Desporto

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Mãozinha do Proença

  
Alberto Pla Y Rubio, 1867, 1937
 
   Apesar de o Vitória de Setúbal ter criado apenas a oportunidade que lhe deu o golo e de ter havido algum ascendente ofensivo por parte do Benfica em quase toda a partida, o empate encerra alguma justiça.
 
   Este jogo revelou, no Benfica, claramente, a falta de Renato, de Gaitan e de Jonas. Faltou músculo no meio campo, criatividade no jogo ofensivo e mobilidade na zona de finalização. Ainda em busca de novas dinâmicas ofensivas, bloqueados nos flancos e pressionados no seu meio campo, com Mitroglou sozinho no eixo do ataque, os encarnados, praticando um futebol direto, tiveram grande dificuldade em criar situações claras de golo e quando as conseguiram lá estava o jovem Varela, intransponível.
 
   O Vitória jogou muito bem posicionalmente fechando bem as linhas, pressionando de imediato o adversário, quase sempre com vários jogadores, defendendo com grande concentração e empenho e recorrendo ao habitual antijogo perante o ascendente encarnado.
 
   Com as entradas de Raul e Guedes o ataque do Benfica foi avassalador e teria virado o resultado caso se tivessem verificado uns minutos mais cedo. A ratice de Jonas fez-lhes falta. Um ponto a menos para o Rui Vitória.
 
  Já Couceiro esteve muito bem com a forma como dispôs os seus jogadores e, sobretudo, no decisão da entrada do avançado sobre o qual foi cometida a falta da qual resultou o golo dos sadinos. Percebia-se a sua pretensão de sacudir a pressão encarnada, segurando o jogo à frente. E teve sucesso.
 
   O árbitro da partida, um tal Manuel Oliveira, da Associação de Futebol do Porto (donde haveria de ser?) - já velho conhecido dos benfiquistas pelo mau desempenho na época passada na Luz no jogo entre o Benfica e o Rio Ave -, com alguns erros graves nos minutos finais impediu os jogadores encarnados de tentarem dar a volta ao resultado. Com Pedro Proença nos destinos da Liga outra coisa não era de esperar; ele, que quando foi árbitro, com decisões polémicas proporcionou vários campeonatos aos azuis.   
 
   Há muito trabalho a fazer no Benfica; a ala esquerda continua sem dono e falta algo no meio campo.  Com o regresso de Jonas tudo se simplificará.
 
   Toca a trabalhar.   

domingo, 14 de agosto de 2016

Com o pé direito!

 
 David Alfaro Siqueiros - Retrato de Carmen T. de Carrillo, 1946.
 
O Benfica começou bem a nova época; depois da vitória na supertaça arranca outra ao Tondela na primeira jornada do novo campeonato, algo que não acontecia há uns anos. Relativamente à época anterior os encarnados apresentam-se num patamar superior desejando-se que tal não suscite excesso de confiança, sempre acompanhada de displicência. Humildade, inteligência, combatividade e ambição deverão, tal como na época anterior, manter-se no foco coletivo.
 
O jogo correspondeu à espectativa; um Tondela raçudo e combativo, à imagem do seu Treinador, criou imensas dificuldades ao Benfica faltando-lhe, por vezes, o talento individual para concretizar algumas oportunidades que soube criar. Lembremo-nos que, na época anterior, criaram graves dissabores aos outros "grandes".
 
Uma ansiedade tranquila habitava os adeptos encarnados na espetativa  das soluções do meio campo e no lado esquerdo, receosos, também, das habituais dificuldades inerentes aos campos pequenos e ao habitual posicionamento compacto e agressivo deste tipo de adversários. No meio campo, André Horta, confirma a titularidade, revelando excelente combatividade e capacidade nos passes longos e ainda na viragem repentina de flanco. Culminou a sua exibição com um golo monumental que, certamente, correrá mundo e, também ele, patenteou aquela qualidade que só os jogadores oriundos da formação do clube dispõem; o amor ao clube dá-lhes "asas", aos sonhos e....aos pés! Fantástico.
 
Lisandro está maduro para a alta competição e "Pizzi" é o playmaker" de excelência; a trajetória da bola no lance do primeiro golo é fatal para qualquer defesa. Um espanto!
 
Júlio César, o "Imperador", não faltou à chamada quando foi necessário, efetuando algumas defesas decisivas para a vitória.
 
Franco Cervi, iniciou o seu processo de adaptação ao futebol português; sem espaço e com muita "paulada". É craque, vai vencer.
 
Grimaldo joga "p'ra caramba" e ia "molhando a sopa" num livre exemplarmente executado e consta que Guedes se portou bem a fazer de Jonas.
 
Parece que não houve erros grosseiros de arbitragem, à exceção de uma falta na área do Tondela para penalty, e de um outro lance na área encarnada em que cai o avançado tondelense, eventualmente, devido a contacto do defesa.
 
Enfim; a vitória não oferece contestação e o rendimento da equipa é tendencialmente crescente. Resta-nos a desgraça das lesões, que continuam a assolar o plantel. Se calhar é melhor ir ao "bruxo" ou "bruxa" desfazer o bruxedo ou bruxedos. Esperemos que a lesão de Luisão não seja grave.

http://videos.sapo.pt/0zaUIaS1GFdHDUpONHGZ

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

As pequenas grandes histórias dos bastidores do desporto



Emil Nolde - Meer bei Alsen (Sea off Alsen), 1910.

""O Sporting precisava de reforçar-se para ficar no pódio na Taça dos Clubes Campeões Europeus em pista e dois atletas do Benfica estavam na agenda do ‘Senhor Atletismo’. Moniz não perdeu tempo e falou com José Manuel Antunes, na altura vice-presidente das águias, que acabaria por facilitar o ingresso dos atletas. E o Sporting seria campeão europeu pela primeira e única vez em 2000.

"O prof. Moniz Pereira convidou-me para tomar chá em sua casa. Nesse encontro disse-me que com dois atletas do Benfica, o Vítor Costa no martelo e, sobretudo, o Carlos Silva dos 400 m barreiras e da estafeta de 4x400 metros, o Sporting poderia chegar ao pódio. Portugal nunca tinha atingido um lugar nos três primeiros", recorda José Manuel Antunes, dando conta da forma como Moniz Pereira fez a abordagem: "Disse-me que estava com quase 80 anos e esse era um dos maiores sonhos da sua vida. Mas como havia um acordo de cavalheiros não iria mexer uma palha sem o meu consentimento", lembrou o ‘vice’ das águias.

Quando o Sporting conquistou a Taça dos Campeões Europeus, o ‘Senhor Atletismo’ telefonou de imediato a José Manuel Antunes a chorar. "E chorei com ele", recordou o dirigente. "

(José Manuel Antunes - Vice-Presidente para as modalidades na era Vale e Azevedo - citado por Norberto Santos, no Record, jornal conotado com o Sporting)

http://www.record.xl.pt/modalidades/atletismo/detalhe/o-pedido-especial-de-moniz-pereira-ao-benfica.html

domingo, 7 de agosto de 2016

Já cá mora mais uma Supertaça!

 
Brenda y el bebé. Juliette Aristide (1971)    
 
   Difícil, muito difícil!, o resultado não espelha o que se passou no relvado. Nos momentos certos, a classe dos jogadores encarnados decidiu a partida. Primeiros trinta minutos avassaladores da equipa do Benfica, que poderia ter resolvido desde logo a partida. Depois do sufoco, a equipa do Braga subiu no terreno pressionando os defesas contrários e obrigando-os a soltar a bola improvisadamente perdendo a capacidade construtiva até aí evidenciada. Até final do jogo assistiu-se a um ascendente territorial da equipa do Braga não materializada, muito por culpa própria. O jogo ofensivo dos encarnados ressentiu-se até à entrada de Jimenez e Sálvio; aquele trouxe mais mobilidade ao ataque e este dinamizou o flanco esquerdo donde saíu o passe "a rasgar" para o terceiro golo. Não consegui aferir bem o desempenho de André Horta mas fiquei com a ideia de que, à equipa do Benfica, faltou mais autoridade, mais pulmão e mais criatividade no meio campo, pelo menos até à entrada de Samaris, que ajudou a bloquear o meio campo numa fase em que o jogo estava decidido.
 
   Pizzi foi o "homem do jogo" com uma assistência primorosa para o segundo golo e uma execução soberba no terceiro. No primeiro tento Grimaldo e Cervi construíram um lance fantástico, concluído com exuberância por este.
 
   Franco Cervi é um sobredotado, Grimaldo está em grande forma e mostrou a solidez da sua escola, Sálvio jogou pouco, mas "partiu aquilo tudo" na primeira vez que tocou na bola. Jonas foi igual a si próprio; inteligente, frio e eficaz. Mitroglou esteve pouco em jogo, sobretudo, devido à ineficácia das alas. Nelson Semedo agarrou-se demasiado à bola; tem que soltá-la mais cedo. Lindeloff quase "entregou o ouro ao bandido" num passe desastrado semelhante ao que ocorreu no final da época transata. Júlio César, Luisão e Fejsa estiveram bem.
 
   De zero a dez, daria nota três a João Capela; demasiado permissivo para com os jogadores bracarenses permitindo jogo faltoso e fechando os olhos a, pelo menos, uma grande penalidade cometida sobre Jonas ainda na primeira parte e um livre direto à entrada da área por mão na bola de um defesa bracarense. Seis elementos constituintes da equipa de arbitragem e mais o famigerado vídeo, hoje, de nada valeram.
 
   Julgo que, no plano tático, há, ainda, na equipa do Benfica, um longo caminho a percorrer.

PS1: Depois de ver e rever o resumo do jogo e de ler e ouvir alguns comentários, percebi que o André Horta fez um excelente jogo, aparecendo em todo o campo, fosse para defender, junto à área, para disputar a bola no meio campo, ou para lançar a ofensiva a partir das faixas. O abraço emocionado a seu pai no final da partida, mostra a origem dessa tal magia do Benfica; uma autêntica escola de afetos...e de bem jogar futebol!
 

Ainda agora é agora!

  
 
Georges Seurat, Peasants Driving Stakes
 
   Já estão ligados os "motores" para a disputa do primeiro troféu da época, o da supertaça; esse troféu, segundo alguns, inventado nos tempos do auge portista com a finalidade de permitir ao clube da bela cidade do Porto, aproximar-se do glorioso Benfica em número de troféus conquistados. No mesmo tempo, do consulado de Madail, em que a FPF inventou numerosos jogos a feijões da seleção nacional com equipas  de seleções de "pernas de pau", com a finalidade de retirar a Eusébio o título de melhor goleador nacional de sempre. Uma feia infantilidade.
 
   A equipa do Braga já conquistou os seu estatuto de quarto grande e tem legítimas aspirações à vitória. Neste início de época, José Peseiro, apostará em desfazer a má imagem que deixou na época transata ao serviço do Porto. Estou certo que procurará implementar estratégia semelhante à que rendeu a vitória na Luz à equipa do Porto na época anterior; bloqueio dos espaços no seu meio-campo com um avançado deambulando na frente à espera de um qualquer desaire. Habitualmente provida de bons jogadores, a equipa da cidade dos arcebispos, é um adversário de respeito que exije a máxima concentração.
 
  A equipa do Benfica deu boas indicações na pré-época, subsistindo algumas dúvidas quanto à ocupação das faixas e do meio-campo e, sobretudo, relativas à capacidade criativa e ao sincronismo de todo o processo ofensivo. Iniciar a época com nove baixas por lesão deve ser algo único no mundo do futebol!, importa perceber as causas e se há forma de as evitar.
 
   A equipa B do Benfica "arrancou" com um empate a um golo com a equipa do Cova de Piedade, no Seixal. Pelo resumo, pareceu-me que fez o suficiente para ganhar. No entanto, o Sr árbitro apresentou neste jogo a matriz da época finda; o golo do empate resultou de um lance de mão na bola e já na ponta final ficou por assinalar uma grande penalidade pelo mesmo motivo. Porquê?, o lance foi bem visível e não deixou dúvidas!, são ordens?, É desconfortável começar a época com queixas da arbitragem, mas há razões para isso e é melhor chamar a atenção de quem de direito; quem cala consente.
 
   Algumas novidades dignas de elogio vão ser introduzidas pela FPF e pela LPFP na Liga; publicação dos relatórios dos árbitros a introdução do vídeo-árbitro e a possibilidade de recurso a árbitros estrangeiros. A primeira e a terceira medida contribuirão para impor aos árbitros maior adesão à realidade e menor flexibilidade na interpretação dos lances. Alegações como a da "intensidade", da "intencionalidade" ou do "posicionamento" e da "velocidade"  serão bem mais difíceis de justificar, mesmo com a condescendência tutelar. Já quanto ao vídeo-árbitro me parece estar em curso uma discussão algo patética!, não vejo onde está a dúvida!, quanto a mim, o árbitro de campo continuará a ser soberano e recorrerá ao parecer do "vigilante" quando entender. A diferença é que deixará de ter justificação para os erros grosseiros de avaliação que, geralmente, decidem jogos e campeonatos. Trata-se de impedir a manipulação impune de resultados que muitos dos adeptos percebem existir nalguns casos.
 
   Consta ainda que Hermínio Loureiro será o representante da FPF na Liga. Não sei bem qual será o propósito, mas, em princípio, parece-me um bom sinal; Hermínio Loureiro tinha boas ideias para o futebol nacional que tentou levar à prática quando desempenhou o cargo de Presidente da LPFP...a que renunciou na sequência das "pressões" a que foi submetido pelas forças dominantes, à época. As mesmas que viriam a afastar o seu sucessor, o corajoso Mário Figueiredo, que, apesar de tudo, conseguiu dar mais um passo para desalojar o parasitismo instalado.
 
   Fernando Gomes, está a surpreender-me pela positiva. Não esperava; paulatinamente, parece estar a conduzir o futebol nacional na senda da credibilização. Veremos como se comportará esta época, nomeadamente relativamente aos incendiários, que teimam em  adotar métodos que julgávamos em vias de banimento.

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Agora é a doer!

   

 Édouard Vuillard - Le Banc Rose, c. 1890

   Contrariamente ao que se verificou na época transata, desta vez, a equipa de futebol sénior do Benfica fez uma pré-epoca a preceito, reforçando-se bem e testando metodicamente as várias soluções táticas face ao plantel disponível com destaque para o meio-campo e a ala esquerda; concretamente, encontrar os substitutos de Renato Sanches e Nicolas Gaitan. Não é fácil. Parece-me porém que, para já,  Franco Cervi é o homem certo para a esquerda e André Horta deverá ser a opção para o centro. Cervi é um predestinado; um mago com os pés, a que acrescenta combatividade e visão de jogo. A Horta, sem a mesma exuberância, não falta criatividade, combatividade e capacidade técnica; talvez necessite de mais concentração de forma a estar cada vez mais em jogo. Carrilho revela pormenores técnicos e táticos de categoria mas necessita de adquirir condição física. Grimaldo está na frente; fez uma pré-época fantástica - não brinca em serviço - raçudo, concentrado, grande leitura dos lances, bons cruzamentos e excelente nas bolas paradas. Júlio César está OK. Luisão e Lindeloff ainda têm que ganhar melhor condição física, tal como Nelson Semedo. Lisandro parece bem. Feijsa está fantástico, oxalá recupere da lesão. Mitro apareceu com o nariz todo rebentado!, que terá acontecido? (parece que não é grave). Jimenez vai dando um ar da sua graça mas parece demasiado preocupado em brilhar. Pizzi está fino. André Almeida está em forma, salvo a lesão de hoje, resultado da intervenção brutal do guarda-redes do Lyon. Samaris também está OK. Zivkovic ainda mostrou as suas qualidades antes de se lesionar. Os restantes; Celi, Benitez, Luca, Danilo, Rui Fonte - também lesionado hoje (isto é que vai uma fartura) -, têm que continuar a trabalhar para ganharem o seu espaço.
   A equipa tem revelado boa postura tática, boa circulação de bola e alguma insuficiência nas dinâmicas defensiva e ofensiva; com especial destaque para a criatividade no meio-campo e profundidade nas alas. Para já, além de Pizzi, vejo Cervi, Grimaldo, Semedo e André Almeida para o efeito. Naturalmente que Jonas dará outra eficácia a todo o processo ofensivo.
   Enfim; demasiadas lesões para uma pré-época! Esta rapaziada do Lyon fez estrago; cheguei a pensar que estavam a "vingar-se" da derrota no europeu. Espero que Rui Vitória tenha já o "esquema" bem definido e que consigamos ganhar o próximo troféu.
   À parte a dureza, esta equipa do Lyon, tem muita qualidade; atacavam sempre com quatro, cinco jogadores muito bem posicionados e quando tinham a posse da bola sabiam guardá-la.
PS: Faleceu Mário Moniz Pereira; Paz à sua alma. Todos lhe devemos a dedicação e competência que deu ao atletismo nacional catapultando-o aos píncaros no meio fundo e fundo, especialmente através dos nossos grandes Carlos Lopes e Fernando Mamede; atletas que passaram a barreira clubista sendo admirados por todos os amantes do desporto. Mas também lhe devemos belos temas do nosso cancioneiro popular como os conhecidíssimos fados "Valeu a Pena" e "Até que a Voz me doa" eternizados pela grande fadista Maria da Fé.  Obrigado Professor; Deus o tenha em descanso. Não o esqueceremos.

domingo, 24 de julho de 2016

Promete!

    
Eugène Boudin - La sortie des barques à Trouville, 1893
 
   Gostei do jogo-treino do Benfica com o Wolfsburgo  pela boa qualidade do futebol que  as duas  equipas praticaram. Não sendo prioritário, nesta fase, o resultado, é sempre bom ganhar; dependendo do adversário, é um indicador da qualidade da preparação e motiva os jogadores. No plano tático, a equipa do Benfica esteve bem, ocupando bem os espaços e pressionando alto, ostentando boa qualidade de passe. Alguns jogadores apresentam-se já com grande nível competitivo, casos de Fejsa e Grimaldo que estão prontos. Também se destacaram Jardel, Lisandro, Ruben Semedo, André Horta, Gonçalo Guedes e Sálvio. E, claro, Mitro e Jonas, os autores dos golos. Os restantes; Carrillo, Celis, Cervi, apesar da qualidade técnica que demonstram, necessitam de melhorar a condição física e a integração tática. A principal preocupação atual reside em encontrar os substitutos de Renato Sanches e Gaitan. Julgo que para a função de Gaitan já há solução entre Carrilho e, ou, Sérvi. André Horta - um passe soberbo para o lance do primeiro golo -, parece constituir, de momento, o melhor candidato ao lugar de Renato. Além de Pizzi, que já conhece a função, não sei se haverá, no plantel, mais alguém capaz de fazer o lugar. Enfim; a tranquilidade de que se fala não deve transformar-se em excesso de confiança a qual, por sua vez, invariavelmente, dá lugar à displicência. Tudo indica que haverá ainda movimentos no plantel; esperemos que, no sentido do seu reforço qualitativo, e que não se repitam mais casos como o do Zoro e agora o do Tharabt, que veio a custo zero mas que está a sair muito caro à SAD.

sábado, 2 de julho de 2016

Da Nova época

  
Caude Monet
 

   Das novidades anunciadas pela Liga para a época que se avizinha saúda-se a publicação dos relatórios dos árbitros e a abertura á participação de árbitros internacionais; aumentam a transparência, dificultando a distorção e manipulação dos factos desportivos, e aumentam a concorrência induzindo maior concentração no desempenho. Ao futebol nacional faltam árbitros, e não só, livres das teias manipulação que vagueiam nos bastidores do poder, bem patente ainda na época finda.
 
   Já as ameaças aos clubes por comentários impróprios dos seus funcionários  me parecem estapafúrdias. Antes de mais porque violam um direito fundamental consagrado constitucionalmente; a liberdade de expressão e de opinião. Para a punição de condutas impróprias basta a lei geral. Além do mais, os critérios de avaliação de conduta imprópria, ou lá o que seja, são subjetivos, transferindo mais poder para quem não tem revelado qualquer ponta de credibilidade para fazer respeitar a regulamentação com isenção e universalidade. Veja-se, por exemplo, o caso Slimani; um gozo ao Benfica! É a ERC que, antes de outros, deve agir na proteção da ética dos meios de comunicação. A Liga pode e deve fazer a pedagogia da ética desportiva e sancionar, sim, com objetividade, os agentes desportivos que violem a regulamentação vigente. Antes, deve criar as condições de competência, imparcialidade e rapidez inerentes a quem exerce a justiça, algo que não se tem vislumbrado na sua atuação. Pelo contrário, a justiça desportiva tem constituído mais um instrumento de ação dos poderes prevalecentes em detrimento dos clubes que estes consideram nefastos.
 
   Considerando o que se tem passado ao nível da FIFA, da UEFA, da FPF e da LPFP, a credibilidade das instituições desportivas há muito que passou da fase da suspeição para o estado de decadência crónica. No caso da Liga, a atual titularidade do cargo é disso mesmo exemplo. Não se aceita que uma pessoa, Pedro Proença, que causou tantos danos nos campeonatos nacionais em que participou, contribuindo decisivamente para a deturpação dos resultados desportivos, tenha sido colocado na presidência de uma instituição que deveria ser um exemplo de idoneidade e concórdia.    

A ver vamos.

domingo, 19 de junho de 2016

Paradoxos da equipa da FPF

    
Edgar Degas Ironing Woman, The Laundresses, 1884

   A equipa de futebol da Seleção Nacional deu o que tinha para vencer a Áustria; empenho, velocidade, agressividade, verticalidade e amplitude. Faltou talento para finalizar. Faltou ambição do Treinador. Fernando Santos parece refém do jogo de interesses que usa a seleção nacional. O meio-campo, apesar da cultura tática dos respetivos titulares, não demonstrou capacidade de criar imprevisibilidade nem poder de choque. O trabalho nas alas foi entregue quase em exclusivo ao Quaresma, que se esgotou por falta de alternância. Ronaldo foi, mais uma vez, uma "prima-dona" que até se deu ao luxo de "previsivelmente" falhar uma grande penalidade; sei que acontece a todos, mas...a probabilidade de Ronaldo falhar era elevada. Marcador indiscutível dos livres frontais, CR7 insiste numa coreografia ridícula que nada acrescenta à eficácia do remate. A sua mobilidade é reduzida, "adornada" com sucessivos e inúteis protestos, constituindo um desincentivo implícito aos colegas.

   Confesso que ainda não compreendi as qualidade de Eder para a função de ponta de lança. Também me pareceu claro no jogo anterior que João Moutinho está longe da sua boa forma e que João Mário ainda não consegue acrescentar valor à equipa em jogos de alto nível. Pelo contrário, Rafa mostrou que poderia ter feito a diferença. Por outro lado, as coloridas botas de Rui Patrício, que nem esteve mal neste jogo, denunciam pernicioso exibicionismo, comum a vários outros jogadores. Comentadores e políticos, numa repetição patética de colagem populista, encarregaram-se de alimentar o já robusto ego dos jogadores, origem da sobranceria com que "arrancaram" amargo empate aos simpáticos e esforçados islandeses.

   Por várias vezes me julguei determinado ao rompimento afetivo com a Seleção Nacional de futebol sénior. A verdade porém é que, na hora da verdade, acabo a torcer e "sofrer" por ela, apesar da descriminação ostensiva para com os jogadores do Benfica, da falta de humildade e talento e da integração de jogadores que não são dignos de pisar os relvados dos campos de futebol; casos de Pepe e Bruno Alves. 

   A hostilidade que a FPF tem exibido para com o Benfica, bem patente na época finda com o hilariante caso Slimani, constatou-se mais uma vez  com as opções do selecionador neste jogo. A equipa necessitava de músculo, pulmão e criatividade no meio campo. Necessitava de um médio ofensivo que fizesse a ligação do meio campo com os avançados; recuperando, assistindo, capaz de criar superioridade numérica na área e de finalizar. Esse jogador era Renato Sanches. Ao deixá-lo no Banco, Santos, deu azo a que pensassem que se deixou influenciar pelo lóbi anti-Benfica, nomeadamente pelas declarações idiotas da véspera do ressentido e egotista Jorge Jesus. Mas também necessitava de mais um flanqueador capaz de alternar com Quaresma, com força e velocidade para ir à linha do flanco contrário, cruzar com qualidade ou fletir para o interior e rematar com potência, beneficiando dos espaços que a maior amplitude ofensiva proporcionaria. Esse homem era Eliseu. Até poderia manter o Rafael em campo, visto que é um excelente defesa esquerdo, mas não tem a força, o poder de choque o remate e a qualidade de colocação da bola de Eliseu. Renato e Eliseu foram campeões nacionais e bateram-se galhardamente contra grandes equipas europeias, tal como Pizzi e André Almeida. Não entraram porque "são" do Benfica. É o que pensam os benfiquistas. Têm direito de o fazer.

   Jardel mostrou disponibilidade para representar a seleção das quinas. O silêncio foi a resposta! A seleção necessita ou não de um central que suba no terreno nas bolas paradas e seja capaz de fazer golo? Quais dos atuais centrais, já em declínio, o faz melhor que Jardel? Recordo o caso de Lima; sem pontas de lança, ventilou-se, em tempos, a possibilidade de recrutamento deste fantástico finalizador. Não! disse logo Paulo Bento, fazendo saber que era contra as naturalizações. Mais tarde recrutou o "português" Liedson para a seleção nacional! Nem "piou"! Lembro ainda o caso Isaías; jogador extraordinário, incansável, poço de energia, empolgante, rematador implacável, goleador....Quando se colocou a possibilidade de integração na seleção portuguesa, logo apareceram os nacionalistas de pacotilha, antibenfiquistas militantes em oposição esclarecida! Mas, mais tarde, houve espaço para Deco, "encalhado" no FCP e para PEPE, que, certamente por serem "portugueses de fina linhagem", não suscitaram repulsa alguma aos "propagandistas" da seita federativa.

   Hoje não tenho dúvidas; o sucesso da equipa nacional de 66 deixou um profundo e ainda vivo ressentimento nos rivais do Benfica que é a sede desta hostilidade, mais ou menos latente, não explícita, naturalmente negada, mas que os benfiquistas sentem, percebem e que se consolidou especialmente no mandato de Madail. A presença de Humberto Coelho na Vice-Presidência da FPF tem o propósito de "afagar o pêlo" aos adeptos encarnados e "mascarar" a hostilidade. Não admira que muitos adeptos benfiquistas "torçam" o nariz a esta seleção.

   Apesar de tudo, há condições para ganhar à Hungria desde que Santos faça Ronaldo jogar para a equipa ou o sentencie a aquecer o banco de suplentes. Um homem com medo, é meio homem.    

domingo, 5 de junho de 2016

Sou do Benfica!

     
 
Women at her toilet, Edgar Degas
 
   A equipa de andebol do Benfica não ganhou o campeonato nacional por uma unha negra!  Apesar disso, merecem uma palavra de incentivo por terem superado as espetativas gerais. Com o fraco arranque da época quase ninguém supunha possível a excelente campanha que fizeram; venceram a Taça de Portugal derrotando um dos candidatos ao título, o Sporting Clube de Portugal, afastaram  o reiterado campeão, Futebol Clube do Porto da disputa do título nacional, foram às finais da Taça Chalenge, deixando pelo caminho valorosos adversários e levaram a discussão do título nacional à negra, apesar dos sucessivos infortúnios. Um feito digno de aplauso. Eu, que nem apreciava a modalidade, fiquei a gostar dela um bocadinho mais. Está pois validada a mudança de rumo encetada pelos respetivos Dirigentes no início da época finda. Mariano Ortega mostrou que sabe muito da poda e que é um líder à altura dos desafios tendo demonstrado serenidade e competência mesmo nos momentos críticos. A equipa de andebol do Benfica está, finalmente, em condições de discutir os títulos da modalidade. Mais uns ajustes e ganharemos. Força e um abraço a todos. Foram uns valentes. Cuidado com os homens do apito.

  Já o referi antes e não me canso de o dizer; a postura que o Benfica tem mantido no andebol, enche-me de orgulho!, um orgulho secreto, silencioso, mas reconfortante; esta nobreza de não ganhar e não desistir, trabalhando sempre com determinação para a vitória, sem desrespeitar os adversários nem vexar os jogadores é enobrecedora. Mostra, afinal, que este clube tem valores que, tal como referiu à dias o nosso querido Simões, valem mais que títulos desportivos; valores humanos e civilizacionais. São estes valores que perpetuam as instituições.
 
Viva o Benfica!