A saudade bate sempre à porta de quem vive de afetos.
sexta-feira, 26 de setembro de 2014
quarta-feira, 24 de setembro de 2014
Caso Fruta (via Master Groove)
Extinga-se a FPF; haja decoro, isto não é o quintal do zé maria!, Tenham vergonha!
PS: A gravidade deste caso vai muito para além da absolvição em si mesma; o correspondente processo precedente, com elevado nº de entidades envolvidas - geralmente afectas ao FCP -, o paciente e sistemático calcorrear dos vários degraus processuais sempre com decisões favoráveis ao atual desfecho, a tendência favorável da FPF que, à revelia de qualquer racionalidade promovera o Boavista ao primeiro escalão do futebol nacional, denunciavam a intenção de reversão institucional de todo o processo do Apito Dourado, bem como a confirmação da continuidade da influência do FCP e Pinto da Costa nas instâncias desportivas e quiçá da Polícia Judiciária do Ministério Público e até dos outrora insuspeitos Tribunais Civis. É certo que este acórdão do Conselho de Justiça da FPF não tem qualquer efeito no Tribunal da Opinião Pública, mas tem na credibilidade das instituições e pessoas envolvidas, por induzir a ideia de que, em Portugal, há pessoas acima da lei. Pinto da Costa foi absolvido porque quem tinha o poder de o condenar, oficiosamente lhe reconheceu, apesar de ilegitimada, a representatividade da cidade do Porto à revelia dos poderes políticos constituídos. E é este o caminho da decadência!
domingo, 21 de setembro de 2014
MARIA EMÍLIA FERREIRA - "Fado do Aljube"
O "fado do Aljube", gravado em 1929 por Maria Emília Ferreira, tal como o "Fado Abandono", da autoria de David Mourão Ferreira, cantado por Amália e que ficou conhecido pelo "Fado de Peniche", e alguns do Tristão como os "Lobos da Serra", desmentem a concepção fatalista, conformista, retrógrado e colaboracionista do fado, que predomina na sociedade portuguesa, omitindo-se, por ignorância ou conveniência, as suas facetas satírica, humorística e denúncia sociopolítica. Tal serve os propósitos dos revisionistas da cultura, também designados por progressistas, na sua sistemática sanha demolidora da identidade cultural dos portugueses, afim de, então, erigirem os alicerces culturais do "homem novo" compulsivo criador dos paraísos na Terra. Pelo Fado pode chegar-se ao Povo; conhecer os seus temores, as suas angústias, os seus amores e as suas esperanças. Para muitos, o fado é uma espécie de oração, um caminho para o além, este, afinal, objeto de poetas, filósofos ou simples místicos. O Fado, indelével característica identitária portuguesa, deve ser conhecido, enriquecido, partilhado e não ignorado. O Fado do Aljube, com os meus agradecimentos a Tia Macheta.Benfica-Moreirense (3-1)
Um Moreirense pressionando alto e próximo, com grande disponibilidade física e muita gente no meio-campo, boa movimentação, entreajuda e racionalidade, cedo se adiantou no marcador com um belo golo que gelou o estádio, sobretudo pela pastosidade do jogo do Benfica. Efetivamente, a lentidão e défice físico marcaram toda a primeira parte dos encarnados deixando no ar a ideia de quase impossibilidade de darem a volta ao resultado. Assim não aconteceu, graças à maior dinâmica do segundo tempo, já anunciada com a troca de Samaris por Derley ainda na 1ª parte, ao esforço de rotura de Talisca causador da expulsão de Marcelo e à "bomba" de Eliseu, que assim se redimiu da falha de marcação no golo adversário.
O Moreirense impedia a construção dos jogadores do Benfica, não lhes concedendo espaço para dominar a bola nem tempo para pensar o jogo, disputando os lances quase sempre em superioridade numérica. Pareceu-me que os encarnados acusaram desgaste físico e talvez mental em consequência do exigente jogo com o Zenit. Após o empate, com a entrada de Ola John, aumentou a fluência e criatividade do jogo ofensivo, com as oportunidades a sucederem-se frente a uma defesa que procurava bravamente segurar o resultado. Execução primorosa de Lima na grande-penalidade, quebrando o enguiço, e precioso o "feroz" e oportuno remate do combativo Max, a bater Marafona sem apelo nem agravo.
Resultado justo e nota positiva para a equipa do Moreirense, fiel à sua própria tradição, com ressalva de eventual antijogo de Marafona. Está de parabéns o Treinador Miguel Leal quer pela qualidade da sua equipa, quer pela serenidade e clareza do seu discurso.
Julgo que a equipa de arbitragem esteve bem, excepto ao assinalar a grande-penalidade para o Benfica por ausência de contacto e ao deixar sem castigo máximo um corte com a mão de um defesa da equipa de Moreira de Cónegos impedindo o golo encarnado que seria, salvo erro, do empate.
O Vira Minhoto muito bem Dançado! (via Minho em Festa)
sábado, 20 de setembro de 2014
Lusos paradoxos!
Leio, que um estudante de 27 anos e um trabalhador da construção civil, de 46, morreram ontem colhidos brutalmente por dois touros durante a primeira largada noturna das festas em honra da Nª Srª da Boa Viagem, na Moita. Na largada, na qual participaram milhares de aficionados, ficaram ainda feridas três pessoas que receberam assistência no hospital do Barreiro. (CM 14.09.14)
E mais, que em Samora Correia, um cavalo feriu nove pessoas numa procissão a 15 de Agosto. Uma criança ficou em estado grave. (ibidem)
Ainda, que em Marvão, um homem de 52 anos, foi colhido por um touro numa largada a 14 de Junho e morreu. (ibidem)
Também que, ainda na Moita, um turista inglês sofreu ferimentos graves após ter sido colhido por um touro em 2013 nas festas da Moita. (ibidem)
Por último, que um representante da comissão de festas da Moita disse ter sido feito um grande investimento e que por isso, a festa iria continuar. (ibidem)
As largadas de touros são uma velha tradição às quais vai quem quer apesar do risco de morte, que nem por isso parecem suscitar particulares preocupações por parte das autoridades competentes, que certamente não terão dispensado a taxazinha habitual.
Recordo a profusão das pistas de skate a que qualquer criança iniciada tem acesso sem algum tipo de prevenção, com risco de acidentes que poderão ser graves. E mais carroceis, circos, teatros, sei lá que mais!
O meu amigo Pierre (nome fictício) enfastiado com a correria da vida parisiense, fascinado com a simplicidade dos portugueses e a tranquilidade de Portugal, mudou-se com a sua mulher, portuguesa, para lusas paragens, determinado a disfrutar de uma vida despretensiosa e tranquila. Investiu as suas poupanças num ginásio espaçoso, equipado com aparelhos de qualidade, acessível, conquistando apreciável clientela que assessorava e vigiava elaborando planos de treino criteriosos adaptados a cada caso mediante sua considerável experiência e conhecimento. Criaram-se amizades entre a comunidade de praticantes que, em geral, apenas pretendiam "endireitar o esqueleto" e pouco mais. A família de Pierre cresceu, com duas meninas que se fizeram adultas e tudo corria bem sem que se tivesse registado qualquer acidente no seu ginásio. Até que um dia os fiscais da ASAE lhe fecharam o estabelecimento a pretexto de irregularidade emergente de recente legislação, com aplicação da corresponde contra-ordenação, lançando no desespero uma família que tinha sido feliz e tinha contribuído para a felicidade da população local, no tempo em que escasseavam os equipamentos de ginásio.
Comecei então a reparar no surgimento de cadeias de ginásios de âmbito nacional e multinacional, em linha, aliás, com o processo de concentração e colonização tecnológica característica dos tempos atuais.
Face ao exposto, sou tentado a pensar que o desvelo da administração central com a segurança parece ter mais em conta a preservação de certo capital que das pessoas, ao mesmo tempo não se dispensa de tutelar a vida quotidiana de cada um, até nos aspetos mais vulgares, incapaz de reconhecer o direito à liberdade dos cidadãos. E chamam paternalista ao regime de Salazar, quando nem nos deixam respirar.
Face ao exposto, sou tentado a pensar que o desvelo da administração central com a segurança parece ter mais em conta a preservação de certo capital que das pessoas, ao mesmo tempo não se dispensa de tutelar a vida quotidiana de cada um, até nos aspetos mais vulgares, incapaz de reconhecer o direito à liberdade dos cidadãos. E chamam paternalista ao regime de Salazar, quando nem nos deixam respirar.
Jesus versus Mourinho
Não gosto do conceito que Mourinho tem do futebol, embora me agrade que tenha sucesso graças sobretudo ao remanescente chauvinismozinho que por cá anda. Por outras palavras, agrada-me que um português tenha sucesso internacional ainda que não admire o conteúdo do seu trabalho. Gosto do futebol espetáculo, do que é praticado pelas equipas que deixam jogar o adversário concedendo-lhe espaço e tempo, equipas que confiam em si próprias, de que é exemplo o Manchester United de Fergusson. Detesto o futebol compacto, físico, directo, que se desenrola em cinquenta metros de terreno, cujo primeiro movimento consiste em impedir a todo o custo o jogo do adversário e o segundo em marcar, seja como for, como é o caso das equipas de Mourinho. Este tem, quanto a mim, uma visão errónea do desporto que consiste na obcessão da vitória, sem olhar a meios, observável na incapacidade de reconhecer mérito ao adversário quando aquela não lhe é favorável. Na sua já longa carreira desportiva, são muitos os casos de intolerância aos adversários. De facto, tenho para mim que, Mourinho, pertence àquela categoria de pessoas que julga rebocar o mundo, entrando em estado de intensa ansiedade sempre que sente ameaçada a visão que tem de si próprio. Talvez seja esta, afinal, a razão da referência que fez ao caso Talisca, relativizando o mérito do departamento técnico do Benfica, considerando-o um acaso resultante de alegadas dificuldades burocráticas no Reino Unido relativamente ao atleta em causa. Pessoalmente, não acredito, porém, todos sabemos que o futebol português não tem como pedir meças ao inglês, cuja receita, com os direitos televisivos é só de mil milhões de euros esta época. Fora tudo o resto. Mas também poderá ser motivada por "dor de cotovelo" por causa de Markovic ou por alguma encomenda dourada dos seus "velhos amigos" do passado, atónitos com o desempenho dos vermelhos, já por eles considerados moribundos.
Mourinho tem formação superior, com um currículo notável é um dos melhores treinadores da atualidade e é frequentemente grosseiro com colegas e atletas. Jesus tem a escola da vida, dá pontapés na gramática e ombreia com os melhores na sua profissão, ao serviço de um clube com um orçamento cerca de vinte por cento do dos clubes que Mourinho tem representado. Este, preferiu o caminho fácil para o sucesso ao aderir ao sistema que tem feito de qualquer um campeão aquém e além fronteiras. Ao contrário, Jesus, com a suas limitações, incorrecções e erros, aderiu a um projeto, aceitando e enfrentando o risco do fracasso, dada a adversidade do ainda poderoso sistema vigente no desporto nacional. Escolheu o caminho mais difícil, levando a sua equipa a produzir um futebol que pela sua espetacularidade e determinação tem fascinado o mundo do futebol, apesar das vicissitudes cada vez mais perceptíveis no futebol europeu.
Nobreza de carácter é não renunciar às origens humildes, aos seus, nem pretender ser outro com trejeitos pedantes de novo rico e pretensões pseudointelectuais. Pobreza de caráter é diminuir o mérito dos outros com alusões insultuosas que nada têm a ver com a substância do tema em causa. Se, um dia amadurecer, Mourinho, finalmente, irá compreender isto.
quinta-feira, 18 de setembro de 2014
Ocaso democrático
Leio; "Políticos ganham mais €133,00. Representantes de poder legislativo e órgãos executivos resistem à crise.
Numa época de graves dificuldades para a generalidade dos cidadãos e empresas em que a incerteza e angústia são companheiras de todas as horas, o aumento de salários da classe política testemunha a sua alienação do país real, a decadência e descrédito do regime de partidos, cujos valores democráticos necessitam de restauração urgente. Persistir nesta trajectória, tarde ou cedo acarretará mudanças trágicas.
Tardio despertar
Leio; na sequência da derrota com o Zenit, Jorge Jesus (JJ) equaciona alterar o eixo defensivo da equipa, insatisfeito com o desempenho de Jardel, o qual terá cometido lapsos causadores dos golos do adversário e da consequente derrota. Se assim é, não me resta alternativa senão criticar JJ, pela tardia compreensão de uma evidência para um "treinador de bancada" como eu. Jardel tem qualidade e suscita simpatia, todos o sabemos; é emotivo, generoso, combativo e humilde, mas é traído por esses mesmos atributos. Segue a bola, vai a todas com tudo, e...desconcentra-se, perde o sentido posicional, desgasta-se, chega tarde e faz faltas. Pode ser muito útil com certos adversários e noutras zonas do terreno; onde tenha protecção nas costas. Claro que JJ sabe, sabia disto; creio que, apesar disso, decidiu dar uma oportunidade a Jardel acreditando na sua capacidade de evolução em plena alta competição ao lado de Luisão, o que o enaltece. Mas foi aqui que falhou; ao não compreender que os requisitos necessários à evolução supostamente pretendida relevam eminentemente da natureza e carácter de cada um e pouco, muito pouco, do treino e experiência. Jorge Jesus, neste particular, poderia e deveria ter feito melhor. Será que Lisandro - ou mesmo Mitrovic, já fora do clube -, não constituiria melhor opção?terça-feira, 16 de setembro de 2014
Benfica-Zenit (0-2)
Perdemos o jogo mas ganhámos a equipa e o público; pela atitude mental e qualidade técnico-tática que todos os jogadores demonstraram e que poderia até ter valido outro resultado. Mérito ao guarda-redes adversário e demérito do árbitro pela incoerência que demonstrou.
Entendamo-nos; a equipa do Zenit apresentou um futebol de grande qualidade em todas as vertentes, física, tática e técnica, muito dinâmico e sincronizado, recuperando a posse da bola com grande eficácia e com entradas fulgurantes a rasgar a defesa encarnada, que rendeu um golo e uma expulsão e decidiu a contenda. A equipa do Benfica, ainda em "afinações" entrou desconcentrada, algo desconexa e lenta, reagiu estupendamente à adversidade do resultado e da inferioridade numérica fazendo os adversários suar as estopinhas, contrariamente aos meus receios de decaimento mental coletivo. Provavelmente os jogadores do Zenit baixaram a intensidade de jogo, mas também é verdade que, pelo menos na 2ª parte, se viram gregos com os encarnados. Que o diga o seu guarda-redes que a estes negou dois tentos, que seriam belos e merecidos. Que o diga o árbitro cuja atuação, sem surpresa, pendeu para os "gaspromes". Fantástica a cabeçada do Luisão, o quase-túnel de Lima e slalom quase fatal de Enzo. Muito bem Paulo Lopes a mostrar que tem argumentos para a baliza do Benfica. Fantástico o público não regateando os aplausos que os jogadores mereceram.
Uma coisa é certa; este Benfica tem larga margem de progressão. Já o Zénite me parece estar próximo do seu zénite. Cá calharás.
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