Desporto

sábado, 15 de dezembro de 2012

Jorge Jesus, o Futebol e o Benfica


Correio da Manhã, 15.12.2012, pág. 32

“Temos um campeonato muito difícil e a conjuntura económica vai fazer com que o futebol português não vá ter tanta qualidade como nos últimos anos", disse ontem Jorge Jesus. O técnico do Benfica frisou que "muitos jogadores portugueses com qualidade" acabam por sair para outros países, como a Roménia ou Chipre, por receberem mais, e vincou que esta tendência se vai sentir cada vez mais no futuro.

"Às vezes oiço críticos perguntarem porque é que o Rui Pedro está na Roménia e outro no Chipre ou Bulgária. Estão lá a jogar porque esses países pagam três vezes mais do que em Portugal e o nosso jogador médio vai sair para esses países", disse.

Depois, observou que as equipas de menor nomeada vão sentir "cada vez mais dificuldades", mas manifestou-se convicto de que os clubes vão encontrar soluções. "O povo português é muito inteligente e vai procurar alternativas em outro lado, descobrindo jogadores em outros mercados onde ainda ninguém lá chegou", vincou.”

Serenamente, aflorou-se-me ao espírito como se fosse uma inevitabilidade o pensamento de que Jorge Jesus iria ser campeão europeu pelo Benfica. Apesar  da compatibilidade dos notáveis pergaminhos do clube com este cenário,  as conjunturas que desde há muito afetam o futebol português e europeu fazem depender a conquista de títulos de outros méritos que não os desportivos. De facto a corrupção desportiva é hoje uma indústria altamente rentável para quem a pratica - ver “Máfia no Futebol” de Declan Hill, editora Saída de Emergência” -, limitando-se as autoridades nacionais a um silêncio cúmplice ou proporcionando aos tribunais os instrumentos necessários à absolvição dos agentes da corrupção mais relevantes, na vã esperança de “lavar” a consciência, tentando fazer crer aos cidadãos que o primado da Justiça lhes assiste tratando-os como mentecaptos. Por outro lado, quer a UEFA quer a FIFA, entidades altamente desacreditadas por sucessivos casos que têm vindo a público, sabendo-se impotentes perante esta  exemplarmente disseminada estrutura corruptiva, vão lançando sucessivos planos de prevenção e combate do fenómeno, quanto a mim, apenas para parecer que se preocupam. Se assim não fosse há muito que teriam promovido a inclusão das tecnologias no jogo. Mas não; tais criaturas “corruptossáurias” entendem muito doutamente que os erros de arbitragem, mesmo que grosseiros, ainda que decisivos, ainda que denunciantes, fazem parte do jogo, pois proporcionam acesas e apaixonantes discussões entre os adeptos, sobrelevando aqueles detalhes ridículos eminentemente futebolísticos que costumavam deliciar os espectadores.

Entre a classe política nacional vai-se instalando a “grave preocupação” da carência de futebolistas portugueses nas formações nacionais, atribuindo-lhes a responsabilidade de tal facto, enquanto anunciam “medidas” tendentes a corrigir esta “disfunção desportiva”. Ignoram estas luminárias que tal se deve à livre circulação de pessoas e bens no espaço europeu tornando inevitável a migração de atletas, devido às tremendas diferenças salariais entre os vários países e fragilizando continuamente, inexoravelmente, os clubes nacionais, grandes e pequenos, todos eles focados na sustentabilidade financeira só possível pela rotação frequente de atletas, o que impossibilita o desenvolvimento sustentado de qualquer projeto desportivo, mesmo nos grandes clubes.

Graças aos atuais dirigentes e à sua tremenda popularidade e prestígio, o Benfica conseguiu reerguer-se e luta pela recuperação da sua inegável e desejável dimensão europeia e mundial, contra uma estrutura que, inequivocamente, favorece o projeto portista, beneficiando este de uma evidente convergência de interesses, nomeadamente políticos e económicos, regionais e nacionais.

Voltando a Jorge Jesus, é evidente que a espécie de “premonição” que me acometeu, emergiu na sequência do evidente progresso do projeto desportivo que Jorge Jesus encabeça, caracterizado pela coerência técnica implementada nos vários escalões e pelos jovens valores que vão despontando oriundos da formação, que proporcionam soluções desportivas de qualidade, estabilizando todo o projeto, também pela consequente valorização económica global.

Jorge Jesus sabe disso, interiorizou isso, adquirindo a serenidade necessária para desenvolver e aperfeiçoar as suas ideias num projeto vertical. O Benfica cresceu com Jorge Jesus e este...está a crescer com o Benfica. Tal realidade manifesta-se autonomamente, instalando-se entre atletas, dirigentes, adeptos e…adversários, fazendo renascer a temível mística Benfiquista, para desgosto do gerente de caixa e seus correligionários.   

Boa sorte para o Benfica no jogo iminente com o Marítimo, equipa muito bem orientada e sempre difícil de bater. 

AB

HONRA E DEVER (Alpoim Calvão): Operação "Tridente" - Amilcar Cabral - António Lobato - Demagogia e traição


Operação Tridente: (pág. 74)

 “…Este movimento, se bem que tecnicamente bem executado, custou-me a morte do 1º grumete Manuel dos Santos Barraca.
Imediatamente, da linha inimiga se destacaram alguns vultos que, rastejando habilidosamente, tentaram ultrapassar os poucos metros que nos separavam a fim de se apoderarem do corpo e respetiva arma, o que seria um bom troféu de propaganda. Quase simultaneamente lançaram-se para a frente o sargento Manuel da Costa André e o marinheiro Domingos António Botelho em direção ao camarada caído, indiferentes ao chuveiro de balas que granizava abundantemente, apenas preocupados em socorrer o irmão de armas. E, qual sólido roble, com uma G3 debaixo de cada braço, o grumete Abrantes Pinto, de pé e completamente a descoberto cobria o avanço do André e do Botelho com o fogo das suas armas! Tudo se passava a escassos metros de mim, que, apesar das minhas funções de comandante me obrigarem a abarcar toda a zona de ação, não pude deixar de observar com um misto de espanto e orgulho o gesto daqueles homens. Quando alcançaram o Barraca e iniciaram a sua evacuação, o Botelho foi atingido mortalmente e caiu redondo no chão. Então, a minha gente, espontaneamente, sem necessidade da mínima ordem, carregou energicamente e estabeleceu o perímetro de forma a incluir o local onde estavam os dois camaradas mortos e o sargento André que não recuava um centímetro. Não fiz mais do que os acompanhar, extremamente grato pela sua coragem.”
(página 155)
Com o apoio tácito do Senegal e a aquiescência de Oliveira Salazar às teses defendidas pela UNGP, em 11 de Agosto de 1962 é enviada à Guiné uma missão chefiada pelo secretário de Estado do Ultramar, Silva Cunha, para se encontrar uma plataforma de entendimento. Porém, à última da hora, quando a delegação se encontrava já em Bissau, chegou ordem de Lisboa para se suspenderem todas e quaisquer conversações. A UNGP viria a ser dissolvida em 1963, ao deparar-se com o recuo de Salazar quanto à sua decisão inicial de apoio ao movimento e a recusa de entabular negociações. A decisão do Presidente do Conselho em suspender a iniciativa prendeu-se com a criação da Organização de Unidade Africana (OUA), que passou a reconhecer os movimentos ditos independentistas como os legítimos representantes dos povos das “colónias” portuguesas e votou o governo de Portugal ao ostracismo.
(pág. 162)
(Amílcar Cabral, Palavras de ordem Geral, cap. V) :
“Agir prontamente e com a maior severidade contra a tentativa de deserção e contra os desertores …O desertor ou os que tentam desertar devem ser desarmados, presos, julgados e punidos…A partir de agora, o desertor individual ou o responsável ou responsáveis principais duma deserção coletiva devem ser presos e condenados à morte. Se conseguirem fugir devem ser liquidados lá onde se encontrem!”
(Alpoim Calvão):

E agora senhores desertores? Consciência tranquila? Nem o tecnicamente não desertor Manuel Alegre escapava à pena de morte se lhe tivesse sido aplicada esta justiça do PAIGC às suas actuações Argelinas!

Sei que muitos antigos combatentes do PAIGC não têm consideração nenhuma por estes senhores. Antes admiram homens como o António Lobato que, em sete anos e meio de cativeiro, soube resistir a todas as pressões, inclusive do próprio Amílcar Cabral, para assinar um papelinho em que declarasse ser contra a guerra dita colonial. Assinatura essa que lhe valeria a liberdade imediata e transporte para qualquer país europeu. Senhores compatriotas deste Portugal de quase nove séculos! Quem escolhem: o poeta Alegre ou o major Lobato? Honro-me de chamar amigo a este Português de Lei…

Transcrevo ainda Cabral: “Levar a ação armada, com urgência aos meios urbanos…bombardear mesmo as praças das vilas e cidades…”
Na escola de quadros situada na Guiné-Conacri, em palestras aos dirigentes, Amílcar Cabral afirmava: “Dar um tiro a um tuga no caminho ou emboscada é um ato político de primeira grandeza.” Para um amigo do Povo Português não deixa de ser uma afirmação interessante.
(Pág. 169):
As praças começaram a refilar, dando sinais de um evidente descontentamento, qua acabou por degenerar em contestação aberta e num movimento semelhante à greve, atentatório dos mais elementares princípios da disciplina militar, com a recusa em sair das instalações dos famigerados bunkers para comparecer às formaturas, aos serviços, etc.
Reconhecia Alpoim Calvão que a proteção superior dos abrigos tornava a vida dos homens infernal. Mas movimentos contestatários não os tolerava e resolveu o assunto com o argumento que utilizava sempre com grande sucesso quando todos os outros se revelavam ineficazes. Entrando no alojamento das praças mais recalcitrantes, berrou com voz forte de comando, de quem não admite sequer a mais pequena hesitação:
- Saem todos imediatamente e formam lá fora. Quem não quiser vai jogar à bofetada comigo. Depois estão à vontade.
Todos obedeceram e o incidente ficou sanado.
(Pág. 183):

Horas depois, o ruido surdo de um motor alerta os fuzileiros para uma embarcação, logo identificada como sendo do PAIGC.
De armas aperradas, quando os fuzileiros sentem que a embarcação está à distância de lhes não poder escapar, largam com os botes do seu ancoradouro e arrancam a toda a velocidade ao mesmo tempo que o comandante Calvão grita em francês ordem para parar as máquinas. A recusa em obedecer veio através do crepitar das armas ligeiras pelo que, sem hesitar, os fuzileiros lançaram-se ao assalto. Calvão, no afã da abordagem, acaba por ver-se forçado a largar a sua G3, mas isso não o detém e sequer o faz hesitar. Já a bordo, envolve-se em violenta luta corpo-a-corpo  com o timoneiro do navio que prontamente elimina e é com a arma arrancada ao inimigo, uma Simonov russa, que continua a combater. Sem demora, o reduzido grupo de fuzileiros aniquila todos os focos de resistência e toma o controle da embarcação. Foi um dos momentos mais marcantes da carreira militar de Alpoim Calvão, que ainda hoje, passados que são tantos anos, guarda a arma que capturou nesse combate.
(Pág. 184):
…É pois naquele ponto perdido no meio do mar que foi deixado o comandante Calvão, sem ter necessidade de qualquer armamento já que se encontrava muito longe de terra. Sucede porém que aquela era uma posição recentemente cartografada, pelo que apenas se encontrava assinalada nas cartas náuticas. Nas da Força Aérea nada constava e para as aeronaves aquele ponto nada mais era do que mar imenso. Assim, os helicópteros andavam a sobrevoar toda a costa da Foz do Cacine, não podendo supor que o seu objetivo se encontrava naquele baixio tão distante. Entretanto, como o resgate demorava, a maré que inicialmente se encontrava na baixa-mar começa a subir e a restinga a ficar submersa, pelo que o comandante se ia aproximando cada vez mais do farolim. A certa altura, e já com os pés molhados, nada mais lhe resta senão começar a subir pela estrutura, mas quando olha para cima, percebe que não está sozinho: uma enorme jiboia encontrara no farolim um refúgio seguro e, enroscada no seu topo, observava atentamente o recém-chegado. A um e a outro resta apenas a partilha do espaço, cada vez mais exíguo devido à subida das águas. Uma espera que teria sido interminável não fosse a iniciativa do piloto de um dos helicópteros, que alargara o raio de busca…


(Pág. 189)

…Assim, o grande objetivo preconizado por “A Solução do Problema da Guiné” (autoria do General Spínola)  resumia-se a duas linhas de força:
                - Acelerar a promoção económico-social da Província em equilíbrio com a promoção sociocultural das populações autótones  tendo em vista eliminar as causas da subversão;
                - Ganhar o tempo necessário  e assegurar o espaço vital para se atingirem em tempo útil os objetivos primários da política nacional.
A conclusão deste documento não deixa margem para qualquer dúvida, ao afirmar perentoriamente:
                “O tempo corre a nosso favor na medida em que formos concretizando os objetivos  socioeconómicos, que anulam as razões básicas da subversão. Portanto, caminhamos para a vitória final e esta encontra-se perfeitamente ao nosso alcance.”
…A doutrina com que, entretanto, Amílcar Cabral incentivava os quadros do PAIGC  assentava em apregoar os malefícios do colonialismo  e as virtudes da luta de libertação, bem expressas nas “Palavras de Ordem Gerais”, um opúsculo que o Secretariado-Geral do PAIGC editara e difundira em Novembro de 1965.
O pensamento de Cabral aí exposto, com a apregoada conceção humanista do seu autor a ser desmentida a cada parágrafo, fazia a apologia da violência e do ódio, incitando à destruição de tudo aquilo que os portugueses haviam construído, mesmo que fossem os frutos de uma ação benéfica para o povo guineense:
“…A definição do Povo depende do momento que se vive na terra.
População é toda a gente, mas o povo já tem que ser considerado em relação à própria história. Mas é preciso definir bem o que é o povo, em cada momento da vida de uma população. Hoje na Guiné e em Cabo Verde, povo da Guiné ou Povo de Cabo Verde, para nós, é aquela gente que quer correr com os colonialistas portugueses da nossa terra. Isso é que é o povo, o resto não é da nossa terra nem que tenha nascido nela. Não é o povo da nossa terra, é a população da nossa terra mas não é povo.
…Portanto, a maior parte do nosso povo é nosso Partido. E quem mais representa o nosso povo é a direção do nosso Partido. Que ninguém pense que lá porque nasceu no Pico da Antónia ou no fundo do Oio, ele é mais povo do que a direção do nosso Partido, mentira.
…Portanto, aqueles que têm amor pelo nosso povo, têm amor pela direção do nosso Partido. Quem ainda não entendeu isto, não entendeu nada ainda.” 
(Pág. 192)
“…Certo dia reparou que no livro do DFE 8 se encontrava lançado um registo assinado pelo imediato da unidade, o segundo-tenente  Sanches de Oliveira, em que ele referia ter dado ordens a um grumete para abrir um buraco no chão e que este se negara, afirmando que não era para ser cavador  mas sim fuzileiro que tinha vindo para a Guiné.

“…Chamei o imediato e perguntei-lhe:
                - Olha lá e tu o que é que fizeste?
                - Oh comandante - respondeu o “Sueco” - ele não quis ir…
                - Não podemos dar uma ordem e permitir que eles não a cumpram. Eles têm de cumprir a ordem seja lá de que maneira for.
                - Mas comandante, eu já não sabia bem como fazer…
                 Eu vou-te mostrar como é que se faz. Chama lá o grumete. E veio o grumete. Então eu disse ao imediato:
                - Agora procede como fizeste da outra vez.
E assim foi. O imediato mandou buscar a enxada.
                - Agora o que é que disseste ao Grumete?
Sem esperar resposta, entreguei-lhe a enxada e disse ao grumete:
                - Faz o que o imediato te mandou e abre o buraco.
Ele não quis dar o braço a torcer e alegou:
                -…ai…eu…não sei quê…!
                -Olha lá, tu tens que cumprir as ordens, abre o buraco!
Renitente continuou a dizer que não abria. Eu então tirei-lhe a enxada das mãos e parti-lhe o cabo nas costas e disse:
                - Agora, com o resto da enxada, abre o buraco!
E ele, imediatamente começou a abrir o buraco. Virei-me então para o imediato e disse-lhe:
                - É assim que tens de fazer. Dás uma ordem (legítima), tens de a fazer cumprir.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

O PEQUENO GRANDE BOMBARDEIRO


O Talento de Miccoli continuará a ser recordado por todos os que tiveram o prazer de o presenciar, em especial os Benfiquistas.

 

Miccoli pertence àquela restrita categoria de futebolistas capaz de transformar o jogo numa festa covocando espontânea e maciçamente os espetadores restituindo-lhes a alegria que só a arte propicia.

 

Ainda não estou refeito da sua saída; deixou uma lacuna muito difícil de preencher dadas as suas características únicas.

 

Não cheguei a perceber porque saíu e ainda gostava de que tal fosse cabalmente explicado. Confesso que gostaria de o ver regressar mesmo em final de carreira. Estou certo que ainda nos daria algumas alegrias.

 


 A seguir ao Palermo, foi o clube onde me deu mais prazer jogar. Tive oportunidade de jogar na Liga dos Campeões, com muitas vitórias e golos, e atuei ao lado de jogadores como Rui Costa, Nuno Gomes e Simão. É uma camisola que guardo no meu coração e vou apoiar sempre o Benfica", afirmou.

O avançado fez questão de incluir o ex-companheiro Rui Costa no seu onze predileto: "Buffon, Thuram, Montero, Ferrara, Balzaretti, Migliaccio, Liverani, Davids, Rui Costa, Miccoli e Cavani".

A obra de arte correu mundo com o avançado italiano, de 33 anos, a considerar este como um dos melhores tentos da carreira, juntamente com… o golo acrobático que marcou em Anfield ao serviço do Benfica, nos oitavos-de-final da Champions frente ao Liverpool, e que viria a selar a qualificação das águias para a fase seguinte da prova em 2005/06.



“No Benfica, tivemos um grande ano na Champions, fomos aos quartos-de-final e fomos eliminados pelo Barcelona. O golo em Anfield está no pódio dos meus melhores golos, assim como este que marquei ao Chievo”, afirmou o “pequeno bombardeiro” ao site “Palermo24”. 


 


 AB

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Sporting-Benfica (1-3)



 Ao ver a classe com que Artur, na 2ª parte, defendeu um remate de um adversário isolado já próximo da pequena área, exclamei convicto: “vamos ganhar!”

Com este lance Artur incutiu nos companheiros a determinação da vitória por lhes ter assim mostrado não só que podiam confiar nele como merecia idêntica demonstração da sua parte. Tais mecanismos correm paralelamente às incidências das partidas e não poucas vezes as definem relevando a importância das lideranças, dentro e fora de campo.

Acicatada pela desprestigiante criação de um ambiente especialmente hostil ao Benfica pelo seu Presidente e consciente da importância desta partida para as suas aspirações neste campeonato,  a equipa do Sporting fez o que lhe competia; assumiu o jogo pressionando no meio campo, trocando bem a bola, abrindo a frente de ataque sempre com Capel muito irrequieto bem encostado à linha e sem marcação procurando meter a bola jogável no ponta de lança, notando-se algum atabalhoamento na movimentação ofensiva.

O Benfica, encarou o jogo de forma paciente, com excessiva lentidão e lateralização, com um meio-campo demasiado permeável, onde o jovem André e o determinado Matic não conseguiam suster as investidas do adversário e o sempre esforçado Máxi não acertava com a marcação ao Capel muito por falta do apoio de Sálvio.

Um infantil erro defensivo custou-nos um golo; ao tentar ajudar os centrais na recuperação do esférico, Máxi deixa Capel solto junto à linha o qual, num primoroso cruzamento, devolveu  o esférico a Wolsfinkel que este com um remate fulminante tipo "folha seca" introduziu na baliza sem que Garay ou Artur o conseguissem deter, aquele chegando atrasado, este não o vendo partir.

Não entendi a passividade com que os jogadores do Benfica se movimentavam, nem a desarticulação das movimentações e temi o pior…até à já referida defesa do Artur e, valha a verdade, ao susto no poste direito. Mantendo a racionalidade tática, os nossos atletas aumentaram a dinâmica, destacando-se Sálvio e, sobretudo, Ola John, que naquele seu estilo gingão mas talentoso e persistente, ia “arrancando” sucessivos e excelentes cruzamentos que sempre constituiram uma das melhores gazuas ofensivas. 

Foi assim que surgiu o empate num excelente cruzamento da esquerda, com o corajoso Tacuara a meter a cabeça à bola, entre dois defesas contrários, num dos quais aquela tabelou antes de “descobrir” o desejado caminho da baliza. Dizem que foi um golo a meias, dizem que ouve intervenção do braço de Cardozo, mas eu digo que foi mérito deste, por estar no sítio certo e ter a tido a coragem e o engenho de intercetar a bola de forma incontrolável para os defesas adversários.

Com a serenidade que caracteriza as grandes equipas, mantendo a toada do jogo, com o Sporting a tentar reagir mas já sem forças nem engenho, foi num lance de garra e talento que Máxi apareceu, fulgurante, na área, rematando forte e cruzado, para defesa…de um defesa adversário!….Milagre! O árbitro viu e assinalou a falta expulsando o infrator! Notável!

Desta vez o Tacuara foi Cardozo e com serenidade surpreendente, bateu o brioso Patrício num bonito gesto futebolístico. No terceiro golo, Cardozo foi Tacuara, surgindo letal no coração da área para concluir o lance com uma tremenda “paulada” de cabeça, respondendo a primoroso cruzamento de… Ola John, não tendo outro remédio Patrício senão ir ao fundo da baliza buscar o esférico. Foi o golo da tranquilidade. Realce ainda para Gaitan por ter feito a cabeça num “molho de brocas” aos defesas do Sporting, durante o tempo em que esteve em campo.

Dei comigo a tentar descortinar a razão da não utilização de Gaitan no jogo com o Barcelona, logo ele, que é talhado para os grandes jogos! Admiti então que a declaração de Jesus da assunção de prioridade ao campeonato em detrimento da Liga dos Campeões é verdadeira, lembrei-me também que há quem pense que o Benfica tem que ganhar cá dentro antes de o fazer lá fora e ocorreu-me ainda que, na estratégia para este jogo, Jesus apostou no desgaste físico dos atletas adversários e na inevitável desarticulação do seu futebol.

Quanto ao árbitro, julgo que não há erros graves a apontar-lhe, embora me tenha parecido demasiado permissivo nalgumas entradas dos verde-brancos.

E para terminar recomendo ao gabinete jurídico do meu clube que apresente à FIFA um projeto de atualização das regras do jogo de forma a contemplar para todas as equipas, dois guarda-redes; um principal, outro secundário. Talvez assim melhore o espetáculo, tornando o jogo mais transparente, apelativo e rentável…para todos! É que o sistema já está implementado por cá e com excelente resultados para o único clube da história do futebol português condenado por corrupção.


 E...sim, senhor Filipe António Pereira, Pinto da Costa anda a gozar não só com Luis Filipe Vieira, mas com todos os portugueses honrados, incluindo benfiquistas e jornalistas, constituindo um dos mais contundentes exemplos da falência de um regime que se pretendia Democrático para vergonha de todos.

AB

domingo, 9 de dezembro de 2012

TRANSPARÊNCIA

                                                      (De “A Bola Online”)

“Jorge Casquilha considera que o árbitro Vasco Santos não assinalou uma grande penalidade «flagrante» a favor do Moreirense, no jogo com o FC Porto

«Há um ´penalty` flagrante que não foi marcado, quando o Pablo Oliveira remata e a bola embate na mão do defesa direito do FC Porto. São lances normais no futebol, mas o árbitro não marcou», afirmou o treinador, em conferência de Imprensa.”
 
 
E lá vão mais dois pontos para o bornal, tal como aconteceu no anterior jogo do beneficiado com "os amigos do Braga". Enquanto isso, ao Benfica já foram subtraídos esta época quatro pontos devido a “erros grosseiros” de arbitragem.


O futebol espelha o descontrolo em que se encontra o país e a mentira do “Estado de Direito Democrático”, razão maior dos nossos males. De facto, apesar da afirmação à saciedade do primado da lei, não há universalidade na sua aplicação devido ao condicionamento do aparelho judicial e processual pelos espúrios poderes dominantes.

Mais grave é o conformismo que se vai instalando, traduzido na aceitação generalizada da violação da lei quando aqueles poderes são os beneficiários. É o que se passa no futebol! Até parece que os árbitros sofrem de uma espécie de doença do foro visual que posso designar por “síndroma da visão seletiva”, já que não me passa pela cabeça que recebam instruções do Presidente do Conselho de Arbitragem para beneficiar um dos concorrentes do Campeonato Nacional, embora tal “doença” possa ser provocada pela capacidade persuasora dos referidos poderes dada a aparente impunidade de que disfrutam (até tem graça; fruta, frutar, disfrutar!).

Há muito que defendo a necessidade de o Benfica se preparar para uma tomada de posição drástica, que abane o futebol da alto a baixo, dada a discriminação de que é vítima desde há décadas por parte dos organismos que gerem o futebol e da indiferença das instituições tutelares, que, hoje como ontem, ignoram ostensivamente esta realidade.

Apelo aos nossos Atletas e Técnicos para que se mantenham concentrados e determinados na sua tarefa de jogar bem e ganhar, seja em que circunstância for. 

AB

sábado, 8 de dezembro de 2012

SORTIDAS


Tito Vilanova:
Segundo refere o CM de 7.12.2012, pág. 35, Tito Vilanova terá dito que a entrada de Messi no jogo Barcelona-Benfica por 30 minutos se ficou a dever ao facto de se tratar de um bom jogo-treino.
Claro que o apuramento prévio do Barcelona para a fase seguinte retirou intensidade ao seu jogo permitindo a rotação de alguns jogadores mais influentes e a proteção de Messi. No entanto, o que me parece é que o elevado nível de jogo apresentado pelo Benfica, suscetível de brindar a equipa da cidade condal com uma goleada histórica, obrigou Vilanova a fazer entrar Messi, que equilibrou a partida enquanto esteve em campo. Estas declarações refletem, nem mais nem menos a necessidade que sentiu de justificar o ascendente desportivo exercido durante quase todo o jogo pelo Benfica e demonstram a sua falta de cavalheirismo ante o nobre adversário.
Edgar Carioca:
O excelente atleta do Spartak de Moscovo, supostamente, referiu a um jornalista de um diário desportivo Brasileiro, a propósito de uma esperada oferta de um incentivo por parte do Benfica para o jogo que disputaram com o Celtic, que o seu telefone não tinha tocado.
Esta, parece ser uma prática corrente no futebol, ainda por cima, cumummente aceite tratando-se de incentivo para ganhar. Ficámos assim a saber que tal não se verificou por parte do Benfica; e não é que o primeiro golo do Celtic resulta de uma falha de interseção do esférico, infantil, por parte de um defesa do Spartak? E não é que o segundo golo do Celtic resulta de uma grande penalidade de origem duvidosa e despropositada? Edgar Carioca, por sinal, não referiu se tocou o seu telefone da parte do Celtic.
Leonardo Ralha:
Na sua coluna “Dia a Dia” do CM de 07 de Dezembro de 2012, este cronista faz um indireto elogio à extraordinária defesa de Artur aos pés de Messi - em que lhe tirou o pão da boca” com grande classe - referindo-se previamente às “oito papoilas apavoradas” que teriam sido ultrapassadas pela “superestrela”.
Leonel Messi perfuma o fastidioso futebol da sua equipa com a magia da criatividade, velocidade, controle de bola qualidade de passe e simplicidade, perante o qual, qualquer defesa de qualquer equipa do planeta que queira vencer, fica apavorada; no entanto, proeza idêntica fizeram Ola John, Lima e Rodrigo, algo a que Leonardo Ralha parece não ter reparado.
A intenção de desvalorizar o desempenho dos atletas do Benfica é óbvia, também pela referência que faz ao facto de o Barcelona ter deixado alguns titulares no Banco. Leonardo Ralha parece convicto de que esta equipa só conta com onze jogadores excelentes, enquanto parece crer que todos os vinte e sete (salvo erro) atletas do plantel do Benfica são igualmente preponderantes na equipa.
O despeito costuma ofuscar a inteligência descredibilizando até os mais dotados.
UEFA:

 “Nesse contexto, não há nos estádios de futebol espaço para qualquer tipo de discriminação. Vamos, por isso, continuar a lutar contra ela de forma incansável, com toda a nossa força, juntamente com os nossos parceiros e com todos aqueles que, como nós, acreditam que a diversidade nos torna mais ricos e não mais pobres.” Declarações de Platini no site da UEFA.
A data do jogo Sporting-Videoton a contar para a Liga Europa foi alterada para ontem devido ao mau estado  do relvado provocado pelas intensas chuvadas que se abateram sobre Lisboa na data inicialmente marcada.
Compete aos titulares da organização das competições de futebol garantir que os jogos se realizem respeitando todos os legítimos interesses em jogo, como é o das equipas em confronto. A padronização do terreno de jogo é condição essencial para garantia da equidade desportiva, seja nas características dimensionais, seja na constituição do terreno, seja no seu estado de conservação ou textura.
Forçar uma equipa a jogar em relvado sintético ou em terreno congelado contra adversários rotinados nele é discriminá-la, diminuindo-a, estabelecendo diferenciação   relevante na igualdade de oportunidades.
Tal foi o que aconteceu à equipa do Benfica na Liga dos Campeões esta época contra o Spartak e na anterior contra o Zénit; no primeiro caso, jogando pela primeira vez em relvado sintético e no segundo sobre placa de “betão”, perdendo ambos os jogos com adversários inferiores com a agravante de, no segundo caso, ocorrer lesão grave num dos seus melhores atletas devido não só à violência agressão do colega adversário como também ao estado do terreno.
À UEFA não basta parecer preocupar-se com a equidade e propagandea-lo, tem de lutar por ela todos os dias com inteligência e determinação independentemente dos interesses que possam ser afetados e impor esse mesmo comportamento às federações nacionais, em vez de, hipocritamente, fechar os olhos, claudicando perante esses mesmos interesses.

AB

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

PRÉMIO ZARATUSTRA FRADALHO

Reunido em sessão extraordinária, o Conselho de Administração do Zaratustra presidido pelo conhecidíssimo Presidente Honorário TERRA BURRO, em virtude da grandiosidade do momento, decidiu criar o PRÉMIO ZARATUSTRA FRADALHO, para assinalar o enésimo castigo exemplar do Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol a uma individualidade do "subsersivo" Benfica, neste caso, ao seu exVice-Presidente Dr Rui Gomes da Silva, por ter tido a desfaçatez, a imoralidade, a petulância de manifestar públicamente as suas dúvidas quanto à atuação dessa sumidade galáctica da arbitragem  que dá pelo nome de Carlos Xistra e do seu digníssimo chefe Sr Vitor Pereira, o qual, como todos os "grandes chefes" nunca comete erros que prejudiquem o Benfica não reconhecendo qualquer relevância à perda de dois preciosos pontos deste clube, por erros grosseiros de arbitragem, no jogo em causa; Académica Benfica (2-2).
Com este excelso e corajoso gesto, o digníssimo Conselho de Arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol, fez cumprir o sagrado direito consuetudinário estabelecido há décadas pelo mostrengo da paróquia, sem o qual, esta, sucumbirá exaurida.

PRÉMIO ZARATUSTRA FRADALHO
Uma esperança nova alumia as nossas almas pois a partir de agora não restam dúvidas de que esta exemplar estrutura jamais deixará sem castigo nenhum incendiário de estádios, nenhum vendedor de fruta, rebuçadinhos, chocolatinhos nem mesmo de café com leite; nenhum gerente de caixa, nenhum conselheiro matrimonial, nenhum incompetente, corrupto ou não, que contribua para transformar o futebol na farsa que é desde há décadas.
Fundamentação da histórica atribuição do PRÉMIO ZARATUSTRA FRADALHO, sancionada pelo GRANDE TERRA BURRO:
Castigos aplicados por órgãos da FPF a Dirigentes, Técnicos e atletas do Benfica:
Luis Filipe Vieira; 45 dias de suspensão logo na abertura do Campeonato,
Jorge Jesus; 15 dias de suspensão no decurso do campeonato,
Rui Gomes da Silva; 10 meses de suspensão por declarações "imprópriamente impróprias" e 1 mês por não comparecer à convocatória da digníssima instituição caracterizada pela punição compulsiva e habitual do Benfica,
Luisão; 2 meses de suspensão aplicados pela FIFA após prestimosa assessoria dos órgãos da FPF,
Enzo Peres; 1 cartão vermelho, punido com 1 jogo de suspensão,
Máxi Pereira; 1 cartão vermelho punido com 1 jogo de suspensão (salvo erro),

Cartões amarelos; menor rácio faltas/cartão detido pelo Benfica.

Tudo somado e arredondado, foram "à viola" 4 pontinhos, negando ao Benfica o comando isolado do campeonato em curso.

Calma; ainda nem estamos a meio do campeonato!
IRMÃOS, DEMOS GRAÇAS, ENTOANDO ESTE BELÍSSIMO CÂNTICO DE

 PENITÊNCIA:
 COMO SE FAZ UM CANALHA
ALELUIA, ALELUIA, ALELUIA,
OREMOS IRMÃOS!



quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Barcelona-Benfica (0-0)



Um resultado frustrante, apesar da boa exibição da equipa do Benfica, em pressão alta desde o início do jogo, disputando a bola em todo o terreno, sobretudo durante toda a primeira parte, impedindo o adversário de praticar o seu temível taka-taka, soltando-se facilmente em manobra ofensiva em toda a largura do terreno. Foram do Benfica as melhores oportunidades do jogo, algumas delas flagrantes, falhadas, quer por intervenção do guarda-redes adversário - fantástico a desviar os remates colocadíssimos de Nolito e de Ola John -, quer por défice de execução dos avançados.

De facto, a equipa do Barcelona, jogando sem vários titulares tal como o Benfica, não conseguiu impor o seu futebol, vendo-se os seus jogadores obrigados a correr atrás da bola, algo a que não estão habituados, aparecendo na segunda parte com uma dinâmica de jogo mais próxima do seu habitual, graças também, a alguma passividade da equipa do Benfica - quebra física? Poupança para o Campeonato? - e, sobretudo, após a entrada de Messi, que, por lesão de origem desconhecida, não acabou a partida.
Ao cair do pano, Cardozo dispôs ainda de oportunidade soberana, que daria a passagem aos oitavos, não fosse concluída com desastrado remate do sempre esforçado Máxi, após longa e frustrante indecisão do seu colega.
O Benfica revelou dificuldade em manter o sentido posicional em fase ofensiva, má qualidade no último passe, falta de agressividade e…falta de instinto matador, características que têm que ser definitivamente erradicadas, para credibilizar as elevadas aspirações do clube e seus adeptos.
No Barcelona, destaco o guarda-redes, decisivo a salvar o golo inextremis por duas vezes, e Puyol, que, com a classe que o caracteriza, intercetou três ou quatro “passes de morte” da ofensiva vermelha.
Classe foi o que não faltou a Artur, Garay e Ola John. Na retina ficaram o corte de cabeça inextremis de Garay ainda na primeira parte, os dribles estonteantes e cruzamentos de Ola John e a superior defesa a dois tempos de Artur, negando com autoridade, o golo a Messi.
Não gostei do arbitro, sobretudo na última meia-hora de jogo; três faltas à entrada da área do Benfica sempre no mesmo local…ná! Não acredito nestas coincidências! Três ou quatro jogadas de perigo do Benfica anuladas com recurso a faltas (salvo erro) não assinaladas! Não gostei!
NTal como não gostei que o Treinador do Benfica tivesse declarado antes do jogo ser o campeonato a prioridade do Benfica e não a Liga dos Campeões; não sei se era essa a intenção, mas, receio que tal tenha arrefecido o ânimo dos jogadores. Por um infinitésimo se marca ou se falha um golo...e uma eliminatória...e milhões...e prestígio! Há que respeitar a “Lei Eusébio”; “eles eram grandes estrelas…mas EU QUERIA GANHAR”! 
Confesso que, embora triste pelo resultado, estou satisfeito pela qualidade do jogo e maturidade revelados pela minha equipa a que só faltou maior determinação, sem a qual é mais difícil ganhar títulos. Convém não esquecer.
AB

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Barcelona-Benfica, Antevisão


Benfica e Barcelona pertencem ao restrito grupo de clubes que deram ao futebol a dimensão da poesia, de espetáculo universal e intemporal, graças à cultura da arte que desde a sua génese adotaram. Hoje, mais que nunca, têm a obrigação de honrar a sua história fazendo do próximo encontro uma elegia ao futebol e uma homenagem ao público que, próximo ou distante, lhes proporciona a existência.
 
Cruyff e Eusébio são duas das figuras maiores do futebol mundial que espalharam magia pelos estádios, construindo memórias indeléveis a milhões de adeptos que, hoje como ontem, as procuram ver ou reviver, erguendo pontes entre as múltiplas ilhas de angústia que proliferam à nossa volta diariamente. Mais que o resultado, é esta a responsabilidade maior de todos os atletas envolvidos.

Comummente reconhecida como a melhor equipa da atualidade, contando nas suas fileiras com atletas de elite, entre os quais a superestrela Lionel Messi que a todos encanta, a equipa do Barcelona, já apurada para os oitavos de final, tendo confessado publicamente simpatia pela causa do Céltic, jogando em casa, reúne indiscutível favoritismo. O seu famoso taka-taka, só possível pelo extraordinário entrosamento proporcionado por atletas de eleição após longos anos de jogo em conjunto, tem-se revelado altamente eficaz, apesar de fastidioso, graças, sobretudo, à superlativa capacidade mental, atlética e técnica de Messi capaz de gerar desequilíbrios fatais a qualquer defesa. Jogando sem pressão, poderão os seus Técnicos optar por fazer alguma rotação no plantel e adotar um ritmo mais moderado mas mais racional e letal, explorando os previsíveis erros defensivos do Benfica.

Necessitando da vitória para garantir a passagem aos oitavos pela irrazoabilidade da espetativa de uma derrota do Céltic, em casa, frente ao desesperançado Spartak, os atletas do Benfica têm que fazer jus aos pergaminhos do clube, honrando os seus antecessores e os  adeptos, arregaçando as mangas, mantendo a concentração tática, jogando em bloco, roubando a bola ao adversário, obrigando-o, também, a correr atrás dela, soltando a sua criatividade, olhando cada adversário nos olhos, disponíveis para uma luta sem tréguas a cada milímetro do terreno, do primeiro ao último instante do jogo, solidários, sem esquecer o instinto “matador” que qualquer dos seus atletas pode protagonizar, nomeadamente os avançados, em especial o Cardozo com o seu famoso pé esquerdo, mas também Sálvio, Rodrigo, Ola John, Gaitan, Enzo ou Máxi. Vencer é a escola do Benfica, seja quem for o adversário e onde for o embate, sendo esta convicção de cada atleta, a primeira condição para que tal se concretize.

Não confio na UEFA nem na FIFA, pois considero que navegam ao sabor das conveniências político-económicas sem revelarem preocupação efetiva em defender a lealdade e a verdade competitiva. Na época anterior, o Benfica foi gravemente prejudicado por decisivos e grosseiros erros de arbitragem nos dois jogos realizados com o Chelsea, nos quais demonstrou à saciedade ser a melhor equipa. Igualmente, nos últimos encontros para a mesma competição com o Barcelona o Benfica foi prejudicadíssimo por arbitragens incompetentes ou comprometidas que, inclusivamente, perdoaram duas grandes-penalidades claríssimas àquele clube, uma em cada jogo.

O favoritismo deve ser demonstrado no relvado e a UEFA não deve interferir na verdade desportiva nomeando equipas de arbitragem a quem parece atribuir  o cumprimento de outros desígnios que não da garantia do cumprimento das leis do jogo. Quem sabe ver o futebol, sabe interpretar os jogos de bastidores! É conveniente que o Sr. Platini não se esqueça disto, visto que talvez já se tenha esquecido do “cheiro da relva”.



AB

 

domingo, 2 de dezembro de 2012

SOLTAS



1.       “MISSÃO BENFICA”; é o título do livro que será apresentado em 4.12.12, escrito por Luis Miguel Pereira (jornalista) e editado pela Prime Books, que descreve os bastidores do exercício de Luis Filipe Vieira da Presidência do Benfica. Um livro benvindo, que mostrará as encruzilhadas e a determinação de quem abraçou o longo e difícil projeto da recuperação deste tão amado clube, demonstrando a injustiça de muitas críticas que lhe têm sido feitas por alguns adeptos.

“Em segundos, uma galopante dor assaltou-lhe a cabeça. Insuportável. Vieira levantou-se em silêncio, deixou a tribuna do Lerkendal Stadion e procurou a primeira casa de banho.”

“Ainda dentro da ambulância, trocou a indumentária, vestiu-se à civil e entrou no balneário sem levantar qualquer suspeita aos jogadores. Os atletas não sabiam que o presidente estava internado e muito menos que deixara o hospital para lhes falar. Finda a palestra, voltou a entrar para a ambulância, em direção à CUF para cumprir a fase final do internamento.”

“O silvo estridente do Apito Dourado ainda soava na cabeça de todos quando a residência de Luís Filipe Vieira, na margem sul do Tejo, sofreu um estranho e dramático assalto, em Janeiro de 2006. “Eu estava com a minha filha, sozinhas, quando eles chegaram. Ficámos trancadas num quarto enquanto eles vasculhavam a casa toda. Foi horrível, porque não sabíamos se nos iriam fazer mal. Só levaram telemóveis e documentos do escritório, espatifaram tudo no meio do chão, urinaram na casa toda…Ficou um cheiro horrível durante semanas. Não vieram para roubar, porque havia muito para roubar, foi só para intimidar. A melhor prova foi a frase que escreveram na parede; ‘Estivemos no teu ninho, se quiséssemos tínhamos feito mal à tua mulher e à tua filha’. Lembra Vanda Vieira. E o processo de intimidação prolongou-se por vários dias e várias noites.”

“Quem não estiver preparado, desgraça o clube em dois tempos.”(in, Correio Sport 01.12.12).

2.       CONTAS DO BENFICA: “ De acordo com fontes contactadas, os técnicos do Fundo Monetário Internacional, Banco Central Europeu e Comissão Europeia elogiaram a “qualidade e transparência” da informação prestada pelas águias. Além disso prescindiram de pedir ao Benfica a garantia bancária exigida às empresas cujas dívidas carecem de sustentabilidade.”(CM,  23.11.2012, desporto).

Esta declaração dos técnicos da “troika”, esclarece todas as dúvidas acerca da transparência das contas do Benfica e da sustentabilidade da sua dívida confirmando que, a razão pela qual Domingos Soares Oliveira entrou e se mantém no clube é a sua elevada competência profissional, único critério a ter em conta numa organização que aspira ao progresso.

3.       LIGA IBÉRICA: “A liga espanhola está centrada no Barcelona e no Real Madrid, por isso seria inteligente encontrar uma fórmula para a criação de uma Liga dos Estados Ibéricos”. Disse o antigo presidente do Barça, Joan Laporta, admitindo a hipótese, à Antena 1, de criar um campeonato onde jogassem os merengues, catalães, Benfica, FC Porto, e Sporting.” (CM, 24.11.2012, desporto).

Algo terá que ser feito no âmbito dos quadros competitivos no futebol europeu. O atual quadro conduzirá ao definhamento dos clubes dos pequenos países por falta de mercado que proporcione a receita necessária para fazer frente aos clubes dos restantes países europeus. Como é possível competir com clubes com orçamentos da ordem dos 500 ME quando em Portugal, os orçamentos máximos são da ordem dos 100 ME? Como é possível formar atletas portugueses de topo e mantê-los nas nossas equipas neste quadro? Quer a UE, quer a UEFA e a FIFA têm que rever todo o processo! Julgo que deverão ser constituídas uma ou duas ligas europeias de 12/16 clubes cada, onde todos jogam com todos e as receitas seriam distribuídas de modo mais equitativo, aumentando a competitividade geral, potenciando as receitas e contribuindo para a promoção da coesão europeia.

Salvaguardadas as questões políticas, uma Liga Ibérica poderá ser uma boa solução, ,  em especial, para os “grandes” de Portugal, que veriam aumentadas as suas receitas enquanto, por outro lado, haveria, aparentemente, menos possibilidade da manipulação de resultados que existe no campeonato português, segundo minha convicção, que o descredibiliza por completo.

4.       PREVISIBILIDADE: O futebol português continua a perder a pouca credibilidade pós-apito dourado, pela sua crónica previsibilidade, razão maior da falta de público nos estádios. “Sabia” que o Porto ganharia ao Braga no jogo para o campeonato e que perderia o jogo com o mesmo clube para a Taça de Portugal! Garantida a passagem aos oitavos de final da Liga dos Campeões, a “exemplar estrutura”, à semelhança do que tem acontecido nos últimos anos, “deixa cair” a Taça para um dos clubes “amigos”, concentrando o seu esforço competitivo na Liga dos Campeões e no Campeonato, enquanto cumpre a “obrigação” de retribuir ao dependente aliado um titulozinho, pelas supostas e preciosas facilidades que o têm ajudado a ganhar os campeonatos da vergonha. Este ano, a Taça é para o Braga, como antes foi para a Académica e para o Setúbal…a não ser que o Benfica se intrometa superando qualquer dos “sete magníficos.”

AB