Desporto

sábado, 17 de junho de 2023

Ás vezes a História repete-se

 

Ás vezes a história repete-se


"A Igreja Católica, devia a popularidade ao ceticismo disseminado entre o povo, que via na república e na democracia a falta da ordem, da segurança e da consciência política. Para muitos, o sistema hierárquico da Igreja parecia a única forma de evitar o caos. Era isto, realmente, e não qualquer revivescência religiosa, que fazia com que o clero fosse olhado com respeito. Na verdade, os mais firmes partidários da Igreja nesse período eram os expoentes daquele catolicismo chamado "cerebral" , os católicos "sem fé", que iriam daí por diante dominar todo o movimento monárquico e nacionalista extremo. Sem crerem na sua base extra-terrena, esses católicos clamavam por maior poder para todas as instituições autoritárias. Essa é, de facto, a atitude primeiro assumida por Drumont e mais tarde endossada por Maurras."


Hannah Arendt

As origens do totalitarismo


(Maurras foi o filósofo-político inspirador de Salazar)


                                   Quadro de Balthus (Balthasar Klossowski): Thérèse Dreaming

Peniche, 17 de Junho de 2017

António Barreto

domingo, 11 de junho de 2023

Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades

 

Dia de Portugal e das Comunidades



Antigamente, o 10 de Junho, era conhecido por “dia da raça”. Um dia, já depois do 25 de abril, mudou-se essa designação para a atual. Não liguei muito ao assunto mas percebi vagamente que havia algum desconforto, alguma inadequação política, com a celebração da “raça”.

Celebrações de raça é coisa que nunca me agradou; pressupõe sempre uma ideia de superioridade, induzindo no respetivo povo uma falsa, perigosa e dispensável ideia de domínio, alimentando nos outros povos uma reserva de conduta prejudicial ao relacionamento entre povos.


Mas faz sentido celebrar a Portugalidade, onde quer que se encontrem os respetivos nacionais, seja em Portugal, seja por esse mundo fora. Afinal, somos um estado-nação com quase nove séculos, com uma história de altos e baixos, mas riquíssima, invulgar, dos que mais cedo, em todo o mundo, definiram as fronteiras do seu território.


De há uns anos para cá, a extrema-esquerda, com o apoio implícito da esquerda moderada, trouxe para o espaço público a questão do racismo e a dos Descobrimentos insistindo, exclusivamente na vertente negativa, com se tivessem sido, exclusivamente, um mal para a humanidade, algo de que nos devamos envergonhar.


Por outro lado é hoje bem patente, de forma quase explícita, a hostilidade dos referidos setores ao mundo rural e à igreja católica. Uma tendência que ocorre desde a 1ª Revolução Liberal - 1820 -, que se acentuou com a 2ª Revolução liberal - 1834 - e na 1ª República – 1910/1926, atenuando-se na ditadura militar - 1926/1974 – voltando a afirmar-se, mais ou menos discretamente, depois do 25 de abril na democracia de pendor socialista que vigora.


Uma série de fatores tem contribuído para o declínio do Mundo Rural; migração das novas gerações para as cidades, excesso de regulamentação, falta de segurança, expansão do Estado, etc.


Comam carapau”; exclamou uma ministra ao ser questionada publicamente acerca das consequências da brutal redução da cota de pesca da sardinha imposta por Bruxelas.


Recentemente, a ministra da agricultura fez gala em destratar os dirigentes da principal associação de agricultores justificando a falta de apoios governamentais com a não adesão ao projeto eleitoral do seu partido.


Incêndios e enxurradas devastam os campos deixando um rasto de destruição que expõe a inépcia das estrutura públicas de prevenção, coordenação e combate aos mesmos a despeito das avultadas verbas gastas e dos recursos humanos envolvidos.


Na 1ª República, apesar das promessas de democratização do Partido Democrático, o governo de Afonso Costa alterou a lei eleitoral restringindo o direito de voto ao campesinato e retirando-o às mulheres! O medo de perder as eleições foi superior ao seu “amor” à causa da democracia.


Atualmente, apesar do coeficiente de reposição populacional negativo, o apoio à maternidade, consultas de obstetrícia e partos, parece em crise permanente. Há demasiados partos em ambulâncias, há mulheres que morrem em transferências de hospitais, há falta de consulta médicas, etc.


Porém, aprovou-se o aborto e a eutanásia, não faltando apoios àquele, considerado, agora, uma questão de saúde pública. Quanto à eutanásia, negligenciam-se os planos nacionais de cuidados paliativos, mas não faltarão os incentivos à sua prática até porque, segundo referiu recentemente uma “ilustre” deputada, o “direito à vida não é um direito absoluto”, apesar de a Lei Constitucional o definir como inviolável.


Paralelamente, depois da adesão do Governo ao “Pacto das migrações” proposto pela ONU, à revelia da população, tem-se incentivado a imigração maciça e assumido a defesa incondicional dos imigrantes, mesmo em casos de banditismo ou homicídio.


Ao mesmo tempo, implicitamente, por vezes expressamente, acusam-se os portugueses autóctones de racistas, xenófobos, retrógados, obsoletos, homofóbicos, negacionistas, etc., relativizando as preocupações que se vão instalando nas várias comunidades afetadas por este fenómeno.

Foi neste ponto que comecei a convencer-me de que certos setores políticos não gostam dos portugueses e estão determinados em puni-los e até a verem-se livres deles, substituindo-os por gente mais ao seu gosto.


Percebi então que a acusação latente e por vezes explícita de racismo, aos portugueses, não tem a ver com o facto de estes gostarem ou não de povos de outras raças ou religiões, mas tão somente de quererem ser o que são; portugueses fieis à sua cultura tradicional e secular; maioritariamente cristãos, vinculados à família, à sua comunidade, ao trabalho e à propriedade, adquirida com esforço e abnegação. Numa palavra conservadores! Fascistas, no linguarejar rancoroso, persecutório, vingativo, das gentes vinculadas às ideias de Marx, Engels, Trotski e Cª.


Indo um pouco mais longe, apesar do caráter ideologicamente neutro do Movimento dos Capitães, a deriva socialista que se estabeleceu posteriormente, introduziu um conflito político-social, que agora emerge com maior nitidez e que se traduz numa espécie de revanchismo por parte das vítimas da ditadura sobre a restante população que lhes é contemporânea ou as novas gerações conservadoras.


Incapaz de resolver este problema, a democracia enfraquece ao estigmatizar e segregar a população não socialista criando e agravando fraturas sociais e descredibilizando os agentes políticos bem como as instituições da República.


Que o “Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades” seja um momento de união entre todos os que amam Portugal, independentemente da sua origem e condição, mas jamais um pretexto para os grupos próximos do poder hostilizarem os restantes, como sucede nas comemorações do 25 de abril.



                                              JOAQUIN SOROLLA 


Peniche, 11 de Junho de 2023

António Barreto

quinta-feira, 8 de junho de 2023

Do Anti-Semitismo na Europa

 

Do Anti-Semitismo na Europa


...Durante mais de 100 anos o anti-semitismo havia, lenta e gradualmente, penetrado em quase todas as camadas sociais em quase todos os países europeus até emergir como a única questão que podia unir a opinião pública. Era simples este processo: cada classe social que entrava em conflito com o Estado tornava-se anti-semita, porque o único grupo que parecia representar o Estado, identificando-se com ele servilmente, eram os judeus. E a única classe que demonstrou ser quase imune à propaganda anti-semita foram os trabalhadores que, absorvidos pela luta de classes e equipados com a explicação marxista da história, nunca entravam em conflito direto com o Estado, mas só com outra classe social, a burguesia, que os judeus certamente não representavam e da qual nunca haviam sido, até então, parte importante.”

Hannah Arendt – “As Origens do Totalitarismo”


Hannah Arendt 

Peniche, 08/06/2023

António Barreto

domingo, 4 de junho de 2023

"As Origens do Totalitarismo"

 

As Origens do Totalitarismo”

Hannah Arendt


Hannah Arendt (1906/1975), foi uma filósofa política alemã de ascendência judia perseguida pelo nazismo, que escapou aos campos de concentração e se refugiou na América onde permaneceu apátrida, naturalizando-se americana ao fim de 18 anos.


Dedicou-se ao estudo das causas dos refugiados, dos apátridas, dos judeus e do totalitarismo. Conhecedora profunda dos movimentos sociais e políticos dos séculos XIX e XX, trouxe para o espaço público o seu vasto conhecimento das origens - em especial do anti-semitismo - das características e das dinâmicas que produziram os regimes totalitários da época, o nazismo e o comunismo.


Discípula de Martin Heideggar, estudiosa da obra de Kant, a Teoria da Razão Pura, as suas principais obras são, “As Origens do Totalitarismo”, “A Condição Humana” e Eichmann em Jerusalém.


Deparando-me, frequentemente com referências de outros autores às suas ideias, avancei para a leitura de “As Origens do Totalitarismo”, obra cuja 1ª edição foi publicada em 1951, sendo esta a 9ª edição. Um belo exemplar de 600 páginas, com papel de boa cor e textura e letras de confortável tamanho e contraste.

   

   Só após o primeiro terço me convenci da qualidade da obra, até aí exposição das ideias é tão fracionada que dificultava a sua articulação coerente. Cheguei a duvidar da tradução, pronto a abandonar a leitura. Nenhuma obra, por maior que seja a sua qualidade intrínseca, resiste a uma tradução literal. Ultrapassada esta “crise” revelou-se-me todo o fascínio do conhecimento e pensamento da autora. De tal modo que decidi ler as restantes numa próxima oportunidade.


   Um dos temas que me chamou a atenção é o dos “povos eleitos”; afinal, além dos judeus, também alemães e russos se consideram detentores desse suposto desígnio divino! Esta cultura transgeracional acaba por se traduzir, a partir das elites intelectuais, na assunção geral da responsabilidade de conduzir um povo à “salvação” do mundo. É esta uma das causas do totalitarismo; a salvação futura, impossível de confirmar na época.


   Acontece que na cultura portuguesa também há vestígios de ideias semelhantes. A ideia do 5º império foi referida por Agostinho da Silva como desígnio transcendental dos portugueses! Desconheço os fundamentos desta teoria, a não ser, eventualmente, a conhecida gesta marítima. Não me agrada; os povos, os partidos, os homens providenciais que querem salvar o mundo, são perigosos.

   

   Outro dos temas “revelação”, é o das origens do imperialismo; foi em 1884, na sequência da Conferência de Berlim, em que foi efetuada a partilha da África pelos países europeus, carentes de matérias-primas e novos mercados para sustentação das suas economias, a que a revolução tecnológica dera nova expressão.


  Talvez resida aqui o fundamento da ideia da diferença da colonização portuguesa face às subsequentes. Certo é que este acontecimento despoletou uma série de acontecimentos cujas consequências se refletem nos dias de hoje.


    A ideia de nação e estado-nação ficou-me, finalmente clara com o exemplo dos judeus; um povo com uma cultura comum, interligado por laços familiares e espalhado pela Europa e pelo mundo, sem território próprio - até 1948 -, apesar do vínculo a diversos países.


O caso dos ciganos não é abordado mas parece-me ter contornos semelhantes, dada a resistência secular geral à integração nos países onde habitam, à persistência de uma estrutura social própria, diferenciada, anacrónica, e a dedicação a atividades económicas informais, geralmente nas franjas da marginalidade. Porém, contrariamente aos judeus não lhes é conhecido histórico de proximidade ao poder nem o envolvimento em atividades bancárias ou de administração pública.


Refugiados e apátridas na Europa - condição a que a autora esteve sujeita -, foi e é uma realidade com uma dimensão e impacto que estava longe de supor. As sucessivas guerras europeias travadas ao longo dos séculos, as consequentes alterações da respetiva geografia política, geraram milhares, milhões de refugiados, muitos dos quais se tornaram apátridas; gente cujos países de origem foram suprimidos, simultaneamente rejeitada pelos países de refúgio, ou tolerada por estes sem o estatuto de cidadania.


O caso dos Judeus é tratado com grande profundidade e detalhe, identificando as causas prováveis da segregação de que foram vítimas históricas; a auto-convicção de “povo escolhido”, o hermetismo das suas comunidades recusando a assimilação, a quase indigência de vastas comunidades, a proximidade do poder de outras, o exercício de funções de nomeação no topo das administrações, e o imenso poder que alguns dos seus membros adquiriram no financiamento de regimes absolutistas e até republicanos.


Falsamente acusados pelo partido nacional-socialista alemão de conspiração contra a Alemanha, foram as principais vítimas do genocídio praticado pelo III Reich. Porém, a autora mostra como o anti-semitismo foi muito para além da Alemanha tendo sido praticado também em França - caso Dreyfus -, e na Rússia - “O Homem de Kiev” (minha referência).


Fiquei também a perceber a diferença entre massas e ralé; aquelas constituídas pelos cidadãos alienados, desinteressados da coisa pública, estes pelos excluídos, rejeitados, da atividade económica geral.


Trata também do percurso dos movimentos sociais que deram origem aos regimes totalitários do século XX, o nazismo - focado na questão racial -, e o comunismo - crente no “inevitável” advento do poder universal do operariado -, ambos imbuídos do “supremo” desígnio de salvação da humanidade. Desígnio que, perante as consciências dos respetivos chefes, justificava todas as atrocidades que cometiam.


A caracterização e comparação das correspondentes estruturas de poder, em ambos os casos constituída por um conjunto de órgãos institucionais, governamentais, redundantes, sobrepostos, dispersos, mas de fachada, sendo o poder exercido diretamente pelos respetivos chefes - Hitler e Estaline -, através de correspondentes estruturas policiais secretas, à margem dos respetivos partidos. Qualquer dos totalitarismos alimentava o desígnio de domínio global, no caso do nazismo pela via militar, no caso do comunismo pela ação revolucionária.


Tenebrosas foram as práticas sistemáticas de purgas civis e partidárias, que permitiam, em ambos os regimes, a “perpetuação” do poder dos respetivos chefes. Os métodos eram idênticos; facilitava-se o acesso às carreiras política, governativa, policial e militar de jovens prometedores, cuja inabalável lealdade ao chefe, lhes garantia rápida ascensão hierárquica. Chegado o momento, liquidavam-se os respetivos chefes cuja influência e poder crescera e ameaçava o chefe supremo repetindo-se o processo ciclicamente.


Em ambos os casos consegue-se o mesmo objetivo: o extermínio torna-se processo histórico no qual o Homem apenas sofre aquilo que, de acordo com leis imutáveis, sucederia de qualquer modo. Assim que as vítimas são executadas, a “profecia” transforma-se em álibi retrospetivo: o que sucedeu foi apenas o que havia sido predito.” (Hannah Arendt)



Hanna Arendt


Peniche, 04 de Junho de 2023

António Barreto

domingo, 28 de maio de 2023

PARABÉNS BENFICA!

 

PARABÉNS BENFICA!


O trigésimo oitavo campeonato do Benfica andava esquivo desde há dois anos, mas desta foi de vez e inteiramente merecido.


Foi uma época longa e difícil. Começou em agosto com a fase de apuramento para a Liga dos Campeões, onde a equipa encarnada deixou para trás outras financeiramente mais poderosas comportando-se dignamente, ao classificar-se em primeiro lugar na fase de grupos, soçobrando nos quartos de final perante o “velho conhecido” das lides europeias, o Inter de Milão, com algumas razões de queixa.


Na Liga portuguesa saiu como entrou, no primeiro lugar numa maratona de trinta e quatro jornadas. Apresentando um futebol de ataque e criativo, liderada por um treinador habituado a outro universo desportivo, que, além de competência, trouxe ética e liderança, a equipa foi cativando os adeptos e público em geral, com vitórias, um futebol ofensivo elegante, eficaz, e uma postura desembaraçada e confiante.


Vacilou no último terço do campeonato, supostamente devido a uma sucessão de circunstâncias desfavoráveis; jogos de elevada dificuldade - Braga e Porto - realizados imediatamente a seguir à participação dos seus jogadores nas seleções, afastamento do defesa dinamarquês - por lesão provocada pelo Uribe, que o retirou desse jogo e dos seguintes até à antepenúltima jornada - e uma série de decisões atrabiliárias dos árbitros em alguns jogos - Chaves - que levou a decisão do título até à última jornada.


Os confortáveis dez pontos de diferença para o segundo classificado reduziram-se a quatro e as habituais facilidades para o rival - penáltis e expulsões a “pedido” - alimentaram a dúvida até à última jornada. Nesta, a equipa não vacilou e confirmou, com justiça, o título de campeão nacional 2022-2023.


Pelo meio, alguns infortúnios - lesão do prometedor Draxler - e saída, no último dia da janela de transferências de inverno, do fantástico e campeão mundial, Enzo Fernandez! Com a saída deste a equipa perdeu algum do “perfume” futebolístico e do fulgor com que enche os relvados. Porém algumas revelações e adaptações compensaram esta perda.


António Silva, Gonçalo Ramos, Ursness, e João Neves, estes últimos cada um ao seu estilo, dois “moiros” de trabalho contagiando colegas e adeptos com a sua combatividade e eficácia, mas também Musa, ponta-de-lança temível que ainda há-de dar muitas alegrias ao clube.


Liderança no terreno do valente Otamendi, Grimaldo em versão melhorada, Alexandre Bah a dar solidez ao flanco direito, Chiquinho e Florentino sempre inconformados a varrerem todo o meio-campo, João Mário criativo e estabilizador da equipa, Rafa irreverente e diabólico várias vezes decisivo, Neres o criativo desequilibrador por excelência e o excelente Odisseias algo acima da época anterior.


Na segunda linha, Lucas Veríssimo, a recuperar de cirurgia, o prometedor Morato, sempre pronto a dar o seu contributo, o lutador Gilberto e os “nórdicos” ainda desconhecidos, de quem se espera bons contributos, tendo em conta o histórico do clube com atletas dessas paragens.


Pelo caminho ficaram as Taças de Portugal e da Liga, ambas com episódios de arbitragem recorrentes, que deixaram entre os adeptos a ideia de que teria havido intenção de afastamento da equipa destas provas.


Toda a época decorreu num ambiente hostil para o Benfica, quer pelo tratamento discriminatório das instituições desportivas, com sistemáticas sanções disciplinares e pecuniárias manifestamente exageradas, quer pela comunicação social em geral, com destaque para o CM e o Record, incansáveis a “desenterrar” temas desestabilizadores, quer algumas instituições da República, MP e PJ, com ações espalhafatosas contra o clube, geralmente coincidentes com períodos de apuros para o Governo.


Como pano de fundo de toda a época o tema da centralização dos direitos desportivos foi surgindo no espaço público. Espera-se com isso aumentar a receita global, melhorar a autonomia financeira dos clubes, diminuir o fosso competitivo entre eles, aumentar a imprevisibilidade das competições e com maximizar a receita global.


Devido aos antecedentes históricos nesta matéria não tenho a menor confiança nas instituições desportivas, Liga e Federação, para liderar este processo. Na verdade, o que está, sobretudo, em causa é a apropriação pela Liga do valor de mercado do Benfica para o enfraquecer e reforçar os seus adversários.


A intervenção do atual Governo nesta matéria, impondo a centralização, associada às sucessivas investidas do MP contra o Benfica, a prisão do anterior presidente - mais um -, consolida a ideia de que há setores partidários empenhados em denegrir e diminuir o Benfica, devido, creio, a traumas de natureza política. De outra forma não se compreende a passividade das autoridades perante certas ocorrências, de natureza financeira, judicial e desportiva.


O Benfica é uma nação”; é uma expressão que se vulgarizou e que de quando em vez se repete em ar de brincadeira. Porém, o entusiasmo, a alegria, com que os adeptos festejaram esta conquista, em Portugal e por esse mundo fora, alguns chegando às lágrimas, mostra que há algo de verdade nela. E poderá ser um alerta para todas as instituições, desportivas ou da República, que agem ou colaboram, ainda que por omissão, contra o clube, denegrindo-o, pondo em causa a sua honorabilidade, enxovalhando-o na praça pública de forma sistemática, ignorando ostensivamente todo o contributo que o clube tem dado para o desporto nacional, profissional e não profissional em variadíssimas modalidades e múltiplos os estratos etários.

                                                                   Viva o Benfica!

Peniche, 28 de Maio de 2023

António Barreto


domingo, 14 de maio de 2023

Causas Remotas do 25 de Abril

 

Causas Remotas do 25 de Abril



“...Portugal, três décadas depois da cedência de Roosvelt à URSS das suas possessões africanas, interpunha-se ainda como um escolho inamovível na viabilização do contrato e lutava sozinho contra o condomínio russo-americano e respetivos mecanismos de conquista e anexação.”


“...No dia 25 de Abril de 1974, capitães convictos de salvarem o povo das garras dos exploradores, apoiados por comunistas primários, estudantes analfabetos e intelectuais muito eruditos sobre o imperialismo dos EUA investiram contra a última barreira na Europa contra esse mesmo imperialismo.”


“Ao largo, na costa, uma esquadra americana velava pronta a intervir em favor dos revoltosos marxistas para que as promessas de Roosvelt fossem honradas. A África foi partilhada de harmonia com o esquema habitual: ideologia redentora primeiro; depois financiamentos redentores e divisão equitativa dos lucros entre parceiros sociais.”


“O agente de confiança de Nelson Rockfeller, Frank Carlucci, posando como embaixador dos EUA em Lisboa, como o seu homólogo da KGB, Kalinine, sob travesti semelhante, destacados para consolidar mais esta etapa, desempenharam-se com discrição e eficácia desta missão especial.”


“Os expoentes máximos do Round Table Business, organismo Rockfeller que agrupa os 178 maiores capitalistas do mundo, consideram hoje Portugal como uma das melhores coutadas europeias, tendo o caminho facilitado pela desertificação dos empresários nacionais, liquidados e afastados da competição pela aguerrida matilha comunista, Chase, Morgan, Ford, Rothschild, e o Kremlin tinham vencido juntos mais um lance”


Lourdes Simões de Carvalho, 23 de Março de 1980, em O Dia, citada em: Livro Negro do 25 de Abril, de José Dias de Almeida da Fonseca.


Estaline, Lenine e Kalinine em 1919


Peniche, 14 de Maio de 2023

António Barreto





domingo, 7 de maio de 2023

O Paradoxo do "Homem Novo"

 

O Paradoxo do “Homem Novo”


Nunca foi tão grande, como na nossa época, o desprezo de certas camadas intelectualizadas pelo homem comum. Afastadas do realismo cristão que obriga a consciência a considerar o homem concreto, refugiaram-se num amor abstrato a um homem abstrato que povoa as suas utopias e que sairá numa manhã desconhecida da realização dos seus sonhos. Por isso odeiam o homem concreto - o seu próximo na linguagem e no pensamento cristão - que não é para eles mais que um ser amorfo e desprezível - um produto adulterado pela circunstância burguesa - que o partido transformará pela força no homem novo de amanhã, um homem que eles não são e em que não conseguem transformar-se.”

Fernando Pecheco Amorim - "Manifesto contra a Traição"


Peniche 07 de Maio de 2023

António Barreto


sábado, 29 de abril de 2023

O Lado Sujo do 25 de Abril

 

O Lado Sujo do 25 de Abril


...O MFA e a nova classe política, consciente do que o povo queria e para ganhar a sua confiança, apressou-se a garantir a concretização, e a curto prazo, das suas aspirações.

Foi a fase dos discursos, encontros, debates, mesas-redondas, saneamentos, e, não se esqueça, ocupação, cuidadosa e bem meditada, dos bons lugares na política, na administração e na economia, donde iam chutando, com o maior impudor, os melhores administradores, funcionários, técnicos e cientistas que o país tinha – a sua maior riqueza.

Na primeira reunião da Assembleia do MFA, a que compareceram pouco mais de duzentos oficiais, fizeram-se as primeiras distribuições. Na segunda apareceram cerca de dois mil, tendo-se então chegado algumas vezes a vias de facto e à invocação dos galões na disputa por um lugar num conselho de administração, pois que os melhores eram os das companhias em que o Estado não tinha participação. Nas outras, os lugares de administração não eram remunerados com tanta generosidade. Eles isso sabiam e como os lugares eram poucos para tantos patriotas, decidiram que cada lugar seria ocupado por três oficiais – um da Força Aérea, outro da Marinha e outro das Forças de Terra – ganhando cada um, por inteiro e com acumulação, o que antigamente ganhava um só e cometente. Precisa o Povo de melhor prova de que foi enganado? Devo esclarecer que esta informação me foi dada no momento por um oficial das Forças Armadas que assistiu a estas primeiras reuniões.”

Fernando Pacheco Amorim

Manifesto Contra a Traição


Uma das muitas detenções arbitrárias

Peniche, 29 de Abril de 2023

António Barreto

terça-feira, 25 de abril de 2023

O Prémio Camões e o Oportunismo político

 

O Prémio Camões


É difícil não gostar de Chico Buarque, grande compositor, grande músico, com temas que são autênticos mosaicos sociais, como é o caso de "A Banda". Porém, vinculou-se à promoção do socialismo a expensas do erário público -da lei Ruanet! Nunca pensai! Tal como muitos outros, Gilberto Gil, Cláudia Raia, etc., a troco de chorudos subsídios mensais concedidos pelo governo comunista, fazem parte da "milícia" cultural tão a gosto das esquerdas. Cientes da ingenuidade e boa fé dos cidadãos, que, atraídos por uma canção bonita, tomam por boas as ideias que veicula, dispensando a crítica do conteúdo subjacente às mesmas. Veja-se o exemplo de "A Paz" de Gilberto Gil; uma bela canção que implicitamente, apela à guerra como forma de obter a paz social.


Tenho pena de o dizer, mas não respeito estes artistas; são uma espécie de "pastores" culturais, têm segundas intenções, são falsos. A atribuição deste prémio insere-se neste processo e denuncia o oportunismo dos outorgantes, por sinal da próximos da cor política do homenageado e do atual Presidente do Brasil.


Este, que ascendeu ao cargo por métodos espúrios na sequência de eleições injustas e sem liberdade, pôs em marcha uma ditadura corrupta e repressiva que, pelos vistos, não perturba os anfitriões, tidos, por muitos, por democratas imaculados.


Inevitavelmente, como consequência destas considerações, o Prémio Camões surge como mais um instrumento de promoção do socialismo.


Assim a nobre e bonita finalidade de aproximar culturalmente os povos de língua portuguesa, fica manchada pelo despudorado oportunismo político.


Quase cinquenta anos depois do 25 de Abril, o Povo Português, merece o respeito que caracteriza as democracias adultas.




Peniche, 25 de Abril de 2023

António Barreto

O 25 de Abril . Antecedentes Remotos

 

O 25 de Abril


Antecedentes Remotos


Num artigo publicado em O Dia (23/3/1980) duma série sobre os Rockfellers, Lourdes Simões de Carvalho transcreveu a carta que Roosevelt endereçou em 1941 ao Kremlin – carta que Le Figaro, de Paris, revelou a 7 de Fevereiro de 1951:


Quanto à África, será preciso dar à Espanha e a Portugal compensações pela renúncia dos seus territórios para que haja um melhor equilíbrio mundial. Os Estados Unidos instalar-se-ão aí por direito de conquista e reclamarão inevitavelmente alguns pontos vitais para a zona de tutela americana. Será mais que justo.

Queira transmitir a Staline, meu caro senhor Zabrusky, que para o bem geral e para o aniquilamento do Reich ceder-lhe-emos as colónias africanas se ele refrear a sua propaganda na América e cessar a interferência nos meios laborais”


José Dias de Almeida da Fonseca – “Livro Negro do 25 de Abril”





Peniche, 25 de Abril de 2023

António Barreto