Desporto

segunda-feira, 18 de novembro de 2019

Rui Costa e o Benfica (2)


Rui Costa e o Benfica
De Florença para Milão. Rui Costa, graças a uma transferência milionária - 35 milhões de euros -, ingressou no célebre clube “rossonero” onde se notabilizaram Baresi, Savicevitch, Boban e Cª, e onde, em cinco anos, conquistou uma Taça de Itália, uma Liga dos Campeões, uma Supertaça de Itália, um campeonato italiano e uma Supertaça UEFA, bem como a admiração unânime.

   O futebol italiano, um dos mais prestigiados na Europa e no mundo, consagrou Rui Costa, para orgulho dos benfiquistas e adeptos portugueses em geral, como um dos príncipes dos relvados da sua geração.

   Foi em 2006, pela mão de Filipe Vieira, que o “Maestro” regressou ao Benfica a custo zero, abdicando duma receita de cerca de 700 mil euros, correspondente a mais um ano de contrato, ao rescindir, amigavelmente, com o clube de Milão.

   Vivia-se então, em Portugal, o rescaldo do sucesso, algo amargo, da seleção nacional no euro 2004, no qual Rui Costa fez a última participação ao serviço da Seleção Nacional.

   No Benfica, fustigado desde o verão quente de 93 por uma espiral de instabilidade, a construção do novo Estádio gerara uma nova esperança entre adeptos. Anunciava-se o saneamento financeiro e administrativo do clube e um projeto desportivo ambicioso, sustentado na credibilidade e no investimento em diversas infraestruturas.

   O regresso do “Maestro” reforçou, junto dos adeptos, a esperança num futuro radioso para o clube. Dois anos antes, na época de 2003/2004, o Benfica terminara um jejum de 11 anos do título de campeão nacional.

   Após duas épocas nas fileiras do clube da Luz, em que o perfume do seu futebol, mais uma vez, deliciou os adeptos, Rui Costa - eleito jogador do ano em 2008 -, com pena de todos, cessou a sua carreira de futebolista ingressando no mesmo ano na de Dirigente, que tem exercido até aos dias de hoje, com o pelouro da Vice-Presidência para a área do futebol.

   Na época seguinte à da saída de Rui Costa, o clube volta a conquistar, em 2009/2010, o título nacional, ficando em muitos a ideia da saída prematura do “Maestro” e de que se perdera a oportunidade dum merecido final de carreira apoteótico.

   Nestes 11 anos, muitas foram as dúvidas que assolaram o universo encarnado; o passado algo nebuloso de Filipe Vieira, onde se contam velhas amizades e cumplicidades com os principais inimigos do Benfica, o recrutamento para os quadros do clube de gente com fortes ligações aos rivais e a implacável perseguição movida a Vale e Azevedo, ao menor desaire da equipa, punha em causa a bondade do projeto em marcha.

    A presença de Rui Costa, o “Maestro”, o jogador-adepto, na estrutura dirigente da SAD, funcionou, e ainda funciona, junto dos adeptos, como garante da fiabilidade do projeto de gestão do clube-Sad. A sua presença, “dando a cara” pela Direção, nos momentos críticos, apazigua-os, constituindo um voto de confiança no projeto de Filipe Vieira.

   Para a grande maioria dos benfiquistas, que vêm em Rui Costa uma espécie do provedor do adepto, é impensável considerar a sua conivência com agendas ocultas, irregularidades, ou mesmo a submissão a orientações destituídas de racionalidade económica e, ou, desportiva.

   Cinco anos depois do adeus de Rui Costa aos relvados, após uma época desastrosa seguida de debanda geral - na sequência do inesperado desastre da época 2012/2013, o clube perdeu, nada mais, nada menos, que 95 mil sócios - chegou o ansiado ciclo de vitórias, sob a batuta de Jorge jesus, Rui Vitória e Bruno Lage.
Peniche, 17 de Novembro de 2019
António Barreto
(Camille Pissarro, La cosecha, 1883)

domingo, 17 de novembro de 2019

Rui Costa e o Benfica (1)


Rui Costa e o Benfica   
Rui Costa faz parte de um grupo restrito de ex-jogadores do Benfica com lugar especial no coração dos adeptos. Não tanto pelo que fez no clube enquanto jogador, mas por, em momento conturbado, lhe ter sido leal, ter agido como seu embaixador oficioso num dos grandes palcos do futebol europeu - o italiano -, pelo vínculo afetivo que sempre ostentou com orgulho, e por ter regressado, incondicionalmente, quando o Benfica ainda fazia, angustiadamente, o “caminho das pedras”.

   Graças à perspicácia de Eusébio, Rui Costa ingressou nas camadas jovens do Benfica, em 1981, aos 9 anos de idade - após quatro anos nas escolas do Damaia Ginásio Clube -, onde, durante oito anos, com os seus dotes pessoais, assimilou a singularidade e excelência que caracterizam o futebol do Benfica.

   Findo o ciclo da formação, após uma época - 90/91 - ao serviço da Associação Desportiva de Fafe, onde permaneceu a título de empréstimo, a jovem promessa regressou ao “clube do coração” em 91, ano em que se sagrou campeão do mundo de sub-20 - em pleno Estádio da Luz contra a seleção do Brasil -, onde permaneceu até 1994, tendo então vencido uma Taça de Portugal - 92/93 - e um campeonato de Portugal em 93/94.

   A qualidade do seu futebol, caracterizada pela superior cultura tática, a elegância e inteligência com que se movia no terreno, a suavidade com que recebia e conduzia a bola, a eficácia que conseguia nos passes longos e no forte remate de meia distância, perfumava os relvados, para gáudio dos espectadores e orgulho dos benfiquistas. Às qualidades futebolísticas, Rui Costa juntava um cavalheirismo invulgar, graças ao qual granjeou o respeito geral, dentro e fora do clube, entre colegas e adversários, entre os adeptos do futebol, independentemente da respetiva simpatia clubista.

   Rui Costa pertence a uma estrita elite de jogadores de futebol que, intrinsecamente vinculados a um clube, alcançaram o respeito e admiração geral.

   O caráter leal de Rui Costa não vacilou no verão quente de 1993, quando, contrariamente a outros colegas - António Pacheco, Paulo Sousa e João Pinto - declinou o convite de Sousa Cintra - à época Presidente do Sporting - para rescindir o seu contrato com o Benfica e ingressar no clube de Alvalade. Vivia-se então grande turbulência no clube da Luz, sob a presidência de Jorge de Brito, histórico e indefetível benfiquista, a braços com grave crise de tesouraria e um passivo de 4,5 milhões de contos - equivalente a 22 milhões de euros!

   Um gesto que nenhum benfiquista que viveu esses temos, esquecerá, reconhecido.

    Referenciado na Europa, o “Maestro” ingressou na Fiorentina em 1994, onde, em sete temporadas, conquistou a admiração dos tiffosi, duas taças de Itália e uma supertaça, tendo sido considerado, por várias vezes, o melhor 10 do campeonato[p1] [p2] , no qual, ao serviço da Juventus, pontificava, nada mais nada menos, que Zinedine Zidane.

   Memorável foi o ocorrido no jogo de apresentação da equipa do Benfica para a época 94/95, com a Fiorentina como equipa convidada, em que o “Maestro”, atuando pelos “violas”, se comoveu, às lágrimas, ao marcar o golo que daria a vitória à sua equipa.

   Algo que consolidou o vínculo afetivo ao clube e calou fundo no coração dos benfiquistas.
Peniche, 17 de Novembro de 2019
António Barreto
[Modigliani-Fillette-en-bleu-1918

sexta-feira, 1 de novembro de 2019

Um Novo Ciclo Para o Benfica (5)


O Rumo

   Recentrar todo o projeto no objetivo primordial, que consiste na prioridade ao futebol sénior consolidando o domínio interno e conquistando, na Europa e no mundo, o lugar compatível com o estatuto de outrora: o de um adversário respeitado e temido por todos, pela excelência do seu futebol, pela capacidade de vencer qualquer prova e pela nobreza de carater.

Peniche 21 de Outubro de 2019
António Barreto
(Chaïm Soutine - La vieille dame assise, 1923-24)
 

quarta-feira, 30 de outubro de 2019

Um Novo Ciclo Para o Benfica (4)


O relacionamento com os Adeptos

   Em qualquer clube a relação dos dirigentes com os respetivos adeptos é sempre potencialmente turbulenta, barómetro dos resultados desportivos, emocional, imediatista e irrealista, pautada pela ingratidão ao menor desaire. Saber lidar com esta realidade é um requisito indispensável a quem investe na empreitada do dirigismo desportivo.

   Os primeiros anos do consulado de Filipe Vieira foram de abertura, tipo presidência aberta, como o próprio reiteradamente afirmou. É verdade que houve disponibilidade para reunir e debater com alguns críticos mais destacados e até trocar correspondência com sócios genuinamente empenhados no incentivo, na crítica e na sugestão de ideias.

   Tal disponibilidade foi-se desvanecendo e circunscrevendo ao “fogo amigo” de cariz laudatório, que, hoje, caracteriza a respetiva “entourage”. Chega a ser ridícula a forma rebuscada com que, por vezes, os comentadores de serviço na BTV, qual cortina de fumo, tentam atenuar os desaires, valorizando detalhes insignificantes, relativizando o essencial e desconsiderando os dissidentes, como se jogadores, técnicos, sócios e dirigentes fossem incapazes de enfrentar as críticas alheias e os erros próprios e como se os adeptos fossem inimigos. Atingiu-se o paroxismo da intolerância na última Assembleia Geral, com ameaças de agressão e insultos aos críticos, anunciando-se alterações ao regimento das Assembleias Gerais que podem por em causa a democraticidade do clube. Mais grave; na BTV, figuras algo notáveis, põem em causa a legitimidade dos sócios para interferirem nas questões do futebol, considerando-as da exclusiva responsabilidade dos acionistas da SAD! Lembro que uma das razões aduzida para o afastamento de Azevedo foi a de que tinha em marcha um plano de apropriação do clube! Não é o que temos hoje por parte de quem disse querer impedi-lo?

   Nenhuma entidade progride sem dissidência, porque ninguém, por si só, tem o dom da omnisciência. Alienar contributos, construtivos e empenhados, pode evitar, ainda que temporariamente, o desconforto da entropia, mas restringe a amplitude das opções e compromete o futuro.

   Tal requer um espaço de debate construtivo e permanente. Há que encontrar a fórmula mobilizadora que fortaleça as políticas desportivas ou administrativas sem comprometer o projeto global, que só pode ser um: Ganhar, onde quer que seja, contra quem quer que seja!     

A defesa do clube

   A estratégia de low profile que tem sido seguida em matéria de defesa do clube-sad, restringindo-a a comunicados, protestos processuais nas instâncias da tutela desportiva ou queixas judiciais, é manifestamente insuficiente.

   O abandono do espaço público, deixando as acusações e enxovalhos sem contraditório não gera empatia, nem entre o público, nem entre os opinion makers. Neste particular a saída de João Gabriel deixou um vazio pernicioso.  

   Na frente institucional, está em causa a reiterada cortesia com que a presidência do Benfica se relaciona com os dirigentes da Liga e da Federação - apesar da insistente perseguição que estas instituições têm movido ao clube; seja no plano financeiro com castigos astronómicos, seja no plano disciplinar com punições desproporcionadas e excecionais, seja no plano desportivo, com calendários inadequados e escalonamento de árbitros de tradicional “má-sorte” nos jogos do clube -, a qual tem sido entendida, ou pressentida, como de submissão, sinal de impotência, encorajador da prevalência do status-quo, e não de tolerância ou de empenhamento na pacificação do futebol.

   Uma oportunidade perdida foi aquilo a que assistimos em plena Assembleia da República, quando, numa época de intensos e sucessivos ataques públicos ao Benfica, ocorreu a audiência pedida pela FPF, que se julgava destinar-se à mobilização da classe política na pacificação e moralização do futebol. Silêncio, penoso silêncio, ante as “lampanas” de promotores e facilitadores da intolerância e violência no desporto, foi o contributo do Presidente do Benfica! Uma ou duas frases, a preceito, bastariam.

  A dissuasão dos agressores faz-se responsabilizando-os nos locais próprios, contraditando-os e votando-os ao ostracismo no clube.

 A Promiscuidade

   A credibilidade de um qualquer dirigente também passa pelo escrupuloso cuidado em separar os respetivos negócios privados com os da entidade que dirige. Sem estar em causa a legitimidade concreta, não é de bom-tom desenvolver projetos imobiliários em zonas outrora afetas ao clube, nem tão pouco manter negócios com entidades bancárias comuns. Tal como não é salutar manter uma relação de exclusividade com um empresário de jogadores, o qual, simultaneamente, desenvolve idêntica atividade junto dos principais rivais.

   Qualquer dos casos tem efeitos perniciosos, quer junto dos adeptos, minando a confiança, quer na opinião pública geral, sempre sedenta de escândalos, quer junto dos rivais e seus aliados, peritos na arte de mistificar e sobrevalorizar qualquer mal-entendido.
Peniche, 23 de Setembro de 2019
António Barreto

(Aristide Maillol - La grande baigneuse à la draperie or La Seine, in 1921)

domingo, 27 de outubro de 2019

Um Novo Ciclo Para o Benfica (3)


O sorvedouro

   Duzentos e oitenta milhões de euros - salvo o erro - foi o que se faturou em transferências no ano em que o penta se nos escapou por entre os dedos, por uns míseros dois pontos! Pois nem se reforçou a equipa, nem se amortizou o passivo com esses proveitos! Recorreu-se à dação de receitas futuras comprometendo a competitividade desportiva imediata!

   Trezentos milhões de euros foi a receita do exercício transato, tendo-se repetido os erros anteriores; nem se reforçou a equipa adequadamente, ficando vulnerável nalguns setores, arriscando novo fracasso, nem se vislumbra intenção de redução do passivo!

   Num exercício simplista, mas realista do ponto de vista do adepto comum, se com tal nível de receitas não há excedentes orçamentais, tal significa que os encargos de estrutura são demasiado elevados. E mais elevados ficarão com a execução do projeto de expansão do Seixal!

O estilo

   Nem o modo messiânico nem o de homem providencial são compatíveis com a tradição e cultura do clube, nem com as práticas da boa gestão. É o que tem prevalecido na retórica e na ação da Direção atual, substituindo-se à colegialidade e democraticidade mobilizadoras e criativas.  

 A reputação

   Os casos que nos últimos dois anos vieram a público envolvendo pessoas ligadas ao Benfica, ainda que não provados em sede própria, ainda que resultando de ações criminosas externas, produziram danos reputacionais no clube-sad, constituindo um retrocesso neutralizador, em grande parte, do magnífico trabalho de credibilização efetuado nos primeiros anos deste ciclo. E, ainda que nenhuma responsabilidade direta venha a ser atribuída ao clube-sad e, ou, aos seus dirigentes, eventuais condenações efetivas de figuras próximas, implicarão sempre demissões ao mais alto nível. Um líder tem sempre responsabilidade ética relativamente aos atos cometidos pelos colaboradores que escolheu.

 Aa clivagens

      A diabolização permanente e persistente da gerência de Vale e Azevedo pela atual Direção dividiu os adeptos, deixando muitos deles de “pé atrás”. O efeito pernicioso de tal insistência nunca foi entendido, nem tão-pouco quão importante era para o clube-sad que os “acertos de contas” se tivessem feito intramuros. Ou, percebendo-o, tem sido essa a intenção.

   Além da proteção da figura institucional, sobreleva a questão humana; o ex-Presidente Vale e Azevedo, mesmo após cumprimento integral do cúmulo jurídico - deve ser caso único na justiça penal portuguesa - tem sido perseguido implacavelmente, como se, informalmente, tivesse sido condenado a prisão perpétua! Por mais penas de prisão que cumpra é-lhe sempre negado o direito à reabilitação! E esta Direção tem “ajudado à festa”! Deplorável!

   Não menos grave, é a atitude, envergonhadamente reverencial, a Joaquim Oliveira e seu universo empresarial. Enquanto se afirma, reiteradamente, o dever de gratidão do clube-sad para com ele, os adeptos vêm-no como inimigo; pelo seu vínculo afetivo e institucional ao rival do Porto, pela discriminação com que uma das suas participadas, a Sport-TV, trata o clube da Luz, pelo controlo implícito dos clubes pela via do financiamento e por outras afinidades e alianças frequentemente adversas ao Benfica.

   É neste contexto que os adeptos vêm, desde sempre com grande preocupação, a presença de empresas do grupo Oliveira no clube e a participação do próprio no concelho de administração da Sad.

   Insistir no discurso da gratidão é, pois, insistir no divisionismo e no enfraquecimento da massa adepta do clube. Pelo contrário; foi o Benfica que proporcionou a ascensão económica de Oliveira ao conceder-lhe os direitos desportivos por tuta e meia, os quais lhe permitiram faturar abundantemente, concretamente pela expansão da Sport-tv, proporcionando-lhe múltiplos retornos, financeiros e institucionais.

   Por coincidência, ou não, o tetra-campeonato sucedeu no período em que o Benfica detinha os seus próprios direitos desportivos, com orgulho de todos os adeptos, que viam na BTV a sua guarda-avançada. Não obstante, resolveu a Direção vender de novo os direitos à mesma entidade, então reformulada, contribuindo para o ressurgimento da velha estrutura de má memória. O resultado não se fez esperar; o penta esfumou-se e o BPN recuperou os seus cem milhões adiantadamente, creio.

   E é isto que muitos benfiquistas não perdoam à atual Direção; a dependência relativamente a um dos administradores de um dos principais rivais, e esta pretensa magnanimidade relativamente a estes, apesar de, reiteradamente empenhados na infame tentativa de destruição da reputação do Benfica, visando, objetivamente, inviabilizar o seu financiamento no mercado de capitais e consequente estrangulamento financeiro.
Peniche, 23 de Setembro de 2019
António Barreto

(Boris Grigoriev, Madre, 1915)

sábado, 26 de outubro de 2019

Um Novo Ciclo Para o Benfica (2)


O Estádio

   Salvaguardando eventuais deficiências estruturais ou constrangimentos económicos associados ao velho Estádio, que desconheço, considero ter-se cometido um erro grave com a sua demolição. Era o primeiro grande pilar do benfiquismo; único, grandioso, palco de grandes feitos desportivos, amado pelos benfiquistas, admirado e temido pelos grandes adversários. Perante as fracas assistências que se verificavam à época, optou-se pela construção de um estádio mais pequeno, relativizando a visão de outros dirigentes e ex-dirigentes, como Fernando Martins, segundo a qual não era o estádio que era grande mas a equipa que era pequena. Curiosamente, cerca de 15 anos e 400 milhões de euros depois, concluiu-se que, afinal, o estádio modular, estandardizado, é pequeno! Ou seja, não se percebeu a grandeza social do clube, com a agravante de se ter gerado um endividamento inibidor da competitividade da equipa principal de futebol, razão da ausência de títulos durante mais de uma década.

   Recordo que, à época, havia um projeto de requalificação do velho estádio, da autoria de Tomás Taveira, no valor de 4 milhões de contos - cerca de 20 milhões de euros! O passivo do Benfica seria da ordem dos 2 milhões de contos - cerca de 10 milhões de euros - e havia garantido um financiamento de cerca de 20 milhões contos - cerca de 100 milhões de euros. Não creio que Taveira se tenha envolvido num projeto condenado ao fracasso. Contas saldadas, restariam cerca de 70 milhões de euros para investir de imediato na equipa principal de futebol. Que teria acontecido? Mais competitividade, mais títulos? Nunca saberemos!

 A Doutrina

   Justificou-se a longa travessia do deserdo - de títulos - com a necessidade de reestruturação económica e financeira do clube e de modernização e expansão das suas infraestruturas desportivas. Cerca de uma década depois, chegado o ciclo das vitórias, ante o fracasso do penta-campeonato e as miseráveis prestações sucessivas na Liga dos Campeões, desdramatizam-se as derrotas, aludindo, ora à necessidade de vitórias dos rivais, ora às discrepâncias orçamentais relativamente aos adversários europeus, e, pasme-se, aos maus hábitos dos adeptos! A determinação inquebrantável de vitória foi substituída pelo conformismo; “…que não podemos ganhar sempre…,que é preciso saber perder….,que temos que dar valor aos adversários….,que ganharemos mais tarde…., que somos diferentes….!

 A ambição:

 Atualmente, com a entrada direta na Liga dos campeões, um grupo acessível, e os cofres, alegadamente, a abarrotar, desinvestiu-se na equipa, condenando-a a mais um desempenho vergonhoso na Europa! Em contrapartida, anuncia-se mais um longo ciclo de betão e a promessa vaga, de uma vitória europeia com recurso ao produto da “fábrica” interna. Ou seja, o foco do clube deslocou-se do “querer ganhar”, para o negócio de jogadores e das obras. Ainda na véspera do jogo com o Zénit podemos ouvir, na BTV, um comentador residente alegar, com veemência, da falta de condições do Benfica para rivalizar com os “tubarões” europeus; esquecendo-se de que, tais diferenças, já existiam nos anos sessenta, quando o Benfica emergiu entre os maiores. No dia seguinte a equipa teve um comportamento desastroso jogando muito abaixo do que sabe e pode! Por mim, tal sujeito seria, imediatamente, convidado a sair, e não voltaria a pisar o chão do estúdio. Um Benfica envergonhado é o que se vislumbra bem lá no fundo do projeto em curso. É esta a nova bitola do Benfica; um clube a viver do prestígio passado mas incapaz de construir as memórias do futuro.

 A estratégia

   Construir um grande Benfica com base na formação interna é um plano que agrada a todos os benfiquistas, porém utópico, seja pela dificuldade em manter os talentos da formação até à maturidade competitiva indispensável às grandes competições, seja optando pela rejeição de contributos externos. De todo o modo, o horizonte que vai sendo apontado, dez a quinze anos, é incompatível com as aspirações dos adeptos e os pergaminhos do clube. O edifício que urge reconstruir é imaterial, é afetivo, e não de betão!
Peniche, 23 de Setembro de 2019
António Barreto
(Man and Woman by the sea)

quinta-feira, 24 de outubro de 2019

Um Novo CicloPpara o Benfica (1)


Um novo ciclo para o Benfica

  
As circunstâncias em que ocorreu o fracasso do penta campeonato, corolário de uma gestão desportiva atabalhoada da equipa principal de futebol, levaram-me a rever, ainda que sumariamente, as principais realizações efetuadas no clube-SAD na última década e meia, grosso modo. 

   Reconhecendo a notável recuperação efetuada e os largos créditos devidos à Presidência atual, considero que o Sport Lisboa e Benfica carece, atualmente, de recentramento do seu projeto em termos globais, e, em especial, o da área do futebol; o propulsor de todos os outros.

    No percurso no período em causa merece especial relevância a qualidade da formação alcançada no futebol, a expansão das modalidades, a preservação e divulgação do património desportivo, a intervenção social e a diversificação das fontes de financiamento.

   De facto, a qualidade da formação no futebol tem superado, largamente, as expetativas mais otimistas, lançando uma boa mão cheia de jogadores de alto nível a proporcionarem excelentes retornos financeiros e desportivos e a difundirem a imagem institucional do clube além-fronteiras.

   Atuando em todas as modalidades coletivas de pavilhão foi brilhante a ascensão que se verificou nalgumas delas - hóquei, basquete, futsal e voleibol -, recuperando posições quando os rivais pareciam inamovíveis e mantendo-as durante períodos consideráveis.  

   Nas modalidades ao ar livre o feito histórico radica no atletismo, onde se destronou o principal e histórico rival, e na consolidação do projeto, do qual se destacam as disciplinas de velocidade, meio-fundo, lançamento do peso, triplo salto e triatlo.

   A execução do museu, uma aspiração eternamente adiada das Direções precedentes, assume caráter relevantíssimo enquanto memória perene e instrumento de difusão da história e cultura do clube, revendo histórias, catalogando, recuperando e expondo troféus, alguns dos quais se encontravam em degradação e, ou, semiperdidos. Um justo tributo aos que contribuíram para o engrandecimento do clube e um incentivo para os novos construtores de memórias.

   Na área social é uma enorme satisfação constatar o impacto que tem sido obtido junto de centenas, milhares de jovens, por parte da Fundação Benfica, mudando comportamentos, suscitando maior envolvimento daqueles com a escola e com a família. Uma demonstração inequívoca da dimensão social e humana que um desporto, tantas vezes aviltado e ostracizado como o futebol, encerra.  
Porém, em todo o trajeto deste período verifico, em vários momentos, uma discrepância vital com a cultura do grande Benfica a que me habituei, assim:
(Continua)
(Amadeo Modigliani)
Peniche, 23 de Outubro de 2019
António Barreto

sábado, 31 de agosto de 2019

Benfica em Agosto


Benfica em Agosto 

  
Depois da boa campanha de pré-época, da vitória na supertaça e da superação das duas primeiras jornadas, uma das quais, a do Belenenses, a gerar fundadas espectativas face às dificuldades da época transata, o Benfica tropeçou na terceira jornada frente ao Porto.

   Apesar da abundância de golos no início da época - 12 -, permanecia a dúvida dos danos provocados na equipa pelas saídas de Félix e Jonas. Compensar a imprevisibilidade, inteligência tática e a capacidade técnica de qualquer deles, não se afigura fácil Foi o que este jogo demonstrou.

   A equipa do Porto, após uma sequência de insucessos, foi a justa vencedora do encontro, recuperando da instabilidade resultante dos primeiros jogos, na “Liga dos Campeões” e no “Campeonato”.

   A primeira vantagem foi ganha pelo Porto na guerra do posicionamento; ocupando o terreno de jogo de forma equilibrada, mantendo os seus jogadores muito próximos uns dos outros criando facilmente superioridade numérica na disputa da bola. A segunda foi a intensidade de jogo; os seus jogadores correrem sempre mais e com mais intensidade, chegando à bola mais cedo, com mais força e em maior número. A terceira foi a forma como pressionaram a primeira zona de construção do Benfica; à saída da área e com quatro jogadores, fechando, literalmente, as linhas de passe ao adversário. A quarta consistiu em retirar a iniciativa ao Benfica mantendo a posse da bola o máximo tempo possível, obrigando os jogadores encarnados a preocupar-se mais com a recuperação e menos com a construção. Foi esta a chave da vitória. Beneficiaram os azuis de alguma sorte no primeiro golo, graças ao mau alívio de Rúben Dias que pôs em jogo o José Luis, e no segundo, do tudo ou nada da equipa da luz em busca do empate.

   A equipa do Benfica, exceto nos últimos 20, minutos após a entrada de Adel Taarabt, regrediu na qualidade de jogo, fazendo lembrar tempos passados. Jogadores sem mobilidade, quase estáticos, isolados na disputa da bola, sem solução para fazer fluir o seu jogo. Só após a entrada de taarabt, a equipa equilibrou o meio-campo, aumentou a velocidade, amplitude e profundidade do jogo, obrigando os adversários a correr atrás da bola e a abrir espaços. O golo anulado (bem) foi o corolário disso mesmo. Era demasiado tarde.

   Mais uma vez ficou demonstrada a importância de Gabriel na consolidação do meio-campo e na manobra ofensiva, com passes de meia-distância de grande imprevisibilidade e remates de meia-distância. Na frente, os imensos cruzamentos efetuados foram todos infrutíferos, seja pelo excelente posicionamento da defesa, sempre com dois homens nas linhas de passe, seja pela falta de acompanhamento dos avançados, causa das escassez daquelas. Remates de meia- distância ou aéreos, foram praticamente inexistentes.

   Compreende-se que se tenha optado em manter Seferovic na sua posição de ponta de lança, afinal foi o melhor marcador da época transata, mas não deve pedir-se golos a Raúl se lhe atribuem a missão de jogar trinta a cinquenta metros atrás da linha de baliza, defendendo e apoiando o meio-campo. Por outro lado, Seferovic tem falhado nalguns momentos cruciais; é um luxo que não se pode conceder neste tipo de jogos. (Creio que teve uma clara oportunidade de golo em que a bola “tirou tinta” ao poste direito).  

   Com a lesão de Chiquinho, cuja mobilidade e inteligência muito promete - dois jogos com os rivais fazem-nos duas baixas de relevo! Por mim, optaria por mudar a posição dos avançados; Raúl na área, zona onde se movimenta bem e já revelou instinto finalizador, e Seferovic em apoio ao avançado e ao meio-campo, fazendo uso da sua capacidade de disputa e transporte da bola, de passe longo e de remate de meia-distância.

   Jorge de Sousa, foi permissivo sobretudo no jogo violento de Pepe, no antijogo dos azuis e na avaliação dos lances divididos contribuindo, à sua parte, com uma boa meia-dúzia de lances ofensivos a favor do Porto e outros tantos eliminados aos encarnados. Rafa, mais uma vez, foi um “saco de pancada” e, a “pedido de Conceição, nenhum dos faltosos adversários foi sequer admoestado. Não é essa a sua missão.

   Espero que este jogo tenha servido de teste para a equipa do Benfica ultrapassar as contingências demonstradas, arrancando para uma época pujante, demonstrando-o já no jogo com o Braga.
 
(Abel Manta)

Peniche, 31 de Agosto de 2019
António Barretojb

quinta-feira, 15 de agosto de 2019

A greve dos camionistas



A Greve dos camionistas de materiais perigosos 

  
O desconhecimento dos detalhes da negociação em curso entre camionistas e seus patrões não impede uma análise crítica tendo em conta alguns princípios gerais e os factos que têm vindo a público.
   O serviço de transporte de matérias perigosas como os combustíveis líquidos, pelo risco que acarretam, tem de ser realizado por profissionais muito bem preparados e em atualização permanente. O risco de incidentes de inflamação e explosão é real; no carregamento, no transporte, na descarga, e no regresso. Além do risco de acidentes rodoviários, existe o de inflamação nos processos de carga e descarga associado à produção de corrente elétrica decorrente da fricção dos materiais; o arco voltaico produzido, em caso de ausência de escoamento à massa, pode provocar a ignição do combustível, tal como o uso nas proximidades, de telemóveis, isqueiros, rádios, etc. (tudo o que possa produzir um arco voltaico). Esvaziada a cisterna, o perigo de auto inflamação é maior, dado o conteúdo de vapores combustíveis no seu interior. Esvaziamento e enchimento deve ser feito com auxílio de gases inertes - dióxido de carbono ou azoto - de forma a impedir a mistura do oxigénio do ar - comburente - com o combustível -, e uma ligação de massa eficiente. Além dos motoristas, também os operadores dos postos de abastecimento devem estar preparados.  
   Compete aos Governos normalizar e fiscalizar as atividades económicas tanto ao nível dos técnicos como dos operadores. Se é certo que, muitas vezes, parece evidente ao comum cidadão, a falta de preparação dos técnicos, também é verdade que parece haver uma espécie de monopólio entre os operadores deste setor. Afinal é o que ocorre noutros setores vitais - como os do fornecimento de energia elétrica, de água, de seguros e da banca - em que, a liberalização imposta pela EU, paradoxalmente, conduziu ao agravamento das condições de vida da população devido ao recorrente, despudorado e consentido abuso de posição dominante, constitucionalmente proibido.

   É este quase-monopólio dos operadores que está na base do atual conflito em que estes, com a cumplicidade do Estado, impõem aos seus trabalhadores - camionistas - os seus termos para o exercício da atividade visando a minimizar os correspondentes encargos. Sendo, condicionado ao respeito da lei, um ato legítimo, conflitua com os interesses dos trabalhadores. De facto, estes ficam prejudicados nos apoios sociais na doença, no desemprego e nas pensões de reforma.
   Tal conduziu a um conflito de natureza laboral cuja irresolução ressoltou no extremar de posições das partes. Tratando-se dum setor estratégico do qual depende o abastecimento alimentar da população, o funcionamento dos hospitais, das forças de segurança, das forças armadas e, em geral, a produção de bens de toda a ordem, justifica o acompanhamento atento do Governo. Constatando-se o impasse negocial, há que recorrer à mediação e arbitragem através de modelos preferencialmente consensuais entre as partes.
   O recurso à greve, neste caso, não afetando o empregador a não ser marginalmente, atinge gravemente a população pondo em causa os seus direitos essenciais; ao trabalho, à subsistência alimentar, à saúde, ao lazer e à tranquilidade. Os grevistas usam a população como instrumento dissuasor da contraparte, provocando àqueles o máximo de danos possíveis e deixando estes praticamente incólumes.
   Convém ter presente que nas sociedades humanas modernas, cada indivíduo, carecendo do seu semelhante para viver, prescinde voluntariamente de parte dos seus direitos naturais, submetendo-se à lei - uma espécie de máximo divisor comum dos direito individuais -, democraticamente constituída; elaborada e aprovada com a participação de todos, diretamente ou por representação.
   Compete aos Governos, legitimamente constituídos, zelar pela proteção da população, garantindo o cumprimento da lei. É certo que temos assistido nas últimas décadas à omissão dos vários Governos no seu dever de a fazer cumprir, constituindo-se, implicitamente nalguns casos, cúmplices de agentes de irregularidades ou mesmo de atos criminosos, alguns de lesa-pátria, mas tal não justifica a exigência de demissão das suas obrigações fundamentais, por quem quer que seja que nisso tenha interesse.
   Tal porém não impede o cidadão de avaliar o comportamento de qualquer Governo relativamente a qualquer caso e de se pronunciar sobre ele.
   Vejo neste diferendo algumas vicissitudes das democracias partidárias; os principais agentes políticos, os partidos, agem, não de acordo com princípios previamente definidos e sufragados pela população, mas segundo os dividendos eleitorais que, na sua ótica, cada ato lhes pode proporcionar. Uma perversão dos princípios democráticos, pela alienação intrínseca de vínculo ao interesse nacional.
   É o que se verifica; o partido do Governo, com a proximidade das eleições legislativas, viu neste conflito uma oportunidade de reforçar e alargar a sua base eleitoral de apoio, adotando, à semelhança do caso da última greve dos professores, no exercício da governação, uma postura firme e autoritária perante os camionistas.
   Ao fazê-lo perdeu capacidade mediadora no conflito e, perante a permanente postura desafiadora daqueles, insiste numa posição de intransigência e ameaça, contribuindo para o agravamento da conjuntura.
   Acresce a perda de credibilidade resultante de contradições evidentes com posições políticas assumidas em casos similares precedentes e do facto de uma das partes - a dos empregadores -, ter negociadores com ligações diretas ao partido do Governo.
   Este é o momento de rever todo o setor reajustando-o em função das disfuncionalidades identificadas, revendo a regulamentação vigente, promovendo a concorrência efetiva no transporte dos combustíveis, estabelecendo critérios de formação e acompanhamento dos motoristas e promovendo, dentro do possível, a justiça, na distribuição do valor acrescentado no setor, recorrendo, se necessário, à elaboração de novas propostas de lei que a proporcionem, sem violar os critérios de equidade da sociedade em geral.
   As oposições cometeram o mesmo erro do Governo, as à sua esquerda, politicamente defensores dos trabalhadores contra a “opressão do patronato”, carentes do protagonismo conjuntural proporcionado pelo apoio ao Governo para se projetarem junto do eleitorado, ensaiam um discurso moderado de apoio aos motoristas, dispensando-se da habitual exuberância protestativa no espaço público, o que constitui um conforto para o Governo e os seus “tradicionais inimigos “os patrões”.
   Do lado oposto, um dos partidos, o maior, perdido no seu labirinto e assustado com o fracasso registado no caso dos professores, mantém uma postura ambígua, falsamente conciliadora, incapaz de assumir os seus princípios.
   O outro, o mais pequeno, não hesitou e, desde a primeira hora assumiu a posição do Governo, enfrentando as críticas inerentes. E é assim que deve ser; cada um, sem subterfúgios, mostrar o que defende.
  De resto, da plêiade de recentes partidos emergentes, há uma clara tendência de apoio aos grevistas, cada um deles procurando tirar o melhor partido eleitoral da conjuntura. Quanto à população, fortemente dividida, esta mesma tendência parece prevalecer.
  Convém porém não esquecer, que os alimentos e outros bens de primeira necessidade não nascem nas prateleiras dos supermercados.
   Tendo o Governo perdido credibilidade de mediação, torna-se forçoso recorrer a outra entidade - como por exemplo, o Regulador do setor - para o efeito, não restando àquele, outra opção senão a de fazer cumprir a lei, usando da moderação que se impõe e sem violar direitos legalmente consagrados dos eventuais infratores.
   Para todos, o interesse nacional deve ser a prioridade, preferencialmente, salvaguardando a dignidade dos envolvidos no conflito. É nestes casos que se exige a tal postura de estado a que recorrentemente se faz alusão, e que tem rareado nesta titubeante e paradoxal terceira república.
Peniche, 15 de Agosto de 2019
António Barreto*

sábado, 10 de agosto de 2019

Pré-época 2019-2020


Época 2019/2020
Pré-época
 
Contrariamente ao que tem sido hábito nos últimos anos, a equipa de futebol sénior do Benfica, desta vez, fez uma pré-época decente. Prepararam-se e avaliaram-se jogadores e táticas num contexto de competição exigente, e a ganhar. Sendo, nesta fase secundários os resultados dos jogos, convém não subestimar os pergaminhos desportivos do clube e as espectativas dos seus adeptos, habituados a ver o seu clube ganhar seja a quem for, seja onde for, ou quando for. O discurso que vinha sendo corrente, entre Dirigentes e respetiva corte, de desvalorização dos maus resultados nas pré-épocas, deve ser banido por desconformidade com a cultura de vitória secular do Benfica. Quem se conforma com a derrota, não ganha.
   É ideia corrente entre adeptos que uma equipa reflete a imagem do respetivo treinador. Serenidade, exigência, competência e solidariedade. Este Benfica 2019/2020 promete ser o que foi em 2018/2019, esperando-se um incremento de competitividade tendo em conta maior e melhor assimilação das ideias do treinador. Destas, destaco a qualidade do posicionamento, ponto fulcral das ideias de Bruno Lage e principal lacuna nas épocas precedentes, a dinâmica e entrosamento da equipa, a propensão do jogo ofensivo e a serenidade perante as contingências decorrentes do jogo.
   A grande dúvida deste início de época consiste em saber se Raul de Tomaz, Chiquinho e Caio, terão qualidade suficiente para fazer “esquecer” Jonas e João Félix, tarefa ingrata mas, suponho, aliciante.
    Preocupante foi constatar a incapacidade da estrutura do Benfica em perceber a má qualidade de jogo da equipa e a relutância em substituir o treinador. Percebe-se o compromisso do Presidente para com o seu conterrâneo Rui Vitória, mas não se entende a anuência do Diretor Desportivo tendo em conta o seu passado ilustre nos melhores relvados europeus.  
   Entretanto esperemos que as anunciadas alterações às regras do jogo e ao seu controlo, mão na bola e linhas de fora de jogo, contribuam para a clarificação do mesmo.

Carrega Benfica!

(tela de Abel Manta)
Peniche, 10 de Agosto de 2019
António Barreto*