Desporto

sábado, 20 de setembro de 2014

Jesus versus Mourinho

      Não gosto do conceito que Mourinho tem do futebol, embora me agrade que tenha sucesso  graças sobretudo ao remanescente chauvinismozinho que por cá anda. Por outras palavras, agrada-me que um português tenha sucesso internacional ainda que  não admire o conteúdo do seu trabalho. Gosto do futebol espetáculo, do que é praticado pelas equipas que deixam jogar o adversário concedendo-lhe espaço e tempo, equipas que confiam em si próprias, de que é exemplo o Manchester United de Fergusson. Detesto o futebol compacto, físico, directo, que se desenrola em cinquenta metros de terreno, cujo primeiro movimento consiste em impedir a todo o custo o jogo do adversário e o segundo em marcar, seja como for, como é o caso das equipas de Mourinho. Este tem, quanto a mim, uma visão errónea do desporto que consiste na obcessão da vitória, sem olhar a meios, observável na incapacidade de reconhecer mérito ao adversário quando aquela não lhe é favorável. Na sua já longa carreira desportiva, são muitos os casos de intolerância aos adversários. De facto, tenho para mim que, Mourinho, pertence àquela categoria de pessoas que julga rebocar o mundo, entrando em estado de intensa ansiedade sempre que sente ameaçada a visão que tem de si próprio. 
     Talvez seja esta, afinal, a razão da referência que fez ao caso Talisca, relativizando o mérito do departamento técnico do Benfica, considerando-o um acaso resultante de alegadas dificuldades burocráticas no Reino Unido relativamente ao atleta em causa.  Pessoalmente, não acredito, porém, todos sabemos que o futebol português não tem como pedir meças ao inglês, cuja receita, com os direitos televisivos é só de mil milhões de euros esta época.  Fora tudo o resto. Mas também poderá ser motivada por "dor de cotovelo" por causa de Markovic ou por alguma encomenda dourada dos seus "velhos amigos" do passado, atónitos com o desempenho dos vermelhos, já por eles considerados moribundos.
      Mourinho tem formação superior, com um currículo notável é um dos melhores treinadores da atualidade e é frequentemente grosseiro com colegas e atletas. Jesus tem a escola da vida, dá pontapés na gramática e ombreia com os melhores na sua profissão, ao serviço de um clube com um orçamento cerca de vinte por cento do dos clubes que Mourinho tem representado. Este, preferiu o caminho fácil para o sucesso ao aderir ao sistema que tem feito de qualquer um campeão aquém e além fronteiras. Ao contrário, Jesus, com a suas limitações, incorrecções e erros, aderiu a um projeto, aceitando e enfrentando o risco do fracasso, dada a adversidade do ainda poderoso sistema vigente no desporto nacional. Escolheu o caminho mais difícil, levando a sua equipa a produzir um futebol que pela sua espetacularidade e determinação tem fascinado o mundo do futebol, apesar das vicissitudes cada vez mais perceptíveis no futebol europeu.
      Nobreza de carácter é não renunciar às origens humildes, aos seus, nem pretender ser outro com trejeitos pedantes de novo rico e pretensões pseudointelectuais. Pobreza de caráter é diminuir o mérito dos outros com alusões insultuosas que nada têm a ver com a substância do tema em causa. Se, um dia amadurecer, Mourinho, finalmente, irá compreender isto.
     

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Ocaso democrático

Leio; "Políticos ganham mais €133,00. Representantes de poder legislativo e órgãos executivos resistem à crise.
Numa época de graves dificuldades para a generalidade dos cidadãos e empresas em que a incerteza e angústia são companheiras de todas as horas, o aumento de salários da classe política testemunha a sua alienação do país real, a decadência e descrédito do regime de partidos, cujos valores democráticos necessitam de restauração urgente. Persistir nesta trajectória, tarde ou cedo acarretará mudanças trágicas.

Tardio despertar

Leio; na sequência da derrota com o Zenit, Jorge Jesus (JJ) equaciona alterar o eixo defensivo da equipa, insatisfeito com o desempenho de Jardel, o qual terá cometido lapsos causadores dos golos do adversário e da consequente derrota. Se assim é, não me resta alternativa senão criticar JJ, pela tardia compreensão de uma evidência para um "treinador de bancada" como eu. Jardel tem qualidade e suscita simpatia, todos o sabemos; é emotivo, generoso, combativo e humilde, mas é traído por esses mesmos atributos. Segue a bola, vai a todas com tudo, e...desconcentra-se, perde o sentido posicional, desgasta-se, chega tarde e faz faltas. Pode ser muito útil com certos adversários e noutras zonas do terreno; onde tenha protecção nas costas. Claro que JJ sabe, sabia disto; creio que, apesar disso, decidiu dar uma oportunidade a Jardel acreditando na sua capacidade de evolução em plena alta competição ao lado de Luisão, o que o enaltece. Mas foi aqui que falhou; ao não compreender que os requisitos necessários à evolução supostamente pretendida relevam eminentemente da natureza e carácter de cada um e pouco, muito pouco, do treino e experiência. Jorge Jesus, neste particular, poderia e deveria ter feito melhor. Será que Lisandro - ou mesmo Mitrovic, já fora do clube -, não constituiria melhor opção?

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Benfica-Zenit (0-2)

Perdemos o jogo mas ganhámos a equipa e o público; pela atitude mental e qualidade técnico-tática que todos os jogadores demonstraram e que poderia até ter valido outro resultado. Mérito ao guarda-redes adversário e demérito do árbitro pela incoerência que demonstrou.
      Entendamo-nos; a equipa do Zenit apresentou um futebol de grande qualidade em todas as vertentes, física, tática e técnica, muito dinâmico e sincronizado, recuperando a posse da bola com grande eficácia e com entradas fulgurantes a rasgar a defesa encarnada, que rendeu um golo e uma expulsão e decidiu a contenda. A equipa do Benfica, ainda em "afinações" entrou desconcentrada, algo desconexa e lenta, reagiu  estupendamente à adversidade  do resultado e da inferioridade numérica fazendo os adversários suar as estopinhas, contrariamente aos meus receios de decaimento mental coletivo. Provavelmente os jogadores do Zenit baixaram a intensidade de jogo, mas também é verdade que, pelo menos na 2ª parte, se viram gregos com os encarnados. Que o diga o seu guarda-redes que a estes negou dois tentos, que seriam belos e merecidos. Que o diga o árbitro cuja atuação, sem surpresa, pendeu para os  "gaspromes". Fantástica a cabeçada do Luisão, o quase-túnel de Lima e slalom quase fatal de Enzo. Muito bem Paulo Lopes a mostrar que tem argumentos para a baliza do Benfica. Fantástico o público não regateando os aplausos que os jogadores mereceram.
   Uma coisa é certa; este Benfica tem larga margem de progressão. Já o Zénite me parece estar próximo do seu zénite. Cá calharás.

domingo, 14 de setembro de 2014

João César das Neves em entrevista ao i

Publicou o jornal i em 6 de Setembro, uma extensa e curiosa entrevista a João César das Neves, conduzida por Isabel Tavares e Eduardo Martins, onde  aquele polémico professor catedrático da Católica do Porto, explanou os seus pontos de vista relativamente à crise que se vive em Portugal.
César das Neves (CdN) atribui a causa primordial da crise à imoderação salarial, que terá ocorrido quase em simultâneo com a entrada em vigor do euro, provocada pelas poderosas corporações que representam os trabalhadores do Estado e cuja consequência se traduziu na perda crescente de competitividade da economia nacional, endividamento e empobrecimento do país. Tudo sustentado em números de proveniência idónea e sem afastar outras razões, porém, de menor impacto.

Nesta entrevista, refere CdN dever-se à irresponsabilidade nacional, ao incumprimento  do pacto de estabilidade a que o país se vinculou, a austeridade a que tem sido sujeito, apesar de tudo com benevolência face ao que tem acontecido com, por exemplo, a Grécia, já que não terá cumprido com os critérios de avaliação, apesar de ter passado em todos os exames da troica.

Refere que teria sido mais fácil para todos se os mais poderosos tivessem feito o seu papel aceitando os cortes, e sublinha que os sacrifícios têm sido feitos de forma desequilibrada, destacando os desempregados, as falências das empresas, a emigração e a reconversão na recuperação económica do país, traduzida na redução do endividamento externo, enquanto enorme quantidade de grupos próximos do Estado ou do poder económico, como o BPN, o BES, funcionários públicos e outras entidades conseguiram proteger-se dos cortes, apesar de serem os mais reivindicativos.

Questiona o critério de igualdade suscitado pelo Tribunal Constitucional na defesa dos menos afectados, afirmando promover o contrário com as decisões que tomou, sobrecarregando o sector privado, que tem sofrido as principais consequências do ajustamento desde 2007. 

Face a tudo isto, afirma CdN, que a melhor maneira de resolver a crise é não haver dinheiro, única via de todos percebermos a importância decisiva de execução urgente das reformas do Estado necessárias à recuperação económica e ao crescimento, para as quais o BCE  criou,  temporariamente, as condições propícias, a que se seguirá o inevitável aumento das taxas de juro e da inflação.

Disse que a falência de BES se deveu essencialmente a maus negócios, contrariamente ao caso BPN que terá sido puro roubo, apesar do indício de irregularidades apontar para longas penas dos seus autores, afirmando-se ainda convicto de que a solução implementada é a que melhor protege os interesses do contribuinte ainda que, este, não esteja totalmente livre de consequências.

Surpreendentemente e paradoxalmente, revela compreensão pela incapacidade revelada pelos reguladores BdP e CMVM nestes casos, assegurando ter conhecimentos passíveis de comprometimento do seu desempenho, sustentando a enorme dificuldade da tarefa, para a qual, ele mesmo, não se sente com capacidade, e por isso não poder exigir-se mais aos titulares da regulação. Alega, apesar disso, que deve manter-se a confiança no sistema financeiro, sem a qual este não funciona e todos passaríamos a ter de viver com o dinheiro que teríamos nos bolsos.

Reconhece alguma qualidade na nossa justiça apesar da lentidão processual, apontando o caso do BPN como exemplo do condicionamento da mesma, traduzido na constituição de apenas um arguido e no desaparecimento de outros implicados devido precisamente à sua influência política, referindo o PS e o PSD como exemplos. Espera contudo que no caso BES, outro seja o desfecho.

Relativiza a genuinidade dos críticos sistemáticos do país, denunciando a sua falta de coerência, traduzida na auto-sujeição ao modo de vida que os angustia, em vez de procurarem a realização e tranquilidade pessoais em outras paragens.

Reconhece a corresponsabilização da UE na violação do pacto de estabilidade pelo país, logo secundado pela França e pela própria Alemanha, quando tal se lhes tornou inevitável. Acrescento eu que tal responsabilidade se agudizou ao permitir a desorçamentação da despesa pública através dos variados artifícios empresariais a que fechou os olhos ou mesmo sugeriu.

Mais considera CdN, não estar em pânico, por a economia ter dado a volta, graças ao tremendo esforço de reestruturação das pessoas, apesar das muitas coisas que ficaram por fazer e do peso morto de grupos instalados à volta do Estado que designa por cambada de parasitas, que, contudo, não impediu a máquina económica de dar sinais de funcionamento.

Mais uma vez nos surpreende CdN ao considerar a crise espanhola muito mais grave que a portuguesa - o endividamento é cerca de 90% do PIB -, e ao revelar-se mais satisfeito de estar em Portugal do que se estivesse em Espanha, França, Itália ou até na Alemanha, considerando que, a longo prazo, as maiores dificuldades serão para este último país.

Como solução para o crescimento económico em Portugal e na Europa, depois de afirmar terem-se acabado as abébias que conduziram o dinheiro aos bolsos do costume sem promover desenvolvimento algum, dá o exemplo dos EUA, apontando para a necessidade de estímulos de curto-prazo - empréstimos de curta-duração pelo BCE - acompanhados de uma reestruturação brutal de curto e médio prazo, considerando absolutamente indispensável que os cidadão compreendam que temos de ter um Estado que consiga pagar os empréstimos.

Fiscais para tudo e mais alguma coisa, invenção de impostos para tapar todas as facilidades, queimando a galinha dos ovos de oiro, graças aos fiscais da ASAE e de todos os organismos que estão montados para este propósito, ao seguidismo relativamente às directivas da UE, que serão feitas para países muito mais ricos que nós e que adoptamos, acabando por matar a economia, diz CdN. Refere a hipocrisia do acarinhamento às pequenas empresas denunciando a punição a que são submetidas logo que crescem, constituindo um paradoxal castigo do sucesso económico.

Considera Junker uma nulidade, simpático mas sem influência, razão decisiva na sua escolha para Presidente da Comissão Europeia mais vocacionada para destruir que para fazer algo de útil.

Termina, sustentando a inevitabilidade da maior influência da Alemanha no seio da UE em virtude da dimensão da sua economia e do financiamento maciço que àquela proporciona, face a países mais pequenos como Portugal ou o Luxemburgo, ponto em que estamos claramente em desacordo, visto que, quanto a mim, a soberania dum povo não se afere pelo tamanho do respectivo orçamento; antes pobre e livre que abastado e subjugado.

A degradação militar e o 25.04

Na sua revista Domingo, o Correio da manhã tem dedicado desde há largos meses uma a duas páginas aos relatos de ex-combatentes da guerra do ultramar, matéria que me é cara pela qual estou grato àquele diário. Desta vez foi Luís Alberto Costa a resumir a sua participação na Guiné onde esteve aquartelado em Farim, zona fronteiriça, alvo de frequentes ataques das forças inimigas, onde assistiu ao agonizar de vários camaradas de armas chegando mesmo a salvar um deles, gravemente ferido,  transportando-o, sob fogo, às costas, para a viatura que o haveria de conduzir ao hospital. Mas foi a parte final da sua história que me chamou a atenção, por coincidir com vários outros relatos de gente que viveu de perto essa guerra, e que consiste no estado de desagregação em que se encontravam as altas patentes militares das nossas Forças Armadas, consequência da incansável guerra de subversão que o PCP desenvolveu em várias frentes, com especial destaque nas universidades e escolas militares. Melo Antunes, Victor Alves, Rosa Coutinho e até o Marechal Costa Gomes são apontados por vários autores como exemplos, e, afinal, talvez tenha sido essa a causa remota do 25 de Abril e da trágica descolonização que se verificou.
 
Relata Luís Costa, que, por terem respondido com fogo ao ataque inimigo perpetrado em 26 de Abril, foi o comandante interino da Companhia, major Meneses, preso por ordem das chefias militares em Bissau, acusado de fascista por ter continuado a guerra, tendo sido posteriormente solto graças a um abaixo-assinado organizado por aquele combatente. Este episódio mostra o estado de insanidade militar que se vivia à época e se difundiu no país com as consequências que se conhecem e que ainda hoje se fazem sentir, para gáudio de alguns e desespero de muitos, mas que mancham instituições centenárias das quais todos nos deveríamos orgulhar.
 
A minha gratidão ao Luís Costa.

Teófilo Santiago

O recente julgamento em 1ª instância pelo Tribunal de Aveiro do caso conhecido por Face Oculta, visto pela generalidade dos comentadores e dos cidadãos com um sinal de esperança na regeneração da Justiça Portuguesa, sem a qual soçobrará a democracia, tem como principal fautor um homem que há muito tinha por competente e corajoso; TEÓFILO SANTIAGO, o Diretor da Polícia Judiciária de Aveiro, comarca para onde foi "desterrado" após o seu trabalho exemplar no processo do "Apito Dourado", o qual, infelizmente para o futebol nacional, teve um desfecho algo diferente, talvez pelo envolvimento indireto dos principais arguidos do caso, com figuras ligadas ao poder da época, agora condenadas. O meu reconhecimento a Teófilo Santiago e a todos os que, como ele, zelam, efetivamente pelo bem público. Vai para a minha restrita galeria de heróis, tão escassos no Portugal contemporâneo.

sábado, 13 de setembro de 2014

Setúbal-Benfica (0-5)

A coisa parece compor-se; este jogo serviu para confirmar que, apesar das alterações no plantel desta época, a equipa não perdeu o fio de jogo, que será melhorado graças às novas entradas. Dissiparam-se as dúvidas acerca de Talisca, que, está visto, vai ser um caso sério, enquanto Jardel vai consolidando o seu lugar ao lado de Luisão e Eliseu garante a solidez do lado esquerdo. Samaris mostrou requisitos para a posição e Sálvio regressou à grande forma que faz dele uma gazua das defesas contrárias. Gaitan está com a bola toda e Lima trabalha como um mouro, necessitando apenas de maior descontração para marcar os golinhos de que necessitamos. Não se confirmaram os receios relativamente a Artur, até porque não teve grande trabalho. Enfim, não fora a preia-mar e ter-se-iam marcado mais golos. Quanto ao Setúbal, não sei o que se passou; ou a equipa é fraca ou foram-se abaixo. O futuro dirá.
 
Dizem que houve incorreta anulação de um golo ao Setúbal - por fora de jogo - que poderia ter mudado a história do jogo; não sei, não vi.
 
Vamos agora ver como se comporta a equipa no jogo da champions que aí vem. Oxalá Júlio César esteja recuperado.

sábado, 6 de setembro de 2014

Mário Figueiredo quer travar eleições


Noticia a imprensa ter Mário Figueiredo apresentado uma providência cautelar relativamente à decisão do CJ da FPF  de repetição do ato eleitoral da LPFP que, por sua vez, validou as candidaturas de Fernando Seara e Rui Alves, não se tendo contudo pronunciado quanto ao recurso apresentado pelo Nacional relativamente às mesmas eleições. Por outro lado, o Presidente da Assembleia Geral da Liga, Carlos Deus Pereira, que disse considerar política a decisão de anulação das eleições, recusa-se a convocar novas eleições sem uma decisão do CJ da FPF quanto ao recurso do Nacional. Perante tudo isto pronunciou-se o Secretário de Estado do Desporto e Juventude no sentido de garantir o cumprimento da lei, reconhecendo porém o direito de recurso de Mário Figueiredo.

Finalmente apareceu alguém disposto a lutar pela regeneração e competitividade do futebol nacional, munido da coragem, competência jurídica e visão empresarial necessárias. O seu projecto é o melhor; alteração dos quadros competitivos de molde a aumentar o grau de incerteza dos resultados e centralização dos direitos desportivos com vista à maximização das correspondentes contrapartidas pelo estímulo concorrencial, desmantelando, simultaneamente, a teia que subjuga grande parte dos clubes - os seus opositores - aos interesses do concessionário e seus aliados explícitos e implícitos.

A luta de Mário Figueiredo, tem a virtude de pôr a descoberto a hipocrisia de todos os que têm enchido a boca e os jornais com a necessidade de defesa da verdade desportiva, da transparência e de denúncia e combate ao "sistema". Hoje, perante a luta de Figueiredo, permanecem em silêncio ou imputam-lhe as responsabilidades do estado a que chegou a Liga, quando salta à vista o processo de asfixia financeira em curso de que esta entidade tem sido vítima, a que não será estranha o injustificado silêncio da ERC relativamente à queixa que Mário Figueiredo apresentou contra  abuso de posição dominante no caso da concessão dos direitos desportivos dos clubes. Recentemente, aliás, este dirigente, fez uma exposição a Emídio Guerreiro acerca da anormalidade dos pagamento contratados por parte do concessionário, o qual, por alegada falta de recursos paga em letras aos clubes, processo oneroso e indutor de instabilidade visto que, como sabemos, é sempre o aceitante o responsável pela liquidação das mesmas.

Quanto às declarações do Secretário de Estado, entendo-as mais como uma ameaça à liga e ao seu Presidente que de vontade de colaborar na procura das melhores soluções para o futebol, em virtude da recente lei que ele próprio fez aprovar no sentido de proporcionar à FPF a alocação das competências que ainda restam à Liga. E é convicção dos cidadãos adeptos, onde me incluo, que a FPF é actualmente dominada pelo "sistema" que Figueiredo combate. Não tenho dúvidas que é o medo e não a convicção, que sustenta os opositores de Figueiredo. Endereço pois os parabéns aos clubes que o apoiam, Sporting, Belenenses, Paços de Ferreira, Leixões, Farense, Santa Clara e Atlético e até ao Boavista apesar do seu voto em branco. Lamento a indefinição do Benfica, apesar de a compreender.

Efectivamente, talvez o Governo tenha que agir, já que a maioria dos clubes não parece interessada em acabar com o pestilento ambiente em que vegeta, acabando tudo isto, afinal, em desprestígio e até humilhação para os adeptos do futebol nacional, nomeadamente da Selecção Nacional, que, por sinal, acaba de ser batida em casa pela fortíssima selecção da Albânia, dando desde já o mote da tendência do apuramento ora iniciado. Falta a humilhação suprema para mudar o futebol...tal como o País.