Desporto

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Caso Fruta (via Master Groove)

 
 




Extinga-se a FPF; haja decoro, isto não é o quintal do zé maria!, Tenham vergonha!

PS: A gravidade deste caso  vai muito para além da absolvição em si mesma; o correspondente processo precedente, com elevado nº de entidades envolvidas - geralmente afectas ao FCP  -,  o paciente e sistemático calcorrear dos vários degraus processuais sempre com decisões favoráveis ao atual desfecho, a tendência favorável da FPF que, à revelia de qualquer racionalidade  promovera o Boavista ao primeiro escalão do futebol nacional, denunciavam a intenção de reversão institucional de todo o processo do Apito Dourado, bem como a confirmação da continuidade da influência do FCP e Pinto da Costa nas instâncias desportivas e quiçá da Polícia Judiciária do Ministério Público e até dos outrora insuspeitos Tribunais Civis. É certo que este acórdão do Conselho de Justiça da FPF não tem qualquer efeito no Tribunal da Opinião Pública, mas tem na credibilidade das instituições e pessoas envolvidas, por induzir a ideia de que, em Portugal, há pessoas acima da lei. Pinto da Costa foi absolvido porque quem tinha o poder de o condenar, oficiosamente lhe reconheceu, apesar de ilegitimada, a representatividade da cidade do Porto à revelia dos poderes políticos constituídos. E é este o caminho da decadência!

domingo, 21 de setembro de 2014

MARIA EMÍLIA FERREIRA - "Fado do Aljube"

O "fado do Aljube", gravado em 1929 por Maria Emília Ferreira, tal como o "Fado Abandono", da autoria de David Mourão Ferreira, cantado por Amália e que ficou conhecido pelo "Fado de Peniche", e alguns do Tristão como os "Lobos da Serra", desmentem a concepção fatalista, conformista, retrógrado e colaboracionista do fado, que  predomina na sociedade portuguesa, omitindo-se, por ignorância ou conveniência, as suas facetas satírica, humorística e denúncia sociopolítica.   Tal serve os propósitos dos revisionistas da cultura, também designados por progressistas, na sua sistemática sanha demolidora da identidade cultural dos portugueses, afim de, então, erigirem os alicerces culturais do "homem novo" compulsivo criador dos paraísos na Terra. Pelo Fado pode chegar-se ao Povo; conhecer os seus temores, as suas angústias, os seus amores e as suas esperanças. Para muitos, o fado é uma espécie de oração, um caminho para o além, este, afinal, objeto de poetas, filósofos ou simples místicos. O Fado, indelével característica identitária portuguesa, deve ser conhecido, enriquecido, partilhado e não ignorado. O Fado do Aljube, com os meus agradecimentos a Tia Macheta.
 
 
                       

Benfica-Moreirense (3-1)

   Um Moreirense pressionando alto e próximo, com grande disponibilidade física e muita gente no meio-campo, boa movimentação, entreajuda e racionalidade, cedo se adiantou no marcador com um belo golo que gelou o estádio, sobretudo pela pastosidade do jogo do Benfica. Efetivamente, a lentidão e défice físico marcaram toda a primeira parte dos encarnados deixando no ar a ideia de quase impossibilidade de darem a volta ao resultado. Assim não aconteceu, graças à maior dinâmica do segundo tempo, já anunciada com a troca de Samaris por Derley ainda na 1ª parte, ao esforço de rotura de Talisca causador da expulsão de Marcelo e à "bomba" de Eliseu, que assim se redimiu da falha de marcação no golo adversário.
   O Moreirense impedia a construção dos jogadores do Benfica, não lhes concedendo espaço para dominar a bola nem tempo para pensar o jogo, disputando os lances quase sempre em superioridade numérica. Pareceu-me que os encarnados acusaram desgaste físico e talvez mental em consequência do exigente jogo com o Zenit. Após o empate, com a entrada de Ola John, aumentou a fluência e criatividade do jogo ofensivo, com as oportunidades a sucederem-se frente a uma defesa que procurava bravamente segurar o resultado. Execução primorosa de Lima na grande-penalidade, quebrando o enguiço, e precioso o "feroz" e oportuno remate do combativo Max, a bater Marafona sem apelo nem agravo.
   Resultado justo e nota positiva para a equipa do Moreirense, fiel à sua própria tradição, com ressalva de eventual antijogo de Marafona. Está de parabéns o Treinador Miguel Leal quer pela qualidade da sua equipa, quer pela serenidade e clareza do seu discurso.
   Julgo que a equipa de arbitragem esteve bem, excepto ao assinalar a grande-penalidade para o Benfica por ausência de contacto e ao deixar sem castigo máximo um corte com a mão de um defesa da equipa de Moreira de Cónegos impedindo o golo encarnado que seria, salvo erro, do empate.

O Vira Minhoto muito bem Dançado! (via Minho em Festa)

Se Deus existe, não deve andar longe desta gente, cuja alegria brota da Terra e, ou, do Céu, e não nas lucubrações sombrias dos intelectuais aspirantes a deuses alternativos ou na solidão dos templos sumptuários.
 
 
 
 
 
 
 
 
 

sábado, 20 de setembro de 2014

Lusos paradoxos!

   Leio, que um estudante de 27 anos e um trabalhador da construção civil, de 46, morreram ontem colhidos brutalmente por dois touros durante a primeira largada noturna das festas em honra da Nª Srª da Boa Viagem, na Moita. Na largada, na qual participaram milhares de aficionados, ficaram ainda feridas três pessoas que receberam assistência no hospital do Barreiro. (CM 14.09.14)
 
   E mais, que em Samora Correia, um cavalo feriu nove pessoas numa procissão a 15 de Agosto. Uma criança ficou em estado grave. (ibidem)
 
   Ainda, que em Marvão, um homem de 52 anos, foi colhido por um touro numa largada a 14 de Junho e morreu. (ibidem)
 
   Também que, ainda na Moita, um turista inglês sofreu ferimentos graves após ter sido colhido por um touro em 2013 nas festas da Moita. (ibidem)
 
   Por último, que um representante da comissão de festas da Moita disse ter sido feito um grande investimento e que por isso, a festa iria continuar. (ibidem)
 
   As largadas de touros são uma velha tradição às quais vai quem quer apesar do risco de morte, que nem por isso parecem suscitar particulares preocupações por parte das autoridades competentes, que certamente não terão dispensado a taxazinha habitual.
 
   Recordo a profusão das pistas de skate a que qualquer criança iniciada tem acesso sem algum tipo de prevenção, com risco de acidentes que poderão ser graves. E mais carroceis, circos, teatros, sei lá que mais!
 
   O meu amigo Pierre (nome fictício) enfastiado com a correria da vida parisiense, fascinado com a simplicidade dos portugueses e a tranquilidade de Portugal, mudou-se com a sua mulher, portuguesa, para lusas paragens, determinado a disfrutar de uma vida despretensiosa e tranquila. Investiu as suas poupanças num ginásio espaçoso, equipado com aparelhos de qualidade, acessível, conquistando apreciável clientela que assessorava e vigiava elaborando planos de treino criteriosos adaptados a cada caso mediante sua considerável experiência e conhecimento.  Criaram-se amizades entre a comunidade de praticantes que, em geral, apenas pretendiam "endireitar o esqueleto" e pouco mais. A família de Pierre cresceu, com duas meninas que se fizeram adultas e tudo corria bem sem que se tivesse registado qualquer acidente no seu ginásio. Até que um dia os fiscais da ASAE lhe fecharam o estabelecimento a pretexto de irregularidade emergente de recente legislação, com aplicação da corresponde contra-ordenação, lançando no desespero uma família que tinha sido feliz e tinha contribuído para a felicidade da população local, no tempo em que escasseavam os equipamentos de ginásio.
 
Comecei então a reparar no surgimento de cadeias de ginásios de âmbito nacional e multinacional, em linha, aliás, com o processo de concentração e colonização tecnológica característica dos tempos atuais.

Face ao exposto, sou tentado a pensar que o desvelo da administração central com a segurança  parece ter mais em conta a preservação de certo capital que das pessoas, ao mesmo tempo não se dispensa de tutelar a vida quotidiana de cada um, até nos aspetos mais vulgares, incapaz de reconhecer o direito à liberdade dos cidadãos. E chamam paternalista ao regime de Salazar, quando nem nos deixam respirar.
 

Jesus versus Mourinho

      Não gosto do conceito que Mourinho tem do futebol, embora me agrade que tenha sucesso  graças sobretudo ao remanescente chauvinismozinho que por cá anda. Por outras palavras, agrada-me que um português tenha sucesso internacional ainda que  não admire o conteúdo do seu trabalho. Gosto do futebol espetáculo, do que é praticado pelas equipas que deixam jogar o adversário concedendo-lhe espaço e tempo, equipas que confiam em si próprias, de que é exemplo o Manchester United de Fergusson. Detesto o futebol compacto, físico, directo, que se desenrola em cinquenta metros de terreno, cujo primeiro movimento consiste em impedir a todo o custo o jogo do adversário e o segundo em marcar, seja como for, como é o caso das equipas de Mourinho. Este tem, quanto a mim, uma visão errónea do desporto que consiste na obcessão da vitória, sem olhar a meios, observável na incapacidade de reconhecer mérito ao adversário quando aquela não lhe é favorável. Na sua já longa carreira desportiva, são muitos os casos de intolerância aos adversários. De facto, tenho para mim que, Mourinho, pertence àquela categoria de pessoas que julga rebocar o mundo, entrando em estado de intensa ansiedade sempre que sente ameaçada a visão que tem de si próprio. 
     Talvez seja esta, afinal, a razão da referência que fez ao caso Talisca, relativizando o mérito do departamento técnico do Benfica, considerando-o um acaso resultante de alegadas dificuldades burocráticas no Reino Unido relativamente ao atleta em causa.  Pessoalmente, não acredito, porém, todos sabemos que o futebol português não tem como pedir meças ao inglês, cuja receita, com os direitos televisivos é só de mil milhões de euros esta época.  Fora tudo o resto. Mas também poderá ser motivada por "dor de cotovelo" por causa de Markovic ou por alguma encomenda dourada dos seus "velhos amigos" do passado, atónitos com o desempenho dos vermelhos, já por eles considerados moribundos.
      Mourinho tem formação superior, com um currículo notável é um dos melhores treinadores da atualidade e é frequentemente grosseiro com colegas e atletas. Jesus tem a escola da vida, dá pontapés na gramática e ombreia com os melhores na sua profissão, ao serviço de um clube com um orçamento cerca de vinte por cento do dos clubes que Mourinho tem representado. Este, preferiu o caminho fácil para o sucesso ao aderir ao sistema que tem feito de qualquer um campeão aquém e além fronteiras. Ao contrário, Jesus, com a suas limitações, incorrecções e erros, aderiu a um projeto, aceitando e enfrentando o risco do fracasso, dada a adversidade do ainda poderoso sistema vigente no desporto nacional. Escolheu o caminho mais difícil, levando a sua equipa a produzir um futebol que pela sua espetacularidade e determinação tem fascinado o mundo do futebol, apesar das vicissitudes cada vez mais perceptíveis no futebol europeu.
      Nobreza de carácter é não renunciar às origens humildes, aos seus, nem pretender ser outro com trejeitos pedantes de novo rico e pretensões pseudointelectuais. Pobreza de caráter é diminuir o mérito dos outros com alusões insultuosas que nada têm a ver com a substância do tema em causa. Se, um dia amadurecer, Mourinho, finalmente, irá compreender isto.
     

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Ocaso democrático

Leio; "Políticos ganham mais €133,00. Representantes de poder legislativo e órgãos executivos resistem à crise.
Numa época de graves dificuldades para a generalidade dos cidadãos e empresas em que a incerteza e angústia são companheiras de todas as horas, o aumento de salários da classe política testemunha a sua alienação do país real, a decadência e descrédito do regime de partidos, cujos valores democráticos necessitam de restauração urgente. Persistir nesta trajectória, tarde ou cedo acarretará mudanças trágicas.

Tardio despertar

Leio; na sequência da derrota com o Zenit, Jorge Jesus (JJ) equaciona alterar o eixo defensivo da equipa, insatisfeito com o desempenho de Jardel, o qual terá cometido lapsos causadores dos golos do adversário e da consequente derrota. Se assim é, não me resta alternativa senão criticar JJ, pela tardia compreensão de uma evidência para um "treinador de bancada" como eu. Jardel tem qualidade e suscita simpatia, todos o sabemos; é emotivo, generoso, combativo e humilde, mas é traído por esses mesmos atributos. Segue a bola, vai a todas com tudo, e...desconcentra-se, perde o sentido posicional, desgasta-se, chega tarde e faz faltas. Pode ser muito útil com certos adversários e noutras zonas do terreno; onde tenha protecção nas costas. Claro que JJ sabe, sabia disto; creio que, apesar disso, decidiu dar uma oportunidade a Jardel acreditando na sua capacidade de evolução em plena alta competição ao lado de Luisão, o que o enaltece. Mas foi aqui que falhou; ao não compreender que os requisitos necessários à evolução supostamente pretendida relevam eminentemente da natureza e carácter de cada um e pouco, muito pouco, do treino e experiência. Jorge Jesus, neste particular, poderia e deveria ter feito melhor. Será que Lisandro - ou mesmo Mitrovic, já fora do clube -, não constituiria melhor opção?

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Benfica-Zenit (0-2)

Perdemos o jogo mas ganhámos a equipa e o público; pela atitude mental e qualidade técnico-tática que todos os jogadores demonstraram e que poderia até ter valido outro resultado. Mérito ao guarda-redes adversário e demérito do árbitro pela incoerência que demonstrou.
      Entendamo-nos; a equipa do Zenit apresentou um futebol de grande qualidade em todas as vertentes, física, tática e técnica, muito dinâmico e sincronizado, recuperando a posse da bola com grande eficácia e com entradas fulgurantes a rasgar a defesa encarnada, que rendeu um golo e uma expulsão e decidiu a contenda. A equipa do Benfica, ainda em "afinações" entrou desconcentrada, algo desconexa e lenta, reagiu  estupendamente à adversidade  do resultado e da inferioridade numérica fazendo os adversários suar as estopinhas, contrariamente aos meus receios de decaimento mental coletivo. Provavelmente os jogadores do Zenit baixaram a intensidade de jogo, mas também é verdade que, pelo menos na 2ª parte, se viram gregos com os encarnados. Que o diga o seu guarda-redes que a estes negou dois tentos, que seriam belos e merecidos. Que o diga o árbitro cuja atuação, sem surpresa, pendeu para os  "gaspromes". Fantástica a cabeçada do Luisão, o quase-túnel de Lima e slalom quase fatal de Enzo. Muito bem Paulo Lopes a mostrar que tem argumentos para a baliza do Benfica. Fantástico o público não regateando os aplausos que os jogadores mereceram.
   Uma coisa é certa; este Benfica tem larga margem de progressão. Já o Zénite me parece estar próximo do seu zénite. Cá calharás.

domingo, 14 de setembro de 2014

João César das Neves em entrevista ao i

Publicou o jornal i em 6 de Setembro, uma extensa e curiosa entrevista a João César das Neves, conduzida por Isabel Tavares e Eduardo Martins, onde  aquele polémico professor catedrático da Católica do Porto, explanou os seus pontos de vista relativamente à crise que se vive em Portugal.
César das Neves (CdN) atribui a causa primordial da crise à imoderação salarial, que terá ocorrido quase em simultâneo com a entrada em vigor do euro, provocada pelas poderosas corporações que representam os trabalhadores do Estado e cuja consequência se traduziu na perda crescente de competitividade da economia nacional, endividamento e empobrecimento do país. Tudo sustentado em números de proveniência idónea e sem afastar outras razões, porém, de menor impacto.

Nesta entrevista, refere CdN dever-se à irresponsabilidade nacional, ao incumprimento  do pacto de estabilidade a que o país se vinculou, a austeridade a que tem sido sujeito, apesar de tudo com benevolência face ao que tem acontecido com, por exemplo, a Grécia, já que não terá cumprido com os critérios de avaliação, apesar de ter passado em todos os exames da troica.

Refere que teria sido mais fácil para todos se os mais poderosos tivessem feito o seu papel aceitando os cortes, e sublinha que os sacrifícios têm sido feitos de forma desequilibrada, destacando os desempregados, as falências das empresas, a emigração e a reconversão na recuperação económica do país, traduzida na redução do endividamento externo, enquanto enorme quantidade de grupos próximos do Estado ou do poder económico, como o BPN, o BES, funcionários públicos e outras entidades conseguiram proteger-se dos cortes, apesar de serem os mais reivindicativos.

Questiona o critério de igualdade suscitado pelo Tribunal Constitucional na defesa dos menos afectados, afirmando promover o contrário com as decisões que tomou, sobrecarregando o sector privado, que tem sofrido as principais consequências do ajustamento desde 2007. 

Face a tudo isto, afirma CdN, que a melhor maneira de resolver a crise é não haver dinheiro, única via de todos percebermos a importância decisiva de execução urgente das reformas do Estado necessárias à recuperação económica e ao crescimento, para as quais o BCE  criou,  temporariamente, as condições propícias, a que se seguirá o inevitável aumento das taxas de juro e da inflação.

Disse que a falência de BES se deveu essencialmente a maus negócios, contrariamente ao caso BPN que terá sido puro roubo, apesar do indício de irregularidades apontar para longas penas dos seus autores, afirmando-se ainda convicto de que a solução implementada é a que melhor protege os interesses do contribuinte ainda que, este, não esteja totalmente livre de consequências.

Surpreendentemente e paradoxalmente, revela compreensão pela incapacidade revelada pelos reguladores BdP e CMVM nestes casos, assegurando ter conhecimentos passíveis de comprometimento do seu desempenho, sustentando a enorme dificuldade da tarefa, para a qual, ele mesmo, não se sente com capacidade, e por isso não poder exigir-se mais aos titulares da regulação. Alega, apesar disso, que deve manter-se a confiança no sistema financeiro, sem a qual este não funciona e todos passaríamos a ter de viver com o dinheiro que teríamos nos bolsos.

Reconhece alguma qualidade na nossa justiça apesar da lentidão processual, apontando o caso do BPN como exemplo do condicionamento da mesma, traduzido na constituição de apenas um arguido e no desaparecimento de outros implicados devido precisamente à sua influência política, referindo o PS e o PSD como exemplos. Espera contudo que no caso BES, outro seja o desfecho.

Relativiza a genuinidade dos críticos sistemáticos do país, denunciando a sua falta de coerência, traduzida na auto-sujeição ao modo de vida que os angustia, em vez de procurarem a realização e tranquilidade pessoais em outras paragens.

Reconhece a corresponsabilização da UE na violação do pacto de estabilidade pelo país, logo secundado pela França e pela própria Alemanha, quando tal se lhes tornou inevitável. Acrescento eu que tal responsabilidade se agudizou ao permitir a desorçamentação da despesa pública através dos variados artifícios empresariais a que fechou os olhos ou mesmo sugeriu.

Mais considera CdN, não estar em pânico, por a economia ter dado a volta, graças ao tremendo esforço de reestruturação das pessoas, apesar das muitas coisas que ficaram por fazer e do peso morto de grupos instalados à volta do Estado que designa por cambada de parasitas, que, contudo, não impediu a máquina económica de dar sinais de funcionamento.

Mais uma vez nos surpreende CdN ao considerar a crise espanhola muito mais grave que a portuguesa - o endividamento é cerca de 90% do PIB -, e ao revelar-se mais satisfeito de estar em Portugal do que se estivesse em Espanha, França, Itália ou até na Alemanha, considerando que, a longo prazo, as maiores dificuldades serão para este último país.

Como solução para o crescimento económico em Portugal e na Europa, depois de afirmar terem-se acabado as abébias que conduziram o dinheiro aos bolsos do costume sem promover desenvolvimento algum, dá o exemplo dos EUA, apontando para a necessidade de estímulos de curto-prazo - empréstimos de curta-duração pelo BCE - acompanhados de uma reestruturação brutal de curto e médio prazo, considerando absolutamente indispensável que os cidadão compreendam que temos de ter um Estado que consiga pagar os empréstimos.

Fiscais para tudo e mais alguma coisa, invenção de impostos para tapar todas as facilidades, queimando a galinha dos ovos de oiro, graças aos fiscais da ASAE e de todos os organismos que estão montados para este propósito, ao seguidismo relativamente às directivas da UE, que serão feitas para países muito mais ricos que nós e que adoptamos, acabando por matar a economia, diz CdN. Refere a hipocrisia do acarinhamento às pequenas empresas denunciando a punição a que são submetidas logo que crescem, constituindo um paradoxal castigo do sucesso económico.

Considera Junker uma nulidade, simpático mas sem influência, razão decisiva na sua escolha para Presidente da Comissão Europeia mais vocacionada para destruir que para fazer algo de útil.

Termina, sustentando a inevitabilidade da maior influência da Alemanha no seio da UE em virtude da dimensão da sua economia e do financiamento maciço que àquela proporciona, face a países mais pequenos como Portugal ou o Luxemburgo, ponto em que estamos claramente em desacordo, visto que, quanto a mim, a soberania dum povo não se afere pelo tamanho do respectivo orçamento; antes pobre e livre que abastado e subjugado.