Mais um príncipe dos relvados.
Extremos:
Sem bons extremos, nada feito! Faltaram-nos
na época passada. Felizmente estamos bem servidos nas duas alas. Gaitan, desde que de boa saúde, é uma
preocupação…para os adversários! Para nós é um regalo! Ola John “o cantinflas”, é desconcertante…para os adversários! Sálvio, rasga a manta toda! Bruno e
Nolito, cada um à sua maneira, sabem como tratar da bola. Urreta é uma esperança…com provas dadas; agrada-me que tenha
regressado e desejo-lhe a maior sorte. Acredito nele. O resto é fungagá.
Santos;
Kardec…só por um canudo. Muito bem. Vão comer do casco!
Contratações de Inverno:
O recorrente ruído na CS acerca
das múltiplas e eminentes contratações de atletas pelo Benfica, servem para…valorizar
os atletas e…justificar os elevados montantes das contratações …pelos brancos…Interessante!
Alguém andará a dormir!
Objetivos desportivos:
Afirmar que o Benfica é candidato
a ganhar todas as provas é – cada vez menos, espero – retórica de
circunstância. Definir prioridades é estratégico; a deste ano é o campeonato e
a seguir a Taça. A vitória na LE seria bem-vinda, claro, e constituiria um
incentivo para a LC da próxima época. Percebe-se “à vista desarmada” que o
plantel está a ser preparado para isso.
José Eduardo Moniz:
A sua inclusão na estrutura do
clube potencia substancialmente as capacidades desta, constituindo um ato de
grande visão de FV e…uma grande, grandíssima, dor de cabeça aos “brancos”.
Sport-TV:
Joaquim Oliveira, “apertado”
pelos bancos credores - outrora controlados implicitamente pelo amigos do governo
PS - necessita urgentemente de liquidez que, pasme-se, veio da PT…a mesma onde
Rui Pedro Soares - dragão de oiro (salvo erro) - exercia o cargo de Diretor de
Marketing, departamento este que apagou alguns “fogos” na casa dos “brancos” e
que acaba de adquirir a maioria do capital social da SAD de “Os Belenenses”,
naturalmente, para reconduzir o histórico clube ao lugar que já foi seu - coisa
em que não acredito.
Com esta manobra, o “grande”, o “inteligente”,
o “insuperável” dragão, JO, pretende “matar” dois coelhos. O outro, é garantir
o monopólio do acesso aos direitos desportivos, centralizando na Sport-TV a
difusão dos jogos, beneficiando da interpretação de lei pela ERC, de que a
difusão de jogos do campeonato em canal aberto não constitui exigência da Lei do
Serviço Público de Televisão. Fica assim confirmada a suspeita que tinha da
utilidade da nomeação do Sr Carlos Magno para Presidente da ERC. Trata-se, como
é do -conhecimento público, de mais um indefectível e embevecido dragão - se
não já, de oiro, será.
Já agora; estou para ver a
resposta que a ERC irá dar à queixa da Liga acerca de abuso de posição
dominante por parte da Olivedesportos! Fiz, muito antes, uma exposição sobre o
tema, tendo-me sido respondido não terem sido identificadas violações da lei e
que tal exposição fora enviada para o Ministério Público! Estou atento.
Centralização dos direitos desportivos:
A posição da LPFP é consistente e
de apoiar, desde que sejam salvaguardados os interesses do Benfica. Acabar com
o monopólio no setor, garantir a transparência e no tratamento das candidaturas
aos concursos públicos e melhorar o financiamento dos clubes mais pequenos é do
interesse de todos! Reduz a dependência financeira e desportiva de mais de
metade dos clubes dos “brancos” e contribuiria para a desejada verdade
desportiva, a qual, como bem sabemos, carece de outros contributos. Porém, algo não bate certo: Mário Figueiredo -
com um currículo académico e profissional sólido - foi; é? - sócio do gabinete de
Advogados de Gil Moreira dos Santos e Adelino Caldeira, braço jurídico inestimável
dos azuis! Ná…tenho a pulga na orelha! À viva!
Apoio aos sócios:
De louvar as medidas anunciadas de
redução dos custos das entradas dos sócios no estádio. Para mim, criar-se-iam
as condições necessárias para encher o estádio, fazendo de cada jogo uma festa
e do preço um incentivo. Nada mais desolador para os atletas que um estádio
vazio, ou mesmo meio-cheio. Nada mais nobre que restituir o futebol ao Povo, o
mesmo Povo que marca indelevelmente a história do Benfica. Como dizia o “chinóca”;
não interessa cor do gato desde que caces o rato. A eventual quebra de receita
seria compensada de muitas outras formas.
Seixal:
Referi o quanto me agradam as
obras destinadas aos ex-atletas e claro que me agradam igualmente as obras de
ampliação dos campos de treino, já que refletem o alargamento da base da
pirâmide da formação, que se refletirá positivamente na qualidade dos
resultados no topo da mesma.
Museu:
Uma obra de grande impacto na
difusão do Benfiquismo e na autoestima dos Benfiquistas que peca por tardia,
embora se compreenda a dificuldade da sua concretização. Faz parte daqueles
projetos que exigem recursos avultados e tempo, não se refletindo nos
resultados desportivos imediatos, por isso, objeto de alguma incompreensão de
alguns adeptos. Um abraço ao nosso Alberto Miguéns, que lá colabora com o seu manancial
de conhecimentos, para nosso sossego.
FPF:
Nem cheques em branco, nem em preto,
nem de qualquer outra côr! Fernando Gomes não suscita confiança da parte dos
Benfiquistas, por todas as proençais razões que bem conhecemos. Há que
trabalhar para o meter no olho da rua, que é onde deveria ter ficado…ou, na
torre das antas.
Modalidades:
Só faz sentido com a determinação
de as ganhar…a todas.
Crise do Sporting:
Passo. Por agora.
Proença:
Desconhecia que Pedro Proença
tinha produzido tão ousadas declarações! Que significará? Só agora percebeu o “substrato”
do apito dourado? Atingir o topo, tornou-o lúcido e corajoso? Está a gozar
connosco? Ná…parece-me hipocrisia e desvergonha. Se foi sincero, já não vai a
horas, o mal está feito; dois títulos foram à viola por erros grosseiros da sua
equipa! Quem de direito cumpra a sua obrigação; investigue o que houver a
investigar, acuse quem tiver de acusar e condene quem dever ser condenado. É
isso que se espera num país decente.
Jorge Jesus:
Poderá vir a ser o nosso Fergusson. O Benfica tem crescido com
ele e ele tem crescido com o clube. Vejo a construção dos alicerces de um
projeto desportivo de grande envergadura que acabará por frutificar.
Benfica Stars Fund:
Cá está! A UEFA - G14 - está a
ficar com sarna! Porque será? O fundo funciona de forma irrepreensível e com
total transparência, respeitando as leis do país, sob supervisão da insuspeita CMVM
- Carlos Tavares (salvo erro) será dragão? Teixeira dos Santos (seu antecessor)
é! Dizem que tem lugar cativo na tribuna de honra!
Estará a UEFA a ser pressionada
pelos bancos a quem desagrada ver fugir os cordeirinhos? Visará esta iniciativa
da UEFA o fundo do Benfica em especial? Não sei, mas…não ponho as mãos no fogo
por tal criatura - como já referi -, os azuis integram o G14 e o FSF foi um
grande “baile” financeiro do Benfica a todos os que têm os tais fundos em off-shore! No saco azul…o saquinho da
futa…do cafezinho….Ná!
Sucessão:
Deve ser planeada com tempo,
definindo o perfil adequado e identificando potenciais candidatos. A nau é
muito grande e, sem fruta, sem cafezinhos e sem aconselhamento matrimonial,
exige capacidades muito específicas, na gestão desportiva, na formação e
condução das equipas, na criatividade empresarial, no relacionamento
institucional e na resistência física e psicológica.
Rui Costa contaria com o apoio de
todos nós, estou certo, porém, há valências que ainda não tem, outras, não terá!
As valências comuns da área empresarial; só alguém muito “duro” conseguirá governar
a grande nau que é o Benfica.
Ao meter a bola debaixo da parka no final do jogo, Cardozo parecia querer
dizer que estava de barriga cheia. Estava! Com três belas “mocas”, uma de encostar,
duas de cabeça, tinha motivos para sorrir. Nós também. Boa movimentação do
Rodrigo, com velocidade, exuberância técnica, e dois tentos de belo efeito.
Do que mais gostei foi do penálti
do Lima, marcado a preceito. Na retina porém, ainda moram os “nós cegos” do
Gaitan, como só ele. Bem os restantes “meninos”. Pena a lesão do Jardel,
esperemos de pouca monta.
Desportivo das Aves com bons
princípios de jogo, pouco agressivo, baixa “rotação”, alguma debilidade física e
muita passividade defensiva. Intimidados? Poderão fazer melhor.
Árbitro com erros graves, dois
fora-de-jogo mal tirados, um penálti por marcar - sobre Gaitan - e várias
faltas ao contrário.
Enfim, um bom jogo-treino, para
reganhar ritmo, entrosamento e rodar atletas.
(Texto de Henrique Raposo publicado no jornal expresso)
Esta feliz frase não é minha, é do professor João Lobo Antunes. Acrescento apenas uma coisa: não é matéria de opinião, é matéria de facto. Não querer ver isto é o mesmo colocar a vaidade ideológica à frente dos factos. Que factos? Para começar, a subida da despesa em saúde tem sido muitíssimo superior à criação de riqueza. No mundo das proclamações histéricas à la Arnaut 2 + 2 podem não ser 4, mas no mundo real 2 + 2 são mesmo 4. A conjugação da nossa já histórica regressão económica (estamos em divergência em relação à Europa desde 2000) com o aumento das nossas despesas de saúde cria um cenário de insustentabilidade do SNS. Isto é um facto, não uma posta de pescada ideológica.
Depois temos de olhar para o dramático envelhecimento da população e para o contínuo aumento da esperança média de vida. Em anexo, devemos ainda olhar para a natural pressão no sentido do SNS adoptar as últimas e caríssimas novidades tecnológicas e farmacológicas. Ou seja, estamos perante uma tempestade perfeita que vai varrer a nossa vida nas próximas décadas: a ciência médica continuará a criar tratamentos e tecnologias que, em teoria, melhorarão a vida das pessoas. Problema? O medicamente possível poderá ser financeiramente impossível. Se a tecnologia médica está a avançar, a demografia está a recuar, isto é, teremos cada vez menos jovens para suportar fiscalmente o SNS usado com mais frequência pelos mais velhos. Resultado final? Em 2010, o Estado português gastava 7,6% da riqueza nacional no SNS; se nada de fundo for feito (Macedo está apenas a gerir, e bem, o status quo), essa despesa subirá para os 11.1% em 2030. Esta será a quarta maior subida dentro da OCDE.
Ora, o nosso espaço público transformou estes factos em tabus. Se apresenta esta realidade crua e nua num debate, um sujeito é imediatamente acusado de "querer matar o SNS", um dos slogans indignadinhos da moda. Em Portugal, o debate sobre saúde é sempre o mesmo: chama-se o "pai do SNS", e pronto. O dr. Arnaut chega, faz as piruetas da sua vaidade ideológica e, prontinho da silva, está tudo debatido. Esta atmosfera histérica e afastada dos factos torna impossível uma discussão adulta sobre a reforma do SNS. Por exemplo, é impossível comparar o SNS com outros modelos europeus e até com o obamacare, porque essa comparação não é vista com bons olhos.
Consequência? Toda a gente julga que o nosso SNS é a representação portuguesa de um mirífico SNS europeu que se repete em todos os países da UE. Pouca gente sabe que o SNS português é a negação do sistema de saúde da Alemanha, Holanda, Áustria, França, etc. Tragédia? A sustentabilidade da saúde dos portugueses necessita de uma aproximação a estes modelos mais flexíveis, mais justos e menos caros. Mas, caluda, ah!, porque temos de ser escravos da vaidade de Arnaut e dos Arnautzinhos
(Texto de opinião retirado da Sic Notícias online em 2012.01.02)
Como é possível que se continue a esconder da opinião pública a simples evidência de que os EUA não têm só um problema orçamental, estão sim a caminhar rapidamente para a insolvência e a arrastar o Mundo para um beco sem saída que, no limite, se pode transformar num problema generalizado para toda a economia do globo, se não para uma situação de conflito?
Porque não se diz claramente que o chamado precipício orçamental americano é apenas o princípio de um caminho inevitável de correcção dos problemas do país – que a Europa do Euro iniciou há mais de dois anos, já com atraso - e que o perigo maior não é o aumento de impostos e o corte de despesas mas sim manter o défice e aumentar a dívida americana sem parar?
Vamos por partes:
A Administração democrata está, por estes dias, a negociar com os Republicanos no Congresso (partido que detém a maioria dos lugares) um acordo que evite a entrada em vigor de cortes de despesa e de aumentos de impostos previstos na lei há vários anos por boas razões para reduzir o défice orçamental da União.
Tanto Obama como John Boehner, acham que Democratas e Republicanos se têm de entender para evitar o tal precipício orçamental porque, se assim não for, com uma redução automática de despesas e aumentos de impostos no valor estimado de 600 mil milhões de dólares por ano, a contar dia 1 de Janeiro, a economia dos EUA cai pelo menos 0,5 por cento em 2013, perdem-se pelo menos 2,1 milhões de empregos, as bolsas afundam, etc. etc.
O principal problema dos EUA neste momento, tanto para o Presidente como para o líder da oposição, parece residir no facto de os seus antecessores terem deixado sob a forma de lei a obrigação de o Estado americano aumentar os impostos e cortar as despesas para reduzir o défice.
Na última entrevista de Obama em 2012, o presidente mostrou-se, mais uma vez, muito preocupado com as consequências de um não acordo, dizendo que os mercados financeiros não iriam gostar…
A mesma formulação do problema é usada pelos muitos milhares de economistas, analistas e jornalistas americanos para consumo interno e para exportação pelo mundo fora. Não há site de informação, televisão radio ou jornal dos EUA, do Reino Unido, mas também do Brasil, da Africa do Sul, da India, da China, da Rússia e mesmo da Europa que não tenha dito que os Estados Unidos têm um problema para resolver, o Fiscal Cliff. E se o não resolverem, as consequências serão negativas para todos porque se a economia americana cai, todas as outras economias e em particular os mercados financeiros ressentem-se.
Sendo parcialmente correcta em relação a eventuais consequências imediatas do Fiscal Cliff, esta é uma leitura errada em relação às causas dos problemas da economia americana e uma leitura errónea em relação aos comportamentos dos agentes políticos e económicos, tanto americanos como do resto do mundo.
A verdadeira e útil discussão sobre os problemas reais da economia americana deve centrar-se nos seus desequilíbrios profundos, que são simples de perceber: há pelo menos 30 anos, os americanos deixaram de produzir riqueza suficiente para pagar aquilo que consomem.
Com a queda do Muro de Berlim a transformar os EUA na única superpotência dominante e com uma moeda usada para mediar a quase totalidade do crescente comercio mundial, o dólar, este grande país deixou-se ir na facilidade de gastar cada vez mais e produzir cada vez menos, financiando os défices público e externo nos mercados financeiros a um preço ou juro cada vez mais baixo mas em quantidades cada vez mais elevadas.
Os taticismos polítcos dos dois partidos que governam os EUA, a par com uma grande complexidade do sistema eleitoral americano, têm levado democratas e republicanos a defender determinada politica e a sua contrária, conforme estão no poder ou na oposição, sempre com o mesmo resultado global: um aumento consistente e crescente das despesas, uma descida imprudente e eleitoralista da cobrança de impostos, défices orçamentais galopantes e uma impotência ou uma paralisia notória do sistema politico face à necessidade urgente de resolução desta situação.
O problema dos défices gémeos, publico e externo ganhou dimensão relevante durante o mandato de Ronald Reagan, no inicio dos anos 80, com a decisão neoliberal de corte de impostos associada a uma abertura crescente da economia dos EUA a importações do Extremo Oriente, em resultado da globalização potenciada pelas negociações para a liberalização do comércio mundial.
Durante mais de uma década, o défice federal alargou-se e, em consequência, a dívida pública, cresceu de 35 para 65 por cento do PIB. Curiosamente, foi com o democrata Bill Clinton (social-democrata ou socialista moderado, para a escala portuguesa), que os EUA inverteram esta tendência a partir de 1993. O presidente decidiu cortar despesas e aumentar impostos, reequilibrando as finanças da maior potência e os indicadores fundamentais da maior economia do Mundo. Por pouco tempo.
Com a eleição de Georges W. Bush em 2001, o Congresso decidiu cortar substancialmente os impostos, sobretudo para as empresas e a classe média e média alta, e aumentar despesas, sobretudo militares. Muito dinheiro foi gasto no combate ao terrorismo e nas chamadas guerras preventivas, no Afeganistão e no Iraque. Apesar de todos os erros de avaliação cometidos, nomeadamente no Iraque, o mundo ficou menos perigoso desde então e, em particular o Ocidente, tem uma dívida com os EUA cujo valor não é sequer monetarizável.
Mas em termos económicos e financeiros, o desequilíbrio da maior economia do Mundo agravou-se, o défice, cresceu, a dívida cresceu ainda mais e a economia cresceu sobretudo à custa de créditos concedidos por um sistema financeiro ávido de lucros e imprudente na avaliação de riscos.
Mais tarde ou mais cedo, teria de acontecer a crise financeira que deflagrou em 2007 e rebentou em 2008. Era mesmo só uma questão de tempo. Muitos pormenores desta crise são conhecidos, recordemos apenas os planos de emergência para a salvação do sistema financeiro americano na sequência da falência do Lehman Brothers:
Um gigantesco plano de compra de créditos mal-parados da banca americana, o TARP (Troubled Assets Relief Program), um gigantesco plano de recapitalização de grande parte dos bancos do sistema e, em simetria, uma gigantesca operação de emissão de títulos de dívida pública americana de médio e longo prazo, Bonds, para pagar as operações de salvação do sistema financeiro. Com a eleição de Obama, ao contrário do que aconteceu com Bill Clinton que também era democrata , os desequilíbrios não se corrigiram. Agravaram-se.
Antes de ser eleito, Obama tinha prometido ajudar os idosos e os pobres que não tinham protecção na doença e no desemprego . Lançou os programas de saúde para todos e reforçou a protecção social. Mas não financiou estas novas despesas com aumentos de impostos sobre a classe média e alta e sobre as empresas. Cortou ainda mais taxas de impostos e manteve as isenções concedidas por Georges W. Bush, porque não teve força política para as alterar. Os Republicanos, na oposição, não queriam que as despesas sociais aumentassem e não permitiram que se cobrasse mais em impostos para as financiar. Uns e outros sabiam que estavam a degradar as contas públicas, mas por razões diversas aumentaram despesas e diminuíram o nível de receitas.
A solução americana para os problemas trazidos pela crise financeira e económica foi atirar mais dinheiro sobre esses problemas. Dinheiro que não existia, que a União não tinha para gastar. O défice continuou a ser coberto com dívida pública sob a forma de emissões de bonds a um ritmo crescente. O gigantesco comprador desses títulos de dívida tem sido o Banco emissor das célebres notas verdes de dólar, a FED, a Reserva Federal Norte-americana, que depois as repassa aos bancos americanos e aos bancos e investidores de todo o mundo.
O sistema funciona de forma altamente complexa, mas pode resumir-se como uma gigantesca máquina impressora de dinheiro que serve para comprar divida do Estado para este, com esse dinheiro, gastar em algumas (poucas) despesas de investimento e em muita despesa não recuperável do ponto de vista económico e financeiro.
Ainda há poucos meses Obama dizia em público que queria investir mais na economia para criar empregos e que tinha planos para lançar linhas de TGV para servir 80 por cento dos americanos…com dinheiro que não tinha, não tem, nem terá nas próximas décadas….
A economia americana está cada vez mais a viver de um gigantesco balão de oxigénio que é uma política monetária expansionista. O verdadeiro Ministro da Economia dos EUA não é o Secretário de Estado da pasta oficial, é o senhor Bem Bernanke, presidente da FED. A Ben Bernanke, tanto o presidente Obama como democratas, republicanos, banqueiros empresários, empregados, desempregados, doentes , idosos e cidadãos em geral pedem que resolva os seus problemas.
E Ben Bernanke, ao contrário do que um presidente de Banco Central devia fazer, diz sempre que sim. Diz a todos que sim, e emite cada vez mais dólares. Emitiu dólares para financiar o plano de Georges W.Bush para salvar o sistema financeiro no valor de quase um bilião, (1 trillion); emitiu dólares para financiar para financiar o plano de estímulo económico de Obama no valor de mais de 700 mil milhões… continua a imprimir notas verdes a um ritmo frenético.
O crescimento da economia americana, o combate ao desemprego e o pagamento das despesas do Estado, nomeadamente despesas sociais, está a ser feito à custa de emissão de moeda para comprar obrigações de dívida pública, que são depois revendidas nos mercados mundiais, como se de boa política económica, financeira, orçamental, fiscal e monetária se tratasse. Por outras palavras, os americanos estão a comprar um relativo bem-estar no presente, atirando um cheque irresponsável e impagável sobre o futuro.
Os mesmos americanos, políticos, banqueiros, empresários, investidores, analistas e jornalistas que se deliciam com cada notícia sobre as dificuldades da zona Euro, com os sucessivos downgrades ou desclassificações das dívidas europeias, os mesmos editores que fazem sucessivas capas de jornais e revistas com o fim da Moeda Única, não perceberam ainda que o verdadeiro risco para o Mundo está na nota verde.
Não perceberam, são incapazes de perceber porque é que o Euro está acima dos 1,3 por dólar, contrariando todas as previsões que fizeram até agora de que o Euro ia rebentar. São incapazes de reconhecer que os verdadeiros investidores dos mercados financeiros acreditam menos no dólar que no Euro; são incapazes de perceber porque é que Vladimir Putin disse, à chegada à cimeira do G20 no México, que estava mais preocupado com o dólar que com o Euro, porque tinha muitas reservas na moeda americana e não está tranquilo sobre o seu valor futuro.
Não perceberam que, com uma quantidade astronómica de dólares nos cofres do Banco Central da China, o governador deste banco pode ameaçar o próprio Congresso dos EUA: basta começar a desfazer-se da nota verde a um ritmo mais acelerado para provocar a sua queda irreversível e obrigar a alterar a política americana de uma semana para a outra.
Não perceberam que a Europa do Euro está de facto a resolver os seus problemas, com muita dor nos países mais frágeis mas com sacrifícios para todos, mesmo para os que dizem mal dos que foram mais gastadores e estão agora mais desequilibrados.
A teoria de que ao líder tudo é permitido, neste caso ao líder do Mundo, continua a ser a mais usada pelos analistas que também não concordam com a política seguida nos EUA mas não se atrevem a prever a próxima crise financeira, tal como não previram a anterior. A História mostra que a confiança dos investidores numa moeda nunca é ilimitada, mesmo que seja a moeda do mais forte, a moeda da Superpotência.
Quanto mais a China e os países vizinhos da Ásia fizerem acordos de comércio bilateral em Yuan ou outras moedas locais; Quantos mais acordos de Bartering (troca por troca, normalmente de matérias-primas por produtos manufacturados, sem mediação monetária) a China fizer com países de África;
Quanto mais a América Latina negociar entre si em pesos ou reais; Quanto mais petróleo e gás natural a Rússia e o Médio Oriente venderem à Europa em euros; Menos peso terá o dólar no comércio mundial e mais risco terá de se desvalorizar. Quanto mais bonds o tesouro americano emitir, maior será o risco de se desvalorizarem, subindo os juros implícitos e, consequentemente, os juros das emissões em mercado primário.
Os conceitos básicos dos livros de Economia & Finanças não podem estar certos para todo o Mundo, em todas as épocas, e errados para os Estados Unidos – a emissão de moeda tem de corresponder à criação efectiva de riqueza e os Estados, tal como as famílias e as empresas, não podem endividar-se de forma permanente e ilimitada.
Por tudo isto, a verdadeira discussão nos EUA não devia ser sobre as consequências imediatas de uma correcção dos desequilíbrios orçamentais, posta na lei por boas razões, obrigando à subida de impostos e ao corte de despesas reduzindo automaticamente o défice. Devia ser sobre a saúde de um gigante desequilibrado e endividado que tem cada vez mais pés de barro, prestes a desfazer-se.
Argumentam os analistas defensores dos estímulos orçamentais e da política monetária em curso nos UEA que a leitura sobre os riscos da economia americana é exagerada porque, se é verdade que o défice e a dívida pública são grandes, o facto é que as grandes empresas americanas estão cheias de dinheiro nos seus cofres, estão supercapitalizadas e essa realidade compensa tudo o resto.
Eis como uma aparente força de argumentação pode transformar em fraqueza num estalar de dedos: essas mesmas empresas investem muito pouco nos Estados Unidos para evitar custos, nomeadamente de mão-de-obra, não pagam os impostos que deviam, beneficiam de uma política orçamental expansionista que ajuda decisivamente a compor a sua facturação mas não pode manter-se indefinidamente e, sobretudo, não percebem que estão sentadas em cima de pilhas de notas de dólar que, de uma semana para a outra, podem perder grande parte do seu valor.
Quando esse dia ou essa semana chegar, o perdedor não será só a Grande Nação americana. Seremos todos nós. A instabilidade financeira que se seguirá não irá beneficiar uns em detrimento de outros. Será prejudicial e terrível para todos. Por isso, melhor seria que os dirigentes políticos, ou melhor, todos os agentes que detém alguma forma de poder na América, abandonassem de vez a atitude da avestruz que mantém a cabeça enterrada na areia enquanto sente perigo por perto. Por eles, pela América, por todos nós e pelas gerações que se seguem.
Nota final:
À hora a que escrevo, neste final de dia 30 de Dezembro de 2012, ainda não há acordo entre o Obama e o líder dos Republicanos para evitar o Fiscal Cliff. Poderá haver muito em breve. Mas da maneira como a questão foi posta à discussão, o eventual acordo será sempre uma panaceia para os problemas do país, ao estilo salomónico de cortar algumas despesas e subir algumas taxas de imposto reduzindo algumas isenções. Não será de facto a solução de fundo – deixar o Fiscal Cliff acontecer em toda a sua extensão, eventualmente por fases, mas até ao fim. Seria doloroso mas clarificador, garantiria o futuro da América e a estabilidade financeira e económica do Mundo.
Esta crise é um grande teste. Perante a desgraça,
todos somos postos à prova. Para a maior parte de nós, esta situação é mesmo o
desafio da nossa vida. Um dia perguntarão o que fizemos na grande recessão,
como hoje dizemos da Guerra Colonial ou do 25 de Abril. Muitos terão de
responder sinceramente que foram parte do problema, não da solução. Terão de
dizer que protegeram benesses, sabotaram reformas, resistiram à mudança,
incitaram ao ódio.
A tentação da revolta e desânimo é bem compreensível.
O pior da conjuntura, o verdadeiro mal que cria no tecido social é a surpresa,
a desilusão, a indignação. Confiávamos no sistema que faliu e surgiu o oposto
do prometido. Muitos sofrem muito, mas o que mais ocupa os nossos protestos é o
desalento, a queixa, a fúria. Este país deixou-nos outra vez ficar mal. Ouvimos
muitas histórias degradantes de injustiças, mentiras, direitos violados,
inocentes sofrendo, corruptos e burlões. Grande parte é falsa, pois a fúria
cria o exagero, mas muitas são verdade. Assim, multidões de argumentos
justificam a atitude negativa. O efeito de todas é sempre promover propostas
repulsivas, nunca construtivas. A receita é denúncia, revolta, violência, nunca
compreensão, solidariedade, perdão.
Perante a indignação é fácil esquecer os valores que
sempre guiaram a nossa vida, ou que dizíamos que guiavam em tempos mais
serenos. Vemos pessoas honestas dizer e fazer coisas brutais. Quantos cidadãos
pacatos não repudiam agora a lei e a autoridade, rejeitam a democracia,
desprezam o País, recomendam violência e revolução, agridem o próximo? Todas
estas atitudes justificam-se como luta pela justiça, mas apenas produzem
vingança. Foi assim que surgiram as maiores barbaridades da história: Hitler e
Ben Laden diziam responder a ataques. Invoca-se a dor e a iniquidade, mas isso
apenas revela a fragilidade das antigas convicções, renegadas logo que
testadas.
Perante o embate é possível subir ou descer. Podemos
enfrentar ou criticar, inovar ou gemer, criar ou agredir. É agora que o nosso
carácter, a fibra, as raízes, as convicções profundas mostram o seu valor. O
embate é brutal e muitos cedem. É fácil desanimar, desistir, acusar, insultar,
agredir, odiar, mas o problema fica na mesma. Um pouco pior. Difícil é subir ao
nível da dificuldade e enfrentá-la. Vencer ou perder, mas encará-la. Como o
fizeram as gerações antigas em encruzilhadas bem mais duras.
O pior da crise não é o desemprego, as falências, a
pobreza, o desânimo. O mais negativo não é o peso financeiro, a recessão
económica, o choque social, a desorientação política, a paralisia cultural, o
bloqueio institucional. O pior da crise é o ódio. Só o ódio poderia realizar as
irresponsáveis previsões catastrofistas que dominam a imprensa. O ódio é a
única força que pode perpetuar o mal, deixando cicatrizes na economia, na
sociedade, na política e na cultura. A situação justifica repulsa, angústia,
desânimo, até mesmo desespero ou revolta. Mas não pode justificar o ódio,
porque nada o justifica. O ódio nunca nasce das circunstâncias, mas da atitude
face às circunstâncias. O ódio, mesmo mascarado de justiceiro, nunca tem razão.
É sempre um mal arbitrário, abusivo, inaceitável.
Portugal vencerá o teste, como venceu outros muito
maiores. Da crise nascerá um país mais justo, dinâmico e equilibrado. A única
dúvida é como cada um de nós se coloca neste processo. Como em épocas passadas,
podemos estar do lado do futuro ou da reacção. Podemos desistir, protestar,
exigir, gemer, insultar ou, pelo contrário, encarar as dificuldades, procurar
resposta, construir a solução. Destes, apenas destes sairá o novo Portugal. Não
é do Governo, política, troika, Europa, FMI, que ajudam ou complicam, e
geralmente complicam mais do que ajudam. A saída da crise depende de milhões de
cidadãos anónimos tentando melhorar a sua vida e encontrando a resposta. Se a
percentagem dos que vencem o ódio for superior à dos seus promotores, Portugal
passa o teste. Só o nosso carácter, a fibra, as raízes e as convicções
profundas nos permitirão vencer o desafio desta geração.
naohaalmocosgratis@ucp.pt
Por decisão pessoal, o autor do texto não escreve
segundo o novo Acordo Ortográfico
Modelo econômico põe em risco maior parte dos clubes espanhóis:
(Em "O Povo online em 28.12.2012)
Os clubes espanhóis, salvo Real Madrid, Barcelona e talvez o Athletic Bilbao, correm o risco de fechar suas portas em consequência do atual modelo econômico da Liga Espanhola. O alerta foi feito pelo economista José Maria Gay de Liébana, que é professor da Universidade de Barcelona.
Em uma entrevista à revista espanhola Offside, o economista analisou a situação do futebol espanhol comparado com as ligas de Alemanha, França, Inglaterra e Itália. Em todos estes países, Liébana assegurou que os gastos dos clubes superam as receitas.
No entanto, o modelo espanhol foi considerado mais nocivo por conta de sua divisão desproporcional das cotas de TV entre os clubes. Os recursos da televisão podem corresponder, no país, a até 38% das receitas dos clubes.
Na Inglaterra, o Manchester United ficou na temporada atual com 13,1% de todo o valor pago pela TV. Já na Espanha, Barcelona e Real Madrid ficam com 49,3%, muito acima do Valencia que fica com 6,5%.
- A Espanha é o país com a pior divisão de receitas oriundas da TV. O problema radica na forma como o dinheiro está concentrado em alguns clubes, pois cada um negocia em separado. Não pode o Valencia receber menos em direitos de transmissão que o Wigan, que luta para não cair na Inglaterra - explicou o economista.
Liébana lembrou como o Campeonato Espanhol era mais equilibrado antes da nova forma de divisão dos recursos.
- O Villarreal conseguiu ser vice-campeão e o Valencia foi campeão. Hoje o Valencia comemora o fato de ter sido terceiro colocado em três temporadas seguidas - resume o professor.
O economista também criticou a forma como a Liga de Futebol Profissional da Espanha tenta expandir a sua marca para o mundo. Liébana acredita que os espanhóis estão buscando se firmar primeiro no mercado errado.
- A centralização dos esforços deveria ser para vender a Liga para os Estados Unidos e o Japão, onde as pessoas têm muito mais poder de compra que na China - analisou.