terça-feira, 6 de novembro de 2012
Contributos para um projeto do Benfica:
1. Independência financeira do Grupo Benfica face a instituições que servem os interesses de adversários diretos, distorcendo as regras da concorrência desportiva, nomeadamente no que concerne à alienação dos direitos desportivos e outros.
a.
O controlo financeiro dos adversários constitui
um dos pilares onde tem assentado a hegemonia desportiva do Porto nas últimas
décadas. Com efeito, este clube, conta nas suas hostes com agentes da alta
finança nacional, Américo Amorim, Artur Santos Silva, Alípio Dias, com posições
fortíssimas na banca, quer como acionistas - os dois primeiros - quer como
Administradores - o terceiro, no passado recente. A esta equipa junta-se ainda
Belmiro de Azevedo - e outras figuras relevantes no panorama económico-político
nacional - com o seu vasto império industrial e financeiro. Não admira o pavor
hipocritamente e covardemente disfarçado a que assistimos no mundo do futebol e
conexos.
b.
Com o monopólio dos direitos desportivos
atribuído à Olivedesportos, conjugado com as profundas e históricas ligações
comerciais desta entidade com a FPF e com a debilidade financeira da maioria
dos clubes de futebol e suas SAD, direta ou indiretamente, o mostrengo tem
controlado os seus concorrentes pelo estrangulamento financeiro, incluindo o
Benfica, que, desde Damásio caíu nas suas garras por falta de capacidade de
captação de financiamento alternativo e de desenvolvimento de projetos
económico-desportivos consistentes. A dependência financeira subordina todos os
restantes interesses, incluindo o Desportivo. O Benfica tem sido legalmente
espoliado, pelos “tentáculos financeiros” do mostrengo, do seu património
material e imaterial, com repercussão no desempenho desportivo.
c.
O impacto desta realidade no Benfica, porém, está
longe de se confinar à vertente financeira. A presença no clube de qualquer uma
das empresas de Joaquim Oliveira, representa, para todos os adeptos, sócios e
acionistas, o jugo do mostrengo azul e uma machadada no seu orgulho, tendendo a
instalar-se progressivamente, o conformismo e a resignação, difundindo-se,
insidiosamente, até ao relvado, substituindo a tradição de inconformismo,
competência e valentia, identitários do clube. Esta é, quanto a mim, a razão
maior para o corte de relações comerciais com a Olivedesportos, ainda que não
tivéssemos alternativa. Não há dinheiro que pague o orgulho Benfiquista. Saúdo
a decisão da atual Direção e não tenho dúvidas de que, apesar das dificuldades
iniciais, encontrar-se-ão alternativas bem mais favoráveis, além das sinergias
resultantes da promoção da união dos Benfiquistas que daqui advirão.
d.
No entanto, este tema não se restringe à
Olivedesportos; também o BES está presente em todas as SAD como acionista,
acabando por condicionar a gestão das mesmas aos seus próprios interesses,
funcionando como “cavalo de Tróia” do mostrengo azul. Veria também com muito
bons olhos o afastamento quer do BES quer de Joaquim Oliveira do quadro de
acionistas de referência da nossa SAD.
e.
Tal é ainda o caso da PT cujo departamento de
marketing foi gerido durante largos anos por um confesso adepto azul - ficando
assim esclarecido, para mim, o mistério do financiamento salvador do mostrengo
-, que acabou de reentrar no capital da sport TV, ajudando a resolver as atuais
dificuldades de financiamento desta entidade, quiçá, dotando-a dos recursos de
que necessita para não perder os salvíficos direitos de transmissão dos jogos do
Benfica.
f.
Considero pois que, uma vez alcançada a
sustentabilidade financeira do Grupo Benfica e apesar das condicionantes do
mercado acionista, onde qualquer um pode comprar quaisquer ações desde que
tenha dinheiro, a Direção deve procurar financiamento alternativo e negociar a
saída daquelas entidades da nossa SAD, evitando financiadores comuns aos nossos
adversários diretos. Está aqui bem patente, talvez, o maior inconveniente da
constituição das SAD, que consiste na possibilidade real de intrusão manipulatória
de adversários, ainda que indireta, ainda por cima legalmente.
g.
Não faltarão financiadores ao Benfica, estou
certo; por mim privilegiaria financiadores internos com disponibilidade para um
compromisso de exclusividade, à semelhança do que já acontece com a Sagres, bem
como com entidades idóneas externas com interesse na expansão desportiva
mundial do clube.
h.
Tal exige o contributo de todos os Benfiquistas,
especialmente os melhor colocados, e não apenas da Direção, cabendo
naturalmente a esta, a sagacidade de os mobilizar, identificar e persuadir os
financiadores preferenciais, sempre na perspetiva do conceito win-win.
ET PLURIBUS UNUM
António
Barreto*
Benfica-Guimarães (3-0)
A falta de precisão nos
cruzamentos, denotando alguma ansiedade dos avançados e o bom posicionamento
dos defesas vimaranenses na sua sobrepovoada área,
dificultaram deveras a finalização. Toscano poderia mesmo ter inaugurado o
marcador, não fora a pronta saída de Artur a negar-lhe o tento.
Finalmente, Ola John e Tacuara
fizeram o que se exige a jogadores de elite; progressão pela ala esquerda,
posicionamento cirúrgico, cruzamento milimétrico e cabeceamento mortífero,
indefensável. Um excelente lance de futebol, ilustrando o que este desporto deve
ser; um espetáculo. Com a equipa mais tranquila e os vimaranenses mais ativos, a
dois golos seguintes acabaram por surgir com naturalidade, numa grande
penalidade bem executada pelo Tacuara e num tremendo golo pelo
fabuloso Lima, numa bomba de pé esquerdo ao 1º poste a passe do parceiro de
ataque. Bonito!
Esteve mal o árbitro ao não
assinalar uma grande penalidade cometida sobre o Lima na 1ª parte e muito mal ao
expulsar o jovem André Gomes, impedindo assim o Benfica de dilatar o marcador.
Expulsão, aliás, bem na linha do furacão de castigos a que o Benfica tem sido
sujeito, a todos os níveis, desde o início da época, algo que já não estranhamos
e que, estou convicto, faz parte da estratégia do mostrengo azul de induzir
instabilidade no inimigo, graças à cumplicidade de que parece beneficiar dos
órgãos das instituições desportivas responsáveis pala competição.
A equipa do Benfica desta época
apresenta-se com uma frente de ataque bem mais poderosa, tendo melhorado
sobremaneira capacidade de progressão pelas alas e maior mobilidade e poder de
fogo no eixo. A dinâmica do meio-campo, porém, carece de “afinação” no
posicionamento, recuperação, compensações, transição e qualidade do passe,
afinação esta que, estou certo, não tardará, dada a qualidade dos atletas para o
setor, donde destaco, Matic
Enzo e até o André, todos,
atualmente, em crescendo.
O que me parece, neste momento,
prioritário, é o controlo emocional dos atletas em
qualquer circunstância, pois só assim será possível manter a concentração
tática, o sincronismo coletivo e a qualidade técnica, necessários ao
desmantelamento dos blocos defensivos adversários. Foi o que faltou até ao
primeiro golo, algo que regresso de Luisão poderá ajudar a superar; fizeram-se
muitos cruzamentos, mas de má qualidade, gerando mais ansiedade seguida de mais
descontrolo. Um ciclo vicioso que deve ser evitado a todo o custo. Os blocos
defensivos ultrapassam-se com criatividade, dinâmica, sincronismo e precisão.
Por outro lado, a ansiedade ofensiva conduz à desproteção defensiva, muitas
vezes fatal, como foi no lance do Toscano - perdemos os dois jogos com o Chelsea
na época passada por erros deste tipo. Também o remate de meia-distância, tem
que ser melhorado, induzindo na equipa as movimentações adequadas e no atletas, a convicção necessária ao êxito. Finalmente, o
lado esquerdo da defesa, carece de estabilidade muito rapidamente. Nos jogos de
alto nível, um falhanço deita tudo a perder…sem apelo nem agravo.
Desejo à equipa felicidades para
o próximo jogo da Liga dos Campeões que exige concentração e empenho máximos de
todos, atletas e público.
AB
domingo, 28 de outubro de 2012
Alberto Buela
(Extrato da entrevista de Duarte Branquinho em “O Diabo” de
16.10.2012)
Alberto Buela, filósofo Argentino e professor catedrático, em Lisboa no
dia 6 de Outubro a convite Conselheiro Científico da revista “Finis Mundi” ,
Flávio Gonçalves, deu uma interessante conferência sobre a Teoria da
Dissidência, da qual passo a transcrever as
as mais interessantes.
OD: O que o trouxe aqui?
“…vim pelo vinho verde, que é
melhor que champanhe!...Também já provei bacalhau, que é um peixe de ricos. Os portugueses
são ricos, agora se tornaram pobres, mas que não perderam o bom gosto, o que é fundamental.
…vim a Portugal…,porque sempre me interessou o mundo português, depois porque
queria conhecer um filósofo português, porque a seguir à guerra eram todos
marxistas….”
OD: O tema era a Teoria da Dissidência. De que se trata?
Trata-se de utilizar a
dissidência como um método para terminar com a Teoria do Consenso, com o
pensamento único, com o politicamente correto. A primeira exigência é a
preferência de si mesmo. Saber quem somos, dizer ao outro quem somos e esperar
que nos diga quem é. É um sistema de valores, que são polares em termos
filosóficos. Quer dizer, temos que preferir um ou outro, não podemos querer os
dois. A seguir temos que fazer uma recuperação das tradições nacionais,
reencontrar o nosso “genius loci”. A
dissidência, mata o simulacro em que hoje vivemos.
OD: Falou sobre a Universidade hoje e a ultraespecialização. É um
grande problema?
Sim. As Universidades perderam o sentido, produziram investigadores da “imortalidade
do caranguejo”, ou seja, grandes especialistas no mínimo.
OD: Acha que chegará de novo um tempo para os grandes pensadores, para
os verdadeiros filósofos?
Não sei o que se passará no
futuro porque o vou de Minerva, que é o simbolo da filosofia, parte quando a
realidade já se pôs, ao entardecer. Por isso,nós, os filósofos, cada vez que
falamos do futuro enganamo-nos. Já sobre o passado somos os melhores…Mas este
tema, o do filósofo como aquele que tem uma visão do todo, que tem um
pensamento especulativo, pertence agora aos jornalistas.
OD: Como assim?
Os jornalistas são os novos
filósofos. A Revolução Francesa matou os
filósofos e substituíu-os por ideólogos. A sociedade de consumo matou os
ideólogos e substituíu-os por jornalistas e artistas. É aquilo a que chamo a
pátria locutora. Os jornalistas têm que falar ou ficam sem trabalho. Um
jornalista é um mestre de generalidades. É como um antigo filósofo, sem sê-lo.
As circunstâncias obrigam-no a ser assim.
OD: Porquê?
Porque o que emana da
Universidade é um pensamento conformado, metodologicamente trabalhado. Esse
pensamento é estéril e às pessoas não interessa a esterilidade. O público, que
é quem manda no jornalismo, quer razões gerais. Por isso, um jornalista é um
grande ensaísta. As pessoas querem isso, querem soluções gerais, querem
coerência. Ora na Universidade, hoje em
dia, nada se produz.
OD: Qual é o pior aspeto da crise que atravessamos?
É a representatividade política.
Os partidos políticos de há 50 anos para cá, mais ou menos, tomaram o monopólio
da representatividade política. Claro que, como em qualquer monopólio, não
permitem a participação de outros. Com o passar dos anos, este monopólio acabou
por nos conduzir à crise terminal que estamos a viver.
OD: Era melhor no Estado Novo?
Ninguém pode contestar que
Salazar foi uma das principais referências do Estado do bem-estar. Antes de
Oliveira Salazar, nada! Como Franco ou
Peron, ele inventa o Estado de bem-estar, que consagra os direitos de
segunda geração: o direito ao trabalho, à reforma, às férias, à escolaridade
das crianças, à saúde.
OD: E a seguir?
Por exemplo, na época de Soares,
havia um compromisso. Não podemos comparar a representatividade dessa altura
com a de hoje. Então ainda havia algum compromisso com o socialismo ou outras
ideologias. Agora, os políticos estão apenas comprometidos com eles próprios e
com os seus interesses. Hoje vivemos uma oligarquia partidária.
OD: É essa a causa de tantos protestos?
Sim. Quando falha a
representatividade política, estalam os protestos. Quando a representatividade
é nula, acaba-se na rua. Mas chegamos a um protesto sem conteúdo.
OD: Que pensa dessa vontade do povo?
O povo transformou-se no “público
consumidor”. Chegámos ao máximo da sociedade de consumo. Os políticos de agora,
Hollande, Sarkozy, Zapatero,
Berlusconi, representam oligarquias fechadas. Um corpo endógeno que se alimenta
a si mesmo. Por um lado retiram ao povo a representação política, por outro
lado, recebe da sociedade de consumo um ataque às suas próprias convicções.
OD: O povo está viciado no consumo?
Hegel diz que o consumo é
infinito. Há sempre algo mais a consumir. Há sempre um modelo novo, um mais
recente. Se eu corro atrás do consumo, acabo por me tornar parte do público
consumidor. Heidegger afirma isto também. Mas nós não podemos, porque o consumo
está constantemente a tentar-nos. Estas sociedades opulentas, de massas,
retiraram o caráter político ao povo. É por isso que cada vez que há eleições,
se agitam os fantasmas do dinheiro, do trabalho, da recessão.
OD: É um jogo dos governantes?
O filósofo italiano Massimo Cacciari disse que os governos
vivem do conflito. Vivem da paz aparente. Os governos pós-modernos limitam-se a
administrar os conflitos, não os solucionam. O conflito é parte da sua própria
existência.
OD: A atual crise económica é boa para eles?
Exato. É como para nós nos países
sul-americanos, o tema da insegurança. Em Lisboa não se compara a taxa de
criminalidade com a das cidades
sul-americanas, onde se mata diariamente por nada. A insegurança é, lá,
uma política de Estado. Aqui é a crise económica. A política de Estado é
garantir que não desapareça a conflitualidade.
OD: A representação do peronismo
era uma solução?
Sim, falo da dupla representação,
ou do duplo voto. Era uma representação comunitária. A questão é que era
necessário retirar o monopólio aos partidos políticos e dar uma parte à
comunidade. Havia uma representação política e uma representação laboral. Mas
isto, hoje, nunca será concedido pelos que detêm o poder. O que não significa
que deixemos de propô-lo.
OD: Que acha das manifestações de rua?
A manifestação maciça nas ruas
não tem eco se não tiver uma instituição que a contenha. No peronismo, o povo
solto não existe. Apenas o povo organizado, em instituições sociais, em
sindicato.
OD: Hoje, na Argentina, os sindicatos mantêm essa representação
popular?
Na Argentina, os sindicatos são a
única força que se opõe ao Governo. Em termos de representação, digo que há 13
milhões de trabalhadores e oito milhões estão sindicalizados.
OD: Mas não são sindicatos marxistas, como tantos que há na europa…
Não. Há alguns socialistas e até
uns trotskistas, mas são pequenos. Os maiores são todos peronistas.
OD: Parece que Perón conseguiu que quase todos os argentinos se
considerassem peronistas até hoje…
Costumo dizer que a diferença
entre Salazar, Franco, Stroessner e
Perón, é que os três primeiros estiveram no poder cerca de 40 anos, enquanto
Perón esteve apenas de. No entanto, não há hoje um partido salazarista em
Portugal, um franquista em Espanha, ou um stroessnerista no Paraguai, enquanto
na Argentina quase todos são peronistas.
OD: Qual é esse mistério Argentino?
Perón criou instituições sociais.
Aliás, fê-las criar, não as criou ele; criou as condições para que estas
pudessem surgir. Foi um regime verdadeiramente popular.
OD: Como é que esse regime é visto pela esquerda?
Sempre como “fascista”, claro, com
o discurso do costume…Mas o que acontece é que a esquerda quando vai a votos
obtém um por cento, enquanto os peronistas têm 70 por cento. Nas últimas
eleições presidenciais, por exemplo, os três candidatos eram peronistas.
OD: Como vê o discurso político hoje?
É um discurso que se compromete
sem comprometer ninguém. Em campanha ouvimos dizer de vários políticos que vão
fazer isto e aquilo. Mas depois, quando não fazem, a culpa é dos outros, do
partido, etc. nunca é deles. É um compromisso que não compromete. É o cúmulo do
simulacro.
OD: Geopoliticamente, acha que a América Latina e os países ibéricos
deviam cultivar um entendimento?
Sim, houve pensadores
extraordinários nesse campo, como Oliveira Marques ou António Sardinha, com
todas as limitações do seu tempo. Portugal e Espanha, que é o que me interessa,
que me afeta existencialmente, equivocam-se no caminho. Ninguém pode negar que
um português ou um espanhol seja europeu. Mas não são europeus à maneira
centralizada francesa. São outro tipo de europeus. Pode-se ser um europeu
diferente sem ter que copiar o modelo francês. Nas últimas décadas, Portugal e
Espanha copiaram esse modelo; têm um banco na Alemanha e um parlamento em
Bruxelas. Já não são donos do seu destino. Imagine-se o poder de uma moeda
conjunta entre os países ibéricos, o Brasil e a Argentina, por exemplo. O
Brasil percebeu isto e assume agora um papel central no mundo
hispano-americano, porque vê que Espanha não faz nada e Portugal ainda menos.
OD: Voltando a Salazar, como o vê enquanto homem e estadista?
Salazar foi o último político
justo do Ocidente. Era um homem de uma integridade absoluta. Conheço até casos
em que foram feitos pedidos para a sua santificação. Era um homem honesto e
inteligente, que pensava pela sua própria cabeça. Salazar, como Perón,
distinguiu claramente entre o político e a política. O político é o poder, a
política é a organização do poder. Salazar era um mestre na organização do
poder e ao mesmo tempo tinha uma ideia do poder. Foi um justo porque fez na sua
altura tudo o que devia fazer, sabendo sempre que o que fazia era limitado ao
seu tempo. Procurou a justiça social. Foi um católico no poder e, por isso, um
pré-moderno. Um católico nunca endeusa o Estado, prefere a pessoa, o ser na
comunidade.
AB
Rescaldo eleitoral - Gil Vicente-Benfica (0-3)
Apesar do empenho de alguns arruaceiros que
gravitam em torno do Benfica e se autointitulam Benfiquistas, em denegrir o ato
eleitoral, este, foi um sucesso. Parabéns aos candidatos de ambas as listas,
apesar de algumas picardias a descontar à emotividade e muita adrenalina
característicos destas ocasiões.
Os elementos da lista vitoriosa, nomeadamente o
reeleito Presidente do nosso clube, devem perceber que o voto maciço dos
Benfiquistas não sanciona todos os atos de gestão passada nem significa a mera
expetativa de continuidade. Significa sim, que os sócios lhe reconhecem
capacidade para prosseguir o projeto de consolidação e desenvolvimento
económico e desportivo passível de conduzir o nosso clube à liderança
desportiva nacional e ao mais alto patamar do desporto internacional.
Tal implica a racionalização e otimização de
todas as superestruturas empresariais, administrativas e desportivas sem
concessões à incompetência, à irracionalidade, à deslealdade, à passividade, à
ostensividade ou simples vaidade. É gratificante para qualquer um trabalhar no
Benfica mas…competência em primeiro lugar, não esquecendo a cultura permanente
da mística Benfiquista, apanágio secular do nosso clube.
O Presidente eleito, deve ser magnânimo e, com
sinceridade, convidar os candidatos opositores a apresentarem as suas sugestões
disponibilizando mecanismos de participação institucional regular, a nível
consultivo, durante o mandato agora iniciado. A dissidência é o mecanismo de
evolução por excelência de qualquer entidade, desde que vise o bem comum, neste
caso, do nosso querido clube. E todos seremos necessários.
Os candidatos vencidos, devem perceber que a sua
participação é imprescindível à vida do clube, escrutinando a gestão
estratégica e corrente, identificando fragilidades, erros, apresentando
alternativas, construtivamente, sem ressentimento nem despeito, respeitando os
órgãos legitimamente constituídos e sempre visando o Bem comum.
Porém, devem manter-se, também, vigilantes
relativamente às ameaças externas, nomeadamente dos dirigentes dos clubes
inimigos e adversários, dos organismos desportivos, das corporações dos agentes
desportivos relevantes, da tutela governativa e dos agentes partidários com
relevância no setor. Só assim poderão ajudar a clube na prossecução dos objetivos
comuns e consolidar a sua própria credibilidade.
Finalmente, as figuras idóneas integrantes da
candidatura da lista B, deverão olhar para o universo dos seus apoiantes e
ponderar se, efetivamente, aceitam os arruaceiros, que exercem o seu
autoproclamado Benfiquismo nas fronteiras da marginalidade, promovendo a
violência, a intolerância, o ataque sórdido aos elementos dos órgãos dirigentes
legitimamente constituídos e seus apoiantes, afrontando ostensivamente e estupidamente
a legislação em vigor, colocando o nosso clube em risco de sofrer pesadas
sanções dos poderes instituídos, geralmente coniventes com a desordem que se
instalou no desporto nacional e sempre desejosos de mostrar serviço,
empenhando-se ativamente em “pôr o nosso clube na ordem”.
Para o ex-candidato Rui Rangel, enquanto cidadão
quero dizer-lhe que, a ser verdade o que consta, legal ou não, não acho que
fique bem a um magistrado candidato ao que quer que seja na “sociedade civil”,
aceitar o apoio explícito e ativo de pessoas dependentes do seu magistério
judicial.
Posto isto, é tempo de darmos as mãos, unidos no
combate àqueles que nos tratam dentro e fora do relvado como inimigos, perante
a cumplicidade dos oportunistas e cobardes que todos os dias se demitem das
suas responsabilidades democráticas.
Gil Vicente-Benfica (0-3)
Saúdo a vitória da nossa equipa no jogo de hoje
sobre a honrada equipa do Gil Vicente, em especial a integração e o desempenho
dos jovens portugueses que refletem uma viragem importante na política
desportiva do nosso clube.
Uma palavra de apreço para o Lima pelo excelente
golo, resultante do seu primoroso posicionamento e qualidade técnica, associada
ao cruzamento milimétrico de outro excelente atleta Benfiquista dos quatorze
costados, que é o nosso Maxi.
Enzo Pérez, encheu o campo com o seu empenho e
talento sem regatear esforços, assumindo-se cada vez mais como o grande
dinamizador de todo o jogo da equipa, para nosso regalo.
Ola John, igualmente, mostrou que é um atleta de
eleição, que trata a bola com subtileza mas eficientemente; com excelente
posicionamento e visão de jogo, qualidade e timing no passe, poder de drible
curto estonteante, alta velocidade, profundidade de jogo e grande sentido de
baliza. Está aqui um craque que vai dar que falar.
Não posso deixar de salientar o nosso Artur, com
um par de defesas de alto calibre, mostrando mais uma vez toda a classe que lhe
conhecemos.
Matic, revela-se cada vez mais um guerreiro
fortíssimo dentro do campo, fechando espaços e disputando a bola em cada
milímetro do terreno. O seu entrosamento na equipa e a racionalização do
esforço através de uma gestão eficiente do seu posicionamento, fará dele, em
breve, um atleta de referência no nosso clube e na Europa.
Garay já nos habituou à sua classe que nos empolga,
com o seu posicionamento primoroso e uma capacidade de prestidigitador em
roubar a bola ao adversário quase sem ele dar por ela.
Ao André Gomes e ao Luisinho, em quem depositamos
fundadas espetativas, endereço os parabéns pelas exibições e magníficos golos,
Enfim, todos merecem os parabéns pela vitória num
terreno bem difícil, onde um dos nossos adversários baqueou.
AB
sábado, 27 de outubro de 2012
A hora da verdade
Decide-se hoje o futuro do Benfica. Saúdo ambas as listas, pois apesar dos excessos emocionais de alguns candidatos, a campanha eleitoral foi um exemplo de cultura Democrática, tendo-se debatido publicamente os projetos dos candidatos em disputa, como é apanágio da cultura Benfiquista. Esperemos que o ato eleitoral decorra com a normalidade desejada e que, no momento seguinte, vencedores ou vencidos, nos unamos em defesa do Benfica, que é, também, um forte contributo para a consolidação da Democracia Portuguesa, hoje tão abalada.
O meu apoio vai para a lista A, apesar de reconhecer que tem que promover
alguns ajustes a vários níveis no seu projeto. De facto, a atual Direção
apresenta hoje uma acumulação de know-how relevante, que pretendemos de
excelência, na gestão económica, financeira , desportiva, administrativa e
social, apesar de todas estas áreas deverem ser revistas, optimizadas e
racionalizadas. Também o relacionamento institucional deve ser alvo de análise,
assumindo um papel ativo, multidisciplinar, na defesa dos interesses do clube.
Regozijo-me com o recente anúncio do termo da ligação comercial com a
Olivedesportos, quanto a mim, um cancro no futebol português, ao serviço do
mostrengo azul, que deve ser extirpado de uma vez por todas, a bem do desporto
nacional e dos clubes.
Infelizmente, a lista B, apesar de algumas ideias interessantes, não
apresentou um projeto consistente que permitisse vislumbrar o salto qualitativo
que ambicionamos para o nosso clube, enfermando de várias contradições e de
incontida hostilidade divisionista há muito detetada na blogosfera. É minha
convicção que, esta lista, atribui ao seu presidente candidato uma função
meramente representativa sendo o digníssimo Benfiquista, Fernando Tavares, o
verdadeiro mentor deste projeto. Tive oportunidade de analisar exaustivamente e
em toda a extensão as suas ideias para o nosso clube, em cinco crónicas que
publiquei no blogue Nova Geração que agora republico.
1ª Parte
Introdução: Esta entrevista é mais um motivo de regozijo
para os coordenadores do NG, que desta forma se está a converter num autêntico
espaço de debate aberto sobre o universo Benfica. Os meus parabéns. Oxalá os
colegas Benfiquistas correspondam a este esforço com o empenho que ele
merece.
Recebi a notícia da saída de Fernando Tavares do Benfica com grande surpresa,
deceção e preocupação, pois tinha a convicção de que estava a fazer um bom
trabalho nas amadoras. A parca explicação da Direção, aduzindo divergências de
ordem orçamental sem as quantificar publicamente, levantava a suspeita da
“marginalidade” de tal discordância. Fernando Tavares tinha lutado bravamente
pelo Benfica e a sua saída fazia temer o pior! De qualquer forma, é legítimo
pensar que, a sua saída, tenha provocado um retrocesso ou atraso no
desenvolvimento das modalidades.
Nesta entrevista, Fernando Tavares revela um profundo conhecimento das
estruturas desportivas e administrativas do clube e seus adversários, bem como
ideias claras de promoção do desenvolvimento das modalidades, demonstrando
sempre um amor incondicional ao clube, uma consideração ambígua pelos atuais
dirigentes e a assunção de erros próprios, sem se coibir de fazer a
identificação dos impedimentos ao crescimento competitivo do clube.
Tal postura, até porque se trata de uma pessoa de elevada competência,
deveria suscitar uma resposta séria dos Dirigentes, os quais deveriam ser
convidados pelo dono do Blogue a pronunciar-se, quer pelo respeito pelo
princípio do contraditório, quer pela necessidade de esclarecimento adequado dos
sócios, acionistas e adeptos. É assim que se consubstancia a Democracia que nos
é cara.
2ª Parte
Investimento marginal: Parece-me perfeitamente razoável
assumir um deslizamento moderado num orçamento se tal permitir aumentar
consideravelmente a probabilidade de sucesso. Os custos do insucesso serão
sempre muito maiores. Já tivemos exemplos bem dolorosos desta realidade.
Tomada de poder no clube e na SAD: É uma acusação
gravíssima, com destinatários definidos que não deve ficar por aqui. Refere-se a
altos funcionários não Benfiquistas que, assegura, têm agendas de boicote do
clube e da SAD impedindo o crescimento da sua competitividade desportiva global,
alegando que deveriam subordinar-se funcionalmente aos membros eleitos, devido à
maior legitimidade e empenho destes. Esta afirmação carece de demonstração cabal
e da consequente resposta dos visados, que têm todo o direito de se defender, e
nós, o direito de ser esclarecidos, visto que se trata de um tema fraturante,
que tem de acabar de uma vez por todas. Se por um lado compreendo o desconforto
e a suspeita permanente que paira entre Benfiquistas sobre uma Direção que
contrata para lugares-chave, profissionais adeptos de outros clubes, por outro
lado, também compreendo que a emotividade do dirigente-adepto conduz
frequentemente à irracionalidade e ao descalabro, tal como aconteceu com as
Direções anteriores à atual. Por mim, considero absurda tal acusação, na medida
que, qualquer projeto de tomada de poder num clube, só terá viabilidade se visar
o sucesso do mesmo. O que me importa é saber se as pessoas em questão cumprem
bem ou não a sua função. E é neste domínio que tal acusação tem que ser
sustentada.
Não esqueço o total descrédito e anarquia que se vivia no clube
anteriormente, nem a “deriva” que frequentemente se apodera dos “notáveis” que
se julgam “donos” e “fiéis depositários” do património cultural do clube,
julgando-se legitimados para condicionar a gestão corrente ou estratégica do
clube, acabando por a manietar, condenando-a irremediavelmente ao insucesso.
Devolver ao Benfica a sua grandeza, na atual conjuntura e após o descalabro, é
uma tarefa lenta e árdua, que exige o empenho de todos, cada um no seu posto.
Para bem do clube, é imperativo eliminar esta desconfiança de uma vez por todas,
reconciliando os Benfiquistas, sendo que, tal só será alcançável, com respeito
mútuo.
Autocrítica: Ao reconhecer que deveria ter envolvido mais o
Presidente do clube na sua gestão, demonstra a sua honestidade, mas também
levanta a ponta do véu! Fernando Tavares não gostou de ver reduzida a sua
autonomia em benefício de “um membro não eleito” nem de perder influência junto
do Presidente, opondo-se à cadeia hierárquica, indispensável ao sucesso de
qualquer instituição. Naturalmente, tudo terá ocorrido em circunstâncias de
grande tensão, desfavoráveis ao diálogo. Foi pena.
Confronto de ideias: Sem o afirmar abertamente, FT dá a
entender que o atual Presidente não estimula o debate de ideias, o que, a
verificar-se, é grave, visto que, este, estimula os colaboradores a
envolverem-se na identificação e resolução dos problemas com benefício da
instituição. Dispensar este contributo é um mau ato de gestão que, porém, não
pode pactuar nem com indisciplina ou com permissividade.
Estruturas e formação nas modalidades: Aponta a falta de
profissionalização destas estruturas como principal razão para o défice de
vitórias nas modalidades, bem como falta de aposta na formação no caso do
andebol, apesar do desinvestimento que se tem verificado nas equipas
adversárias; afirmação que parece revestir-se de grande pertinência. Ainda hoje
lamento a saída de Alexander Donner e lamento que FT, não o possa ter
esclarecido, deixando no entanto claro que se tratou de algo muito grave!
Medidas drásticas: A decisão que tomou de retirada do
Benfica na Liga de Basquetebol que terá provocado a implosão desta e propiciado
a ascensão do clube às vitórias nesta modalidade, é um exemplo do tipo de
medidas que, defendo, devem ser tomadas noutras modalidades, incluindo o futebol
sénior. Já quanto ao hóquei refere FT não ter tido apoio presidencial na
implementação do projeto delineado com Carlos Dantas, que devolveria ao clube a
hegemonia na modalidade, revelando-se surpreendido por algumas dessas ideias
terem sido implementadas posteriormente. É possível que assim seja, porém,
apesar do enorme respeito e gratidão que tenho por Carlos Dantas, percebi que o
seu ciclo tinha terminado no Benfica, quando declarou publicamente não saber
porque ganhava o outro clube, em vez de denunciar sem tibiezas as conhecidas “
más práticas da arte” em que é useiro e veseiro, para g´qudio geral.
Incidentes no Basquete: Ao reconhecer não haver inocentes
nos incidentes verificados no recinto do outro clube no jogo que decidiu o
título, FT está a responsabilizar os Atletas, Técnicos e Dirigentes do Benfica,
algo que repudio veementemente. Tal como me parece despeito, a censura que fez
do discurso do Presidente, referindo que teria feito melhor. Aqui esteve mal FT,
pois tratou-se de uma das raras ocasiões em que Filipe Vieira “pegou o toiro
pelos cornos”, algo que deveria fazer com mais frequência.
Venezuelisação: Tal como FT reconhece, trata-se de uma
expressão excessiva e infeliz, acrescento eu, por se tratar de uma referência
deselegante ao Presidente de um clube onde, ao contrário do que insinua, os
sócios exercem livremente a sua soberania nos atos eleitorais ordinários. Mais
uma vez, o despeito ganha terreno ao bom senso.
Estatutos: Partilho do ponto de vista expresso por FT e
considero que as condicionantes introduzidas para admissão dos candidatos
resultarão em graves prejuízos para o clube, embora reconheça a necessidade de
prevenir o aventureirismo ou a infiltração de agentes adversários. Tal como
refere, é um ultraje à tradição Democrática do clube.
3ª Parte
Intolerância: Refere FT com toda a razão, que a intolerância
prejudica o clube, atribuindo a responsabilidade desta atitude aos
“não-Benfiquistas, sendo porém bem conhecida semelhante intolerância dos
opositores aos Dirigentes atuais, não se coibindo muitos deles de recorrer à
ofensa pessoal ao mais alto membro do clube. Esta é uma matéria onde não há
inocentes, impondo-se uma urgente aproximação reconciliatória de todos em nome
dos superiores interesses do Benfica.
José Veiga: Folgo em saber do Benfiquismo, competência e
dedicação de José Veiga atribuindo-lhe coresponsabilidade na penúltima vitória
do campeonato. Desconhecendo as verdadeiras causas da sua saída, era óbvio que
os seus problemas com o fisco tornaram-no um alvo fácil para os adversários e
seus cúmplices, induzindo grande instabilidade em toda a organização do Benfica.
Terá que resolver em definitivo todos esses problemas antes de pensar no
regresso. No entanto fico apreensivo com a convicção com que refere que, a
continuar no clube, José Veiga teria, nesta altura, restituído ao Benfica a
Hegemonia no futebol. Como se pára um Proença, um Olegário, um Batista, um
Soares, um Elmano, etc.? Saberá José Veiga fazê-lo?
Comunicação: As considerações de FT devem ser objeto de
reflexão, embora as considere excessivas. Por outro lado é natural que os órgãos
de comunicação do clube o defendam e evitem envolver-se com quem confunde
crítica construtiva com insulto permanente. A idoneidade de quem critica é
condição para a desejada disponibilidade para o debate. Discordo frontalmente
das restantes considerações que FT faz sobre o tema. Não critico a estratégia de
discrição assumida pela Direção nem concordo com a acusação de protagonismo ao
Diretor de Comunicação, não me parece séria a acusação de controlo da
Comunicação Social nem é séria a acusação ao Presidente de não ser ele próprio a
escrever os seus discursos; é assim em todo o lado, dá as orientações, alguém
escreve e ele confirma. Francamente, lá está o despeito novamente disparando
implícito insulto.
O apoio a Fernando Gomes: Surpreendentemente FT revela
compreensão pela posição assumida pela Direção nesta matéria, não sem dar mais
uma “bicada” nos alegados “conspiradores internos”. Virá alguma boa surpresa a
caminho? Não tardaremos em sabê-lo.
Direitos Televisivos: Com idêntica surpresa restringe o
interesse desta temática ao valor em jogo, indicando como desejável a verba de
30 ME e ao direito de preferência da Olivedesportos! Discordo frontalmente;
quero ver essa gente fora de vez! Simbolizam a subjugação do Benfica e dos
Benfiquistas aos “bandidos” que destroem o futebol e ainda são elogiados!
Competência: É aqui que Fernando Tavares se estatela
estrondosamente! Ao atribuir a escassez de vitórias do clube exclusivamente ao
desleixo e falta de competência, revela, mais uma vez, o profundo ressentimento
que o domina! Ao contrário, é óbvio que o nível de competência global e setorial
no Benfica tem aumentado gradualmente, sendo inegavelmente fundamental torna-la
mais profunda e ampla, o mais rapidamente possível.
Por outro lado, a capacidade de investimento do outro clube resulta do “lugar
cativo” que tem na Liga dos Campeões e da influência que exerce sobre as
instituições desportivas, o que lhe permite alavancar o valor dos seus ativos
humanos, sobrevalorizando-os e tornando ordinárias estas receitas.
Veja-se o exemplo da época em curso; o outro clube, tem um orçamento de 109
ME, tendo contabilizado 50 ME de receitas na venda de atletas! Tal só é possível
pelo baixo grau de incerteza na prova, proporcionado pelos sistemáticos e fatais
“erros” de arbitragem de que beneficia e pela influência que detém na FPF, na
constituição da Seleção Nacional.
Como pode Fernando Tavares ignorar o suporte financeiro do outro clube,
proporcionado pelas suas fortíssimas ligações à banca e aos maiores capitalistas
de Portugal, que lhe tem permitido criar ao Benfica, as maiores dificuldades no
aumento da sua capacidade competitiva global?
Ignorar a influência de toda a panóplia de “investimentos” que vieram a lume
no processo do Apito Dourado, alegadamente, utilizados pelos dirigentes do outro
clube, não é sério!
Nem é sério afirmar que o sistema sempre existiu!
Nem é sério considerar que a competência é suficiente para vencer a
corrupção.
Nem é sério ignorar o suporte político de que beneficia o outro
clube!
Nem é sério afirmar que no outro clube se criou uma cultura de vitória,
quando pratica a intolerância, a violência, o condicionamento do desempenho dos
vários agentes desportivos por múltiplos e repugnantes processos.
Nem é sério afirmar que foram as Direções mais recentes que conduziram o
clube à “autodestruição”, quando se verificou precisamente o contrário.
Nem é sério afirmar o conformismo dos Benfiquistas com a falta de vitórias.
Nem é sério acusar a atual Direção de fomentar a propaganda! Pode exigir-se
mais debate interno, mais participação de Benfiquistas nos órgãos do clube,
maior competência, maior capacidade de intervenção externa, mas não é idóneo
suscitar a anarquia, a indisciplina, o insulto e a divisão de Benfiquistas!
Nem é sério estabelecer qualquer tipo de paralelismo entre “o sistema” dos
tempos de Eriksson e o atual! Não tem comparação possível!
Ao atribuir as vitórias do Benfica à ocorrência de mudanças de ciclo no outro
clube, contradiz-se, revelando falta de sagacidade e o já referido
ressentimento, na medida em que, reconheceu antes dever-se à competência a
última vitória do Benfica e ignora um facto óbvio; As vitórias de Benfica
ocorreram quando o outro clube perdeu influência na Liga! É ou não é? Claro que
é!
Da maior gravidade revestem-se estes pontos de vista proferidos por um
“Embaixador da Ética no Desporto” colaborando com o “Plano Nacional de Ética no
Desporto” a convite do Secretário de Estado do Desporto e Juventude, público
admirador do outro clube e do seu presidente!
O que eu esperaria de um Benfiquista seria a recusa liminar da distinção ou a
exigência de efetivas condições de restabelecimento da ética no desporto…mas não
a “ética” do outro clube!
Espero pois que FT nos informe das condições que impôs ao Secretário de
Estado para aceitar a distinção, sob pena de considerar este, como mais um gesto
de cobertura aos métodos usados pelos dirigentes do outro clube, rejeitando
reconhecer a FT autoridade moral para criticar os atuais Dirigentes do Benfica.
4ª Parte
Rui Costa: Outro espalhanço total de FT! Todos os
Benfiquistas sem exceção confiam em Rui Costa! Todos os Benfiquistas sem exceção
sabem que Rui Costa rejeitaria qualquer ato de desconsideração fosse de quem
fosse! Todos os Benfiquistas sabem que Rui Costa não aceitaria ser mero
figurante na estrutura do clube! É para mim claro que o Presidente quis proteger
RC dos violentos ataques de que estava a ser vítima por parte dos dirigentes do
outro clube e prepará-lo para as tarefas de Direção. Por outro lado, Jorge Jesus
referiu-se, na recente entrevista que deu ao Record, à importância para o clube
do trabalho de scouting de Rui Costa (julgo que se trata da identificação de
jovens talentos nas regiões futebolisticamente relevantes; área em que
obviamente detém talento próprio).
Estrutura e formação: Apesar de FT apresentar ideias
interessantes, este é mais um domínio onde não me convence. Vejamos; deve ter-se
em conta a sua afirmação de necessidade de maior qualificação humana e melhor
orientação, tal como a sugestão de contratar um formador da melhor escola de
futebol, assim como a necessidade de criação de condições que permitam canalizar
para as equipas seniores os jovens talentos da formação.
Mas a formação é precisamente um setor onde a atual Direção tem feito um
trabalho a todos os títulos notável em todos, ou quase todos, os departamentos!
Não o reconhecer indicia má fé! Apontem-se melhoramentos, mas reconheça-se
mérito sob pena de auto-descredibilização! O aumento do número de internacionais
na nossa formação, ao contrário do que refere é um ótimo sinal do excelente
trabalho que se tem feito! FT, sabe perfeitamente que só os grandes talentos
podem aspirar ascender às equipas seniores, especialmente no futebol! Por essa
razão é que se têm cedido atletas para consolidação desportiva e se constituiu a
equipa B.
Ao sugerir a contratação de um formador da escola de futebol francesa para
formar os nossos Técnicos revela perspicácia e pragmatismo, no entanto,
reconhecendo a excelência da escola francesa não a recomendo, por razões
histórico-culturais que não vou agora desenvolver. A melhor escola de futebol
mundial é “nossa”, é brasileira; é este o futebol característico do Benfica;
espetáculo, virtuosismo, autoconfiança, ascendente mental sobre os adversários e
identidade cultural! Ficou demonstrado no passado e é o futuro!
Ficam-lhe muito mal as insinuações que faz sobre o Diretor da Academia
aludindo à sua qualidade de empresário FIFA, deixando no ar a ideia de que há
negócios ocultos. Se sabe ou suspeita de algo, diga-o com clareza, para que o
visado se possa defender e os adeptos ficarem informados. Assim não! Não é
sério! Um empresário FIFA não é necessariamente um bandido e é legítimo supor
que indicia conhecimento do processo mundial de formação, de capacidade de
movimentação nesse meio e de recrutamento de jovens talentos, tal como, aliás
reconhece FT!
Receita para o sucesso: Este é outro capítulo onde Fernando
Tavares me dececiona com um arrazoado de incongruências, demonstrando que o amor
e a dedicação ao Benfica por si só, não habilitam quem quer que seja para
desempenhar altos cargos no clube! Ora então vamos lá dissecar as suas
afirmações:
A cultura de vitória está de novo instalada no clube, graças ao paciente e
competente trabalho da atual Direção, após os desastrosos consulados de Manuel
Damásio e Vale e Azevedo. A cultura de vitória só é possível quando sustentada
em condições que a propiciem. É precisamente o que a atual Direção tem feito;
negá-lo é má-fé! Podem identificar-se erros, sugerir melhoramentos, discordar de
algumas opções, mas a trajetória de crescimento competitivo global é
inegável.
As graves e indecorosas acusações de “tachismo” no Benfica, carecem de
fundamentação; deve indicar quem são os tachistas e porquê; ou seja, deve
exemplificar onde falharam os respetivos desempenhos e mostrar a sua falta de
dedicação! Com tais acusações, Fernando Tavares está a dividir os Benfiquistas,
a lançar um grave labéu sobre pessoas que têm o direito ao bom nome e a fazer o
jogo dos dirigentes do outro clube. Não se faz!
Ao atribuir a razão do sucesso do outro clube à exigência de identificação
incondicional de todos os elementos da sua estrutura e a uma cultura de ódio ao
Benfica, revela desconhecer a realidade profunda, que nos entra pelos olhos
dentro, descredibilizando-se! O fortíssimo apoio económico e político de que
disfruta e que está bem expresso na constituição dos seus órgãos sociais é que é
a razão do miserável sucesso! Tivemos recentemente três grandes demostrações
desta realidade; a receção provocatória ao Pinto por deputados da Nação em plena
Casa da Democracia, Os elogios públicos à mesma personagem do Secretário de
Estado do Desporto e Juventude, a viagem conjunta à Polónia, paga pela FPF, de
membros da FPF, do Governo, do Pinto e do seu staff; a nomeação do Proença para
partidas de alto nível na UEFA!
A atual Direção tem divulgado como nenhuma outra por múltiplas formas a
grandeza do clube; ele são as homenagens nas galas, é o programa Vitórias e
Património, é o departamento de restauro de troféus, é o patrocínio de várias
publicações alusivas ao clube e a atletas, é o Torneio Eusébio, é a criação de
uma TV própria de raiz e a sua internacionalização, é a expansão do número de
associados, etc. Ignorá-lo não é idóneo!
Mas concordo quando refere que não podemos tolerar os enxovalhos que têm sido
praticados contra o nosso clube, com mais competência sim; com mais participação
sim; com mais ambição aceito, mas…com mais união e mais mobilização na denúncia
e combate sem tréguas aos “ladrões” e seus cúmplices onde quer que se
encontrem.
Para que nos possamos defender com eficácia dos nossos “inimigos”, é para mim
claro desde há já muito tempo que os Benfiquistas têm que ter expressão
política, já que os poderes instituídos são “cúmplices” na pouca-vergonha que se
vive no desporto em Portugal. Este é que é o caminho!
5ª Parte
O Futuro: A divisão dos Benfiquistas, fomentada pelos
dirigentes do outro clube, é um facto com responsabilidades de ambos os lados!
Aqui não há inocentes! A intolerância está nos dois lados sendo que um deles
está legitimado por sufrágio eleitoral e o ressentimento do outro impede-o de o
aceitar negando aquela que considera ser a maior virtude do clube! Criou-se o
nefasto mito de que o Benfiquista autêntico é o que contesta e não é bem assim!
O Benfiquista coloca o clube acima de todos os interesses, contesta com
racionalidade e respeita os órgãos do clube! Nada de confusões!
Porque acusa FT a atual Direção de propaganda? Quer que faça o quê? A
apologia dos adversários? Propaganda da oposição que não tem hesitado em lançar
mão do insulto e graves insinuações pessoais? A Direção tem todo o direito e o
dever de dar a conhecer os seus propósitos e de defender os seus pontos de
vista! Já há demasiados detratores entre os adversários!
Como pode FT assegurar “o crescente afastamento de milhares de Benfiquistas”
se o número de sócios tem aumentado continuamente? E como pode assegurar que os
que, eventualmente, abandonem o clube, são, efetivamente Benfiquistas? Em que
consiste a alegada perseguição de que acusa a Direção? Qualquer elemento é livre
de aceitar as diretrizes dos órgãos eleitos ou sair, com fez FT! Qual é o
problema? O Benfica não pode ser uma Arca de Noé nem uma Torre de Babel! Foi
essa uma das razões do desastre!
Então Fernando Tavares não sabe o que fazer? Se há tantos Benfiquistas
discordando, basta-lhe promover uma oposição consistente, elaborar um projeto,
um plano de trabalho, agregar todos os descontentes à sua volta e apresentar-se
a sufrágio, ou apresentar um candidato! Não é assim que se faz em Democracia?
Claro que é! O que um Benfiquista nunca deve fazer é anavalhar o clube pelas
costas!
Já todos sabemos que são as vitórias que consolidam e promovem a expansão de
um clube, no entanto, a atual Direção conseguiu o “milagre” de aumentar
substancialmente o nº de sócios apesar dos escassos sucessos desportivos,
porquê? Porque os simpatizantes do clube reconhecem o bom trabalho que tem sido
feito e sabem que a míngua de vitórias se deve ao lamaçal em que tornou o
futebol Português! É ou não é? Claro que é!
O atual estado lamacento do futebol, combate-se com união, com coragem, com
inteligência e com disciplina identificando corretamente os “inimigos” do clube,
propondo ações idóneas de consolidação e crescimento e não com insultos sórdidos
de natureza pessoal e profissional aos Dirigentes! Isso é o que fazem os
“inimigos” do Benfica! Já chega!
Como se atreve Fernando Tavares a reconhecer o bom trabalho feito pelo atual
Presidente depois de todas as acusações que lhe acaba de fazer? Os “tachistas”
que refere não estavam no clube já no primeiro mandato? E nos mandatos seguintes
não fez nada bom? Ora valha-o Deus!
A respeito de Bagão Félix; fez bem em recusar porque não tem perfil para
Presidente do Benfica, apesar do seu extraordinário amor ao clube e da sua
enorme competência. As suas qualidades humanas são incompatíveis com o mundo
aviltado do futebol. Porque não percebeu isso mesmo Fernando Tavares?
Unidade: A unidade dos Benfiquistas dentro e fora do clube,
não só é possível como indispensável! O Benfica tem que constituir e consolidar
uma rede solidária e leal de Benfiquistas da grande transversalidade e
verticalidade social dispostos a defender o clube, cada um no seu posto.
Afirmar que há uma cultura de derrota no Benfica atual é um ato de má-fé
fortemente divisionista. É mentira! Ninguém no Benfica se conforma com as
derrotas!
Eleições: Outro percalço de FT! Evidentemente que eleições a
meio da época desestabilizam toda a estrutura desportiva afetando a
competitividade de todas as equipas. Por isso devem sempre ser realizadas entre
épocas!
Prioridades: Novo trambolhão de Fernando Tavares que ainda
não compreendeu a nova era do futebol nacional, europeu e mundial! O futebol
industrializou-se e os clubes empresaliarisaram-se! Foi esta a razão da
constituição das SAD! Só o futebol amador não é empresarialisado! Ignorar esta
realidade equivale a meter a cabeça na areia!
Primeiro os resultados, depois a marca? Os bons resultados só serão possíveis
otimizando todas as vertentes com impacto na competitividade, incluindo a
maximização das receitas que a marca proporciona. Assim é que é!
A estratégia de marca está a sufocar o produto? Faz favor; a expansão da
marca está a proporcionar o aumento da competitividade global do clube!
Concordo com a prioridade às vitórias no campeonato, mas um dos fatores que
proporciona estas vitórias é o financiamento direto e indireto que provêm das
boas campanhas europeias, residindo precisamente aqui uma das maiores vantagens
do outro clube que tem tido lugar cativo na Liga dos Campeões! Portanto, sem
financiamento não há vitórias no campeonato e sem boas campanhas europeias não
há financiamento.
Mas em que mundo vive Fernando Tavares?
Projeto ganhador:
Realmente o depoimento de Fernando Tavares é deploravelmente incoerente! Então depois de dizer antes que o Benfica não está em reconstrução diz agora que necessita de uma “limpeza interna”? Então depois de discordar das recentes alterações estatutárias denuncia os Benfiquistas de aviário que, segundo ele integram a estrutura do clube? Então como é que alguém mesmo de aviário, pode ter uma agenda de poder sustentada na incompetência e no insucesso? Ora valha-o Deus.
Conclusão:
Parabéns aos responsáveis por esta entrevista pois permitiram-nos conhecer os fundamentos dos opositores da atual Direção.
Quanto a mim, foi uma profunda deceção na medida em que Fernando Tavares está
muito, mas mesmo muito longe de compreender o futebol e o Benfica, apesar de
apresentar algumas boas ideias, revelando um profundo e compulsivo ressentimento
contra atual Direção que o descredibiliza. Reivindica a legitimidade do
escrutínio, mas não revela o respeito que os elementos dos órgãos legitimamente
constituídos merecem, servindo, mesmo que involuntáriamente, de inspirador do
divisionismo entre Benfiquistas que tanto para gáudio e proveito dos nossos
adversários, que tratam de o alimentar incessantemente!
AB
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terça-feira, 23 de outubro de 2012
Eleições no Benfica 1 - Contributo
Os dados estão lançados para a eleição dos corpos gerentes do Sport Lisboa e
Benfica para o próximo quadriénio. À esperada recandidatura de Filipe Vieira,
juntou-se a de Rui Rangel encabeçando, por fim, os principais críticos da gestão
anterior. Os discursos dos candidatos e seus apoiantes sobem de tom. Espero que
as respetivas campanhas se centrem nos correspondentes projetos, com respeito
mútuo, como é apanágio da cultura benfiquista.
Qualquer projeto para o Benfica terá sempre que visar a prossecução das
vitórias desportivas em todas as frentes, profissionais e amadoras e a difusão
do Benfica e do Benfiquismo – os valores da competência, da valentia, da
lealdade, da universalidade, do humanismo e do patriotismo – quer na frente
interna, quer na frente externa.
Defendo, nesta fase, como principais objetivos estratégicos para a gestão do
Benfica durante o próximo mandato:
1. Independência financeira do Grupo Benfica face a instituições que servem
os interesses de adversários diretos, distorcendo as regras da concorrência
desportiva, nomeadamente no que concerne à alienação dos direitos desportivos e
outros.
2. Prossecução da trajetória de aumento sustentado da competitividade de toda
a atividade desportiva, com especial ênfase no futebol sénior.
3. Reconciliação de todos os Benfiquistas.
4. Redução do passivo financeiro em, pelo menos, 20 %.
5. Refinanciamento do passivo financeiro reduzindo as respetivas taxas de
juro.
6. Restituição do futebol ao Povo de modo a manter o estádio tendencialmente
cheio.
7. Intensificação e diversificação dos processos de participação dos
acionistas e dos sócios na vida do Clube.
8. Intensificação e diversificação da difusão do Benfiquismo na sociedade
Portuguesa, principalmente nas camadas jovens, quer em território nacional, quer
junto das comunidades portuguesas no exterior, quer nos Palop, quer onde se
identifiquem oportunidades emergentes.
9. Constituição de um Conselho Consultivo integrado por personalidades
intrinsecamente Benfiquistas, com peso institucional e profissional incluindo
elementos da lista vencida.
10. Aquisição de competências relevantes em Direito Desportivo interno e
externo habilitantes da participação a todos os níveis, na reforma regulamentar
do desporto e escrutínio permanentemente a sua execução.
11. Introdução na retórica corrente da Direção do Grupo Benfica, na esfera da
sua estrita competência, o questionamento dos agentes políticos e governamentais
relacionados direta ou indirectamente com política desportiva, se necessário,
adequando os estatutos do clube.
12. Otimização da eficácia de todos os meios de comunicação do Grupo, com
especial relevo para a Benfica TV.
13. Elaboração de um projeto consistente na área da comunicação social de
forma a salvaguardar, tanto quanto possível, a fiabilidade dos agentes do setor
e gerindo a difusão das notícias do universo Benfica.
14. Elaboração, com a participação dos associados, um código de ética
Benfiquista vinculativo e fazê-lo aprovar em Assembleia Geral.
15. Definição de uma política de alianças estratégicas duradouras com clubes
nacionais e internacionais garantindo benefícios mútuos.
16. Elaboração de proposta de reforma dos quadros competitivos para o futebol
profissional contemplando a autonomia financeira dos clubes participantes.
17. Elaboração de proposta de reforma das cedências ou aquisição de atletas
entre clubes do mesmo escalão.
18. Avaliação da relevância para a competitividade dos principais clubes
nacionais face aos seus congéneres mundiais, da promoção de um campeonato
europeu em substituição dos nacionais, para os clubes participantes.
Procederei, em crónicas posteriores, ao desenvolvimento de cada um destes
pontos.
AB
sexta-feira, 28 de setembro de 2012
Um manicómio chamado Portugal
Com vénia ao Clube de Oficiais da Marinha Mercante, transcrevo estes exemplos “exemplares” da verdadeira causa da falta de competitividade neste país de gente “doida” (salvo seja):
a) Entre
2014 e 2020, os projetos de apoio à pesca artesanal irão beneficiar de uma taxa
de cofinanciamento comunitário de 75%. Senhores pescadores, tratai de amealhar
os restantes 25%, se puderem. (Esta não conta; é boa!).
b) A
Comissão Europeia vai canalizar para o setor das pescas verbas dos fundos da
Política de coesão, para investimentos em melhoramentos das infraestruturas de
apoio à pesca artesanal, como por exemplo; construção e desassoreamento de
barras. (Esta também não conta; também é boa!).
c) O
“PROMAR”, Programa Operacional de Pescas, tem 65 ME para investimento em
aquicultura e a Noruega vai oferecer a Portugal 58 ME para aplicar em
projetos marítimos ou de saúde. (Esta ainda não conta; também é boa!). A outra
a seguir é para contar; leiam com atenção:
d) O Relatório de Auditoria do Tribunal
de contas diz: “ A aquicultura não tem tido o aumento que se esperava “. E
mais à frente; nos “ Investimentos Produtivos da Aquicultura do programa PROMAR
com incidência sobre a execução de 2010, verificam-se desistências de promotores,
devido a obstáculos na obtenção de licenças, necessárias para apresentação de
candidaturas e na dificuldade de acesso ao crédito bancário. Por isso, a meta
definida de 3200 toneladas de aumento de produção em 2010, ficou longe de ser
atingida”. UAU! Quem se atreve a explicar aos governantes as verdadeiras causas
da perda de competitividade da economia portuguesa? Ora vamos lá pensar em conjunto: Há dinheiro…há
projetos…mas…não há investimentos…por causa do excesso de burocracia! UAU! Má
qui cosa bella!
e) O consumo per capita de peixe na UE é
de 22,3 Kg enquanto a média global é de 16,1 Kg. A produção de pescado
europeia satisfaz 40 % da procura interna. Quer dizer; a EU importa os
restantes 60 %! Agora digo eu; Portugal tem a maior ZEE da europa, que ainda vai ser expandida - esperemos -, desde a adesão
à CEE, depois UE, o esforço de pesca português sofreu uma redução, salvo erro,
entre 60 a 75%. Contudo, apesar da nossa frota residual, apesar da carência da UE
em pescado, apesar de importarmos, aproximadamente 800 MEA, de pescado, o valor
deste em lota tem baixado, continuamente, salvo exceções! Sabem porquê? Porque a
UE, por razões político-económicas do interesse dos que a controlam, abriu as fronteiras à importação de pescado de todo o Mundo (poderão
confirmá-lo nos hipermercados). Má qui cosa bella, mamma mia! (vejam a próxima):
f) Uma
diretiva do Instituto Nacional dos Recursos Biológicos fixou a captura máxima
de sardinha nas 400 toneladas entre Janeiro e Maio de 2012, representando uma
redução de 64 % face a igual período do ano passado. Digo eu; queriam saber
onde anda a sardinha? Mesmo a sério? Pois! O Governo não deixa pescá-la, e os
nossos pescadores não sabem onde ela anda! Quer dizer; há uma forte carência de
sardinha na nossa costa e o Governo, em vez de mandar os “cientistas” estudar o
fenómeno, limita a pesca! Eu vou prá ilha! Tá mesmo à minha frente, quem quer
vir? (ora vejam agora a próxima; é báita fixe!)
g) A
Companhia de Pescarias do Algarve em Olhão, investiu 1,3 ME numa nova fábrica,
que, apesar de ter sido inaugurada há um ano, encontra-se encerrada! Querem
saber porquê? Querem? Mesmo, mas mesmo a sério? Então vão buscar um lençol para enxugar os olhos. Por
falta de ligação à rede municipal de esgotos! O Porto de Pesca de Olhão não
possui tratamento de esgotos e os efluentes descarregam diretamente para a Ria
Formosa! O IPTM responsabiliza o Ministério das Finanças - acho que falta o tal
papel - para ligação da estação elevatória, já construída, à ETAR, também
pronta! Calma; vamos pensar em conjunto;
Um fdp (salvo seja) investiu 1,3 ME, criou não sei quantos postos de trabalho -
riqueza endógena -, tem a fábrica parada a consumir recursos financeiros e o
endividamento da Câmara não chegou para construir o “desgraçado” do ramal de
esgotos? Calma; não é tudo! Então o Porto de Pesca descarrega os efluentes para
a Ria Formosa! Hããããã? E os “desgraçados” dos mariscadores, estão largos
meses do ano paralisados e a passar fome, com as suas famílias, por causa das
toxinas! Já me esquecia; sempre podem passear nas rotundas…! Ninguém
quer ir prá ilha cómigue? É bué da fixe meu!
h) Agora uma
boa: David Melgueiro foi um navegador Português, que, em
1662 e pela primeira vez, navegou do Japão ao Porto pela rota do Pólo Norte (passagem do Nordeste)! Pergunto eu; onde é que este "ladrão" terá ido tirar o curso? Ainda não havia a
Independente nem a Lusófona pois não?
i) Outra boa: Portugal vai ter um novo navio de
investigação ocenográfica! Alto aí; não estejam já a pensar coisas más; não é para
fazer cruzeiros, é para investigar como "devedeser", tá?
j) Esta
é para rir: As Agências das Nações Unidas estão empenhadas em combater o
trabalho infantil na pesca! São encontradas crianças a cozinhar, libertar
redes, limpar e vender peixe. Parece que estão muito atentos ao problema e vão
fazer um documento para publicar em 2012! Digo eu; depois, quando esse
documento sair, deixará de haver trabalho infantil na pesca e meninos atirados
aos crocodilos!
k) Olhem,
vou mas é ver o Benfas, a ver se isto melhora alguma coisa!
l) Parabéns
ao colega Alberto Fontes que foi o autor do referido trabalho publicado na
revista dos “Herdeiros de Vasco da Gama”.
AB
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