Desporto

domingo, 10 de abril de 2016

Caráter e talento

    
(Abel Manta)
 
   Já se esperavam grandes dificuldades no jogo com a Académica. Esta desgraçada cultura do pontinho de equipas que não têm capacidade competitiva por falta de condições financeiras, está a matar o futebol português. Apesar do exigente jogo com o Bayern, os jogadores do Benfica controlaram as emoções e o desgaste físico e, com talento, arrancaram preciosa vitória, virando o resultado já na ponta final do jogo. Eliseu, que está a jogar a um nível muito alto, teve azar ao aliviar para a frente da área em vez de a despachar pela linha lateral. Os dois golos são próprios de grandes jogadores; de elevada capacidade técnica e capazes de pô-la em prática em momentos de grande pressão.Quanto ao Capela, parece que andou por lá a fazer umas aselhices mostrando o que já sabemos; que, para alguns, compensa pressionar os árbitros.   
 
      Quanto ao desfecho do caso Slimani; foi usado contra o queixoso! Evidentemente. Desacredita o Concelho de Disciplina da FPF e a própria FPF. Se demoraram cinco minutos a tomar a decisão, porque demoraram tanto tempo com o assunto, alimentando a guerrilha que os dirigentes do Sporting movem às instituições desportivas e ao Benfica? O acórdão é uma anedota e mostra o poder discricionário dos seus "juízes". O futebol português não tem lei. Porque carga de água não não são punidos Otávio Machado e Augusto Inácio apesar do chorrilho de baboseiras que não se cansam de debitar? Gomes da Silva foi castigado com onze meses de suspensão por ter dito o óbvio; que o árbitro "Pedro Proença" não marcou fora de jogo porque não quis (no jogo Benfica-Porto que decidiu o campeonato em favor dos azuis com o golo em fora de jogo de Maicon). A razão é simples; porque há falta de isenção dos titulares dos cargos na justiça federativa como, afinal, tem sido norma desde há décadas. Lembremo-nos, por exemplo, do campeonato de Juniores que o Benfica ganhou no terreno e que lhe foi posteriormente negado na secretaria em favor do Sporting. Uma vergonha!
 
   A página "Pé em Riste" da secção "Sport" do CM de 9 de Abril, contém um pequeno artigo  com foto revelando grande cumplicidade entre uma tal Catarina Franco e um tal Sancho Freitas. Não viria mal ao mundo se não se desse o caso de a senhora ser Técnica de apoio jurídico na FPF e o senhor ser Acessor do Conselho de Administração da Sporting SAD! Se houver um pingo de vergonha da FPF, esta senhora é demitida imediatamente!
 
   Curioso é que, na noite da véspera da notícia do arquivamento do caso Slimani tive uma revelação; Zé Batata e João Pateta, encontraram-se na pastelaria "Os Idiotas" para o habitual mata-bicho:
   Zé Batata: - É pá, se nos castigam o mata-sete vamos perder o campeonato.
   João Pateta: - Ó Zé, o caso é grave; o gajo podia ter matado o lampião.
   ZB: F....e agora?
  JP:...Agora...bamos arrastar o caso enquanto boceses fazem o máximo barulho possível, até os gajos cometerem um erro...para não parecer muito mal. Se entretanto eles ficarem para trás...então castiga-se o homem e ficamos todos sastefeitos.
   ZB: Nisso não há problema temos uns gandulos do futebol talhados p'rá confusão e uma equipa de camones para nos ajudar a pôr fogo a isto.
   JP: Se a coisa correr mal e os gajos não cederem, viramos o feitiço contra o feiteceiro; anuncia-se a decisão no momento crítico do campeonato, eles ficam desorientados, perdem pontos e bocêses ganhem.
 
Enfim, só parodiando se pode encarar isto.
 
   Por outro lado têm acontecido umas bizarrias bem engraçadas: Na véspera, ou no dia, do jogo com o Sporting, o Treinador dos azuis não pôde preparar a sua equipa porque lhe cortaram a luz! Na véspera do jogo com o mesmo Sporting, alguns jogadores do Marítimo andaram à bulha no treino e foram castigados quatro titulares, apresentando-se os insulares em alvalade com a equipa desfalcada. Aposto que vai acontecer algo com o próximo adversário dos "aristocratas" da verdade desportiva, que não confiam no seu Treinador e têm medo do Benfica. Como é evidente.
 
   Pinto da Costa, desorientado, atirou a toalha ao chão e ficou finalmente a perceber que os adeptos são-no relativamente ao clube e não a ele próprio. A entronização dura o tempo das vitórias e estas estão mais difíceis; talvez por falta de fruta ou do controlo do financiamento dos concorrentes. Vai sair pela porta baixa, como merece. É a vida; quem com ferros mata...
 
Agora há que carregar as "baterias" para o próximo jogo ignorando as baboseiras dos adversários.
 
Força Benfica!
 

terça-feira, 5 de abril de 2016

Ao nível do Bayern!

  
(José Malhoa)
  
   Se dúvidas havia quanto à solidez do futebol da atual equipa do Benfica ficou dissipada hoje. Depois de um início em falso que lhe custou um golo, pouco a pouco, os jogadores do Benfica foram-se libertando do receio natural do poderoso adversário e do imponente palco, acabando por equilibrar o jogo na 2ª parte, obrigando os homens de Guardiola a suar e sofrer para garantir a magra vitória. Com jogadores de topo mundial, uma estrutura compacta e uma dinâmica muito bem assimilada e sincronizada o Bayern controlou o jogo durante a maior parte do tempo, mas a meio da 2ª parte já os seus jogadores, Ribery, Muller, Lwandivsky, Mário Gotze, Neuer & Cª percebiam que podiam não ganhar a eliminatória e tentavam desesperadamente marcar o tento da tranquilidade. Apesar da menor posse de bola e dos poucos remates à baliza, o Benfica teve oportunidades suficientes para marcar, tendo faltado a Jonas e a Gaitan controlar a ansiedade no momento fatal...e ao polaco Szymon Marcianiak fazer o que lhe compete; fazer cumprir as leis do jogo. E não fez!...ao deixar por assinalar uma grande penalidade contra os alemães e a interferir em seu favor nos lances divididos ou pouco definidos. Gostei de ver o Ribery a suar e o Neuer "ao papel" com a bola a pairar à frente da sua baliza. Fantásticos foram todos os jogadores do Glorioso, Ederson funcionou por vezes como terceiro avançado! Só vi fazer o mesmo a Peter Schemeichel! Eliseu esteve soberbo; colocou os seus adversários diretos em desespero obrigando à substituição de um dos principais municiadores do ataque adversário. André Almeida bateu-se de igual para igual com Ribery. Jardel e Lindeloff foram bravíssimos, exceto no lance do golo, com o primeiro a meter a cabeça à frente de um míssil com selo de golo. Fejsa e Renato não se deixaram enrolar no carrossel vermelho, com este a revelar um poder físico de respeito. Gaitan Jonas e Mitroglou trabalharam imenso para o golo que bem poderia ter acontecido. Samaris, Sálvio e Raul, ainda alimentaram a esperança no empate.
Bravo!
Na Luz, quero meças!
Um grande aplauso para a equipa de andebol do Benfica que, galhardamente, conquistou a Taça de Portugal. Parabéns. Na verdade cheguei a pensar que esta seria mais uma época falhada para o andebol encarnado em virtude do fraco arranque. Mas enganei-me. Ainda bem. Os dirigentes da secção, à semelhança do aconteceu no vólei, no hóquei e no futsal, perceberam que o modelo anterior estava esgotado e partiram para a renovação com a aquisição de alguns, efetivamente, grandes jogadores como é o caso de Mitrevski, Elly Semedo e outros. Respeitando os jogadores dispensados. Assim é que é!
Força Benfica! 

segunda-feira, 7 de março de 2016

A reta da meta

  
O campeonato entrou na reta final e o Benfica está na frente! O "cérbero" gripou! Dizem que nada está ganho mas não é verdade; ganhou-se dignidade, respeito e a possibilidade efetiva de ganhar o campeonato. Jorge Jesus mostrou grande azedume e, mais uma vez, desrespeitou o Benfica, expondo publicamente a sua falta de caráter. Ainda não percebeu que as derrotas doem muito mais quando não se respeita o adversário. Ainda não percebeu que está a desmerecer, de forma irreversível, o capital de credibilidade e de afeto que o clube que agora hostiliza lhe proporcionou e de que não voltará a desfrutar. Uma pena!
 
   Ouvi o jogo pela BTV e vi parte do resumo; falta grave de William sobre Jonas logo a abrir, ao estilo de Soares Dias; grande golo de Mitroglou de pé esquerdo e trivela na cara do guarda-redes; excelentes defesas de Ederson. Contrariamente ao que aconteceu no jogo com o Porto, parece que a equipa trabalhou melhor o meio campo, jogando mais compacta. Às vezes tem que ser.

   De notar as sucessivas contrariedades que parecem não abandonar nem abalar os encarnados; Fejsa e Sálvio, agora regressados, Sílvio, Luisão, Lisandro, Júlio César, afastados da equipa, este por lesão contraída na véspera! Já não se verifica o clima de pânico de outrora, graças, sobretudo, à estabilidade e eficiência crescentes, ainda que incompletas, da gestão desportiva.
 
   O Sporting deve queixar-se de si próprio; a inevitável invocação do "azar", nada mais serve que para aliviar a consciência de insuficiências próprias. Os jogadores verde-brancos falharam porque a tática dos adversários os deixou intranquilos apesar das bazófias dos seus Presidente e Treinador. O tempo e o espaço eram curtos e duvidavam da sua capacidade de virar o resultado. Quando acertavam...estava lá o Ederson a fazer o seu trabalho com grande serenidade.  E a serenidade mete respeito.
 
        Não estou a gostar da postura da BTV! O respeito aos adversários é imperativo. Sem dúvida. Mas nunca deve descurar-se a defesa do clube. Há demasiada preocupação em não melindrar os adeptos adversários nem os árbitros, mas com isso pode ferir-se os adeptos encarnados. Pode e deve defender-se o clube sem desrespeitar quem quer que seja nem faltar à verdade. Já agora; seria saudável trazer alguma dissidência aos debates para que não pareça que estamos a assistir a uma espécie de missa. Sem dissidência não há evolução; a estagnação é certa.

   Então Soares Dias é um bom árbitro para quem e desde quando? Não para o  Benfica, como se viu mais uma vez.
 
   O Benfica teve a sua quota parte na derrota do Porto em Braga. Os jogadores azuis ficaram desanimados com o resultado de Alvalade. 

   O campeonato continua em  aberto, agora numa luta a dois, mas o Benfica é mais candidato.
 
Parabéns aos atletas e técnicos das equipas de atletismo, em especial de masculinos, penta campeões, onde se destacou o novo recordista nacional do salto em altura com uns magníficos 2,24 m. Nelson continua em recuperação e as meninas vice-campeãs deram boa conta de si, prometendo melhores feitos. Força, Ana Oliveira, o regresso do Sporting valoriza a modalidade e as vitórias.
 
(William Turner, autorretrato)

quarta-feira, 2 de março de 2016

Notas soltas

  
   A "ferros" foi a vitória sobre o União da Madeira. Esperava uma goleada. O estimado Norton de Matos também, por isso montou um sistema ultradefensivo. O costume, salvo honrosas exceções, para mal do futebol nacional. Todos num molhinho, muito chegadinhos à área, muita intensidade, muita entreajuda, à espera dum percalço da equipa adversária para o contra-ataque. Um espetáculo deprimente e recorrente, que afasta gente dos estádios, a exigir a definição de critérios de autonomia financeira muito mais apertados de acesso  dos clubes ao futebol profissional.

   Voltando ao jogo foi mais um caso de "tiro ao boneco" com os encarnados, após o fantástico golo do "pistolas", a tentar furar, teimosamente, uma indestrutível floresta de pernas, à procura do golo da tranquilidade, mas revelando incapacidade de explorar as alas, falta de criatividade no meio-campo, falta de precisão nos passes e cruzamentos, quase ausência de meia-distância e de jogo aéreo ofensivo. Enfim, uma saída de Júlio César à campeão impediu o golo do empate, ainda na primeira parte. Seria o cabo dos trabalhos! Estávamos a perder o meio-campo, a falta de Renato fazia-se sentir; Rui Vitória não se mexia e temi o pior. Finalmente decidiu-se e acertou; Sálvio à direita, Gaitan à esquerda, Pizzi no meio e sacrifica Talisca que não conseguia consolidar o meio-campo nem fazer uso do seu forte pé esquerdo. Tudo mudou; o bloco unionista começou a abrir brechas e o segundo golo surgiu num excelente remate de primeira de Mitroglou  desviado por Jonas, por instinto, para o fundo das redes. Seguiu-se a gestão do resultado, com os madeirenses a nunca se darem por vencidos, o que os enaltece.

   Gostei do Grimaldi; tem escola, talento, raça e velocidade. Nelson também me pareceu bem, embora, tenha deixado algumas vezes a sua zona desguarnecida. Lindeloff teve pouco trabalho mas inspira confiança. Gaitan esteve melhor na esquerda. Sálvio já mexe e Talisca necessita de motivação. 

   O árbitro cometeu alguns erros, atrapalhou os jogadores algumas vezes pisando zonas inapropriadas, mas nada de grave há a apontar. 
      Da gala gostei do grito do José Augusto e da homenagem aos "magriços" do Sporting. Há adversários que merecem respeito. Gosto que o Benfica respeite os seus adversários.
   Pinto da Costa foi multado em €153,00, por ter ameaçado um árbitro e sua família, segundo noticiou a imprensa, infringindo uma norma regulamentar cuja pena consiste na descida de divisão do respetivo clube. Não está mal. Já é alguma coisa. O Benfica foi multado em cerca de €14000,00 na sequência do jogo com o Paços, por um seu adepto, numa pausa do jogo, ter resolvido engraxar as botas do seu ídolo Mitroglou. O perigoso delinquente foi apresentado às autoridades e ficou com termo de identidade e residência. Olhem se tivesse dito ao árbitro que lhe fazia a folha? Já o vice Rui Gomes da Silva, levou 11 meses de suspensão por ter dito que Pedro Proença quis marcar um fora de jogo; por acaso um "erro" que deu o título ao Porto. Por outro lado, o insulto indecoroso de Bruno de Carvalho a um árbitro, foi desvalorizado devido às circunstâncias de grande tensão do momento.  E é este um dos grandes problemas do futebol nacional; falta de qualidade das instituições.
   A equipa B perdeu com o Desportivo de Chaves graças à "falta de vista" do Sr Mota, que invalidou um golo limpo aos encarnados e, mesmo ao cair do pano, perdoou um penalti aos trasmontanos. É preciso levantar a voz; estão a fazer a cama aos rapazes.
   Parece que a equipa de hóquei encarnada levou uma "coça" em Barcelos. Nicolia "abriu água", chegaram a jogar com dois jogadores de campo e o autocarro foi danificado. Voltou a velha fórmula; à falta de argumentos desportivos usam-se os bélicos.  Mas não ganharam. Parece que partir a cabeça dos adversários não chega.
   Ah!, e Bruno de Carvalho e seus correligionários não se queixam do penalti não assinalado ao Guimarães por falta sobre o nosso Vitor Andrade. Esta contabilidade está muito fatela.
   Parece que o Benfica contratou um novo atleta para o andebol. Vamos a ver se a equipa sobe o degrau que lhe falta. Falta-lhe um guarda-redes cubano.
   Agora venha lá o "Jasus" mais os cinco cérberos verdes. 

terça-feira, 1 de março de 2016

sábado, 27 de fevereiro de 2016

O caso Slimani

     

   A agressão de Slimani a Samaris em apreciação disciplinar pelas autoridades desportivas, tal como casos do mesmo tipo, deveria ser, também, objeto dos tribunais comuns. O futebol é um desporto de que faz parte o contacto físico. Com regras. Todo o jogador tem o direito de disputar a bola mas sem pôr em causa a integridade física do adversário-colega. Os acidentes e os traumatismos são inevitáveis, mas de pequena ou moderada gravidade se as regras forem observadas. De modo geral percebe-se quando a agressão é intencional. Por outro lado, há jogadores que têm um padrão de atuação especialmente agressivo; Slimani é um deles, mas também Bruno Alves, João Pereira, Pepe e outros, no ativo.
 
   A intenção de Slimani não está totalmente apurada. Uma cotovelada violenta pelas costas, na zona cervical, sem estar em causa a disputa da bola, não deixa dúvidas quanto à vontade de prejudicar a integridade física de Samaris, debilitando-o para a disputa do jogo. Mas terá sido só isso? Não sei. Mas Slimani sabe que um golpe do tipo do que desferiu a Samaris pode matar ou paralisar a vítima. Os senhores dos Conselho de Disciplina e do Conselho de Justiça, respetivamente, da Liga e da FPF, também sabem. Os dirigentes, técnicos, colegas e adeptos do Sporting também sabem. Sabemos todos. Slimani, por uma razão qualquer que deveria ter sido já apurada - mau caráter, instrução superior ou ação de químicos - perdeu a noção da civilidade. Não há jogo ou troféu, que valha a vida de qualquer pessoa. Quem não entende isto deve ser confrontado pela comunidade. Sob pena de se legitimarem todos os atos idênticos de todos os outros, o que representaria um retrocesso civilizacional de milénios.
 
   Com o atraso do processo e a proximidade do "dérbi" a comunicação social desatou o habitual foguetório, por hipocrisia ou pelo pânico de o goleador da sua equipa dileta poder falhar tão decisivo encontro. Até comentadores moderados e sensatos, como José Manuel Delgado,  alinharam no alarido; aqui d'el rei que vão prejudicar o Sporting! Vejamos; o ato do tresloucado é passível de punição e tal só será efetivo se causar prejuízo ao próprio e ao seu clube. Evidentemente. Ou aceitamos que seja punido desde que ninguém saia prejudicado? Ou aceitamos que o benefício da punição recaia sobre um adversário menor, mas não ao Benfica, porque é especial? Pois o Benfica ficou gravemente prejudicado no jogo em que Slimani perpetrou o, para mim, crime de agressão; porque afetou o desempenho do seu jogador e porque ficou privado de jogar com o adversário reduzido e, provavelmente, de ganhar o jogo, quiçá, o troféu em disputa. Slimani, deveria ter sido castigado de imediato; irradiado do futebol e estar a braços com um processo crime por tentativa de homicídio voluntário. Até para sua própria proteção. 
 
   Quanto às instituições desportivas, que dizer?, vem-me à memória o caso do campeonato dos juniores infamemente retirado aos jovens do Benfica, justos vencedores, na secretaria da FPF!  Recordo o caso recente de desvalorização das ofensas de Bruno de Carvalho e de Pinto da Costa a um árbitro. O arrastamento do processo, a devolução do mesmo ao Conselho de Disciplina da Liga pelo Conselho de Justiça da federação  e a reapreciação de casos já arquivados envolvendo o Benfica, apresentados pelo Sporting, demonstram a falta de coragem que grassa no seio da FPF, ou a obediência dos seus membros aos interesses do Sporting e do Porto. Não sei qual das causas será mais grave.
 
      Esperemos que a revolução verificada na FIFA, se traduza num escrutínio efetivo de todas as estruturas do futebol, em particular da UEFA da FPF e da LPFP, afastando e/ou punindo todos ao que o transformaram num negócio sórdido em vez de num instrumento de convívio, de emancipação social e de liberdade, funções que lhe competem e terão de ser prosseguidas.
 
  (A Modern Rome, William Turner)

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Luta sem tréguas

  
   Rogério Joia, presidente da Autoridade Antidopagem de Portugal (ADoP) desde junho de 2014, sucedendo a Luís Horta no cargo, segundo crónica de Filipe António Ferreira no Correio da Manhã de 23 de Fevereiro de 2016, no programa Linha da Frente da RTP, terá acusado "responsáveis de instituições estatais ligadas à justiça de furtarem informações para as entregarem a pessoas ligadas ao desporto" e assim "tentarem condicionar e coagir decisões ou nomeações". Declarou ainda ter a ambição de colocar o futebol dentro do passaporte biológico, não só nas seleções, mas também nos clubes, considerando injusto que ao futebol não seja dispensado o mesmo escrutínio que às restantes modalidades. Do gabinete do secretário de Estado da Juventude e do Desporto, informaram estar a proceder-se ao levantamento de toda a informação relevante "no sentido de dar o seguimento devido a este caso".
 
   Recordo, ainda que com poucos detalhes dado o considerável lapso de tempo decorrido, o estardalhaço que a atuação de Luís Horta provocou nos meios futebolísticos nos anos iniciais do seu exercício, logo que o trabalho da sua equipa começou a revelar a miséria que se adivinhava no futebol da paróquia. Uma guerra pública, intensa, prolongada e despudorada, foi-lhe então movida por Gilberto Madail, à época presidente da FPF - e, em minha opinião, protetor dos interesses do FCP -, com o propósito, suponho, de minimizar os danos consequentes para o "negócio" já de si objeto de graves suspeições, das quais, muitas viriam a ser oficiosamente confirmadas no processo do Apito Dourado.
 
   O que se passou nos bastidores não sei, mas, pela escassez de notícias sobre o tema que passou a verificar-se, desde então, fiquei com a ideia de que terá havido entre as partes desavindas, um entendimento no sentido de evitar a divulgação  pública dos resultados dos testes de dopagem, limitando-a aos diretamente interessados, sigilosamente. Cheguei a convencer-me, sem que nada em concreto o evidenciasse, que a ADoP, teria concertado a sua atuação por forma a não pôr em causa certos interesses do futebol. Desde então, deixou de haver notícias de doping nesta modalidade, pelo menos que eu tenha dado conta.
 
   A verdade porém, é que, quando o adepto observa  a exuberância física de certas equipas e atletas em todos os jogos e em épocas inteiras, contrariando a normalidade, tende a acreditar que há trabalho químico de bastidores em jogo. Ou seja, por muito que se tente fazer passar que tudo vai bem, o adepto percebe que não é verdade! A suspeição e o descrédito das instituições são o resultado da falta de transparência. 
 
   Extrapolando, este caso, a comprovar-se, constitui mais um exemplo de decadência institucional; um dos maiores males, senão o maior, de que, quanto a mim, padece a sociedade portuguesa e a condena, em última instância, à pobreza, tal como todas as sociedades terceiro-mundistas. Resta-nos acreditar  que tudo isto faz parte do processo de amadurecimento social que nos trará um futuro melhor. Mas quando é a própria justiça que está em causa essa esperança tende a desfalecer.
 
   Aguardemos a atuação da secretaria de Estado da Juventude e do Desporto neste caso. Palpita-me que deixaremos de ouvir falar nele e que  o senhor Joia não permanecerá no cargo muito mais tempo.

(William Turner, Eruption) 

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Assim Como Vai (novo blogue)



   

   Pareceu-me apropriado separar os textos de desporto dos outros. Quem quiser aparecer, é benvindo. Aqui está o link: http://assimcomovai.blogspot.PT

(Tela de William Turner; Campo Santo, Venice)

domingo, 21 de fevereiro de 2016

Ressaca

   

   Aguardava-se com forte expetativa a reação da equipa do Benfica à comprometedora derrota caseira com o Porto.  As vitórias sobre o Zénit e o Paços de Ferreira, com intervalos de 3 a 4 dias e rotação de jogadores nucleares, demonstraram a maturidade técnica e emocional de todo o grupo de trabalho, característica de um estatuto  acima das conjunturas.
 
   Contra o Zénit, que se apresentou num registo ultradefensivo, impróprio das grandes equipas, o Benfica exibiu-se uns furos acima do que havia feito contra o Porto; mais concentrado e solidário, mais intenso, inteligente e resiliente. Batalhou mais no meio-campo, nunca deixou de acreditar na vitória e consegui-a num lance em que revelou controle emocional, qualidade técnica, coletivo, e muito trabalho semanal. Desde André Almeida, a subir no terreno conduzindo a bola para a área adversária, passando por Gaitan, a colocar a bola na cabeça de Jonas com a precisão que o caracteriza, também por Jardel, a bloquear os três magníficos defesas contrários, os nossos Witsel, Javi e Garay acabando, finalmente em Jonas, com um cabeceamento pleno de inteligência, fazendo sobrevoar o esférico por cima dos defesas fazendo-o entrar junto ao segundo poste, sem hipótese de defesa. Uma vitória merecida até pelas várias oportunidades criadas perante uma equipa de alto nível, que procurou compensar a falta de ritmo com um bloco defensivo muito coeso, apostado em tirar partido da rapidez dos seus atacantes, jogando nas costas da defesa encarnada. 
 
   Agradou-me a postura de Lindeloff e também de Renato, ambos demonstrando grande pujança atlética, ausência de medo e entrosamento, chegando a sobrevoar os adversários para chegar ao esférico. Renato que chegou a "fazer a barba" ao Hulk impondo-lhe o físico na disputa da bola e o sueco notabilizou-se por algumas impressionantes "cavalgadas" com bola e uma soberba assistência para remate de Jardel.
 
   Do desempenho do árbitro não me parece que haja algo de relevante a assinalar. Eventualmente a falta assinalada em zona frontal contra os encarnados, por aparente simulação do Hulk, num tipo de lance que lhe é característico, em que provoca ou simula o contacto, seguido de queda mais ou menos aparatosa. Felizmente, o remate saíu ao lado.
 
   Da vitória frente ao Paços de Ferreira pouco há a dizer, a não ser que foi merecida, apesar das queixas do Treinador adversário. Não me pareceu que a equipa tenha revelado quebra física, como é habitual após os jogos europeus. Arregaçaram as mangas e foram à luta num campo tradicionalmente difícil, pela ausência de espaço e pelo bom futebol que habitualmente o Paços pratica.
 
   Foi excelente o golo deste, num remate soberbo de Diogo Jota, a explorar o movimento habitual de Júlio César de subida na área para fecho do ângulo de remate do avançado; eficaz nos remates rasteiros ou a meia altura mas muito ineficaz no remate aéreo, com o foi neste caso.
 
   A polémica do jogo foi o do penalti sobre Jonas; se houve contacto, é penalti, mas não fiquei esclarecido com as imagens televisivas. O árbitro jura que sim e, em caso de dúvida, dizem as leis do jogo, beneficia-se quem ataca. Portanto, benefício da dúvida ao árbitro.
 
   Sálvio e Semedo estão de regresso e já fizeram umas "flores". Esperemos que Gaitan, Lisandro e Feysa estejam disponíveis em breve. Com a moral em alta e o plantel operacional, todas as ambições são legítimas. 

Força Benfica!
 
(Tela do fabuloso William Turner; flint castle)

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Democracia totalitária?

  
Sei que parece um paradoxo. Mas...será possível? Totalitário é todo o regime político em que os Direitos dos cidadão estão completamente subordinados aos interesses do Estado. Será isso possível em Democracia?, um regime que, formalmente, consagra o princípio do Direito geral e universal, a igualdade de oportunidades, a ausência de qualquer tipo de descriminação, a intolerância face aos abusos dos poderes dominantes e, em certas circunstâncias, até o direito resistência ao próprio Estado. Mas uma coisa são os princípios formais, nominais, outra são os factos. 
 
   Por exemplo; as notificações e penhoras automáticas em vigor com o propósito de libertar o expediente dos tribunais e encher os cofres aos poderes dominantes incluindo os do próprio Estado, respeitam os Direitos básicos dos cidadãos?  Os Direitos Humanos? Direitos consagrados já no século XI em Inglaterra na Magna Carta? O valor de uma civilização mede-se, também, pela sua capacidade de preservar   as conquistas civilizacionais apesar das crises, por muito graves que sejam. A luta de classes deu lugar ao ódio visceral capaz de todos os retrocessos, como se está a ver, hoje, em Portugal.
 
(Joseph Mallord William Turner: Dutch Boats in a Gale)