Desporto

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Notas saltitantes

   A exibição do Benfica contra o Marítimo mostrou uma nova dinâmica ofensiva, em muito, devido ao contributo de Carcela que acrescenta criatividade, profundidade, e precisão nos cruzamentos e assistências, aumentando o grau de incerteza na defensiva adversária, criando espaços para a entrada dos colegas ou induzindo o adversário a cometer faltas fatais. 

   Carcela, Jonas e Jimenez, entenderam-se muito bem, faltando apenas mais concentração a este último nos dois lances em que tinha só o GR pela frente. Contudo, falharam-se muitos passes e, na primeira meia hora, cometeram-se erros defensivos que poderiam ter mudado a história do jogo.
 
   Não é necessário andar aos gritos por tudo e por nada nem violentar a autoestima, mas, atletas e adeptos, têm que ver um líder no seu Treinador. Nesta matéria, RV não tem sido eficaz apesar dos bons sinais no lançamento deste jogo.
 
   Jorge Jesus, ainda embevecido com os êxitos que conseguiu nos dois últimos anos no Benfica e os recentes "sucessos" no Sporting, não pára de dizer patetices; já se esqueceu que seria hoje um treinador de meia-tigela se o Presidente do Benfica não tivesse dado o corpo às balas apoiando-o. Revela ingratidão para quem o levantou do chão. Nem sequer se apercebe das baboseiras que profere; por que carga de água se incomoda a fazer sair da "toca" alguém a quem não reconhece estatuto de treinador? Gaba-se de ter ganho três jogos aos encarnados esta época fingindo ignorar que a sua equipa beneficiou da fase de transição técnico-tática daqueles e de ajudas suplementares. Fica sabendo que não voltará a consegui-lo esta época. 
 
   Vai uma grande barafunda pela invicta relacionada com o tráfico de droga e a segurança ilegal. Oxalá, desta vez, a Justiça não se deixe subverter por infiltrados  e cumplicidades e faça o que lhe compete; julgar e condenar os culpados dos crimes em causa. É que, nós, simples cidadãos, sem conhecermos os casos em concreto, percebemos-lhes os contornos desde há décadas. Quem se atreve a não beneficiar um clube que tem ligações, ainda que informais, a uma rede de malfeitores que, impunemente, espalha o terror pelo país, ameaçando, agredindo e, segundo consta, matando pessoas?  Como se compagina isto com a democracia moderna? É a credibilidade do Estado que está, mais uma vez, em causa, pois parece que a Justiça não é geral e universal.
 
   O Novo Banco, que despede e arruína milhares de pessoas, tem uma "bota" para descalçar; vai ser interessante ver a solução que vai adotar quanto aos 55 ME do empréstimo ao Sporting, que vencem no próximo dia 27!, como se trata de obrigações convertíveis, e, naturalmente, não estão interessados em envolver-se na gestão do clube, palpita-me que irão anuir às pretensões de Bruno de Carvalho. Naturalmente, contarão com a benevolência dos comentadores, grande parte deles, afetos ao "universo" verde. Depois do "escândalo" político no caso da redução das taxas da Câmara de Lisboa relativamente ao museu Cosme Damião, imagino o foguetório que seria se o caso fosse com o Benfica! Obrigações convertíveis, com juros condicionados à distribuição de dividendos? Com o banco envolvido em situação crítica e os portugueses com o credo na boca? É demasiado óbvio! E escandaloso! Tenham vergonha!
 
Foto de José Manuel Antunes em A Bola http://www.abola.pt/clubes/ver.aspx?t=3&id=591283

“O Benfica é e sempre foi um clube extraordinário e admirável."

   O recente naufrágio do arrastão Olivia Ribau à entrada da barra da Figueira da Foz trás à memória um outro episódio com quase 60 anos. Na altura, o naufrágio da traineira "Nova Leirosa" trouxe grande consternação e o Sport Lisboa e Benfica, nessa já distante época de 1958/59 colocou-se à disposição da Associação Naval 1º de Maio, clube com fortes ligações aos pescadores e tradicionalmente apoiado por estes, para honrar a memória dos falecidos e angariar verbas para apoiar as suas famílias. 


   Assim sendo, deslocou-se pela quarta vez na sua história à Figueira da Foz para defrontar o clube navalista, sendo a primeira em que entraria no Estádio José Bento Pessoa.
 
   Na foto podemos ver José Águas a entregar uma oferta ao filho de um dos falecidos na tragédia. 
Perante um estádio lotado, o Benfica, já com a base do futuro Bicampeão Europeu, venceria por 5-1.
Mais uma vez, o Sport Lisboa e Benfica conquistaria o coração dos figueirenses.
  
   Aos mais distraidos, era por vezes difícil de explicar o porquê de tão grande concentração de Benfiquistas na Figueira da Foz, ora bem, várias coisas contribuiram para tal, a começar pelo facto de dois dos constituintes da célebre "trindade navalista" terem actuado no Benfica, o gr Pinto Machado e o central António Maria, sendo que o outro elemento, Tó Pinto, era um reconhecido Benfiquista. Este jogo, bem como o de 1951, assim como a cedência de Bastos para que jogasse pela Naval também num jogo de cariz solidário, bem como as ligações do extraordinário ciclista figueirense Alves Barbosa ao Benfica, do qual chegou a ser treinador, ajudam também a explicar este facto.
 
   Muitos anos mais tarde, em 1997, a sede da já então centenária Associação, arderia por completo. Mais uma vez, o Benfica se deslocaria à Figueira da Foz para um jogo solidário.
 
   O Benfica não é só campeão em campo, é também o maior dos campeões por inúmeras atitudes como estas. Ser do Benfica é ser campeão na vida! “

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

A Destreza das Dúvidas: 2,1%

"Desde 2001, a última vez que Portugal cresceu acima de 2% foi em 2007, com uma taxa de 2,49%. No ano a seguir, cresceu a 0,2%, e depois em 2009 a -2,98%. As políticas actuais de crescimento do governo não são muito diferentes das anteriores, apenas não se irá gastar tanto em obras públicas. Reduzir os impostos, repôr salários públicos, aumentar o salário mínimo, etc., são choques que têm maior impacto no primeiro ano; em anos subsequentes, não têm impacto quase nenhum, ou seja, não são políticas de crescimento sustentável. São políticas que se utilizam para estimular a economia quando há uma recessão que não tem causas estruturais. Note-se que, no caso de Portugal, o aumento do salário mínimo até pode ser uma política de empobrecimento a médio e longo prazos."


A Destreza das Dúvidas: 2,1%: O nosso ilustre Ministro das Finanças reduziu a estimativa da taxa de crescimento da economia portuguesa para 2016. Supostamente, irá cresce...

(tela de Abel Manta)

domingo, 3 de janeiro de 2016

Produzir ou redistribuir?

         "Sem o medo dos socialistas e da revolução, Bismark nunca teria posto em prática as suas leis sociais. O movimento operário desempenhou, portanto, um papel essencial na formação progressiva de uma classe média com condições de vida decentes. No entanto, essas lutas teriam dado em nada na falta de um crescimento da produção desde há mais de um século, que tornou possível a distribuição. A oferta mantém-se em primeiro lugar; toda a história das origens da Revolução Industrial mostra a importância das trocas, das instituições e da liberdade económica. Nenhuma revolta dos escravos romanos nem nenhuma insurreição dos servos da Idade Média permitiram pôr fim à miséria, muito simplesmente porque não havia nada para repartir, pois nem a pilhagem da riqueza das classes favorecidas, justificada por uma pobreza extrema e por uma exploração feroz, permitiam melhorar o destino dos pobres. É preciso começar por aumentar a produção antes de reparti-la equitativamente e, para aumentar a produção, são necessários incentivos económicos e um sistema de regulação da oferta e da procura que são fornecidas pelo mercado e pelas empresas privadas." (Jacques Brasseul, História Económica do Mundo)

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

O dia D do futebol nacional

      Aconteceu quando o Benfica recusou a oferta de 23 ME anuais da Olivedesportos para a renovação do seu contrato de direitos televisivos, contra os miseráveis 7,5 ME anuais do contrato anterior "concedido" graças à situação de penúria financeira em  que se encontrava por essa época. Esta constituiu a base da  "fórmula mágica" que esteve na origem da prosperidade económica  das empresas de Joaquim Oliveira e que assegurou o domínio desportivo do FCP durante décadas.

   A condição de exclusividade em que aquele tinha acesso ao direitos televisivos dos clubes, proporcionou-lhe acesso a capital e, através deste, ao poder "normativo" formal e informal que dominou o futebol em favor do FCP. Ano após ano assistimos a espetáculos desportivos deprimentes com contornos de prepotência e hipocrisia que tem dominada a sociedade portuguesa. De facto, esta penosa realidade beneficiou da cumplicidade político-partidária que Pinto da Costa geriu com mestria graças à densidade demográfica a norte, decisiva nos resultados eleitorais.
 
   Filipe Vieira, contra todas as incertezas, deu sequência ao apelo dos adeptos e avançou com o canal do Benfica, que, rapidamente, se transformou num sucesso económico e social, provocando uma hemorragia fatal para a Sport TV, salva, recentemente, pelos "cúmplices" do costume; BCP, BES, operadoras nacionais por cabo e uma valente bateria de "playeres"; desde investidores angolanos a "gurus" da economia nacional afetos ao FCP e a facilitadores institucionais de relevo. 

   Por todas estas razões trata-se de uma organização que deve continuar a suscitar reserva por parte dos dirigentes do Benfica, aconselhando toda a prudência, em particular na duração dos contratos. Nas recentes negociações, a valia dos direitos de transmissão da BTV ficou bem patente, equivalendo-se aos outros direitos que SCP e FCP venderam, nomeadamente, a publicidade nas camisolas e no estádio, algo que, no clube encarnado, grosso modo, valerá 20 ME ao ano.
 
   À parte o caso Vale e Azevedo - que, para mim, não tem perdão -, e os fundadores dos grandes clubes, Filipe Vieira é, quanto a mim, o melhor dirigente desportivo nacional de sempre; pelos projetos que desenvolve no Benfica e, sobretudo, por ter "desmantelado" - até ver - a poderosa teia que manteve os clubes reféns dos interesses do FCP durante longas décadas, criando as condições para uma nova era no futebol nacional, baseada na autodeterminação económica e funcional dos clubes e na independência das instituições que tutelam o desporto nacional.
 
   Todos beneficiarão, direta e indiretamente, mas tal não significa que, muitos, não voltem a cair em novas armadilhas suscitadas pela implacável tabela classificativa e de quem a controla, bem como pelo "criminoso" quadro competitivo das provas da UEFA e modelo de distribuição pelos clubes e federações das mais-valias das respetivas competições. Três "galos" para dois poleiros europeus é a fórmula que corrói o futebol nacional, impondo-se a reformulação de todo o modelo.
 
   PS: Alguns dos "pequenos" clubes parecem apavorados, como se percebeu recentemente pelas declarações de  Manuel Machado no final do Benfica-Nacional para a Taça da Liga.  Mas não têm que se preocupar; todos receberão mais dinheiro e têm, agora, por onde escolher - além das duas operadoras nacionais, parece que surgiram algumas estrangeiras. No entanto, o bolo poderia ser bem maior se a vaidadezinha e a covardia de alguns, não os tivesse conduzido ao atraiçoamento de Mário Figueiredo cujo projeto era o que melhor servia os interesses de todos; centralização dos direitos televisivos, fim à exclusividade da Olivedesportos e aumento da competitividade dos jogos através da alteração dos modelos competitivos dos campeonatos. Alguns teriam que ficar de fora e outros não chegariam aos jogos com os "grandes". Foi aqui que se deu a rotura, precipitada pela asfixia financeira proporcionada pelos habituais patrocinadores  - até da Santa Casa da Misericórdia! -, pela FPF, e...pela Autoridade da Concorrência, que "congelou" a resposta à "participação" de Mário Figueiredo contra a Olivedesportos, até estar consumado o seu afastamento à frente dos destinos da Liga. O meu tributo a Mário Figueiredo, que revelou lucidez e extrema coragem em todo o seu mandato, por ter enfrentado os poderes que todos temiam. Diga-se, finalmente, que dispunha do apoio discreto, não explícito, do Benfica, que se disponibilizou para a solução da concentração dos direitos. Mas...tal não convinha aos interesses do FCP e do SCP, que acabaram por colocar no seu lugar "o espantalho"  do Proença, apesar dos danos que a sua passagem pelos relvados nacionais provocou.  

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Piropo e ressabiamento feminista

     Esta história da criminalização do piropo ilustra bem o estado de insanidade da politica portuguesa atual e dos tiques totalitários da esquerda em particular. Confesso que o caso não me suscita grande interesse; compreendo o processo de captação das franjas do eleitorado pela esquerda radical e da sua necessidade de palco permanente, percebo que mulheres "ordinárias" se sintam ofendidas com piropos ordinários, entendo que  mulheres "decentes" gostem de galanteios, compreendo que as lésbicas detestem os homens, entendo que as feministas vejam nisto mais um passo na emancipação do género. Mas também sei que a natureza que faz uma mulher produzir-se para agradar e, ou seduzir os outros é a mesma que impele o homem à aproximação vital. De qualquer forma, acredito que a criminalização do piropo é redundante, por sobreposição ao crime de injúria já contemplado na legislação vigente. 
 
   Porém, aprendi algo novo; afinal, talvez a imposição da burka pela sharia não constitua uma restrição às liberdades femininas mas  vise, tão somente, protege-las dos "insultuosos" galanteios masculinos. Et voilá!
 
   Talvez seja algo prematuro legislar impondo a burka às mulheres portuguesas, mas como sei que, com prisão ou sem prisão, os piropos jamais acabarão (Ui!, estou com veia poética), sugiro às mais pudicas o uso voluntário de tal vestimenta avançando desde já as minha sugestões.
 
   Haja paciência!

Giuseppe di Stefano "Je crois entendre encore" Les pecheurs de perles ...