Desporto

terça-feira, 2 de abril de 2013

O CÚ DOS POBRES!

 

 
Um sarcástico poema de um "velho Lobo do Mar", amigo, conterrâneo e colega, de seu nome, Joaquim Romão:

 

Bananolândia (2)
(As campanhas eleitorais)

Todo o santo dia
Só ouço apregoar
Democracia, democracia !!!
Mas vejo a vida a piorar

Tomam de assalto os jornais
A rádio e a televisão
Dão canetas, aventais
Estendem-nos todos a mão

Nós temos a solução
Dizem a todo o momento.
Após o voto na mão:
“palavras” leva-as o vento      porque:

Quando chegam ao “poleiro”
Todos !!! de igual modo
Coletam o nosso dinheiro
E dão cabo-dele-todo

No parlamento então
Para não chorar, é de rir !!!
Sempre “os mesmos” na “oração”
E os outros a dormir

Os discursos e restolhos
Que fazem na “assembleia”
São p’ra nos jogar nos olhos
Muitas carradas de areia

Às P.M.E:s comprometidas
Todos juram dar a mão
Mas é p’ra tirar as medidas
Para comprar o caixão

O Coelho diz: estamos bem !!!
Em quê (?) quero eu saber
Desgraçado, quem não tem
Jamais na vida vai ter

O Seguro diz: estamos mal !!!
Mas não dá qualquer receita
Para curar Portugal
De tanta coisa mal feita

O bloco com o Semedo
A Catarina e o Fazenda
Embrulham-se num enredo
E vão rasgando a “tenda”

O jerónimo, sempre igual
Com a cassete gravada
Para salvar Portugal:
Fala, fala, mas não faz nada

O Paulo, já não vai às “feiras”
Para beijar velhas e meninos
Mas já arranjou maneiras
De “afundar” os submarinos

Com tanta “gente mandante”
E tantos desempregados
Estaremos num instante
Mais perdidos que achados

Eu só temo que no futuro,
Se assim continuar, até juro !!!
Vem um que nos manda: andar nu !!!
E o meu maior pavor
É que se a merda tiver valor
Os pobres nasçam sem cú

- - - - - - -

Por agora digo:

Político, serei teu amigo
E votarei afinal
Se, em vez de olhares p’ro umbigo
Olhares para Portugal

Versão atualizada  da “BANANOLÂNDIA”
Editada em 2009

2013/03/24
Q.R.  

CELESTE RODRIGUES; a Lenda das Algas


 Lenda das Algas é um dos mais belos fados do nosso cancioneiro e ninguém mas mesmo ninguém o canta melhor que esta nossa deusa, de seu nome Celeste Rodrigues. Um timbre de uma suavidade invulgar, uma sonoridade cheia de atizes, silêncios, suspensões e inflexões, que nos transportam ao cerne emocional do tema. Cuidado com os mosquitos!
CELESTE RODRIGUES
Lenda das Algas 
In Museu do Fado
Celeste Rodrigues é uma fadista tradicional das mais conceituadas do universo musical português, considerada uma referência pelas mais jovens gerações de intérpretes.
Maria Celeste Rebordão Rodrigues nasceu no Fundão a 14 de Março de 1923. Quando tinha 5 anos os seus pais vieram para Lisboa e estabeleceram-se no bairro de Alcântara. Celeste Rodrigues frequentou a Escola Primária da Tapada e recorda a sua infância como igual à de tantas outras crianças, com a excepção de se reconhecer como uma "maria rapaz", traquina, embora tímida e envergonhada. Quando não quis estudar mais, empregou-se numa fábrica de bolos. E, mais tarde, junto com a irmã Amália, trabalha num ponto de venda de artigos regionais na Rocha Conde de Óbidos (cf.“Álbum da Canção”, 1 de Maio de 1967).

A sua carreira é impulsionada pelo empresário José Miguel, à data proprietário de várias casas típicas, que depois de a ter ouvido cantar, entre amigos, na Adega Mesquita, insiste na sua profissionalização como fadista.
Celeste Rodrigues estreia-se em 1945 no Casablanca (actual Teatro ABC) e, dois meses depois, ingressa numa Companhia teatral e parte para o Brasil, acompanhando a irmã Amália Rodrigues na representação da opereta "Rosa Cantadeira" e da revista "Bossa Nova". Esta digressão acaba por durar cerca de 1 ano. Ao longo da sua carreira Celeste Rodrigues receberá diversos convites para integrar peças de teatro, mas recusa sempre.
No regresso a Lisboa dá continuidade à sua carreira de fadista, apresentando-se no elenco de diversos espaços de fado como o Café Latino, o Marialvas ou a Urca (na Feira Popular). Mais tarde, transita do Luso para a Adega Mesquita, onde se mantém por 4 anos. Posteriormente integra os elencos da Tipóia e da Adega Machado.
No início da década de 1950 a fadista regressa ao Brasil, desta feita para actuar na rádio, na televisão e no restaurante Fado, de Tony de Matos, sempre com assinalável êxito.
Aos 30 anos casa-se com o actor Varela Silva, com quem tem duas filhas. É contratada para cantar na casa Márcia Condessa e, em Janeiro de 1957, torna-se proprietária do restaurante típico A Viela, um espaço privilegiado para a convivência de poetas, intelectuais, cantores e de longas tertúlias, mas ao qual renuncia 4 anos mais tarde, confessando não sentir“queda para o negócio” (cf. Álbum da Canção, 1 de Maio de 1967).
Na década de 1950 Celeste Rodrigues era já uma figura ímpar no universo do Fado, levando-o além fronteiras, para países como o Brasil, Espanha, Congo Belga, África Inglesa, Angola e Moçambique. E, em território nacional, era também uma fadista consagrada, conforme revela à revista “Álbum da Canção”, foi das primeiras “a actuar no período experimental da RTP, no teatro da Feira Popular (…)” e “a primeira a enfrentar as câmaras, quando os estúdios do Lumiar passaram da fase de experiências para as emissões regulares.” (cf.“Álbum da Canção”, 1 de Maio de 1967), actuações em espaços bem demonstrativos da sua grande popularidade.
Continuando a pautar o seu percurso profissional pelas apresentações nas casas de fado de Lisboa, Celeste Rodrigues integra o elenco da Parreirinha de Alfama no início da década de 1960, e aí permanece por mais de 10 anos, altura em que João Ferreira-Rosa a convida para o elenco da Taverna do Embuçado, onde faz actuações ao longo de 25 anos. Posteriormente actuará nas casas Bacalhau de Molho e Casa de Linhares. A fadista concretiza uma carreira de sucesso, com actuações nas casas típicas, em programas de rádio e televisão, nacionais e internacionais. No auge da sua carreira artística, Celeste Rodrigues foi também convidada a gravar para a BBC em Londres, a convite de Richard Engleby. E, no decurso de todos estes anos de actividade intensa, teve oportunidade de passar por algumas das maiores cidades do mundo.
Apesar das sucessivas comparações com Amália Rodrigues, sua irmã, Celeste Rodrigues possui uma autenticidade única, uma forma singular de interpretação, patente nos temas do seu repertório, como os populares “A lenda das algas” (Laierte Neves – Jaime Mendes),“Saudade vai-te embora” (Júlio de Sousa), “O meu xaile” (Varela Silva), ou o tema de Manuel Casimiro “Olha a mala”, que se tornou o seu maior êxito de vendas, entre os quase 60 discos que gravou.

Corre o ano de 2005 quando Ricardo Pais, director do Teatro Nacional São João, a desafia a participar no espectáculo "Cabelo Branco é Saudade" ao lado de outras três grandes vozes do Fado: Argentina Santos, Alcindo de Carvalho e Ricardo Ribeiro. Com este espectáculo a fadista teve a oportunidade de percorrer vários palcos nacionais e internacionais.

Mais recentemente, um dos momentos altos da sua carreira é a edição do álbum “Fado Celeste”, editado em 2007 na Holanda, e que reúne fados tradicionais e inéditos com letras de autores contemporâneos, como Helder Moutinho e Tiago Torres da Silva.

Nesse mesmo ano, em Outubro, decorreu no auditório do Museu do Fado uma homenagem à fadista, iniciativa da Associação Portuguesa dos Amigos do Fado, num reconhecimento da “voz bonita, capacidade interpretativa e a regularidade de uma carreira.” (declarações de Julieta Estrela de Castro, presidente da APAF à agência Lusa).
Actualmente Celeste Rodrigues vive entre Lisboa e Washington, onde residem as suas filhas e os seus netos, mas mantém uma actividade fadista regular, participando em diversos espectáculos e actuando pontualmente em casas de fado de Lisboa. Como a própria revelou, em 1970: “a idade influi grandemente na maneira como se canta. Sentimos o que cantamos, com maior sensibilidade e emoção.” (cf. “Rádio & Televisão”, 11 de Novembro de 1970, in “Cabelo Branco é Saudade”, programa do espectáculo, 2005). E é certamente essa sensibilidade e emoção que todos continuamos a registar nas suas interpretações.
António Barreto

segunda-feira, 1 de abril de 2013

O CRUZADINHO!


In imprensa diária de 29 de Março de 2013
AUTARCA DO PSD ELOGIA FUTEBOL MAS PINTO DA COSTA NÃO LHE DÁ BOLA
 
Luís Filipe Menezes marcou presença e faladura na Gala da Associação de Futebol do Porto, na segunda--feira. Menezes recebeu um dos prémios e elogiou as relações sempre frutuosas entre autarquias e futebol. Em clima pré-eleitoral, falou ainda das saudades que tem de munícipes como Vieira de Carvalho ou Fernando Gomes. Houve ainda quem recordasse que Lourenço Pinto está na comissão de honra que agora pretende levar Menezes à Câmara do Porto. Mal-agradecido, Pinto da Costa não fez qualquer referência ao amigo laranja.
 
Comentário Zaratustra:
 
De certezinha que esta "cumbersa" foi antes da reunião de Sófia onde as superestruturas do futebol europeu arquitetaram uma estratégia comum de combate ao fenómeno da corrupção que o está a destruir. Contráriamente à opinião de Filipe Menezes, considero tenebroso e lesivo do interesse público o contributo que Vieira de Carvalho (paz à sua alma) e Fernando Gomes , direta ou indiretamente, deram ao futebol, tal como o próprio Filipe Menezes fez em Gaia. 
 
O que me parece, é que Filipe Menezes há muito se ofereceu para capacho de Pinto da Costa a troco de um lugarzinho ao Sol e outro no rodapé da estória local.  O que pergunto a mim próprio e não entendo é como lhe aconteceu ser Conselheiro de Estado! Pobre de um país que tem Conselheiros de Estado que colocam o interesse regional ou partidário acima do interesse nacional!
 
António Barreto

FRUTINHA DE DORMIR!



In CM de 31 de Março de 2013 Estado assume dívida de 9,7 milhões ao BPN contraída por empresário de futebol.
      
Por:António Sérgio Azenha

O Estado assumiu, através da empresa pública Parvalorem, uma dívida ao BPN do empresário de futebol António Araújo, que foi apanhado ao telefone com Pinto da Costa nas escutas do caso ‘Apito Dourado'. A dívida de António Araújo, que resulta de um crédito do BPN àquele homem de negócios no tempo de Oliveira e Costa, ascendia a 9,7 milhões de euros, no final de 2011.
 
O crédito de António Araújo, dono da Onsoccer International - Gestão de Carreiras
Desportivas, foi transferido do BPN para a Parvalorem, firma criada para acolher os ativos tóxicos do BPN, no final de 2010, quando os primeiros créditos foram enviados do BPN para aquela empresa pública. O empresário terá dado garantias para obter esse crédito.
 
Contactado pelo CM, António Araújo remeteu para o advogado: "Se quer alguma informação sobre essa situação, vai ter de falar com o dr. João Machado Vaz". O CM ligou para o escritório deste advogado, mas Machado Vaz estava ausente. Deixámos os nossos contactos, mas não obtivemos respostas.
 
O crédito do BPN a António Araújo é revelado numa auditoria da consultora Deloitte ao BPN: em outubro de 2008, a dívida ultrapassava os 8,9 milhões de euros.
 
 
Comentário Zaratustra;
 
Afinal, parece que me enganei! Na sequência de todas as publicações que vieram a público que li, convenci-me que o célebre "Gerente de Caixa" era um dos muitos "nomes de guerra" de Pinto da Costa! Face a esta notícia, presumo agora que se trataria de Oliveira e Costa!  O verdadeiro homem da massa! Lá está; Costa rima com Costa! Ah valentes! Perguntemo-nos; terá saído do BPN o graveto para pagar a futa de dormir? Terá saído do BPN o pilim para financiar a aquisição de Pepe e C.ª? Baaaaah; coisas menores!
 
"Mas Salirenses honrados, podeis domir descansados, já lá vai preso o ladrão!" É o vais!
 
Ah! Mas não incomodeis o Senhor Araújo, o inefável  "Empresáio do Século"!
 
Façamos uma vaquinha e não se fala mais nisso!
 
António Barreto 
 

domingo, 31 de março de 2013

Benfica-Rio Ave (6-1)


In Público online de 30 de Março de 2013
 
A abordagem pragmática que Jorge Jesus exigiu à equipa para a recepção ao Rio Ave, prescindindo do espectáculo e considerando suficiente um triunfo pela margem mínima, os jogadores “encarnados” responderam com uma goleada, por 6-1, e com apontamentos artísticos na Luz. A partida ficou resolvida na primeira parte, mantendo os lisboetas a vantagem de quatro pontos sobre o FC Porto na liderança.
 
Não fez mal a paragem do campeonato ao Benfica, como o comprovaram in loco os 46 mil adeptos benfiquistas nas bancadas. Frente a um adversário que tem sido uma das equipas-sensação desta temporada na Liga, os líderes isolados do campeonato não facilitaram e ainda o cronómetro marcava os 15’, já tudo parecia resolvido, com dois golos que acabaram com as ambições dos visitantes, que sofreram 16 golos nas três últimas deslocações à Luz para a principal competição nacional. 
A recuperar de um problema muscular, Cardozo começou a partida no banco, por precaução, abrindo as portas da titularidade a Rodrigo, algo que não acontecia desde o dia 17 de Fevereiro. Moralizado pelos golos que apontou à Noruega e à Rússia, ao serviço da selecção de sub-21, que o tornaram no melhor marcador da equipa, o espanhol acompanhou Lima no ataque “encarnado”.
Mais aguardado foi o regresso de Luisão, recuperado de uma lesão, ao eixo da defesa, onde voltou a fazer dupla com Garay. De resto não se registaram mais novidades em relação à equipa que goleou na última ronda o V. Guimarães, no Minho, por 4-0.
Frente a um adversário que luta pelos lugares europeus, o Benfica precisou de um quarto de hora para deixar a partida praticamente resolvida. De nada valeram as cautelas defensivas reforçadas de Nuno Espírito Santo, com cinco unidades mais recuadas (três centrais). Se inicialmente conseguiu manter controladas as unidades mais ofensivas dos lisboetas, foi impotente para travar dois carrascos menos habituais.
 
O primeiro foi de Melgarejo (11’) e o segundo de Matic (15’). Dois golos que tiveram ainda em comum as assistências de Nico Gaitán. Pelo meio destes dois lances fatais para o Rio Ave, a equipa de Vila do Conde viu a barra devolver um remate de Ukra, na cobrança de um livre perigoso, à entrada da área. Minutos iniciais frenéticos, que tiveram o condão de condicionar desde logo a estratégia dos visitantes.
 
Uma iniciativa individual de Bebé ( 26’), que não conseguiu ter força para bater Artur, depois de um longo sprint no meio-campo benfiquista foi o melhor que os nortenhos conseguiram na primeira metade. Bem mais eficazes, os lisboetas encerraram de vez a questão dos três pontos em disputa, aos 41’, quando Lima apontou o terceiro golo, desviando para as redes um cruzamento de Enzo Pérez.
 
Com encontro marcado com os ingleses do Newcastle na Luz, na próxima quinta-feira, na primeira mão dos quartos-de-final da Liga Europa, Jorge Jesus teve espaço de manobra para aplicar um plano de gestão de esforço da equipa na segunda metade. Salvio, tocado no final do primeiro tempo, já não regressou para o reatamento, cedendo o lugar a Ola John. Uma alteração que não trouxe grandes novidades para a história do encontro. Na realidade, a partida reiniciou-se como havia sido interrompida para o intervalo: com um golo de Lima (49’).
 
Se no seu primeiro golo, o avançado se limitou a encostar, no segundo meteu uma nota artística na jogada, com um grande remate de pé esquerdo à entrada da área. E o brasileiro não ficou por aqui. Aos 76’, confirmou um hat-trick, instantes depois de Cardozo ter entrado (para o lugar de Gaitán) para lhe fazer companhia no ataque. A oito minutos do final, Enzo Pérez colocou a contagem da equipa da casa nos seis golos.
 
Antes, o Rio Ave ainda diminuiu a desvantagem com o golo de honra (51’), apontado por Hassan. Foi o derradeiro fôlego dos visitantes, antes de ficarem reduzidos a dez elementos, por expulsão de Wires, e depois a nove (Edimar). Nos descontos, Melgarejo seguiu o mesmo caminho e falhará a deslocação ao terreno do Olhanense na próxima ronda.
 
Ficam a faltar seis “etapas” ao Benfica, com uma passagem pelo Estádio do Dragão, na corrida pelo título.
 
 
 
 
 
 
Comentário Zaratustra: 
 
Preocuparam-me os amarelos e a expulsão de Melgarejo. Cardozo não entrou bem; falhou duas boas oportunidades. Gaitan, Enzo e Lima arrazaram.
 
Prego a fundo, rapazes!
 

sábado, 30 de março de 2013

Unidos contra a corrupção! Ver para crer!

 Gianni Infantino e Michel Platini

Publicado: Quinta-feira, 28 de Março de 2013, 18.10CET

Unidade contra viciação de resultados e racismo


O Presidente da UEFA, Michel Platini, acolheu com agrado as importantes demonstrações de união do futebol europeu em Sófia, esta semana, nas quais os intervenientes principais da modalidade prometeram esforço adicional na luta contra a viciação de resultados e o racismo.
 
Federações europeias, representadas pela UEFA, clubes (Associação Europeia de Clubes), ligas (Associação das Ligas Europeias de Futebol Profissional) e jogadores (divisão europeia da FIFPro) adoptaram unanimemente um documento de posição conjunta, que inclui um plano de acção para proteger a integridade do futebol e reforçar a batalha contra a viciação de resultados. O Comité Executivo da UEFA também ratificou o documento na reunião efectuada na capital da Bulgária, esta quinta-feira.

O plano de acção passa por uma política de tolerância zero contra a viciação de resultados no futebol, situação que a UEFA, em particular, considera como uma das mais sérias ameaças ao bem-estar global do futebol, facto que Michel Platini foi célere em destacar. "Assim que temos conhecimento de algo importante, e temos provas de corrupção em jogos, as sanções são de 'tolerância zero'", disse. "Conto com o mundo do futebol, e todos aqueles que amam a modalidade, para ajudar a erradicar este flagelo porque a viciação de resultados é o problema mais importante que afecta o futebol."

"Se no futuro forem assistir a um jogo e já souberem o resultado", acrescentou o Presidente da UEFA, "não vale a pena sequer irem. O nosso desporto será aniquilado. Devemos proteger o futebol e ser implacáveis para aqueles que quebrarem as regras – jogadores, árbitros, dirigentes. Existirá tolerância zero. É uma questão de defendermos o nosso jogo. Todos nós amamos o futebol e devemos protegê-lo. Não vamos desistir."

A UEFA introduziu uma série de medidas e actividades, como parte dos seus esforços para eliminar a viciação de resultados. Entre esse lote inclui-se um sistema de detecção de fraudes (BFDS) que monitoriza cerca de 30 mil encontros de campeonatos e taças nacionais por toda a Europa, bem como jogos em competições da UEFA. A UEFA está a construir uma base de dados interna alargada contendo informação relacionada com jogos proveniente de diferentes fontes, que permite ao órgão gestor europeu trabalhar em conjunto com autoridades policiais e entidades estatais, nos seus inquéritos em casos de corrupção.

A UEFA também utiliza delegados de integridade nas 53 federações suas filiadas que trabalham contra a viciação de resultados a nível nacional, ajudando a introduzir programas educativos para jogadores, árbitros e dirigentes. Servem igualmente como elo de ligação com a UEFA em qualquer tipo de assunto que surja, envolvendo jogos ou equipas suas que participem nas competições da UEFA.

Em relação ao racismo no futebol, o Concelho Estratégico do Futebol Profissional também adoptou uma resolução cujo objectivo é combater o racismo e a discriminação. Mais uma vez, é apoiada uma política de tolerância zero e existe um forte apelo para que sejam impostos castigos severos. Para além disso, é dado apoio aos árbitros que decidam interromper jogos em caso de manifestações de racismo.

"É um problema gigantesco", disse Platini a propósito de fenómenos negativos como o racismo, discriminação e intolerância. "Afecta pessoas que não têm nada a ver com o futebol. Temos de tentar combatê-lo em duas frentes – de forma pedagógica, através de todos os programas que estamos a levar a cabo com organizações internacionais, e através de sanções. É nosso dever lutar contra o racismo."

Platini expressou satisfação pelos progressos do sistema de árbitros assistentes adicionais, que se tornou parte das Lei do Jogo em Julho passado, utilizado no UEFA EURO 2012 e actualmente colocado em prática nas principais competições de clubes da UEFA. Em Sófia, o Comité Executivo aprovou financiamento específico, na forma de dez milhões de euros de ajuda, às federações ao longo de três anos para implementação do programa de árbitros assistentes adicionais.

"O International Board aceitou o sistema de cinco árbitros", reflectiu o Presidente da UEFA, "e vamos prosseguir com este sistema nas nossas competições. Não tem nada de negativo – existem dois pares de olhos extra que vão ver os lances muito melhor do que acontecia antes. Na UEFA Champions League, estou muito satisfeito por ver o que está a acontecer – praticamente não existem erros, e os árbitros observam tudo o que se passa dentro de campo."


Comentário Zaratustra:

Espero que Pinto da Costa, Lourenço Pinto, Filipe Menezes, Pedro Proença, Carlos Xistra, Elmano Santos, Artur Soares Dias, Fernando Gomes, Fernando Mestre & C.ª, tenham estado presentes e estejam em sintonia com o desígnio comum, agora manifestado, de combate à corrupção no futebol, e..também em Portugal!

A UEFA tem fechado os olhos à pouca vergonha que por cá se tem passado desde há mais de 20 anos! É demasiado tempo para levarmos a sério este programa, sobretudo quando nos lembramos da  forma como se coibiu de sancionar o Futebol Clube do Porto, na sequência dos mirabolantes e vergonhosos procedimentos da FPF a este propósito, afigurando-se como cúmplice aos olhos dos que, efetivamente, amam o futebol.

Não senhor Platini, nem todos amam o futebol! Os corruptos, os ladrões, os bandidos, amam mais a ideia que têm de si próprios, não hesitando em utilizar todos os meios ao seu alcance para satisfazerem a sua sede de vingança pessoal, gerada pela sua patológica incapacidade de lidar com o sucesso alheio e pela sua obcessão pelo poder, ainda que efémero e espúrio.

A UEFA tem um longo caminho a percorrer e muitas explicações a dar até conseguir reconquistar a confiança dos adeptos e restaurar neles o fascínio que fez do futebol o que já foi. E para início de conversa, deve começar por dentro, afastando dos seus quadros todos os que ativa ou passivamente, têm pactuado com o estado de corrupção generalizada a que temos vindo a assistir...a olho nú! Os que têm permitido vitórias sem causa, indiferentes às legítimas espectativas dos adeptos burlados, dos atletas humilhados, dos dirigentes subjugados, à banalização da violência e à incompetente promoção dos que mais têm contribuido para a desacreditação do futebol, como é o caso de Pedro Proença; um dos árbitros que têm  decidido os vencedores em Portugal!

Quanto ao racismo, trata-se, quanto a mim, de uma falsa questão, já que, não acredito aue haja racismo no futebol atual. Trata-se sim, de um expediente desestabilizador, habitual neste desporto, dentro e fora das quatro linhas. Tão ou mais grave é a intolerância violenta a que se tem assistido nas últimas décadas, nalgumas cidades em Portugal - Porto e Braga -, relativamente ao adeptos de clubes de outras cidades, com destaque para os Benfiquistas e até Sportinguistas, perante a passividade cúmplice das autoridades locais e nacionais.

Faço votos para que, neste programa, se passe rápidamente das palavras aos atos afastando toda a gandulagem que transformou o futebol num lamaçal fedorento.

Saberá Platini devolver ao futebol a magia que tão bem cultivou enquanto atleta de eleição? A ver vamos!

António Barreto 

A Reta da Meta!

O Benfica arranca em vantagem na ponta final do Campeonato, que se reinicia hoje após mais uma paragem idiota imposta pelo calendário das seleções, que nos deixou três titulares em dúvida para o jogo de hoje; Cardozo, Máxi e Enzo.  
 
Revelando um significativo salto organizativo proporcionado pela estabilidade e competência da Direção Desportiva e da Equipa Técnica, o meu clube tem superado todas as malfeitorias e demais contrariedades que se lhe têm deparado, muitas delas, estou convicto, induzidas pela Praga Azul que não é capaz de ganhar sem espúrias habilidades, por maior que seja a qualidade da sua equipa.
 
A prudência, tem caracterizado os comentários  Benfiquistas, receosos das armadilhas que  poderão surgir. Armadilhas  que têm nome e rosto; proença, soares, elmano, xistra, costa, etc, sem as quais, o seu clube, disporia de mais quatro pontos conquistados no terreno de jogo.
 
Tal não constitui razão bastante para sustentar o discurso da excessiva humildade, do; "ainda não ganhámos nada", "vamos a ver", "se algo correr mal",  "nada de euforias"! Um discurso próprio de "campeãozinho medroso; "porque há muito desgaste físico nesta altura", "porque o desgaste emocional é muito grande", "ai jasus que ainda podemos ser campeões", "são jogos a mais", como quem diz; "não reparem em nós que até podemos não ganhar!
 
Chega de paleio da treta! É na reta final que o piloto mete prego a fundo! É agora! É agora que o campeão se afirma, olhos nos olhos, concentrando em cada instante todas as competências de todos os que, no terreno ou nos bastidores, travaram as batalhas até à última curva.
 
É hora de mostrar aos adversários e amantes do futebol que aqui mora o campeão, apesar da canalha que se lhe atravessará no caminho. É hora de soltar todos os demónios que caracterizam os vencedores; competência, talento, determinação, entreajuda, respeito e lealdade. É hora de Benfica!
 
Vamos a eles rapazes! Fogo à peça!
 
António Barreto 
 

Mário Figueiredo resiste aos ataques da "Praga Azul"!

In A Bola em 27 de Março de 2013
A LIGA PORTUGAL vem publicamente denunciar os factos que adiante se elencam:

1. O Senhor Secretário de Estado da Juventude e do Desporto, que reiteradamente tem declarado ser intransigente defensor do princípio de não ingerência do Governo no movimento associativo, permitiu, a pedido do Presidente da FPF, a inclusão, na ordem de trabalhos da próxima reunião do Conselho Nacional do Desporto, de um assunto que é da esfera privada de dois entes associativos privados – a FPF e a LIGA PORTUGAL.
 
O assunto em questão diz respeito a uma divergência de entendimentos entre essas duas
associações sobre receitas que a FPF se arroga e que a LIGA PORTUGAL entende serem da sua plena e exclusiva titularidade - uma matéria inequivocamente do foro e da autonomia privada. Ora, sob pena de incoerência e arbítrio, a propalada autonomia das instâncias associativas invocada para justificar as decisões de não ingerência do Estado, tem que funcionar em todos os sentidos.

2. Por outro lado, aparentemente, o Senhor Presidente da FPF ter-se-á esquecido do curto mandato de um ano e meio que exerceu na presidência da LIGA PORTUGAL, instituição que usou e de que se serviu para se fazer eleger para o cargo que actualmente ocupa, no desempenho do qual está, lamentavelmente, ao serviço, não dos clubes ou do futebol Português, mas de interesses instalados, designadamente na área das transmissões televisivas, que pretendem enfraquecer a LIGA PORTUGAL e tornar subservientes os clubes.

3. Com a participação das equipas “B” na II Liga, a LIGA PORTUGAL prossegue, primordialmente, o objectivo de formação e promoção de jogadores entre os 19 e os 23 anos, o que originou um acréscimo de despesas com a organização desse campeonato de cerca de um milhão e duzentos mil euros. Tal objectivo de valorização e formação local de jogadores é vital para o apetrechamento das Selecções Nacionais, finalidade que a LIGA PORTUGAL prossegue mesmo sem o apoio e a colaboração que seria expectável que a FPF manifestasse como beneficiária directa e principal desse esforço. Aliás, a FPF não só não defende interesses que, afinal, também são próprios, como vem urdindo uma estratégia – cada vez menos dissimulada – de asfixia da LIGA PORTUGAL, nomeadamente pela apropriação de receitas geradas nas e pelas competições profissionais, que, nos termos da Lei, são organizadas, regulamentadas e dirigidas pela Liga Portugal com autonomia administrativa, técnica e financeira.

4. A imprudência e ligeireza da FPF submeter a um órgão governamental a apreciação de um litígio pendente entre dois entes privados são tanto mais gravosas pelo facto de tal actuação violar o compromisso arbitral constante dos estatutos da FIFA e dos próprios estatutos da FPF, que visa eliminar a possibilidade de ingerência de entidades externas ao desporto.

5. A Liga Portugal, como representante do futebol profissional cuja autonomia é garantida por Lei, espera e exige o escrupuloso respeito dos princípios legais da liberdade e independência das instituições do movimento associativo relativamente ao Estado. 
 
 
Comentário Zaratustra:
 
Perante a ameaça de enfraquecimento do seu ramo da propaganda, a "Praga Azul" tudo tem feito para correr com o incómodo Mário Figueiredo (MF) da LP, tal como fez com Hermínio Loureiro - que "ainda hoje vai a fugir" adotando a postura do políticamente correto, depois de ter garantido o cómodo lugar de Vice-Presidente da FPF, onde se tornou irrelevante.
 
Desconhecendo a razão formal neste episódio, parece-me evidente que o objetivo consiste em vergar a determinação de MF pela asfixia financeira e consequente descontentamento dos clubes filiados. Seguro da cumplicidade da tutela, deixando cair o outrora inalienável princípio da independência associativa, Fernando Gomes apressou-se a fazer queixinhas ao Secretário de Estado do Desporto, que por sua vez fez agendar o assunto ao Conselho Nacional do Desporto.
 
Espero que MF se mantenha firme na defesa dos efetivos interesses dos clubes, libertando-os da tenaz financeira a que a Praga azul os submete, e saiba esclarecer a população acerca do papel que, quer a FPF, quer o Governo, quer os partidos, quer outros agentes do futebol internos e externos - como a UEFA e a FIFA -, desempenham na defesa da transparência no futebol, ou contra ela. Que não se acobarde como muitos têm feito, pois representa a esperança de muita gente boa.
 
António Barreto                      
 

sexta-feira, 29 de março de 2013

Consciência, esse bem precioso!

A LATA
Por Manuel Maria Carrilho
In DN de 28 de Março de 2013
 
O contrato com Sócrates para ser comentador semanal no canal público de televisão teve de partir, ou de passar, por Relvas. Isso é óbvio. E só a imagem do que terá sido essa negociação a dois dá uma ideia arrepiante, mas bem clara, do estado de degradação extrema a que chegou o regime.

É uma contratação que infelizmente não surpreende porque, na verdade, José Sócrates e Miguel Relvas são políticos siameses. Se olharmos bem para o perfil e para o percurso de um e de outro, a conclusão impõe-se como evidente. E muitas coisas estranhas se tornam, de repente, claras e compreensíveis.

A história da licenciatura de Relvas foi o primeiro sinal de uma semelhança que se revela bem mais funda: o mesmo fascínio pelo mundo dos negócios, o mesmo desprezo pela cultura e pelo mérito, o mesmo tipo de relação com a comunicação social, o mesmo apego sem princípios ao poder e, acima de tudo, a mesma lata, uma gigantesca lata! Só falta mesmo ver também Sócrates a trautear a "Grândola, Vila Morena", mas por este andar lá chegaremos...

O contrato com a RTP vem, de resto, acentuar mais uma convergência entre Sócrates e Relvas, e num ponto político extremamente sensível, que é o da conceção de serviço público de televisão. Porque, com este contrato, Sócrates aparece a cobrir inteiramente a devastação feita por Relvas no sector, e a bloquear tudo o que o PS pretenda dizer ou propor sobre o assunto. E quem cauciona o que Relvas fez aqui, cauciona tudo.

O que Sócrates deve fazer é assumir as suas responsabilidades na crise, e pedir desculpa aos portugueses - e para isso basta uma entrevista pontual, sóbria, esclarecedora e responsável. É isso que os Portugueses merecem, é disso que a nossa democracia precisa, e é a isso que o Partido Socialista tem direito. Ficar a pastar nos comentários, pelo contrário, é puro circo político, e do pior: é usar o horário nobre do serviço público de televisão para jogadas de baixa política e de pura revanche política pessoal.

Como já há tempos afirmei, Sócrates e Relvas são sem dúvida os dois políticos que mais contribuíram para a crise moral, e de confiança, que o País atravessa. Uma crise que veio agudizar todas as suspeitas com que os cidadãos olham para as suas elites dirigentes e para o continuado fracasso da sua ação.

São casos que a radical mediatização dos nossos dias facilita. Nomeadamente, porque ela abriu as portas à irrupção de um novo tipo de político, que trocou o retrato de cidadão esforçado, reservado e responsável de outros tempos, por um perfil em que o traço dominante é, simplesmente, o da lata.

E essa lata, é o quê? É sobretudo a expressão de uma afirmação pessoal sem limites de qualquer ordem, que tudo arrasa no seu caminho, num júbilo mais ou menos histérico que dispensa qualificações ou convicções que não sejam de ordem psicológica ou comunicacional. Daí, naturalmente, a excitação voluntarista e a encenação estridente que sempre a acompanham.

A lata não é certamente um exclusivo dos políticos, mas tem neles um terreno de exceção. Ela aparece hoje como um traço específico do que alguns autores têm diagnosticado como a "nova economia psíquica" do nosso tempo. É isso que leva muita gente a ver neles verdadeiros mutantes, e a lamentar nostalgicamente que, na política, tenham desaparecido os verdadeiros líderes...

Mas seja ou não de mutantes que se trata, é preciso reconhecer que os "políticos de lata" estão em sintonia com muitas transformações do mundo contemporâneo, e que é por isso que eles suscitam inegáveis apoios e vivas controvérsias. Figuras maiores, bem ilustrativas deste fenómeno, são Sílvio Berlusconi ou Nicolas Sarkozy.

Como já há tempos afirmei, Sócrates e Relvas são sem dúvida os dois políticos que mais contribuíram para a crise moral, e de confiança, que o País atravessa. Uma crise que veio agudizar todas as suspeitas com que os cidadãos olham para as suas elites dirigentes e para o continuado fracasso da sua ação.

São sempre criaturas mitómanas, destituídas de superego e, portanto, de sentido de culpa ou de responsabilidade. Revelam uma contumaz incapacidade de lidar com a frustração, que é, como Freud bem ensinou, onde começam todas as patologias verdadeiramente graves.

Com eles, tudo se dissolve num narcisismo amoral, quase delinquente, que vive entre a alucinação de todos os possíveis e a rejeição de quaisquer limites. Eles estão pois muito em linha com o paradigma do ilimitado que tem anestesiado e minado o mundo nas últimas décadas.

A lata tornou-se, deste modo, num traço político muito frequente, que anima os mais variados, e lamentáveis, tipos de voluntarismo. Não admira pois que os políticos de lata se singularizem, não pela sua dedicação a causas ou a convicções, mas pelos intermináveis casos em que se envolvem e são envolvidos.

É também por isso que eles têm sempre que tentar voltar - foi assim com Berlusconi, é o que se tem visto com Sarkozy, chegou a vez de José Sócrates. Não resistem... e todos encenam, para disfarçar a sua doentia obsessão com o poder, umas travessias do deserto mais ou menos culturais... Berlusconi com a música, Sarkozy com a literatura e o teatro, Sócrates com a filosofia.

Mas o seu compulsivo "comeback" acaba sempre por se impor, porque ele é o tributo que eles têm que pagar à sua tão vazia como ilimitada mitomania. Com consequências, atenção, que já conduziram várias sociedades e diversos países às piores tragédias. Esperemos que não seja esse, desta vez, o caso - mas o aviso aqui fica!...
 
Comentário Zaratustra
Manuel Maria Carrilho tem um curriculo académico notabilíssimo e uma obra profícua a exigir melhor atenção. Dele guardava fraco conceito, na sequência da sua passagem pela Secretaria de Estado da Cultura e  de vários episódios de então que pareciam anunciar uma personalidade narcísica e fútil, como habitualmente sucede à generalidade da "Praga Académica".
Enganei-me! Perdeu o confortável cargo na Embaixada de Paris em resultado da dissidência que não se coibiu de expressar ao ver o Governo do seu partido conduzir o país para a insolvencia! A profundidade da análise que agora faz, sobreleva, de longe, tudo o que se escreveu a propósito da recente entrevista de José Socrates à RTP1, desenvolvendo a excelente crónica de Eduardo Cintra Torres acerca do mesmo tema. A ambos pois, tributo o meu respeito.
Há, porém, algo que nenhum deles referiu e que gostaria de acrescentar; Portugal tem que sair do círculo político vicioso em que se encontra, sob pena de acabar em protectorado. Precisa de caras novas, de ideias novas, de reconfigurar a estrutura do regime, de restaurar o conceito fundador da Nação.
Sócrates é a proposta de regresso ao passado; as mesmas ideias, a mesma atitude, o mesmo vazio, a mesma incompetência, a mesma frustração. Sómente a obcessão da vingança e da reconquista da hegemonia da Tribo Socrática, apesar dos efeitos nefastos que tal induziria no esforço titânico que os portugueses estão a fazer para sair do pântano onde se encontram.
Não obstante, há uma faceta positiva no regresso de Sócrates! A de proporcionar a clarificação política da sociedade portuguesa, sem a qual o país não avançará. A prática partidária de coexistência pacífica que tem sido seguida, gerou o lamaçal do bloco central, induziu nos cidadãos a falsa ideia de inexistência de diferenciação ideológica partidária e da inutilidade do seu voto perante nova forma de totalitarismo. 
Nessa clarificação caíu, em definitivo, um mito! O mito Mário Soares! O paladino da liberdade, da verdade, da solidariedade, da tolerância, do pluralismo! Não, essa imagem não corresponde à verdade! Mário Soares nunca passou de um menino mimado com permanente necessidade de ribalta, sempre financiado por outrem. A sua pátria, o seu legado, é o PS, por quem está disposto a tudo sacrificar, inclusivé a Nação, pela qual, diz, se bateu. O seu conceito de liberdade não vai além do PS! A ponto de considerar "brilhante" o desempenho televisivo de quem humilhou um povo honrado e orgulhoso do seu passado, agora condenado à subalternidade! Tal apreciação decorre, não do mérito do visado, que o não tem, mas do singelo facto de este pertencer à sua tribo, pela expectativa de acesso do seu partido ao poder.
Ostensivamente, despreza, Mário Soares, o sentimento de repulsa que Sócrates gera na generalidade da população, que o considera indigno das prerrogativas de um homem livre. Só um "canalha" enaltece outro "canalha"!
António Barreto