Desporto

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Bravo!

  


carbonero
 
   Com cerca de 3 ºC em Kiev, as condições atmosféricas não se revelaram tão agrestes como se temia parecendo contudo suficientes para provocarem algum "adormecimento" muscular e consequente atrapalhamento de movimentos em alguns jogadores.
 
   Num relvado, surpreendentemente e aparentemente, magnífico, o Benfica, com alguns "reforços" internos, impôs-se serenamente a um Dínamo esforçado e com muita força, de boa qualidade técnica e tática, mas ineficaz nos momentos atacantes decisivos.
 
   Estabilizada no setor defensivo com as entradas de Ederson e Luisão juntando-se ao "pequeno" Grimaldo, em superforma, e ao Nelson, cada vez mais próximo da sua boa condição, com o "intratável" Feysa a jogar na frente, os encarnados ocuparam racionalmente os espaços no meio-campo, com Pizzi, Cervi, Sálvio e Guedes muito dinâmicos, mas não o suficiente para levarem o jogo a Mitroglou em condições de finalização. Falharam os centros, quase sempre de má qualidade; vá lá saber-se porquê! Guedes trabalha muito, posiciona-se e movimenta-se bem, aguenta as cargas como poucos, remata imenso, joga para a frente, geralmente faz boas assistências; ontem faltou-lhe um pouquinho para uma excelente exibição, ao nível do último passe, do remate e da ligação com o ponta de lança. Teve influência decisiva no primeiro golo. Sálvio e Cervi estiveram fantásticos, cada um ao seu estilo, o primeiro em força o segundo em imprevisibilidade e argúcia, cabendo-lhes a autoria dos golos. Ederson foi decisivo no desempenho da sua equipa e no resultado  garantindo a inviolabilidade  fez umas três defesas de grande nível. Também Grimaldo salvou, no limite, o golo certo numa recuperação fantástica.
 
   Uma vitória que, apesar de moralizadora e rentável, não deve ocultar algumas fragilidades ainda patentes na equipa ao nível do passe e da dinâmica defensiva, que serão dramáticas frente a adversários do calibre dos do Nápoles, ou mesmo do Besiktas.
 
Força!
 
PS: Continua a desonestidade de alguns comentadores desportivos ao colocarem Filipe Vieira e Bruno Carvalho no mesmo plano, relativamente às sucessivas provocações de que este tem sido autor. Um vício velho que denuncia a tendência dessa comunicação social, de que saliento o caso, do educado e honrado João Santos, que, apesar de sucessivamente enxovalhado e ameaçado em público - chegou a ser ameaçado de morte pelo guarda Abel, num evento ocorrido nas instalações do Salgueiros - , foi vilmente tratado ao nível dos seus agressores. Lamentável.

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

When you got no money...

Portuguese on the blues!

domingo, 16 de outubro de 2016

A "festa" do futebol!

  
  
 
   Compreendo e agrada-me a ideia de "Festa do Futebol"  associada à Taça de Portugal. Só que, nem sempre assim é. Foi o caso deste jogo entre o 1º de Dezembro e o Benfica; uma "tortura" de tão desinteressante. Salvou-se o 1º de Dezembro cujos jogadores mostraram determinação bastante para embaraçarem um Benfica desinspirado e pouco empenhado, provavelmente a pensar, já, no jogo com o Dínamo. Rui Vitória aproveitou o "baixo risco" desportivo do jogo para rodar e testar jogadores menos utilizados; como Luisão, Eliseu, Danilo, Celis, Zivkovick, Guedes e Zé Gomes. Enfim, lá conseguimos vencer nos últimos momentos, num lance de bola parada - só podia ser - com desvio providencial de cabeça do "velho" Luisão. Foi bonito o gesto do Benfica ceder ao 1º de Dezembro a sua parte da receita do jogo. Vamos a ver se as coisas correm bem lá para os lados de Kiev.
 
A equipa de hóquei em patins do Benfica deu uma valente "coça" (salvo seja) à do Barcelos - 9-2 -, sagrando-se vencedor da "Taça Continental"  ao superar o resultado de Barcelos - 5-4. Um feito tranquilizador até porque o Barcelos é, nada mais nada menos, que o titular da "Taça Cers" onde pontificam excelentes jogadores. Esqueçam as vitórias passadas e pensem nos desafios futuros. Força!
 
Com uma brilhante vitória 76-74, a equipa de basquete encarnada, desta vez para o campeonato nacional, inesperadamente, bateu a forte equipa do Porto no terreno deste, muito graças aos 27 pontos de Hollis. Fantástico! Aprenderam rápido! Força!
 
A equipa B do Benfica segue de "vento em popa" ao vencer o Derby County na estreia da Premier League International Cup, por 2-o. Algo mudou, e muito, esta época, relativamente à anterior.
 
Os Juniores encarnados perderam no Seixal por 2-0 com os "eternos rivais", mas não há que desanimar; no próximo tiram a desforra. Força!
 
Noutro plano, algo deve mudar no discurso dos benfiquistas, especialmente a nível institucional; quando algum jogador se destaca, logo aparecem os aspirantes a "Bandarra, o sapateiro de Trancoso" a vaticinar o prazo de saída! O Benfica deve assumir-se como clube de destino final de qualquer jogador. Depois, o que tiver de ser, será! Aprendam com André Horta! Também com Eusébio, cujo amor ao Benfica e amizade aos camaradas o impediu de assinar pelo Inter, apesar das excelentes condições que lhe eram oferecidas.  

terça-feira, 11 de outubro de 2016

Notas soltas

  
 
   homenagem aos trabalhadores
 
   O Basquete sénior do Benfica, finalmente, enfrenta um novo desafio; superar, mais uma vez, a equipa do Porto. Digo, finalmente, porque a superioridade indiscutível da equipa do Benfica face a todas as outras estava a tornar a competição desinteressante, tal como as vitórias encarnadas! Mérito ao Porto que se organizou e trabalhou para recuperar  o estatuto de campeão, que, por sua vez, tinham perdido anteriormente para Benfica na sequência de persistente trabalho destes. Agora cabe aos encarnados descobrirem, de novo, a arte da superação. É assim que a modalidade se torna interessante e progride. Há porém uma diferença assinalável nos dois processos; é que o Benfica,  quando estava a perder nunca virou a cara, honrando-se a si e ao adversário, ao manter-se em prova todo o tempo; quanto ao Porto, despeitado pela derrota, preferiu retirar-se, desvalorizando a competição e o mérito das vitórias seguintes do adversário. Não é bonito! O reconhecimento de mérito é o efetivo motor do progresso.
 
   Este fim de semana, os juvenis do Benfica jogaram com os do Amora, no Seixal, e ganharam por dois a zero. Vi, a espaços, este jogo. Os meninos jogaram com empenho, cada grupo com as suas armas. Os do Amora fechando agrupando-se no seu meio-campo e apostando nos contra-ataques rápidos tirando partido da velocidade de alguns dos seus atacantes. Os do Benfica, persistindo como podiam na tentativa de entrar na zona de remate e finalizar. Tendo-se adiantado no marcador, os encarnados viveram grandes dificuldades até aos momentos finais, em que, finalmente, fizeram o golo da tranquilidade. A verdade porém é que os azuis do Amora poderiam ter marcado por várias vezes e merecem ser aplaudidos desde logo porque, não tenho dúvidas, não disfrutam dos mesmos meios dos seus adversários do dia.  
   O que me espantou foi a descompostura que Renato Paiva deu, publicamente, aos seus pupilos, na entrevista que deu à BTV no final da partida. Um disparate que não deve passar em claro. Ora a prioridade da formação consiste, como tem sido reiteradamente afirmado pelos dirigentes do clube, na promoção das qualidades humanas dos jovens atletas. Parece que Renato, incompreensivelmente, se esqueceu disso e enxovalhou as crianças publicamente! Mostrou que é um mau condutor de jovens e talvez tenha perdido o seu respeito.. Lá diz o aforismo; só é respeitado quem se dá ao respeito. Renato Paiva não se deu ao respeito.
 
   No hóquei em patins a equipa do Benfica entrou em desvantagem na disputa da Taça - Intercontinental? - com o Hóquei de Barcelos. Com a margem mínima, os encarnados, têm efetivas possibilidades de superarem "os galos" em Lisboa. A verdade é que uma pré-época titubeante e a saída de Marco Torra, na sequência duma época excecionalmente exigente e triunfante, deixam algumas dúvidas sobre a atual capacidade competitiva da equipa encarnada. Veremos.
 
  Compreendo a importância de envolver pequenos países - principados, como Andorra, ou regiões autónomas, como as ilhas Faroé, e outros, nas provas do futebol europeu e mundial; é uma forma de aproximação e coesão das comunidades, especialmente valorizada pelas que vivem alguma forma de isolamento. No entanto, é desconfortável tamanho desequilíbrio competitivo! Chegam a ser ridículas as exuberantes celebrações  dos golos. Foi o caso do último jogo da equipa sénior de Portugal de apuramento para o campeonato mundial. Noutro plano, para as equipas mais fortes, estes jogos servem para apurar automatismos e testar jogadores menos utilizados. Não foi o caso. Santos manteve todo o tempo quase toda a equipa titular chegando à meia-dúzia! Ressalvando outros possíveis casos, pergunto a mim próprio porque razão nem Pizzi nem Semedo pisaram o relvado, por quinze minutos que fosse. Tal contribuiria para o progresso da sua integração na equipa e seria um justo prémio para ambos; o primeiro pela fantástica época que fez e o segundo pelo compulsivo afastamento devido à lesão contraída ao serviço da seleção. Do mal o menos; anulou-se o risco de novas lesões. No entanto, pergunto-me, se Fernando Santos, pessoa que respeito, aderiu à discriminação de que os jogadores do Benfica têm sido vítimas na "equipa de todos nós". Um caso a acompanhar; se o Treinador escolhe os jogadores, os adeptos julgam o Treinador. 

PS1: O que referi relativamente à seleção nacional não é inteiramente verdade; três novos jogadores foram testados na equipa: Antunes, João Cancelo e André Silva, todos eles de insuspeita qualidade e alguns novos foram convocados: Anthony Lopes, Marafona, e Gelson. Porém a cultura anti Benfica na seleção por extensão da captura da FPF pelos rivais,  nas últimas décadas, deixou sequelas profundas; ainda estão frescos os casos de Renato, Pizzi, André Almeida, Jardel e Lima. Outros há, como o de Rui Costa, que não esquecem. Santos terá um longo caminho a percorrer se quiser desfazer a reserva dos adeptos encarnados.

sábado, 8 de outubro de 2016

Futsal de parabéns




Dois adversários ruins de "assoar"; o Vermoim  e o Sporting! Duas excelentes e merecidas vitórias! PARABÉNS!

PS: Gostei de ver a Capitã encarnada a elogiar as adversárias para quem tinham perdido o campeonato. Também gostei de ver os jogadores do Sporting, no final, a aplaudir os colegas do Benfica, a quem tinam vencido o campeonato.  Assim sim; luta-se com galhardia e sem tréguas pela vitória e respeita-se o leal adversário qualquer que seja o resultado. É o legado de Mário Wilson.

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Regresso auspicioso ao campeonato

 
 
 
by Anna Ostroumova (Russia 1871-1955), Amsterdam, 1913
 
   Do Feirense, esperava-se o que ocorreu; uma equipa competitiva - como são, geralmente, todas as que acabam de subir ao primeiro escalão, - e agressiva à imagem do seu Treinador, José Mota.
 
  O Benfica fez o que não tinha feito com o Nápoles; pressionou, subiu no terreno, provocou desequilíbrios e fez quatro golos. Bem sei que o Nápoles é outra coisa, mas a verdade é que quando, na ponta final, foi pressionado, começou a errar. 
 
   Nos dois primeiros golos os erros adversários que lhes deram origem foram provocados pela pressão ofensiva dos encarnados. Os outros foram duas obras primas; do Nelson e do Cervi - que é pequenino mas tem faro de golo e talento -, e do Grimaldo, exímio marcador de livres.
 
   Foi notório muito atabalhoamento nas dinâmicas do jogo ofensivo, com muitos passes falhados e movimentos inconsequentes, superados pela garra. É assim que deve ser; quando não brota o talento usa-se maior determinação.
 
   O regresso de Luisão poderá estabilizar defensivamente a equipa reduzindo significativamente a vulnerabilidade do eixo central e fazer subir os níveis de confiança dos restantes jogadores. Infelizmente a sua margem de erro é mais reduzida dada a habitual crueldade dos adeptos relativamente aos jogadores que estão em final de carreira. Esperemos que consiga superar esta contingência.
 
PS1: Pêsames pelo falecimento do Mário Wilson; jogador e treinador de grande nível, sobretudo de uma dimensão humana de grande envergadura. Desconhecia o seu envolvimento no apoio aos "movimentos de libertação" e o impacto das suas desavenças com Pedroto, das quais resultaria a famigerada "guerra" Norte-Sul" de que Pinto da Costa se serviria na consolidação do domínio desportivo do Porto.
 
PS2: Perante o desaire do Sporting em Guimarães, os dirigentes verde-brancos, recorrem a velhas técnicas de diversão apontando a fantasmas externos; os árbitros e o Benfica. Por outro lado, surgiram rumores de condicionamento das Assembleias Gerais daquele clube pela respetiva claque; se é verdade, já não é só com eles!, as autoridades deverão apurar se se trata, ou não, de captura do clube pela ameaça de violência.
 
Força, Benfica!

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

O "desastre napolitano"

 
Edvard Munch obreros Camino de casa, 1913-5
 
Ponto prévio; não é novidade para ninguém que se interesse minimamente pelo tema, que o futebol italiano é, desde sempre, dos mais evoluídos do planeta. Sabem tudo da poda, seja nos planos técnico e tático, seja no plano chamado "jogo sujo". Um futebol enxuto mas sofisticado, cínico e preciso, a que acrescentam uma forte mentalidade que lhe advém duma história coletiva riquíssima.
 
Posto isto, tendo o Nápoles perdido a corrida do título da época passada nas derradeiras jornadas, a tarefa do Benfica, ainda debilitado no seu onze titular por falta de algumas "pedras" influentes e à procura de novos equilíbrios, não se afigurava fácil. Por outro lado, a menor exigência dos adversários internos, nos quais os níveis de eficácia são consideravelmente baixos relativamente "aos nápoles" conduzem à concessão de algumas "facilidades", agora fatais.
 
Uma derrota em Nápoles é normal; uma humilhação não! E foi o que aconteceu! Falhadas duas oportunidades flagrantes pelos encarnados, muito graças ao já mítico Reina, preocupados em fechar os espaços interiores, como explicou Vitória, a equipa do Benfica, caiu no tipo de jogo em que os italianos são exímios, abdicando das alas e dos lances de rotura. Com um posicionamento irrepreensível em todo o campo, exercendo permanente pressão sobre os "vermelhos" logo à saída da área, fechando todas as linhas de passe, trocando a bola com precisão de relojoeiro, os napolitanos, recuavam de imediato para a frente da área logo que perdiam a posse da bola, "roubando" os espaços de possível expansão do jogo do Benfica.
 
No lance do primeiro golo do Nápoles esteve em evidência a diferença essencial entre as equipas; concentração, técnica e sagacidade do lado dos italianos e desconcentração e até displicência dos portugueses. Um remate de dentro da área, desde que não seja à figura do GR, é indefensável. No caso dos cantos, uma vez que não há fora de jogo, o GR é pressionadíssimo pela proximidade dos adversários, beneficiando apenas da proteção de que goza na pequena área. Nenhum GR, consegue responder a tempo, desde o meio da baliza a um dos postes, a um remate rápido desferido nas proximidades da pequena área. Por conseguinte, o que deve ser feito é encurtar a baliza com um homem a cada poste, pelo interior. Porque não foi feito?, porque em Portugal não são necessários tantos cuidados!
 
Em cima disto, a "ratice" e excelência técnica do avançado azul, e do marcador do canto, fizeram o resto; Feysa assumiu a cobertura ao 1º poste, colocando-se ligeiramente à frente do avançado. Muito bem. Quando viu a bola vir na sua direção cometeu o erro fatal; ficou à espera dela, julgando-se senhor do lance. Pois é! O picolo napolitano agachou-se ligeiramente, deu meio passo em frente e "penteou" a bola metendo-a no buraco da agulha". Júlio César ainda apareceu...mas...demasiado tarde. Teve responsabilidade na formação defensiva; competia-lhe dar as ordens de posicionamento. Aquele é o seu território; ele é que manda!
 
Ainda assim, tendo a 1ª parte sido equilibrada, o golo do Nápoles não foi um golpe de sorte. As "papoilas saltitantes" apresentaram-se na 2ª metade com o mesmo "desgraçado" tipo de jogo - do tico tico saranico - a pensar não sei o quê, quando me parecia óbvia a necessidade de aumentar a velocidade, a intensidade, a amplitude e a profundidade do jogo. A vitória é dos ousados. Era necessário provocar desequilíbrios e o Benfica só o fez quando tudo estava perdido! Então viram-se ao adversários a terem de correr atrás da bola, a falharem passes e a encaixarem duas "mocas". Certo que, nesta fase, já tinham passado o computador a modo "sleep". De qualquer modo foi um regalo ver o sargalhão do Guedes a cortar o passe, bater o defesa em corrida, contornar o grande Reina e fazer o golo já de ângulo fechado. Aprendeu com o lance do Besiktas. Tem futuro. O golo do Sálvio, a passe do André, constituiu uma lição acerca do que deveria ter sido feito; passes de rotura sobrevoando o denso meio-campo do Nápoles, bem recheado com cinco craques. Ficou demonstrada  nos lances de rotura a debilidade da defesa napolitana. Os receios de Rui Vitória foram excessivos; lá diz o aforismo que a melhor defesa é o ataque.
 
Júlio César ficou afetado com o primeiro golo; foi-se abaixo. Não teve responsabilidades no segundo mas teve no terceiro e no quarto. Será que o histórico da sua carreira em Itália o afetou? Se afetou, deveria tê-lo dito ao Treinador.
 
O lançamento de Carrillo não funcionou. Vitória deveria ter mexido na equipa mais cedo.
 
As decisões vitais do árbitro aceitam-se, mas creio que pecou por excesso de zelo no lance da falta que resultou no livre do segundo golo, superiormente executado. O caso é que já antes se tinha portado mal com o Benfica "roubando-lhe" uma Taça da Liga Europa. Não é por este caso, mas há muito que não acredito da UEFA, nem na FIFA, e, já agora, nem na FPF.

É possível que este resultado sirva para unir ainda mais o grupo de trabalho otimizando o esforço de todos.
 
Conclusão; há que trabalhar mais e melhor. A festa deveria ter acabado há muito; esqueçam-se dos êxitos passados e concentrem-se nos objetivos desta época.
 
Força!

sábado, 24 de setembro de 2016

Vitória suada!


Achille-Émile Othon Friesz - Le Havre, le bassin du Roy, 1906.

O jogo correspondeu ao que dele se esperava; um Desportivo de Chaves dos velhos tempos, compacto, raçudo, sem desfalecimentos, num belo mas curto relvado, usando e abusando dos velhos truques do anti-jogo. 

Sem espaço nas costas dos defesas contrários os jogadores encarnados viam-se e desejavam-se para desenvolver o seu jogo até à área contrária em condições de alvejar a baliza. Na verdade, ainda na primeira parte, criaram algumas situações de golo; numa delas o GR respondeu com excelente defesa a remate mortífero de Kostas e na outra, o juís de linha assinalou falta por fora de jogo inexistente. 

Alguns jogadores encarnados desorientaram-se errando, grosseiramente, alguns passes a meio campo, um dos quais, ainda na 1ª parte, resultou em lance de golo do Chaves, neste caso bem anulado por fora de jogo, pelo juiz de linha respetivo. Outro, só por sorte não deu golo; a bola embateu por duas vezes no poste direito da baliza de Ederson!

As alas do Benfica não funcionaram devido ao permanente bloqueio dos chavenses com dois, três e até quatro jogadores, tática propiciada pela exiguidade do campo, mas também por falta de inspiração dos extremos do Benfica. Só de bola parada os encarnados fizeram os dois golos; o primeiro, num livre a punir falta sobre Nelson, exemplarmente marcado por Grimaldo e sabiamente finalizado por Kostas, mais uma vez, penteando a bola, na cara do GR. O segundo, na sequência do livre marcado pelo mesmo Grimaldo fazendo a bola embater na barreira e ressaltar para a frente da área onde apareceu Pizzi, com oportunidade e concentração, a fazer a recarga indefensável; o GR nem se mexeu!

Finalmente os encarnados puderam respirar ,mas os de Chaves é que não se deixaram abater!, assumiram o jogo e chegaram a encostar o Benfica às cordas, arrancando várias faltas no seu meio-campo. Desconfiei do árbitro, por assinalar tudo para o Chaves, mas parece que não tinha razão. Nesta fase já nenhum jogador do Chaves parou o jogo por alegada lesão.

Enfim, mais uma vez, esteve em evidência a importância dum ponta de lança de alto gabarito e o perigo da desconcentração defensiva inerente a este tipo de jogos em que o adversário se acantona frente à sua área vedando todos os espaços mas, numa recuperação, rapidamente mete dois, três ou quatro jogadores na área contrária, devido à exiguidade do campo.

O estádio esteve bem composto; viu-se que foi uma festa para as gentes de Chaves. E assim deve ser o futebol...desde que, sem anti-jogo.

PS: Registo com agrado e alguma surpresa a indignação pública de Ana Gomes contra os seus "camaradas" que proporcionaram a José Sócrates mais uma oportunidade de se apresentar ao país como vítima de perseguição judicial e política. Para alguns políticos, os interesses dos seus correligionários e dos seus Partidos, prevalecem sobre os do país e da decência política.

terça-feira, 20 de setembro de 2016

Pé ante pé!

 
 
 Barbería, Edward Hopper
 
...E já estamos na frente! Sem euforias, como convém; a procissão vai no adro e respeitar os outros é bonito.
 
A equipa do Benfica, como tinha feito contra o Besiktas, fez um bom jogo. Melhor!, desta vez teve o que lhe faltou antes; ponta de lança; o que está onde é necessário e que, de pé ou de cabeça, sabe rematar, dando à bola o efeito de que carece para entrar na baliza.  Ainda houve por ali alguma confusão no passe a nas marcações, valendo-nos a excelência de Júlio César cum umas três intervenções de grandíssima categoria. Marafona também brilhou a grande altura por várias vezes, que me lembre; espetacular remate de primeira de Sálvio a culminar jogada de envolvimento empolgante, salvo erro, iniciada pelo endiabrado Grimaldo; portentoso livre de Gonçalo Guedes a meia altura e forte remate rasteiro à entrada da área de Zé Gomes. Várias perdidas, parte a parte, a indiciarem ainda, baixos níveis de preparação e concentração de alguns jogadores. Braga difícil, muito tático e ativo. Benfica respondendo à letra e superiorizando-se quase sempre, sem que, até ao 2-0, deixasse de pairar o síndroma do empate.
 
Grimaldo está a jogar muito; Nelson Semedo deve dar mais atenção à cobertura do seu flanco; Lisandro não deve desligar o radar enquanto o árbitro não der o apito final. André Horta e Feysa estão soberbos - este com uma fífia monumental, invulgar, que nos ia saindo cara; Pizzi fez um golo e assistiu para o terceiro; Guedes foi, mais uma vez, um moiro de trabalho, incansável rematador a merecer melhor sorte. Zé Gomes é fino; conhece os terrenos que pisa e não pede licença para rematar, tendo obrigado Marafona a aplicar-se a fundo.
 
Com o 3-o, Rui Vitória, descomprimiu a equipa - cuidado com isso - aproveitando para descansar jogadores - Feysa e Sálvio -, e dar minutos a outros; Carrilho e Zé Gomes. Gostei, claro; há grande margem de progressão.
 
Sousa não esteve mal; a decisão do 2º golo é para respeitar. Pizzi foi rasteirado na área, de forma invulgar. Guedes foi derrubado na zona frontal e impedido de visar a baliza. António Rola anda muito macio com os árbitros; terá sido atacado pelo vírus do excesso de zelo?
 
Marafona lesionou-se, mesmo, no pé esquerdo; viu-se bem como abanou todo. Pousou-o devido ao colega. Julguei que estava arrumado para o jogo. Apesar de tudo, cheguei a convencer-me de que, da segunda vez, estava a fazer ronha, para "arrefecer" o ímpeto dos encarnados e para os colegas "apanharem ar", que já estavam a estorvar-se uns aos outros.
 
José Peseiro enervou-se e compreende-se; mas não teve razão; o movimento de interseção do bola pelo seu jogador, foi intencional e colocou Pizzi em jogo!, enfim; é a chamada sorte do jogo...mas não deve subestimar-se o trabalho atacante, nomeadamente pelo Kostas.
 
Salvador pareceu demasiado nervoso pois não sabia que fazer às mãos nem ao nariz; tinha o primeiro lugar à vista, mas o Benfica foi melhor.
 
Trabalhinho, muito trabalhinho; deixai o paleio para os outros.
 
Força, Benfica!

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

O pézinho do Talisca

 
Jean Beraud , La rue de la Paix
 
À parte as picardias e ressentimentos, Talisca, talvez seja, hoje, o melhor especialista mundial na marcação de livres diretos na zona dos trinta metros, numa amplitude de quarenta e cinco graus relativamente ao eixo da baliza, na linha de golo. Julgo que tem a ver com a sua morfologia; Talista tem perto de 1,90 m o que lhe confere poder e facilidade de remate, permitindo-lhe concentrar-se na colocação, o que faz com rara mestria. Até Neuer foi batido. Qualquer um!
 
Neste lance, fiquei com a impressão que Elderson foi lento; estava no meio da baliza e a bola entrou a cerca de dois metros à sua direita! Para um guarda redes de extraordinária elasticidade e concentração como ele, parece estranho. Só se compreende se admitirmos que se apercebeu da trajetória de bola demasiado tarde e isso poderá ter a ver com o seu posicionamento inicial, a meio da baliza. Onde estava não viu a bola partir; esta sobrevoou a barreira, apesar do salto dos defesas, e só depois foi vista por Elderson...e como vinha a alta velocidade..., este não reagiu a tempo. A posição do guarda redes deve ser concertada com a barreira de acordo com as instruções daquele; a barreira, o mais alta possível, fecha um lado e o guarda redes fecha o outro, à escolha deste. O que, para um Talisca, pode não servir de nada; este consegue passar a bola sobre a barreira, com facilidade...mas nem sempre, como já se viu.  
 
Ora tudo isto vem a propósito da discussão da utilidade da barreira. Recordo que, não há muito tempo, houve um guarda redes de que não recordo o nome, mas suponho que até era do Benfica, que não queria barreira neste tipo de lances. O que então me parecia absurdo, considero hoje razoável. É que raros são os jogadores capazes de rematar para golo de trinta metros; é preciso força e colocação. Por outro lado, sem barreira, ou com uma barreira reduzida, o guarda-redes pode posicionar-se no meio da baliza, ver a bola partir, aperceber-se atempadamente da sua trajetória e fazer-se ao lance com mais eficácia. Neste caso, não tenho a menor dúvida que, considerando a mesma trajetória e velocidade da bola, Elderson teria efetuado a defesa eficazmente. O caso é que, nesta circunstância, o remate poderia ser feito de outra forma, embora a preferência de Talisca pelo pé esquerdo restrinja as trajetórias possíveis.
 
Haverá, hoje, guarda redes no mundo que, pelo menos em certos casos, prescindam da barreira?