As Papoilas do Biscai@: UM COMUNICADO PERTURBADOR: Num futuro muito próximo acabaremos por perceber o que é que se passa nos meandros do futebol português... esta suposta guerra en...
terça-feira, 15 de janeiro de 2013
As Papoilas do Biscai@: UM COMUNICADO PERTURBADOR
As Papoilas do Biscai@: UM COMUNICADO PERTURBADOR: Num futuro muito próximo acabaremos por perceber o que é que se passa nos meandros do futebol português... esta suposta guerra en...
A Holanda tem uma educação inconstitucional, quiçá fascista
Henrique Raposo
Segunda feira, 14 de janeiro de 2013
Cerca de 70 por cento das escolas
na Holanda são privadas. Ou seja, o sistema público de educação da Holanda é
baseado em colégios privados com contratos de associação com o Estado. Em vez
de gastar dinheiro na construção de escolas estatais, o Estado financia
directamente os alunos e as famílias através do pagamento das propinas nos tais
colégios; o colégio recebe x por cada aluno público. Em Portugal, estes
colégios representam apenas 4% da rede escolar. Sim, é verdade que os 70% da
Holanda são um outlier, mas uma curta investigação diz-nos que este modelo é
comum na Bélgica (50%), Espanha (25%), França (20%), Malta (24%), Reino Unido
(16%).
Estamos a falar de escolas
privadas que fazem um grande serviço público. Não é por acaso que acontece o
seguinte: quando ameaçam fechar estes colégios aqui em Portugal, as cidades, as
vilas, as terras, os pais, os alunos, no fundo, as comunidades servidas pelos
ditos colégios levantam-se em peso para os defender. Porquê? Porque são
melhores do que as escolas estatais, muito melhores. Com o mesmo tipo de aluno,
estes colégios conseguem resultados superiores. Mais: conseguem esses
resultados com menos dinheiro. Para o contribuinte, é menos dispendioso
suportar a propina do "João" no colégio privado do que suportar o
"João" na escola estatal do outro lado da rua.
Vamos agora supor que o
primeiro-ministro tinha a coragem e a inteligência para propor uma mudança
estrutural no ensino. Vamos supor que o primeiro-ministro dizia o seguinte:
"portugueses, o nosso ensino tem de mudar, não tem bons resultados e é
demasiado caro. Julgo que existe um modelo superior e, ainda por cima, menos
dispendioso. Seguindo muitos países europeus, iremos apostar nos contratos de
associação com colégios privados. E as escolas estatais desta ou daquela região
vão ser concessionadas às administrações dos colégios privados. Porque não
deixa de ser curioso: com o mesmo tipo de crianças, com as mesmas origens
geográficas e sociais, um colégio com contrato de associação consegue
resultados muito superiores à escola estatal do outro lado da rua. Temos de
aproveitar isso, temos dar às nossas crianças todas as oportunidades. Por isso,
dezenas de experiências-piloto vão arrancar este ano, dezenas de escolas
estatais passarão a ser geridas por colégios privados. Se os resultados
melhorarem, essa mudança será oficializada em todo o país". Ora, no final
deste discurso, já a impressa estaria cheia com a habitual salada de
inconstitucionalidades e neoliberalidades. Estaríamos a melhorar o rendimento
escolar das nossas crianças (com base em dados insofismáveis) e estaríamos a
poupar dinheiro do erário público (com base em dados insofismáveis), mas, pois
claro, tudo isto seria inconstitucional antes do almoço e fascista depois dum
copinho de vinho.
PS: sobre os custos: Auditoria do
Tribunal de Contas revela que alunos das escolas privadas saem mais baratos ao
Estado .
PS: sobre os dados dos diferentes
países, ver Eurydice, 2012, Key Data on Education in Europe.
PS: sobre os resultados,
compare-se, por exemplo, a posição no ranking do Colégio Bartolomeu Dias com as
escolas estatais da mesma zona (Loures, Alverca).
segunda-feira, 14 de janeiro de 2013
Benfica-Porto (2-2); um pouco mais de sol...
Na retina ficaram o golão do Matic e a bomba do Gaitan, mostrando mais uma vez a razão de ser do futebol.
O Porto apresentou-se preocupado
em não perder, muito compacto, apostando no erro do adversário, temendo
claramente o ataque demolidor encarnado. Pressionando alto criou alguma
instabilidade na defesa do Benfica, o que lhe proporcionou o 2º golo, a juntar
à inação da defesa vermelha no 1º. Com a frente de ataque bem aberta e bem
apoiada pelos laterais, dificultou sobremaneira a fluência do jogo adversário
que assim tinha dificuldade em municiar os pontas-de-lança. Porém, em todo o
jogo, os brancos, não criaram uma única oportunidade de golo!
O Benfica entrou algo nervoso,
revelando ainda algum défice de controlo emocional que lhe (nos) custou dois
golos. A excelente reação aos desaires nos golos brancos revelaram caráter e
talento, desmantelando em ambas as ocasiões, a “muralha” defensiva adversária -
era disto que o pereira tinha medo. Muita dificuldade em organizar as saídas e
falta de fluidez nas alas. A entrada de Aimar
quase alterou decisivamente este cenário, devido à sua superior visão de jogo e
à sua extraordinária capacidade em zonas muito povoadas. Então sim, a defesa
branca viu-se em grandes dificuldades devido à amplitude e precisão dos
lançamentos do miolo Benfiquista. Helton salvou
a sua equipa da derrota com uma esplêndida defesa ao colocadíssimo remate do Cardozo, isolado por magistral passe de Gaitan. Faltou meia-distância, faltou eficácia
no jogo aéreo ofensivo e faltou assistência nos ressaltos.
João Ferreira inspirava alguma
tranquilidade face às habituais nomeações para estes jogos, mas…esteve mal! A
gestão disciplinar beneficiou os brancos, permitindo que abusassem do jogo
faltoso. À exceção de um caso na 1ª parte em que o Moutinho viu estrelas, nunca
assinalou, contra aqueles, faltas em zonas perigosas. Perdoou-lhes duas grandes
penalidades; uma num derrube pelas costas sobre Gaitan iniciada ainda antes da
grande-área quando este se acercava da baliza com grande perigo; outro já nos
descontos num derrube a Garay quando
este se movimentava para responder ao cruzamento do Carlos Martins (salvo
erro). Não fiquei esclarecido quanto ao fora de jogo assinalado ao Aimar, que, no lance final rematou ao lado.
Homens do jogo: Matic, Helton e João Ferreira.
Homens do jogo: Matic, Helton e João Ferreira.
Parabéns ao sr. viegas, que,
jogando por fora, viu satisfeito o seu implícito recado. Para o sr. pereira
ofereço-lhe um saco onde poderá meter a viola que para cá trouxe e ir cantar o
fado da desgraçadinha para outra rua. Respeitinho sr pereira, muito respeitinho,
acabando-se as abébias dos homens do apito, outro galo cantará. o Benfica mostrou mais e melhor futebol.
AB
domingo, 13 de janeiro de 2013
Os meus heróis:Mário Dinis
Um abraço quebra-nozes para o Mário Dinis e para o CM.
Notícia do CM de 13.01.2013
"Ele ia morrer, tirei-o a tempo"
"Estão bastante feridos e assustados, mas vivos". Mário Dinis, 52 anos, que anteontem resgatou do mar dois pescadores furtivos que naufragaram devido à forte ondulação, já consegue respirar de alívio. O barco onde seguiam Joaquim Vieira e Fernando Reis deu ontem à costa, próximo do local do naufrágio na praia da Barra, em Ílhavo. Os dois pescadores recuperam em casa.
Esta é mais uma história que Mário Dinis tem para contar. Com os dois salvamentos que fez ontem, já são quatro os homens que retirou do mar. "Já há quem me chame ‘O Anjo da Guarda da Barra’", brincou o empresário, apaixonado pela pesca desportiva, que anteontem salvou da morte dois homens que saíam para a pesca ao robalo.
Esta é mais uma história que Mário Dinis tem para contar. Com os dois salvamentos que fez ontem, já são quatro os homens que retirou do mar. "Já há quem me chame ‘O Anjo da Guarda da Barra’", brincou o empresário, apaixonado pela pesca desportiva, que anteontem salvou da morte dois homens que saíam para a pesca ao robalo.
Rejeitando o título de herói, Mário Dinis conta que quando está no mar, está sempre "preocupado a ver se está tudo bem". Anteontem, cerca das 17h30, quando regressava a terra, apercebeu-se de que os pescadores estavam em perigo.
"O mar tinha vagas muito grandes, e deixei de os ver. Ouvi gritar e avancei de imediato", contou. Junto ao barco, com o colete vestido, Mário encontrou Fernando Reis. "Vi que ele estava seguro e pedi--lhe para esperar", lembrou. Avançou com o barco à procura de Vieira. "Se não chego naquele momento, ele ia morrer. Tirei-o a tempo", suspira, aliviado. O salvamento dos dois homens demorou cerca de uma hora.
sábado, 12 de janeiro de 2013
Um abel das letras
Francisco Joé Viegas está muito preocupado com o árbitro nomeado para o próximo Benfica-Porto, por Filipe Vieira, em tempos, ter referido que confiava em João Ferreira, e por este ter feito o que lhe competia relatando as cenas de violência que testemunhou nos balneários da Luz no final do Benfica- Porto (1-0).
Não consta que se tenha indignado com a não irradiação do desporto dos autores das agressões, nem com a minimização pelo "célebre" Conselho de Justiça da FPF dos castigos que lhes tinham sido aplicados pelo Conselho de Disciplina da LPFP!
Nem consta que se tenha indignado com os erros grosseiros das equipas de Proença, Soares Dias, Xistra, Elmano, Benquerença e outros, que têm permitido ao seu clube açambarcar títulos sem causa!
Nem consta que se tenha indignado perante dirigentes constituidos em conselheiros matrimoniais de árbitros em véspera de estes arbitrarem jogos do seu clube!
Nem consta que se tenha indignado com o ambiente de "terrorismo" verbal criado pelos dirigentes do seu clube sobre Hermínio Loureiro, levando-o a demitir-se da presidência da LPFP. Um ato revelador da subjugação desta ao seu clube por falta de coragem dos respetivos dirigentes!
Nem consta que se tenha indignado com o ambiente de "terrorismo" verbal criado pelos dirigentes do seu clube sobre Hermínio Loureiro, levando-o a demitir-se da presidência da LPFP. Um ato revelador da subjugação desta ao seu clube por falta de coragem dos respetivos dirigentes!
Nem consta que se tenha indignado com a atuação da Justiça no caso do Apito Dourado, ou da PSP do Porto, ou do Ministério Público do Porto, que se revelaram incapazes de condenar alguns arguidos, entre os quais o presidente do seu clube, graças a vicissitudes processuais várias!
Nem consta que se tenha indignado com as alterações introduzidas previamente pelo poder político ao Código Civil, que resultaram na inadmissibilidade das escutas como elemento de prova e da consequente absolvição de alguns dos principais arguidos, perante a perplexidade dos portugueses!
Nem consta que se tenha indignado perante a atitude discriminatória que se tem vindo a observar na cidade do Porto relativamente aos Benfiquistas.
Nem consta que alguma vez se tenha indignado com a escalada de ódio que tem vindo a ser fomentada contra Benfiquistas por figuras do seu clube, a ponto de, com a cumplicidade das autoridades locais, lhes ser vedado o acesso a partes da cidade, de uso exclusivo dos adeptos portistas, como se se tratasse de território sob jurisdição destes!
Nem consta que tenha revelado preocupação pela crescente satelitização dos clubes de futebol ao seu clube, transformando-o em campeão virtual perpétuo!
Nem consta que tenha revelado preocupação pela delapidação de dinheiros públicos resultante do financiamento da construção e manutenção do centro de treinos do Olival, dirigido pelo presidente do seu clube, sem lá ter posto um tostão!
Nem consta que tenha revelado arrependimento pela descortesia com que, implícitamente e reiteradamente, tratou o Spor Lisboa e Benfica e os seus 14 milhões de adeptos, enquanto Secretário de Estado da Cultura do Governo da Nação (não do "Governo do Porto")!
Durante muito tempo acreditei que o Sr. Viegas era um Portista; pela cordialidade que habitualmente exibe, pela empatia que a sua figura suscita, pela sua condição de homem de cultura. Humanismo, patriotismo e universalismo pareciam-me qualidades evidentes.
Afinal é apenas mais um guarda abel...das letras! Em vez da metralhadora usa a caneta mas...a mesma merda habita a sua cabeça.
Sr Francisco José Viegas, vá regar o manjerico ff!
Afinal é apenas mais um guarda abel...das letras! Em vez da metralhadora usa a caneta mas...a mesma merda habita a sua cabeça.
Sr Francisco José Viegas, vá regar o manjerico ff!
AB
Honra e Dever (Alpoim Calvão): "Operações Torpedo" e "Bandim"
Enquanto
se ultimavam os preparativos da operação “Torpedo”, Alpoim Calvão tem
conhecimento de que no rescaldo dos granéis (incidentes) do Copolim, dois marinheiros
se encontravam sob prisão nas Instalações Navais de Bissau (INAB). Eram dois
corrécios, cujos nomes de guerra não deixavam margem para dúvidas, atestando
bem o caráter daqueles homens: “Tarzan” e “Mil Diabos”. E quando pergunta se
está tudo pronto para embarcar, o oficial de serviço às INAB, segundo-Tenente
Salgado Soares, informa comprometido:
- Há dois elementos que dizem que não vão
porque estão presos e não podem nem querem ir.
- Mais do que
ninguém esses homens têm que ir - responde peremtóriamente Calvão.
Tinham
sido eles os causadores de toda aquela situação, era inaceitável ficarem agora
de parte. Constata, no entanto, com alguma surpresa, que tanto dos oficiais do
destacamento como do oficial de serviço às INAB, não havia grande empenho em
fazer os homens mudarem de decisão. Assim, vai ele próprio tratar do assunto.
“Resolvi pessoalmente fazê-los embarcar. Chamei o oficial de serviço para ir
comigo e levar a chave para abrir a porta. Entrei na prisão e lá dentro, não
disse nem bom dia nem boa tarde nem boa noite, a primeira coisa que faço, é
tirar os galões dos ombros, entrega-los ao oficial de serviço e dizer:
-
Meus amigos, fazem favor venham daí que
vocês têm de ir à operação. Vocês fazem parte do destacamento e têm de ir. E,
não fossem estar distraídos, acrescentei:
- Ah, e se querem discutir comigo eu já
estou sem galões nos ombros…
Bom, eles lá perceberam qual era
o tipo de discussão a que me referia, e eu preparei-me para qualquer
eventualidade, mas eles caíram em si e lá resolveram seguir para a operação:
-Comandante, a gente vai, mas…
- Não há mas nem
meio mas! Vocês vão e pronto!
E foram. Mandei chamar o
comandante do destacamento e disse-lhe que os dois homens também iam na
operação e levavam o morteiro 81 às costas, um carregava o prato e outro o
tubo. Assim sucedeu e a coisa correu bem.
(tratava-se da preparação da
operação “Torpedo”, atribuída a título de castigo ao DFE7 - Destacamento de
Fuzileiros Especiais N.º 7 - por violação das ordens do Governador por parte
daqueles fuzileiros, que visavam o bom relacionamento e proteção das populações
locais. Esta operação consistia no desembarque e “varrimento” da ilha do Como,
suposto santuário dos guerrilheiros do PAIGC)
Pág. 201:
(O navio motor “Bandim” fora
capturado aos portugueses pelos guerrilheiros do PAIGC na sequência de uma emboscada
na subida sem escolta, no rio Cacine e, em Maio de 1963, sendo a partir daí
vital para reabastecimento da guerrilha)
Extrato do relatório de Alpoim
Calvão de 7 de Março, da operação de neutralização do navio motor “Bandim”
(pág. 203):
…Às 19.10 começou-se a distinguir no azimute
070 o ruído dum motor que se foi avolumando e pelas 1930 avistou-se, a cerca de
200 metros a silhueta do N/M Bandim que levava somente uma pequena luz acesa na
casa do leme. Mandou-se arrancar com os motores tendo os botes largado quase
simultaneamente com ligeiro atraso do bote n.º 2, cujo motor demorou mais tempo
a pegar. O bote n.º 1 colocou-se nos setores de popa do Bandim, enquanto o n.º
2 seguia a ocupar uma posição no través de EB. O bote n.º 1 fez tiro de LGF
88.9 a 150 metros de distância, tendo-se o rebentamento verificado muito perto
do alvo, enquanto se abria fogo de MG 42.
O Bandim respondeu
com fogo de armamento ligeiro automático, guinando acentuadamente para a margem
da REP. GUINÉ.
Entretanto
continuou-se a fazer fogo de bazuca, obtendo-se um impacte em cheio ao 3º tiro,
manobrando os botes rapidamente, procurando manter uma posição desfasada de
90º, em relação ao objetivo.
Da posição 10º 54’.6
N 15º 02’.03 W, a oeste da VILA de KADINE, verificaram-se muitas tracejantes de
metralhadora antiaérea - calculadas em número de seis – na direção aproximada
do local do contacto, mas passando bastante altas. Desse mesmo ponto, foi feito
tiro de artilharia ou de morteiro de grande calibre, em vários azimutes, ouvindo-se
um total de 20 rebentamentos, uns curtos outros compridos, revelando uma certa
desorientação. Simultaneamente e a N desta posição, já na nossa ILHA de
CANEFAQUE, fez fogo uma metralhadora pesada, com tiro tracejante, ao lume de
água, bastante mais ajustado. Da canoa referida anteriormente, foi feito fogo
de PPSH, sobre os botes, tendo contudo retirado rapidamente da zona de contacto.
O combate com
BANDIM continuou, obtendo-se outro impacte de LGF, que obrigou o alvo a começar
a navegar em círculo., acabando por penetrar num esteiro, encalhando
profundamente na posição 10º 56.1’ N 15º 00.6’ W, e desaparecendo da nossa
vista. Perseguiu-se o BANDIM por dentro do esteiro, obtendo-se novo impacte de
LGF, aproximando-nos a cerca de 10 metros para o lançamento de granadas de mão.
Do tarrafo foi feito fogo de arma automática, a que se respondeu com rajada de
MG 42, abordando-se o navio.
Logo que se
penetrou no N/M BANDIM, foram encontrados vários indivíduos mortos –
posteriormente veio-se a verificar que eram seis -, dois dos quais junto à
entrada da casa da máquina e da casa do leme.
……………………………………………………………………………………………………………………………………………………
O fogo foi lançado
por meio de uma granada de mão defensiva, lançada para o interior da casa das
máquinas. O BANDIM começou a arder lentamente e só, quando os botes alcançaram
o meio do rio Inxanxe, se verificou uma explosão surda, seguida de altas
labaredas. Quando se alcançou o R/V
(rendez-vouz) ainda se distinguia nitidamente o clarão do BANDIM.
…O marinheiro “Setúbal” foi um dos cantores à força: “O regresso foi difícil porque não dávamos
com o patrulha. Então, resolveu mandar-nos cantar explicando-nos que o som
junto à água se propaga mais depressa. Ainda tentei resistir, mas era
impossível, todos tínhamos que cantar, não havia exceções. Ele desatou a cantar
a Samaritana, depois óperas, e só descansou quando por fim, bastante tempo mais
tarde, lá vimos a luz do patrulha e viemos embora.
(o local do RV era um cabeço no
meio do rio, onde os fuzileiros aguardaram o patrulha)
(continua)
sexta-feira, 11 de janeiro de 2013
Benfica-Académica (3-1 Taça da Liga)
Muitos criticaram o excesso de contratações sem justificação à vista, devido a vários fracassos mais evidentes. Estes continuarão inevitávelmente a ocorrer, tendencialmente com menor frequência dada a natural "afinação" da área da deteção e recrutamento, área esta com peso estratégico decisivo na sustentabilidade dos clubes de futebol atual. Estruturar este plantel alargado é tarefa muito delicada, na medida em que deverá contemplar resposta para todos os setores da equipa e um escalonamento etário que permita responder à inevitável e sempre crítica renovação.
Esta foi uma medida de gestão estratégica de grande alcance, que deverá ser creditada aos dirigentes do meu clube e que, não tenho dúvidas, o conduzirá a superior patamar competitivo, compatível com o seu formidável historial desportivo do Benfica. O esforço efetuado para manter a atual equipa técnica proporcionou a estabilidade sem a qual isto não seria possível. Fomentar instabilidade a todos os níveis é a estratégia dominante dos nossos adversários, complementada com o tal negócio da fruta.
Ocorreu-me isto dada a forma tranquila e eficaz com que a equipa técnica e os atletas têm ultrapassado todas as sucessivas dificuldades que se têm verificado. Tal traduzir-se-á em ganhos de confiança, induzindo instabilidade nos adversários ao perceberam ineficazes os tradicionais métodos de desestabilização que utilizam.
O resultado deste trabalho esteve patente neste jogo, pela quantidade de atletas menos frequentemente utilizados e pelo resultado obtido.
Desde que o vi jogar no clube criei espetativas elevadas relativamente a Kardec; bom porte atlético, boa técnica de remate - dois pés? -, sobretudo, exímio cabeceador; ao nível das grandes tradições do clube neste particular. Pareceu-me ter dificuldade em pisar o terreno a preceito; parece inconsequente sem e com bola. Marcou um golo muito oportuno - o passe do "João", como habitualmente, foi fabuloso - e a assistência para o 2º do Lima foi soberba. Em ambos os lances apareceu no sítio certo, com a visão correta e o gesto técnico adequado. Parabéns, Reganhei a espetativa inicial e estou convicto que Jorge Jesus vai fazer dele um jogador de categoria. Paciência, inteligência e perseverança são os atributos necessários. Oxalá não faltem.
Passes a rasgar e meia distância são duas características de André Gomes que muito me agradam, até porque são apanágio das equipas do Benfica ao longo dos tempos. Há que continuar com humildade e galhardia.
Rodrick voltou e necessita de jogar para desenvolver e consolidar as qualidades que sabemos que tem.
Lima esteve soberbo e, não tarda, terá o seu hat-trick.
Já Bruno César está claramente desmotivado por ver o comboio a fugir. Não desanime. Ponha as suas enormes qualidades no terreno, trabalhe, atente à orientação do Treinador e melhores dias virão. O Benfica é um clube de inveterados lutadores.
Não me pareceu mal a equipa de arbitragem, contráriamente aos comentadores, que estiveram desastrados, reinventando os factos, eventualmente, por imposição editorial.
Dados os antecedentes, temi o pior. A Académica é um clube satélite dos "brancos" que, tradicionalmente, beneficia de erros grosseiros de arbitragem, nomeadamente contra o Benfica. Receava uma razia, mas, felizmente, enganei-me.
Mas não me engano na convicção de que, com equipas jogando em 45 metros do relvado, o futebol português não tem futuro. Tal foi o caso deste adversário e de muitos dos anteriores. Quem trata de resolver este assunto?
AB
quinta-feira, 10 de janeiro de 2013
Não querem cortes? Ok, defendam aumento de impostos
Henrique Raposo
É a coisa mais cansativa do debate em Portugal: a falta de coerência, a falta de coragem para se assumir as consequências da escolha x ou y. As pessoas, organismos e partidos que estão a berrar contra os cortes propostos pelo FMI também gemem contra o aumento de impostos. Gritam contra tudo, querem tudo, querem uma coisa e o seu contrário, querem manter ou aumentar a despesa, mas, ora essa, são contra mais impostos. Vamos lá ver se nos entendemos: esta boa gente pode criticar à vontadinha os cortes, mas, depois da gritaria, tem de ser consequente. Caso contrário, esta turma indignada entra no terreno do populismo. O que é o populismo? É a aldrabice política que diz às pessoas aquilo que elas querem ouvir. E ainda por aí muita aldrabice travestida de "defesa da Constituição".
Se quiser ter um mínimo de coerência, a tribo do não-me-toques na despesa tem de responder a duas questões. Primeira: se grande parte da despesa do Estado é mantida pela dívida, como é que vamos manter essa despesa num cenário marcado pela escassez ou ausência de crédito para o Estado português? E imaginemos um cenário pós-troika: sem o professor alemão na sala, vamos voltar a emitir dívida como um bulímico? Vamos repetir a receita Sócrates, isto é, aumentar a dívida pública em 93%? E como é que se governa à esquerda sem um aumento da dívida, isto é, sem uma crescente dependência dos mercados? Até hoje ninguém respondeu a isto.
Segunda questão: é possível manter os níveis de despesa (que aumentam automaticamente devido aos direitos adquiridos) sem um aumento de impostos? Não, não é possível. Lamento, mas a matemática limita o livre-arbítrio nestas matérias chatinhas. Se quiser ser honesta intelectualmente, esta boa gente tem de defender um aumento massivo de impostos para a classe média. Sim, para toda a gente. Não me venham com a história dos ricos: se expropriássemos neste momento as maiores fortunas do país, ficaríamos com dinheiro para pagar, sei lá, o buraco das empresas de transportes públicos de Lisboa e Porto. E o resto? Quem pagava? Depardieu? Portanto, se não quer cortes, se acha que o Estado está ótimo, a tribo da gritaria só tem uma opção política respeitável: afirmar que um aumento brutal de impostos é um bem em si mesmo. Na política, o livre-arbítrio tem limites, porque as escolhas que fazemos têm sempre consequências, mesmo quando as pessoas recusam vê-las. Diz que é a vidinha.
quarta-feira, 9 de janeiro de 2013
Masobenfiquismo
1º Ato:
As famílias comemoravam, no local
da boda, o aniversário do casório dos seus rebentos. Pelo canto do olho, ia observando o andamento do jogo do Benfica
com, não sei que clube, para o campeonato. - Têm-se feito grandes progressos no futebol do Benfica. Disse
eu, dando alguns exemplos. - Ah!, mas ainda há muito por fazer, a equipa ainda
não funciona bem…os gajos lá de cima estão muito fortes…eu…sou Benfiquista mas
sei ver as coisas…
2º Ato:
Abri a
porta do gabinete, com vista para o mar, do Mário, onde ia tratar de negócios. -
Bom dia, está bom? - Tudo bem e você?. -Também; o benfas ganhou, que se lixe o
resto. Retorqui satisfeito, enquanto puxava de uma cadeira. - Pois…eu…sou...Benfiquista, mas…não sou assim…doente!,
aqueles gajos lá de cima não têm vergonha!
3º Ato:
- Já sabia que estavas aqui
Jorge. Disse, ao entrar com o júnior no café dos círios onde diariamente
tomamos a bica do almoço, ao vê-lo apoiado no balcão tagarelando com o João.
- O cheiro a suor, nota-se ao longe!, só podias ser tu! Gracejei,
aludindo à sua tradicional descontração, puxando o jornal da mesa do lado e perguntando
num fole, divertido, ao amigo João, que já tirava as bicas da velha máquina. -
Então Sr João, morreram muitos? - Acho que não. Respondeu, com as bicas
fumegantes em nossa direção e um sorriso cúmplice. - Gostou do Jogo?
Perguntei-lhe. - É pá!, grande frango deu o Artur! Respondeu de imediato o
Jorge. Com o à vontade que a nossa amizade permite retorqui de imediato: - é
pá és mesmo um Benfiquista rasteirinho, pequenino…então, com tanta coisa boa
que aconteceu no jogo, o que te ocorre de imediato, é o frango do Artur? - É pá, sou Benfiquista mas sei ver
o que está mal…não é só as coisas boas! Respondeu o Jorge, continuando: -
Rasteirinho…pois…já sei…resmungou entredentes, dirigindo-se
apressadamente à saída. Desatámos a rir. Eu, o júnior, o Jorge e o João,
somos Benfiquistas.
O Jogo em causa era o
Estoril-Benfica realizado na noite de sábado - 5.01.2013 -, onde a equipa do
meu clube marcou três tentos de alto gabarito para gáudio dos amantes de
futebol, com destaque para o do Gaitan, graças
a um gesto técnico que nunca vi fazer a quem quer que seja nem de tal coisa ouvi falar!
Conclusão:
Não sei quando começou nem sei
bem porquê, mas há muito que se criou o mito da elevada exigência dos sócios e
adeptos do Benfica. Uma suposta exigência diferente da dos adeptos dos outros
clubes, por ser mais esclarecida e menos tolerante, baseado no pressuposto da
sua alegada maior cultura desportiva, maior capacidade auto-crítica e de confronto sem concessões; seja relativa ao jogo,
ou à gestão do clube. Esta teoria tem que se lhe
diga e, em geral, não acredito nela, hoje mais convicto que ontem.
O que é certo é que esta
“doutrina” fez escola entre os Benfiquistas. De tal modo que, Benfiquista que se preze, seja onde
for, trata de explanar a sua superioridade de adepto, começando por,
doutamente, dizer mal do seu clube, justificando os insucessos com erros próprios,
pondo-se assim a coberto da dialética de confronto com adeptos
adversários, cujos clubes, frequentemente, acabarão por elogiar, relativizando as
mais grotescas e despudoradas trafulhices que não poucas vezes estes praticam ou
promovem.
Ou seja; fazendo passar a mensagem do “deixem-me em
paz, pois até acho que têm razão”. Em suma, entendo que, na maior parte dos
casos, se trata de seguidismo amarelo. Lembra-me aquele pai que, assistindo à
derrota do filho vítima de adversidade ou artimanhas várias,
despeitado, em vez de o acarinhar e incentivar, o envergonha e humilha!
Esqueceram a primordial razão que
esteve na origem da constituição do clube; o prazer da prática desportiva, a
solidariedade, a amizade, a competência, a lealdade e a união. A frase que, no emblema, apela à união, não está lá por acaso. Os fundadores do Benfica sabiam
que era condição necessária para a construção de um grande clube tal como o
idealizaram. A história dos sucessos do Benfica tem este vínculo! Vínculo que,
em boa parte, se perdeu devido a esta deriva da cultura desportiva em que o “espírito
de grupo” deu lugar à crítica compulsiva, sectária e, muitas vezes, acéfala, com a
justificação da "falsa" exigência como condição para o progresso desportivo.
Não é
possível criticar consequentemente sem considerar o universo envolvente;
entendê-lo, compreender as suas âncoras e as suas dinâmicas. É neste contexto
que deve ser feita a análise e a crítica interna, num clima de cordialidade ou
até de crispação, nunca esquecendo que ninguém é dono do Benfica e que nenhuma
entidade progride sem algum tipo de disciplina.
É pois tempo de regressar às
origens, recuperando o espírito fundador, compilando e publicando em modo
acessível, toda a documentação produzida pelos fundadores, testemunhos fiáveis
e acontecimentos emblemáticos, onde a determinação e a solidariedade entre
Benfiquistas foram visíveis. Voltemos a ser,
ET PLURIBUS UNUM
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