Desporto

quarta-feira, 13 de março de 2013

Roseira Brava





Adriano Correia de Oliveira
Roseira Brava


terça-feira, 12 de março de 2013

Educação para a Democracia

João Carlos Espada, num excelente artigo publicado em "O Público" de 11 de Março de 2013, dá conta de ter-se iniciado nesta mesma data na Universidade da Virgínia, uma conferência internacional dedicada ao tema "criando uma cultura de democracia através da educação: uma estratégia para os decisores políticos."
 
Refere haver um relativamente recente consenso entre Estados democráticos sobre a importância da educação para a democracia. Um clube de governos democráticos impulsionado na década de 1990 por Madeleine Allbright e Bronislaw Geremek, de nome Community of  Democracy, tem promovido este debate na sociedade civil, através da secção  "Council for a Community of Democracies". Debate igualmente promovido pela ONU que, em Assembleia Geral realizada em Novembro de 2012, aprovou uma resolução recomendando a todos os governos que apoiassem a educação para a democracia.
 
Sendo, em meu entender, a falta de cultura democrática geral, a razão primordial da atual crise internacional e nacional, faz todo o sentido esta iniciativa, que os americanos entenderam necessária há mais de 23 anos e mais necessária se torna por cá.
 
A questão que se coloca é perceber porque é que, em regimes de "aparente democracia formal plena", as populações perderam a noção do seu significado! Parece claro que falta algo estrutural às democracias para que, no seu exercício corrente, não se perca a noção do seu conteúdo. Podemos concluir da falência dos sistemas de ensino mas também da das elites políticas, as quais, capturadas pela incessante luta pelo poder, têm subalternizado a importância pedagógica do seu exemplo. Sem cultura democrática e sem escrutínio eficaz da ação política não há democracia! 
 
A classe política tratou, em grande medida,  de subverter os instrumentos de controle democrático criados por si, ficando a população com a falsa ideia da eficácia dos processos de escrutínio em vigor. Por outro lado, esta, tende a desvincular-se da sua própria responsabilidade de avaliação das propostas políticas, não hesitando em contemplar com o seu voto, os demagogos, agora palhaços, sem revelar capacidade de entender a sua própria responsabilidade na crise atual.
 
Diz João Carlos Espada: "Não é um esforço fácil, nem o conceito de democracia é tão consensual como parece. No século passado, quase todos os inimigos da democracia se reclamaram dela. O fascismo apresentou-se como uma forma mais pura e orgânica de democracia do que o chamado "parlamentarismo burguês" - um argumento curioso que recorda o facto de Mussolini ter sido até 1914 um lider socialista. Também Marx, Lenine e Estaline argumentaram que a ditadura do proletariado seria mais democrática para os trabalhadores do que a tão odiada democracia parlamentar burguesa."
 
E continua: "Esta confusão não é apenas semântica. Existem realmente dois conceitos de democracia que remontam seguramente à Grécia antiga (como quase todos os problemas filosóficos importantes). Mas, na hora moderna, eles remetem para os contrastes entre duas revoluções do século XVIII, a Revolução  Americana e a Revolução Francesa. Ambas aspiravam ao que hoje designamos por democracia, ambas utilizavam um comentário político muito semelhante, remetendo para o autogoverno popular, os direitos do indivíduo, a liberdade e a igualdade, a recusa de autoridades exteriores ao contrato social. Mas, em boa verdade, o significado que atribuíam a essas mesmas expressões era quase sempre diverso, por vezes oposto.
 
Estes dois conceitos de democracia podem ser designados por monista, no caso francês e pluralista, no caso americano. E os dois grandes textos do século XVIII que exprimem esses diferentes conceitos de democracia são " O contrato Social" de Rousseau, e os Federalists papers de James Madison, Alexander Hamilton e John Jay."
 
Prossegue João Carlos Espada: "Quanto à semelhança, ela é conhecida de todos. Quer a Revolução Americana de 1776, quer a Revolução Francesa de 1789, recusaram regimes fundados na autoridade não decorrente do consentimento dos governados. Neste sentido, ambas foram a favor do governo popular fundado no consentimento.
 
Mas a grande diferença vem a seguir. Para Madison e os outros fundadores da republica americana, o principal objetivo do consentimento popular residia em reforçar o controlo e os limites sobre o governo. Para Rousseau, o governo popular, uma vez sendo representande de todos e já não apenas de alguns, não precisaria de limites nem controlos.
 
Por outras palavras, Madison queria o governo limitado, qualquer que fosse a sua origem, monárquica, aristocrática ou democracia. Rosseau só se opunha a um governo ilimitado, se este fosse oriundo de um ou de alguns. Se viesse de todos já não precisava de ser limitado.
 
"A escolha entre as duas tradições está presente diáriamente nas nossas democracias. Mas torna-se particularmente importante nos processos de transição à democracia - como o caso português testemunhou exemplarmente."

Conclui referindo a característica monista do fundamentalismo islâmico da Primavera Árabe, considerando-a uma razão adicional para o empenho internacional na educação para a democracia.

De facto, as populações dos regimes democráticos parecem desinteressar-se de participar na construção de propostas de progresso social, limitando-se a exigir, através do voto e de manifestações de rua, que os eleitos cumpram as promessas que, implícitamente, lhes sugeriram.

Tal resulta das perversas fraturas socio-políticas introduzidas pelo sistema partidário, confinando a atividade política e os cargos públicos de topo aos militantes, monopolistas da produção "oficial" de ideias de natureza política, desativando assim o envolvimento dos restantes cidadãos, confrontados com a estrutura tribalista dos partidos atuais.

Sendo, efetivamente necessária e urgente a educação do cidadão comum para a democracia, é bem mais urgente e eficaz começar por educar os dirigentes políticos e económicos, os quais, depois de assimilarem sólidamente os princípios básicos desta doutrina, deverão participar no processo educativo com o seu exemplo diário, seja na atividade político-económica, seja na vida pessoal.

Identificar e implementar novos métodos, mais eficazes, de escrutínio da ação governativa  é tarefa vital, já que, os vigentes, se têm revelado inadequados. As democracias ocidentais, terão que evoluir para novo patamar sob pena de regresso dos regimes autoritários de má memória.


AB 
 

segunda-feira, 11 de março de 2013

Benfica-Gil Vicente (5-0)

Uma vitória folgada, com lances ofensivos de fino recorte, perante um adversário atrevido que não se coibiu de tentar a sorte nem baixou os braços durante toda a contenda.
 
Percebeu-se que a estratégia do Gil consistia em surpreender o Benfica logo de início, aproveitando eventual descontração deste, nesse período, para então se compactar no seu meio-campo a defender o resultado, espreitando o contragolpe. Foi sua a primeira oportunidade, num madrugador remate cruzado da direita, que quase desfeiteava Artur, que correspondeu com defesa de recurso, desviando para canto.
 
Respondeu o Benfica por Máxi, num afortunado remate ao primeiro poste, após passe magistral, a rasgar, de Enzo (salvo erro), que o GR contrário viu passar por baixo das pernas, sem o conseguir deter. Pouco depois, foi Sálvio a concretizar num remate cruzado da direita ao segundo poste, após magnífico slalow sobre dois defesas contrários.
 
Seguiu-se a fase do cantinflas, o qual, no seu estilo carioca, meio gingão, como quem não quer a coisa, arrasou a defesa contrária com  a sua técnica de controle e passe, isolando Melgarejo que não hesitou em mostrar a sua excelente capacidade de execução de chapéus curtos, concretizando o terceiro tento, com exuberância.
 
Um calafrio percorreu o adeptos benfiquistas, quando outro excelente remate do Gil beijou a trave com desfaçatez e estrondo, gorando-se assim, aquela que viria a ser a derradeira oportunidade dos galos. 
 
Foi então que, mais uma vez, o nosso cantinflas, acorrendo com rapidez a um magnífico passe em profundidade de Gaitan, pela esquerda, cruzou com grande precisão, furtando a bola aos defesas contrários, colocando-a ao segundo poste onde Lima em grande velocidade, estoirou para o quarto tento.
 
O quinto surgiu em lance semelhante, iniciado por Aimar que o delineou, num endosso a Sálvio, que, pela direita, perante a impotência da defesa Gilista, cruzou para Gaitan, a 100 à hora, fazer mais um golo de belo efeito, ao segundo poste.
 
Na retina ficou ainda um magnífico cabeceamento, lá do 1º andar por Cardozo a centro teleguiado da direita de Gaitan, que por pouco falhou o alvo.
 
Briosa, a equipa do Gil Vicente, manteve a toada, com pressão, velocidade, amplitude, profundidade e entreajuda, mostrando a competência e o caráter, que lhes alimentarão a esperança de melhor classificação futura.
 
Na minha equipa, por vezes, falta consistência e criatividade no meio-campo, bem como dinâmica dos elementos sem bola; algo que Aimar ajudará a ultrapassar  quando se verificar o seu regresso em plena forma da qual já neste jogo deu sinais.
 
AB

João Rocha; um homem de bem!

A minha singela homenagem a um dirigente desportivo que aprendi a respeitar pelo extraordinário contributo que deu ao desporto nacional através do Sporting Clube de Portugal. Com João Rocha, o SCP era respeitado por todos os adversários, internos e externos. Pela sua mão, atletas como Keita, Yazalde, Marinho, Alexandre Batista, Nelson, Peres, Carvalho, Jordão, e tantos outros, marcaram o futebol nacional, com a sua arte e lealdade. Com Moniz Pereira, o SCP de João Rocha, liderou o atletismo nacional, com os inesquecíveis talentos de Manuel de Oliveira primeiro, mais tarde, Fernando Mamede - ex-recordista mundial dos dez mil metros -, orgulho de todos os portugueses e o campeão olímpico Carlos Lopes que nada temia; nem brancos, nem pretos nem amarelos!

João Rocha não merecia ver o seu clube no estado em que se encontra! Com a honradez que o caracterizou denunciou os acordos de bastidores entre os dirigentes do seu clube à época e os do clube da fruta para destruir o seu grande rival, o meu querido Benfica. Em vão!

Iludidos pelo canto da sereia, mendigando as migalhas dos dirigentes GPS, obcecados por um anti-Benfiquismo autodestrutivo, juntaram-se aos sociopatas contra o meu clube, escusando-se a denunciar os crónicos sinais de corrupção que vêm minando o desporto nacional - excetuando a gestão de Dias da Cunha. Fomentando o anti-Benfiquismo militante tentaram ocultar a gestão ruinosa do clube e restautar a motivação competitiva há muito perdida.

O Grande Sporting que conheci, grande rival do meu Benfica, não bajula nem hostiliza outrem, afirma-se pelos seus valores, pela honra dos seus associados e adeptos, assume vitórias e derrotas sem ostensividade nem dramas, é competitivo e leal, como foi com João Rocha.

Oxalá os futuros dirigentes do SCP, saibam encontrar o rumo perdido, o rumo de João Rocha, restaurando-lhe a dignidade que lhe é própria, juntando-se aos que continuam a defender a nobreza do desporto, exorcisando fantasmas recentes, para bem do desporto nacional.

Os sentidos pêsames à família e aos Sportinguistas honrados,

AB

sábado, 9 de março de 2013

Adriano e José Calvário; e alegre se fez triste!


 
 
 

 Adriano Correia de Oliveira
José Calvário
E Alegre se fez Triste; uma das mais belas canções!

Benfica-Bordéus (1-0); O autogolo da Uefa!

Com exibição sóbria e pragmatismo, o Benfica, venceu o primeiro jogo desta eliminatória, razão para encarar com moderado otimismo o jogo em Bordéus. Dando continuidade à estratégia que tem vindo a ser seguida nos últimos jogos - Beira-mar, Braga, Paços de Ferreira -, num claro processo de gestão de esforço físico e mental, a equipa do Benfica, apresentou um futebol calculista, posicional, de intensidade moderada que, apesar disso, rendeu a magra vantagem, graças a um excente golo de Rodrigo. Nos últimos vinte minutos, as entradas de Lima, Sálvio e Gaitan,  alteraram o perfil da partida, aumentando e diversificando o fluxo ofensivo na busca da inalcançada ampliação do marcador. Manifestou o exigente público adepto insatisfação pela exiguidade da exibição, constrastante com os elevados padrões do seu clube. Tal deverá ser tido em conta pela equipa Técnica e Atletas.
 
Disseram os bardos que o Bordéus é uma equipa de passarinhos, devido à má prestação na Liga francesa em curso, desvalorizando a eliminação nesta Liga Europa, a seus pés, do sempre difícil Dínamo de Kiev. Ora, o futebol francês, como sabemos, é táticamente muito evoluido e mentalmente fortíssimo. Tais qualidades apresentou este adversário. Com um meio-campo muito povoado, pressionando próximo da área do Benfica, o Bordéus dificultou a fluidez do jogo do Benfica, fechando linhas de passe, isolando os atletas adversários, disputando a posse de bola quase sempre em superioridade numérica, trocando-a com qualidade e procurando a baliza contrária com a frente de ataque bem aberta e muito dinâmica, embora algo incipiente na zona de finalização. Ficou na retina o explêndido lance, já na segunda parte, com um avançado a isolar-se após desmarcação soberba pela meia-esquerda - do Benfica -,  a que Artur correspondeu com exemplar eficácia.
 
A tática adotada pelo Benfica é característica de todas as grandes equipas, as quais alteram os ciclos táticos em função da leitura estratégica. Jogar bem e ganhar sem correr demasiado é o paradigma da excelência futebolística que, julgo, Jorge Jesus procura. Há, neste particular, nítidos progressos, mas...ainda não ao nível pretendido. O nosso meio-campo tem sido reiteradamente deficitário, crónicamente em inferioridade quantitativa, carente de elementos capazes de segurar, transportar e entregar o esférico com precisão ao poderoso setor ofensivo sob pena de improficuidade deste. Carlos Martins, com excelente visão de jogo, extraordinária capacidade de luta e de precisão na colocação do esférico a longa distância, ainda não apresenta a qualidade de retenção e transporte de que o nosso meio-campo necessita. Falta-nos, nesta fase crucial das competições, o grande Aimar! Oxalá possa regressar brevemente e em forma. 
 
A qualidade de passe também deixou muito a desejar devido ao posicionamento dos elementos adversários mas, sobretudo, devido à falta de dinâmica dos nossos atletas que, muitas vezes, não abriram linhas de passe ao colega, ficando este "obrigado" a falhar e a  desgastar-se. Como já ouvi a Jorge Jesus, "é mais importante jogar sem bola que com ela"!  Um excesso que, apesar disso, deve ser levado em boa conta.
 
Considero a UEFA ineidónea por múltiplas razões que confluem na descredibilização geral do futebol. Neste jogo, tivémos mais um mau exemplo, revelando atitude paradoxal! Os dinossauros desta entidade - e da FIFA - apesar do alastramento da corrupção, têm recusado a adoção de meios eletrónicos, alegando consequentes prejuízos que induziria no espetáculo. Sendo o golo o zénite do espetáculo futebolístico, sensato seria fomentar os lances de finalização, enaltecendo, na devida proporção, os protagonistas. Ora o lance de golo do Rodrigo foi soberbo! Constitui a razão pela qual os adeptos pagam bilhete e compram as camisolas dos seus ídolos. Porquê a classificação de auto-golo se tal atenua o feito relevante? O contacto do GR com a bola foi involuntário mas compulsivo, resultante da ação do avançado. Considerar-se-ia autogolo caso o GR tivesse desviado insuficientemente bola com a ponta dos dedos? Claro que não! O que se passa com os senhores da UEFA?
 
Parabéns ao Benfica pelo resultado.
 
AB

sexta-feira, 8 de março de 2013

Internacionalização; Benfica mostra o caminho.

Um dos maiores problemas estruturais da economia portuguesa reside no fraco contributo das  exportações, cerca de 30% do PIB, muito abaixo dos 70% de referência das economias mais prósperas. É este um problema crónico cuja superação deverá constituir um dos pressupostos das tão propaladas reformas estruturais, sem a qual a volatilidade e a incerteza continuarão a caracterizar a nossa economia.

O processo de europeização, primeiro no âmbito da EFTA, depois através da associação com a CEE -  iniciado ainda no governo de Marcelo Caetano - e com a adesão plena em 86, proporcionaram até 2000 um crescimento económico responsável pela invulgar subida de todos os indicadores sociais do país iniciada em 1950. Com a entrada na moeda única interrompeu-se este ciclo virtuoso em virtude da perda de competividade induzida pela imoderação salarial, nomeadamente, dos setores isentos de concorrência, onde a média salarial duplicava a dos outros, numa relação de €1800,00 para €800,00.

"Em economia o ajustamento ocorre sempre", disse o Dr Hernâni Lopes acerca da crise económica atual , referindo-se à ditadura da economia sobre a política. Estamos a assistir ao ajustamento de procura interna à oferta interna. Não há volta a dar! Pena que seja tão doloroso e injusto, sem esquecer que nem todos os indignados o são com justa causa.

O inevitável ajustamento interno em curso terá de ser complementado com uma alteração das circunstâncias económicas ao nível da UE. Um tecido empresarial maioritáriamente de PME de baixo índice tecnológico e gestão incipiente, não suporta os elevados padrões regulamentares impostos pela comissão europeia, dominada pelos nossos parceiros do norte.

Por outro lado, o desarmaneto alfandegário da UE, impôs dura concorrência à nossa economia tradicional,  impondo a necessidade de salto tecnológico só alcançável com estratégias de médio prazo que os nossos governos, por enquanto, só conseguiram enunciar, pese embora alguns bons exemplos.

Por tudo isto, deve o nosso governo "virar a mesa" na UE exigindo moderação regulamentar e contrapartidas pela abertura dos mercados mundiais à alta tecnologia dos nossos parceiros razão da reciprocidade que tanto nos tem penalizado .

É neste contexto que a internacionalização diversificada das nossas empresas surge como prioridade. Também para o futebol. O Benfica aí está a dar o exemplo! Mas não se trata apenas de os clubes nacionais encontrarem "fontes de receita alternativas" como muito bem refere Domingos Soares de Oliveira; com o mercado interno saturado em todas as vertentes, a internacionalização dos clubes nacionais é um imperativo.  
Entre estes, o Benfica, dada a sua invulgar popularidade, tem um papel a desempenhar neste processo, funcionando como "ponta de lança" no mercado externo, sarando feridas no mundo lusófono, sensibilizando a diáspora, desanuviando mentalidades fora da lusofonia, abrindo caminho para as nossas empresas difundirem os seus produtos. Angola e Índia são dois parceiros com enorme potencial humano e económico, potenciados pelos vínculos historico-culturais de que nos devemos orgulhar..

Restringindo-nos à economia do Benfica, passa por aqui o combate à redução do fosso económico com os seus pares europeus, comulativo com o potenciamento da formação, a exploração do canal televisivo e o aumento de competitividade da Liga Portuguesa.

Nesta última componente, a prioridade está no combate à corrupção ativa ou passiva, na  mudança de mentalidades dos Treinadores e Dirigentes Nacionais e no saneamento financeiro dos clubes económicamente viáveis. A debilidade económica dos clubes é geradora de corrupção, degradando a relação do espetáculo futebolístico com o Público, que, no final,é quem paga! Um futebol de caceteiros, corruptos e terroristas está condenado ao fracasso!

A promiscuidade política que desde a alvorada abrilenha contamina e degrada o desporto em Portugal, deve igualmente ser banida de uma vez por todas! É tempo de acabar com a política ostensivamente encapotada manipuladora de alguns clubes, consentida e até fomentada pelos partidos do poder, razão primeira e última da impunidade a que temos assistido, que expande a aprofunda o lamaçal em que se tornou o desporto em Portugal, em particular o futebol.  Vivemos em democracia onde cada um é livre de defender as suas ideias políticas com todos os abundantes meios legítimos. Não metam nisso os clubes de futebol! Ao futebol o que é do futebol e à política o que é da política!

Num contexto mais geral, a UEFA, deve rever o seu modelo de financiamento do futebol, sob pena de o reduzir à dúzia de equipas que a sequestraram, absorvendo a parte de leão das receitas e condenando todas as outras à periclitância, com inevitável perda de público. O conceito estratégico da UEFA de desenvolvimento do futebol no mundo, está desatualizado. É necessário dizê-lo, repetidamente, bem alto!

Benfica com academia em Angola:

Geração Benfica Escola de Futebol Caju é a designação da primeira academia de futebol do Sport Lisboa e Benfica em Angola, na capital do país, depois da assinatura de um acordo entre Armando Carneiro, director-geral do Centro de Formação e Treino, denominado Caixa Futebol Campos, em representação de Luís Filipe Vieira, presidente do clube português e da directora do Colégio Caju, Irene Barata.

SL Benfica vai abrir seis Escolas de Futebol na Índia:

O Sport Lisboa e Benfica planeia abrir seis Escolas de Formação de Futebol, em Mumbai, na Índia, depois de ter confirmado, esta quarta-feira, um acordo com um investidor indiano, Gauray Modwell, membro da Direcção da empresa India on Track. Na assinatura deste acordo estiveram presentes Nuno Gaioso Ribeiro, vice-presidente do Sport Lisboa e Benfica, Gauray Modwell, investidor indiano e o ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Paulo Portas.


AB

quinta-feira, 7 de março de 2013

Papa Dâmaso I

(Editado da Wikipédia):

São Dâmaso (305 - 11 de dezembro de 384) foi o 37º  papa e líder mundial da Igreja Católica, de 366 até a data de sua morte.
 
Dâmaso nasceu em território que viria a ser português, havendo quem defenda a hipótese de ter nascido mais especificamente na Gallaecia, na cidade de Guimarães ou na Lusitânia, em Idanha-a-Velha, à altura integrantes do Império Romano, atualmente Portugal. A sua época coincidiu com a ascensão de Constantino e a adopção do Cristianismo como religião oficial do Império Romano.
 
Em outubro de 366, Dâmaso I conseguiu, após vencer em lutas sangrentas o seu concorrente Ursino, ocupar o trono papal. Foram necessários dois anos de lutas sangrentas e chacinas para que Dâmaso chegasse ao papado. As batalhas entre os bandos seguidores dos dois postulantes foram de tal violência que em um único dia de batalha foram recolhidos 137 mortos. Acusado por seus adversários de assassinato, Dâmaso teve que se defender perante um tribunal imperial. Porém o imperador Valentiniano I apoiava Dâmaso e no ano de 378 foi absolvido, enquanto que o seu inimigo Ursino era desterrado.
 
Esse processo deu a Dâmaso I a oportunidade de ajustar as relações entre a justiça civil e a eclesiástica. O Estado passou a reconhecer oficialmente a competência da Igreja em matéria de fé e de moral, enquanto tomava a seu encargo a execução das sentenças ditadas pelo tribunal do episcopal.
 
Dâmaso foi um dos mais notáveis Papas do século IV, defendendo a Igreja de Roma contra eventuais cismas, enviando legados ao Primeiro Concílio de Constantinopla, e também foi um escritor de grande mérito, autor de valiosos epigramas e de importantes cartas sinodais. Também foi o Papa que encomendou a Jerónimo de Strídon uma revisão da versão latina da Bíblia, a qual ficou conhecida como Vulgata Latina, até hoje uma das mais importantes traduções bíblicas.
 
Foi o primeiro Papa a usar com desenvoltura o anel do Pescador, com o símbolo de São Pedro, que ao contrário de hoje, era passado de pontífice para pontífice, assim que confirmada a sua morte, como símbolo de sua autoridade pastoral. O anel com a égide de Pedro, o primeiro Papa, já não existe, pois foi destruído.
 
Os imperadores romanos (incluindo Constantino) continuaram a conservar o ofício de Pontífice Máximo (Pontifex Maximus) até 376 até que o Imperador Graciano, por razões cristãs, o recusou, já que reconhecia-o como idolatria e blasfêmia. Há registos de que, em torno do ano 378 Dâmaso era nomeado Pontífice ou "Pontifex", embora não fosse chamado de Pontífice Máximo, termo que aparece na Bíblia para descrever homens abençoados (Hebreus 5, 14), e em alguns casos o próprio Jesus (Hebreus 3, 1).
 
É citado no livro "Peregrino da América" como poeta português (Livro II).
 
Emblem of the Papacy SE.svg
 
Brasão de armas de Dâmaso I

quarta-feira, 6 de março de 2013

Papa João XXI

(Editado da Wikipédia):
 
João XXI nascido Pedro Julião mais conhecido como Pedro Hispano, foi papa entre 20 de setembro de 1276, até à data da sua morte, tendo sido também um famoso médico, filósofo, professor e matemático português do século XIII. Alguns autores indicam como data de nascimento o ano de 1205, outros, antes de 1210 e outros ainda entre 1210 e 1220.
 
História pessoal:

Pedro Julião ou Pedro Hispano nasce em Lisboa no então Reino de Portugal, provavelmente na que é a actual freguesia de São Julião, em data não conhecida, mas seguramente antes de 1226. Filho de Julião Rebelo, médico, cuja profissão segue, e de Teresa Gil (embora Luís Ribeiro Soares defenda que possa ter sido filho do chanceler de D. Sancho I, Mestre Julião Pais).
 
Começou os seus estudos na escola episcopal da catedral de Lisboa, tendo mais tarde estudado na Universidade de Paris (alguns historiadores afirmam que terá sido na Universidade de Montpellier) com mestres notáveis, como São Alberto Magno, e tendo por condiscípulos São Tomás de Aquino e São Boaventura, grandes nomes do cristianismo. Lá estuda medicina e teologia, dedicando especial atenção a palestras de dialética, lógica e sobretudo, a física e metafísica de Aristóteles.
 
Entre 1246 e 1252 ensinou medicina na Universidade de Siena, onde escreveu algumas obras, de entre as quais se destaca o Tratado Summulæ Logicales que foi o manual de referência sobre lógica aristotélica durante mais de trezentos anos nas universidades europeias, com 260 edições em toda a Europa, traduzido para grego e hebraico.
 
Prova da sua vastíssima cultura científica encontra-se na obra De oculo, um tratado de Oftalmologia, que conhece ampla difusão nas universidades europeias. Quando Miguel Angelo adoece gravemente dos olhos devido ao árduo labor consumido na decoração da Capela Sistina, encontra remédio numa receita de Pedro Julião. De sua autoria, o ‘Thesaurus Pauperum’ (Tesouro dos pobres), em que trata de várias doenças e suas curas, com cerca de uma centena de edições e traduzido para 12 línguas.
 
Já no domínio da Teologia, é autor de Comentários ao pseudo-Dionísio e Scientia libri de anima. Encontra-se por publicar a obra De tuenda valetudine, manuscrita em Paris, dedicada a Branca de Castela, esposa do rei Luís VIII de França, filha de Afonso IX de Castela.
 
Antes de 1261, ano em que é eleito decano da Sé de Lisboa, Pedro Julião ingressa no sacerdócio. O rei Afonso III de Portugal confia-lhe o priorado da Igreja de Santo André (Mafra) em 1263, posto o que é elevado a cónego e deão da Sé de Lisboa, Tesoureiro-mor na Sé do Porto e Dom Prior na Colegiada Real de Santa Maria de Guimarães.
 
Bispo e Cardeal de Braga:
 
Após a morte de Dom Martinho Geraldes, Pedro Julião é nomeado Arcebispo de Braga pelo Papa Gregório X em 1273. Um ano depois, participa no XIV Concílio Ecuménico de Lião, altura em que Gregório X o eleva a Cardeal-bispo com o título de Tusculum-Frascati, da Diocese suburbicária de Frascati, o que permite ao pontífice poder contar com os serviços médicos do sábio português.
 
Regressa ao Arcebispado de Braga até ser nomeado o sucessor Dom Sancho. De volta à corte pontifícia, Gregório X nomeia-o seu médico principal (arquiathros) em 1275.
 
A eleição de Pedro Julião, em conclave realizado em Viterbo, após a morte do Papa Adriano V, a 18 de agosto de 1276, decorre num período muito perturbado por tensões políticas e religiosas e com alguns cardeais a sofrer violências físicas. É eleito Papa a 13 de setembro, coroado a 20 de setembro de 1276 e adota o nome de João XXI.
 
 
 
Brasão de armas de João XXI
 
Pontificado:
 
João XXI irá marcar o seu breve pontificado (de pouco mais de 8 meses) pela fidelidade ao XIV Concílio Ecuménico de Lião. Apressa-se a mandar castigar, em tribunal criado para o efeito, os que haviam molestado os cardeais presentes no conclave que o elegera.
 
Embora sem grande sucesso, leva por diante a missão encetada por Gregório X de reunir a Igreja Grega à Igreja do Ocidente. Esforça-se por libertar a Terra Santa em poder dos turcos.
 
Tenta reconciliar grandes nações europeias, como França, Alemanha e Castela, dentro do espírito da unidade cristã. Neste sentido, envia legados a Rodolfo de Habsburgo e a Carlos de Anjou, sem sucesso.
 
Pontífice dotado de rara simplicidade, recebe em audiência tanto os ricos como os pobres. Dante Alighieri, poeta italiano (1265-1321), na sua famosa ‘Divina Comédia’, coloca a alma de João XXI no Paraíso, entre as almas que rodeiam a alma de São Boaventura, apelidando-o de "aquele que brilha em doze livros", menção clara a doze tratados escritos pelo erudito pontífice português. O rei Afonso X de Leão e Castela, o Sábio, avô de D. Dinis de Portugal, elogia-o em forma de canção no "Paraíso", canto XII. Mecenas de artistas e estudantes, é tido na sua época por 'egrégio varão de letras', 'grande filósofo', 'clérigo universal' e 'completo cientista físico e naturalista'.
 
Mais dado ao estudo que às tarefas pontifícias, João XXI delega no Cardeal Orsini, o futuro Papa Nicolau III, os assuntos correntes da Sé Apostólica. Ao sentir-se doente, retira-se para a cidade de Viterbo, onde morre a 20 de maio de 1277, vitimado pelo desmoronamento das paredes do seu aposento, estando o palácio apostólico em obras. É sepultado junto do altar-mor da Catedral de São Lourenço, naquela cidade. No século XVI, durante os trabalhos de reconstrução do templo, os seus restos mortais são trasladados para modesto e ignorado túmulo, mas nem aqui encontraram repouso definitivo. Através do contributo da Câmara Municipal de Lisboa, por João Soares então seu presidente, o mausoléu é colocado, a título definitivo, ao lado do Evangelho de Catedral de Viterbo, a 28 de março de 2000.

segunda-feira, 4 de março de 2013

A ressurreição de Jesus por Joseph Ratzinger

 
 
Bento XVI (hoje Papa Emérito)
 
Capítulo IX: A Ressurreição de Jesus da Morte

"A fé cristã fica de pé ou cai com a verdade do testemunho segundo o qual Cristo ressuscitou dos mortos."

"Somente se Jesus ressuscitou é que aconteceu algo de verdadeiramente novo, que muda o mundo e a situação do homem . Então Ele, Jesus, torna-Se o critério em que nos podemos fiar; porque então, Deus manifestou-Se verdadeiramente."
 
"Que Jesus tenha existido só no passado, ou, pelo contrário, exista também no presente depende da ressurreição."
 
"A ressurreição de Jesus foi a evasão para um género de vida totalmente novo, para uma vida já não sujeita à lei do morrer e do transformar-se, mas situada para alem disso  - uma vida que inaugurou uma nova dimensão de ser homem....Na ressurreição de Jesus foi alcançada uma nova possibilidade de ser homem, uma possibilidade que interessa a todos e abre um futuro, um novo género de futuro para os homens. Portanto com razão ligou Paulo inseparavelmente entre si a ressurreição dos cristãos e a ressurreição de Jesus - se os mortos não ressuscitam tambem Cristo não ressuscitou. A ressurreição de Cristo é um acontecimento universal, ou não existe, diz-nos São Paulo."

"Óbviamente que a nova leitura da escritura só podia começar depois da ressurreição porque só em virtude dela é que Jesus foi acreditado como enviado de Deus. Então, devia-se identificar ambos os acontecimentos - cruz e ressurreição - na Escritura, compreendê-los de modo novo e, assim, chegar à fé em Jesus como filho de Deus."

"Isto pressupõe ainda que a ressurreição tenha sido, para os discípulos, tão real como a cruz; pressupõe que eles tenham sido conquistados simplesmente pela realidade, que, depois de toda a hesitação e a maravilha inicial, já não tenham podido opor-se à realidade: É verdadeiramente Ele."

"Naturalmente que não pode haver contradição com aquilo que constitui um claro dado científico. É certo que, nos testemunhos sobre a ressurreição, se fala de algo que não ocorre no mundo da nossa experiência. Fala-se de algo novo, algo que, até então era único: fala-se de uma nova dimensão da realidade que se manifesta. A fé na ressurreição não contesta a realidade existente, mas diz-nos que há uma dimensão ulterior, para além das que conhecemos até agpra. Porventura estará isto em contraste com a ciência? Só poderá verdadeiramente existir aquilo que sempre existiu? Não poderá haver uma realidade inesperada, inimaginável, uma realidade nova? Se Deus existe, não poderá Ele criar também uma dimensão nova da realidade humana? Da realidade em geral? No fundo, não viverá a criação na expectativa dessa última e mais elevada "mutação", desse salto qualitativo definitivo? Não aguardará porventura a união do finito com o infinito, a unificação entre o homem e Deus, a superação da morte?"

"E para as poucas testemunhas - precisamente porque elas próprias não conseguiam capacitar-se disso -, foi um acontecimento tão revolucionário e real, tão poderoso ao manifestar-se-lhes que toda a dúvida se desvaneceu , e elas, com uma coragem absolutamente nova, apresentaram-se diante do mundo para testemunhar que Cristo verdadeiramente ressuscitou."

(Continua, com os testemunhos dos Apóstolos)