Desporto

sábado, 18 de outubro de 2014

Massacre do Chão Manjaco: Guiné

Luís Graça & Camaradas da Guiné: Guiné 63/74 - P8513: Massacre do Chão Manjaco: Gui...: 1. Mensagem do nosso camarada Albino Silva* (ex-Soldado Maqueiro da CCS/BCAÇ 2845, Teixeira Pinto , 1968/70), com data de 2 de Julho de 2011...

O Massacre dos Majores


      "Pela mesma altura, ocorre porém um revés em todo este processo de pacificação; o massacre dos majores, como ficou conhecido para a História. Havia algum tempo já que, no mais absoluto sigilo, decorriam contactos superiormente autorizados de alguns militares portugueses com elementos do PAIGC, no sentido de se encontrar a paz pela via não armada. No dia 20 de Abril de 1970 tem lugar o encontro final entre os principais elementos do Estado Maior do CAOP (de Teixeira Pinto) e os chefes guerrilheiros da região da Cubiana-Churo. Avançam confiadamente os portugueses para a reunião combinada a norte da região Có-Pelundo. O pequeno grupo era constituído pelo major CEM, Passos Ramos, chefe do Estado Maior do CAOP; pelo major de Atilharia Pereira da Silva, oficial de ligações e acção psicológica; pelo major de infantaria Magalhães Osório; pelo Alferes miliciano Palmeiro Mosca, adjunto para o desenvolvimento socio-económico; e por um intérprete. Como habitualmente, todos iam desarmados. Chega ainda a estar prevista a participação do general Spínola, mas, vivamente desaconselhado pelo seu Estado Maior, resolve à última hora não comparecer, para frustração do inimigo que contava prendê-lo nessa ocasião.
      Segundo relatam mais tarde os guerrilheiros que participaram na emboscada, os portugueses faziam-se transportar em dois jeeps que chegam ao local combinado 10 minutos depois do meio-dia. O primeiro a ser abatido é Passos Ramos, quando sai do carro. Os outros foram selvaticamente mortos, sendo retalhados a golpes de catana. Os corpos foram recuperados no dia seguinte, completamente mutilados.
      Em Setembro, cinco meses depois, Amílcar Cabral irá referir-se ao assassinato dos três majores num discurso triunfalista proferido em Conakry, por ocasião de mais um aniversário do PAIGC, e glorificará aquele "acto heróico": depois de vários contactos, cartas ridículas, ofertas, presentes e promessas de toda a espécie, os colonialistas sofreram mais uma derrota vergonhosa: os nossos heróis combatentes liquidaram os majores e outros oficiais e soldados que pensavam que podiam comprar-nos."
     
Em Honra e Dever pág. 207 e 208, por Rui Hortelão, Luis Sanches de Baeña  e Abel Melo e Sousa, editora Caminhos Romanos.

Do Blogue "Luis Graça & Combatentes da Guiné:

Todo o pessoal tomou posições para resistir a uma possível emboscada. Os motores foram parados. Noite escura. Silêncio. Não restam dúvidas, são mesmo os Jeeps. Nada se move. Tudo é silêncio e escuridão. São quatro horas e dez minutos. É necessário esperar que comece a clarear. O silêncio pode ser uma armadilha.
Os Exmos Comandantes do CAOP e Batalhão são informados do achado e que se vai esperar pelo raiar da manhã. A tensão aumenta. Cinco horas. Começa a clarear.

O comandante da coluna deixa o pessoal todo instalado, entrega o comando ao alferes Miranda e aproxima-se das viaturas com a máxima cautela. A escuridão ainda é grande, os pés são apoiados com a máxima cautela e em lugares onde se procurou minas.
De repente bate-se numa coisa mole. É um corpo estendido. Parece ser o do Exmo Major Passos Ramos (era o do alferes Mosca). Ao lado outro, era o do Exmo Major Pereira da Silva. Não restam dúvidas, dois estão mortos. Dos outros nada se sabe. Informa-se Pelundo via rádio.

A tensão nos homens diminui, aumenta o assombro. Os homens encaram os factos com serenidade. Mais claridade. O Comandante da coluna procurou em volta e descobriu mais quatro vultos. Estão mortos.

É informado Pelundo. Os homens estão assombrados mas calmos. Mantêm-se nos seus lugares. São informados do achado. Começa a ver-se bem e surge a cena macabra e horrível. Os corpos estão mutilados e todos apresentam tiros na nuca, cortes de catana e punhal.

Os homens são informados e mantêm-se serenos e na expectativa. Pensam que o tiroteio vai começar. Ninguém acredita que não seja uma cilada. Monta-se a segurança circular e começam as viaturas a ser retiradas. Uma tem os dois pneus do lado esquerdo furados de balas. Procuram-se armadilhas e nada é encontrado.

A primeira viatura MG-93-55, com os pneus furados, é trazida para a estrada. Novo achado e desta vez mais macabro. O nativo Lamine (o que dele resta) está no lugar antes ocupado pela viatura. Tiro na nuca, muito mutilado.

Retira-se a segunda viatura para a estrada. Os corpos são carregados num Unimog.
A coluna está pronta a regressar. Em todos os rostos, uma decisão firme, lábios mordidos.

A visão anterior era demasiado horrível. São cerca de sete horas. Dois helicópteros sobrevoam a zona. Monta-se segurança, um deles aterra. Dele sai Sua Excelência o General Comandante-chefe, o Excelentíssimo Comandante do CAOP, Ten Cor Romão Loureiro, o Excelentíssimo Major P. Costa e o capitão Almeida Bruno. Examinam o local e partem.

Às 7h10 a coluna põe-se em movimento agora com dois Jeeps a reboque. O dispositivo é o mesmo da aproximação. A coluna chega ao quartel cerca das 9h00.

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Paco Garrido / Tango Acústico - Milonga triste

Esta versão em harmónica por Paco garrido é  para mim uma novidade e está muito bem conseguida.



 

Calamidades climáticas

      "A verdade é que as calamidades climáticas, responsáveis por grande parte da catástrofe, já tinham começado a revelar-se particularmente extremas antes da pandemia. Por volta de 1300, chegou ao fim o chamado Ótimo Climático Medieval, período de extraordinária subida de temperaturas, sobretudo no Atlântico Norte, que se iniciara no século X e permitira coisas como o cultivo de vides em Inglaterra ou a colonização da Gronelândia. Um autêntico aquecimento global, que devia ser referido pelos média quando falam das incidências do clima no mundo dos nossos dias. Também deviam mencionar a título de referência comparativa, a chamada Pequena Idade do Gelo, que principiou no século XIV e durou até meados do século XIX, altura em que se iniciaria o aquecimento que nos afeta atualmente. Assim, também pertence a esse castigado século XIV a duvidosa honra de ser cenário de tão radical alteração climática." (por Miguel Mañueco na revista Superinteressante, pág. 46)
      Aqui está uma constatação que poderá deitar por terra a tese prevalecente de que se deve à acção humana a causa primordial do alegado aquecimento global. A Revolução Industrial ocorreria em meados do século XIX  e a sintetização dos frigorigénios hidroclorofluorocarbonetos só viria a ocorrer no início do século XX. Restam portanto o metano e o dióxido de carbono resultantes de emissões naturais. Um caso a exigir informação cuidada, dados os tremendos constrangimentos económicos que as teorias vigentes estão a provocar na economia dos países tecnologicamente menos desenvolvidos, mais parecendo uma nova forma de colonialismo.
      Variáveis como a trajetória da órbita terrestre e da sua velocidade, da orientação do seu eixo e da sua rotação são influenciadas pelas conjugação dos campos gravíticos e electromagnéticos de estrelas, planetas e matéria escura. O Sol encontra-se comprovadamente no seu ciclo de onze anos de intensa actividade do qual resulta o drástico aumento da intensidade do seu campo electromagnético a ponto de poder provocar distúrbios em todos os sistemas electricos, especialmente graves em caso de enfraquecimento do campo electromagnético terrestre. E a causa é a acção humana? Presume-se, claro!, e em nome dessa presunção descapitalizam-se os países pobres!

sábado, 11 de outubro de 2014

O abraço da jibóia

      A imagem do polvo, com seus tentáculos e múltiplas ventosas e sensores comandados por uma mesma cabeça, tem sido usada com propriedade para ilustrar o designado "sistema" que domina o futebol há décadas, mas os últimos acontecimentos em torno da Liga mais fazem lembrar uma gigantesca jiboia e seu abraço fatal, que tritura, asfixia, devora e digere ou regurgita.
 
      Mário Figueiredo tem um óptimo projecto para o futebol  que consiste na defesa da independência e crescimento económico dos clubes, requisitos sem os quais não haverá nem a credibilidade nem a competitividade de que esta actividade carece para se tornar economicamente viável. Corajoso e determinado, com formação e experiência sólidas em Direito Desportivo, conhecedor das manobras de bastidores onde quase tudo se resolve, Figueiredo está prestes a ser "engolido" pela tal jiboia que pacientemente o imobilizou e se prepara para o devorar e regurgitar longe, fragilizado e inofensivo, perante a cobardia de dirigentes dependentes do sistema, a hipocrisia de jornalistas falsamente defensores  do futebol e a cumplicidade institucional falsamente zelosa do interesse público.
 
      As conversações em curso da maioria dos Presidentes - o do Sporting, o do Nacional e o do União da Madeira estão de fora - está viciada e condenada ao fracasso pelo ambiente de chantagem em que se realizam e que favorece uma das partes. Tal ambiente foi criado, em primeiro lugar pela asfixia financeira da Liga e dos clubes pela ausência de patrocínios resultante da omissão de decisão da Entidade Reguladora quanto ao tema dos Direitos Desportivos. Em segundo lugar, pela ameaça sistemática do Governo de cessão do Estatuto de Utilidade Pública à Federação agora intensificada pelo Instituto Nacional do Desporto ao exigir àquela o pagamento das verbas para o Fundo de compensação Salarial que a Liga falhou (veja-se bem o cinismo). Em terceiro lugar pelo recente anúncio pelo Conselho de Justiça da Federação em avançar com um inquérito disciplinar a Mário Figueiredo  por declarações, supostamente ofensivas que terão sido produzidas por este em 2012 (o mesmo Conselho de Justiça que suscitou a indignação geral ao anular a condenação do Boavista e de Pinto da Costa por tentativa de corrupção).
 
      Sabemos da imperiosidade da pacificação do futebol, mas também sabemos, por décadas de exemplos, que tal só é possível sujeitando o futebol aos interesses do Porto e do Lóbi nortenho. Estão pois criadas as condições para que tal aconteça! Nunca antes um Governo mexeu uma palha para acabar com as trapalhadas do tipo das tornadas públicas no âmbito do processo do "Apito Dourado" e que além de terem distorcido por tão longo período a verdade desportiva, enxovalharam por muitos anos o futebol nacional perante a comunidade internacional.
 
      O caso é que os poderes instituídos reconhecem em Pinto da Costa não um singelo líder desportivo mas um líder político com a missão de, pelo desporto em geral e pelo futebol em particular, identificar e delimitar essa invenção do Norte e propugnar pela sua emancipação do anacrónico poder central. Errado!, ao futebol o que é do futebol e à política o que é da política.
 
      Pinto da Costa está no fim do seu ciclo desportivo, é um homem doente e, talvez até amargurado, precisa de sair...mas tem que sair por cima. Da condenação já se livrou!, agora só tem que ganhar e para que isso aconteça Mário Figueiredo tem que ser afastado sob pena de retorno do futebol profissional à Federação, onde Fernando Gomes, zelosamente, habilmente, garantirá os pressupostos da "legalidade institucional", restituindo, o poder ao sistema.

      Ganhando o campeonato em curso, anunciará com relutância a sua saída à qual se seguirá a inevitável nomeação para uma qualquer comenda, proposta pelo seu amigo e atual Presidente da respectiva Comissão e membro do Conselho Consultivo da SAD do seu clube, por "altos serviços desportivos prestados à Nação", para embevecimento de uma população reconhecida e civicamente entorpecida pelos alegados sucessos.
 
      Aplaudo a posição de Bruno de Carvalho nesta matéria, consciente de que o seu clube nada tem a perder e, por enquanto, dou o benefício da dúvida a Filipe Vieira por considerar que pretende mudar o sistema por dentro, consciente de que tal se me afigura inviável. Tal como disse Carlos Pereira, o atual Presidente da Assembleia Geral da Liga, está em jogo o domínio do futebol para a próxima década que, pelos vistos, o poder se prepara para assegurar ao Porto, ironia das ironias, para garantir a normalidade e a utilidade pública desportiva da Federação!

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Os valores do Benfica

    A patética rábula que se verificou há dias a propósito da exposição de bustos de Presidentes, na Assembleia da República, em que alguns partidos políticos - por sinal BE e  PCP - exigiram a remoção dos bustos dos Presidentes da 2ª República, suscitou generalizada crítica, pela tacanhez e arrogância que revela por parte de quem parece julgar-se legítimo censor da história e iluminado construtor do futuro que a todos quer impor. O popular Correio da Manhã, que se tem empenhado há longos anos sem desfalecimento, diariamente e salvo excepções, em diminuir o Benfica com trabalhos manipuladores, surpreendeu-me ontem com a publicação de um texto da autoria de Paulo Fonte no qual , este, reprova o gesto dos aspirantes a censores e, vejam bem, enaltece o Benfica por ter incluido no seu museu a foto do "Presidente maldito", Vale e Azevedo, ao lado das dos seus pares, apesar da "gestão ruinosa" do seu mandato. Eis um extrato:

"atentemos num caso exemplar. Quem visita o museu do Benfica encontra uma galeria dos presidentes. Vale e Azevedo, o mais odiado e nefasto, não foi renegado e encontra-se ao lado de nomes ímpares dos encarnados. Aconteceu, é História, não se apaga." (Paulo Fonte no CM)

   Confesso que me senti orgulhoso do meu clube; num país fustigado pela repressão económica e repleto de equívocos democráticos a resvalar para o totalitarismo, hoje como ontem, o Benfica é uma referência cívica, um farol em plena tempestade. Algo que devemos preservar a todo o custo, pois esse, é, sem dúvida, o seu maior legado, alem do brilhantismo da sua história desportiva onde tais valores se devem refletir.

Parabéns  ao Benfica  e a todos os que o fundaram e trouxeram até aqui.

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Conhecimento; integração e fragmentação

      Edgar Morin, filósofo, historiador, jurista e humanista de 93 anos, francês de origem judaica e crítico da política israelita, dissidente comunista, ex-combatente pela resistência francesa, autor de “Diário da Califórnia”, “Um ano de Sísifo” e “Chorar, Amar, Rir e Compreender”, numa entrevista que concedeu à revista brasileira “filosofia” revelou algumas das suas ideias e preocupações, entre as quais o cepticismo relativamente ao futuro da europa e indignação pela passividade desta relativamente aos conflitos africanos, a predilecção pelo estudo das contradições sociais e humanas, a dicotomia entre ciência e filosofia e as consequências nefastas da difusão fragmentada do conhecimento, característica do ensino atual.

      E foi esta última faceta que me prendeu a atenção por estar desde há uns anos sensibilizado para o tema e vê-lo pouco tratado a tão alto nível. Portugal sofre de um claro défice de difusão e debate das grandes correntes de pensamento, quando muito acessíveis e aprisionadas pelas elites académicas, enquanto os meios de comunicação nos entulham a mente com querelas político-partidárias muitas vezes sem qualquer substância.
     A este respeito, refere Morin que o conhecimento se torna menos interessante se compartimentado em disciplinas, atribuindo ao alemão Norbert Winer a descoberta da retroação negativa e a utilização da roda da complexidade na definição da grande variedade do sistema. Crê que a imposição da complexidade sobre a compartimentação caracteriza a época actual e constitui um novo caminho para o mundo e para o ensino, exigindo uma mudança da estrutura mental que, segundo ele, está já a ocorrer nalguns países da América Latina, como o Brasil e em muitas pessoas que aspiram à complexidade e à posse da verdade. Edgar Morin dedicou grande parte da sua actividade intelectual de cerca de cinco décadas, traduzida nas obras citadas - uma das quais constituída por seis volumes escritos em cerca de trinta e cinco anos - a procurar formas de articulação, de integração dos diversos saberes, sem as quais afirma não ser possível aspirar à compreensão da realidade, seja das questões perenes como da vida ou da morte, como para os novos desafios que as tecnologias e as novas descobertas científicas impõem ao ser humano.
      Mais prosaica e modestamente parece-me constituir a especialização um grave equívoco do atual sistema de ensino enquanto bloqueador da capacidade de interpretação holística da realidade, traduzindo-se numa ignorância crónica propiciadora de distorções e contradições com sua torrente de incomensuráveis consequências. Perante o vertiginoso avanço do conhecimento, ingrata é a tarefa de Morin e seus seguidores.
      Considera o filósofo não existir a necessária comunicação entre pensamento e Ciência - que reformula a nossa concepção do mundo - e que esta é incapaz de pensar em si mesma reconhecendo-lhe a capacidade de produzir os “grãos” mas não a de os “moer”, tarefa própria do pensamento. Denuncia o absurdo desta compartimentação considerando que a generalidade dos filósofos estão fechados â Ciência, considerando-a superficial, enquanto os cientistas desprezam a Filosofia por a entenderem como pura conversa vazia, apesar de algumas excepções entre as quais a de Michel Cassé.
      Uma boa caipirinha é ao que Morin compara a inteligência quando coquetel bem feito, considerando muito limitadas, quer a razão sem sensibilidade quer a paixão sem razão. Não diz, porém, a que poderá comparar-se a criatividade, atributo superior à inteligência mas que dela necessita. Se bem entendo, perante o exemplo de Newton que apresenta, a inteligência consistirá na capacidade de perguntar e a criatividade na de responder.

      Estudioso das contradições humanas, o filósofo exemplifica, recorrendo ao comportamento dos bébés, como o ser humano, sendo profundamente egocêntrico,  anseia pelo "nós", pela aproximação dos outros, quando se defronta consigo próprio, quando está só.
Créditos: Revista Filosofia, edição 78, de janeiro de 2013, editora Escala, com entrevista por Sérgio Mélega.

Benfica-Arouca (4-0)

      Do jogo apenas presenciei a última meia-hora na BTV, precisamente o melhor período do Benfica, aquele em que a melhor qualidade individual dos seus atletas impôs uma dinâmica ofensiva demolidora para a agressiva  e solidária defensiva do Arouca. Talisca junta profundidade e talento a pragmatismo, algo de que a equipa estava necessitada; Ola John exibiu toda a sua classe traduzida em velocidade, drible e precisão com duas assistências magníficas para golo; Derley melhorou muito a qualidade de movimentação e Sálvio foi igual a si próprio com uma assistência soberba e um golo fantástico. Jonas teve uma estreia auspiciosa, e não engana; sabe movimentar-se e meter o pé a preceito como aconteceu no seu golo a passe de Ola John. Pareceu-me que Samaris melhorou de produção, tendo exibido pormenores técnicos de controle da bola e drible ilustrativos do seu talento. Gostei do Lisandro, poderá ser o parceiro de Luisão, e gostei do Artur que, com duas ou três boas defesas, permitiu que se tivesse chegado à 2ª parte com a baliza intacta; parece que a concorrência lhe está a fazer bem. Julgo que temos um problema com a falta de velocidade e crónico mau posicionamento de Eliseu que nos é fatal frente a atletas de maior qualidade.
      Bem o Arouca, naquele velho estilo de não deixar jogar, com muita "fruta" pelo meio, disciplina onde Bruno Amaro - salvo o erro - deu cartas tendo sido poupado à expulsão. Já o seu guarda-redes mostrou boas qualidades com um punhado de boas defesas, ainda na 1ª parte, adiando o que viria a ser inevitável.
      Benéfica para o Benfica é a paragem de duas semanas que se segue no campeonato permitindo trabalhar a integração das novas opções e a recuperação dos lesionados.
       A equipa está claramente numa trajetória de subida de rendimento que espero tenha reflexos também na "champions".

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

As angústias de Gomes

      Arvorando-se em salvador da bola lusa, o portista Fernando Gomes, actual Presidente da FPF, instituição cujos órgãos se têm distinguido pelas sucessivas e patéticas decisões favoráveis ao seu clube e respectivos dirigentes, embalado pelas declarações do Secretário de Estado do Desporto, cujo suposto clube emerge das trevas após adesão dos seus dirigentes  à causa azul, declarou em recente evento público, dado o impasse que se verifica nas eleições da LPFP poder ver-se obrigado a avocar para a “sua” Federação a organização das competições profissionais, admitindo porém não possuir os recursos suficientes para tal.
 
      Depois de Hermínio Loureiro, que ainda hoje vai a fugir com o susto, aproxima-se agora o defecho do processo de afastamento de Mário Figueiredo da Presidência da Liga, proporcionado pelo silêncio cúmplice da ERC e pela providencial alteração da Lei de Bases das Federações Desportivas já publicada. Perante a inesperada persistência do inconveniente Figueiredo, a quem o “medo” não tolhe o passo apesar do cerco financeiro e institucional a que a Liga tem sido sujeita, a versão mais alargada do “sistema” reage, com o alegado propósito de repor a normalidade institucional. Ou seja, o monopólio da exploração dos direitos desportivos pelo amigo Joaquim ou outro seu amigo, a preponderância da sua gente nos órgãos da Liga, o consentimento implícito de tentativas de corrupção encapotadas e toda uma parafernália de processos cujo beneficiário é o clube do costume. Daqui resulta que, semelhantemente ao que se tem verificado noutros casos, o conceito de normalidade ou até de crime, parece variar de acordo com a natureza do beneficiário.
      São estas pois, as circunstâncias em que vai ocorrer anunciada a cimeira de clubes em Coimbra com vista a encontrar uma solução de consenso; ou consensua-se a favor dos azuis ou vem o Gomes e come em favor deles!
      Não admira que os médios e pequenos clubes se deixem subjugar pela dependência financeira e desportiva aos espúrios ditames do sistema, abandonando quem antes apoiaram e por eles luta, cabendo ao Benfica e Sporting - principais alvos - darem uma pantufada nesta bandalheira denunciando frontalmente toda a tramoia e apresentando soluções alternativas. Afinal, parece que a “normalidade” só acontece quando os azuis estão satisfeitos e os restantes anuem. É hora de pôr termo a isto.

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Bayer Leverkussen - Benfica (3-1)

      Não sei se é falta de broa, da palestra, de nova vocação, do Arouca, ou de tudo junto. Sei que a palestra deve mudar, que a vocação a manter é a antiga, que o Arouca pode esperar e que umas broazinhas de Avintes eram bem capazes de fazer bem aos atletas e, quem sabe, aos membros do comité de arbitragem da UEFA (a não ser que estejam empanturrados delas). E também sei que podíamos e devíamos ter feito melhor (será que os blues mandam naquilo?, será das pastilhas?, será da gasosa?). Eu estava capaz de mudar umas coisas na equipa!