Desporto

domingo, 18 de novembro de 2012

Moreirense-Benfica (0-2)


Foi um Benfica de mangas arregaçadas, taticamente concentrado, com boa ocupação dos espaços, jogando um futebol apoiado, vertical, com a frente de ataque bem aberta, eficaz na recuperação, na qualidade de passe e na progressão.

Face à habitual postura eminentemente defensiva do adversário, com três centrais, dois laterais e dois trincos, apostando no contra-ataque, à envergadura física e agressividade dos adversários, a equipa do Benfica teve grande dificuldade na criação de situações de golo devido à má qualidade do último passe. De facto, este é um capítulo que necessita de ser melhorado, uma vez que, a precisão dos centros e cruzamentos para a área adversária, são indispensáveis para bater as defesas sobrepovoadas com que as equipas que defrontam o Benfica normalmente se apresentam. A certa altura da segunda-parte, o meio-campo perdeu eficácia, graças ao despovoamento de atletas nossos e ao sobrepovoamento de atletas adversários; algo que tem acontecido com alguma frequência e que exige maior disciplina da equipa.

O que mais me agradou foi o coletivo, que apresenta um entrosamento cada vez mais consolidado. Saúdo a entrada auspiciosa do nosso Capitão, que nos contemplou com uma boa exibição e constato com satisfação, a autoridade que Jardel ostentou, revelando cada vez mais confiança e eficácia. Também os laterais Luizinho e André Almeida se mostraram bem integrados na manobra da equipa e seguros nas suas intervenções, afirmando-se cada vez mais como alternativas a ter em conta. Matic e Bruno César encheram o campo e os avançados porfiaram com intencionalidade na procura do golo. Fantástico o remate cesgado de Matic a encher o pé, justo prémio da sua exibição e dedicação bem como o slalom do Gaitan a que Takuara correspondeu com a competência que lhe é habitual.

O Moreirense, jogou em bloco baixo, muito agressivo, revelando os seus atletas grande pujança física, apostando no contra-ataque, produzindo dois belos lances ofensivos; um potente remate de cabeça a rasar o poste, com Paulo Lopes batido e, já ao cair do pano, um remate colocadíssimo ao segundo poste a que Paulo Lopes respondeu com exuberante defesa.

Duarte Gomes arbitrou como um verdadeiro Benfiquista, prejudicando o alegado seu clube de coração, ao perdoar duas grandes penalidades ao Moreirense; uma sobre Luizinho, outra sobre Lima e ao permitir o jogo violento de alguns atletas do Moreirense. Como grande Benfiquista que, alegadamente, é, ainda tenho fé de o ver agraciado pela Associação de Futebol do Porto.

No início da época, cheguei a rebelar-me contra algumas opções de Jorge Jesus, que nos trouxe alguns dissabores, mas hoje dou a mão à palmatória; o Benfica patenteia, algo que teve no passado longínquo e perdeu com a ascensão do mostrengo; a estabilidade desportiva! É óbvio que a aposta continuada em Jorge Jesus, permitiu consolidar um modelo de jogo, e implementar uma política desportiva que abrange não só o plantel principal, onde permanece o núcleo estruturante, como o da equipa B, dos Juniores, dos cedidos e de toda a formação.

Os resultados estão à vista; a saída de atletas estruturantes, tem sido colmatada com eficácia por outros atletas conhecedores do modelo de jogo, confiantes e apoiados pela estrutura da equipa.

Julgo porém que é necessário reduzir  o quadro de atletas profissionais reduzindo a folha salarial e aumentando a competitividade desportiva global.

Recomendo à Direção da SAD, atenção às movimentações da FIFA no debate do tema da intervenção dos fundos mobiliários no financiamento do futebol liderado pelo inefável Platini, que parece proibido em Inglaterra e em Espanha.

É para mim claro desde há muito que o quadro competitivo das seleções tem que ser alterado de forma a não prejudicar as competições de clubes. O quadro atual induz nos clubes um agravamento tremendo do esforço financeiro, com graves prejuízos desportivos resultantes de muitas vezes, em jogos capitais, se verem privados dos seus melhores atletas. Não pode ser! A UEFA a FIFA e as Federações Nacionais, sedentos de receitas, sobrecarregam os clubes, pondo em causa a competitividades destes. Há que pôr fim a isto!

AB

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Benfica-Spartak (2-0) e Rio Ave-Benfica (01)


O jogo realizado na Luz com o Spartak de Moscovo mostrou a superioridade do Benfica, apesar da qualidade técnico-tática e agressividade demonstrada pelo adversário bem patente no jogo de Moscovo.

Depois do abalo resultante da saída de última hora de jogadores nucleares, como eram Javi Garcia e Axel Witsel, agravado pelo castigo “supersónico” ao esteio da equipa que é Luisão a que se somaram as inoportunas lesões de Carlos Martins e Aimar, o grupo de trabalho revelou considerável ganho de competitividade resultante de melhor adequação da sua estrutura  às exigências das competições atuais.

De facto, começa a desvanecer-se o pânico que sempre ocorria entre os adeptos, resultante do afastamento de qualquer atleta da equipa, que se verificou também com o caso da adaptação de Melgarejo a defesa esquerdo, já ultrapassado. Jardel mostrou estar muito bem entrosado na manobra do conjunto, o mesmo sucedendo com Matic que já faz esquecer o saudoso Javi.

Enzo Perez revela dotes surpreendentes; de facto, a sua excelência técnica ficou bem patente desde o início, pela forma como tratava a bola, na receção, finta e passe. A instabilidade que se seguiu à recuperação da grave lesão, com a sua determinação em regressar ao clube de origem e lá permanecer, fez-me duvidar do seu caráter, tendo-o considerando mais um caso perdido. Felizmente, enganei-me; Enzo tem-se revelado um atleta talentoso, empenhado, lutador e concentrado, assumindo a posição de “armador de jogo”, varrendo o campo de área a área, com profundidade, amplitude e assistências “mortíferas”, que se têm revelado decisivas. Um crédito devido às Equipas Médica e Técnica, bem como à Direção Desportiva.

Mas, é na frente de ataque que se verifica maior evolução relativamente à época anterior. Com Sálvio, Ola John e Lima, a equipa, não só adquiriu profundidade de jogo na ala direita, como reforçou a ala esquerda e o poder de fogo no eixo do ataque, ao juntar-se aos magníficos Nolito, Gaitan, Cardozo e Rodrigo. Os resultados estão à vista; uma frente de ataque demolidora, capaz de fazer tremer qualquer equipa.

Noutro plano, mais uma vez ficou demonstrada a incompetência da UEFA para dirigir o futebol europeu; como é possível que tenha permitido a realização do jogo em relvado sintético sabendo que tal beneficiaria uma das equipas? Tal atitude, à semelhança, aliás, do que sucedeu na época anterior no jogo com o Zénit realizado num campo de “betão” onde Rodrigo se lesionou com gravidade para o resto da época com prejuízo grave para si próprio e para o clube que representa, alimenta a convicção cada vez mais generalizada entre os adeptos da sua conivência com a corrupção que alastra no futebol, desacreditando as competições e as instituições, ameaçando dessa forma a viabilidade do mesmo.

De facto, é imperioso criar uma alternativa às atuais estruturas que gerem o futebol, que agem com total impunidade, cientes de que ninguém lhes pedirá contas pelo que quer que seja, por mais grave e grosseiro que seja.

Do jogo com o Rio Ave, só vi as fotos e o resumo. Excelente vitória, num campo tradicionalmente difícil, proporcionada por um golo de laboratório onde cada um dos atores conhecia exatamente o seu papel, do qual destaco a “bomba” fulminante do Lima.

Extraordinária a última defesa do Artur, revelando concentração e reflexos inigualáveis, apesar do lance ofensivo irregular, “dizendo” aos colegas algo que já sabíamos; que podem contar com ele. Fantástico.

Porém, pareceu-me que, durante a primeira parte, faltou concentração na concretização de alguns lances, que poderia ter resolvido o jogo mais cedo. Uma matéria a rever.

Uma palavra de simpatia para o Rio Ave, equipa que não vira a cara à luta, para o João Tomás que continua a perfumar os estádios com o seu futebol e para o seu Treinador que julgava capaz de “alinhar” nos acordos de bastidores que têm proporcionado muitas vitórias vergonhosas ao mostrengo.

Da jornada, destaco, o SCP-Braga, no qual, mais uma vez, Proença mostrou quem manda. Porque não mudar o nome do campeonato para Liga-Proença? Estaria mais de acordo com a realidade.

AB

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Coisas do arco da velha!

 Peniche, 08 de Novembro de 2012 


Ontem, eu e a São, quase testemunhávamos um suicídio! Fónix! Aconteceu precisamente junto à Crus dos Remédios; logo à direita da cruz foi de onde a mulher se queria atirar!
 
Já noite cerrada, dávamos o nosso passeio habitual à Nau dos Corvos - moramos nos Remédios, a cerca de 1 km. Íamos já na Marginal, frente ao IPL - Instituto Politécnico de Leiria -, quando vimos um carro ligeiro em sentido contrário, deslizar para o lado das arribas e parar. De lá saíu uma mulher, sem apagar as luzes, gritando descontroladamente, dirigindo-se à extremidade da falésia. Pensei o pior e dirigi-me na sua direção com intenção de evitar o que parecia ser um desastre eminente. De outro automóvel, que seguia o anterior, sai um homem  dirigindo-se calmamente à mulher, de mãos nos bolsos, dizendo-lhe: - Vê lá o que fazes Ana, olha a tua filha! Isto, enquanto a mulher, oscilando na ponta das arribas parecia prestes a atirar-se. Gritei ao homem - mais perto -, a plenos pulmões: - Agarre a mulher carago!  Agarre a mulher que ela atira-se dali abaixo cacete! Lá se encheu de coragem, apressou-se, agarrou-a por trás, puxou-a, e encaminhou-a de volta. Porém, a meio caminho, a mulher desfaleceu e caíu no chão. - Ajude-me! Gritou o homem. Cheguei de imediato disse-lhe para ligar para o 112 e perguntei-lhe se ela tinha problemas físicos; álcool, drogas. Respondeu negativamente. A mulher estava inerte, dei-lhe umas palmadas nas faces, comprimi-lhe o diafragma, até que despertou. Levantá-mo-la e dirigimo-nos para o carro, enquanto fui dizendo o que me veio à cabeça para a animar: - Então o que é isso? Tem a vida à sua frente e um menino para criar – era menina! Olhe aqui para mim. O mundo não acaba hoje! - Nem amanhã! Disse o homem. Continuei: - você é uma jovem bonita, tem a vida à sua frente, então o que é isso? Balbuciou: -Eu não sou má! Retorqui: - Pois claro que não, é agora má! Vá lá; olhe o seu menino! Finalmente, metêmo-la no carro, seguiram os dois para casa dos pais dela deixando o outro carro e nós continuámos o nosso passeio perplexos, trocando impressões sobre o caso. Mas que raio teria acontecido? Bolas! Espero que não tenha havido recaída posterior. Já houve alguns suicídios nesta marginal, acidentes mortais e até homicídios. Felizmente, desta vez não!

AB

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Veneno Puro...: John Adams já sabia onde isto ía dar...

Veneno Puro...: John Adams já sabia onde isto ía dar...

Veneno Puro...: Para reflexão daqueles que se esquecem da origem da dívida...

Veneno Puro...: Para reflexão daqueles que se esquecem da origem da dívida...

Veneno Puro...: De Soares a Passos

Veneno Puro...: De Soares a Passos

Contributos para um projeto do Benfica:













1.       Independência financeira do Grupo Benfica face a instituições que servem os interesses de adversários diretos, distorcendo as regras da concorrência desportiva, nomeadamente no que concerne à alienação dos direitos desportivos e outros.
 
a.       O controlo financeiro dos adversários constitui um dos pilares onde tem assentado a hegemonia desportiva do Porto nas últimas décadas. Com efeito, este clube, conta nas suas hostes com agentes da alta finança nacional, Américo Amorim, Artur Santos Silva, Alípio Dias, com posições fortíssimas na banca, quer como acionistas - os dois primeiros - quer como Administradores - o terceiro, no passado recente. A esta equipa junta-se ainda Belmiro de Azevedo - e outras figuras relevantes no panorama económico-político nacional - com o seu vasto império industrial e financeiro. Não admira o pavor hipocritamente e covardemente disfarçado a que assistimos no mundo do futebol e conexos.
 

b.      Com o monopólio dos direitos desportivos atribuído à Olivedesportos, conjugado com as profundas e históricas ligações comerciais desta entidade com a FPF e com a debilidade financeira da maioria dos clubes de futebol e suas SAD, direta ou indiretamente, o mostrengo tem controlado os seus concorrentes pelo estrangulamento financeiro, incluindo o Benfica, que, desde Damásio caíu nas suas garras por falta de capacidade de captação de financiamento alternativo e de desenvolvimento de projetos económico-desportivos consistentes. A dependência financeira subordina todos os restantes interesses, incluindo o Desportivo. O Benfica tem sido legalmente espoliado, pelos “tentáculos financeiros” do mostrengo, do seu património material e imaterial, com repercussão no desempenho desportivo.
 

c.       O impacto desta realidade no Benfica, porém, está longe de se confinar à vertente financeira. A presença no clube de qualquer uma das empresas de Joaquim Oliveira, representa, para todos os adeptos, sócios e acionistas, o jugo do mostrengo azul e uma machadada no seu orgulho, tendendo a instalar-se progressivamente, o conformismo e a resignação, difundindo-se, insidiosamente, até ao relvado, substituindo a tradição de inconformismo, competência e valentia, identitários do clube. Esta é, quanto a mim, a razão maior para o corte de relações comerciais com a Olivedesportos, ainda que não tivéssemos alternativa. Não há dinheiro que pague o orgulho Benfiquista. Saúdo a decisão da atual Direção e não tenho dúvidas de que, apesar das dificuldades iniciais, encontrar-se-ão alternativas bem mais favoráveis, além das sinergias resultantes da promoção da união dos Benfiquistas que daqui advirão.


d.      No entanto, este tema não se restringe à Olivedesportos; também o BES está presente em todas as SAD como acionista, acabando por condicionar a gestão das mesmas aos seus próprios interesses, funcionando como “cavalo de Tróia” do mostrengo azul. Veria também com muito bons olhos o afastamento quer do BES quer de Joaquim Oliveira do quadro de acionistas de referência da nossa SAD.
 

e.      Tal é ainda o caso da PT cujo departamento de marketing foi gerido durante largos anos por um confesso adepto azul - ficando assim esclarecido, para mim, o mistério do financiamento salvador do mostrengo -, que acabou de reentrar no capital da sport TV, ajudando a resolver as atuais dificuldades de financiamento desta entidade, quiçá, dotando-a dos recursos de que necessita para não perder os salvíficos direitos de transmissão dos jogos do Benfica.


f.        Considero pois que, uma vez alcançada a sustentabilidade financeira do Grupo Benfica e apesar das condicionantes do mercado acionista, onde qualquer um pode comprar quaisquer ações desde que tenha dinheiro, a Direção deve procurar financiamento alternativo e negociar a saída daquelas entidades da nossa SAD, evitando financiadores comuns aos nossos adversários diretos. Está aqui bem patente, talvez, o maior inconveniente da constituição das SAD, que consiste na possibilidade real de intrusão manipulatória de adversários, ainda que indireta, ainda por cima legalmente.
 

g.       Não faltarão financiadores ao Benfica, estou certo; por mim privilegiaria financiadores internos com disponibilidade para um compromisso de exclusividade, à semelhança do que já acontece com a Sagres, bem como com entidades idóneas externas com interesse na expansão desportiva mundial do clube.
 

h.      Tal exige o contributo de todos os Benfiquistas, especialmente os melhor colocados, e não apenas da Direção, cabendo naturalmente a esta, a sagacidade de os mobilizar, identificar e persuadir os financiadores preferenciais, sempre na perspetiva do conceito win-win. 

ET PLURIBUS UNUM

António Barreto*

Benfica-Guimarães (3-0)

 
Uma vitória do Benfica sem contestação, contra um adversário tradicionalmente difícil pela qualidade de jogo e pela garra que normalmente apresenta. Benfica de ataque maciço, em toda a largura do terreno com as alas muito criativas e o eixo de ataque poderoso, servidos por um meio-campo empreendedor e dinâmico.
 
A falta de precisão nos cruzamentos, denotando alguma ansiedade dos avançados e o bom posicionamento dos defesas vimaranenses na sua sobrepovoada área, dificultaram deveras a finalização. Toscano poderia mesmo ter inaugurado o marcador, não fora a pronta saída de Artur a negar-lhe o tento.
 
Finalmente, Ola John e Tacuara fizeram o que se exige a jogadores de elite; progressão pela ala esquerda, posicionamento cirúrgico, cruzamento milimétrico e cabeceamento mortífero, indefensável. Um excelente lance de futebol, ilustrando o que este desporto deve ser; um espetáculo. Com a equipa mais tranquila e os vimaranenses mais ativos, a dois golos seguintes acabaram por surgir com naturalidade, numa grande penalidade bem executada pelo Tacuara e num tremendo golo pelo fabuloso Lima, numa bomba de pé esquerdo ao 1º poste a passe do parceiro de ataque. Bonito!
 
Esteve mal o árbitro ao não assinalar uma grande penalidade cometida sobre o Lima na 1ª parte e muito mal ao expulsar o jovem André Gomes, impedindo assim o Benfica de dilatar o marcador. Expulsão, aliás, bem na linha do furacão de castigos a que o Benfica tem sido sujeito, a todos os níveis, desde o início da época, algo que já não estranhamos e que, estou convicto, faz parte da estratégia do mostrengo azul de induzir instabilidade no inimigo, graças à cumplicidade de que parece beneficiar dos órgãos das instituições desportivas responsáveis pala competição.
 
A equipa do Benfica desta época apresenta-se com uma frente de ataque bem mais poderosa, tendo melhorado sobremaneira capacidade de progressão pelas alas e maior mobilidade e poder de fogo no eixo. A dinâmica do meio-campo, porém, carece de “afinação” no posicionamento, recuperação, compensações, transição e qualidade do passe, afinação esta que, estou certo, não tardará, dada a qualidade dos atletas para o setor, donde destaco, Matic Enzo e até o André, todos, atualmente, em crescendo.
 
O que me parece, neste momento, prioritário, é o controlo emocional dos atletas em qualquer circunstância, pois só assim será possível manter a concentração tática, o sincronismo coletivo e a qualidade técnica, necessários ao desmantelamento dos blocos defensivos adversários. Foi o que faltou até ao primeiro golo, algo que regresso de Luisão poderá ajudar a superar; fizeram-se muitos cruzamentos, mas de má qualidade, gerando mais ansiedade seguida de mais descontrolo. Um ciclo vicioso que deve ser evitado a todo o custo. Os blocos defensivos ultrapassam-se com criatividade, dinâmica, sincronismo e precisão. Por outro lado, a ansiedade ofensiva conduz à desproteção defensiva, muitas vezes fatal, como foi no lance do Toscano - perdemos os dois jogos com o Chelsea na época passada por erros deste tipo. Também o remate de meia-distância, tem que ser melhorado, induzindo na equipa as movimentações adequadas e no atletas, a convicção necessária ao êxito. Finalmente, o lado esquerdo da defesa, carece de estabilidade muito rapidamente. Nos jogos de alto nível, um falhanço deita tudo a perder…sem apelo nem agravo.
 
Desejo à equipa felicidades para o próximo jogo da Liga dos Campeões que exige concentração e empenho máximos de todos, atletas e público.
 
 
AB

domingo, 28 de outubro de 2012

Alberto Buela



(Extrato da entrevista de Duarte Branquinho em “O Diabo” de 16.10.2012) 

Alberto Buela, filósofo Argentino e professor catedrático, em Lisboa no dia 6 de Outubro a convite Conselheiro Científico da revista “Finis Mundi” , Flávio Gonçalves, deu uma interessante conferência sobre a Teoria da Dissidência, da qual passo a transcrever as  as mais interessantes. 
OD: O que o trouxe aqui?
“…vim pelo vinho verde, que é melhor que champanhe!...Também já provei bacalhau, que é um peixe de ricos. Os portugueses são ricos, agora se tornaram pobres, mas que não perderam o bom gosto, o que é fundamental. …vim a Portugal…,porque sempre me interessou o mundo português, depois porque queria conhecer um filósofo português, porque a seguir à guerra eram todos marxistas….” 
OD: O tema era a Teoria da Dissidência. De que se trata?
Trata-se de utilizar a dissidência como um método para terminar com a Teoria do Consenso, com o pensamento único, com o politicamente correto. A primeira exigência é a preferência de si mesmo. Saber quem somos, dizer ao outro quem somos e esperar que nos diga quem é. É um sistema de valores, que são polares em termos filosóficos. Quer dizer, temos que preferir um ou outro, não podemos querer os dois. A seguir temos que fazer uma recuperação das tradições nacionais, reencontrar o nosso “genius loci”. A dissidência, mata o simulacro em que hoje vivemos. 
OD: Falou sobre a Universidade hoje e a ultraespecialização. É um grande problema?
Sim. As Universidades perderam o sentido, produziram investigadores da “imortalidade do caranguejo”, ou seja, grandes especialistas no mínimo. 

OD: Acha que chegará de novo um tempo para os grandes pensadores, para os verdadeiros filósofos?
Não sei o que se passará no futuro porque o vou de Minerva, que é o simbolo da filosofia, parte quando a realidade já se pôs, ao entardecer. Por isso,nós, os filósofos, cada vez que falamos do futuro enganamo-nos. Já sobre o passado somos os melhores…Mas este tema, o do filósofo como aquele que tem uma visão do todo, que tem um pensamento especulativo, pertence agora aos jornalistas.
OD: Como assim?
Os jornalistas são os novos filósofos. A Revolução Francesa matou os filósofos e substituíu-os por ideólogos. A sociedade de consumo matou os ideólogos e substituíu-os por jornalistas e artistas. É aquilo a que chamo a pátria locutora. Os jornalistas têm que falar ou ficam sem trabalho. Um jornalista é um mestre de generalidades. É como um antigo filósofo, sem sê-lo. As circunstâncias obrigam-no a ser assim. 
OD: Porquê?
Porque o que emana da Universidade é um pensamento conformado, metodologicamente trabalhado. Esse pensamento é estéril e às pessoas não interessa a esterilidade. O público, que é quem manda no jornalismo, quer razões gerais. Por isso, um jornalista é um grande ensaísta. As pessoas querem isso, querem soluções gerais, querem coerência. Ora na Universidade, hoje em dia, nada se produz.  

OD: Qual é o pior aspeto da crise que atravessamos?
É a representatividade política. Os partidos políticos de há 50 anos para cá, mais ou menos, tomaram o monopólio da representatividade política. Claro que, como em qualquer monopólio, não permitem a participação de outros. Com o passar dos anos, este monopólio acabou por nos conduzir à crise terminal que estamos a viver.
OD: Era melhor no Estado Novo?
Ninguém pode contestar que Salazar foi uma das principais referências do Estado do bem-estar. Antes de Oliveira Salazar, nada! Como Franco ou Peron, ele inventa o Estado de bem-estar, que consagra os direitos de segunda geração: o direito ao trabalho, à reforma, às férias, à escolaridade das crianças, à saúde.
OD: E a seguir?
Por exemplo, na época de Soares, havia um compromisso. Não podemos comparar a representatividade dessa altura com a de hoje. Então ainda havia algum compromisso com o socialismo ou outras ideologias. Agora, os políticos estão apenas comprometidos com eles próprios e com os seus interesses. Hoje vivemos uma oligarquia partidária.
OD: É essa a causa de tantos protestos?
Sim. Quando falha a representatividade política, estalam os protestos. Quando a representatividade é nula, acaba-se na rua. Mas chegamos a um protesto sem conteúdo.
OD: Que pensa dessa vontade do povo?
O povo transformou-se no “público consumidor”. Chegámos ao máximo da sociedade de consumo. Os políticos de agora, Hollande, Sarkozy, Zapatero, Berlusconi, representam oligarquias fechadas. Um corpo endógeno que se alimenta a si mesmo. Por um lado retiram ao povo a representação política, por outro lado, recebe da sociedade de consumo um ataque às suas próprias convicções.
OD: O povo está viciado no consumo?
Hegel diz que o consumo é infinito. Há sempre algo mais a consumir. Há sempre um modelo novo, um mais recente. Se eu corro atrás do consumo, acabo por me tornar parte do público consumidor. Heidegger afirma isto também. Mas nós não podemos, porque o consumo está constantemente a tentar-nos. Estas sociedades opulentas, de massas, retiraram o caráter político ao povo. É por isso que cada vez que há eleições, se agitam os fantasmas do dinheiro, do trabalho, da recessão.
OD: É um jogo dos governantes?
O filósofo italiano Massimo Cacciari disse que os governos vivem do conflito. Vivem da paz aparente. Os governos pós-modernos limitam-se a administrar os conflitos, não os solucionam. O conflito é parte da sua própria existência.
OD: A atual crise económica é boa para eles?
Exato. É como para nós nos países sul-americanos, o tema da insegurança. Em Lisboa não se compara a taxa de criminalidade com a das cidades  sul-americanas, onde se mata diariamente por nada. A insegurança é, lá, uma política de Estado. Aqui é a crise económica. A política de Estado é garantir que não desapareça a conflitualidade.
OD:  A representação do peronismo era uma solução?
Sim, falo da dupla representação, ou do duplo voto. Era uma representação comunitária. A questão é que era necessário retirar o monopólio aos partidos políticos e dar uma parte à comunidade. Havia uma representação política e uma representação laboral. Mas isto, hoje, nunca será concedido pelos que detêm o poder. O que não significa que deixemos de propô-lo.
OD: Que acha das manifestações de rua?
A manifestação maciça nas ruas não tem eco se não tiver uma instituição que a contenha. No peronismo, o povo solto não existe. Apenas o povo organizado, em instituições sociais, em sindicato.
OD: Hoje, na Argentina, os sindicatos mantêm essa representação popular?
Na Argentina, os sindicatos são a única força que se opõe ao Governo. Em termos de representação, digo que há 13 milhões de trabalhadores e oito milhões estão sindicalizados.
OD: Mas não são sindicatos marxistas, como tantos que há na europa…
Não. Há alguns socialistas e até uns trotskistas, mas são pequenos. Os maiores são todos peronistas.

OD: Parece que Perón conseguiu que quase todos os argentinos se considerassem peronistas até hoje…
Costumo dizer que a diferença entre Salazar, Franco, Stroessner e Perón, é que os três primeiros estiveram no poder cerca de 40 anos, enquanto Perón esteve apenas de. No entanto, não há hoje um partido salazarista em Portugal, um franquista em Espanha, ou um stroessnerista no Paraguai, enquanto na Argentina quase todos são peronistas.
OD: Qual é esse mistério Argentino?
Perón criou instituições sociais. Aliás, fê-las criar, não as criou ele; criou as condições para que estas pudessem surgir. Foi um regime verdadeiramente popular.
OD: Como é que esse regime é visto pela esquerda?
Sempre como “fascista”, claro, com o discurso do costume…Mas o que acontece é que a esquerda quando vai a votos obtém um por cento, enquanto os peronistas têm 70 por cento. Nas últimas eleições presidenciais, por exemplo, os três candidatos eram peronistas.
OD: Como vê o discurso político hoje?
É um discurso que se compromete sem comprometer ninguém. Em campanha ouvimos dizer de vários políticos que vão fazer isto e aquilo. Mas depois, quando não fazem, a culpa é dos outros, do partido, etc. nunca é deles. É um compromisso que não compromete. É o cúmulo do simulacro.
OD: Geopoliticamente, acha que a América Latina e os países ibéricos deviam cultivar um entendimento?
Sim, houve pensadores extraordinários nesse campo, como Oliveira Marques ou António Sardinha, com todas as limitações do seu tempo. Portugal e Espanha, que é o que me interessa, que me afeta existencialmente, equivocam-se no caminho. Ninguém pode negar que um português ou um espanhol seja europeu. Mas não são europeus à maneira centralizada francesa. São outro tipo de europeus. Pode-se ser um europeu diferente sem ter que copiar o modelo francês. Nas últimas décadas, Portugal e Espanha copiaram esse modelo; têm um banco na Alemanha e um parlamento em Bruxelas. Já não são donos do seu destino. Imagine-se o poder de uma moeda conjunta entre os países ibéricos, o Brasil e a Argentina, por exemplo. O Brasil percebeu isto e assume agora um papel central no mundo hispano-americano, porque vê que Espanha não faz nada e Portugal ainda menos.
OD: Voltando a Salazar, como o vê enquanto homem e estadista?
Salazar foi o último político justo do Ocidente. Era um homem de uma integridade absoluta. Conheço até casos em que foram feitos pedidos para a sua santificação. Era um homem honesto e inteligente, que pensava pela sua própria cabeça. Salazar, como Perón, distinguiu claramente entre o político e a política. O político é o poder, a política é a organização do poder. Salazar era um mestre na organização do poder e ao mesmo tempo tinha uma ideia do poder. Foi um justo porque fez na sua altura tudo o que devia fazer, sabendo sempre que o que fazia era limitado ao seu tempo. Procurou a justiça social. Foi um católico no poder e, por isso, um pré-moderno. Um católico nunca endeusa o Estado, prefere a pessoa, o ser na comunidade.

AB

Rescaldo eleitoral - Gil Vicente-Benfica (0-3)

 
Apesar do empenho de alguns arruaceiros que gravitam em torno do Benfica e se autointitulam Benfiquistas, em denegrir o ato eleitoral, este, foi um sucesso. Parabéns aos candidatos de ambas as listas, apesar de algumas picardias a descontar à emotividade e muita adrenalina característicos destas ocasiões.
 
Os elementos da lista vitoriosa, nomeadamente o reeleito Presidente do nosso clube, devem perceber que o voto maciço dos Benfiquistas não sanciona todos os atos de gestão passada nem significa a mera expetativa de continuidade. Significa sim, que os sócios lhe reconhecem capacidade para prosseguir o projeto de consolidação e desenvolvimento económico e desportivo passível de conduzir o nosso clube à liderança desportiva nacional e ao mais alto patamar do desporto internacional.
 
Tal implica a racionalização e otimização de todas as superestruturas empresariais, administrativas e desportivas sem concessões à incompetência, à irracionalidade, à deslealdade, à passividade, à ostensividade ou simples vaidade. É gratificante para qualquer um trabalhar no Benfica mas…competência em primeiro lugar, não esquecendo a cultura permanente da mística Benfiquista, apanágio secular do nosso clube.
 
O Presidente eleito, deve ser magnânimo e, com sinceridade, convidar os candidatos opositores a apresentarem as suas sugestões disponibilizando mecanismos de participação institucional regular, a nível consultivo, durante o mandato agora iniciado. A dissidência é o mecanismo de evolução por excelência de qualquer entidade, desde que vise o bem comum, neste caso, do nosso querido clube. E todos seremos necessários.
 
Os candidatos vencidos, devem perceber que a sua participação é imprescindível à vida do clube, escrutinando a gestão estratégica e corrente, identificando fragilidades, erros, apresentando alternativas, construtivamente, sem ressentimento nem despeito, respeitando os órgãos legitimamente constituídos e sempre visando o Bem comum.
 
Porém, devem manter-se, também, vigilantes relativamente às ameaças externas, nomeadamente dos dirigentes dos clubes inimigos e adversários, dos organismos desportivos, das corporações dos agentes desportivos relevantes, da tutela governativa e dos agentes partidários com relevância no setor. Só assim poderão ajudar a clube na prossecução dos objetivos comuns e consolidar a sua própria credibilidade.

 
Finalmente, as figuras idóneas integrantes da candidatura da lista B, deverão olhar para o universo dos seus apoiantes e ponderar se, efetivamente, aceitam os arruaceiros, que exercem o seu autoproclamado Benfiquismo nas fronteiras da marginalidade, promovendo a violência, a intolerância, o ataque sórdido aos elementos dos órgãos dirigentes legitimamente constituídos e seus apoiantes, afrontando ostensivamente e estupidamente a legislação em vigor, colocando o nosso clube em risco de sofrer pesadas sanções dos poderes instituídos, geralmente coniventes com a desordem que se instalou no desporto nacional e sempre desejosos de mostrar serviço, empenhando-se ativamente em “pôr o nosso clube na ordem”.
 
Para o ex-candidato Rui Rangel, enquanto cidadão quero dizer-lhe que, a ser verdade o que consta, legal ou não, não acho que fique bem a um magistrado candidato ao que quer que seja na “sociedade civil”, aceitar o apoio explícito e ativo de pessoas dependentes do seu magistério judicial.
 
Posto isto, é tempo de darmos as mãos, unidos no combate àqueles que nos tratam dentro e fora do relvado como inimigos, perante a cumplicidade dos oportunistas e cobardes que todos os dias se demitem das suas responsabilidades democráticas.
 
Gil Vicente-Benfica (0-3)
 
 
Saúdo a vitória da nossa equipa no jogo de hoje sobre a honrada equipa do Gil Vicente, em especial a integração e o desempenho dos jovens portugueses que refletem uma viragem importante na política desportiva do nosso clube.
 
Uma palavra de apreço para o Lima pelo excelente golo, resultante do seu primoroso posicionamento e qualidade técnica, associada ao cruzamento milimétrico de outro excelente atleta Benfiquista dos quatorze costados, que é o nosso Maxi.
 
Enzo Pérez, encheu o campo com o seu empenho e talento sem regatear esforços, assumindo-se cada vez mais como o grande dinamizador de todo o jogo da equipa, para nosso regalo.
 
Ola John, igualmente, mostrou que é um atleta de eleição, que trata a bola com subtileza mas eficientemente; com excelente posicionamento e visão de jogo, qualidade e timing no passe, poder de drible curto estonteante, alta velocidade, profundidade de jogo e grande sentido de baliza. Está aqui um craque que vai dar que falar.
 
Não posso deixar de salientar o nosso Artur, com um par de defesas de alto calibre, mostrando mais uma vez toda a classe que lhe conhecemos.
 
Matic, revela-se cada vez mais um guerreiro fortíssimo dentro do campo, fechando espaços e disputando a bola em cada milímetro do terreno. O seu entrosamento na equipa e a racionalização do esforço através de uma gestão eficiente do seu posicionamento, fará dele, em breve, um atleta de referência no nosso clube e na Europa.
 
Garay já nos habituou à sua classe que nos empolga, com o seu posicionamento primoroso e uma capacidade de prestidigitador em roubar a bola ao adversário quase sem ele dar por ela.
 
Ao André Gomes e ao Luisinho, em quem depositamos fundadas espetativas, endereço os parabéns pelas exibições e magníficos golos,
 
Enfim, todos merecem os parabéns pela vitória num terreno bem difícil, onde um dos nossos adversários baqueou.
 
AB