Desporto

sábado, 10 de setembro de 2016

Coisas em Arouca

 
Fishing Boats on the Deauville Beach 1866
 
Três pontinhos, inteiramente merecidos, embora sofridos, já cá cantam. Em geral a dinâmica da equipa do Benfica foi boa, tendo criado oportunidades suficientes para um resultado dilatado. Foi escasso, graças ao défice de finalização e ao erro grosseiro de Veríssimo no lance da grande penalidade perdoada ao Arouca. Daria o 0-3 ficando o Arouca com 1o jogadores depois do que, levaria uma valente coça tipo meia-dúzia. Em vez disso fez o 1-2 logo a seguir e, felizmente, ficou-se por aí.
 
Mais uma vez uma falha de marcação dos centrais encarnados no jogo aéreo custou um golo. Julgo que o Rafa deveria ter jogado na ala - necessita de espaço para transportar a bola, fintar os adversários e centrar ou declinar para o meio para rematar à baliza. Julgo que Guedes pode fazer bem a posição de avançado centro; tem arcaboiço para lutar com os centrais e remata bem com os dois pés. Contudo, os alas estiveram bem. Zé golo ia molhando a sopa mesmo no fim, na sequência de uma jogada fantástica de Horta; vê-se que sabe movimentar-se na área. Os restantes jogadores pareceram-me bem.
 
O intervalo parece que fez mal ao árbitro, tal como aconteceu ao do jogo com o Setúbal. Os árbitros não deviam estar acessíveis a contactos externos de qualquer espécie durante os intervalos dos jogos. É que, às vezes, parece que acontecem coisas...do arco da velha.
 
Vamos a ver se passa a maldição das lesões aos jogadores encarnados.

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Filipe Vieira; notas sobre a entrevista de ontem

 
Claude Monet - Heavy Sea at Pourville, 1897
 
No seu estilo simples, sem rasgos de oratória, Filipe Vieira, respondeu a todas as questões avulsas que lhe foram colocadas, definiu os objetivos para a próxima época e, sobretudo, clarificou o seu projeto para os próximos anos. É esta última parte que me parece mais relevante.
 
Distingo três estágios, cumulativos, no consulado de Vieira no Benfica; o das infraestruturas, o da competitividade e o da identidade. O primeiro continua em curso e dispensa comentários. O segundo foi atingido nos últimos anos em ambos os planos; interno e externo, com o anterior ainda em expansão. O terceiro iniciou-se com a entrada de Rui Vitória, com os anteriores em curso.
 
O plano da identidade consiste na manutenção na equipa principal de uma maioria de jogadores de nacionalidade lusa originários da formação do clube. Com os modelos desportivos bem consolidados, passados os sucessivos crivos de exigente avaliação, os jogadores que chegarem ao topo serão necessariamente bons e trarão consigo  a mais-valia  da cultura do clube consolidada, em cada caso, por cerca de uma década de manto vermelho vestido. Acredito que este modelo trará sinergias à equipa.
 
A segunda vertente deste plano, que até agora não tinha sido bem compreendido, ficou bem expresso na descrição do objetivo de planeamento desportivo a médio prazo. Desta vez foi mais longe ao referir a acção abrangente do Treinador principal ao acompanhar os jovens da formação, elaborando planos de progressão individuais e das respetivas integrações na equipa sénior A. Parece evidente que, este método, possibilitará estabilidade a toda a estrutura associada a maior responsabilidade e dignidade de todos os envolvidos, desde técnicos a jogadores. O grande desafio que aqui se coloca é o de assegurar o talento inerente ao jogador de alta competição, reconhecendo-o precocemente e sabendo desenvolvê-lo ao nível pretendido.
 
Finalmente a terceira e última vertente é, nada mais nada menos, que a financeira, definido o objetivo de redução do passivo aos 200 milhões de euros, considerado essencial para a retenção no plantel, durante mais tempo, da estrutura nuclear da equipa, por sua vez necessário à prossecução dos mais altos objetivos desportivos, nomeadamente europeus. Lembremo-nos que o Benfica paga cerca de 22 milhões de euros anuais em juros! Uma barbaridade comprometedora da competitividade desportiva. Este plano permitirá reduzir os encargos de recrutamento maximizando as mais-valias das transações, criando excedentes, que permitirão, paulatinamente, cumprir o objetivo da redução do passivo.
 
Haja capacidade para pôr isto a funcionar.
 
Quanto ao resto, algumas curiosidades e clarificações interessantes acerca dos múltiplos episódios que têm surgido. De enaltecer a postura cordial para com os principais rivais e respetivos dirigentes, clarificando fronteiras.
 
Boa sorte.

terça-feira, 6 de setembro de 2016

Das novas regras do futebol

Desert Journey 1935, Maynard Dixon
É surpreendente a quantidade de regras de futebol que foram modificadas esta época; algumas aparentemente sem causa, outras oportunas, vejamos:
A "paradinha" deixa de ser possível; não sei porquê; é um belo gesto técnico e o público gosta de espetáculo. Será que a consideram uma humilhação para os guarda-redes?
Nos prolongamentos pode fazer-se mais uma substituição. Acho bem.
Pausas para hidratação - uma velha artimanha do antijogo - passam ser adicionadas, obrigatoriamente, ao tempo regular de jogo.
Vídeo-árbitro em teste durante dois anos e só para os golos. Acho que ninguém o quer e é pena; os árbitros deixariam de ter desculpas para os erros grosseiros, que seriam expostos ao público..., e os seus supervisores ficariam sem os habituais argumentos, invariavelmente desculpabilizantes.
As violência intencional, ainda que sem contacto, é punível com livre direto e cartão vermelho. Parece-me bem.
Ofensas ao árbitro são puníveis com livre direto; penalti dentro da área. Nada contra.
Reposição da bola em jogo não tem que ser para a frente. Não vejo o alcance da coisa.
O causador involuntário de grande penalidade será punido apenas com amarelo. O vermelho destinar-se-á ao faltoso intencional. Concordo; um jogador não deve ser punido por tentar jogar a bola lealmente, seja em que zona do campo onde for.
O jogador vítima de falta punida com vermelho é assistido no relvado, exceto em caso de recuperação prolongada. Acho bem.
Agora uma bomba; a equipa do elemento do staff técnico que interfere no jogo provocando-lhe uma paragem, será punida com livre direto marcado no local onde se encontrava a bola no momento da infração; penalti, se dentro da área! Acho bem. O JJ está à pega!
Alerta!, o árbitro pode punir com cartão vermelho um jogador a partir do momento da inspeção do relvado; no aquecimento ou no túnel. Porém, a equipa do condenado pode substitui-lo. Cuidado com os provocadores; veja-se o que aconteceu no futsal na época passada!
Para o fora de jogo deixam de contar as mãos e os braços. Boa ideia, mas faltam os pés.
Tudo isto e mais as restantes regras alteradas, num total de 95, foram decididas pelo International Football Association Board, fundado em 1883, que reúne duas vezes por ano e é constituído por cindo membros; quatro delegados das federações de Inglaterra, País de Gales, Escócia e Irlanda do Norte e um representante da FIFA. Não sabia.
Não me parece sensato mexer em muita coisa ao mesmo tempo mas pode ser que, pelo menos algumas das medidas deem bons resultados. A questão fulcral não são as regras mas a cultura dos agentes da lei no terreno; o respeito que devem a todos os envolvidos no jogo, direta ou indiretamente. A tal coisa que também não há na atividade política.
Boa sorte.

IPCC Forgets Antarctic Ocean Circulation and Can’t Explain New Record Ar...


segunda-feira, 5 de setembro de 2016

A nova época desportiva

 
 
Diego Rivera - Cancionero tocando cítara, 1938
 
Antes demais é de salientar e felicitar a equipa de andebol do Benfica pela conquista da supertaça, derrotando a valorosa equipa do ABC para a qual perdera o Campeonato Nacional e a Taça Challenge na época transata. É de enaltecer a abnegação e superação de todos, atletas, equipa técnica e dirigentes, que lhes permitiu ascender ao patamar competitivo dos principais rivais, dois dos quais, Porto e Sporting, bateram em momentos decisivos. Mesmo as vitórias do ABC não foram categóricas; em qualquer das duas finais a vitória poderia ter pendido para os encarnados.

Cheguei a duvidar da competência de Mariano Ortega, mas enganei-me; a serenidade que ostenta é a do conhecimento. Também duvidei da eficácia da formação, mas voltei a enganar-me; se há talento, o atleta-adepto junta algo mais ao seu desempenho. Consta que os rivais se reforçaram bem para a época que se inicia, em especial o Sporting, mas também o Porto, que se consideram os "reis" da modalidade. Como se viu tal pode não ser suficiente. Há que fazer melhor nesta época. Cá para mim, reforçava a baliza e a meia distância.
 
Parece-me necessário fazer algo na equipa do futsal para superar o rival Sporting; seja no plantel, seja na equipa técnica, seja a nível institucional. Na verdade à vitória dos verde-brancos na época anterior não foi alheio o seu comportamento desestabilizador nem a complacência da respetiva secção da FPF, que já preparou nova e absurda gracinha para enfraquecer os encarnados no próximo embate. Falta competência ou seriedade na FPF. Nada de novo. Os Dirigentes encarnados devem indagar junto de quem de direito se querem o seu clube a disputar a modalidade em Portugal...ou não.
 
Vólei e Basquete, terão que fazer mais e melhor esta época identificando e corrigindo as razões do insucesso relativo na época pretérita. Pareceu-me que, nos dois casos, houve, sobretudo, mérito dos adversários; o Fonte Bastardo pareceu-me possuir uma equipa ligeiramente mais sólida, muito graças à excelência de um dos seus jogadores que ganhou muitos pontos decisivos na extremidade da rede devido a uma técnica muito apurada. Na equipa de basquete do Porto a diferença, tangencial, deveu-se, especialmente, ao contributo de um jogador americano extremamente sereno e muito eficaz na meia-distância. Também a lesão de Andrade nos jogos decisivos foi crucial para os azuis. Mais eficácia nos três pontos e maior concentração a defender parece-me serem os principais desafios para esta época.
 
No hóquei há que resistir à fatal displicência que costuma atingir os que chegam ao topo. Exemplos não faltam. Esqueçam-se que ganharam tudo na época passada. À viva!
 
A equipa B de futebol sénior depois de duas jornadas meio manhosas - atenção aos homens do apito -, encarreiraram com dois excelentes triunfos fora revelando grande caracter, especialmente devido à valia dos adversários.
 
Nas camadas jovens de futebol já deu para ver que andam por lá alguns miúdos com grande talento. Veremos como se irão sair. Fiquei desolado com a derrota dos iniciados no Seixal contra o Sporting na época época transata, que lhes valeu o título, e fiquei convicto que a viragem nesse jogo foi obra do senhor do apito. Coisas da FPF, que mais parece um quartel general do anti-benfiquismo.
 
O futebol sénior arrancou com um padrão algo semelhante à época anterior; o Sporting vai ser campeão. Dizem. E, a julgar pela violência com que os seus jogadores continuam a empregar no terreno de jogo bem como à "vista grossa" que os senhores do apito têm feito, é bem capaz de ser possível. O trabalho de desestabilização fora das quatro linhas continua; deste vez, o alvo é o Luisão. Está velho e querem pô-lo na rua. Juram. As tentativas de retaliação prosseguem, desta vez com o caso Rafa. Juram que não e contratam Marcovick, um ex-benfiquista "ajuramentado", julgando fazer mossa no porta-aviões. Há porém uma mudança; Bruno de Carvalho mudou o discurso relativamente aos árbitros. Coitados; passaram a ser gente boa, à procura de fazer melhor! Significa que foram feitas as mudanças que lhe interessavam e está seguro disso. Benfica e Porto, perderam pontos com arbitragens polémicas nas três jornadas iniciais. Ah!, mas agora, nem dirigentes, nem comentadores, nem taxistas, nem mulheres a dias podem criticar as arbitragens! Filipe Vieira, mal abriu a boca em privado e em jeito de desabafo - falando para si próprio -,  vai já levar um castigo exemplar! Agora não! Agora não se pode empurrar nem agredir árbitros, nem chamar-lhes nomes feios à vista de todos, nem prometer-lhes pontapés naquele sítio logo depois das costas, nem insinuar propinquidades dos mesmos. Agora é a sério! As supremas autoridades estaroladas não permitirão insurgências, nem em pensamento. Diz-se esta gente empenhada na credibilização do futebol. Só se for...do seu futebol!
 
No Porto, a falta de vitórias e o ocaso de Pinto da Costa estão a provocar grande e inevitável turbulência. Veremos qual o novo rumo dos azuis e brancos. Em qualquer caso, serão sempre um adversário temível. Gostaria que, finalmente, encetassem o caminho da credibilidade.
 
Quanto ao Benfica, inicia a época um patamar acima do da época anterior; sem grandes mexidas, bem reforçada, com uma pré-época mais consentânea com a normalidade, com o trauma Jesus e as dúvidas relativas a Rui Vitória superadas. Inevitáveis e incompreensíveis são as lesões que se abateram sobre os jogadores. Nove. Não é azar a mais? Não haverá por aqui um padrão identificável?  Haverá encomendas? O que é certo é que as seleções têm saído bem caras ao Benfica. Espero que estejam a analisar o assunto sob todas as vertentes. Aqui há gato!
 
Absurdo é o prolongamento da época das transferências até tão tarde, já com os campeonatos em andamento! Subverte a justiça competitiva. Deveria terminar após a pré-época, quinze dias antes do início dos campeonatos, mas deveria ser permitido a qualquer clube, em qualquer momento, admitir um jogador por lesão grave irrecuperável até final da respetiva época. Nada mais.
 
Força, Benfica!

PS; O empenho de Rafa em vir para o Benfica é comovente; significa que busca algo mais além da recompensa financeira. Algo mais que o Benfica lhe pode proporcionar. Também me parece. É com este espírito que se cria aquela tal coisa a que chamam mística. Força, Rafa.
 

sábado, 27 de agosto de 2016

A guerra da Choupana

    
                    
Pablo Picasso - (1881 -1973) '' Periodo blu '' La minestra (1902)
 
   Difícil, como se esperava, foi o jogo com o Nacional (1-3).  As mesmas deficiências no meio campo e na ala esquerda, que se verificaram no jogo anterior. Mais remates, mesmo défice de criatividade. Sálvio e Jonas melhoraram as dinâmicas ofensivas; o primeiro assistiu para o segundo golo. Parece haver algo errado no eixo da defesa; mais uma vez os centrais ficaram a ver jogar, no lance do golo. Jimenez  trabalhou muito e teve merecido prémio ao fazer o terceiro num belo movimento técnico. Carrilho, é craque; segura a bola, sabe o que fazer com ela e é inderrubável. No meio campo é preciso fazer qualquer coisa; passar ao 433?, meter o Célis ou o Pizzi no meio? Não sei, mas é preciso melhorar o posicionamento, a combatividade e a criatividade.
 
   Nacional muito combativo; velocidade, força e boa circulação de bola. Muito bem no golo. Treinador tipo vintém!
 
  Surpreendeu-me o árbitro; esperava umas rasteiras, mas, se as houve, não dei por elas.
 
   A equipa da última meia-hora pode aspirar ao título. Parece-me!

   Quanto a nevoeiro...népia!...e esta?
 
Força, Benfica!

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Mediocridade tuga

  
 

 Antonella Cinelli - Segreti
  
   O jornal diário Correio da Manhã (CM), revela frequentemente, em matéria desportiva, especialmente na que envolva o Benfica, atitudes asquerosas. Percebemos que professa ativamente um anti benfiquismo militante usando as mais variadas artimanhas para, ou denegrir o clube vermelho quando perde ou depreciar as suas vitórias. Não sei se 17 milhões euros de encargos públicos com o projeto olímpico nacional - cerca de 4 milhões por ano - é muito ou pouco. Porém sei que tal avaliação deve contemplar o impacto global no desporto nacional de alta competição e não apenas nas medalhas.
 
   As participações portuguesas em provas olímpicas sempre foram parcas em medalhas. As limitações são muitas, a começar pela falta de relevância que a doutrina política nacional atribui à massificação do desporto juvenil e seu enquadramento técnico; seja relativamente a pessoal seja quanto a infraestruturas. De todo o modo, não se exigem medalhas olímpicas como quem pede uma bica!, ganhar aos melhores do mundo, seja em que modalidade for, não é coisa que se exija, ou que seja alcançável só com dinheiro; pessoal e infraestruturas. Sem talento, os tais ovos, nada feito. E isso não se inventa! Carlos Lopes, Rosa Mota, António Leitão, Fernanda Ribeiro, Nelson Évora e Telma Monteiro, são casos excecionais. Ainda assim, Além da medalha da Telma houve participações honrosas várias, acima do 1oº lugar, o que me parece muito bom, sendo de considerar que, quer a Telma, quer o Nelson se viram a braços com lesões graves - mais o Nelson -, no período antecedente.
 
   Mas o ponto que pretendo focar não é este. Aparentemente, o que o CM quer dizer é que 17 milhões de euros é excessivo para tão fraco resultado, criticando, implicitamente, todo o projeto olímpico. Por outro lado, a montagem da notícia - título com a foto da Telma ao lado mostrando a medalha - visa; implícita e explicitamente criar no leitor a ideia de que aquela medalha não valeu a pena!...Evidentemente. Porque a atleta em questão é do Benfica e este clube se empenhou muito ativamente na sua preparação, bem como de outros atletas, alguns dos quais com resultados dignos, casos da Dulce Félix, de um canoísta e de um triatleta, dos quais não recordo os nomes.
 
   Ora o que é adequado é enaltecer o feito da Telma, conseguido graças à excelência com que domina a sua disciplina e à sua tremenda vontade de vencer, bem como o Benfica, desafiando outros a seguirem lhes as pisadas.  
 
Mas não!, o anti benfiquismosinho, mesquinho, doentio e bafiento mais uma vez surgiu em todo o seu esplendor  em mais uma demonstração da falta de qualidade do jornalismo de que Portugal padece, uma das causas do estado de decadência em que a "democracia" lusa se encontra.

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Mãozinha do Proença

  
Alberto Pla Y Rubio, 1867, 1937
 
   Apesar de o Vitória de Setúbal ter criado apenas a oportunidade que lhe deu o golo e de ter havido algum ascendente ofensivo por parte do Benfica em quase toda a partida, o empate encerra alguma justiça.
 
   Este jogo revelou, no Benfica, claramente, a falta de Renato, de Gaitan e de Jonas. Faltou músculo no meio campo, criatividade no jogo ofensivo e mobilidade na zona de finalização. Ainda em busca de novas dinâmicas ofensivas, bloqueados nos flancos e pressionados no seu meio campo, com Mitroglou sozinho no eixo do ataque, os encarnados, praticando um futebol direto, tiveram grande dificuldade em criar situações claras de golo e quando as conseguiram lá estava o jovem Varela, intransponível.
 
   O Vitória jogou muito bem posicionalmente fechando bem as linhas, pressionando de imediato o adversário, quase sempre com vários jogadores, defendendo com grande concentração e empenho e recorrendo ao habitual antijogo perante o ascendente encarnado.
 
   Com as entradas de Raul e Guedes o ataque do Benfica foi avassalador e teria virado o resultado caso se tivessem verificado uns minutos mais cedo. A ratice de Jonas fez-lhes falta. Um ponto a menos para o Rui Vitória.
 
  Já Couceiro esteve muito bem com a forma como dispôs os seus jogadores e, sobretudo, no decisão da entrada do avançado sobre o qual foi cometida a falta da qual resultou o golo dos sadinos. Percebia-se a sua pretensão de sacudir a pressão encarnada, segurando o jogo à frente. E teve sucesso.
 
   O árbitro da partida, um tal Manuel Oliveira, da Associação de Futebol do Porto (donde haveria de ser?) - já velho conhecido dos benfiquistas pelo mau desempenho na época passada na Luz no jogo entre o Benfica e o Rio Ave -, com alguns erros graves nos minutos finais impediu os jogadores encarnados de tentarem dar a volta ao resultado. Com Pedro Proença nos destinos da Liga outra coisa não era de esperar; ele, que quando foi árbitro, com decisões polémicas proporcionou vários campeonatos aos azuis.   
 
   Há muito trabalho a fazer no Benfica; a ala esquerda continua sem dono e falta algo no meio campo.  Com o regresso de Jonas tudo se simplificará.
 
   Toca a trabalhar.   

domingo, 14 de agosto de 2016

Com o pé direito!

 
 David Alfaro Siqueiros - Retrato de Carmen T. de Carrillo, 1946.
 
O Benfica começou bem a nova época; depois da vitória na supertaça arranca outra ao Tondela na primeira jornada do novo campeonato, algo que não acontecia há uns anos. Relativamente à época anterior os encarnados apresentam-se num patamar superior desejando-se que tal não suscite excesso de confiança, sempre acompanhada de displicência. Humildade, inteligência, combatividade e ambição deverão, tal como na época anterior, manter-se no foco coletivo.
 
O jogo correspondeu à espectativa; um Tondela raçudo e combativo, à imagem do seu Treinador, criou imensas dificuldades ao Benfica faltando-lhe, por vezes, o talento individual para concretizar algumas oportunidades que soube criar. Lembremo-nos que, na época anterior, criaram graves dissabores aos outros "grandes".
 
Uma ansiedade tranquila habitava os adeptos encarnados na espetativa  das soluções do meio campo e no lado esquerdo, receosos, também, das habituais dificuldades inerentes aos campos pequenos e ao habitual posicionamento compacto e agressivo deste tipo de adversários. No meio campo, André Horta, confirma a titularidade, revelando excelente combatividade e capacidade nos passes longos e ainda na viragem repentina de flanco. Culminou a sua exibição com um golo monumental que, certamente, correrá mundo e, também ele, patenteou aquela qualidade que só os jogadores oriundos da formação do clube dispõem; o amor ao clube dá-lhes "asas", aos sonhos e....aos pés! Fantástico.
 
Lisandro está maduro para a alta competição e "Pizzi" é o playmaker" de excelência; a trajetória da bola no lance do primeiro golo é fatal para qualquer defesa. Um espanto!
 
Júlio César, o "Imperador", não faltou à chamada quando foi necessário, efetuando algumas defesas decisivas para a vitória.
 
Franco Cervi, iniciou o seu processo de adaptação ao futebol português; sem espaço e com muita "paulada". É craque, vai vencer.
 
Grimaldo joga "p'ra caramba" e ia "molhando a sopa" num livre exemplarmente executado e consta que Guedes se portou bem a fazer de Jonas.
 
Parece que não houve erros grosseiros de arbitragem, à exceção de uma falta na área do Tondela para penalty, e de um outro lance na área encarnada em que cai o avançado tondelense, eventualmente, devido a contacto do defesa.
 
Enfim; a vitória não oferece contestação e o rendimento da equipa é tendencialmente crescente. Resta-nos a desgraça das lesões, que continuam a assolar o plantel. Se calhar é melhor ir ao "bruxo" ou "bruxa" desfazer o bruxedo ou bruxedos. Esperemos que a lesão de Luisão não seja grave.

http://videos.sapo.pt/0zaUIaS1GFdHDUpONHGZ

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

As pequenas grandes histórias dos bastidores do desporto



Emil Nolde - Meer bei Alsen (Sea off Alsen), 1910.

""O Sporting precisava de reforçar-se para ficar no pódio na Taça dos Clubes Campeões Europeus em pista e dois atletas do Benfica estavam na agenda do ‘Senhor Atletismo’. Moniz não perdeu tempo e falou com José Manuel Antunes, na altura vice-presidente das águias, que acabaria por facilitar o ingresso dos atletas. E o Sporting seria campeão europeu pela primeira e única vez em 2000.

"O prof. Moniz Pereira convidou-me para tomar chá em sua casa. Nesse encontro disse-me que com dois atletas do Benfica, o Vítor Costa no martelo e, sobretudo, o Carlos Silva dos 400 m barreiras e da estafeta de 4x400 metros, o Sporting poderia chegar ao pódio. Portugal nunca tinha atingido um lugar nos três primeiros", recorda José Manuel Antunes, dando conta da forma como Moniz Pereira fez a abordagem: "Disse-me que estava com quase 80 anos e esse era um dos maiores sonhos da sua vida. Mas como havia um acordo de cavalheiros não iria mexer uma palha sem o meu consentimento", lembrou o ‘vice’ das águias.

Quando o Sporting conquistou a Taça dos Campeões Europeus, o ‘Senhor Atletismo’ telefonou de imediato a José Manuel Antunes a chorar. "E chorei com ele", recordou o dirigente. "

(José Manuel Antunes - Vice-Presidente para as modalidades na era Vale e Azevedo - citado por Norberto Santos, no Record, jornal conotado com o Sporting)

http://www.record.xl.pt/modalidades/atletismo/detalhe/o-pedido-especial-de-moniz-pereira-ao-benfica.html